Traysia (Sega Mega Drive)

Tempo de voltarmos à Mega Drive para um jogo que há muito já tinha curiosidade em experimentar. Isto porque seguramente há mais de 10 anos que dei por mim a comprar, por cerca de 5€, um cartucho da versão japonesa de Traysia, numa loja em Matosinhos que entretanto já fechou. Mais recentemente, apercebi-me de que uma empresa espanhola, a Shinyuden, relançou Traysia não só com uma nova localização para inglês, mas também com uma localização em castelhano. Ora, como o preço desta nova versão não ficava assim tão aquém do que é habitual encontrar pelas versões para Sega Genesis, decidi antes comprar um exemplar da localização original da Renovation, algo que aconteceu no início deste ano, depois de ter encontrado um bom negócio na Vinted.

Jogo com caixa e manual, versão norte-americana publicada pela Renovation

A história é simples. Nós encarnamos no papel de Roy, um jovem aventureiro que decide deixar a sua cidade natal de Johanna para explorar o mundo à sua volta. Para trás deixa também Traysia, a sua namorada de longa data que, antes da sua partida, lhe dá um pendente como recordação. E Traysia será, de certa forma, parte integrante da história, pois em momentos-chave Roy irá recordar-se dela e assim encontrar forças para ultrapassar os obstáculos que se vão atravessando no seu caminho. A narrativa está, no entanto, dividida em diversos capítulos, cada um com uma história relativamente contida, assim como as cidades e dungeons que poderemos explorar. E não querendo revelar muito da narrativa, que posso desde já dizer que não é nada de extraordinário, digamos apenas que há um certo vilão que vai aparecendo em todos os capítulos e ganhando cada vez mais protagonismo.

Cartucho solto da versão japonesa

No que toca à jogabilidade, Traysia é, acima de tudo, um JRPG com encontros aleatórios e batalhas por turnos, cujos intervenientes se podem mover por uma espécie de grelha, o que daria a este Traysia um certo elemento estratégico. Daria, porque na verdade o que acontece é que isto acaba por tornar as batalhas bem mais lentas e aborrecidas, pois cada personagem precisa de pelo menos um turno para conseguir aproximar-se dos inimigos. E verdade seja dita, o sistema de batalha é muito fácil de partir: cada cidade vai tendo uma série de lojas onde poderemos comprar mantimentos e novas armaduras, armas ou acessórios. Entre estes estão uma série de sticks, que podem aumentar as características das nossas personagens caso os equipemos. A questão é que o jogo permite-nos equipar tantos desses itens quanto o nosso espaço no inventário permitir, o que, por si só, nos pode deixar desde logo praticamente invencíveis. Felizmente, no entanto, este não é um jogo com encontros demasiado frequentes.

Mesmo quando não temos party members, o seu espaço fica sempre ocupado na parte direita do ecrã

Mas há muito mais onde Traysia deixa a desejar. Toda a interface, por exemplo, é um caso gritante de algo que precisava de ser melhorado. Cada personagem é personalizável e possui um inventário próprio, no entanto, para interagir com as mesmas, precisaremos de navegar por uma série de menus baseados em ícones que não são necessariamente muito intuitivos. Querem comprar armas ou armaduras novas? Boa sorte em perceber se o equipamento que pretendem comprar é mais forte do que aquele que já têm equipado, para além de saber quem o poderá utilizar.

O sistema de batalha tem um quê de tactico, na medida em que teremos de nos mover pelo ecrã e atacar os inimigos apenas quando estejam dentro do nosso alcance

Visualmente é também um jogo algo simples. Não há uma grande variedade de cenários e o jogo mantém a mesma perspectiva e câmara em todos os momentos, seja ao explorar cidades, dungeons ou as áreas abertas do mundo. Neste último caso, sinceramente, a câmara pareceu-me demasiado próxima, o que complica um pouco a nossa orientação. Aliás, esse é outro problema de Traysia: muitas vezes ficaremos sem saber como progredir, especialmente quando chegarmos ao capítulo onde teremos todo um complexo de cidades subterrâneas para explorar, pelo que uma ou outra visita a um guia será recomendada. Felizmente, as músicas até que são agradáveis, particularmente as dos combates. E, ocasionalmente, o jogo tem algumas cenas animadas que, sinceramente, até achei bastante bem conseguidas e que seguramente seriam aquilo que mais chamaria a atenção nos ecrãs das lojas ou revistas na altura.

Estas cenas animadas com a história até lhe dão um certo charme.

Portanto, Traysia é, infelizmente, um daqueles RPGs de terceira linha que passaram despercebidos a muita gente e, depois de o jogar, entende-se perfeitamente o porquê de isso ter acontecido. Ainda assim, tenho uma espécie de curiosidade mórbida em experimentar jogos desta geração que sofram do mesmo mal, pelo que esperem mais uns quantos títulos ao nível deste Traysia no futuro.

Earnest Evans (Sega Mega Drive)

Finalmente de volta ao blogue, que o tempo livre para jogar tem sido escasso nos últimos tempos. Hoje trago-vos mais um título da Wolfteam, cujo lançamento original sempre nos escapou a nós, meros europeus. Earnest Evans é, na verdade, o segundo capítulo de uma trilogia iniciada com El Viento, jogo que já analisei por aqui no passado. Tal como o seu predecessor, Earnest Evans prepara-se agora para receber um relançamento na Mega Drive, desta vez pelas mãos da Limited Run Games. Enquanto a conhecida publisher norte-americana não der início a operações oficiais na Europa, tenho-me contido bastante nas compras, pois mesmo que um jogo base custe apenas 35 dólares, os portes de envio e as respectivas taxas aduaneiras fazem disparar o custo final para qualquer comprador europeu. No caso dos lançamentos físicos para a Mega Drive, o preço tende ainda a ser mais elevado, o que agrava ainda mais a situação. Dado que a versão japonesa de Earnest Evans para a Mega CD é bastante acessível, comecei por procurar alternativas na Vinted, até que me deparei com esta versão para a Mega Drive a um preço bastante convidativo. Infelizmente, trata-se de um exemplar proveniente de um vídeoclube, pois a capa e manuais estão cobertas de alguns autocolantes algo incómodos. A capa não parecia original, mas depois de ver alguns outros exemplares com os mesmos defeitos no corte da mesma, devo estar perante algum misprint. Ainda assim, pelo valor que paguei, não me posso queixar muito.

Jogo com caixa e manual

A história do jogo é confusa, pois houve claramente algo que se perdeu aquando da localização para inglês. O manual da versão Genesis indica que a acção decorre algures nos anos 80, mas Earnest Evans é, na realidade, uma prequela de El Viento, situando-se algures nos anos 20 ou 30. Não só por certos elementos visuais sugerirem que tudo se passa na primeira metade do século XX, mas também porque Annet Futabi, protagonista de El Viento, é aqui uma personagem que acabamos por resgatar. Independentemente destas incongruências causadas pela localização para o Ocidente, o que importa reter é que controlamos um wannabe de Indiana Jones, já que Earnest Evans é igualmente um aventureiro armado com um chicote, elemento central da jogabilidade. O objectivo? Travar os esforços de uma organização misteriosa que planeia ressuscitar uma entidade maligna inspirada nas obras de H.P. Lovecraft.

Desde miúdo que a introdução deste jogo me impressionava pelas suas cenas anime. Pena que quando o jogo começava o encanto ia embora.

O que salta logo à vista mal começamos a jogar é a forma estranha como controlamos o protagonista. Ao contrário do habitual, Earnest Evans não é representado por uma única sprite, mas sim por um conjunto de sprites articuladas. Trata-se de um efeito gráfico que empresas como a Treasure conseguiram implementar de forma impressionante nos bosses de Gunstar Heroes, mas que aqui acaba por não ter o mesmo resultado prático. Na verdade, Earnest Evans assemelha-se mais a uma marioneta, tal é a forma contra-natura como se movimenta. E o facto de nos podermos deslocar de pé, de cócoras ou a rastejar (utilizando os botões direccionais para cima e para baixo para alternar entre posturas) complica ainda mais as coisas. É bastante comum carregarmos inadvertidamente no direccional para baixo e vermos o protagonista cair e dar uma cambalhota sobre si próprio! O botão B serve para saltar, o A para atacar e o C para alternar entre as diferentes armas que vamos descobrindo. No entanto, a forma como usamos o chicote (também ele composto por várias sprites pequenas) é bastante obtusa, e a mecânica de detecção de colisões deixa muito a desejar. É um jogo com controlos francamente maus, ao ponto de se tornar hilariante. Algo de que nos apercebemos desde cedo é que o protagonista não tem quaisquer frames de invencibilidade após sofrer dano. Ou seja, enquanto tivermos um inimigo em contacto directo connosco, iremos sofrer dano de forma contínua, o que facilmente nos pode fazer perder vidas. Por isso, itens como comida, que regeneram a barra de vida, tornam-se particularmente preciosos!

Pena mesmo que as animações e controlos sejam maus que o jogo até tem alguns momentos bonitos

Earnest Evans foi também um dos primeiros jogos que experimentei através de emulação, algures em 1999. A cena inicial, com animações ao estilo anime, deixava-me de água na boca, mas esse entusiasmo inicial era rapidamente deitado por terra assim que o jogo começava, precisamente por causa das animações bizarras do protagonista e do seu chicote. Muitos dos inimigos surgem igualmente no ecrã como uma amálgama de sprites interligadas entre si, com resultados algo mistos, já que os inimigos humanos partilham as mesmas animações de marioneta ou boneco de trapos. Os níveis até apresentam alguns efeitos gráficos interessantes, como múltiplas camadas de parallax scrolling (particularmente nos cenários exteriores) ou bonitos efeitos de zoom em sprites. No entanto, o mau design dos inimigos e personagens, aliado a uma paleta de cores demasiado escura (algo bastante comum na Mega Drive), acaba por deitar tudo isso a perder. Além disso, quando existem demasiados inimigos no ecrã, a acção abranda notoriamente, revelando problemas de performance que ocasionalmente afectam a experiência de jogo. Por outro lado, a banda sonora é excelente, repleta de faixas enérgicas que tiram bom proveito do chip FM incluído na máquina de 16 bits da Sega.

Ocasionalmente poderemos encontrar outras armas mas as suas animações não são propriamente melhores

Este Earnest Evans é, portanto, um jogo interessante, mas não necessariamente pelas melhores razões. Até aprecio o conceito por detrás da aventura, mas a verdade é que apresenta problemas de jogabilidade bastante graves. Para além desta versão para a Mega Drive, o jogo foi lançado no Japão unicamente para a Mega CD. Pelo que apurei, a versão Mega CD é idêntica em termos de conteúdo, com excepção da banda sonora, que passa a estar em formato CD audio, e da inclusão de inúmeras cutscenes entre níveis, que ajudam a narrar melhor a história que o jogo tenta apresentar. Curioso também pelo jogo que encerra a trilogia: Anetto Futatabi, que me parece ser muito difernete dos anteriores. O meu exemplar da Limited Run Games já está encomendado!

El Viento (Sega Mega Drive)

Adoro o que a retro-bit tem vindo a fazer ultimamente com jogos de Mega Drive. De alguma forma eles conseguiram obter os direitos de certos jogos que a norte-americana Renovation lançou nos Estados Unidos, sendo que a esmagadora maioria desses títulos lá lançados por eles são jogos que nunca chegaram cá à Europa e, pelo menos até agora, têm escolhido bem o que relançar. Foi assim com os Valis, Gaiares e mais recentemente este El Viento. Desenvolvido pela Wolfteam, este El Viento é o primeiro de uma trilogia de jogos que também se incluem o Earnest Evans e Anetto Futatabi, este último exclusivo de Mega CD em solo japonês. O meu exemplar foi comprado na loja Xtralife, tendo-me chegado às mãos algures no passado mês de Janeiro.

Jogo com sleeve exterior de cartão, manual a cores e certificado. Relançamento da retro-bit.

A história coloca-nos no papel de Annet Myer, uma feiticeira que está no encalço de um misterioso culto que procura reviver uma divindade qualquer diabólica, Hastur. Aparentemente sim, é o mesmo Hastur do universo de Cthullu de H.P. Lovecraft. Annet e Restiana são descendentes de Hastur, mas Restianna é uma das vilãs, enquanto que Annet está do lado da raça humana e o jogo vai-nos providenciar toda uma série de cutscenes que ilustram o progresso da história, que decorre algures nos anos 20 (1920) nos Estados Unidos, onde iremos percorrer toda uma série de locais conhecidos.

O culto está a ser ajudado por uma organização mafiosa. Na versão original nipónica, este Vincente é nada mais nada menos que o Al Capone

No que diz respeito à jogabilidade, este é um jogo de acção 2D sidescroller com alguns elementos de plataformas também. O direccional serve para Annet se mover enquanto que o botão B salta (pressionando baixo e B fazemos um slide que também nos permite atravessar precipícios pequenos). O botão A serve para despoletar o nosso ataque principal, que são uma série de bumerangues atirados por Annet. Felizmente podemos atirar bastantes destes bumerangues em simultâneo e por vezes poderemos até encontrar alguns power ups que lhes dão algum movimento teleguiado para inimigos perto da sua trajectória. O botão C serve então para despoletar ataques mágicos, cujos vão consumindo uma barra de magia sempre que são executados e que se vai regenerando rapidamente quando não os utilizamos. O primeiro ataque mágico que desbloqueamos são bolas de fogo, seguindo-se uma serpente de água que atravessa o ecrã à superfície de onde a lançamos, passando por uma onda de ar capaz de causar dano com uma amplitude vertical considerável, ou bolas de fogo que explodem quando entram em contacto com algum inimigo. Por fim, o último ataque mágico que desbloqueamos são projécteis teleguiados que vão sendo disparados automaticamente ao longo de vários segundos. Para usar todos estes feitiços teremos no entanto de manter o botão C pressionado o suficiente para a selecção ir “rodando”. No entanto essa selecção não volta ao início enquanto não largarmos o botão (e assim despoletar o ataque seleccionado no momento), o que às vezes irrita um pouco.

Alguns bosses possuem um design bastante interessante, como é o caso desta criatura gelatinosa. Os seus pontos vulneráveis estão, naturalmente, dentro da gelatina.

Este não é apenas um jogo puramente de acção, pois à medida em que vamos atravessando os seus variados níveis vamos também encontrar vários desafios de platforming algo exigentes ou até algumas alturas onde teremos de utilizar alguns destes poderes para conseguir avançar no jogo e abrir caminho. No final de cada nível temos também um boss para enfrentar e estes tipicamente até que têm uma barra de vida consideravelmente larga. O último nível é um salto de dificuldade bastante grande, pois iremos constantemente ser atacados por pequenos morcegos que surgem constantemente em grande número e são bastante agressivos.

Não sei o que é que andar nas costas de um golfinho tem a ver com evitar a invocação de uma divindade demoníaca, mas a Wolfteam saberá certamente.

A nível audiovisual sinceramente acho o jogo um bocado fraco. É verdade que há uma grande variedade de níveis pois tanto atravessamos cidades norte-americanas dos anos 20, como passamos pelo famoso monte Rushmore, outros níveis passados em montanhas, cavernas ou desfiladeiros (como o Grand Canyon), culminando no Empire State Building que aparentemente estava ainda em construção. Um dos níveis é passado em Detroit, outrora o motor da construção automóvel Norte-Americana, pelo que o nível é passado… numa fábrica de carros! Mas tirando algum efeito gráfico interessante que vai surgindo aqui e ali, considero os gráficos deste jogo no geral como algo fracos. Há qualquer coisa no design dos níveis que não me agrada, mas isto é algo bastante comum nos jogos da Wolfteam nas consolas da Sega. Por outro lado alguns dos bosses estão muito interessantes. Entre cada nível teremos também toda uma série de cut-scenes (na verdade uma colecção de imagens algo estáticas) todas no estilo anime e que vão contando a história. A imagem que nos apresentam no final do último boss é um pouco desconcertante, no bom sentido, pelo menos para mim! De resto a banda sonora acho que até é bastante agradável, já os efeitos sonoros nem por isso.

Portanto este El Viento até que se revelou uma surpresa interessante. Não é um jogo muito bom, longe disso, mas é suficientemente original e interessante para me ter despertado o interesse. Fico ainda mais curioso para voltar jogar no o Earnest Evans, que já havia jogado em emulação há cerca de 25 anos atrás e ficou-me na memória como uma experiência bastante desagradável. Pode ser que a retro-bit o relance em breve!

Valis III (Sega Mega Drive)

Vamos agora voltar à série Valis para o seu terceiro jogo, que no caso da Mega Drive acaba por ser o primeiro título a sair nessa plataforma, pois tanto o Valis como o Syd of Valis acabam por ser remakes dos primeiros jogos que saem mais tarde nesta plataforma (o Syd of Valis é ainda bastante diferente do Valis II original). Portanto, sinceramente esperava que este jogo estivesse uns furos abaixo do Valis (algo semelhante acontece na PC Engine mas isso fica para depois), mas na verdade acabo por o achar superior! De resto, tal como os outros jogos desta série na Mega Drive, este nunca acabou por sair oficialmente em solo europeu, pelo que aproveitei para comprar algures em Junho deste ano a edição de coleccionador que traz os três jogos, relançados recentemente pela retro-bit.

A colecção como um todo

A história coloca-nos uma vez mais no papel de Yuko, uma jovem adolescente que terá uma vez mais de travar as forças do mal recorrendo aos poderes que a sua espada Valis lhe confere. Desta vez no entanto iremos ter a companhia de mais algumas personagens (Cham e Valna) que poderemos inclusivamente alternar o controlo entre as mesmas durante o jogo. De qualquer das formas, mesmo sendo o terceiro jogo da série (e o primeiro na Mega Drive), a cutscene inicial resume o que aconteceu nos primeiros dois jogos, pelo que os norte-americanos que jogaram isto em 1991 não perderam muito.

Valis III com sleeve de cartão, caixa, manual a cores bilingue e papelada

O remake do primeiro Valis na Mega Drive usa os mesmos controlos deste Valis III, pelo que nesse departamento não há muito a acrescentar: o botão C serve para saltar, sendo que se pressionado em conjunto com o direccional para cima nos permite saltar mais alto (o que nunca achei muita piada, confesso) e para baixo permite-nos descer de plataformas. O botão B ataca e se pressionarmos o direccional para cima em simultâneo poderemos activar várias magias elementais, cuja barra de MP poderá ser regenerada ao coleccionar cristais azuis, e as próprias magias que equipamos são também power ups que coleccionamos. O botão A serve para irmos alternando entre as personagens disponíveis ou se pressionado em conjunto com o direccional para baixo faz com que Yuko (ou as restantes) faça um slide e assim conseguir-se esgueirar entre passagens estreitas ou desviar do fogo inimigo.

Os diálogos que vamos assistindo mesmo durante a acção dão outro charme ao jogo!

No entanto, apesar da espada de Yuko disparar projécteis, ao contrário dos Valis anteriores não podemos evoluir/trocar o tipo de projécteis lançados. Abaixo das barras de vida e magia vemos uma outra barra de energia na forma de uma espada que se vai enchendo com o tempo e esvaziando sempre que atacamos. Tal como em jogos como o The Legendary Axe, os nossos ataques dão mais dano quando essa barra de energia está no máximo e menos quando a mesma estiver ainda a ser preenchida. Existem no entanto alguns power ups que podemos apanhar e podem expandir essa barra de energia (com os ataques causando mais dano quando a energia estiver no máximo) e outros que façam com que essa barra se encha mais rápido. Mas existem sim algumas variedades nos ataques que poderemos desencadear, bastanto para isso trocar de personagens. Cham ataca com um chicote à lá Simon Belmont e Valna usa uma arma mágica que dispara projécteis em várias direcções. Todos eles partilham a mesma barra de vida e magia no entanto e sempre que alguém morre lá se vão todos os power ups amealhados. Num jogo sem continues como é o caso, obriga-nos a jogar então de forma mais cautelosa. De resto só mesmo mencionar que nem sempre podemos alternar entre personagens escolhidas. No canto superior direito vemos uma série de caras, que correspondem às personagens que podemos controlar. A cara que está voltada para nós é a personagem que controlamos no momento, enquanto as caras de perfil significam que podermos alternar para essas personagens. Existem no entanto níveis ou outras alturas onde teremos de jogar com alguma personagem específica, com os retratos das personagens restantes a ficarem de costas para nós.

A nível de controlos o jogo é muito similar ao remake do primeiro Valis da Mega Drive, com a novidade de podermos controlar outros protagonistas e um diferente sistema de power ups

A nível audiovisual confesso então que fiquei impressionado por este jogo, que sai us valentes meses antes do remake do primeiro Valis, possuir gráficos melhores! Os cenários são mais interessantes e variados a meu ver, mas para além disso também me pareceram mais bem detalhados que os do remake do primeiro Valis. As sprites, particularmente as dos inimigos e bosses, são também mais bem detalhadas que as do remake do primeiro jogo! As cut-scenes anime que vão ocorrendo ocasionalmente estão muito boas para um cartucho de Mega Drive com 1MB de ROM. Para além de estarem tão bem detalhadas quanto as do remake, ainda vão tendo algumas pequenas animações aqui e ali que lhes dão um aspecto ainda melhor! Para além disso, mesmo durante o jogo ocasionalmente vamos tendo alguns diálogos com NPCs que também ajudam bastante à boa apresentação do jogo. A banda sonora é no entanto bastante agradável, tirando bom partido das capacidades do chip de som da Mega Drive para produzir melodias chiptune agradáveis e que ficam bem no ouvido.No entanto, o lançamento original deste Valis III foi para a PC Engine CD, que por sua vez trazia cut-scenes bem mais animadas e em maior número, voice acting, uma banda sonora em CD audio e vários níveis que foram cortados nesta versão. A Mega Drive possui no entanto alguns efeitos de parallax scrolling em vários níveis bem como um nível extra não presente na versão original.

As cutscenes anime continuam bastante boas e sempre foi o que me chamou à atenção desta série, quando a descobri através da emulação há mais de 20 anos atrás.

Portanto devo dizer que fiquei bastante surpreendido pela positiva com este Valis III na Mega Drive porque mesmo tendo saído antes do remake do primeiro Valis, parece-me ter mais qualidade no geral, o que me leva a assumir que o remake foi feito um pouco à pressa. Ainda assim o lançamento original é o da PC Engine em formato CD, que inclui bem mais níveis, cutscenes e voice acting que foram cortados nesta transição para cartucho. Mas isso será tema para um outro artigo futuro!

Valis (Sega Mega Drive)

Bom, vai ser um pouco difícil abordar a série Valis da forma correcta. Isto porque a mesma teve a sua origem no MSX e posteriormente noutros computadores nipónicos e consolas. Mas muitas dessas versões são consideravelmente diferentes entre si e o caso desta versão Mega Drive é curioso pois é na verdade um remake do primeiro jogo, tendo inclusivamente sido lançado depois de algumas das suas sequelas na própria Mega Drive. Este lançamento da Mega Drive foi originalmente publicado nos Estados Unidos pela Renovation algures em 1991 e, como a esmagadora maioria dos títulos que essa empresa publicou em solo norte-americano, não houve qualquer outro lançamento europeu. Isto pelo menos até à Retro-Bit ter anunciado no ano passado um relançamento físico dos 3 Valis que sairam para a Mega Drive, algo que eu acabei por comprar de presente de aniversário para mim próprio algures em Junho deste ano.

Edição de coleccionador da Retro-Bit com os 3 lançamentos da Mega Drive, sleeve exterior de cartão e um extra com uma gravura em acrílico

A história leva-nos a controlar Yuko, uma jovem aluna de uma escola secundária japonesa e que de repente, num dia chuvoso, se vê atacada por monstros. Nos últimos instantes, Yuko é salva por uma espada que lhe confere poderes mágicos, espada essa que lhe foi atribuída por Valia, líder de um povo pacífico de uma outra dimensão e que lhe pede ajuda para derrotar as forças do mal, lideradas pelo vilão Rogles, até porque este já havia corrompido uma das suas amigas de infância para lutar do lado das forças do mal.

Jogo com sleeve exterior, manual a cores e multilíngua inglês/japonês, postais e papelada diversa

E este é então um 2D sidescroller de acção/plataformas como muitos outros jogos da sua época. A jogabilidade é, em teoria, simples com um botão para saltar (C), outro para que Yuko ataque com a sua espada (B) e um outro para activar uma habilidade de slide (A) que nos permite esquivar rapidamente de alguns perigos. Se quisermos no entanto saltar mais alto teremos de pressionar o botão B e cima em simultâneo, o que pode ser algo chato em certas alturas. À medida que vamos explorando poderemos também encontrar toda uma série de itens e power ups, desde itens que nos regenerem a nossa barra de vida ou magia, vidas extra ou outros que mudam/melhoram o poder de ataque da nossa espada. Isto porque a espada começa também a disparar projécteis, mas sempre que apanharmos um power up que melhore o seu poder de fogo, passaremos a disparar projécteis em mais direcções, ou então usar outros ataques completamente distintos, como raios laser penetrantes ou flechas teleguiadas. A barra de magia serve precisamente para isso, para usar magias. Estas são adquiridas após derrotar certos bosses e podem ser desencadeadas através da combinação de botões de ataque (B) e cima. Diferentes magias poderão ser seleccionadas no menu de pausa e podem causar dano em vários inimigos no ecrã em simultâneo de maneiras diferentes.

Um exemplo das bonitas cut-scenes que poderemos ver

O que me chamou imediatamente à atenção da primeira vez que joguei este jogo há muitos anos atrás em emulação foram mesmo as suas cut-scenes anime que decorrem em certos pontos chave do jogo. Apesar de possuírem ecrãs algo estáticos, são cenas muito bem detalhadas. Já o jogo em si possui cenários algo genéricos infelizmente. Começamos por explorar uma zona urbana e com Yuko ainda vestida com o seu uniforme escolar, já os níveis seguintes são passados nesse tal mundo fantasioso e onde iremos atravessar montanhas, cavernas, florestas ou edifícios decadentes. Apesar de não achar um jogo propriamente mau a nível gráfico, confesso que poderia ser um pouco melhor. A banda sonora por outro lado considero-a bem agradável de se ouvir!

Apesar do cliché, os cenários urbanos do primeiro nível foram os que achei mais piada

Portanto estamos aqui perante um interessante jogo de acção que apesar de estar longe do nível de outros clássicos desta geração como os Castlevania ou Rocket Knight Adventures não deixa de ser um jogo interessante, quanto mais não seja pelas suas óptimas sequências animadas. O que vai ser mais curioso daqui para a frente é que irei abordar os restantes jogos desta série pela sua ordem. Na Mega Drive temos mais dois, o Syd of Valis que é também um remake com personagens cabeçudas do Valis II e posteriormente o Valis 3, que sai nesta consola antes de ambos esses lançamentos. E então quando chegar aos de PC Engine ainda mais confuso se vai tornar.