Golden Axe (PC-Engine CD)

De volta à PC-Engine vamos ficar com mais uma adaptação de um clássico arcade da Sega que acabou por sair neste sistema. Nenhum deles foi desenvolvido pela própria Sega, que apenas licenciou o uso da sua propriedade intelectual, pelo que o resultado final destas conversões é tipicamente algo díspar. O Space Harrier nem foi mau de todo, já este Golden Axe infelizmente foi uma oportunidade desperdiçada. Esta conversão ficou a cargo da Telenet Japan, uma empresa que até tem uns bons nomes no seu reportório (a série Valis, por exemplo), mas aqui não se esmeraram de todo, o que é pena. O meu exemplar foi comprado a um particular no passado mês de Janeiro, tendo-me custado uns 18€.

Jogo com caixa e manual embutido

Pouco há mais a falar do Golden Axe. É um excelente beat’ em up da Sega com uma temática de guerreiros bárbaros (certamente inspirada pelos filmes do Conan nos anos 80), lançado nas arcades e com conversões para inúmeros sistemas. Naturalmente a versão Mega Drive é sem dúvida a mais badalada das conversões caseiras e com razões para isso, pois manteve a excelente jogabilidade do lançamento original arcade, com apenas alguns sacrifícios na componente audiovisual. É um jogo onde 1 ou 2 amigos poderão jogar em conjunto, encarnando em 3 diferentes guerreiros: Ax Battler, o esteriótipo do guerreiro bárbaro todo musculado, Gillius Thunderhead, outro esteríótipo de um anão barbudo e munido de um machado gigante e claro, Tyris Flare, o esteriótipo final da guerreira amazonas que luta de bikini. Cada personagem possui os seus pontos fortes e fracos, com Ax Battler a ser o mais equilibrado, Gillius é mais forte físicamente mas mais fraco com as suas magias e Tyris é o seu reverso.

Apesar de manter as 3 personagens, esta versão inexplicavelmente não possui qualquer modo multiplayer

Ora infelizmente o campo onde esta conversão da PC Engine mais sofre é, a meu ver, precisamente na jogabilidade. A começar pelo facto deste não possuir qualquer multiplayer, o que num sistema onde o uso de multitaps sempre foi encorajado, é uma grande falha. A jogabilidade em si também deixa muito a desejar, com o jogo a ser mais travado, com imensos problemas de detecção de colisão (por vezes é difícil acertar nos inimigos, obrigando-nos a alinhar quase perfeitamente com os mesmos) e atacar mais que um inimigo em simultâneo, mesmo que tenhamos na nossa posse uma espada ou machados gigantes, nem sempre acontece, o que nos deixa muito mais vulneráveis a ataques. Para além disso, estão em falta várias animações de ataque, o que deixa os combates um pouco mais repetitivos.

Infelizmente a jogabilidade deixa muito a desejar e graficamente também não é a versão mais apelativa

Graficamente é outro ponto que o jogo deixa muito a desejar. As sprites são muito pequenas para um sistema como a PC-Engine e as animações também não estão lá grande coisa, com algumas inclusivamente a faltar, como já referi anteriormente. Os cenários também não têm tanto detalhe como a versão da Mega Drive, o que é pena. Por outro lado, o que esta versão tem de bom do ponto de vista gráfico são as várias cutscenes anime e narradas em japonês que estão bem feitas. Cada personagem tem o seu próprio conjunto de cutscenes, completamente diferentes entre si! Já no som, estamos perante mais uma faca de dois gumes pois por um lado a banda sonora foi toda refeita, agora com qualidade CD Audio e está muito boa. Por outro lado, os efeitos sonoros são maus e faltam muitas dos clipes de voz, como os inimigos quando morrem. Uma vez mais, tendo em conta que este é um jogo lançado num formato de CD, é mais uma oportunidade desperdiçada.

Ao menos temos cutscenes anime bem detalhadas e com uma aparente boa narração. Digo aparente porque é em Japonês

Portanto este Golden Axe da PC-Engine CD acaba por ser um jogo que desilude imenso. As suas óptimas cutscenes anime e banda sonora de qualidade CD audio, em virtude de ser um jogo no formato CD são os seus pontos fortes, mas estão longe de compensar a má jogabilidade, o facto de não ter multiplayer e os gráficos e efeitos sonoros medianos. É uma pena, esta versão poderia ter sido bem mais especial.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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