Tekken (Sony Playstation)

TekkenA Playstation foi a consola de eleição da Namco na segunda metade dos anos 90. Já há bastante tempo que a Namco estava com más relações com a Nintendo devido às suas políticas com as third parties. Desde os tempos da Mega Drive que evitaram lançar jogos para as consolas Nintendo e aproveitaram então a consola da Sony para encontrar de vez um novo parceiro estratégico. E com o enorme catálogo de títulos arcade que a Namco sempre teve, acabou por fornecer à consola da Sony alternativas muito fortes aos jogos arcade que a Sega lançava para a sua Saturn. Tekken é um deles, sendo a par de Virtua Fighter uma das franchises mais antigas e de sucesso deste género de jogos. Este jogo chegou-me às mãos há umas semanas atrás, tendo sido comprado a um particular, ficou-me a 3€ mais portes e está em estado razoável, excepto a caixa que tem os estalões habituais. É a versão Platinum, mas já devo ter dito algures que jogos Platinum na PS1 não me fazem comichão.

Tekken Platinum - Sony Playstation
Jogo com caixa e manual, versão platinum

A história é o cliché habitual, de existir um misterioso torneio de artes marciais com um mau da fita qualquer (neste caso Heihachi Mishima) por detrás do mesmo, e vários lutadores de todo o mundo se juntam para distribuir umas murraças e pontapés. Inicialmente dispomos apenas de 8 lutadores para escolher, se bem que podemos desbloquear outros 8 e ainda mais 2 lutadores especiais. Isto porque durante o modo arcada, eventualmente defrontamos um “mid boss“, que é diferente para cada lutador. Essencialmente são rivais das personagens principais, mas que lhes herdam os mesmos golpes e movimentos. Para podermos jogar com estas 8 personagens extra apenas temos de as derrotar no modo arcade. Uma das outras personagens que podemos desbloquear é o próprio Heihachi, sendo que para isso temos de o derrotar a ele e todos os lutadores antes dele sem ter utilizado nenhum dos continues.

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De todas as personagens do jogo, sempre achei piada ao Yoshimitsu

O outro lutador secreto é o Devil Kazuya, sendo que para o desbloquear temos de primeiro vencer um mini-jogo. Não é apenas em Tekken que a Namco colocou esta interessante maneira de passar o tempo enquanto o jogo faz loading, e aqui a Namco dá-nos a hipótese de jogar alguns níveis do clássico shooter das arcades, o Galaga. Para desbloquear Devil Kazuya temos de vencer os 8 níveis de Galaga, utilizando apenas um continue. Easier said than done. No entanto acho que foi uma boa jogada por parte da Namco incluir este minijogo, nem que seja para passar tempo, que também está presente noutros jogos da série e não só.

A jogabilidade em si tem logo algo de diferente em relação aos outros jogos de luta até então. Ao invés de existirem botões que diferenciam a intensidade dos golpes (pontapé forte/fraco por exemplo), os botões faciais aqui diferenciam qual o membro que usamos para lutar. Existe um botão para pontapé esquerdo, outro para direito e o mesmo para os socos. Agora o que é que isso contribui para uma boa mecânica de jogo? Não faço ideia, estes jogos para mim são jogados de uma forma meramente casual. Dito por outras palavras, sim, sou um button-masher. A jogabilidade parece-me sólida quanto baste, e não sendo algo horrível como o Shaq-Fu, por mim está tudo bem. De qualquer das formas para além da vertente arcade o jogo inclui também um modo versus para que 2 jogadores possam lutar entre si, algo habitual neste género de jogos. Sendo ainda um jogo de primeira geração da PS1 é natural que não tenha muito mais conteúdo extra que a versão arcade. Para além dos lutadores extra e do minijogo do Galaga, apenas podemos customizar um pouco os handicaps dos lutadores e pouco mais no menu das opções.

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Quando ligamos a consola somos presenteados com alguns níveis do Galaga para jogar se quisermos, enquanto o jogo faz loading.

Ainda assim, se compararmos com a conversão do primeiro Virtua Fighter para a Sega Saturn, este Tekken tem uma apresentação gráfica bastante superior. Sim, a conversão do primeiro Virtua Fighter deixou muito a desejar, mas é preciso considerar que mesmo o jogo original nas arcades saiu um ano antes de Tekken, num sistema mais obsoleto. Tekken já introduziu texturas nos seus lutadores e os próprios têm um maior número de polígonos, não sendo tão quadrados como Akira e companhia. Apesar de tudo, continuo a ter um carinho bem maior pelo Virtua Fighter, mas também sou algo suspeito. Mas pelo menos a nível de conteúdo, há que dar a mão à palmatória, este Tekken está bem mais servido. Seja pelo maior número de lutadores, ou mesmo pelos lutadores principais terem todos direito a uma pequena cutscene final quando derrotamos Heihachi. E neste caso Tekken parece-me ser uma série que leva bem mais a sério a sua história que decorre em background que muitas outras séries.

Mas se falarmos na questão das músicas, então Virtua Fighter para mim dá 15-0. A Sega desses tempos tinha óptimas bandas sonoras muito à minha medida, cheias de rockalhadas ou outras músicas excelentes e as músicas de Tekken não me agradaram. Aqui são na sua maioria faixas electrónicas, com sintetizadores manhosos, algumas com orquestrações ou que misturam melodias mais tradicionais de acordo com o local onde a luta está a decorrer. No entanto, achei-as muito desinspiradas e “sem sal”.

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O ecrã título e as suas fantásticas opções

No fim de contas, apesar de não gostar assim tanto do carisma dos lutadores, é inegável que Tekken é uma das maiores franchises do género. Eu continuo a preferir Virtua Fighter, mas esta conversão para a PS1 é bem mais fiel à arcade que o primeiro Virtua Fighter alguma vez o foi, e ainda tem o bónus de trazer alguns pequenos extras. No entanto ao ver a evolução que a série foi tomando ao longo dos anos, é óbvio que este ainda é um jogo um pouco cru. A outra possibilidade de se jogar este Tekken (pelo menos na sua versão Arcade) está no Tekken 5 da PS2, que o traz como conteúdo bónus, bem como os Tekken 2 e 3 também.

Talmit’s Adventure (Sega Mega Drive)

Talmit's AdventureEste foi daqueles jogos que o comprei mesmo à maneira antiga. Encontrei-o há uns meses atrás na feira da Ladra em Lisboa, não o conhecia de lado nenhum. Mas como estava completo, em excelente estado e a um preço razoável, comecei a olhá-lo com outros olhos. Então, sem uma base de dados do Sega-16.com à mão, vi o nome Namco na caixa, olhei para a parte de trás do jogo, vejo os screenshots e a descrição e decido arriscar. Se fiz uma boa compra? Veremos. Ficou-me por 7€, um preço não tão barato assim, mas pela sua excelente condição não era de deitar fora.

Talmit's Adventure - Sega Mega Drive
Jogo completo com caixa e manuais

Talmit’s Adventure, conhecido também como Marvel Land é a conversão de um jogo de plataformas lançado originalmente em 1989 para as arcades, cuja versão Mega Drive chegou à consola no ano de 1991. Naturalmente foi ofuscada por um certo ouriço azul, até porque as suas mecânicas de jogo eram muito antiquadas e faziam mesmo lembrar os poucos jogos de plataforma que as arcades receberam durante os anos 80, como os primeiros Wonderboy por exemplo. Não deixa também de ser curioso o apoio que a Namco deu à Mega Drive nos seus primeiros anos, com lançamentos “exclusivos” como Rolling Thunder 2 e 3, Splatterhouse 2 e 3 ou mesmo um ou outro RPG. A Namco foi uma das únicas empresas japonesas que desde cedo se revoltou com as políticas monopolistas e opressivas com as third parties que a Nintendo tinha nos anos 80, inícios de 90, aproveitando a Mega Drive para lançar grande parte do seu catálogo doméstico nos primeiros anos da consola. Infelizmente a Mega Drive nunca teve grande sucesso no mercado japonês, pelo que a Namco lá teve de fazer alguns jogos para SNES, mas se pesquisarem, vão observar que esses jogos são uma fracção do que a Namco lançou para a NES anteriormente. Depois com o lançamento da Playstation, a balança da Namco pendeu muito fortemente para as máquinas da Sony, conforme pudemos todos observar.

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Mole King, o vilão lá do sítio

Mas chega de divagações e voltemos ao jogo. Talmit’s Adventure tem uma história muito simples, como todos os platformers da altura (e também quase todos os actuais) o tinham. O jogo decorre então numa terra encantada qualquer – Marvel Land – que é essencialmente um parque de diversões gigante. Ora esse parque era protegido por 3 fadas e uma princesa (Wondra), e o que aconteceu a seguir não é nada difícil de adivinhar. Um vilão, neste caso o Mole King e seus minions, tomaram de assalto a Marvel Land e raptaram as fadas e princesa. Como nestas andanças há sempre um herói que salva a festa, neste jogo esse papel é tomado pelo príncipe Talmit, que dá nome ao jogo na sua versão europeia.

O jogo está então dividido entre 4 áreas principais, cada uma com 7 níveis e um boss. A jogabilidade é muito influenciada pelo primeiro Wonder Boy e os seus clones Adventure Island, onde temos de ir do ponto A ao ponto B, atravessando níveis desafiantes sempre em contra-relógio. No entanto para além de um platforming com saltos exigentes, podemos apanhar diversos power-ups que nos ajudam a atravessar os níveis. Um deles dá asas a Talmit, que lhe permite saltar mais alto ou mesmo planar ao longo dos níveis, muito útil para atravessar alguns segmentos mais chatos. Outro faz com que Talmit tenha mais umas quantas sombras suas a andar atrás de si, que depois as pode usar em ataques contra os inimigos, sob pena de depois perder uma dessas sombras. Os níveis seguem um certo padrão, em cada zona existe um nível “montanha-russa”, onde temos de nos manter sempre em “solo firme” num dos carrinhos que seguem por trilhos sinuosos e repletos de armadilhas. Antes de cada boss temos sempre um nível mais exigente passado num castelo, ou numa outra masmorra.

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Um dos níveis em que temos de sobreviver a uma montanha russa

Já os bosses por si só são completamente diferentes dos bosses tradicionais neste tipo de jogos. Em vez de um combate como seria de esperar, temos de os defrontar ao vencê-los num determinado mini-jogo. O primeiro desses mini jogos é logo um piscar de olho ao Alex Kidd, com uma partida “à melhor de três” de um jogo pedra-papel-tesoura. O segundo é um minijogo em que temos de abrir/fechar uma série de válvulas de água, de forma a encher um balão de água que molhe o boss, e evitar que o boss por sua vez encha o balão que nos molhe a nós. O terceiro combate é um jogo de memória e reflexos rápidos, onde nos mostram um certo padrão, e temos de identificar esse mesmo padrão num conjunto de várias cartas que são viradas em simultâneo. Por fim, o boss final é o esperado “whac-a-mole”, onde temos de acertar na toupeira que sai de um buraco aleatório. Ao derrotar o Evil Mole dessa forma avançamos para o derradeiro combate, esse sim, já uma luta a sério como manda a lei, onde podemos usar uma série de poderes que obtivemos ao salvar as fadas e princesa. Para além do mais, existem também uma série de níveis bónus no final de cada boss, onde temos de apanhar o máximo de estrelas possível, numa espécie de desfile nocturno de mascotes de um parque de diversões.

Graficamente não é um jogo do outro mundo, especialmente se tivermos em consideração que é um jogo de 1989, de um hardware arcade não muito poderoso. No entanto não deixa de ser razoável. Para mim, por vezes é um jogo demasiadamente “cute”, com os seus cenários muito alegres, alguns deles repletos de doçarias e diversões no geral em background. As músicas, tirando aquelas dos bosses são também no geral demasiado alegres para o meu gosto, mas deve haver quem goste. Noto é por vezes algum slowdown, em situações onde muitos inimigos estão no ecrã, bem como Talmit tem o power-up das suas sombras. Parece que nem sempre o blast processing safa a situação.

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O primeiro boss e o seu esquema de pedra-papel-tesoura

No fim de contas, não posso considerar este Talmit’s Adventure como uma pérola esquecida no catálogo da Mega Drive. No entanto, para quem gostar daqueles jogos de plataforma dos anos 80 que se viam em arcades, como alguns Alex Kidd ou Wonderboy, ainda poderá achar este jogo interessante. A sua jogabilidade é OK, apesar de ter alguns saltos bastante exigentes – é um jogo arcade, tem de ser assim – e no campo audiovisual não é propriamente um jogo que me faça encher a vista, embora a “cutscene” inicial pudesse indicar o contrário. Mas lá está, no geral, é um jogo razoável, e gostei de conhecer este jogo algo obscuro do catálogo da Namco.

Soul Blade (Sony Playstation)

Soul BladeSoul Blade (ou Soul Edge em solo nipónico) é o percussor de Soul Calibur, uma das séries de maior sucesso da Namco, e do género de jogos de luta 3D no geral. Ao contrário de Tekken, da mesma empresa, Soul Blade era um jogo com um maior foco no combate armado com armas brancas. Espadas, lanças, tudo o que tiver lâminas no geral, e às vezes não só. A minha cópia foi adquirida há uns meses atrás na feira da Ladra, estando completa e num estado razoável. Custou-me uns 4€ se a memória não me falha.

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Jogo completo com caixa e manual

Todos os jogos desta série contam a história da Soul Edge, uma espada capaz de tomar várias formas e com poderes místicos, porém é também uma espada amaldiçoada. Este jogo, decorrendo então algures no século XVI, coloca lutadores de todo o lado do mundo a lutarem entre si de forma a encontrar a dita espada, seja com que finalidade. Neste primeiro jogo, é Cervantes, o pirata pai de Ivy que viria a surgir no primeiro Soul Calibur, o vilão da história, estando possuído pela Soul Edge, na forma das suas icónicas espadas duplas.

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No final do modo Arcade existe uma cutscene 3D com o final da história para cada lutador.

Este lançamento apresenta diversos novos modos de jogo para além do tradicional modo arcade. Mesmo este modo apresenta algumas novidades face ao original. No final  de cada playthrough de cada lutador temos o direito de assistir a algumas cutscenes que contam o final da história de cada lutador, umas sérias, outras com um sentido de humor muito japonês. Dos restantes modos de jogo temos uma opção de “Practice” que tal como o nome indica serve para podermos treinar os golpes à vontade. VS dispensa qualquer comentário, Time Attack também deveria dispensar. O modo Team Battle permite criar equipas de até 5 lutadores, embora sem a mecânica do tag, ou seja, os lutadores apenas mudam quando o anterior perde o combate, e o adversário mantém +/- a mesma energia que possuia no round anterior. O Survival também é outro modo de jogo que dispensa apresentações e temos por fim o Edge Master, um modo de jogo herdando características de RPG que está presente logo no primeiro jogo da série. Neste modo de jogo guiamos a nossa personagem ao longo de um mapa, onde a história se vai desenvolvendo e teremos de travar diversas batalhas, até descobrirmos finalmente a Soul Edge. Essas batalhas por muitas vezes têm condições próprias para serem vencidas, como derrotar o inimigo num certo intervalo de tempo, através de ring-outs, ou mesmo utilizando apenas ataques específicos. É um modo de jogo que por vezes é desafiante e, não sei se é o primeiro jogo de luta 3D que implementou algo do género, mas é uma excelente alternativa aos modos de jogo normais, dando-lhe um replay value muito grande. Isto porque é possível desbloquear uma série de novas armas para cada lutador, cada uma com as suas diferentes características e depois utilizá-las nos outros modos de jogo também.

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Master Edge é um modo de jogo com uma história mais extensiva, melhores desafios e naturalmente com boas recompensas.

A jogabilidade deste jogo, apesar de não ser o primeiro com o conceito de utilizar armas brancas no combate (Samurai Showdown nos 2D e Battle Arena Toshinden nos 3D mandaram um abraço), mas é o que para mim apresenta a jogabilidade mais fluída. As mecânicas são simples, com um botão para guardar, um outro para pontapés, e os restantes 2 botões faciais do comando da Playstation servem para executar ataques verticais ou horizontais. Sendo um jogo de luta em 3D, isto faz diferença, pois é possível deslocarmo-nos para a frente do ecrã ou para o fundo, servindo de esquiva aos golpes verticais. Obviamente que cada lutador (que com as suas diferentes armas herdam estilos de luta também diferentes) possui um vasto leque de golpes para serem aprendidos, alguns mesmo não bloqueáveis. Este é daqueles jogos que a fantástica técnica do button mashing, carregar nos botões à sorte e esperar que saia algo fenomenal até poderá resultar nos modos de dificuldade mais “brandos”, mas nos desafios mais apertados do Edge Master, convém levar os controlos de uma forma mais cuidada.

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Há que dar o devido valor à Namco por ter criado uma… coisa… como o Voldo

Graficamente eu acho que é um jogo muito bom para a PS1. Os lutadores apresentam todos um bom nível de detalhe, ap0esar de para mim o Tekken 3 ainda ser o melhor jogo do género, pelo menos visualmente. As arenas são relativamente simples, embora ainda apresentem um ou outro efeito gráfico interessante, como a erva na arena de Wolf (hoje é uma coisa feia, mas na altura parecia muito bem feito), ou a “jangada” que balança ao sabor das ondas no stage de Cervantes, são alguns exemplos. Os efeitos visuais enquanto as armas cortam o ar, deixando um rasto luminoso sempre foi um eye candy que chamou à atenção. Um detalhe interessante está também no audio. Os lutadores asiáticos falam todos japonês (pelo menos parece-me que sim), com as suas falas a serem legendadas para inglês nas cutscenes de fim de jogo. Já os lutadores ocidentais falam todos inglês. É um detalhe interessante, mas penso que seria ainda melhor se fossem mais específicos, não deixando de lado linguagens como o mandarim, coreano, espanhol ou alemão, por exemplo. Ainda com as vozes, a minha queixa vai mesmo para o narrador das batalhas, mais uma vez um detalhe interessante na altura, mas ao fim de vários combates já vamos achar muito aborrecido estar constantemente a ouvir as mesmas coisas. Por outro lado, as músicas são excelentes (o tema de Cervantes é muito bom), utilizando várias orquestrações ou mesmo melodias mais “tradicionais”, sendo perfeitamente adequadas às diversas regiões onde as lutas estão a ser travadas.

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Hwang originalmente era um substituto de Mitsurugi na versão Arcade coreana. Devido aos antigos conflitos entre japoneses e coreanos, coisas como Samurais não são bem vistas naquele país.

Em suma, acho Soul Blade um dos melhores jogos de luta da consola de estreia da Sony. Apesar de ter sido com Soul Calibur que a série realmente ganhou asas, Soul Blade não deixa de ser uma excelente adição ao género de luta em 3D, já bastante popularizado por outros jogos como Virtua Fighter ou Tekken. Infelizmente a série foi evoluindo nem sempre da melhor forma, com as coisas a descambarem um pouco mais a partir do quarto jogo, mas isso será tema a abordar futuramente.

Soul Calibur II (Nintendo GameCube)

soul calibur II gcnDesde o velhinho Soul Blade na Playstation 1 que esta série de luta me tem despertado interesse, que aliás sempre foi bem maior que a série principal da Namco – Tekken. É uma série de luta 3D em que o gameplay tem o foco no uso de armas brancas, como espadas, espadinhas e espadonas, entre outros. Depois do excelente jogo que fez muito boa gente comprar uma Sega Dreamcast propositadamente, a Namco anunciou alguns anos depois que iria trazer Soul Calibur de volta, e logo para as 3 consolas do mercado na altura. A minha cópia original tinha sido comprada por aí no Miau.pt há uns bons anos (talvez em 2004 por uns 20€). Entretanto um primo meu quis trocar esse jogo pelo Skies of Arcadia Legends dele e eu nem me fiz de difícil. Há coisa de um ano, acabei por voltar a comprar o jogo no ebay, que me terá custado algo em torno de uns 7€.

Soulcalibur II GCN
Jogo completo com caixa, manual e papelada

Em jogos de luta do tipo versus, geralmente não ligo puto à história, e em Soul Calibur não tem sido uma excepção. Que precisam de saber é que a série anda à volta de 2 espadas lendárias: Soul Edge, com poderes maléficos e Soul Calibur, espada feita para combater a Soul Edge. Existem depois uma série de personagens que buscam as 2 espadas, para seu próprio proveito, para além de rivalidades e background stories entre as mesmas. A acção decorre no século XVI, pelo que as personagens (excepto uma ou outra que tenha caído do céu) reflectem minimamente as vestimentas e armamento da época.

O gameplay é focado essencialmente em quatro movimentos: ataque horizontal, ataque vertical, pontapé e bloqueio. Como habitual, podem ser feitas combinações destes movimentos para executar golpes mais elaborados. Para além disso a mecânica de jogo tem mais umas nuances, tais como a capacidade de esquivar de ataques verticais, furar posições de defesa, bem como os counter-moves que permitem executar um golpe indefensável de contra-ataque, ou mesmo fazer um “power-up” para dar golpes mais fortes. Soul Calibur II tem um leque bastante variado de personagens, desde samurais, ninjas e outros guerreiros ocidentais, bem como espadachins europeus, cada um com o seu estilo próprio de luta (embora nem sempre seja único). Infelizmente Soul Calibur II foi também o primeiro jogo a “prostituir” a série e a iniciar uma modinha que me parece um bocado estúpida, de colocar personagens “convidadas” de outras séries em jogos de luta (Super Smash Bros tem desculpa). Este jogo, nas suas versões caseiras, possui uma série de personagens exclusivos. Necrid, um monstro/mutante/whatever desenhado por Todd McFarlane (criador de Spawn) é comum às 3 versões. O próprio Spawn, personagem exclusiva da versão Xbox, Link de Legend of Zelda na versão GC e Heihachi de Tekken na PS2. Enquanto que até consigo perceber a inclusão de Link na versão Gamecube (talvez seja a minha costela de fã da Nintendo a falar), as outras 2 personagens parecem-me mesmo descabidas. O Heihachi nem usava armas brancas! Já o Link realmente foi bem aproveitado, sendo a personagem mais completa (e complexa) de jogar. A Master Sword, o escudo, o boomerang, arco e bombas estão lá todos.

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Link a mostrar quem manda, ou não

Este jogo apresenta também vários modos de jogo. Desde o clássico Arcade, passando por modos como Survival, Team Battle ou Practice. Penso que os nomes sejam auto-explanatórios e não preciso de entrar em detalhe. Todos estes modos de jogo têm um modo “Extra”, onde se pode equipar as personagens com armas de características diferentes (mais defesa, ataque, penetração de defesa, etc). Estas armas podem ser desbloqueadas num modo específico, o chamado “Weapon Master”. Aqui o jogo tem algumas características de RPG, temos um mapa com várias localidades, e em cada zona tem várias missões, que são nada mais nada menos que combates “normais”, porém com várias condições: derrotar o inimigo em x tempo, derrotar uma série de inimigos sem perder, combater “envenenado” – com a barra de vida a diminuir, entre muitos outros. Cada “missão” dá um certo valor de EXP que é utilizada para o jogador subir de nível, para além de gold. Em cada região existe uma loja diferente onde poderemos gastar o gold em novas armas para os lutadores, desbloquear novas arenas, roupa nova, conteúdo bónus como artwork, etc. À medida que vamos avançando no Weapon Master também vamos desbloqueando vários lutadores “novos”, que posteriormente também poderão ser utilizados nos outros modos de jogo. Gold points também podem ser ganhos ao completar modos de jogo como Arcade e etc. Para além disso, existe uma secção do tipo “Museum”, onde podemos desbloquear perfis dos lutadores, contando a sua história, artwork, demonstrações dos seus golpes, entre outros. Soul Calibur II tem portanto um factor de replay bastante elevado, com muito conteúdo para desbloquear. Um outro exemplo, os perfis dos lutadores só são desbloqueados após se terminar o modo arcade com os mesmos. A única coisa que não gostei foi o Weapon Master ter imenso texto antes das batalhas para contar a história. Cheguei a um ponto em que deixei de prestar atenção a esses blocos de texto e partir logo para a acção.

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Uma das missões do Weapon Master - há mais texto.

Graficamente, é um jogo bastante bonito, tendo em conta que foi lançado em 2003. A versão Gamecube apenas perde para a Xbox, que tem suporte a HDTV com uma resolução de 720p. De resto, os lutadores estão bem detalhados e a acção decorre a uns sólidos 60fps. As arenas é que há um pouco de tudo, umas bem mais caprichadas que outras, mas ainda assim nenhuma delas é propriamente feia de se ver… excepto talvez a arena do Inferno. A nível de som, o voice acting é bastante competente, mas pode-se alternar entre o voice acting em inglês pelo original Japonês, o que acaba por dar uma maior envolvência no caso especial de alguns lutadores. A banda sonora é bem conseguida, já os efeitos sonoros são repescados dos jogos anteriores, mas cumprem bem o seu papel.

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Bitch fight!

Para quem tem uma Gamecube, certamente sabe que há poucos jogos de luta deste género para a consola, este Soul Calibur é certamente o melhor. Mesmo com muita gente a queixar-se do comando da GC ser inapropriado para jogos de luta, eu não tenho tido grandes razões de queixa. Na minha opinião é a melhor versão do jogo, por ter uma qualidade gráfica próxima da versão Xbox e mais importante, de todos os personagens exclusivos, o Link é sem dúvida o mais carismático. A versão Gamecube acabou por ser a mais vendida das 3, mas no entanto o jogo seguinte – Soul Calibur III – acabou por se tornar exclusivo da PS2. Vá-$e lá entender a Namco…