Soul Blade (Sony Playstation)

Soul BladeSoul Blade (ou Soul Edge em solo nipónico) é o percussor de Soul Calibur, uma das séries de maior sucesso da Namco, e do género de jogos de luta 3D no geral. Ao contrário de Tekken, da mesma empresa, Soul Blade era um jogo com um maior foco no combate armado com armas brancas. Espadas, lanças, tudo o que tiver lâminas no geral, e às vezes não só. A minha cópia foi adquirida há uns meses atrás na feira da Ladra, estando completa e num estado razoável. Custou-me uns 4€ se a memória não me falha.

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Jogo completo com caixa e manual

Todos os jogos desta série contam a história da Soul Edge, uma espada capaz de tomar várias formas e com poderes místicos, porém é também uma espada amaldiçoada. Este jogo, decorrendo então algures no século XVI, coloca lutadores de todo o lado do mundo a lutarem entre si de forma a encontrar a dita espada, seja com que finalidade. Neste primeiro jogo, é Cervantes, o pirata pai de Ivy que viria a surgir no primeiro Soul Calibur, o vilão da história, estando possuído pela Soul Edge, na forma das suas icónicas espadas duplas.

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No final do modo Arcade existe uma cutscene 3D com o final da história para cada lutador.

Este lançamento apresenta diversos novos modos de jogo para além do tradicional modo arcade. Mesmo este modo apresenta algumas novidades face ao original. No final  de cada playthrough de cada lutador temos o direito de assistir a algumas cutscenes que contam o final da história de cada lutador, umas sérias, outras com um sentido de humor muito japonês. Dos restantes modos de jogo temos uma opção de “Practice” que tal como o nome indica serve para podermos treinar os golpes à vontade. VS dispensa qualquer comentário, Time Attack também deveria dispensar. O modo Team Battle permite criar equipas de até 5 lutadores, embora sem a mecânica do tag, ou seja, os lutadores apenas mudam quando o anterior perde o combate, e o adversário mantém +/- a mesma energia que possuia no round anterior. O Survival também é outro modo de jogo que dispensa apresentações e temos por fim o Edge Master, um modo de jogo herdando características de RPG que está presente logo no primeiro jogo da série. Neste modo de jogo guiamos a nossa personagem ao longo de um mapa, onde a história se vai desenvolvendo e teremos de travar diversas batalhas, até descobrirmos finalmente a Soul Edge. Essas batalhas por muitas vezes têm condições próprias para serem vencidas, como derrotar o inimigo num certo intervalo de tempo, através de ring-outs, ou mesmo utilizando apenas ataques específicos. É um modo de jogo que por vezes é desafiante e, não sei se é o primeiro jogo de luta 3D que implementou algo do género, mas é uma excelente alternativa aos modos de jogo normais, dando-lhe um replay value muito grande. Isto porque é possível desbloquear uma série de novas armas para cada lutador, cada uma com as suas diferentes características e depois utilizá-las nos outros modos de jogo também.

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Master Edge é um modo de jogo com uma história mais extensiva, melhores desafios e naturalmente com boas recompensas.

A jogabilidade deste jogo, apesar de não ser o primeiro com o conceito de utilizar armas brancas no combate (Samurai Showdown nos 2D e Battle Arena Toshinden nos 3D mandaram um abraço), mas é o que para mim apresenta a jogabilidade mais fluída. As mecânicas são simples, com um botão para guardar, um outro para pontapés, e os restantes 2 botões faciais do comando da Playstation servem para executar ataques verticais ou horizontais. Sendo um jogo de luta em 3D, isto faz diferença, pois é possível deslocarmo-nos para a frente do ecrã ou para o fundo, servindo de esquiva aos golpes verticais. Obviamente que cada lutador (que com as suas diferentes armas herdam estilos de luta também diferentes) possui um vasto leque de golpes para serem aprendidos, alguns mesmo não bloqueáveis. Este é daqueles jogos que a fantástica técnica do button mashing, carregar nos botões à sorte e esperar que saia algo fenomenal até poderá resultar nos modos de dificuldade mais “brandos”, mas nos desafios mais apertados do Edge Master, convém levar os controlos de uma forma mais cuidada.

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Há que dar o devido valor à Namco por ter criado uma… coisa… como o Voldo

Graficamente eu acho que é um jogo muito bom para a PS1. Os lutadores apresentam todos um bom nível de detalhe, ap0esar de para mim o Tekken 3 ainda ser o melhor jogo do género, pelo menos visualmente. As arenas são relativamente simples, embora ainda apresentem um ou outro efeito gráfico interessante, como a erva na arena de Wolf (hoje é uma coisa feia, mas na altura parecia muito bem feito), ou a “jangada” que balança ao sabor das ondas no stage de Cervantes, são alguns exemplos. Os efeitos visuais enquanto as armas cortam o ar, deixando um rasto luminoso sempre foi um eye candy que chamou à atenção. Um detalhe interessante está também no audio. Os lutadores asiáticos falam todos japonês (pelo menos parece-me que sim), com as suas falas a serem legendadas para inglês nas cutscenes de fim de jogo. Já os lutadores ocidentais falam todos inglês. É um detalhe interessante, mas penso que seria ainda melhor se fossem mais específicos, não deixando de lado linguagens como o mandarim, coreano, espanhol ou alemão, por exemplo. Ainda com as vozes, a minha queixa vai mesmo para o narrador das batalhas, mais uma vez um detalhe interessante na altura, mas ao fim de vários combates já vamos achar muito aborrecido estar constantemente a ouvir as mesmas coisas. Por outro lado, as músicas são excelentes (o tema de Cervantes é muito bom), utilizando várias orquestrações ou mesmo melodias mais “tradicionais”, sendo perfeitamente adequadas às diversas regiões onde as lutas estão a ser travadas.

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Hwang originalmente era um substituto de Mitsurugi na versão Arcade coreana. Devido aos antigos conflitos entre japoneses e coreanos, coisas como Samurais não são bem vistas naquele país.

Em suma, acho Soul Blade um dos melhores jogos de luta da consola de estreia da Sony. Apesar de ter sido com Soul Calibur que a série realmente ganhou asas, Soul Blade não deixa de ser uma excelente adição ao género de luta em 3D, já bastante popularizado por outros jogos como Virtua Fighter ou Tekken. Infelizmente a série foi evoluindo nem sempre da melhor forma, com as coisas a descambarem um pouco mais a partir do quarto jogo, mas isso será tema a abordar futuramente.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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