Assault Suit Leynos (Sony Playstation 4)

Vamos voltar à Playstation 4 para ficar com um remake de um shmup muito interessante. A série Assault Suits da Masaya/NCS teve 4 jogos lançados em sistemas de 16 e 32bit ao longo de uma década. Este Assault Suit Leynos é um remake do primeiro jogo da série, lançado na Mega Drive japonesa em 1989. Infelizmente foi um jogo que nunca chegou a sair na Europa, embora tenha saído nos Estados Unidos sob o nome de Target Earth. Este remake foi produzido por um pequeno estúdio japonês chamado Dracue e, tendo em conta que estes haviam desenvolvido os Gunhound, outros mecha shooters fortemente influenciados pela série Assault Suit, pareceram-me os candidatos ideais para trabalhar neste remake. Felizmente a editora Rising Star Games decidiu pegar no lançamento físico e trazê-lo para o Ocidente, não esquecendo a Europa! O meu exemplar foi comprado novo, creio que numa Worten há uns anos atrás por 20€.

Jogo com caixa e papelada

A história leva-nos ao futuro, onde a Terra está sob ataque de uma força militar colossal, liderada por humanos que haviam sido ostracizados pelos líderes terrestres, após uma expedição espacial aos confins do sistema solar que não correu lá muito bem. Inspirações de séries anime como Macross são evidentes, pois para além de haver mechas em todo o lado, vamos estar também envolvidos numa série de conflitos espaciais, com grandes cruzeiros de guerra a atacarem-se uns aos outros em plano de fundo.

Infelizmente os controlos continuam com uma curva de aprendizagem elevada pois o d-pad ou analógico esquerdo servem para mover e controlar a mira em simultâneo na direcção pressionada

Mas antes de falar na jogabilidade desde remake e de todas as suas particularidades, vamos começar com o básico e abordar brevemente a versão original de Mega Drive. Nessa versão o d-pad serve não só para controlar o nosso mecha, mas também para controlar a direcção onde disparamos. E ali tinhamos dois sistemas de controlo que poderíamos optar, o primeiro fazia com que disparássemos sempre na direcção de movimento, o segundo já nos dava algum controlo independente, onde pressionar o d-pad para a esquerda ou direita controla o movimento do mecha nessas direcções, já pressionar para cima ou baixo faz movimentar a mira. De resto, os botões A, B e C servem para disparar a arma actualmente seleccionada, o botão B serve para saltar e activar os boosters se os mesmos estiverem equipados e o botão C poderia servir para ir rodando de arma, se essa opção estivesse activa, caso contrário teríamos de pausar o jogo para aceder ao inventário e seleccionar a arma correspondente. Os níveis vão alternando entre secções à superfície, com alguns elementos ligeiros de platforming, mas também em pleno espaço em situações de gravidade zero, onde teríamos uma liberdade de movimentos muito maior. É um jogo muito desafiante, não só pela jogabilidade distinta, mas também pela grande quantidade de inimigos e projécteis que vamos efrentar em simultâneo. Felizmente que barra de vida se vai regenerando ao fim de alguns segundos sem sofrer dano, pelo que teríamos mesmo de jogar de forma muito cautelosa.

O modo arcade inclui muitos objectivos e bosses adicionais

Ora aqui na PS4 essas bases mantêm-se. Infelizmente a Dracue não decidiu melhorar o esquema de controlo básico do mecha, pelo que tanto o d-pad como o analógico esquerdo servem para controlar o nosso mecha e a direcção da mira em simultâneo. O analógico direito poderia perfeitamente servir para controlar a mira, mas assim sendo, esperem por uma curva de aprendizagem algo longa! De resto, o remake traz muitas novidades para além de gráficos e som melhorados, a começar na possibilidade de o mecha dar socos, o que é muito útil em certas situações. Para além de todas as armas (e armaduras extra) que poderemos vir a desbloquear e equipar antes de cada missão, aqui foram introduzidos uma série de equipamentos novos, incluindo um escudo que já vem desbloqueado de origem e pode ser activado ao pressionar o botão R1. Esse escudo protege-nos da maioria de golpes frontais, mas continuamos expostos a dano que venha de outras direcções, o que irá acontecer principalmente em níveis de gravidade zero. Mantendo o botão L1 pressionado permite-nos trancar a mira na direcção actual, já os L2 e R2 servem para alternar entre as diferentes armas que tenhamos equipado. À medida que vamos progredindo no jogo (e com base na nossa performance) iremos desbloquear novas armas ou equipamentos (como armaduras extra), que poderemos equipar antes de cada missão. Temos 6 slots de equipamento disponíveis e, tendo em conta que apenas a metralhadora (e uma outra arma que não cheguei a desbloquear) possuem munições infinitas, devemos mesmo escolher de forma inteligente o equipamento que queremos levar. Por exemplo, na fase inicial do último nível, temos de proteger a nossa frota dos colossos inimigos, pelo temos de os eliminar rapidamente. Estava a ter muita dificuldade em conseguir destruir esses colossos a tempo, até que decidi equipar a shotgun e ver que rapidamente os desfazia como barrar manteiga num pão!

Algumas das missões decorrem em pleno espaço onde temos muita maior liberdade de movimentos. Esperem por batalhas épicas!

Mas continuando pelo o que o remake nos traz, temos essencialmente dois modos de jogo. O principal é o arcade mode, onde os níveis foram algo refeitos face ao original da Mega Drive: a história foi expandida, vamos tendo alguns objectivos adicionais para cumprir em cada missão, bem como uma série de bosses adicionais que não estavam presentes no jogo original. Escondido nas opções temos também o classic mode, uma versão mais próxima do original da Mega Drive, sem os bosses e objectivos adicionais, mas no entanto é bem mais desafiante devido ao número de inimigos que teremos de enfrentar! Também nas opções temos acesso a um tutorial que nos ajuda a habituar aos controlos, bem como alguns extras que incluíram nesta versão, como artwork tanto do remake como do original, incluindo design documents que naturalmente estão todos em japonês. Um scan do manual da versão japonesa da Mega Drive também está disponível para consulta, mas o que dava mesmo jeito era um manual deste remake, quanto mais não fosse em formato digital. Outra coisa relevante a mencionar é o facto de em cada modo de jogo que jogamos (incluindo o tutorial) vamos ganhando pontos. Pontos esses que, ao visitar o ecrã das opções, nos vão fazendo subindo de ranking e por conseguinte desbloquear uma série de customizações que poderemos activar. Uma das primeiras que desbloqueamos é uma mira laser que é extremamente útil, pois facilita imenso o trabalho de apontar!

Antes de cada missão podemos escolher que equipamento levar, tendo em conta que temos apenas 6 slots disponíveis e a maioria das armas possui munição limitada.

A nível audiovisual estamos perante um jogo competente, até porque a versão de Mega Drive era ainda muito modesta pois saiu no início de vida dessa plataforma. Se virmos o Assault Suit Valken para a Super Nintendo (saiu no ocidente sob o nome de Cybernator), já há uma evolução gráfica bastante evidente! Então este remake é uma evolução gráfica bem grande perante o original, pois os cenários, naves, mechas e inimigos no geral estão muito melhor detalhados, assim como os efeitos gráficos de explosões e afins. Mas não deixa de ser um jogo algo 2D, pelo que se me dissessem que estava a jogar um jogo de PS2 não me admiraria. Para além dos objectivos e bosses adicionais introduzidos nesta versão, a história foi também expandida com mais diálogos, desta vez todos com voice acting em japonês. As músicas foram também refeitas agora com instrumentos reais embora seja possível desbloquear as músicas da versão Mega Drive. Aliás, se optarmos por jogar o classic mode são mesmo as músicas da Mega Drive que ouvimos. Gostaria que tivessem também incluído o lançamento da Mega Drive na íntegra, seria muito interessante!

Este não é um bullet hell shooter, mas tem os seus momentos

Portanto este Assault Suit Leynos é um lançamento interessante. É um shmup algo diferente e que nos obriga a enfrentar uma maior curva de aprendizagem devido ao controlo dos mechas, mas devo dizer que gostei de o jogar. Não deixa de ser um jogo muito de nicho, mas a série Assault Suits já há muito que me despertava o interesse e esta é uma óptima maneira de sermos introduzidos à mesma. Tal como referi acima, seguiu-se o Assault Suits Valken (Cybernator) na SNES, que também acabou por receber um remake anos mais tarde para a PS2. Tanto um jogo como o outro receberam ainda sequelas, o Leynos 2 saiu na Saturn e o Valken 2 na PS1, embora este aparentemente já seja um RPG algo similar aos Front Mission. Será uma série que irei explorar melhor no futuro, sem dúvida!

Gaia no Monshou (PC-Engine)

Vamos voltar à PC-Engine com um dos precursores da saga Langrisser, um dos primeiros, senão mesmo o primeiro, strategy rpg japonês. A saga de Elthlead, a tal precursora de Langrisser, começou precisamente com o lançamento de Elthlead numa série de computadores nipónicos em 1987. Ainda nesse ano é também lançado para os mesmos computadores este Gaia no Monshou (Crest of Gaia), que sinceramente nunca entendi muito bem se é uma sequela ou um remake do primeiro jogo. O que é certo é que este jogo acabou por sair também em 1988 na PC-Engine e felizmente acabou por receber também um patch de tradução feito por fãs. O meu exemplar foi comprado algures no ano passado, veio juntamente no bundle da PC-Engine Duo RX e mais uns quantos jogos que comprei a um francês no eBay.

Joco com caixa e manual embutido na capa

Mas sendo este um jogo tão primitivo no género dos SRPGs, as suas influências de RPG são ainda muito modestas. Existem 3 modos de jogo distintos: o Scenario, Construction e Campaign, mas antes de entrar no detalhe de cada um, fiquemo-nos primeiro pelos básicos. Este é então um jogo de estratégia por turnos, onde vamos participando em várias batalhas e cujo campo de batalha está dividido numa série de quadrados. A iniciativa é calculada de forma aleatória no início de cada turno, pelo que poderemos ser nós ou o inimigo a começar o turno primeiro. E é aqui que poderemos seleccionar cada unidade que controlamos, movimentá-las pelo cenário e posteriormente atacar alguma unidade inimiga, se esta estiver dentro do alcance de ataque, claro. Vamos tendo unidades de diferentes tipos e classes, como guerreiros, arqueiros, peças de artilharia, dragões voadores, navios, entre outros, sendo que cada tipo de unidade tem os seus respectivos pontos de defesa e ataque, bem como diferentes alcances de movimento e ataque. Por exemplo, unidades mais pesadas não conseguem cobrir grandes distâncias num turno, unidades com armas brancas como espadas ou machados não conseguem atacar à distância, ao contrário dos arqueiros, ou os navios não podem mover-se em terra. Já as unidades aéreas, têm uma grande liberdade de movimento e podem cobrir todo o tipo de terrenos. Portanto todas as unidades que vamos controlando vão tendo as suas particularidades e vamos ter de as usar de forma muito inteligente para contrariar as movimentações inimigas!

Antes de cada turno há um sorteio a ver quem tem a iniciativa de começar primeiro

No que diz respeito a magias, elas também existem neste Gaia no Monshou mas de uma forma não tão convencional. Basicamente, antes de cada batalha, cada lado poderá seleccionar uma de várias magias geradas aleatoriamente, que podem consistir em aumentar o nosso poder de ataque, defesa, agilidade, causar dano aleatório em unidades inimigas, entre outras. E depois, em cada turno as magias seleccionadas por ambos os lados podem ser activadas… ou não. Isso é tudo uma questão de sorte! E infelizmente a sorte é também o maior problema deste jogo, pois podemos ter a sorte de num turno, para além de sermos os primeiros a atacar, poderemos ter a sorte de acertar todos os nossos golpes, mas no turno seguinte podemos falhar a maioria e por azar o inimigo acerta-nos sempre e com muitos criticals que rapidamente dizimam as nossas forças. É por isso que este é acima de tudo um jogo de muita paciência, preserverança e sorte. Posicionar e atacar as nossas tropas de forma inteligente certamente não chega para o sucesso.

Como é habitual podemos seleccionar uma unidade de cada vez, posicioná-la e atacar caso tenhamos algum inimigo no nosso alcance

Mas vamos lá abordar os diferentes modos de jogo. O primeiro é o scenario mode, onde teremos a hipótese de jogar livremente 30 batalhas distintas (sendo que as primeiras 25 pertencem à história do jogo) e em cada batalha já temos um exército prédefinido que poderemos controlar. Antes de cada batalha temos no entanto direito a uma parede de texto que nos vai apresentando a história que antecede imediatamente a batalha que seleccionamos. O campaign mode é o verdadeiro modo história, onde jogamos as tais primeiras 25 batalhas do scenario mode de forma sequencial, mas curiosamente não temos as tais sequências de texto que vão narrando a história entre cada batalha… temos sim é uma pequena cutscene exclusiva que encerra a história, caso terminemos esse modo de jogo com sucesso. Mas para além de jogar essas 25 batalhas sequencialmente, neste modo de jogo não temos um exército predefinido, mas sim teremos de construir o nosso próprio exército antes de cada batalha. Inicialmente temos um certo número de créditos com os quais podemos recrutar até um máximo de 20 unidades, sendo que cada tipo de unidade possui custos diferentes. No final da batalha, se perdermos poucas unidades, ainda vamos receber alguns créditos adicionais para usar na batalha seguinte. E é aqui que o factor sorte mais irrita, pois caso percamos muitas unidades no final de uma batalha, seremos fortemente penalizados e na batalha seguinte teremos menos créditos para gastar, o que nos irá certamente trazer problemas. Então temos mesmo de procurar recrutar as unidades mais fortes para aquele conflito e evitar ao máximo casualidades no nosso exército, para que na batalha seguinte possamos recrutar mais um ou dois soldados e por aí em diante. O jogo vai-nos atribuindo uma password no final de cada conflito, mas como o joguei em emulação, o save state fez magias. Por fim temos o modo Construction, que como o nome indica, nos permite seleccionar um mapa e escolher ambos os exércitos que poderemos controlar depois.

No modo campanha, temos de gerir bem os recursos e escolher as melhores unidades para cada confronto

A nível audiovisual é também um jogo muito modesto. As unidades são bastante pequenas e com muito pouco detalhe e animações. Ao contrário do que séries como Shining Force ou Fire Emblem nos habituaram, não temos animações bem detalhadas dos confrontos, apenas alguns brilhos no posição dos lutadores afectados, que nos podem indicar se acertamos o golpe ou não e, no caso do ecrã todo brilhar, se tivemos a sorte de aplicar um critical. Ou o azar de sofrer um… Outra das coisas que me chateou é o facto de nunca sabermos qual a barra de vida dos inimigos! Já a das nossas unidades, o seu valor de defesa vai diminuindo consoante o dano que vão sofrendo. Mas continuando com os gráficos, mesmo os próprios cenários também não possuem lá muito detalhe. De resto, a nível de som, as músicas até que são bastante agradáveis, ao menos isso.

Curiosamente esta pequena parede de texto que antecede cada batalha no scenario mode não nos aparece no modo campanha

Portanto este Gaia no Monshou é um jogo que acredito que tenha sido muito importante para a génese dos SRPGs como conhecemos hoje em dia, mas não deixa de ser muito primitivo, tanto na sua apresentação como jogabilidade e ainda com muito pouco de RPG propriamente dito. E claro, como já referi bastantes vezes… o seu foco em pura sorte também é capaz de tirar qualquer um do sério.

L-Dis (PC-Engine CD)

Mais uma rapidinha a um shmup da PC-Engine, este um bocado mais obscuro pois nunca saiu fora do Japão e permanece um exclusivo da PC-Engine CD ao fim de todos estes anos! E é um jogo que veio cá parar após ter importado um lote de 14 jogos de PC-Engine directamente do Japão. Ficou-me a cerca de 7€ por jogo, já contando com todos os custos adicionais.

Jogo com caixa e manual embutido na capa

A história é contada no início do jogo, numa cutscene repleta de voice acting em japonês. E embora não entenda rigorosamente nada do que estão para lá a dizer, dá para ter uma ideia do que se passa. Depois da escola terminar, dois amigos (rapaz e rapariga) vão brincar para um bairro algo shady e põem-se a desenhar monstros com giz lá num muro. Entretanto algo de errado se passa, os monstros que eles desenharam ganham vida, aparece uma criatura demoníaca e rapta a rapariga! O rapaz mete-se numa nave que mais parece um peixe e assim começa mais um shmup horizontal, bastante bizarro por sinal.

Como muitos cute’em ups, o jogo até que tem o seu charme

Antes de começarmos no entanto, temos a oportunidade de optar entre 3 configurações diferentes de armas a usar durante o jogo. Já quando partimos para a acção iremos obviamente encontrar uma série de power ups, mas o grande desafio é mesmo saber de antemão o que é que podemos apanhar. É que ao contrário de outros shmups que possuem power ups na forma de ícones facilmente reconhecíveis, estes são na verdade quadrados com palavras escritas em kanji, portanto é sempre uma incógnita a menos que saibam japonês. E esses power ups incógnitos podem ser upgrades ao nosso poder de fogo, satélites (options) adicionais, outros podem ser aquelas bombas capazes de causar dano a todos os inimigos em simultâneo ou escudos.

Este boss ainda nos proporciona uma situação caricata!

Uma curiosidade é que os satélites não orbitam à volta da nossa nave, mas sim perseguem-na, como se estivessem presos por um cabo. Ou seja, se por exemplo estivermos no fundo do ecrã e subirmos para o topo, os satélites vão ficar abaixo da nave, e aí conseguimos cobrir uma grande área do ecrã com o nosso poder de fogo! Mas não se enganem, apesar de ser um jogo que tem um aspecto muito “fofinho” é bastante desafiante! Temos apenas 6 níveis mas são todos bastante longos, com múltiplos midbosses e um boss final, os inimigos rapidamente começam a adoptar padrões de movimento (e de fogo) mais agressivos. Para além disso como se os reflexos já não são o que eram com a idade, um gajo também começa a ficar um bocado vesgo e isso também não ajuda. É que por vezes os projécteis inimigos são bastante pequenos e não contrastam bem com os cenários, portanto mesmo tendo jogado isto em emulação e com recurso a save states… deu trabalho!

Antes de começar o jogo temos de escolher que tipo de armas queremos para as options

A nível gráfico é um jogo com aspecto muito fofinho, com inimigos bastante bizarros e por vezes as nossas armas também. Só para terem uma ideia, uma das armas de um dos nossos satélites podem ser sapatos de senhora, que são largados como as bombas para a superfície tal como noutros shmups. Os inimigos também vão sendo bastante bizarros e por vezes até acontecem algumas situações bem humoradas, como um dos bosses que aparece no ecrã de costas para nós, envergonha-se pela situação embaraçosa, vai embora e depois volta já a atacar normalmente. Já os cenários apesar de não serem maus de todo, nalguns níveis deixam um pouco a desejar. As músicas são bastante festivas e alegres, o jogo possui também imenso voice acting, mesmo durante a acção, principalmente quando entram alguns bosses em cena, há sempre alguns diálogos a acontecer. Mas estando tudo em japonês fico bastante clueless sobre o que se está por ali a dizer.

Portanto este é mais um dos inúmeros shmups que existem para a consola da NEC. E é um jogo competente, embora acredito perfeitamente que a consola possua títulos bem mais interessantes. Ainda assim, não sendo dos mais caros, pode ser uma boa opção para quem quiser começar uma colecção.

Head Buster (Sega Game Gear)

Vamos agora voltar à portátil de 8bit da Sega, para um interessante exclusivo japonês produzido pela NCS/Masaya. Head Buster é um jogo de estratégia por turnos onde iremos construir o nosso pequeno exército de robots e combater uma série de robots inimigos, ao longo de 10 batalhas. Felizmente existe um patch de tradução para o inglês, eliminando assim qualquer barreira linguística. O meu exemplar foi-me oferecido por um amigo meu algures em Julho de 2020.

Cartucho solto, jogo japonês

E nós aqui encarnamos no papel de um miúdo que se inscreve numa competição de lutas com robots, começamos o jogo com 600 créditos e antes de começar cada combate temos acesso a uma loja onde poderemos comprar um ou mais robots e customizá-los à nossa vontade, bem como ver o mapa da próxima arena onde podemos combater. Isto é útil pois dá para ver que tipo de terreno iremos encontrar e preparar os nossos robots da melhor forma. Infelizmente não dá é para antever quais os robots inimigos que iremos enfrentar!

As diferentes armas que temos têm também diferentes alcances

Mas pronto, com 600 créditos lá poderemos comprar um ou 2 robots e equipá-los com algum armamento adicional. Começamos por escolher se queremos um robot de estrutura ligeira, normal ou pesada, o que irá afectar a sua agilidade (nomeadamente o número de células que nos podemos deslocar em cada turno) bem como a sua armadura, pois os robots mais pesados são mais resistentes ao fogo inimigo. Podemos também customizar a parte inferior do robot, seja ao usar pernas, lagartas ou um hovercraft, que por sua vez cada tipo destas peças nos permite atravessar diferentes tipos de terreno e obstáculos como água, montanhas ou florestas. Daí a possibilidade de explorar o tipo de terreno que iremos enfrentar entre cada combate ser muito importante! Os braços e ombros podem ser equipados com diferentes escudos e armas de curto, médio e longo alcance, sendo que os ombros são as que carregam as armas mais destrutivas como mísseis ou napalm, mas também poderão carregar outros equipamentos especiais que nos podem dar diferentes habilidades nas batalhas como lançar fumo para não sermos atingidos por fogo inimigo. Outra das características importantes que devemos comprar é o computador de bordo, que, dependendo do modelo escolhido, nos permite efectuar algumas acções adicionais nos combates, como esconder ou evadir de fogo inimigo, bem como reparar o dano sofrido.

Cada tipo de parte inferior tem as suas vantagens e desvantagens

Passando para as batalhas em si, estas são todas por turnos, sendo que cada turno é dividido em 2 fases. A primeira fase é a de posicionamento dos nossos robots e em seguida o CPU faz o mesmo para os seus robots. Depois lá temos a fase de ataque onde se tivermos algum inimigo no nosso alcance de fogo, podemos disparar. No caso de termos um computador de bordo que nos permita evadir do fogo inimigo também o podemos fazer. Ou poderemos simplesmente recarregar algumas das armas que eventualmente tenhamos usado. Cada batalha termina quando todos os robots inimigos tenham sido destruído, ou a sua base. Uma vez terminada a batalha, ganhamos algum (pouco) dinheiro e somos levados novamente para a tal loja onde podemos prever o próximo campo de batalha e modificar os nossos robots, ou mesmo construir novos.

Infelizmente o dinheiro que ganhamos entre cada combate não é assim tanto pelo que não perder robots é essencial para a sobrevivência

É um jogo relativamente simples mas desafiante pois o dinheiro que ganhamos em caso de vitória não é assim tanto, pelo que vai ser difícil ir acompanhando o poder de fogo inimigo à medida que vamos avançando no jogo. Usar tácticas mais defensivas, como estar perto da base onde poderemos regenerar a vida dos nossos robots pode ser uma boa opção, mas também podemos tentar ser mais sneaky e usar robots mais ligeiros para atacar directamente a base inimiga. De qualquer das formas é muito importante ir registando as passwords que nos vão sendo atribuídas no final de cada batalha, pois caso um dos nossos robots seja destruído, mesmo que vencemos o confronto no final, o mesmo é perdido para sempre ou seja, teremos de construir um robot de novo e o dinheiro nunca dá para tudo. Ainda nas passwords, o jogo vai-nos atribuindo uma password curta e longa e eu recomendo vivamente que anotem a password longa. A curta apenas serve para registar em que ponto do jogo vamos, mas todos os robots que tenhamos construido previamente desaparecem.

As batalhas poderiam ter mais detalhe gráfico, pois a câmara está sempre na perspectiva de um dos nossos robots, mesmo quando está a sofrer dano.

A nível audiovisual é um jogo competente tendo em conta que estamos a falar de um jogo para a Game Gear. As arenas são coloridas, mas seria interessante que houvesse uma maior variedade de cenários. Quando transitamos para um ecrã de batalha temos sempre a câmara na perspectiva de primeira pessoa de um dos nossos robots, que seja para atacar, quer seja quando estamos a sofrer dano. A barra de vida que aparece no ecrã é a barra de vida do robot a ser atacado. Seria interessante uma perspectiva como nos Advance Wars, onde pudéssemos ver ambos os robots e suas barras de vida. Já no que diz respeito ao som, as músicas são agradáveis e nada de especial a apontar aos efeitos sonoros.

Portanto este Head Buster é um jogo de estratégia por turnos que até tem potencial precisamente pela customização que podemos fazer ao criar robots de raiz e que tirem proveito do terreno que iremos enfrentar nos confrontos seguintes. Mas para além do desafio que nos é imposto ao irmos enfrentando inimigos tendencialmente mais fortes em número e poder de fogo, seria bem mais interessante se houvesse aqui uma narrativa qualquer, mesmo que fosse algum dos clichés habituais. Competir para ganhar trocos e ter de enfrentar inimigos mais poderosos a seguir não chega para mim.

Gynoug (Sega Mega Drive)

A Masaya (também conhecida por NCS) é uma das developers mais interessantes da era 16bit, embora muitos dos seus jogos se tenham ficado apenas em solo nipónico. Felizmente não é o caso de Gynoug (também conhecido por Wings of Wor em solo norte-americano), um shmup onde encarnamos no anjo Wor, numa batalha contra uma série de forças infernais. O meu exemplar foi comprado algures em Março a um particular no Reino Unido. Ficou-me por sensivelmente 20€ já com os portes.

Jogo com caixa e manual

Este é um shmup bastante frenético com inimigos a surgirem de todo o lado e projécteis a serem disparados constantemente, principalmente em níveis de dificuldade mais elevados. Felizmente que temos auto-fire e disparos que se espalham no ecrã por defeito, permitindo-nos também disparar consecutivamente. Como não poderia deixar de ser temos também uma série de power ups para apanhar e a primeira coisa que nos salta à vista é talvez as duas barras de energia coloridas que nos aparecem no ecrã. Estas são aumentadas à medida que vamos coleccionando uma série de esferas vermelhas ou azuis, sendo que umas aumentam o nosso poder de fogo, outras aumentam o leque de direcções em que os nossos disparos tomam. Temos também outras pedras coloridas para apanhar que variam o nosso padrão de disparo. Por defeito concentramos o fogo todo para a frente, mas podemos variar e tirar alguma potêcia da frente, de forma a que alguns dos nossos disparos saiam também para trás, ou dividir a potência de igual forma para ambas as direcções.

Temos um sistema de power ups interessante, onde as armas especiais têm diferentes usos

Como é habitual temos também algumas armas especiais. Estas são apanhadas quando encontramos pergaminhos com uma certa letra e que vão ocupando um dos 3 slots que temos para armazenar esses poderes. Estas armas especiais são distintas entre si, se bem que se tivermos dois ou mais slots ocupados com a mesma arma, então a sua potência é amplificada. Estas têm sempre uma duração limitada, seja por um tempo limite, ou por limite de munições.

Os bosses são visualmente muito apelativos

Agora que temos as mecânicas de jogo cobertas, passemos para os visuais. Apesar de ser um jogo lançado ainda relativamente cedo no ciclo de vida da consola (saiu originalmente no início de 1991 no Japão), é um jogo graficamente muito capaz, principalmente nos bosses e cenários que estão muitíssimo bem detalhados. Estes últimos estão  repletos de efeitos de parallax scrolling, e ocasionalmente alguns efeitos especiais de distorção ou rotação de sprites que me agradam bastante. Mas para além disso, os cenários em si, bem como os inimigos estão muito bem desenhados, indo buscar imensas inspirações diferentes, sejam cenários que nos remetam para antigas civilizações romanas ou gregas, o steampunk, ou mesmo aqueles designs sinistros e biomecânicos que H.R. Giger tão bem nos deu a conhecer. Face a esta variedade de temáticas nos cenários e inimigos, as músicas são também bastante ecléticas e agradáveis, oscilando entre temas de composição mais clássica, outros mais folk ou modernos.

Os cenários são variados, não faltando no entanto aqueles mais orgânicos e nojentos

Portanto este Gynoug é um óptimo shmup para a Mega Drive e recomendo vivamente a quem for fã do género. Quem for um bocado azelha como eu neste tipo de jogos vai passar alguma dificuldade, mas ao menos tem um jogo bem bonito para apreciar também.