O artigo de hoje será mais uma rapidinha, pois é sobre a adaptação do The Addams Family para a Mega Drive. A Ocean desenvolveu a versão original para as consolas da Nintendo e uma série de computadores da época, enquanto a Flying Edge acabou por, mais tarde, obter uma licença da Ocean para converter o mesmo jogo para as consolas da Sega. Como já cá falei da versão Super Nintendo, este artigo será muito mais breve. O meu exemplar foi comprado a um particular algures em Novembro por cerca de 10€.
Jogo com caixa
Ora e este é um jogo de plataformas, supostamente baseado no filme de 1991, mas não me parece que siga os eventos do filme. Aqui controlamos Gomez Addams, o patriarca da família, que terá de explorar todos os recantos da sua mansão e salvar os restantes membros da sua família. E sendo este um jogo de plataformas, a sua jogabilidade é simples com um botão para saltar e um outro para atacar com algumas armas que eventualmente possamos apanhar, como uma espada ou bolas de baseball que poderemos atirar contra os inimigos. Não tendo power ups desses na nossa posse, resta-nos saltar em cima dos inimigos, Mario style.
O que não faltam aqui são salas para explorar e passagens secretas!
E ao reler o artigo da SNES confesso que fui um pouco modesto ao afirmar que este é um jogo algo difícil. Algo é pouco, este é um jogo de plataformas muito desafiante pela quantidade de obstáculos, inimigos e armadilhas que nos devemos desviar. A mansão da família Addams está repleta de passagens secretas que devemos explorar afincadamente, quanto mais não seja para ir amealhando vidas extra que irão certamente ser uma grande ajuda. Também iremos encontrar muitos cifrões que servem como as moedas de Mario, ou seja, a cada 100 que coleccionemos ganhamos uma vida extra. Também vamos poder encontrar alguns power ups mais raros que nos podem dar invencibilidade, velocidade extra ou a capacidade de voar, todos eles de forma temporária. A nossa barra de vida pode ser restabelecida ao apanhar os corações, mas também pode ser extendida ao explorar a mansão e defrontar e derrotar alguns bosses por lá escondidos.
Uma vez resgatados os membros da família Addams, eles vão-se juntando nesta sala
Do ponto de vista audiovisual já a versão SNES não era nada do outro mundo e esta parece ser uma conversão sólida do original, perdendo apenas na redução de cores e um ou outro efeito gráfico nalguns níveis. De resto é muito semelhante à versão SNES, com sprites pequenas mas charmosas e inimigos muito cartoony. As músicas são também bastante agradáveis embora aparentemente nem todas tenham chegado a ser convertidas para a Mega Drive, o que sinceramente não se entende.
Vamos a mais uma rapidinha, pois já cá trouxe no passado o Robocop 3 para a Super Nintendo. Este tinha sido desenvolvido originalmente pela Ocean, que habitualmente detinha a licença dos filmes para produzir jogos para os microcomputadores da época e nas consolas da Nintendo também. Mas com o terceiro filme do Robocop, a Acclaim/Flying Edge acabaram também por adquirir a licença da Ocean para produzirem conversões desse mesmo jogo para consolas da Sega também. O meu exemplar da Master System chegou-me à colecção no passado mês de Novembro, após ter feito uma troca com um amigo.
Jogo com caixa
E basicamente temos aqui o mesmo jogo, embora naturalmente seja bem mais modesto nos seus audiovisuais. Este é maioritariamente um sidescroller 2D, onde vamos ter de combater uma série de inimigos, podendo inclusivamente disparar para cima ou nas diagonais superiores. Vamos tendo acesso também a diferentes tipos de armas, mediante os power ups que vamos encontrando ao longo do jogo, mas tal como na versão 16bit temos munições limitadas. Felizmente sendo este um jogo 8bit, a quantidade de inimigos no ecrã não é assim tão grande, sendo uma experiência menos frustrante. Eventualmente teremos também dois níveis onde Robocop, munido do seu jetpack, percorre os céus de Detroit como se um shmup se tratasse. Aqui temos de usar dois tipos de armas, umas para atacar alvos aéreos, outras para alvos terrestres. E felizmente nestes níveis de voo não temos limite de munições, pelo que podemos e devemos estar em constante ataque.
Vai haver alturas em que teremos inimigos a disparar por todos os lados. Armas como a “spread gun” são super valiosas em certos momentos. Pena que gaste 3x mais munições!
A nível audiovisual é um jogo algo modesto comparando com as versões 16bit, o que seria perfeitamente expectável. No entanto, pessoalmente apreciei mais o Robocop vs The Terminator, mesmo na sua versão 8bit, tanto na qualidade das sprites, como no detalhe dos cenários. Por outro lado as músicas são bastante agradáveis! Também temos só 6 níveis, embora tenhamos alguns confrontos mais desafiantes lá pelo meio (incluindo o boss final), pelo que se não fosse por esses picos de dificuldade, seria um jogo bem curto.
Voltando à Mega Drive, vamos ficar com mais um jogo da marvel que infelizmente não achei tão bom assim. Combinando os universos de Spider-Man e os X-Men juntos na luta contra mais alguns super vilões da banda desenhada, o jogo até que era ambicioso ao introduzir várias personagens jogáveis, cada qual com diferentes habilidades. Mas o efeito Acclaim (a Flying Edge era uma subdivisão da Acclaim) leva a melhor e o resultado final deixou-me muito a desejar, mas já lá vamos. O meu exemplar foi comprado a um particular algures em Agosto, tendo-me custado uns 25€.
Jogo com caixa
A história é relativamente simples: começamos por controlar o Spider-Man que vê o Gambit dos X-Men a ser raptado pelo vilão Arcade. Ao segui-lo chegamos às imediações da base do Arcade onde jogaremos o primeiro nível como Spider-Man. Uma vez finalizado esse nível, teremos mais 2 níveis pela frente tanto para o Spider-Man, mas também com o Wolverine, Storm, Cyclops e Gambit, sendo todos os níveis distintos para cada personagem e também com objectivos diferentes entre si e naturalmente que os teremos de terminar todos.
O jogo possui umas pequenas cutscenes na introdução e final
E o primeiro problema que vejo é que nem sempre é claro o que temos de fazer em cada nível, pelo que o manual ia dar muito jeito. Mas vamos por partes e abordar primeiro o Spider-Man, cujos controlos usam os botões faciais do comando da Mega Drive para saltar, atirar teias, tanto como projécteis para atacar os inimigos, como para nos balancear pelos tectos e edifícios. Logo no primeiro nível com o Spider-Man temos o objectivo de coleccionar uma série de objectos e só depois a saída fica desbloqueada. Mas nos níveis seguintes do aranhiço o objectivo é o de explorar os níveis até encontrar um boss e derrotá-lo. O Wolverine tem a habilidade de regenerar a sua barra de vida naturalmente, mas isso apenas acontece quando tem as suas garras retraídas. Os seus controlos consistem num botão para saltar, outro para atacar e um outro para activar/desactivar as suas garras. Os níveis de Wolverine também são relativamente simples nos seus objectivos: percorrer os níveis até enfrentar um boss, se bem que o segundo nível coloca-nos num confronto contra o Juggernaut que é incrivelmente doloroso (abençoados save states!).
Como homem aranha, podemos e devemos usar as suas teias para alcançar locais de difícil acesso
O Cyclops possui um botão de salto, outro para pontapés e um outro para disparar os raios ópticos a partir do seu visor. Os seus níveis são subterrâneos e algo labirínticos, sendo que em certas alturas teremos de viajar num minecart sobre carris electrificados e destruir umas quantas minas antes que estas nos destruam a nós. No final de cada nível temos um boss também para defrontar. A Storm possui níveis subaquáticos, onde o objectivo é o de destruir algumas comportas para fazer o nível de água subir e por fim conseguir encontrar a saída. O design dos níveis é labiríntico e temos de ter especial atenção ao seu nível de oxigénio, o que será mais difícil sem dúvida. A Storm possui um botão para lançar raios eléctricos e outros dois para despoletar tempestades ou tornados, mas esses necessitam de power ups. Por fim sobra-nos o Gambit, que tem dos níveis mais difíceis pela quantidade absurda de inimigos e obstáculos. Com o Gambit temos um botão para saltar, outro para atacar na forma de atirar cartas que existem em número limitado e um outro botão para activar um special. Portanto como se os níveis do Gambit não fossem difíceis o suficiente, temos de ter constante atenção ao número de cartas disponíveis pois caso se esgotem ficamos indefesos. Finalizando todos este níveis, teremos ainda mais um pequeno nível de transição com cada personagem antes do confronto com o boss final.
Os níveis do Wolverine são… pura e simplesmente… feios!
Portanto este até que é um jogo variado, tanto nos níveis, como nos seus objectivos e mecânicas de jogo. Mas a dificuldade é muito acima da média e o número de vidas disponíveis é partilhado por todos os heróis o que também não ajuda. Ocasionalmente teremos a hipótese de ganhar vidas extra ao coleccionar alguns itens e estas serão mesmo preciosas. O confronto contra o Juggernaut por parte do Wolverine é muito doloroso, com a Storm é muito fácil afogarmo-nos, não só pela natureza labiríntica dos níveis, bem como porque cada vez que sofremos dano, perdemos ar também. Com o Cyclops basta embater numa mina ou cair nos carris eléctricos que já fomos, os níveis do Gambit estão repletos de inimigos que nos atacam de todos os lados pelo que já estão a ver o quão frustrante este jogo será.
Para sobreviver nos níveis da Storm temos de encontrar alguns locais onde podemos respirar
A nível audiovisual este jogo tem também resultados mistos. Por um lado a música é excelente, com alguns temas mais rock que inicialmente até nem posso ter gostado muito, mas acabaram por crescer em mim. Mas nos gráficos sinceramente acho que ficou muito a desejar, com sprites pequenas e cenários com pouco detalhe. Parece mais um jogo 8bit bem musculado do que um jogo 16bit! Os cenários são variados de personagem para personagem, mas com pouco detalhe. Os do Wolverine com aquele tema mais circense são especialmente maus, na minha opinião. Aliás, as próprias cores do Wolverine neste jogo não me parecem nada bem.
Portanto estamos aqui perante um jogo que até tinha potencial para ser interessante, principalmente pelas diferentes personagens que jogamos, com diferentes mecânicas de jogo entre si. Mas a sua dificuldade exagerada borra mesmo a pintura e os seus gráficos algo primitivos também não contribuem. Existe também uma versão para a SNES que me parece muito idêntica a esta, bem como versões 8bit para as portáteis da Sega e Nintendo mas confesso que não fiquei com muita vontade de as experimentar.
Vamos ficar agora com mais uma rapidinha a um jogo da Mega Drive, nomeadamente este The Simpsons: Bart vs the Space Mutants. É uma rapidinha pois já cá trouxe tanto a sua versão original para a NES, bem como a versão Master System. Esta versão Mega Drive também foi convertida pela Flying Edge e é sem dúvida a versão mais bonitinha deste jogo. Já na jogabilidade, bom, a mesma continua repleta de saltos extremamente precisos, o que poderá ser frustrante. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu no passado mês de Setembro por 5€.
Jogo com caixa
Como referi anteriormente, a história e o conceito é o mesmo das versões 8bit. Bart munido dos seus óculos raio-X descobre que extraterrestres estão entre nós a construir uma arma para dominar o mundo e cabe-lhe a ele travar os seus planos. Inicialmente essa máquina está a usar objectos roxos para o fabrico da tal arma, pelo que no primeiro nível a nossa missão vai ser a de pintar o máximo de objectos roxos que conseguirmos, seja com as latas de spray que vamos encontrando, seja com algum platforming mais exigente, ou mesmo com recurso a outros objectos que poderemos vir a adquirir. No segundo nível, passado num centro comercial, já teremos de coleccionar todos os chapéus que encontrarmos, pois a máquina passou a usar chapéus. No terceiro nível, passado numa feira Popular, o objectivo é apanhar ou rebentar o maior número de balões e por aí fora. É essencialmente o mesmo jogo, com os mesmos segredos e desafios. Confesso que descobri um segredo que nunca me tinha apercebido antes: no primeiro nível, as moedas que vamos encontrando podem ser usadas em algumas lojas para comprar objectos, até aqui tudo bem. Mas logo na primeira cabine telefónica a seguir ao Moe’s Tavern, poderemos usar o telefone para fazer uma das prank calls típicas do Bart! Fui depois experimentar o mesmo na versão Master System e também está lá presente! Muito engraçado!
Este obstáculo inicial lixou a vida a muita gente
De resto é um jogo que, tal como a sua versão 8bit, apesar de possuir imensos segredos e uma jogabilidade até variada com a inclusão de vários itens com diferentes usos que poderemos vir a coleccionar e usar, bem como até alguns mini-jogos lá pelo meio, não deixa de ser um jogo desafiante pelo seu platforming preciso, obstáculos e inimigos que nos temos de desviar constantemente. Para não falar claro que basta sofrer dano por 2x que se perde uma vida. E é muito fácil sofrer dano neste jogo! E os controlos infelizmente são também desnecessariamente complicados, especialmente nas mecânicas de correr e saltar.
No que diz respeito aos audiovisuais, sinceramente sempre gostei desta versão. Para além de possuir cores bem mais vivas e um detalhe gráfico nos níveis mais trabalhado, as músicas são também bastante agradáveis. Em particular a música título, que não sendo a tradicional música de abertura da série televisiva, aparentemente por motivos de licenciamento, não deixa de ser extremamente viciante. Não me sai da cabeça!
Podemos activar a visão raio x para desmascarar e atacar os aliens que se fazem passar por humanos
Portanto este Bart vs Space Mutants, se não fosse pelos seus problemas de controlos e por vezes a dificuldade mais extrema (benditos save states!), até que tinha potencial para ser um clássico, pela sua variedade de níveis e de mecânicas de jogo. Para além de que esta versão da Mega Drive está de facto muito bonita visualmente.
Voltando à Master System para mais uma rapidinha, este Steel Cage Challenge foi um jogo que joguei bastante na minha infância. Não porque gostasse dele, mas simplesmente porque eu e os meus amigos não tínhamos tantos jogos assim. Anos mais tarde lá consegui arranjar um exemplar para a colecção, tendo sido comprado a um amigo no passado mês de Setembro por 5€.
Jogo com caixa e manual
Eu não sou um grande fã de wrestling, nem dos programas de entretenimento, nem dos videojogos (excepção para os Arcade Game e In Your House pela sua natureza mais arcade), pelo que não me vou alongar muito aqui. Temos vários modos de jogo, desde partidas singulares de 1 contra 1, partidas em tag team ou campeonatos 1 contra 1 ou em tag team. Nas partidas singulares podemos também jogar contra ou cooperativamente com um amigo. Os combates podem também decorrer em arenas normais ou, tal como o título do jogo refere, em jaulas de aço.
Antes de cada combate temos uma pequena introdução aos protagonistas
No que diz respeito à jogabilidade, esta é muito simples, até porque o comando da Master System não tem muitos botões faciais. Basicamente temos um botão para socos e pontapés, mas dependendo do contexto, poderão corresponder a golpes ligeiramente diferentes. Pressionar o botão direccional e o 1 e 2 em simultâneo faz-nos correr nessa direcção, o que pode ser usado para ir às cordas e desferir alguns daqueles golpes vistosos. Entretanto, o objectivo de cada combate é o de enfraquecer o adversário e, uma vez enfraquecido – tipicamente depois de esvaziarmos toda a sua barra de vida) temos de lhe fazer o pin durante 3 segundos. No caso de um combate dentro da jaula de aço, uma vez com o oponente enfraquecido no chão, o combate é ganho depois de subirmos a jaula com sucesso. Até aqui tudo bem, mas a jogabilidade não é nada de especial e sinceramente o jogo até que é algo aborrecido.
Podemos levar a pancada para fora do ringue, mas não convém ficar lá muito tempo
Graficamente falando, estamos perantes um jogo também bastante simples. As sprites são pequenas, mas ainda assim possuem um bom nível de detalhe o suficiente para que os wrestlers sejam bem distinguíveis entre si. No que diz respeito ao som, os efeitos sonoros são simples e as músicas variadas, sendo que cada lutador tem o seu próprio tema. Já durante os combates em si, esses são jogados em silêncio, apenas vamos ouvindo os efeitos sonoros primitivos dos golpes a serem desferidos.
Portanto este Steel Cage Challenge, apesar de ser o único título WWF a sair na consola de 8bit da Sega, é para mim um jogo mediano. Pode entreter por algum tempo, principalmente pelo seu multiplayer, mas a falta de golpes especiais por personagem e os seus audiovisuais demasiado simples também não lhe abonam muito. Dos anos 90, o Wrestlemania Arcade continua a ser o que melhor envelheceu.