Quake III Revolution (Sony Playstation 2)

QUAKE 3 REVOLUTIONQuake III Arena, juntamente com o Unreal Tournament, ambos originais de 1999 foram 2 First Person Shooters muito importantes para a comunidade multiplayer no PC. Com as consolas a ter uma ligação cada vez maior ao “online”, conversões para consolas como a Dreamcast e PS2 não demoraram muito a surgir, embora as diferenças entre estas conversões sejam bastante consideráveis, conforme irei referir. A conversão para a PS2 ficou a cargo da Bullfrog (um estúdio agora extinto conhecido por jogos como Syndicate Wars, Theme Park e Dungeon Keeper). A minha cópia foi comprada numa loja do Porto algures durante este ano, a habitual TVGames, custou-me uns 4€ e está completa e em estado razoável.

Quake III Revolution
Jogo completo com caixa e manual

Com Quake II a ser um jogo bastante solicitado nos deathmatches por essas internetes e LAN’s fora, foi um passo natural a id Software focar a 3a iteracção desta série para a vertente mais competitiva (multiplayer). Ainda assim, o jogo possui um modo campanha que é certamente um bom treino para os combates a realizar online contra oponentes humanos. A história resume-se aos Vadrigar, uma poderosa raça alienígena, que estão aborrecidos de morte e decidem fazer uma espécie de torneio sangrento intergaláctico, onde quem sair vitorioso é-lhe garantida a liberdade. De entre os vários oponentes estão alguns conhecidos de jogos da iD, o Space Marine de Doom e o Ranger de Quake, por exemplo, entre outros ilustres desconhecidos humanos e não só. Enquanto que na versão original para PC o modo singleplayer resume-se a uma série de combates em Deathmatch, cujo objectivo é ficar em primeiro lugar em cada, Quake III Revolution aposta numa maior variedade, incluindo um ou outro mapa com modos de jogo como Possession, uma versão estranha do Capture-the-Flag e Elimination. Possession é um modo de jogo em que o objectivo é ficar com uma bandeira durante um certo intervalo de tempo sem morrer, enquanto que Elimination é uma variante do Deathmatch onde cada oponente tem um determinado número de vidas.

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Exemplo de uma partida de possession

No que diz respeito à jogabilidade, aqui reside uma grande falha. Enquanto que a conversão Dreamcast aceita o uso de teclado e rato, já a versão PS2 não é compatível com esses acessórios, forçando o uso do comando. Existem várias configurações pré-definidas para controlar o jogo, cada uma mais estranha que a anterior, excepto o “Advanced” que é a configuração que estamos habituados a ver habitualmente. Stick esquerdo para movimentar, stick direito para apontar, gatilhos para disparar, saltar, fazer zoom, etc. Quake III é um jogo bastante frenético, embora tenha muito menos customizações que Unreal Tournament, sempre achei que Q3 tinha um “charme” especial. As armas têm estilo, desde metralhadoras, shotgun, lança rockets, granadas, plasma rifle, railgun, entre várias outras armas futuristas, embora infelizmente todas as armas possuam apenas um modo de disparo. O jogo possui também diversos items de apoio, para além dos habituais regeneradores de saúde e armadura. Temos ao dispor items que dão invisibilidade ou invencibilidade temporária, auto-regeneração de saúde, dano duplo ou quádruplo, entre outros. Este jogo mistura o Quake III Arena com a sua expansão Quake III Team Arena, incluindo várias armas e mapas exclusivos dessa expansão.

No que diz respeito ao multiplayer, que seria sem dúvida o ponto forte deste jogo, esta conversão deixa algo a desejar. Enquanto que as versões de PC e Dreamcast tinham suporte completo a jogo online (e até era possível jogar entre PC e DC), esta conversão para PS2 ficou-se pelo tradicional multiplayer em split-screen até 4 jogadores. Sendo um jogo de primeira geração da PS2 (ainda vinha em CD e tudo), a Sony ainda não tinha a sua estrutura online devidamente definida, talvez seja a explicação para tal motivo. Os modos de jogo disponíveis são várias variantes do deathmatch e capture-the-flag. Temos o tradicional DM, e a sua versão Team Deathmatch, e variantes “single weapon” dos 2 modos. No CTF, para além do tradicional temos também Possession e Team Possession e a variante estranha do CTF para o jogo singleplayer. Neste modo existem 2 equipas e uma bandeira neutra situada sensivelmente ao centro da arena. O objectivo é capturar a bandeira neutra e levá-la à base inimiga para pontuar. Para todos estes modos de jogo é possível adicionar também um ou outro bot para ajudar à carnificina, cujas características podem ser alteradas, embora não tanto como em jogos como Timesplitters.

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Multiplayer em splitscreen com 2 jogadores

Em termos técnicos é evidente que a versão PC é superior. Para além de um framerate lisinho (não que o da PS2 seja mau), o jogo é bem mais bonito num PC, como seria de esperar. O que se calhar não seria tão expectável assim é o facto da conversão DC lançada um ano antes ser superior também neste campo. Apresenta texturas mais detalhadas e cores bem mais vibrantes. A versão PS2 apresenta umas cores mais escuras, embora tenha alguns efeitos mais bem conseguidos que a conversão DC. Os tempos de loading também são ridicularmente longos, em vários combates tive de esperar mais de um minuto antes de o mapa carregar. A nível de som, esta conversão apresenta algumas diferenças subtis nos efeitos sonoros de algumas armas, e vozes de personagens, mas que não incomodam e aquele feeling especial ao saber que estamos a encher um oponente de chumbo, plasma e afins, é  sempre bom. As músicas adequam-se ao ritmo frenético do jogo, sendo bastante mexidas.

Para terminar, Quake III Revolution não é propriamente um mau jogo. Até que é um FPS multiplayer bem competente. O problema é que poderia ter sido muito mais. A não inclusão de um modo online, muito menos o suporte a teclado e rato que a conversão DC oferecia, tornam esta conversão num produto que deixa algo a desejar. Continuo a preferir “fraggar” no PC.

Medal of Honor (2010) (PC)

MOH 2010Medal of Honor é uma série de videojogos (a sua maioria FPS) que ficou conhecida principalmente pelos jogos sobre a 2a Guerra Mundial. Call of Duty foi uma série surgiu uns tempos depois, claramente inspirada pelos primeiros. Mas jogos com o tema da 2a Guerra Mundial começavam a ser abundantes, então a série Call of Duty decidiu enveredar pelos caminhos das guerras modernas. O sucesso foi estrondoso e Medal of Honor decidiu tomar o mesmo caminho, tendo lançado em 2010 um jogo homónimo passado na guerra do Afeganistão. A minha cópia foi comprada na loja portuense TVGames. Custou-me algo em torno dos 3, 4€. Uma pechinha e e está completo.

Medal of Honor 2010 PC
Jogo completo com caixa, manual e papelada

Medal of Honor é na verdade 2 jogos em 1, a vertente singleplayer e multiplayer, desenvolvidas por estúdios diferentes, utilizando motores gráficos também diferentes. Irei-me inserir particularmente na componente “solo”, visto que nunca fui muito de perder muito tempo nos modos multiplayer seja de que jogo for. Esta vertente foi desenvolvida pelo estúdio da EA Danger Close e coloca-nos na pele de vários personagens de grupos de forças especiais nas primeiras operações dos Estados Unidos em solo Afegão, em 2002. Apesar de o jogo ser algo baseado em missões reais, existe toda uma história (ficção) e um feeling cinematográfico por detrás que retiram um pouco do seu realismo, como tem sido habitual na série. O modo campanha, é variado, apesar de curto. Desde missões nocturnas de resgate em aldeias ou cavernas repletas de talibãs, enormes ofensivas para capturar um aeródromo, marcar vários alvos inimigos para serem atingidos por fogo aéreo, missões puramente de sniper, outras de stealth, chegando também a voar num AH-64 Apache tal como no velhinho Desert Strike. Tal como vários FPS modernos, temos um número limite de armas que podemos carregar, sendo 1 faca para ataques melee, um revolver e 2 armas de maior porte que tanto poderão ser armas norte americanas, bem como outras armas conquistadas aos inimigos (na sua maioria as fiéis AK-47). Também existe o mecanismo de auto-healing que sempre foi algo que me irritou. Os controlos são semelhantes aos de Call of Duty (o que não é mau) com a novidade do “slide to cover”, que consiste em resvalar para um abrigo, durante um sprint. Nos controlos originais, este movimento é algo chato de se realizar, mas felizmente podemos alterar os controlos à nossa vontade.

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Mais um calmo dia no Afeganistão…

Conforme referi anteriormente, existe todo um feeling cinematográfico neste jogo. Os scripted events são uma constante e contribuem para toda a adrenalina, bem como todo o vocabulário militar utilizado entre  as personagens. Como consequência tornam o jogo bastante linear e apesar de as áreas serem relativamente grandes, estão repletas de barreiras intransponíveis. Infelizmente o jogo para além de curto é bastante fácil e a Inteligência Artificial dos inimigos deixa muito a desejar. Basta ser paciente que eles arranjam sempre maneira de se porem a jeito de levar um balázio. Ainda referente ao jogo singleplayer, existe um outro modo de jogo de nome Tier 1. Este é mais um modo de desafio, onde o jogador tem de percorrer as várias missões do jogo na mais alta dificuldade, sem checkpoints e saves. No fim de cada missão o tempo de a completar é afixado num ranking online. Já o modo multiplayer é também inspirado em vários outros jogos do género, com o jogador a assumir uma de 3 diferentes classes (rifleman, special ops e sniper) cada uma com diferentes características, bem como adquirir experiência de modo a desbloquear o uso de várias outras armas e items bastante úteis. Daqui existem vários modos de jogo, entre os quais “Combat Mission”, onde os americanos devem cumprir 5 objectivos num mapa para vencer a ronda, “Team Assault”, uma variante do conhecido Team Deathmatch, Objective Raid, onde os americanos têm de localizar e destruir/defender 2 objectivos dos Talibães e finalmente o “Sector Control”, cujo objectivo é capturar e defender alguns pontos espalhados no mapa. Existe um DLC com mais uns modos de jogo, mas não fiz o download.

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Dependendo do calibre da arma, o ambiente envolvente pode ser destruído. Claro que isso pode ser virado contra nós

Graficamente o jogo é bonito. Eu adquiri muito recentemente um laptop “jeitoso” e finalmente posso jogar os jogos HD que tenho perdido desde 2006, portanto irei achar muitos gráficos bonitos para os jogos mais recentes. Apesar de as modelações poderem ter mais detalhe, a iluminação na minha opinião ficou bem feita, os níveis que são jogados durante o dia são bastante mais apelativos que a monotonia das mantanhas à noite. De vez em quando lá surge um ou outro bug gráfico, em que as texturas detalhadas demoram um pouco a surgir. A banda sonora é que já não é lá grande coisa, Linkin Park nunca foi o meu género, mas a ideia de ter algum rock pesado para vários momentos de maior tensão e adrenalina não é uma má ideia, apenas um pouco mal executada, para os meus gostos. De resto a nível de efeitos sonoros e voice-acting o jogo é soberbo. Todas as armas parecem e soam realistas, a interacção entre os nossos colegas de combate, os Talibãs e Tchechenos a pragejar nas suas líguas, toda aqula gíria militar que nos chega constantemente ao ouvido são de facto muito agradáveis.

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Yay, gore!

Apesar de algumas falhas, eu achei este jogo bastante divertido, embora seja algo fácil e curto. Mas como ainda não tive a oportunidade de jogar a fundo nenhum Call of Duty da era moderna nem o novíssimo Battlefield 3, sinto que me falta alguma base de comparação mais sólida. Este Medal of Honor saiu também para PS3 e Xbox360, com a versão PS3 com um extra (em números limitados) de uma conversão para HD do clássico Medal of Honor Frontline da PS2/xbox/GC. Ainda assim, parece que a versão PC é a que se porta melhor a níveis de framerate e afins. Pelo que se não dão grande importância ao extra da versão PS3 eu diria que a versão PC é a melhor escolha.

Timesplitters Future Perfect (Sony Playstation 2)

coverTempo de fazer uma análise ao até agora último capítulo na saga Timesplitters. Lançado em 2005, Timesplitters Future Perfect é mais uma boa sequela da série que, apesar de não oferecer muito conteúdo inédito, introduz várias refinações na fórmula que tornam a experiência ainda mais agradável. A minha cópia foi comprada neste ano na loja portuense TVgames, tendo custado uns 4€ e está impecável.

Timesplitters 3 PS2
Jogo completo com caixa e manual em PT

Esta análise não vai ser longa, visto Timesplitters Future Perfect manter os mesmos modos de jogo que a sua prequela, apenas com a adição do modo online que, visto os servidores da EA terem encerrado em 2007, não o cheguei a experimentar. O modo história pode ser novamente jogado sozinho ou em co-op com um amigo, e a história arranca logo depois do final de Timesplitters 2, onde depois de Cortez ter resgatado os time crystals de uma estação espacial repleta de timesplitters, a nave em que ele seguia despenha-se num planeta (que suponho ser o próprio planeta Terra). Aqui, depois de ser resgatado por outros Marines e ter recebido uma recepção de inimigos desconhecidos, Cortez usa os time crystals recolhidos para alimentar uma máquina do tempo do seu próprio exército. Cortez é então enviado no tempo para tentar evitar que a guerra com os Timesplitters ocorra. Apesar de o Story Mode ainda ser algo curto e um pouco mais fácil que os anteriores, a verdade é que a Free Radical na minha opinião fez um óptimo trabalho. A história está bem contada (repleta de loops temporais onde versões futuras e passadas de cortez se encontram e têm de trabalhar em conjunto), as personagens têm carisma, tornando este modo de jogo bastante agradável de jogar e com bastante sentido de humor. Personagens como Harry Tipper, um agente secreto que faz lembrar o Austin Powers, um nível numa casa assombrada repleta de zombies e laboratórios secretos, níveis futuristas em guerras contra robots, níveis com algum stealth, etc. Uma novidade introduzida neste jogo foi a introdução de veículos, que nem Halo. Infelizmente achei-os um pouco difíceis de manobrar, não gostei muito da experiência.

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Um exemplo do humor presente no jogo

De resto o jogo mantém na mesma os modos Challenge, repletos de desafios como atirar tijolos para partir vidros, decapitar uma série de zombies, e até re-imaginações do modo story do primeiro Timesplitters, onde o objectivo era procurar o item x e deixá-lo no local y. Para além do modo Challenge temos também o Arcade e o Arcade League. Tal como em TS2, Arcade League é um modo de jogo em que temos de vencer uma espécie de torneio, com arenas, bots e objectivos definidos. Algo como o modo single-player de Quake III Arena. Obter troféus tanto no modo Challenge como neste último reverte em desbloquear personagens e batotas para serem usadas no modo arcade e não só. Enquanto que Timesplitters 2 tinha 120 personagens, este tem umas 150, após as desbloquearmos todas. O modo Arcade é o modo multiplayer habitual em Timesplitters, mantendo uma elevada customização das regras de jogo, IA dos bots, que bots utilizar, armas, etc. Arcade contém uma grande variedade de modos de jogo, a maior parte variantes do Deathmatch e já disponíveis em Timesplitters 2, como Vampire, Monkey Assisant ou Thief, por exemplo. A grande novidade deste jogo fica no modo online que infelizmente não consegui experimentar, mas suponho que mantenha o mesmo nível de customização do modo Arcade.

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Um mapa do modo arcade com temática egípcia

O jogo inclui também um editor de níveis, como vem sendo habitual desde o primeiro jogo da série. Para quem se habituou a construir níveis nos jogos anteriores, o editor comporta-se da mesma forma, introduzindo porém algumas funcionalidades avançadas para a inteligência artificial dos bots e mais algumas funcionalidades, permitindo criar mapas de acordo com os vários modos de jogo, até para o modo story. Penso que daria para fazer upload e download de níveis no modo online, mas não tenho a certeza se essa seria uma funcionalidade exclusiva da versão Xbox ou também existia na PS2.

Graficamente, sendo um jogo de 2005 para as consolas da geração passada já tem a obrigação de ser um jogo “bonito”, e de facto é. Os mapas apresentam visuais variados, as texturas são mais bem definidas e os modelos contém mais polígonos. O que perde é o framerate, enquanto que nos jogos anteriores o framerate era constante a 60fps, aqui notam-se algumas quebras quando aparecem vários inimigos, explosões, etc. A nível de som não deu para prestar grande atenção às músicas com toda a acção e disparos que estavam a acontecer. A música pareceu-me na sua maioria música electrónica. Os restantes efeitos sonoros estão bons, as falas das personagens estão bem representadas, com vários sotaques à mistura e sempre com sentido de humor presente.

Screnshot
Sim Jo-Beth, eu sei o que são zombies.

Concluindo, Timesplitters 3 Future Perfect é o jogo mais bonito da saga, e com um story mode com uma história bem construída e com personagens bastante carismáticos. Ainda assim as missões de Timesplitters 2 eram mais variadas. A nível de multiplayer herda os modos de jogo da sua prequela, incluindo também um modo online que infelizmente já não se encontra disponível.  Mesmo com estes drawbacks e trazer poucas novidades no quesito multiplayer, ainda considero Future Perfect como o melhor da saga. Existem versões para Xbox e Gamecube, sendo o online o único diferencial nas mesmas, tendo a versão Xbox mais algumas funcionalidades como voice chat, e a versão GC não ter nenhum modo online, infelizmente. Mas visto os servidores estarem encerrados, as 3 versões ficam agora em pé de igualdade (excepto os gráficos serem ligeiramente superiores na Xbox e depois GC).

Medal of Honor Vanguard (Sony Playstation 2)

moh_vanguard_ps2_vgtUns tempos atrás fiz uma série de reviews dos Medal of Honor para a Gamecube e mencionei que brevemente faria uma análise do Medal of Honor Vanguard para PS2. Fui atrasando, atrasando, até que hoje finalmente cumpri a minha promessa. A minha cópia foi comprada em Março no ebay UK, tendo-me custado sensivelmente 5€. Infelizmente graças aos correios portugueses ou britânicos, o envelope chegou-me a casa rasgado, bem como a caxa partida nesse local do rasgo. De resto estava impecável. Posteriormente troquei a caixa de plástico por uma outra caixa de um jogo de PS2 que tinha aqui repetido, embora as caixas sejam diferentes (a original era azul).

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Jogo completo com caixa e manual (mas com a caixa de um jogo antigo de PS2)

Inicialmente tinha sido anunciado um novo capítulo da série Medal of Honor, disponível para todas as consolas de mesa em vigor no mercado (e PC). Medal of Honor Airborne seria um novo FPS onde o jogador encarna um soldado de um regimento especial de paraquedistas norte-americanos, em várias missões pela Europa. Embora o jogo fosse HD, versões para Wii e PS2 foram anunciadas, tendo sido posteriormente canceladas dando lugar ao Medal of Honor Vanguard, que na sua essência é uma versão bastante capada do Airborne, seguindo a mesma temática e partilhando as mesmas missões. Em 2005 com Medal of Honor European Assault, a EA resolveu fazer algumas experiências nomeadamente a habilidade de comandar um pequeno batalhão de 3 soldados, poder utilizar brevemente movimentos de câmara lenta para ganhar alguma vantagem ao inimigo (bullet time como no Matrix), a exploração dos mapas para descobrir objectivos secundários, etc. Estas mudanças embora tenham gerado alguma discussão entre os fãs da série, na minha opinião resultaram bem, dando um ar revigorado à série. Em Vanguard não há nada disso. Os níveis permanecem lineares e com pouca coisa para descobrir, não há items de regeneração de vida. Para a personagem se curar é utilizado o “moderno” mecanismo de auto-heal, bastando estar encostado num cantinho sem levar mais nenhum tiro. Pessoalmente não é uma coisa que  eu goste.

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O ecrã fica progressivamente vermelho à medida que vamos sofrendo dano

Em Vanguard existem apenas 4 diferentes campanhas: Husky na Sicilia, Neptune no norte de França, Market Garden na Holanda e finalmente Varsity na Alemanha. Todas estas campanhas fazem também parte de Medal of Honor Airborne, embora não sei se o “conteúdo” é o mesmo. Cada campanha tem entre 2 a 4 missões, o que torna este Medal of Honor um pouco curto (teoricamente e já vão perceber porquê). A jogabilidade não é muito diferente dos restantes jogos da série, se estão habituados a jogar FPS na PS2 então não vão sentir muita dificuldade em jogar este jogo. Como novidade é o sistema de manobrar o pára-quedas. No início de cada campanha, somos forçados a saltar de um avião de pára-quedas, podendo controlar muito ligeiramente a trajectória. Os mapas em si não são muito interessantes, são pouco variados. Frequentemente parece um jogo de guerrilha, combatendo alemães no meio do bosque tentando emboscá-los ou sofrendo emboscadas nós mesmos.O jogo desenrola-se com a particularidade de ter checkpoints com auto-save, caso o jogador morrer volta ao checkpoint, não tendo de recomeçar a missão do início. Ainda acerca da jogabilidade, este jogo peca por ter uma fraca detecção de colisões, sendo difícil por vezes acertar no inimigo, mesmo sabendo que a arma estava bem apontada. Nos últimos níveis isto é agravante.

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O assalto a um bunker, preparem-se para levar com muitas balas de M-42 no lombo

A inteligência artificial não é grande coisa, apenas se contarmos que os inimigos têm uma postura quase sempre muito defensiva, sempre à procura de abrigo. Mesmo quando nos “armamos em Rambo” e vamos ter com eles a primeira reacção não é disparar mas sim fugir para um outro sítio. Pouco mais fazem, a não ser fugir de buraquinho em buraquinho. No entanto também podemos fazer o mesmo e é só esperar que eles ponham a cabeça de fora para dar um tiro certeiro. As primeiras missões não são muito difíceis se tivermos o cuidado de procurar um abrigo, mas a coisa muda completamente de figura na última campanha “Varsity”. Aqui somos largados numa margem do rio Reno, a primeira missão consiste em erradicar os Nazis de um enorme complexo de trincheiras e bunkers, destruindo também uma série de antiaéreas. Aqui somos frequentemente rodeados de fogo inimigo (e uma série de campos minados ao longo do nível), sendo que muitas vezes não se tem um abrigo seguro. É um nível longo e complicado, com poucos checkpoints e espaçados entre eles. Na segunda e última missão deste nível somos deixados sozinhos numa fábrica alemã bombardeada tendo de defrontar um batalhão de soldados alemães, snipers e até um tanque. Quando o jogador se reencontra com o seu pelotão, somos obrigados a defender uma zona de uma autêntica invasão de soldados alemães, e vários tanques. As coisas ficam mesmo caóticas pois aqui os alemães tomam uma posição ofensiva e embora se escondam atrás de objectos para se abrigarem, não têm problema nenhum em tomar a iniciativa de avançar no terreno. Para piorar vão começando a surgir tanques, que só são destruídos com 3 tiros de Bazooka, cuja munição vai surgindo de tempos a tempos em várias posições do terreno, obrigando-nos a ir várias vezes da frigideira para o fogo, o que aliando a um fraco sistema de recuperação de vida, má detecção de colisões, torna esta parte bastante frustrante.

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O assalto ao infame edifício final

A nível de som, este jogo continua a boa tradição da série com uma atmosfera convincente e orquestrações envolventes que dão uma outra emoção naqueles momentos mais tensos. Uma novidade interessante é o facto de o pelotão interagir muito mais com o jogador, dando conselhos como “abriga-te”, “atenção ao inimigo na janela do 2º andar” ou “fogo inimigo à tua direita”. Graficamente, apesar de as missões terem sido algo monótonas a nível de visuais e os soldados terem todos o mesmo aspecto, Vanguard tem gráficos aceitáveis tal como European Assault, com algumas iluminações interessantes e efeitos de fumo/pó. Outras novidades de Vanguard passam pela existência de upgrades às armas escondidos em alguns níveis, bem como a atribuição de medalhas de mérito ao longo do jogo (número x de headshots, sobreviver à missão sem morrer uma única vez, aterrar de para-quedas num ponto específico, etc). Infelizmente estas medalhas não desbloqueiam nada, não incentivando à sua colecção.

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Mira telescópica para a rifle Garland, um dos upgrades que podem ser encontrados. Por acaso não a encontrei, tinha dado jeito.

No multiplayer infelizmente não há modo online, resumindo-se a combates em split screen até 4 jogadores, com os modos de jogo habituais (Team) Deathmatch, Capture the Flag, King of the Hill (defender um certo ponto), Scavenger Hunt (recolha de objectos e levá-los para um ponto x).

Finalizando, Medal of Honor Vanguard é mais do mesmo, com poucas novidades realmente interessantes, missões monótonas (excepto as 2 últimas) e uma jogabilidade um pouco imprecisa. Nota-se que foi um jogo feito “para o desenrasque”, enquanto que o jogo principal (Airborne) recebeu todos os cuidados. Quem tiver uma Wii ficaria melhor servido, pelo suporte a progressive scan e widescreen. Ah, e este é o fim da minha série de posts seguidos, é tempo de voltar aos estudos. Volto a escrever assim que tiver tempo.

Black (Sony Playstation 2)

black_ps2E aqui está a primeira análise de um jogo de PS2 neste blogue. Black é um First Person Shooter desenvolvido pela Criterion Games (a mesma produtora de Burnout) para as consolas PS2 e Xbox, lançado em 2006. A minha cópia foi comprada +/- na mesma altura em que comprei a minha PS2, algures em Janeiro/Fevereiro deste ano, por cerca de 10€ numa Worten da Maia. Está em óptimas condições, é a versão portuguesa, com os textos da caixa e manual traduzidos (embora o manual esteja cheio de erros).

Black PS2
Jogo completo com caixa e manual PT

Black é um FPS repleto de acção non-stop, inimigos por todo o lado, muitas balas no ar, uns gráficos fenomenais, mas no fim ainda deixa um pouco a desejar nalguns aspectos. Comecemos pelo início, em Black estamos na pele de Jack Kellar, membro de uma força especial de elite “Black Ops” (fãs de Call of Duty conhecem o termo). Na cinemática de início Jack está preso por alguma instituição governamental/militar norte-americana, a ser interrogado acerca da sua campanha contra o grupo terrorista Seventh-Wave. À medida que Jack vai falando, vamos sendo transportados para as missões em si. Desde a primeira missão somos logos colocados em plena Europa de leste (mais precisamente na Chechénia), numa cidade sob guerra e fogo. Jack Kellar vai, em conjunto com mais um ou outro membro do seu esquadrão, perseguir o líder da organização terrorista, destruindo fábricas de armamento e outras bases inimigas pelo caminho. Ao longo do caminho para avançar no jogo temos de desobedecer a algumas ordens directas dos superiores, daí Jack Kellar se encontrar detido e em interrogatório no início do jogo.

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Tanta coisa pelo ar!

Black é um FPS bastante visceral, com muita acção a um ritmo quase constante. E o que torna a experiência agradável é que a nível gráfico e sonoro o jogo é tão competente, que toda essa acção com muitas poucas pausas é benvinda, o jogo prende mesmo a atenção do jogador motivando para dar mais uns quantos tiros. O que tem o Black assim de tão especial no quesito gráfico? Se compararmos com os jogos de hoje, Black não tem nada de especial. Mas se virmos que o jogo está a correr numa PS2 então o caso muda completamente de figura. Armas, soldados, objectos e demais modelos bem detalhados, efeitos de iluminação muito bons, e uma fisica de partículas nunca antes vista numa PS2. Os cenários são parcialmente destrutíveis, os vidros estilhaçam-se, algumas paredes, pilares, muros podem ser despedaçados com uns valentes tiros de metralhadora pesada, uma granada ou um lança rockets, a maneira como os corpos dos soldados inimigos voam depois de uma explosão, etc. Estes elementos todos conjugados propiciam uma experiência fantástica ao longo do jogo. Principalmente na 2a metade do jogo, onde irão acontecer muitas batalhas épicas em plenos cenários urbanos, é um autêntico eye-candy a tempestade de balas que ocorre, a destruição o cenário, os estilhaços no ar, a poeira que se forma, a visão a ficar cada vez mais turva e só se vê o clarão das metralhadoras dos inimigos… delicioso. A nível sonoro Black é bastante competente. A acção constante imploram que se ponha o volume no máximo para apreciar todos os tiros, explosões e consequente destruição que o jogo oferece. A nível de música, confesso que com toda a acção não dei muita atenção à música, mas a mesma é mais “ambiente”, subindo de tom em momentos de maior tensão.

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Belos efeitos de luz

A jogabilidade de Black assenta muito nesta questão dos cenários serem parcialmente destrutíveis. Podemos mandar-nos à Rambo para o meio da acção, mas não duramos muito tempo. A chave está em procurar um abrigo para nos protegermos do fogo inimigo e ao mesmo tempo ganhar alguma vantagem. Os cenários estão repletos de objectos que podem ser explosivos, desde carros, bidões de óleo, gás, etc. Os inimigos não são burros e quando entram em modo de combate usam muito os esconderijos para se protegerem, enquanto vão flanqueando o jogador. Disparar sobre estes objectos, ou atirar uma ou outra granada para um grupo de inimigos é muitas vezes um salva vidas. O problema é que os inimigos não são burros, como eu já disse, e vão tentando destruir o nosso esconderijo da mesma maneira que tentamos fazer o mesmo. Apesar de o jogo ser bastante linear, existem alguns caminhos alternativos que permitem desenhar estratégias diferentes de ataque. A controlabilidade é a mesma dos FPS genéricos que vi na PS2 até agora, contudo o jogo oferece uma customização quase total dos botões de jogo, podendo o utilizador adaptar o esquema de controlo que mais preferir. Contudo sinto a falta de um botãozinho para saltar ou correr, a personagem do jogo move-se muito devagar para o meu gosto. Também só podemos carregar 2 armas de cada vez (mais granadas), à semelhança dos FPS modernos.

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Reparem na destruição dos cenários provocada pelo tiroteio

Tudo o que falei agora pode ter deixado o leitor com uma vontade enorme de pegar neste jogo, contudo há um ou outro problema a referir. Diz-se que “tudo o que é bom acaba depressa”, e é o que acontece em Black. Ao fim de cerca de 6h o jogo acaba. E o que se pode fazer depois? Bom, ao longo de cada missão há uma série de objectivos secundários “secretos” que se pode cumprir, desde recolha de “intel” acerca da organização terrorista (documentos), armas escondidas, e até a destruição de provas incriminatórias do governo norte-americano nalguns incidentes, que poderiam ser usadas pelos terroristas para chantagem. Tudo bem, isto até adiciona alguma motivação extra para fazer uma maior exploração dos mapas, mas o que ganhamos em apanhar todos os items? Nada. Apenas na última dificuldade (Black Ops) é que somos obrigados a recolher todos os items para avançar na missão. Para além de ser um FPS algo curto, a maior falha é não ter nenhum modo multiplayer. Numa era em que todo o FPS que se preze tem de ter multiplayer, seja em splitscreen ou online, tanto a versão PS2 como Xbox não possuem nenhum. Bom, a mim isso não faz muita diferença porque eu costumo jogar jogos de consola sozinho, e mesmo se quisesse jogar online hoje em dia os servidores oficiais da PS2 estão em baixo (talvez o Final Fantasy XI ainda esteja online, não sei). A única coisa que realmente me irritou no jogo todo foi que embora Black tenta ser uma experiência realista, os inimigos são incrivelmente chatos para se matar. Alguns quase que é necessário descarregar uma munição inteira de metralhadora neles. Se for headshot a morte é quase instantânea, mas no meio de toda a confusão é complicado mandar sempre headshots. Para uns inimigos corpolentos equipados de uma shotgun e de uma máscara metálica um headshot não é suficiente e lá mais para o final do jogo começam a surgir inimigos com escudos, embora o escudo ao fim de bastantes tiros começar a ceder, mais vale mandar umas granadas logo para acabar com a questão, ou então tirar proveito da destruição dos cenários. Outro problema menor é a pouca variedade do jogo.

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Mais caos!

Felizmente estes problemas não retiram muito do prazer que é jogar Black. Apesar de ser um FPS curto e não ter multiplayer, não deixa de ser um grande feito técnico na PS2, proporcionando também muitas horas de acção intensa. Na altura em que o post está a ser escrito, ainda se encontra facilmente o jogo novo por cerca de 10€, talvez um pouco menos se for usado, pelo que é uma pechincha que todos os donos de PS2, amantes de acção deveriam aproveitar.