Duke Nukem 3D 20th Anniversary World Tour (Sony Playstation 4)

Vamos a mais uma rapidinha para aquela que é, até à data, a mais recente versão desse grande clássico Duke Nukem 3D e que, tal como o seu nome indica, é uma versão que celebrara os seus 20 anos, lançada portanto em 2016. Apesar de o DN3D ser para mim um jogo de PC, acabei antes por optar por esta versão PS4 pois foi a única que recebeu um lançamento físico (exclusivo dos Estados Unidos). O meu exemplar foi comprado algures em Agosto deste ano, tendo-me custado menos de 30€. Este artigo irá então incidir nas novidades trazidas nesta versão, mas se quiserem saber a minha opinião mais detalhada da versão original, para além de lerem o artigo acima mencionado (que foi um dos primeiros a ser cá escritos e com uma linguagem e estilo de escrita que já não uso), aproveito também para publicitar a minha participação num dos episódios da rubrica Deep Dive do podcast The Games Tome, onde, em conjunto com um amigo, analisamos o jogo ao detalhe:

Antes de avançar para esta versão propriamente dita, permitam-me um pequeno parêntesis. Este lançamento foi precedido pelo Duke Nukem 3D Megaton Edition lançado originalmente em 2013 ainda pela 3D Realms, sendo que essa versão incluía todo o conteúdo da Atomic Edition, bem como as mais famosas expansões single-player produzidas por terceiros (oficiais), nomeadamente a Duke It Out In D.C., Nuclear Winter ou Duke Caribbean: Life’s A Beach. Em 2016, quando os direitos da propriedade intelectual do Duke Nukem foram transitados para a Gearbox, essa edição acabou por desaparecer de todas as stores. Ora eu tenho essa edição no steam e a razão pela qual nunca a trouxe cá é simples: já tinha jogado todas essas expansões há muitos anos atrás e sinceramente o pouco que me lembro delas é que as achei bastante aborrecidas, portanto não tenho muita vontade de as voltar a jogar.

Jogo com caixa, na sua versão norte-americana

Todavia, para compensar a falta dessas expansões, o que fez a Gearbox? Contrataram alguns dos designers de níveis da equipa original e produziram toda uma nova expansão, exclusiva desta versão. Alien World Order é o seu nome e inclui 8 novos níveis e músicas (um deles secreto), alguns novos inimigos e uma nova arma. Os novos níveis são uma espécie de volta ao mundo, pois começamos nas ruas de Amesterdão (acabando inclusivamente por visitar uma coffee shop), passando pela Rússia, Reino Unido, Egipto, Roma, França e culminando em mais uma dupla de níveis nos EUA. Mas infelizmente devo dizer que fiquei um pouco decepcionado com esse conteúdo novo. Tirando aquele primeiro nível em Amesterdão, os restantes não foram tão excitantes quanto isso, pois muitos deles são bastante amplos e repletos de inimigos, sem toda aquela atenção ao detalhe e imensos easter eggs tal como vimos no lançamento original e Plutonium Pak/Atomic Edition. Dos novos inimigos, três deles são sprite hacks de bosses existentes, com apenas um inimigo inteiramente novo (que na verdade é baseado no design de um protótipo). A arma nova é um incinerador, que infelizmente é também um sprite hack da arma de gelo (Freezethrower). É bastante divertida no entanto!

Alguns dos bonitos efeitos de luz introduzidos na versão OpenGL da Build Engine.

Mais conteúdo adicional temos também algumas novas funcionalidades de qualidade de vida, pois para além de termos a liberdade de gravar/recarregar o nosso progresso a qualquer momento no jogo, assim como começar uma nova partida escolhendo qualquer nível (incluindo os secretos) podemos também activar um rewind de cada vez que morramos. Existem também novas vozes gravadas pelo próprio próprio Jon St. John, assim como novas músicas também compostas por Lee Jackson, um dos compositores da banda sonora original. Para além disso, se activarmos tal opção, podemos também ouvir imensos comentários pelos próprios designers dos níveis, o que para um fã do jogo original é sempre conteúdo bastante interessante. Existem também alguns novos efeitos de luz que podem ou não dar um melhor charme ao jogo.

Amesterdão e as suas montras.

Ainda assim, mesmo com o novo conteúdo a não ser tão excitante quanto isso, foi um prazer voltar a jogar (uma vez mais) este Duke Nukem 3D! É um dos maiores clássicos de DOS e continua tão actual e divertido de se jogar como se ainda fosse 1996. Always bet on Duke.

The Duel: Test Drive II (Commodore Amiga)

Vamos voltar às rapidinhas para um jogo que me traz boas memórias pois joguei-o muito em criança, no entanto foi a versão DOS no meu velhinho Pentium, enquanto que a versão que cá trago hoje é a de Commodore Amiga. O meu exemplar foi-me trazido do Reino Unido por um amigo meu, algures no passado mês de Setembro e não me custou sequer 5€.

Jogo com caixa e manual, na sua versão budget

E este é então um interessante jogo de corridas que é por sua vez uma sequela do primeiro Test Drive, lançado originalmente em 1987 para uma série de computadores. Apesar de nunca ter jogado esse primeiro jogo, o seu propósito era simples: poderíamos escolher conduzir um de 5 carros desportivos por uma série de estradas perigosas, com trânsito em ambos os sentidos e ocasionalmente teríamos de escapar à polícia que nos perseguia por excesso de velocidade. Bom, nesse aspecto as coisas não mudam muito nesta sequela, a grande diferença é que temos agora um carro rival que compete connosco. Infelizmente no entanto apenas temos dois carros distintos que poderemos conduzir: um Porsche 959 ou um Ferrari F40. Os controlos são relativamente simples, com o joystick a permitir acelerar/travar bem como virar o carro. O botão de acção serve então para engatar mudanças e o teclado usa algumas teclas de atalho para certas acções secundárias como pausar o jogo ou activar/desactivar música ou efeitos sonoros.

Ao escolhermos que carro queremos controlar temos acesso a uma série de especificações e outras informações

Mas vamos analisar a jogabilidade um pouco mais a fundo: aqui dispomos de dois modos de jogo, um contra relógio (onde obviamente teremos de bater cada circuito dentro de um tempo limite) ou contra um rival, que irá utilizar o carro que nós não escolhermos. Depois lá poderemos escolher qual dos circuitos queremos competir, bem como o nível de dificuldade no geral, cuja escolha influencia o facto de usarmos mudanças automáticas ou não, assim como qual será a velocidade máxima do nosso carro, do rival, da polícia e o próprio trânsito também. Depois lá somos então largados na corrida propriamente dita onde o objectivo será o de vencer o tempo do relógio ou chegarmos ao final primeiro que o nosso rival. No entanto este jogo tem também um certo quê de simulador, pois teremos de ter atenção aos níveis de combustível bem como a temperatura do motor, particularmente para quem jogar com mudanças manuais, já para não falar dos excessos de velocidade que poderão ser punidos pela polícia, caso esta nos apanhe em excesso de velocidade, nos persiga e nos apanhe.

Naturalmente temos de ter em atenção ao trânsito existente na estrada, com cada percalço a custar-nos uma vida e vários segundos de penalização adicionais

Antes de nos aproximarmos de algum radar de polícia, existe no habitáculo do carro (canto superior esquerdo) uma espécie de alarme que nos avisa uns segundos antes da presença de um radar. Se conseguirmos abrandar o suficiente e de forma atempada até poderemos passar abaixo do limite de velocidade e a polícia não nos apanha. Caso contrário começam a perseguir-nos e aí o melhor é mesmo mandar prego a fundo! Claro que temos também de ter em conta os perigos da estrada, como outros condutores (incluindo em sentido contrário) bem como rochas, penhascos, túneis, entre outros. Sempre que batemos perdemos uma vida e alguns segundos de penalização que nos serão subtraídos ao nosso tempo total. Em relação ao combustível, é sempre boa ideia parar numa estação de gasolina sempre que passamos por uma (o canto superior direito dá-nos a informação da distância restante para a próxima), pois para além de nos permitir abastecer, serve também de checkpoint onde poderemos ver como estão os nossos tempos perante o rival, ou o tempo a bater no caso do contra relógio.

Parar numa bomba de gasolina é sempre recomendado, não só para abastecer o carro mas também para servir de checkpoint e termos uma noção de como estamos perante o nosso adversário

A nível audiovisual confesso que o jogo até é interessante para a sua época, lembrando que o lançamento original de 1987 já possuía gráficos muito similares. A versão DOS suportava no máximo gráficos com cores em EGA (apenas 16 cores em simultâneo) e efeitos de som em PC speaker, o que era obviamente horrível, mas era o que havia. A versão Commodore Amiga não possuía qualquer uma destas limitações, com gráficos mais coloridos e música e efeitos de som amplamente superiores. Agora se estão à espera da fluidez de um Out Run, então é melhor tirarem o cavalinho da chuva. Sinceramente não me lembrava de o jogo ser tão lento (tanto na versão DOS como Amiga) mas sinceramente para o nível de detalhe que possui (para os padrões de 1989), é algo bem desculpável.

Sempre adorei as perseguições policiais!

Portanto foi bom voltar a jogar este The Duel: Test Drive II, aproveitando também para ir explorando um pouco melhor a emulação desta família de sistemas. As mecânicas de jogo são interessantes para um jogo de corridas da década de 80, embora a performance esteja longe de ser óptima. Um detalhe interessante a mencionar é o facto de posteriormente a Accolade ter lançado várias “expansões” com mais carros ou circuitos adicionais, que teriam de ser compradas separadamente. De mencionar também o facto de existirem conversões para consolas como a Mega Drive ou SNES que incluem de raiz um carro adicional (Lamborghini Diablo) e múltiplos circuitos.

Crash Team Racing (Sony Playstation)

Com o sucesso de jogos como Mario Kart 64 ou Diddy Kong Racing, alguém na Naughty Dog achou que seria boa ideia lançar um jogo de Karts na série Crash Bandicoot. Afinal ambos os seus rivais eram baseados em personagens “mascotes” de jogos de plataformas, tal como o próprio Crash Bandicoot. E o resultado até que foi um jogo bem competente! O meu exemplar foi comprado a um particular algures em Feveiro de 2022, mas vou ter de substituir o CD pois possui algum disc rot. Entretanto como tinha sido desafiado por um amigo a jogar este jogo, lá tive de dar uso ao velhinho mas fiel ePSXe. Poderão ver/ouvir a minha opinião no mais recente episódio do Backlog Battlers, mas deixo cá também algumas notas escritas.

Ora tal como referi acima este é também um kart racer onde poderemos escolher representar uma de muitas das personagens do universo Crash Bandicoot, desde os seus inimigos como alguns aliados e todos eles conduzem karts com especificações algo distintas entre si. O Crash possui um carro com especificações medianas, enquanto temos outros mais rápidos mas pecam na maneabilidade e o inverso também. E dispomos também de vários modos de jogo como Time Trial, Arcade, Versus ou Battle (este último é uma espécie de modo deathmatch onde corremos numa arena), mas onde eu realmente investi o meu tempo foi no Adventure mode. Aqui temos mesmo uma história onde surge um novo vilão, o extra-terrestre Nitro Oxide que planeia invadir o nosso planeta, a menos que o consigamos vencer numa corrida. Antes disso acontecer teremos no entanto de participar em várias outras corridas e eventualmente vencer também outros bosses, mas já lá vamos.

Jogo com caixa e manual. Infelizmente o disco tem de ser substituído

No que diz respeito aos controlos as coisas são relativamente simples e funcionam bem. O analógico esquerdo ou o d-pad servem para virar o Kart, enquanto que os botões faciais servem para acelerar e travar (que também pode ser feito com o analógico direito) assim como utilizar os power ups que eventualmente iremos apanhar. Os botões de cabeceira servem para saltar (R1) e alternar a câmara (L2 e R2. Uma manobra fundamental para ter sucesso é dominar os power slides e turbos. Os primeiros são executados ao manter o R1 pressionado enquanto curvamos, sendo que depois poderemos activar um turbo no momento certo ao pressionar o L1. Esse momento é facilmente identificado através de duas dicas visuais. Uma é uma barra no canto inferior direito que quando fica vermelha durante um power slide nos indica que poderemos activar o turbo, a outra é estar atento aos canos de escape do nosso kart. Quando o seu fumo se torna negro, é sinal que podemos activar um turbo! De resto temos também toda uma série de power ups que poderemos apanhar como caixas de dinamite, bombas ou mísseis teleguiados que podem ser atirados contra os nossos oponentes e dão sempre um elemento extra de caos e diversão às corridas!

Ainda temos uns quantos modos de jogo diferentes e o modo Adventure também tem muitos desafios para desbloquear

Mas vamos então abordar um pouco mais o modo aventura em detalhe: aqui, tal como no Diddy Kong Racing, temos todo um mundo para explorar (de kart, claro) que nos dá acesso a várias corridas diferentes. Inicialmente temos apenas uma área para explorar e apenas duas corridas estão abertas. O objectivo é então o de competir em cada uma dessas corridas e terminar as mesmas em primeiro lugar, com as restantes corridas daquela parte do mapa a serem desbloqueadas em seguida. Tipicamente temos 4 corridas diferentes por “mundo” e uma vez terminadas as quatro desbloqueamos o confronto contra o boss daquela zona. Essas são corridas de 1 contra 1, onde o boss é extremamente agressivo e irá atacar-nos constantemente! Uma vez terminada essa corrida ganhamos uma chave que nos desbloqueia a porção seguinte do mapa, onde teremos de repetir todo esse processo para as corridas seguintes. Eventualmente lá teremos confrontar o próprio Nitro Oxide e se o derrotarmos… bom o final é qualquer coisa como isto: “perdi a corrida mas não me considero derrotado. Colecciona todos os tokens, rélicas e vence os campeonatos gem e defronta-me outra vez!”. Ou seja, se quisermos completar este jogo a 100% teremos mesmo de completar todos estes desafios adicionais que vão sendo desbloqueados à medida que vamos defrontando vários bosses.

O catálogo inicial de personagens jogáveis é algo generoso mas ainda temos alguns bosses para desbloquear se nos quisermos dar a esse trabalho

Cada corrida normal pode ser jogada novamente para dois tipos de desafios diferentes: os CTR tokens e relics. No primeiro competimos na mesma contra mais 7 oponentes e o objectivo não só é o de chegar em primeiro lugar, mas também de coleccionar as letras C T R que estão espalhadas pelo circuito, muitas vezes em locais não muito visíveis. No segundo desafio já competimos sozinhos e a ideia é a de fazer o melhor tempo possível, existindo 3 tempos a bater: sapphire (fácil), gold (difícil) e platinum (perfeccionista!), sendo que para desbloquear o final verdadeiro teremos de bater os tempos gold no mínimo. Para ajudar, vamos também ter acesso a uma série de caixas destrutíveis com os números 1, 2 ou 3. Sempre que destruímos uma destas caixas, o relógio deixa de contar esses mesmos segundos e, caso destruímos todas essas caixas, temos ainda um desconto de tempo adicional de 10s no final de cada nível, essencial para chegar aos tempos de platinum. Sempre que derrotamos um boss desbloqueamos também um desafio adicional onde numa arena teremos de apanhar uma série de cristais dentro de um tempo limite, também para granhar um token CTR. À medida que vamos amealhando estas medalhas CTR vamos também desbloquear as Gem Cups, que são pequenos campeonatos onde teremos de competir em 4 circuitos seguidos, onde o objectivo é também o de terminar em primeiro lugar. É aqui também onde poderemos desbloquear algumas personagens secretas! Portanto como podem calcular, conteúdo adicional é o que não falta. Se eu fosse novito e tivesse bem mais tempo disponível (e menos jogos em backlog) certamente ainda tentaria completá-lo a 100%, mas decidi não o fazer, pois o jogo obriga-nos a conhecer intimamente todos os circuitos, os seus atalhos e dominar as mecânicas de power slide e boost.

Apesar de não o ter experimentado, acredito também que o multiplayer seja bastante divertido. Caso tenhamos um multitap podemos também jogar com até 4 jogadores

No que diz respeito aos audiovisuais estamos perante um jogo bem colorido e detalhado, como tem sido habitual na série Crash Bandicoot. Os circuitos são bastante variados entre si, desde praias, montanhas e florestas, pistas subaquáticas, ruinas antigas, entre muitos outros. Todos eles apresentam gráficos poligonais bem detalhados, pelo menos para o standard dos sistemas 32bit daquela época e a draw distance até que é bem considerável. A sensação de velocidade, particularmente quando passamos por algum boost está também muito bem conseguida, pelo que é um jogo que apresenta uma boa performance como um todo. A banda sonora é também agradável, possuindo muitas daquelas sonoridades algo características dos primeiros jogos da série Crash, ou seja melodias alegres e com um toque algo tribal, por vezes.

Portanto estamos aqui perante um jogo de karts muito bem executado tecnicamente e bastante divertido de se jogar, com a mecânica do power slide + boost a ganhar o merecido destaque. Creio que foi também um jogo bem sucedido, pois apesar de existirem vários jogos do género na PS1, todos estavam a milhas de distância dos sucessos da Nintendo 64 e este CTR a meu ver até os pode ter superado. Tem também muito conteúdo adicional para quem o quiser completar a 100%, pelo que a sua longevidade pode ser também um factor positivo. De resto convém também mencionar que para além dos sucessores Crash Nitro Kart e Tag Team Racing que saíram para as consolas da geração seguinte, este CTR teve também direito a um remaster em 2019 que sinceramente nunca cheguei a jogar.

Virtuaverse (Sony Playstation 4 / PC)

O artigo de hoje é uma muito interessante aventura gráfica do estilo point and click. Nunca tinha ouvido falar do jogo até que a certa altura o GOG chegou a oferecer cópias digitais do mesmo por um período limitado e como gostei do que vi, lá decidi adicioná-lo à minha conta para jogar quando calhasse. Eventualmente a Limited Run Games anunciou que iria lançar o jogo em formato físico e lá reservei a minha cópia algures no ano passado. Mas infelizmente só chegou às minhas mãos há poucos meses atrás.

Jogo com caixa e uma desculpa esfarrapada de manual

E este é um jogo com uma temática cyberpunk, decorrendo num futuro não muito risonho e claro, onde a tecnologia avança de tal forma que a maior parte das pessoas possuem uma espécie de implantes no corpo que as permitem viver num mundo de “realidade aumentada”, o que as deixa cada vez mais alienadas da realidade propriamente dita. Nós controlamos Nathan, um hacker ainda resistente a essa mudança e que a certo dia acorda sem a sua namorada ao seu lado, que desaparece misteriosamente. Lá começamos a aventura no seu encalço onde teremos entretanto de resolver toda uma série de puzzles até chegar ao seu pé e vamos também conhecer todo aquele mundo alternativo. Obviamente que eventualmente lá iremos lutar para mandar abaixo o sistema que controla a humanidade, mas é toda uma viagem até chegarmos a esse ponto.

Adoro a direcção artística e visuais pixel art desta aventura!

A jogabilidade é o que se espera de uma aventura gráfica deste estilo, com o cursor a servir para interagir com uma série de objectos ou outras personagens e ao contrário do que habitualmente estamos habituados no PC, aqui os dois analógicos do comando da PS4 são igualmente necessários, pois o direito controla o cursor, já o esquerdo controla o movimento de Nathan. Como é habitual, vamos ter vários itens que poderemos guardar no inventário para posteriormente utilizar noutros objectos ou personagens, assim como poderemos combiná-los uns nos outros. Ocasionalmente teremos alguns puzzles mais desafiantes, incluindo alguns puzzles bem geeks onde deveremos converter caracteres ASCII para chegar à sua solução! Ainda na jogabilidade convém também só referir que por vezes nos diálogos o jogo parece que encravava por alguns segundos, não nos deixando mudar a linha de diálogo.

A banda sonora é também fantástica, então esta música dos Keygen Assault é uma maravilha!

Visualmente este é um jogo muito único pois é todo ele representado em pixel art, mesmo como eu gosto. O tema cyberpunk está muito bem representado e a utilização de tecnologias antigas (para fugir ao tal sistema) serve de desculpa para colocar imensas referências retro, como os computadores Lorraine 500 (Amiga 500) ou o Atari ST que é lá referido com um outro nome que não me recordo. Ou a trivia de o Doom precisar de 4MB de RAM para ser executado! Em suma, é um jogo para geeks! Sendo este um título indie infelizmente não temos qualquer voice acting, mas a banda sonora é excelente! Esta é composta por muitas músicas chiptune que nos remetem mesmo para a cena europeia da década de 80 / inícios dos 90, com aquele som característico de jogos de Amiga, Commodore 64 entre outros sistemas da época. Ocasionalmente temos alguns temas mais metal/electronica, pois a própria banda italiana Master Boot Record esteve envolvida na banda sonora deste jogo. Só pela banda sonora já valeu a pena e os MBR já tinha ouvido falar, agora irei descobrir a sua discografia com mais atenção.

Perto do final do jogo iremos controlar também Jay, a tal namorada de Nathan

Portanto este Virtuaverse é um óptimo jogo de aventura point and click com uns visuais (e banda sonora!) muito retro e que acabam por resultar lindamente. Recomendo vivamente a quem gostar de aventuras gráficas e de temas cyberpunk! Fico curioso para eventuais novos lançamentos desta equipa!

PC Genjin 3 (PC Engine)

Por fim o último PC Genjin / Bonk / PC Kid de plataformas a ser lançado na PC Engine já algures durante o ano de 1993. Curiosamente, este jogo sai apenas no Japão no formato Hu-Card, enquanto que nos Estados Unidos o jogo teve dois lançamentos distintos: em formato HuCard também em 1993 e um último relançamento em 1994 já em CD, versão essa exclusiva desse mercado. Escusado será dizer que custa um rim. Fico-me pela versão japonesa que infelizmente já não é tão barata quanto isso também e o meu exemplar veio da Vinted algures em Agosto deste ano. Não foi excessivamente caro pois aproveitei saldo que tinha por lá.

Jogo com caixa e manual embutido com a capa

As mecânicas de jogo são, na sua base, muito similares às introduzidas nos jogos anteriores (vide PC Genjin e PC Genjin 2), na medida em que teremos vários níveis de plataforma para explorar, inimigos para combater e diversos itens/power ups para coleccionar. Uns apenas nos dão pontos, alimentos como frutas ou corações restabelecem a nossa barra de vida e comer nacos de carne dá-nos direito a transformações temporárias que nos deixam mais poderosos ou até invencíveis durante alguns segundos. Temos no entanto algumas novidades, mesmo nos próprios power ups. Para além dos nacos de carne poderemos também comer rebuçados que, mediante a sua cor nos fazem crescer para um tamanho gigante ou diminuir para um tamanho minúsculo, sendo também cumulativos com os outros estados mencionados acima. Apesar de ser bonito vermos essa sprite gigante do Bonk, na verdade essa transformação não tem assim tanta utilidade quanto isso, ao contrário da transformação pequena, pois nos permite esgueirar por passagens estreitas e que tipicamente nos podem recompensar com itens bons como vidas extra, por exemplo. A outra das novidades é o facto de a aventura principal poder também ser jogada com dois jogadores em simultâneo, mas tal não cheguei a experimentar.

As transformações de Bonk em gigante ou minúsculo é uma das novidades aqui introduzidas e são trnansformações cumulativas com as mais tradicionais

Os níveis em si são bastante grandes e repletos de segredos para descobrir, desde vidas extra, as caras sorridentes (que servem para serem gastas para jogar níveis bónus no final de cada nível normal), ou mesmo muitos itens que nos levam precisamente para vários desses níveis bónus. E aqui temos uma grande variedade de níveis bónus para participar, que nos podem também recompensar com muitos pontos e vidas extra. A nível de jogabilidade convém também referir que a versão CD inclui ainda 4 mini jogos de multiplayer competitivo, que podem também serem acedidos através de pequenas portas escondidas em certos níveis.

Sim, continuamos a ver algumas expressões do jovem protagonista!

A nível visual, esperem por um jogo com uma boa variedade de cenários, tal como aconteceu no PC Genjin 2. Não só temos aqueles níveis mais típicos da idade da pedra, mas outros bastante bizarros como o interior de casas gigantes e outros que parecem bem reciclados dos jogos anteriores como o navio, as cavernas ou o mundo do gelo. De certa forma parece haver aqui menos conteúdo original e o próprio design dos níveis também não é tão bom. No entanto as sprites dos inimigos continuam grandes, bem detalhadas e repletas de humor. E sim, apesar de algo inútil, a transformação do Bonk gigante é bonita de se ver! Um outro detalhe que li por aí na internet é que aparentemente a versão CD corta alguns dos frames de animação do Bonk, o que é estranho. Por outro lado a versão CD traz música em formato CD audio, que são na sua maioria remixes das músicas da versão cartucho. Estas, tal como nos jogos anteriores, até que são agradáveis, mas confesso que não as acho tão boas e memoráveis assim.

Portanto este PC Genjin 3 é mais um bom jogo de plataformas para a PC Engine, embora se note que a fórmula já estava a começar a estagnar um pouco. Os novos power ups foram benvindos, assim como a grande variedade de níveis bónus, mas como um todo o jogo acaba por ficar uns furos abaixo do seu antecessor. Fico no entanto curioso para ver como a Hudson e Red deram continuidade à série pois lançaram ainda mais 2 jogos de plataformas para a Super Nintendo e que planeio cá trazer em breve.