Após uns tempos atribulados com trabalhos académicos, um festival underground de 3 dias de metal extremo e uma ou outra noite de Queima das Fitas, não tenho tido muito tempo para gerir aqui o tasco, mas acredito que melhores dias virão. Irei fazer uma série de posts sobre os jogos Medal of Honor da minha colecção, cobrindo os 3 da Nintendo GameCube e mais um outro de uma outra consola recém chegado à colecção.
Wolfenstein 3D, considerado o avô dos First Person Shooters, tinha como temática a Segunda Guerra Mundial. Depois, com lançamentos como Doom, Duke Nukem, Quake, Hexen, esta temática nunca mais foi abordada. Até que no ano de 1999 sai Medal of Honor para a Playstation, um FPS que atingiu um elevado sucesso, gerando várias sequelas e outras séries concorrentes, como “Call of Duty” e “Brothers In Arms”. Em 2002 sairam para o mercado 2 Medal of Honor diferentes, Medal of Honor Allied Assault para PC e Medal of Honor Frontline para as consolas de mesa existentes no mercado. A versão PS2 foi a primeira a sair, com versões para Xbox e GameCube a sairem poucos meses depois.

A minha cópia foi comprada há uns meses atrás no eBay, foi um bom preço, embora o jogo não esteja nas melhores condições (infelizmente é algo que me acontece a quase todos os MoH na minha colecção). Medal of Honor Frontline coloca-nos na pele do Tenente Jimmy Patterson (a mesma personagem do primeiro jogo da série para PS1), envolvido em várias batalhas históricas na Europa. Medal of Honor Frontline pegou no sucesso de “Resgate do Soldado Ryan” e tentou aplicar a mesma atmosfera cinematográfica no videojogo. Começamos o jogo no Dia D, o Desembarque da Normandia, num barco Higgins de transporte de infantaria. Estamos presos ao chão e só movemos a cabeça. Ouvimos o briefing e conselhos do nosso superior, quando começam a surgir tiros de morteiro provenientes dos bunkers na costa. Após várias explosões somos finalmente colocados na praia e com liberdade total de movimento, onde numa chuva de balas, temos de tomar de assalto o bunker inimigo. Toda esta atmosfera cinematográfica ainda não era algo comum como o é nos dias de hoje, tendo sido um “selling point” do jogo. Sendo uma conversão da versão PS2, a versão GC e Xbox herdaram, para além de uma ligeira melhoria gráfica, um modo multiplayer em split screen, com a versão GC suportar até 4 jogadores.

O gameplay segue a tendência habitual nas várias consolas até então. Joystick esquerdo para se mover, joystick direito (C button) para apontar a arma. Botão de cabeceira direito para disparar, enquanto que o esquerdo apresenta os vários modos de zoom da arma equipada, caso a arma os suporte. Os restantes botões são usados para ajoelhar, saltar, recarregar e trocar de arma. Pessoalmente nunca fui grande fã deste modo de jogo, demoro sempre imenso tempo a apontar a arma para alguém, e a própria mira é bastante imprecisa. Pode ser mais fácil, mas eu prefiro de longe um esquema como o de Metroid Prime com locking target. Ou então jogar no PC com o bom e velho rato. O jogo em si é linear, com vários eventos pré-determinados. Mover de A a B, destruir C, etc. Não acho que isto seja algo mau, para um jogo épico de guerra com vários momentos cinematográficos até é algo que seja benvindo. O jogo tem sensivelmente 20 missões, sem nenhum save point. A única maneira de salvar o percurso é completando o nível em si.

Graficamente o jogo não é nada de especial, mesmo para os padrões de 2002 (olhem o Metroid Prime), e as texturas simples e pouco detalhadas denotam perfeitamente que o jogo é uma conversão de PS2. Os modelos dos jogos ficaram ligeiramente superiores mas em 2002 também não se poderia pedir assim muito. O frame rate é mais constante (a 30fps) embora quando se encontram muitos inimigos no ecrã podem haver pequenas quebras mas nada de muito incomodativo. A nível de som aí é outra história. Medal of Honor apresenta uma soundtrack bastante interessante, com momentos épicos, ambiente, dependendo se estamos num momento de tensão ou de puro caos. As armas têm todas barulhos diferentes e bastante convincentes. Medal of Honor Frontline tem também suporte a Dolby Surround, e apesar de eu nunca o ter experimentado, a imprensa diz que tem qualidade. Apesar de algumas falhas a nível gráfico, toda esta “ambiência” dá de facto um feeling de que estamos realmente na Segunda Guerra Mundial e que queremos derrotar os Nazis a todo o custo. Infelizmente existem vários outros bugs, como soldados a atravessar paredes quando morrem, e a inteligência artificial deixa algo a desejar.

O modo multiplayer, o diferencial da versão original de PS2 é bastante fraquinho na minha opinião. Os mapas não são mais do que mapas reaproveitados do modo single player e o único modo de jogo é o Deathmatch, apesar de se poderem configurar alguns parâmetros como tempo limite, número de mortes, tipo de armas a serem utilizadas, etc.
No fim, o jogo é um clássico para quem gosta desta temática e mesmo sendo um jogo de 2002, onde as capacidades das consolas de última geração não tinham sido completamente exploradas, acaba na mesma por ser uma experiência agradável, seja para que plataforma for, até porque se encontra o jogo com preços bastante acessíveis nessa Internet fora. Contudo se preferirem gráficos modernaços existe uma versão HD do jogo, disponível para quem comprar o Medal of Honor de 2010 para PS3.
























