Catherine (Sony Playstation 3)

CatherineA Atlus é uma das minhas empresas preferidas. Para além de serem os criadores de Megami Tensei, uma série de RPGs bem antigos e com imensos spinoffs, entre os quais a conhecida série Persona, a Atlus para mim sempre foi uma empresa bastante criativa e, mais uma vez referindo-me ao mercado dos RPGs japoneses, um grande colosso na área. Sem deixar de mencionar claro o seu importante trabalho como publisher, trazendo até nós diversos jogos nipónicos que dificilmente veriam a luz do dia fora de terras do Sol Nascente. Catherine, lançado em 2011, é o primeiro jogo desenvolvido pela Atlus nas consolas da geração PS360, apesar de já ter publicado uns quantos títulos anteriormente, como o Demon’s Souls. E Catherine é um jogo bastante original, tal como irei referir em seguida. A minha cópia foi adquirida algures no ano passado numa Game, penso que a do Maiashopping antes de ter “fechado” e custou-me algo entre os 10 e os 15€.

Catherine - Sony Playstation 3
Jogo completo com caixa, manual e papelada

Basicamente Catherine é um misto de puzzle-game, com dating-sim ou mesmo aventura, centrado na temática da infedelidade, onde o infeliz Vincent Brooks, tal como Marco Paulo, está dividido entre “2 amores”. Ok, analogias parvas à parte, neste jogo tomamos o papel de Vincent Brooks, um japonês aparentemente já trintão e com uma relação já de longa data com a sua namorada Katherine. Quando Khatherine começa a tocar no assunto “casamento”, Vicent sente-se algo inseguro e começa a ter pesadelos muito estranhos. A coisa começa complica-se mais, quando Vicent conhece a bela Catherine e “por acidente” dorme com ela, entrando num triângulo amoroso muito difícil de gerir. Isso pois Vicent, tal como muitos outros homens infiéis acaba por sofrer uma maldição em que todas as noites o pesadelo é semelhante: uma enorme torre de blocos cúbica tem de ser escalada até se chegar ao “andar seguinte”. Vicent e os outros homens infiéis que partilham do mesmo pesadelo tomam a aparência de carneiros, e caso algum morra no pesadelo, morre na vida real também. No entanto, caso sobrevivam, no dia seguinte ninguém se recorda do pesadelo.

screenshot
No lado esquerdo temos um indicador do que nos falta escalar. O que está a preto são os blocos da torre que já se desmoronaram

A jogabilidade é então inteiramente diferente de quando se está acordado, ou nos pesadelos. Nestes últimos, o jogo assume a forma de um jogo de puzzle, onde temos a cada noite uma série de andares de uma longa torre para escalar. De forma a fazê-lo, temos de ir puxando/empurrando uma série de blocos cúbicos para abrir caminho e isso pode ser bastante desafiante. Pode não, será certamente nos níveis mais avançados. Os cubos podem estar presos apenas por arestas no meio do vazio, outros cubos são especiais que podem não ser movidos, têm armadilhas mortais, partem-se ou explodem, entre outros. E o que torna o jogo ainda mais desafiante é que temos sempre uma tensão constante de não cometer erros, pois os níveis inferiores vão sendo destruidos com o tempo, ou ao deslocar os blocos de forma errada podemos mesmo comprometer o nosso progresso. Felizmente existem alguns items que podemos utilizar para nos auxiliar na escalada, embora só possamos carregar um item de cada vez. Estes permitem-nos escalar 3 blocos de cada vez, criar um bloco novo, destruir os inimigos próximos, entre outros. Algo que também nos ajuda é o facto de existirem checkpoints espalhados pelas torres, ou nos graus de dificuldade menor podemos anular as últimas acções.

screenshot
Intercalado com cada etapa no mesmo pesadelo estão os “Landings”, que servem de ponto de descanço, onde podemos interagir com outros humanos aprisionados no mesmo pesadelo

A segunda parte do jogo é passada no bar Stray Sheep, onde podemos ir falando com os amigos de Vincent, outros clientes do bar ou os seus empregados, ou mesmo com Catherine e Katherine. Muitas das pessoas com quem falamos no bar também possuem a mesma maldição de Vicent, aparecendo nos mesmos pesadelos, embora tal como Vicent não se recordem de tal coisa. E tanto nos pesadelos como na “vida real”, vamos podendo ouvir as suas inseguranças e descortinar um pouco mais do seu passado, onde os podemos também ajudar a ultrapassar as suas inseguranças. A parte psicológica do jogo assenta completamente em decisões morais. Tanto Catherine como Katherine nos vão enviando SMS para o telemóvel, às quais podemos responder da forma que achemos mais conveniente. Essas nossas decisões, bem como algumas respostas que damos aos nossos companheiros, ou respostas às perguntas nos confessionals dos pesadelos vão influenciar uma certa balança entre dois alinhamentos: Chaotic e Lawful. O primeiro refere-se à liberdade extrema do “eu”, enquanto o Lawful representa as decisões mais politicamente correctas. Esta moralidade é um tom presente em todo o jogo, que em conjunto com diversas respostas que podemos dar nos últimos níveis apresentam um total de 8 finais diferentes que podemos alcançar.

screenshot
No bar para além de podermos beber várias bebidas alcoólicas temos também a chance de interagir com outras pessoas e ouvir os seus problemas

Para além do modo de jogo principal, também podemos jogar umas partidas do modo Babel ou do Colosseum. Este último é desbloqueado no final do jogo principal, onde essencialmente podemos jogar qualquer nível dos pesadelos do jogo principal, mas num multiplayer competitivo. O Babel é um modo de jogo para os especialistas dos pesadelos infernais. Para jogar logo o primeiro nível, é exigido obter um troféu de ouro no final de um dos níveis do jogo principal, no grau de dificuldade normal ou maior. Neste modo de jogo é também possível jogar cooperativamente com mais um jogador, algo que não cheguei a experimentar.

Graficamente é um jogo muito bom, com uns visuais completamente anime e bem detalhados. As cutscenes tanto podem utilizar o próprio motor do jogo, que apresentam muito bem as várias expressões faciais dadas pelas personagens, ou podem ser mesmo “desenhos animados” no estilo anime. Os visuais tanto abordam o erotismo, especialmente com as investidas de Catherine, como o macabro, visto em algumas cutscenes ou especialmente nos confrontos com os bosses. O voice acting é excelente, embora eu preferisse que houvesse a opção de ouvir as vozes originais em japonês com as legendas em inglês. As músicas também vão sendo muito variadas, desde coisas mais para o relax, em especial nas conversas dos bares, ou para músicas mais tensas, especialmente nos confrontos das Catarinas, ou coisas mais rock n’ roll nos pesadelos, onde temos de agir rapidamente e metodicamente.

screenshot
No final de cada pesadelo, temos sempre um boss atrás de nós, que geralmente representam os medos de Vincent

Catherine é um jogo muito bom, especialmente para quem gostar de uma boa história. É na minha opinião um jogo bastante original e um dos pontos altos da geração passada da PS3/X360. É algo tão diferente que não consigo imaginar a Atlus a realizar uma sequela, o que eu prefiro que não o façam realmente. Para os que gostam de jogos puzzle, então Catherine é também uma excelente escolha, pois basta não jogar em Easy que se torna bastante desafiante e o modo Babel também não é pera doce.

Ultima III: Exodus (PC)

Voltando aos RPGs da velha guarda, é tempo de escrever sobre o terceiro capítulo da saga Ultima, o Exodus. Este jogo apesar de ainda ser algo primitivo na sua jogabilidade, introduziu diversas novidades onde poderemos considerá-lo como o grande avô dos RPGs modernos, tendo certamente influenciado jogos muitos RPGs ocidentais que lhe seguiram e não só, como um certo Dragon Quest que por sua vez deu lugar ao Final Fantasy e muitos outros RPGs de topo japoneses que conhecemos hoje em dia. Tal como os outros Ultima I e II, este foi adquirido numa colectânea que o GOG já fez várias vezes, oferecendo a série completa para o PC, por um preço muito apelativo.

Ultima III - PCA nível de história, este é o último jogo da série a decorrer no mundo de Sosaria, com os jogos seguintes já a decorrerem no mundo “fixo” de Brittania. E passando-se este jogo então em Sosaria, é também uma sequela directa dos dois últimos jogos, onde o legado do feiticeiro maléfico Mondain ainda se faz sentir, mesmo após ter sido derrotado no primeiro jogo e a sua aprendiz Minax também ter sido derrotada no Ultima II. O grande vilão agora é um tal de Exodus, descendente de Mondain e Minax e cabe mais uma vez ao herói derrotá-lo e salvar Sosaria novamente. A diferença é que desta vez não é só um herói que terá essa árdua tarefa, mas sim uma party de 4 personagens que podemos criar logo ao início. E tal como nos outros 2 jogos anteriores ao criar as personagens poderemos escolher a sua raça, sexo, classe e atribuir uma série de pontos ao longo de várias estatísticas, como Força, Destreza ou Inteligência. Standard RPG business. Cada raça possui um certo número de pontos máximo possíveis em cada stat, assim como cada classe possui as suas peculiaridades.

screenshot
As batalhas são travadas por turnos, onde movimentamos livremente cada personagem da nossa party.

Os combates também mudaram e não são mais travados em batalhas na primeira pessoa (em dungeons) ou como se um RPG de acção se tratasse no worldmap. Sempre que encontramos um inimigo, entramos num ecrã de batalha, onde podemos movimentar a nossa party por turnos de forma a derrotar todos os inimigos no ecrã. As acções de batalha são mais uma vez dadas por certas teclas, A de attack + direcção a atacar, ou C de cast são apenas alguns dos exemplos. Quando navegamos pelas várias cidades ou castelos, muitas destas teclas são também utilizadas, como o T de transact, para falar com todos os NPCs, S para Steal ou F para Fight, embora isso raramente seja uma boa ideia. E falar com os NPCs desta vez é algo que é realmente necessário. Para além dos mesmos já serem mais coerentes com a história em si, desta vez dão-nos realmente dicas úteis de forma a progredir no jogo. Aliás, em certos pontos da história é mesmo necessário falar com alguns NPCs para que saibamos como avançar em pontos chave, de outra forma seria impossível.

screenshot
Mais uma vez as localidades estão repletas de várias lojas ou pubs, onde podemos ouvir rumores do que nos espera pela frente

E sim, o jogo continua repleto de dungeons labirínticas na primeira pessoa, que por sua vez são obrigatórias para se progredir no jogo, pois possuem itens importantes. Outra adição interessante ao jogo é uma espécie de “fog of war”, em que o nosso campo de visão é extremamente limitado ao navegar no mapa em zonas desconhecidas, rodeadas por montanhas ou florestas. Os combates são recompensados com pontos de experiência, mas apenas falando com o Lord British no seu castelo poderemos realmente subir de nível e aumentar os nossos health points. Já os restantes stats increase apenas podem ser obtidos ao doar dinheiro em certos pontos na perdida cidade de Ambrosia.

screenshot
O patch aplicado por fãs faz realmente uma diferença colossal. O facto de muitos jogos DOS na década de 80 aparentarem ser uma porcaria, é mesmo porque os PCs eram máquinas mais voltadas para trabalho, ao contrário de outros fabricantes.

No que diz respeito ao audiovisual, o original da Aplle II apresenta diversas melhorias, como sprites animadas, as dungeons com paredes sólidas ao invés de apresentarem gráficos vectoriais extremamente simples, bem como introduziram uma banda sonora. Infelizmente o port original para PC não inclui nada disso. Foi convertido pela mesma pessoa que converteu o Ultima II para o PC, incluindo assim os mesmos defeitos. Estou a falar claro das cores completamente trocadas devido ao standard CGA de 4 cores, que ao ser utilizado em qualquer monitor mais moderno que em 1983 apresenta uma paleta de cores que roça o azul e roxo. Isso e o jogo não ter qualquer limitador de frames, que se fosse jogado fora de um emulador como o Dosbox, seria completamente não-jogável. Isso e a banda sonora ter sido colocada de parte, apesar de ser algo normal em todos os IBM-PCs até se terem inventado as placas de som. No entanto existe um patch realizado por fãs que torna o jogo bem mais colorido, ao nível das conversões posteriores para computadores 16-bit como o Amiga ou Atari ST, e traz a banda sonora em formato MIDI.

O Ultima III recebeu assim imensas conversões, incluindo uma para a NES, que mudou diversos aspectos ao jogo, adaptando-o paa uma jogabilidade de consola. Para além dos gráficos terem sido alterados, a versão NES também alterou radicalmente o interface do jogo, apresentando desta vez um intricado sistema de menus como se viu no primeiro Dragon Quest, por exemplo. Mas foi uma versão que eu apenas joguei um pouco através de emulação, pelo que não tenho grande opinião formada. Mas é no Ultima IV que as coisas começaram de facto a levar um outro rumo, e a série foi também amadurecendo da melhor forma. Mas isso será tema para um outro artigo.

Die Hard Arcade (Sega Saturn)

Há pouco tempo quando escrevi sobre o Die Hard Trilogy para a Sega Saturn, referi que em breve falaria de um outro jogo da franchise. Claro que me estava a referir a este Die Hard Arcade, também para a plataforma de 32bit da Sega. Die Hard Arcade é um beat ‘em up em 3D bastante divertido, apesar de ser curtinho como muitos jogos arcade da Sega. No Japão o jogo é conhecido como Dynamite Deka, com a franchise Die Hard ser apenas “aproveitada” no ocidente devido a várias similaridades existentes entre o jogo e o primeiro filme. O Dynamite Deka é mais conhecido por cá na sua sequela, Dynamite Deka 2 para a Sega Dreamcast, que chegou cá como Dynamite Cop.

Die Hard Arcade - Sega Saturn
Jogo completo com caixa e manual

Este jogo entrou na minha colecção algures durante 2013, tendo sido comprado na Cash Converters de Alfragide por 4€, um excelente preço tendo em conta a procura do jogo. Podem ler a minha análise completa ao Die Hard Arcade no site da PUSHSTART.

Inspector Zé e Robot Palhaço em Crime no Hotel Lisboa (PC)

Inspector Zé e Robot Palhaço em Crime no Hotel Lisboa, é certamente o videojogo português mais mediático da actualidade e com razão. É uma aventura gráfica com um visual retro, à semelhança dos grandes clássicos dos finais dos anos 80 mas mais do que isso, é uma excelente sátira ao típico Tuga, e quem viveu algo dos anos 80 certamente irá encontrar alguma nostalgia neste jogo de estreia dos Nerd Monkeys.

Case and BotÉ um jogo repleto de um bom sentido de humor e personagens bem carismáticas, embora por vezes possa ser algo parvinho ou mesmo brejeiro, o que não tenho absolutamente nada contra. Peca infelizmente por ser algo curto, mas já estão em desenvolvimento alguns DLCs adicionais que segundo os Nerd Monkeys, serão gratuitos para quem fez a pré-reserva do jogo. O que então me engloba nessa categoria! Obrigado Nerd Monkeys!

Podem ler a minha análise completa no site da PUSHSTART, em conjunto com 3 pequenas opiniões por parte de Luís Filipe Teixeira, Ivan Barroso e Tiago Lobo Dias.
E, como eu, se quiserem ver o jogo no Steam, é só votar no Greenlight.

World Cup Italia ’90 (Sega Master System)

WorldCupItalia90-SMS-EUJá que ando numa de artigos sobre sistemas 8bit, cá fica mais uma “rapidinha” a um dos vários jogos de futebol existentes para a Sega Master System. World Cup Italia ’90, tal como o nome indica é o jogo “oficial” da edição de 1990 do campeonato do mundo de Futebol. O “oficial” esteve entre aspas, pois existem diversos jogos sobre o mesmo tema lançados especialmente em computadores em território europeu, como Amiga, Commodore 64, Atari ST, entre outros. A versão que tem o dedo da Sega saiu para a Mega Drive e para a Master System, versão que aqui trago para análise. Este jogo em particular foi comprado num bundle de uns 7 jogos de Master System que tinha comprado há uns bons anos atrás, por um valor irrisório.

World Cup Italia 90 - Sega Master System
Jogo com caixa e manual multilingue

No Brasil o jogo é conhecido como Super Futebol II (com o primeiro a ser o World Soccer), e essa versão eu também a possuo na minha colecção, com a colectânea “Portuguese Purple” Gamebox Série Esportes, de onde também se inclui o Great Volley e o primeiro Wimbledon. Mas noutra altura abordarei melhor essa colectânea.

screenshot
Ecrã-título

Este jogo apresenta 3 diferentes modos, o World Cup, Test Match e Penalty Kick Contest, onde apenas o primeiro é exclusivamente singleplayer. No modo de World Cup funciona precisamente como a competiçao oficial se tratasse, começando pela fase de grupos até à final. A diferença é que podemos não só escolher qualquer uma das 24 selecções que fizeram parte da competição, como podemos escolher uma de 6 selecções bónus que tomam o lugar no grupo de uma outra. Infelizmente Portugal não consta da lista, mas pronto, são outros tempos. O Test Match e Penalty Kick Contest dão para 2 jogadores e tal como o nome indica, o primeiro é apenas um jogo amigável, o segundo é uma competição de grandes penalidades. Nestes 2 modos de jogo também temos as 30 selecções disponíveis.

screenshot
O campo é demasiado pequeno para tanto jogador. E são só 8 por equipa!

As equipas têm os seus pontos fortes e fracos, pelo que antes de escolher uma selecção a jogar podemos observar as suas estatísticas para velocidade, kick, capacidade ofensiva e capacidade defensiva. Obviamente que quanto maiores forem os números, melhor é a equipa nesse ponto. O jogo toma uma perspectiva aérea, e infelizmente os controlos não são os melhores, principalmente quando não se tem a bola, onde é muito difícil chegar à bola antes do adversário. O facto de o campo ser tão pequeno para todos os jogadores em campo (ou os jogadores serem grandes demais, escolham a que melhor convém), também dificulta um pouco as coisas, pois é muito frequente ficar uma multidão de jogadores num espaço curto.

Graficamente o jogo começa muito bem, com um bonito ecrã título e boas animações na selecção de equipas ou nos penalties. Já no jogo em si, não gostei das cores escolhidas para o campo, e a Master System é capaz de melhor neste campo. Os efeitos sonoros são OK, tendo em conta o hardware, já a música também não deixa grandes memórias.

screenshot
O modo campeonato do mundo dá para um jogador apenas.

No fim de contas, para quem gostar de jogos de futebol com esta perspectiva, então as versões Master System do Sensible Soccer ou Super Kick Off parecem-me ser alternativas bem melhores. Mas também quem estou a enganar? O público alvo deste género de jogos hoje em dia continuará a preferir jogar os novos PES ou FIFA.