Sega Rally 2 (Sega Dreamcast)

Sega Rally 2

O Sega Rally original da Sega Saturn é muito provavelmente o meu jogo de corrida preferido de todos os tempos. E eu não sou um grande fã de jogos de corrida, para mim têm de ser bastante arcadey ou então mais futuristas à lá Wipeout ou F-Zero. E o Sega Rally original teve direito a uma excelente conversão para a Sega Saturn, traduzindo-se numa das melhores experiências arcade que alguma vez chegou a uma plataforma 32bit. Naturalmente, como na década de 90 as arcades ainda não estavam num declínio tão acentuado assim, uma sequela foi produzida pela mesma equipa que trabalhou no original, mas para o avançadíssimo sistema Model 3. Com o lançamento da Dreamcast, uma conversão para a consola pareceria obrigatória e foi isso mesmo que aconteceu. A minha cópia deste jogo deu entrada na colecção algures durante o verão do ano passado, tendo sido comprada a um particular por uma quantia entre os 5 e 6€.

Jogo completo com caixa, manuais, papelada e uma sleeve exterior de cartão que a Ecofilmes resolveu inventar

O problema com o Sega Rally original é que era simplesmente uma conversão do jogo da  arcade, com 2 carros e 3 circuitos, com um carro e circuito secretos a desbloquear ou por cheat codes, ou pela habilidade de chegar ao final em primeiro lugar. E por muito bom que Sega Rally na Sega Saturn tenha sido, o facto de ser um jogo muito curtinho acabou por o prejudicar. Este Sega Rally 2 acaba por colmatar algumas dessas falhas, mas no geral continua a ser pouco mais do que um jogo arcade. Dispomos então dos seguintes modos de jogo: Arcade (conversão directa), 10 year championship, que como o nome indica é uma espécie de campeonato ao longo de uma década, uma vertente multiplayer para 2 jogadores em splitscreen e por fim o Time Attack, onde lutamos por obter o melhor tempo possível.

screenshot
Graficamente é um jogo bem mais polido que o primeiro, tal como seria de esperar.

O modo Arcade é uma conversão directa do original, onde dispomos de 4 circuitos para jogar: Desert, Mountain, Snowy e Riviera, com a hipótese de escolhermos um de 8 carros disponíveis logo ao início. O 10 year championship apresenta mais 2 circuitos: os Muddy e Isle. Neste modo de jogo, à excepção do circuito Riviera, todos os outros possuem 3 variantes, resultando assim num muito maior número de pistas disponíveis face ao jogo original. Neste modo de jogo iremos correr na mesma em 4 circuitos em cada “ano”, no entanto o grau de dificuldade vai ser cada vez maior à medida em que vamos progredindo na temporada. Apesar de continuar a ter uma jogabilidade bastante arcade, aqui incluiram mais algumas customizações que podemos fazer antes de cada circuito, como alterar a suspensão, pneus, transmissão, entre outros. À medida em que vamos completando cada temporada, e caso terminemos em primeiro lugar, desbloqueamos um carro extra, aumentando assim para um total de 18 carros que podemos desbloquear neste Sega Rally 2.

De resto a jogabilidade é o que podemos esperar de um Sega Rally clássico. Não é propriamente um jogo de simulação, na medida em que não esperem representações realistas de condução, mas é bastante divertido de jogar e difícil de dominar. O 10 years é mesmo um modo de jogo bastante desafiante, que acaba por colmatar mais uma vez a pouca variedade de cenários. Mas o que não poderia mesmo faltar são as indicações do co-piloto, que desta vez é uma jovem, que nos vão avisando ao longo de cada circuito das curvas, lombas ou outros percalços a ter em atenção.

screenshot
Circuitos à noite ou com diferentes alterações climatéricas aparecem também neste jogo.

Uma das curiosidades desta conversão é que a mesma utiliza as APIs do Windows CE. Para quem não sabe, existem 2 tipos de APIs que podem ser utilizadas nos devkits da Dreamcast: a Katana, tendo herdado o nome do protótipo japonês da Dreamcast (sim, houve um americano, só mais uma das confusões da Sega…), e uma outra APIs que usa o Windows CE e instrucções Direct X, criada especialmente para facilitar a vida dos programadores em conversões PC – Dreamcast. Uma das condições acordadas entre a Sega e a Microsoft foi que a própria Sega teria de lançar alguns jogos sonantes utilizando as APIs do Windows CE e este Sega Rally 2 foi um dos contemplados. Infelizmente isso resultou em framerates inconstantes, pois as APIs da própria Sega oferecem melhor performance à consola, como seria de esperar. Essas inconsistências eram muito evidentes na versão japonesa do jogo, que corria a 60fps, mas com quebras constantes. Nas versões ocidentais resolveram trancar o framerate a 30fps, tendo ficado mais consistente.

screenshot
O splitscreen retira algum do detalhe gráfico, como seria de esperar.

Graficamente é um jogo bonitinho, tendo em conta que é um jogo de primeira geração para a Dreamcast. Os circuitos vão mudando, podendo ser jogados à noite, onde os efeitos de luz são bem implementados, com chuva ou neve, onde mais uma vez esses efeitos gráficos são bem convincentes. No circuito “Muddy” então, é possível ver o carro a ficar cada vez mais sujo à medida em que vamos avançando no circuito. Os efeitos sonoros são excelentes, e ouvir a nossa co-piloto a berrar “very long easy left, maybe” em conjunto com o rugir dos motores, dão uma grande adrenalina à experiência. A banda sonora por si é o clássico da Sega, embora para mim não seja tão boa como a do Sega Rally original, que era mais focada em rock progressivo. Aqui temos na mesma algumas malhas de rock progressivo, mas também muitas outras mais jazz, funk ou dance music. Não deixa de ser uma boa banda sonora, como em quase todas as adaptações dos jogos arcade da SEGA.

No fim de contas, Sega Rally 2 pode não ter o mesmo sentimento nostálgico que o original de Sega Saturn provocou em mim, mas não deixa de ser um excelente jogo de corridas arcade dos reis do género. Fruto de ter sido desenvolvido com a API do Windows CE, existe também uma conversão do jogo para PC, que não experimentei, mas suponho que corra numa resolução mais alta e com um framerate bem estável. Ainda assim, Sega Rally é para ser jogado em Arcade ou consola, e é uma entrada indispensável no catálogo Dreamcast de um coleccionador que se preze.

Star Wars (Sega Master System)

Star Wars - Master SystemContinuando com artigos sobre a consola 8bit da Sega, desta vez para mais pequeno artigo sobre um jogo da franchise de ficção científica mais popular de toda a galáxia. Star Wars é uma conversão algo tardia de um jogo da NES de mesmo nome lançado em 1991. E tal como o nome indica, é um jogo que decorre durante os acontecimentos do primeiro filme da saga, nomeadamente o quarto capítulo. Este Star Wars entrou na minha colecção há uns anos atrás, através dum bundle de 7 jogos que comprei no Miau.pt, tendo-me ficado muito, muito barato mesmo (menos de 1€ por jogo).

Star Wars - Sega Master System
Jogo com caixa. Sempre gostei deste artwork.

O que mais me impressionou no jogo foi que mesmo sendo para uma consola de 8bits com as limitações óbvias de hardware, Star Wars segue muito bem os acontecimentos do filme, excepto faltar ali o fulcral encontro com Darth Vader em pessoa. Em primeiro lugar somos  largados no planeta deserto de Tatooine como Luke Skywalker, o jovem jedi wannabe, aprendiz de Obi-Wan Kenobi. A bordo de um Landspeeder, podemos explorar várias cavernas. Essa exploração é maioritariamente opcional, mas é fortemente aconselhado que seja feita, pois podemos encontrar powerups para as armas, ou outras personagens úteis no jogo. Tal como no filme, é na superfície de Tatooine que podemos resgatar R2-D2, Obi-Wan Kenobi ou Han-Solo no bar de Mos Eisley. A partir daí resta viajar na Millenium Falcon até à Death Star, resgatar a princesa Leia e voltar a um assalto à Death Star, desta vez a bordo de uma X-Wing.

screenshot
Inicialmente andamos a viajar pelo planeta de Tatooine num Landspeeder

Luke Skywalker é a personagem principal com que podemos jogar, mas Han Solo ou a Princesa Leia, caso tenham sido resgatados, poderão também ser seleccionados para entrar em acção a qualquer momento, bastando para isso seleccioná-los no menu de pausa. A diferença é que Han Solo e Leia possuem apenas uma vida, ao contrário de Luke que poderá ter várias. Han Solo é mais forte e pode aguentar com mais dano, bem como ter ataques mais fortes. Já Leia é mais ágil. Obi Wan Kenobi é a chave para que Luke venha a obter o seu lightsaber e pode também ressuscitar algumas vezes tanto Han Solo como Leia. Os Robots C3PO e RD-D2 têm também as suas utilidades. O primeiro pode-nos dar algumas dicas ao longo do jogo, já R2-D2 para além de regenerar os escudos da X-Wing, pode também mostrar um mapa dos corredores labirínticos da Death Star, muito útil para a secção de plataforma nesse ponto do jogo.

screenshot
Ao carregar no botão de pausa podemos escolher outras personagens para jogar, ou para usar as suas habilidades.

As secções de plataforma são sidescrollers perfeitamente normais, com um botão para saltar, outro para atacar. É possível trocar de arma, no caso de Luke Skywalker, onde podemos alternar entre a pistola laser pelo lightsaber. O lightsaber é uma arma bastante forte, capaz de derrotar todos os inimigos num só golpe, mas tem a desvantagem de ser uma arma de curta distância, ou seja, se não tivermos cuidado podemos sofrer bastante dano. A condução de veículos é simples e eficaz. Viajar pelo planeta de Tatooine não tem nada que saber, mas já a perseguição a alta velocidade pelas trincheiras da Death Star pode mesmo ser frustrante. Os outros momentos em que “conduzimos” algo são as viagens pelo espaço na primeira pessoa, a bordo da Millenium Falcon ou de uma X-Wing. A primeira viagem na Millenium Falcon é um pouco aborrecida, pois apenas temos de nos desviar de um indindável número de asteróides, já as outras viagens têm combate, onde não controlamos a nave em si, mas os seus lasers para derrotar os inimigos.

screenshot
Os níveis em sidescrolling têm diferentes cenários, as cavernas são logo dos primeiros.

Graficamente é um jogo bastante colorido e bem conseguido para uma Sega Master System. Achei impressionante a qualidade que conseguiram alcançar ao renderizar vários retratos de personagens como Han Solo ou Obi Wan Kenobi, bem como nas cenas de game over ou no final do jogo. As músicas não são más de todo, mas aquelas mais icónicas da saga Star Wars ficaram a soar um pouco estranhas no chip de som da Master System. Mas no geral foi um bom trabalho audiovisual desenvolvido pela Tiertex.

Star Wars para a Master System pode não ser o melhor jogo de sempre, pode ser uma conversão tardia de um jogo de NES do mesmo nome, mas não achei de todo que seja um mau jogo. Não é dos melhores que a Master System possui no seu catálogo, mas acho que é um jogo bastante sólido e que me impressionou pela representação +/- fiel ao filme que conseguiram transpor para um videojogo. Só faltou mesmo uma lutazinha contra o Darth Vader!

Psychic World (Sega Master System)

Na PUSHSTART deste mês, um dos artigos que tive a oportunidade de escrever foi ao Psychic World da Sega Master System, uma conversão de um sidescroller algo obscuro, desenvolvido pelo estúdio Hertz para os computadores japoneses MSX2. A conversão para a Master System trouxe algumas mudanças que poderão ler na minha análise completa, bastando para isso seguir este link.

Psychic World - Sega Master System
Jogo com caixa

A minha cópia do jogo deu entrada na minha colecção algures entre Novembro ou Dezembro de 2013, tendo sido comprada na loja portuense Pressplay, onde já fazia um bom tempo que não visitava a loja. O jogo custou-me algo perto dos 9€, mas infelizmente não traz manual.

PUSHSTART #40

E a PUSHSTART #40 está disponível para download aqui. Nesta edição contribui com uma análise ao Minecraft para a PS3, uma outra para o Final Fantasy VII da PS1 e ainda uma para uma das hidden gems da Sega Master System, o Psychic World que irei publicar em seguida.

Nesta edição:

– Preview: Hearthstone

– Especial: SEGA 3D Classics – Part 2

– Old Vs New: Dr. Mario VS Dr. Luigi

– 4X4: Final Fantasy VII

Visão: Videojogos e Educação

Entrevista: Merrigan

– Tecnologia: bq Aquaris 5 HD

TOP: 10 Melhores Exclusivos PS3

– Gamer em Tempos de Crise: Team Fortress 2; Dungeons & Dragons: Neverwinter; Super Hot

– Reviews: Mario & Sonic at the Sochi 2014 Winter Olympic Games; F1 Race Stars Powered Edition; Super Mario 3D World; Pikmin 3; Knytt Underground; NES Remix; Minecraft (PS3 Edition); Rayman Legends; Rush; Mark of the Ninja; Papers, Please; OlliOlli; Konbo Monsters; Swimmers; Psychic World; The Legend of the Mystical Ninja; Midnight Resistance

Soviet Strike (Sega Saturn)

Soviet StrikeO Desert Strike é um dos meus jogos preferidos da era 8/16bit, tendo sido um excelente jogo de acção com alguns conceitos de estratégia militar. Com o sucesso de Desert Strike, vieram as sequelas Jungle e Urban Strike, tendo sido lançadas maioritariamente tendo em vista as consolas 16bit. Com as consolas 32bit em força no mercado, foi altura de o próximo jogo da série tirar partido das possibilidades oferecidas pelos novos hardwares e nasceu assim este Soviet Strike, sendo inclusivamente o único jogo da série a ser lançado na Sega Saturn. Se a memória não me falha, o jogo entrou na minha colecção ao ter sido comprado na feira da Ladra em Lisboa algures em 2013 e o seu preço não deverá ter sido superior a 6€.

Soviet Strike - Sega Saturn
Jogo completo com caixa e manuais

Tal como o nome do jogo indica, desta vez lutaremos contra a ameaça soviética. Na verdade em 1997 já há muito que a União Soviética tinha deixado de existir, mas uma antiga facção ligada ao KGB está aparentemente a tramar algumas. O jogador toma assim mais uma vez o papel de um piloto de helicóptero, mas desta vez pertence a um grupo militar norte-americano ultra-secreto (STRIKE) que nas suas operações encobertas trava batalhas de forma a impedir que guerras venham a acontecer. A apoiar-nos durante as missões temos o general Earle, um hacker bizarro e Andrea, uma agente Strike com a profissão infiltrada de repórter de imprensa, que nos vão dando os briefings de cada missão e algumas dicas também.

screenshot
O jogo passa-se em diferentes territórios ex-Soviéticos, não apenas na Rússia

Tal como os jogos anteriores, este Soviet Strike está dividido em vários níveis bem grandinhos, onde em cada nível temos várias missões a desempenhar, tais como destruir radares, tanques inimigos, armas de destruição massiva, resgatar prisioneiros de guerra, prender líderes inimigos, entre várias outras. E também tal como os jogos anteriores, a ordem das missões convém serem respeitadas de forma a facilitar um pouco mais as coisas ao longo do nível. Por exemplo, destruir os radares inimigos faz com que os inimigos percam alguma da sua capacidade de nos emboscar. Também algumas missões só ficam desbloqueadas após termos concluído a anterior.

screenshot
Este é Hack, e como o nome indica é o hacker de serviço. O que raio tem ele na cabeça?

De resto para quem jogou Desert Strike a jogabilidade é muito semelhante. A grande diferença está em apenas podermos conduzir o helicóptero, ao contrário do Jungle e Urban Strike que a certo ponto nos deixavam conduzir outros veículos. De resto continuamos a ter de gerir os recursos como munições, combustível e armadura do helicóptero, forçando-nos a procurar no campo de batalha por esses “mantimentos”. A outra diferença está também na câmara que deixou de ser isométrica, porém continua com uma perspectiva muito parecida, mantendo assim a mesma identidade à série. Neste jogo também deixou de acontecer o nosso helicóptero perder-se de vista por detrás de algum edifício alto, pois ele sobe e desce dinamicamente, deixando assim de ser possível embater nesses edifícios também.

screenshot
Como sempre, as missões devem ser jogadas pela ordem atribuída, por razões estratégicas

Graficamente não é o jogo mais impressionante de sempre, os modelos em 3D poligonal são simples e eficazes, já os bonequinhos que representam humanos parecem-me directamente retirados dos clássicos da Mega Drive. O fundo de cada nível tem boas texturas, tendo supostamente sido criados com recurso a imagens reais retiradas por satélite. A inteligência artificial dos inimigos também me parece boa tendo em conta os jogos anteriores. Aqui os inimigos são mais eficazes nas suas emboscadas e é frequente sermos “sodomizados à bruta” pelos veículos armados inimigos, em especial nos últimos níveis. As músicas é que me deixam um pouco de pé atrás, mais na sua qualidade, visto algumas mais parecerem chiptune do que propriamente red book audio. O jogo está também repleto de várias cutscenes em full motion video, que comparando com a versão Playstation ficam um bocadinho a desejar na qualidade, fruto de a Sega Saturn não ter nativamente codecs vídeo tão bons assim. Essas cutscenes existem em demasia, antes de cada nível, depois, e mesmo durante, ao completar algumas missões ou em acontecimentos chave. E isso até nem me chatearia, se eu não achasse todos os diálogos, ou as representações dos actores muito cheesy e over the top. Preferia de longe as coisas mais “terra-a-terra” e simplificadas dos primeiros jogos. Aqui a trama acaba por ficar mais confusa mesmo por causa de todas essas cutscenes exageradas.

Mas ainda assim, apesar de ter alguns defeitos, Soviet Strike não deixa de ser um jogo bastante sólido e quem gostou dos clássicos de 16bit certamente não irá desgostar deste novo jogo. Depois do Soviet Strike a EA ainda lançou cá para fora o Nuclear Strike, que nas consolas apenas abrangiu a Playstation e a Nintendo 64. Tenho pena de a série não ter continuado (sem contar com uma conversão do Desert Strike para a Gameboy Advance), mas vindo da Electronic Arts tenho muito receio de uma eventual sequela vinda por eles.