Crazy Taxi (Sega Dreamcast)

Crazy TaxiA Dreamcast apesar de ter sido uma consola com um curto período de vida, marcou aquele que para mim foi um dos melhores períodos criativos da Sega. Por um lado continuavam com os padrões de excelência nos salões arcade, apesar do seu declínio se começar a notar, por outro lado os estúdios da Sega tiveram libertade total criativa, resultando em coisas bizarras como Seaman, Jet Set Radio, Rez ou obras de arte como Shenmue. Este Crazy Taxi por sua vez junta o melhor dos dois mundos, sendo um jogo arcade por sua vez bastante original. Tal como o Tomb Raider Chronicles analisado ontem, este jogo também me foi oferecido pelo Miguel Coelho do The Games Tome / PUSHSTART. Ainda por cima o jogo estava selado!

Crazy Taxi - Sega Dreamcast
Jogo completo com caixa, manual e papelada

E em que consiste o Crazy Taxi? Bom, somos um taxista e temos de transportar passageiros do ponto A ao ponto B. Isto pode soar aborrecido em teoria, mas a Sega consegue dar o seu toque pessoal e tornar um “Taxi Simulator 1999” num Crazy Taxi! Passo a explicar: sendo este um jogo arcade, estamos sempre a jogar contra relógio. Para além disso os clientes recompensam-nos com mais dinheiro (e tempo) quanto mais rápido os conseguirmos deixar no destino. Para além do mais, por cada manobra perigosa que consigamos fazer, mais dinheiro entra para a nossa conta. Ou seja, vale tudo! Andar em contra-mão e passar rasantes por entre os carros, subir para os passeios e ver tudo o que é peão a fugir em pânico, cortar atalhos pelo meio de esplanadas, por aí fora! Ah, e temos uma cidade inteira para explorar.

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Se formos rápidos a deixar o passageiro no seu destino, ganhamos uns preciosos segundos extra.

Existem vários modos de jogo distintos, mas comecemos pelo arcade. Aqui somos largados numa cidade fictícia, e podemos optar por jogar sob as regras originais da versão arcade, ou ter um timer fixo de 3, 5 ou 10 minutos. A diferença para o modo arcade é que nesse dispomos de um timer que vai sendo incrementado sempre que apanhamos um novo passageiro e tal como referi atrás, se formos suficientemente rápidos, ainda recebemos um bónus adicional de tempo ao deixá-los na sua meta. Temos também o modo “original” que é essencialmente a mesma coisa mas numa cidade diferente, que vai buscar algumas inspirações às ruas bastante inclinadas de S. Francisco, o que nos permite dar uns saltos engraçados. Mas para quem procura desafios maiores, existe ainda o “Crazy Box”, que nos coloca uma série de missões para cumprir, sendo estas cada vez mais complicaditas. Coisas como deixar uma série de passageiros nos seus destinos num curto intervalo de tempo, fazer uma série de acrobacias, arrebentar balões numa arena, percorrer a cidade de uma ponta à outra, o que não falta são coisinhas para fazer!

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“Voando” em San Francisco!

A jogabilidade é óptima e sendo um jogo arcade temos todas as liberdades do mundo em andar em alta velocidade, colidir contra paredes ou outros carros e nada nos acontece a não ser perder velocidade, conduzir debaixo de água, dar saltos enormes e por aí fora. Faz parte do mundo de Crazy Taxi. Uma outra coisa que achei interessante é o “GPS” que nos vai dando algumas indicações das sítios onde temos de deixar os passageiros. É aquela seta gigante no topo do ecrã que vai rodando, indicando sempre a direcção a tomar. No entanto nem sempre devemos seguir essas recomendações, pois à medida que vamos explorando as cidades, descobrimos outros atalhos que possivelmente nos salvarão uns segundos preciosos.

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O Product Placement é uma constante em Crazy Taxi.

Graficamente era um jogo bem competente para os padrões de 1999. A cidades eram grandinhas e cheias de movimento e tudo tinha um bom nível de detalhe. Claro que ao prestar mais atenção nos apercebemos que as texturas são bastante simples e os modelos poligonais dos transeuntes não são assim nada de especial. Mas com toda a adrenalina que temos ao longo do jogo, é algo que nos acaba por passar ao lado. Uma coisa que achei interessante neste Crazy Taxi é a quantidade de product placement (publicidade) que a Sega conseguiu introduzir. Vemos restaurantes do KFC, Pizza Hut, lojas da Levi’s ou FILA, entre outros que acabam também por se tornar em destinos pedidos pelos clientes no jogo. Mas os licenciamentos não se ficam por aqui, na banda sonora também temos nomes como Offspring ou Bad Religion, que apesar de não serem de todo das minhas bandas punk preferidas, acabam por assentar bem no conceito do jogo.

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Existem vários pilotos/carros, cada um com as suas características.

Em suma, Crazy Taxi é um clássico. Se a versão Dreamcast é a melhor versão do jogo, isso é algo discutível se comparado com as versões Gamecube ou PS2, portadas pela Acclaim. Há poucos anos atrás o jogo saiu na “Dreamcast Collection” para PC, PS3 e Xbox 360, tendo sofrido alguns ajustes técnicos, como o suporte ao widescreen. No entanto a banda sonora é completamente diferente, pelo que apesar das melhorias técnicas, eu continuo a preferir esta versão.

Tomb Raider Chronicles (Sony Playstation)

Tomb Raider ChroniclesA série Tomb Raider foi uma espécie de Assassins Creed na era das consolas de 32bit, isto é, a cada ano lançavam um novo jogo! E apesar de todos eles serem sucessos comerciais, o facto de desde o primeiro jogo até este Chronicles terem utilizado sempre o mesmo motor gráfico, nunca conseguiram evoluir muito na fórmula, pelo que apesar de as vendas deste Chronicles terem sido boas, já eram muito inferiores às dos anteriores. Como tal, a Eidos e a Core decidiram recomeçar do zero com o Angel of Darkness a sair anos mais tarde na Playstation 2, mas antes disso, decidiram fazer uma despedida desta era com este Chronicles. Este exemplar foi-me oferecido pelo Miguel Coelho do podcast The Games Tome e colega colaborador na PUSHSTART, a quem agradeço imenso!

Tomb Raider Chronicles - Sony Playstation
Jogo completo com caixa, manuais e papelada

E começando por um spoiler do jogo anterior, que no final de contas, a menos que ainda vivam numa caverna e por acaso do destino estão a ler esta review porque alguém a imprimiu e depois a deitou fora, acaba por nem ser spoiler nenhum. No final do Tomb Raider the Last Revelation, é dado a entender que Lara Croft morreu. Então neste jogo, Winston, o velho e leal mordomo da mansão Croft, convida uns 2 amigos de Lara e juntam-se numa sala, confraternizando e recordando algumas das aventuras de Lara Croft que nunca haviam sido contadas… até agora. Neste jogo iremos percorrer os subúrbios de Roma e das ruínas do seu coliseu na procura da Pedra Filosofal, visitar uma base militar russa na esperança de recuperar a Spear of Destiny de um submarino naufragado no fundo do oceano, retornar aos tempos da sua juventude, onde Lara deu uma escapadinha a uma ilha irlandesa após ouvir rumores de eventos paranormais que por lá se passavam, culminando numa aventura onde Lara se infiltrou num largo complexo empresarial/industrial para roubar o artefacto de Íris nada mais nada menos ao próprio Von Croy, acabando assim por ser uma espécie de introdução aos acontecimentos que decorreram antes do jogo anterior.

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Balançar-se numa corda… uma das novas habilidades de Lara.

A nível de jogabilidade pouca coisa mudou. A acrescentar ao já elevado número de “manobras” e saltos que Lara é capaz de fazer, temos a possibilidade de dar uma cambalhota ao sair de um túnel em que estivemos a rastejar, ou equilibrarmo-nos numa corda como fazem os trapezistas num circo. De resto, se jogaram qualquer um dos Tomb Raiders anteriores, a mesma fórmula mantém-se e certamente que se familiarizarão rapidamente com as mecânicas do jogo. Continuamos com muita exploração a fazer, saltos medonhos para dar, escalar escarpas perigosas, procurar chaves, arrastar blocos cúbicos, andar aos tiros contra humanos ou criaturas mitológicas, you name it. E embora existam só 4 diferentes localidades para explorar desta vez, os níveis em si são gigantescos, pelo que sim, vai-nos dar trabalho a conhecê-los de uma ponta à outra. Felizmente que podemos fazer save a qualquer momento. No entanto a Core ainda tentou trazer algo de novo, como missões em que estamos completamente indefesos e teremos de ter uma abordagem mais cuidada, ou outras secções em que ser-se furtivo é a palavra chave.

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…e inspecionar prateleiras e gavetas também!

Graficamente nota-se uma boa evolução desde o primeiro jogo, apesar de partilharem a mesma engine. Tanto Lara como os seus adversários têm muito mais detalhe e o mesmo pode ser dito dos cenários e efeitos como os da água. Infelizmente a câmara continua com alguns problemas e todos os cenários continuam a ser muito “quadrados”… heranças que ficaram desde o primeiro jogo. A música continua a surgir apenas em alguns momentos chave no jogo. Na maior parte do tempo somos deixados a explorar os cenários completamente sossegados no ruído ambiente, com pequenas melodias a surgirem quando descobrimos algo majestoso ou por outro lado, quando algo mau acontece, como emboscadas ou tiroteios, uma música mais tensa acompanha-nos. O voice acting também me parece ser o melhor da série até esse momento. Os diálogos são bem mais frequentes nas cutscenes e os mesmos acabaram por ser bem mais trabalhados e melhor interpretados pelos seus intervenientes.

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A melhoria a nível de polígonos e texturas do primeiro jogo até este é bem notável

Para concluir, este Tomb Raider Chronicles até é um bom jogo. Mas comer arroz com feijão 5 vezes seguidas acaba por ser cansativo, mesmo que se vá variando um pouco os seus condimentos. A Eidos e a Core estiveram bem em decidir dar um novo rumo à série com a chegada da PS2, pois aquelas mecânicas de jogo já estavam a ficar gastas. Agora se o Angel of Darkness foi a melhor maneira de reintroduzirem a Lara Croft ao mundo… bom… “não percam o próximo episódio, porque nós também não”!

PUSHSTART #46

A PUSHSTART de Outubro já está disponível para download, agora com um visual renovado!

Nesta edição:

– Antevisão: Driveclub

– Entrevista: Ben Gouldstone

– Opinião: Steam e o meu plano poupança reforma; Atari – onde está a porta?

– Old vs New: Another World

– TOP: 10 Hidden Gems da Dreamcast

– Especial: A Importância dos Fan Service Games

– Ponto G: Letras vs Pixéis – Quando os livros julgam os jogos pelas capas

– Audiovisual: Into The Storm

– Reviews: Middle Earth: Shadow Of Mordor; TWD S02E04Ep05 – Season Finale; Super Smash Bros. 3DS; Dracula 4: The Shadows Of The Dragon; Gone Home; Bayonetta; Megaman Xtreme;

Da minha parte podem contar com uma review ao interessante jogo indie Gone Home, outra ao Megaman Xtreme para GBC e ainda um breve artigo de opinião sobre a quantidade de jogos que tenho acumulados no steam. Poderão descarregar a revista aqui.

Phantasmagoria: A Puzzle of Flesh (PC)

phantasmagoria2Voltando aos clássicos de PC, para mais uma das aventuras a saudosa Sierra Online. O primeiro Phantasmagoria, da autoria de Roberta Williams, uma das mais importantes personalidades na indústria nas décadas de 80 e 90, é um jogo de culto, mas infelizmente acabou por ser bem mauzinho, tendo ficado imortalizado pelo seu mau acting e cenas pseudo-adultas como uma violação bastante estúpida, na minha opinião. Ainda assim o jogo fez um sucesso tremendo, justificando-se o desenvolvimento de uma sequela que na minha opinião é superior em tudo. Este jogo entrou na minha colecção após ter sido comprado algures durante este ano na Feira da Ladra em Lisboa por uns meros trocos. Infelizmente apenas tenho os discos do jogo e suas caixas em jewel case, a big box o antigo dono já não a tinha.

Phantasmagoria A puzzle of Flesh - PC
Jogo com 2 caixas jewel case, 5 discos e o manual (embutido na capa)

Desta vez a nossa personagem é Curtis Craig, um jovem funcionário de uma empresa farmacêutica. E inicialmente lá andamos pelo escritório a conhecer as personagens, falar um pouco com as mesmas, ver os nossos e-mails e documentos de trabalho para nos contextualizar um pouco a coisa… Curtis tem uma namorada secreta na empresa, outra que o anda a assediar fortemente e o seu melhor amigo/colega de trabalho é gay, pelo qual ele se sente um pouco atraído (sim, Curtis é bi). Tudo business as usual, até que um colega de trabalho que Curtis nem gosta nada é brutalmente assassinado. A partir daí a história vai tomando uma componente psicológica muito forte, com os dramas de infância de Curtis a virem ao de cima, o facto de ter sido internado num hospital psiquiátrico, começar a ter alucinações horripilantes, mais assassinatos à mistura e relações sexuais fora do convencional.

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Agora cada acção é acompanhada de uma sequência em full motion video, ao contrário do anterior que mesmo assim apresentava os backgrounds pré-renderizados

Infelizmente a história deste Phantasmagoria ainda não é perfeita e por vezes nota-se bem que o jogo tenta ser polémico sem haver uma razão muito forte para isso. As cenas de sadomasoquismo, a bissexualidade de Craig ser levemente trazida à baila só porque sim e a recta final da história que é um plot twist surpreendente. Lembram-se da primeira vez em que viram o From Dusk Till Dawn e estarem a gostar bastante? Até que chega a uma altura em que aquilo se torna num filme de vampiros quase série B? Pronto, aqui acontece algo semelhante. Ah, e para os pervertidos de plantão, há boobies.

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Yup, there’s boobies.

A grande diferença que notamos neste jogo mal ele seja lançado é a diferença nos gráficos. Basicamente notamos uma melhoria na qualidade dos videos, tanto em resolução como em cores. E como o jogo tem “apenas” 5 CDs, a sua compressão é também melhor. Depois os cenários pré-renderizados do jogo anterior practicamente que desaparecem na sua totalidade. A esmagadora maioria dos cenários são baseados em fotos de cenários reais, onde a “sprite” das personagens estão constantemente a fazer movimentos de circunstância, apenas para dar mais algum dinamismo. Os controlos são os simples de um point and click e sempre que clicamos para Curtis se deslocar para algum lado ou efectuar uma acção (apanhar, investigar ou interagir com objectos, por exemplo), vemos uma cutscene em full motion vídeo de todos esses movimentos e diálogos. E a segunda coisa que imediatamente reparamos é que apesar deste Phantasmagoria não ter a qualidade de Hollywood nas representações dos seus actores, acaba por ser muito melhor que a do primeiro jogo. Mas nem tem comparação!!!

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…e cenas de S&M. Não é por acaso que este jogo foi banido em muito lado.

Mas infelizmente como jogo de aventura point and click, continua a deixar a desejar, pois oferece pouca variedade de coisas a fazer. O fluxo é sempre algo do género: acordar, falar com o rato de estimação, ir para o trabalho, falar com toda a gente e tentar ir a todo o lado na empresa, ver e-mails e documentos, sair do trabalho e ir a um restaurante, ou ao psicólogo, algum divertimento (ou não) durante a noite e repetir no dia seguinte. Os puzzles em si, para além de ter de adivinhar algumas passwords para aceder a documentos de outros users, são bastante dispersos e são um pouco idiotas. Logo no início do jogo esquecemo-nos da carteira em casa. Curtis vê que a mesma está debaixo do sofá. A solução lógica seria arrastar o sofá e pegar na carteira mas o que temos de fazer é soltar o rato debaixo do sofá e depois atraí-lo com comida, magicamente volta com a carteira… O puzzle final também é inesperado mas prefiro não o revelar.

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O gore também não podia faltar. E na recta final do jogo podemos morrer nalgumas destas cenas, a menos que cliquemos no sítio certo no momento oportuno.

No fim de contas, e apesar de continuar a achar que este jogo, tal como o primeiro Phantasmagoria, ganharam este estatuto de culto devido às cenas gore e às de cariz sexual, acaba por desiludir um pouco nas suas mecânicas de jogo e à forma em como a história é conduzida. De resto, tal como referi acima, há melhorias consideráveis no audiovisual. As músicas são na sua maioria ambientais e bastante tensas, as cutscenes têm uma qualidade bem melhor que o primeiro jogo e o acting também. Portanto, apesar de não ser perfeito, acho que já justifica a sua compra, especialmente se o acharem a um bom preço.

Echo Night Beyond (Sony Playstation 2)

Echo Night BeyondEsta foi a melhor “compra cega” que alguma vez fiz, pelo menos no que toca à Playstation 2. Algures durante o verão deste ano, numa das minhas idas à cash converters do Porto lá descobri este Echo Night Beyond a 3.5€. Olhei para a capa do jogo, pareceu-me interessante, virei a capa e olhei para a parte detrás, vejo a sinopse do costume e lá num cantinha estava o nome FROM SOFTWARE. Ora essa empresa para mim já tinha o meu completo respeito, mesmo antes desta “moda” à volta do Dark Souls ter surgido. Fizeram os competentes trading card RPGs Lost Kingdoms para a Gamecube, os óptimos Otogis para a Xbox e são também a empresa responsável pela impressionante série de dungeon crawlers Kings Field, que atravessou un 4 ou 5 jogos desde o seu lançamento inicial na PS1. Então acabei por trazer este jogo para casa e não me arrependi nada, pois a partir do momento em que o comecei a jogar, percebi que tinha em mãos uma das melhores hidden gems da consola.

Echo Night Beyond - Sony Playstation 2
Jogo com caixa e manual

O jogador encarna no papel de Richard Osmond que, em conjunto com a sua noiva, estavam a viajar pelo espaço num vaivém espacial. Infelizmente, por alguma razão misteriosa o vaivém colide com uma base lunar, provocando um grande número de vítimas. Richard acorda sozinho no shuttle, sem sinais da sua namorada. Ao explorar a estação lunar (que pelos vistos servia também de extracção mineira), não descobrimos nenhuns sobreviventes a não ser um misterioso andróide que pelos vistos até nos conhece. Tudo o que resta da base está deserto e abandonado e para piorar as coisas está repleta de fantasmas das pessoas que por lá morreram. Nessa nossa procura pela nossa noiva teremos de explorar toda a base e com isso vamos também descobrir alguns dos seus mistérios e o porquê de tanta vítima.

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A cutscene inicial é bem bonita

Echo Night Beyond tem umas mecânicas de jogo interessantes. O mesmo é todo passado na primeira pessoa, onde vemos o mundo pelo capacete do nosso fato espacial. Os fantasmas que vamos encontrando podem ser inofensivos ou bastante agressivos. Como os distinguir? Bom, tudo começa devido a um misterioso nevoeiro vir das entranhas da lua que traz uma aura maléfica qualquer e invadiu várias das salas da base lunar. Se tiverem de atravesar alguma sala ou corredor toda enevoada, façam-no com cuidado pois se surgir algum fantasma o único remédio é correr. Felizmente que em várias salas existem alguns controladores de ventilação que, após activados limpam as suas respectivas salas e corredores de qualquer nevoeiro. Após o fazermos, poderemos falar à vontade com os fantasmas, que estão presos na base lunar pois deixaram algo por fazer e cabe-nos a nós os libertar, ao procurar por objectos que eles precisem ou outras tarefas. E sim, ajudar os fantasmas é necessário pois muitas vezes após os libertarmos eles deixam cair alguns items essenciais para progredir no jogo, como chaves, cartões de segurança ou outros IDs que nos deixam ligar sistemas de ventilação.

Echo Night Beyond (3)
O jogo é bastante escuro, o que resulta muito bem para uma atmosfera tensa

Mas enquanto os fantasmas são agressivos, não há nada que possamos fazer para nos  defender a não ser correr e tentar ligar a ventilação o mais rápido possível, ou então escapar para uma zona segura. Uma das coisas que vemos sempre no ecrã é o nosso batimento cardíaco e quando somos perseguidos por um espírito maligno vemos o batimento cardíaco a aumentar constantemente. Se o deixarmos chegar a 300, puff… game over. Os “medkits” existem na forma de seringas que nos estabilizam o batimento cardíaco, mas as mesmas são escassas e o melhor a fazer é mesmo fugir para uma zona segura, onde o ritmo cardíaco voltará lentamente à normalidade. Felizmente existem as “monitor rooms“. Aqui, para além de podermos gravar o nosso progresso no jogo, podemos também controlar as câmaras de segurança daquela zona, algo crucial para descobrirmos onde estão os fantasmas ou localizações chave que temos de explorar.

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Fantasmas há muitos… curiosamente cadáveres é que não. Este é um androide, ou o que sobra.

Mas se há algo mau neste jogo, são sem dúvida os seus controlos. A From Software, talvez por ser um estúdio nipónico, nunca deve ter prestado atenção aos outros FPS que entretanto sairam para a PS2. Isto porque os controlos são maus e isso já acontece pelo menos desde o primeiro King’s Field. Apenas utilizamos um dos analógicos (ou o d-pad) para o movimento, carregando para cima ou para baixo faz-nos andar para a frente ou para trás, mas carregando para a esquerda ou direita faz-nos virar para essa direcção. O strafing e apontar para cima e para baixo é dado pelos botões de cabeceira, quando seria bem melhor usar um analógico para controlar a “câmara” e o outro o movimento. Mas isto não é o pior, pois é algo que nos vamos habituando. O pior é mesmo as secções em plena superfície lunar, com gravidade reduzida. Aí, o botão que antes servia para correr agora serve para saltar. Os passos que damos são extremamente lentos pelo que o instinto natural é saltar. E aí nos saltos já são mais rápidos mas infelizmente não os conseguimos controlar. A partir do momento em que saltamos temos logo o nosso destino traçado e não há nada a fazer. O que por mim até nem me incomodaria muito se não fosse a superfície lunar ter uns quantos desfiladeiros e se cairmos no buraco é game over e voltamos ao ponto onde fizemos save pela última vez. Existe um segmento em específico em que temos de saltar em 2 plataformas em movimento perpendicular enquanto atravessamos um penhasco. Esse sim, um autêntico momento de terror pois vamos morrer vezes sem conta.

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Os fantasmas inofensivos dão-nos algumas dicas do motivo pelo qual ainda estão aqui presos

De resto devo dizer que este é o melhor jogo de terror para maiores de sete anos que eu alguma vez já joguei. A atmosfera é sempre tensa e solitária, com os sustinhos do costume com objectos a cair subitamente ou fantasmas a aparecerem do nada. A nave é na sua maioria bem escurinha, pelo que utilizar a lanterna é uma necessidade, mas não um luxo, pois as baterias vão-se gastando. Graficamente é um jogo competente, toda a HUD do capacete espacial está bem pensada, bem como a estação espacial que é bem grandinha. Só não digo que o jogo tem os melhores gráficos de sempre pois existem melhores na consola. As músicas quando existem são mais atmosféricas, excepto a adaptação da Moonlight Sonata de Beethoven que cai que nem ginjas.

Tirando os seus problemas dos controlos, em especial o movimento e saltos em solo lunar que me causaram tantas dores de cabeça, este videojogo é sem dúvida uma das hidden gems da consola. A série Echo Night não é propriamente recente, os seus primeiros dois jogos tinham sido lançados para a Playstation 1 e apesar de serem igualmente na primeira pessoa, a sua temática era diferente. O primeiro Echo Night ainda chegou a solo americano, já o segundo apenas se ficou pelos japoneses. Estarei certamente atento à possibilidade de os importar se me surgir alguma vantajosa. De qualquer das formas este Beyond recomendo vivamente a sua compra. Parece que não é um jogo lá muito comum, mas pode ser que tenham sorte nas cashs e feiras que já vi pelo menos uns três.