Wipeout Fusion (Sony Playstation 2)

Wipeout FusionO desaparecimento algo recente da Psygnosis deixou muita tristeza, pois eram um dos meus estúdios europeus de eleição. E se por um lado o catálogo da Psygnosis ter sido bem mais abrangente antes da sua compra por parte da Sony, também não me posso queixar eles terem-se focado practicamente exclusivamente à série Wipeout depois dessa compra estar bem consolidada, pois são excelentes jogos e este Fusion não é uma excepção. O Wipeout Fusion foi um jogo que já mandei vir do ebay há uns aninhos, não me recordo ao certo quanto custou, sei que foi bem barato e está completo e em bom estado.

Wipeout Fusion - Sony Playstation 2
Jogo completo com caixa, manual e papelada

Tal como muitos outros jogos da série, existe uma história qualquer a correr em background neste jogo, colocando as várias equipas e pilotos em acesas rivalidades. Podemos ter uma ideia desses conflitos ao ler o manual, mas sejamos honestos, ninguém joga Wipeout pela sua história. Tudo o que precisamos de saber é que iremos correr em corridas futuristas a alta velocidade, com naves antigravidade e por circuitos repletos de obstáculos, curvas apertadas, loopings, saltos e por aí fora. Inicialmente podemos temos apenas à nossa disposição poucos pilotos, naves, circuitos e modos de jogo para experimentar. Tudo o resto vai ter de ser desbloqueado à moda antiga, a dar durinho em todos os modos de jogo para ir desbloqueando o restante conteúdo. Mas vou já dar uma ideia do que nos espera neste Fusion.

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Infelizmente os menus não seguem o mesmo design genial do jogo anterior

O modo arcade deveria dispensar quaisquer apresentações nesta altura do campeonato. Aqui basta escolher a equipa, piloto, nave, circuito e a nossa preocupação seguinte é só chegar em primeiro lugar e ganhar a respectiva medalha de ouro. O AG League é o modo de jogo principal e o que nos irá tirar mais horas de sono. Aqui competimos em várias “ligas” de número de circuito variável. A ideia é tentar chegar sempre nas primeiras opções e ir ganhando dinheiro para o gastar em upgrades na nossa nave. Ocasionalmente seremos desafiados para uma corrida de desafio por um determinado piloto de outra equipa e se o vencermos, teremos acesso a essa equipa e às suas naves, geralmente mais poderosas. O Challenge Mode consiste também numa série de desafios diferentes a cumprir para cada equipa. Esses desafios podem ser corridas um a um, de eliminação, time trials, entre outros. Ser bem sucedido nestes desafios acaba por nos ir desbloqueando algumas armas bastante poderosas, mas exclusivas à equipa em questão.

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Há também uma maior variedade de naves a escolher e armas paa usar

O Zone Mode é uma das novidades deste Wipeout Fusion e consiste numa espécie de survival como nos jogos de luta 2D. Somos deixados a conduzir num determinado circuito, mas com os escudos em baixo. A ideia é sobreviver o máximo de tempo possível sem sofrer muito dano. Temos ainda o Time Trial que dispensa quaisquer apresentações, consistindo em tentar obter o melhor tempo possível nos circuitos à escolha. Por fim temos ainda o Multiplayer, que nos dá versões para 2 jogadores dos modos Arcade, AG League e Custom League, onde podemos escolher quais os circuitos que lhe fazem parte. Como podem ver, variedade e conteúdo para desbloquear é coisa que não falta. A fórmula Wipeout parece-me igual a si mesma, com as suas corridas frenéticas e nós a ter de ter uma atenção redrobada com os air brakes para as curvas apertadas e tirar o melhor partido das armas que nos vão saindo na rifa. Infelizmente a inteligência artificial dos oponentes é desta vez muito mais impiedosa e irá usar sem qualquer remorso armas bastante poderosas que nos fazem parar durante alguns longos segundos, o que irá causar muita frustração. Mas é uma questão de preserverança! Uma das coisas que sinceramente não me recordo se já existia no Wip3out era o facto de podermos inverter a câmara para mostrar quem nos vem a perseguir. Claro que temos de usar isto por meras fracções de segundo, pois o risco de embater em alguma parede ou mesmo sair fora da pista é sempre considerável.

Wipeout Fusion (3)
Graficamente é um jogo bonitinho para a época.

Graficamente é um jogo bem bonitinho, tendo em conta o ano de 2002 e ser para uma Playstation 2. Os circuitos vão ser bastante variados entre si, apresentando as já habituais pistas urbanas, industriais, ou em zonas mais naturais como áreas mais desertas e repletas de areia, outras aquáticas, ou mesmo zonas de construção com os circutos inacabados. Outra coisa que gostei foram os efeitos de partículas, como as areias a serem sopradas pelos motores, ou a chuva que pode cair de vez em quando. Ainda assim, por vezes o jogo é rápido demais para conseguir apreciar isto e estar com atenção ao que estamos a fazer, mas faz parte do género. No que diz respeito à banda sonora, a mesma é o que estamos habituados. Para quem gostar de música techno, isto é um prato cheio! E mesmo para quem não é o maior apreciador do género, como é o meu caso, acabaram por me agradar bastante e sem dúvida assentam perfeitamente no estilo.

No fim de contas, este Wipeout Fusion é mais um óptimo jogo de corridas futuristas. Acho que a única razão de queixa mais forte que tenho é devido ao facto da inteligência artificial ser muito mais implacável e usar todas essas armas poderosas contra nós sem nenhuma piedade. Fora isso, é mais um excelente jogo para quem gosta do género. Tenho pena que não tenha tido o mesmo reconhecimento que os 3 primeiros da era 32bit, pois os Wipeout que lhe seguiram já foram pensados de raíz para a PSP, com os resultados a serem um pouco diferentes. Mas isso será falado mais tarde.

Costume Quest (PC)

Confesso que o trabalho de Tim Schaffer na Double Fine me tem vindo a passar algo ao lado. O Brutal Legend é um jogo que eu tenho a certeza que vou gostar, quanto mais não seja pela sua temática e o Psychonauts acabou por se revelar uma excelente surpresa, sendo um óptimo jogo de plataformas em 3D, com um sentido de humor muito peculiar e personagens bastante cartoonescas. Infelizmente ambos os jogos não tiveram grande sucesso comercial, pelo que os jogos seguintes da Double Fine terem sido jogos mais pequenos e em formato digital. Este Costume Quest é um dos primeiros jogos a serem lançado neste formato pela Double Fine e tal como muitos outros entrou na minha conta steam após ter sido comprado por uma bagatela num dos humble bundles.

Costume Quest - PC

E então em que consiste este Costume Quest? É um pequeno e fofinho RPG centrado no Halloween e na aventura de um grupo de crianças. As personagens principais são os irmãos gémeos Raymon e a menina Wren, novos no bairro de Autumn Haven. De forma a fazer novos amigos, os pais pedem-lhes que vão saiam para a rua e aproveitem o halloween, batendo às portas de todos os vizinhos e pedir doces ou travessuras e fazer novos amigos entretanto. Mas o que seria inicialmente uma noite pacífica, depressa se torna num pesadelo, com um dos irmãos a ser raptado por um estranho monstro devido ao seu disfarce se assimilar a um doce. Depois vamos vendo que de facto existem vários desses monstros, tanto nas casas como nas ruas, todos eles com a missão de roubarem o máximo de doces possível. O porquê vamos descobrindo ao longo do jogo, para já a preocupação é mesmo salvar o nosso irmão e chegar a casa antes da hora de ir deitar.

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As expressões faciais das personagens fazem-me lembrar o Wind Waker

Costume Quest é um jogo infantil sim, mas num bom sentido. Tudo aqui é simplificado, tanto nas batalhas, como na exploração, quests e customizações, mas não deixa de ser um jogo bastante original. Visto “de fora”, os disfarces das crianças são bem “fofinhos” e pequeninos, mas ao transitar para dentro das batalhas em si, então esses disfarces aparecem com um look bem mais “cool” e gigantesco, mesmo como uma criança se imaginaria ao vestir uma coisa daquelas. Por exemplo, o fato de robot que nos é dado no início para a personagem principal, visto de fora parece algo feito de cartão e às 3 pancadas, mas nas batalhas quase que parece que estamos a controlar um imponente Megazord. Ao longo do mesmo vamos encontrando mais amigos (para uma party de no máximo 3 personagens), sendo que cada um deles tem também um disfarce inicial. Mas iremos encontrar muitos outros disfarces que podemos alternar livremente entre todas as personagens, cada qual com suas respectivas características em batalhas.

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Dentro das batalhas, os mesms disfarces das personagens ganham proporções épicas

Nas batalhas podemos atacar ou fugir. Mas também temos um ataque especial que depende de uma barrinha de energia que se vai enchendo com o passar de cada turno. E são esses golpes especiais que de facto diferem uns disfarces de outros. Esses especiais tanto podem ser ataques bastante fortes ou de grupo, como magias de suporte como curar, aumentar defesa ou ataque dos inimigos, por exemplo. Mas fora das batalhas cada disfarce tem também uma habilidade própria, como os patins do robot que nos permitem mover rapidamente e saltar em rampas, ou o escudo do disfarce de cavaleiro que nos protegem contra certas coisas de nos cairem em cima, a lanterna do fato de astronauta que ilumina sítios escuros e que de outra forma não poderiam ser atravessados, entre muitos outros. A party partilha os mesmos pontos de experiência, logo sobem todos de nível ao mesmo tempo e a única forma de realmente customizarmos cada um, é através dos patches que podemos cozer nos disfarces. Apenas podemos equipar um, mas existem patches para todos os tipos de estratégia. Uns que nos aumentam os pontos de vida, outros a defesa ou ataque, outros que nos regeneram alguma vida no final do turno e por aí fora.

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Este minijogo acompanha-nos ao longo de toda a aventura e consiste em comer um certo número de maçãs (saudáveis) num curto intervalo de tempo

O jogo não é nada difícil, até porque se perdemos uma batalha a podemos tentar novamente sem qualquer penalização e no final a nossa saúde é sempre regenerada. Ainda assim, dada toda a simplicidade poderemos vir a ter algumas dificuldades uma vez ou outra, mas é uma questão de escolhermos os targets certos, por exemplo, matar primeiro os inimigos com a capacidade de se curarem a eles mesmos ou aos seus companheiros. Mas há algo ainda mais a ter em conta, e isso foi para mim o que menos gostei. Apesar de todas esta simplicidade nas batalhas, cada golpe que queiramos fazer (excepto os especiais) tem alguns QTEs envolvidos. Carregar repetidamente numa série de teclas, carregar numa tecla específica, por vezes num específico e curto intervalo de tempo. Os mesmos QTEs podem ser feitos para defender dos golpes inimigos. Eu como nunca fui grande fã destas mecânicas de jogo, não me agradaram. De resto temos também várias sidequests para ir jogando, se bem que muitas delas acabam por ser obrigatórias para progredir no jogo. Com um bocadinho de paciência, consegue-se explorar facilmente todos os territórios e completar todas as sidequests.

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Grubins on Ice é um DLC gratuito com uma nova história, novos disfarces e outras pequenas novidades

Graficamente é um jogo bastante colorido e com um estilo artístico muito peculiar e cartoonesco, como Psychonauts o foi, mas com um design diferente. Os diálogos são todos mostrados como balões de banda desenhada, e se para alguns é necessário carregar na tecla espaço para avançar, noutros (em especial nas cutscenes) temos mesmo de esperar algum tempo para os mesmos avançarem. Seria bom manter o espaço para se poder avançar mais rapidamente. As músicas são bastante alegres e festivas, cumprem bem o seu papel. Infelizmente, e apesar de ser um jogo bastante simples, a sua performance não é a melhor e tive um ou outro slowdown, ao contrário do que eu estaria à espera.

Costume Quest é um jogo bastante interessante e original. Apesar da sua simplicidade para qualquer fã de RPGs, não deixa de ser um título muito interessante a se experimentar. Existe um DLC gratuito que nos coloca numa outra aventura no mundo dos monstros e que facilmente nos dá mais um par de horas de diversão, e não é à toa que a Double Fine lançou recentemente uma sequela deste mesmo jogo.

Viewtiful Joe 2 (Nintendo Gamecube)

Viewtiful Joe 2Já há muito que não escrevia nada sobre o Viewtiful Joe, apesar de já ter o Red Hot Rumble há bastante tempo em fila de espera. O VJ2 era um jogo que já estava na minha wishlist de Gamecube há bastante tempo, mas nunca o tinha encontrado a um preço razoável, a menos que o quisesse comprar para a PS2. Mas um dia lá recebi um voucher de 10£ para gastar no ebay e quando fiz uma pesquisa por alguns jogos relativamente comuns mas que teimavam em ter um preço algo exagerado, lá me deparei com este Viewtiful Joe 2 americano, completo e em óptimo estado, por cerca de 8 libras mais portes, que na verdade acabou por ser metade disso devido ao voucher utilizado.

Viewtiful Joe 2 - Nintendo Gamecube
Jogo completo com caixa, manuais e papelada. Versão norte-americana.

Ora o primeiro Viewtiful Joe foi um produto de uma onda criativa que aparentemente abandonou a Capcom destes últimos anos. Um dos Capcom Five, o Viewtiful Joe, a par de jogos como o Killer 7, P.N. 03, Dead Phoenix (cancelado) e Resident Evil 4 seriam uma série de jogos novos e exclusivos para a Gamecube, uma parceria muito interessante entre a Capcom e a Nintendo que, como todos sabemos, acabou por não dar em nada pois de todos esses jogos apenas o P.N. 03 se manteve exclusivo. Mas de qualquer das formas todos eles eram jogos super interessantes e o Viewtiful Joe era sem dúvida um dos que chamava mais a atenção, pelos seu conceito original e jogabilidade bem desafiante.

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Desta vez Sylvia não é nenhuma dama em perigo e até põe Joe no lugar se se portar mal.

E este é uma sequela directa do primeiro jogo, sendo passado mais uma vez na Movieland e ao longo de vários “filmes” que nos vão contando a história. A Terra foi invadida por uma raça extraterrestre e desta vez não é Sylvia a ser raptada, mas sim Blue, seu pai. Então Joe mais uma vez transforma-se no super-herói de capa cor-de-rosa Viewtiful Joe e parte à aventura, ao distribuir pancada por todos os lados e atravessar cenários que nos fazem lembrar bastante alguns filmes bem conhecidos. A história ao longo do jogo acaba por se tornar bastante cheesy, mas isso é propositado pois tal como o primeiro jogo este é uma sátira a muitos filmes de acção e outros programas do género dos Power Rangers.

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Mais uma vez podemos usar as habilidades especiais de Slow, Mach Speed, Zoom e não só.

Devo dizer que não há assim grandes novidades neste jogo, a não ser o facto de Sylvia ser uma personagem jogável e podemos alternar livremente entre ambos com um único botão. Sylvia é melhor para ataques de longo alcance, visto usar os seus revólveres ao invés dos punhos. Uma das coisas que tornou o Viewtiful Joe original num jogo de sucesso foram as habilidades especiais. Para além da nossa barra de vida (medida em corações), temos logo abaixo uma barra de energia diferente, os VFX. Ora é com esta barra de energia que conseguimos usar algumas dessas habilidades especiais, como os Slow, Mach Speed e Zoom, herdados do primeiro jogo. O primeiro faz com que a acção decorra em câmara lenta, permitindo-nos dar golpes mais poderosos nos nossos inimigos. Mach Speed é precisamente o inverso, tornando tudo frenético mas também nos permite executar uma série de combos bem grandinhos. Esta habilidade é exclusiva de Joe. Zoom, tal como o nome indica, amplia a imagem mostrando o nosso herói em grande plano, permitindo-nos desencadear alguns golpes mais elaborados. Deve ser utilizada em conjunto com o Slow para melhores resultados! A nova habilidade é o Replay, desta vez exclusiva de Sylvia. Como o nome indica, esta habilidade faz o replay de golpes que tenhamos dado nalgum inimigo, repetindo-os umas 2 ou 3 vezes. No entanto a mesma também se pode virar contra nós, pois o dano sofrido também é repetido o mesmo número de vezes.

Viewtiful Joe 2 (3)
Nem sempre basta derrotar todos os inimigos no ecrã para progredir no jogo. Também temos alguns pequenos puzzles para resolver.

O jogo esta divido em vários níveis, onde a nossa prestação vai sendo recompensada entre cada secção com combates/puzzles, bem como receberemos uma avaliação geral no final de cada nível. Quantos mais pontos recebermos melhor, pois os poderemos gastar numa espécie de loja que só costuma ser acessível nestas situações. Aqui podemos trocar pelos pontos angariados, diversos novos golpes e habilidades, tanto para Joe ou Sylvia, ou mesmo upgrades de saúde ou da barra de energia VFX. Infelizmente ao chegar ao final do jogo não recebemos o mesmo género de desbloqueáveis como se recebia no primeiro Viewtiful Joe. Desbloqueamos novos e cada vez mais difíceis graus de dificuldade, bem como várias Chambers, que são pequenos segmentos jogáveis onde temos algumas missões específicas e podemos também por em práctica as nossas habilidades.

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Os visuais continuam bem bonitinhos, mas sempre com uma atmosfera algo “noir” que me agrada bastante

No campo do audiovisual não houve grandes mudanças. O que chama logo à atenção em Viewtiful Joe são mesmo os seus gráficos bonitinhos num cel shading que por vezes me fazem lembrar certas bandas desenhada americanas da década de 80. Tal como referi acima, os diálogos continuam bastante cheesy, mas isso é mesmo algo propositado, pois em qualquer clone de power rangers e afins também o eram. As músicas também mantêm a mesma linha de J-Rock e J-Pop e se por um lado não posso dizer que sejam muito memoráveis, por outro também não me desagradaram de todo.

Viewtiful Joe 2 é mais um bom jogo da Capcom e, tal como o primeiro é um jogo divertido de se jogar, mas também bastante exigente por vezes, exigindo-nos alguma disciplina. Talvez por isso não tenham sido jogos que venderam muito, pois mesmo com a Capcom a quebrar o acordo que tinha com a Nintendo e lançando estes jogos na PS2, não se gerou interesse suficiente para se fazer o planeado terceiro jogo da saga principal, o que é pena. Por outro lado, também sinto que as novidades trazidas neste jogo poderiam ser melhores, como um modo para 2 jogadores cooperativo, mais personagens desbloqueáveis, e alguns vilões mais carismáticos, que aqui ficaram uns furitos abaixo. Ainda assim como já referi por várias vezes não deixa de ser um óptimo jogo.

Super Mario Advance (Nintendo Gameboy Advance)

Super Mario AdvanceO artigo que trarei cá hoje será mais uma rapidinha por duas razões. A primeira, e principal, é porque o tempo está curto. E este é um remake de um dos jogos clássicos de Mario que no início sempre desgostei, mas actualmente acabou por crescer e se tornar num dos meus preferidos. E isso leva-me à segunda razão pela qual este será um artigo curto. Faço questão de ter o original de NES mais tarde ou mais cedo, e aí entrarei em maiores detalhes. De resto, este cartucho entrou na minha colecção algures nos meses passados, após ter sido comprado na cash converters de Alfragide por 4€.

Super Mario Advance
Jogo, apenas cartucho

Como muitos de vocês já devem saber, aquele jogo que nós ocidentais conhecemos como Super Mario Bros 2 é na verdade uma adaptação de um outro jogo japonês (Doki Doki Panic) que por sua vez também teve a mãozinha da equipa de Myiamoto no seu design. O verdadeiro Super Mario Bros 2 utilizava a mesma engine do original e era considerado muito difícil pela Nintendo Americana, pelo que acabamos antes por receber essa versão. O SMB2 original lá acabou por nos chegar na compilação Super Mario Allstars para a SNES, como Super Mario Bros. Lost Levels. Por alguma razão, a Nintendo decidiu ressuscitar esse jogo antigo e único no catálogo do canalizador bigodudo para o lançamento da sua portátil 32bit Gameboy Advance, com o nome de Super Mario Advance. Infelizmente tenho bastante pena que toda a linha “Advance” dos Super Mario tenha sido preenchida com conversões de jogos já existentes, e não tenha existido nenhum Super Mario Land novo, mas isso já seria outra conversa.

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Bowser? Quem é esse?

As grandes diferenças face ao original da NES ou mesmo ao remake da SNES estão nos gráficos bastante coloridos, algumas sprites gigantes, novos inimigos e bosses, e eventualmente alguns tweaks nos níveis já existentes. A sua jogabilidade mantém-se aparentemente inalterada: podemos jogar com Mario, Luigi, Peach (porque o nome Toadstool já era) ou Toad. Cada um tem algumas características próprias, como os saltos mais altos de Luigi ou Peach a poder deslizar pelo ar com o seu guarda-chuva. Para derrotar os inimigos, não basta saltar em cima deles (embora o possamos fazer sem causar dano nenhum), mas sim pegar em objectos e atirar para cima deles. Desde vegetais no chão, caixas ou mesmo outros inimigos, tudo pode ser usado! O facto de este ter sido um jogo tão diferente da fórmula normal de Super Mario desagradou-me, mas com o tempo aprendi a gostar (e bastante!) deste jogo.

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Uma das novidades deste jogo são mesmo as sprites grandes de alguns inimigos ou itens

Existe também um modo de jogo que desbloqueamos no final do jogo, o Yoshi’s Challenge. Aqui o objectivo consiste em descobrir 2 ovos de Yoshi escondidos em cada nível. Depois temos ainda também um remake do Mario Bros. original, aquele jogo arcade onde tudo decorre num único ecrã e é a origem do conceito de Mario se enfiar por tubos de canalização. Por algum motivo, a Nintendo achou boa ideia incluir este jogo em todos os outros Super Mario Advance, o que a meu ver não é assim nada de tão especial.

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O Mario Bros. original também recebeu uma nova roupagem

Ainda assim, acho este um excelente remake de um jogo de plataformas clássico que já teria caído algo no esquecimento. É uma excelente entrada na biblioteca da Gameboy Advance, que reafirmo, só tenho pena que a mesma não tenha recebido um jogo de plataformas de Mario inteiramente original. Felizmente temos os Wario Lands, mas isso seria conversa para outro artigo. E o original de NES também.

Pokémon Blue (Nintendo Gameboy)

Pokemon BlueEm vez do Pokémon Blue, gostaria antes de estrear uma rubrica sobre a famosíssima série de RPGs da Nintendo com o Pokémon Yellow. Isto por uma razão muito simples. Antes de as animações de Pokémon terem chegado ao nosso país, eu não gostava de RPGs. Bastava jogar uns 5 minutos daquilo que me fartava logo de tamanha lentidão, pelo que me deixei sempre ficar com os meus platformers, first person shooters e outros géneros com mais acção. Mas com a moda de Pokémon a tomar Portugal inteiro de assalto, e consequentemente os seus 3 jogos de Gameboy a receberem excelentes pontuações em todo o lado, resolvi finalmente embrenhar-me nesse mundo dos RPGs nipónicos que outrora foram tão estranhos para mim. Não o fiz unicamente com o Pokémon Yellow, mas também com o Phantasy Star IV na Mega Drive (adorava aquelas cutscenes anime) e o Chrono Trigger, por ter Akira Toryiama como designer das personagens. A partir daí passei a gostar bastante de RPGs japoneses e muito mais tarde, passei também a gostar dos “nossos” RPGs mais maduros e complexos. Mas enquanto não tenho um cartucho do Pokémon Yellow na minha gaveta (oportunidades não faltaram, eu é que vivia num mundo de fadas onde achava que facilmente conseguiria comprar qualquer jogo de Gameboy completo a um bom preço), deixei-me desleixar. Até que vi este Pokémon Blue a 4€ na Cash converters de Alfragide e o levei para casa. Era só o cartucho, mas eventualmente acabei também por encontrar numa loja do porto a caixa e os manuais por um preço irrisório.

Jogo completo com caixa, manual e papelada

Isto tudo para dizer que eventualmente quando arranjar um Red ou Yellow, não me irei alongar nos seus artigos, este acabará por ser o principal para representar essa primeira geração do fenómeno que ainda são os Pokémon. Reza a lenda que o pessoal da Gamefreak encontrou a sua inspiração para este jogo com as brincadeiras de infância que tinham ao procurar e coleccionar diferentes insectos nos quentes verões japoneses. Eventualmente a ideia de fazer um jogo deste género surgiu, mas não se deixaram ficar unicamente com insectos (se bem que isso não impediu a Sega de o fazer já neste milénio com os seus MushiKing), pelo que a Gamefreak deu azo à sua imaginação, apresentando-nos um set de 151 diferentes criaturas dos mais variadíssimos géneros para serem coleccionadas. Tanto “mamíferos”, como peixes, aves, insectos, plantas e até fantasmas fazem parte deste elenco. Os animais podem ser catalogados em diferentes tipos, como os elementais básicos de fogo, terra, água e ar, mas também outros como os eléctricos, rocha, neutros ou outros bem mais extravagantes, como os psíquicos, fantasmas e dragões. Todos estes tipos de pokémon possuem fraquezas ou vantagens perante outros tipos e isso é um factor determinante em todas as batalhas que travamos.

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Sempre gostei destas pequenas cutscenes de abertura.

Como RPG, Pokémon não é um jogo propriamente complicado, até porque o seu público alvo é o infantil. No entanto também consegue ser bastante complexo na sua comunidade mais hardcore. Isto por vários motivos: cada Pokémon apenas pode aprender 4 golpes para usar em batalha. Com a experiência e níveis ganhos ao longo do jogo, cada bichinho aprende bem mais do que 4 golpes, pelo que teremos necessariamente de escolher para descartar se quisermos aprender o golpe novo. Para além disso, existem vários golpes que os podemos comprar em lojas e ensiná-los aos bichos, aumentando ainda a componente estratégica. Ao longo do jogo em si nunca precisamos de nos preocupar muito com isto, mas nas batalhas multiplayer, ter os mesmos Pokémons mas com diferentes técnicas poderá realmente fazer a diferença. Depois apenas podemos carregar com 6 pokémons de cada vez, podendo trocá-los entre si livremente nas batalhas, com o custo de um turno. Para além disso, alguns Pokémons evoluem para outros Pokémons mais fortes, como por exemplo o Charmander, Charmeleon e Charizard serem 3 evoluções da mesma “espécie”. Mas podemos optar por não os deixar evoluir, o que por sua vez também pode trazer as suas vantagens.

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O número de pokémons que os nossos oponentes têm é variável, mas nunca lutamos contra mais de 6.

Mas na verdade, em que consiste o jogo? Até agora só disse que existem 151 Pokémons, divididos nos seus tipos e possíveis evoluções, bem como podem andar à pancada entre eles. Nós encarnamos numa criança que desde muito pequeno sonha em viajar pelo país fora, conhecer o máximo de Pokémons e tornar-se a si mesmo num treinador de Pokémon de referência. Então a nossa mãe acha isso uma boa ideia, não estranhando nada quando um adulto (Professor Oak) nos entrega uma Pokedéx (um catálogo/enciclopédia portátil sobre todos os Pokémon conhecidos), um Pokémon inicial à escolha (Charmander – fogo, Bulbasaur – erva ou Squirtle – água) e nos manda viajar pelo país, procurando descobrir e catalogar todos os Pokémons conhecidos. Mas não estamos sozinhos nesta aventura, pois Gary, um outro puto ranhoso com os mesmos sonhos também recebe a mesma “missão”, tornando-se nosso rival até ao final da aventura. Gary por sua vez escolhe sempre o Pokémon que é forte perante o nosso, por exemplo, Charmeleon se tivermos escolhido o Bulbasaur.

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Tendo em conta o público alvo, a história e bem levezinha.

O resto do jogo é então passado literalmente a atravessar o país todo em busca de aventura, derrotar todos os gym leaders de certas cidades e finalmente vencer os Elite Four, o conjunto de melhores treinadores Pokémon que iremos defrontar. Pelo meio temos sempre alguma história, até porque há por aí uns certos vilões a fazer das suas, bem como várias batalhas contra outros NPCs espalhados pelas estradas, cavernas e rios que interligam as várias cidades. Mas tão ou mais importante que isso é mesmo o coleccionismo destas criaturas. A maioria dos Pokémons podem ser encontrados nas cavernas, ervas altas nos caminhos normais ou na água, sendo alguns bem mais raros que outros, o que nos levará a gastar muitas horas em batalhas aleatórias até que nos apareça o Pokémon que desejamos. Mas o grinding também não é mau, pois deixa-nos mais fortes. O truque para os apanhar consiste em enchê-los de pancada até estarem quase a desmaiar, depois usamos um item específico  (a pokébola) para os capturar. Alguns Pokémons mais fortes exigem pokébolas mais caras para uma maior probabilidade de captura e alguns o melhor mesmo é adormecê-los ou paralizá-los, pois têm uma maior tendência para fugirem das batalhas. Mas podemos apanhar todos os 151 Pokémons assim? Não, nem por sombras. Alguns, os lendários, apenas aparecem em sítios específicos, outros como o Mew, são tão secretos que apenas se podiam “apanhar” oficialmente em eventos da Nintendo.

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Através da SNES (ou simplesmente jogando-o numa gameboy color), o jogo torna-se mais colorido.

Mas muitos outros pura e simplesmente não existem neste jogo. A Nintendo deu uma jogada de génio para nos sugar o máximo de dinheiro possível: lançar duas versões do mesmo jogo! Há Pokémons que aparecem só nesta versão, enquanto outros só aparecem na Red. A maneira de os ter é trocando-os com os amigos que tenham o outro jogo, bastando para isso sermos donos do cabo que interliga as duas portáteis. Alguns Pokémons até só evoluem se forem trocados com os amigos! Para além disso, os 3 Pokémons que podemos escolher inicialmente são únicos em cada partida, pelo que apenas podemos deitar as mãos aos outros 2 (e suas evoluções) ao trocar com alguém. Para mim, essa foi mesmo a jogada de génio da Nintendo, embora a minha carteira não tenha a mesma opinião.

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Entre outras coisas, a Pokédex dá-nos informações sobre os pokémon que apanhamos.

Os audiovisuais são bons tendo em conta que nos estamos a referir a uma Gameboy clássica. As sprites são bem detalhadas, embora os Pokémon ainda não tenham exactamente o mesmo design como visto no anime. Convém também referir que este é dos jogos com suporte ao acessório Super Gameboy, permitindo-nos jogá-lo com algumas cores por intermédio da nossa SNES. As músicas também são todas bem compostas e alegres e a música título é mais um dos clássicos hinos da Nintendo, que tem sido reaproveitada ao longo dos restantes jogos da saga.

Sinceramente acho este um dos jogos essenciais numa qualquer colecção de Nintendo Gameboy. Não é preciso ser-se um fanático de Pokémon (eu definitivamente não sou) para se entender que este jogo é um clássico absoluto e com um sucesso inteiramente merecido pela sua fórmula então original. Agora se justifica o lançamento de tanta sequela com poucas mudanças no seu core? Bom, isso já é outra discussão.