Space Gun (Sega Master System)

SpaceGun-SMSVamos lá para mais uma rapidinha just because of reasons. Eu adoro a Sega Master System e tenho uma wishlist muito bem definida para ficar bem satisfeito com a minha colecção para esta plataforma. No entanto, como é uma consola bem especial para mim, acabo sempre por ser mais abrangente e cá vêm parar uma série de jogos que por algum motivo lá teria um ou outro detalhe que me interessa, ou achei curioso. Este Space Gun era um desses, embora a minha memória tenha-me pregado uma valente partida. Foi um jogo comprado a um particular por cerca de 7€, se não estou errado.

Space Gun - Sega Master System
Jogo com caixa e manuais

A história é o cliché habitual em videojogos deste género: uma nave espacial gigante envia um pedido de socorro, ao qual um soldado que andava a passear pelas imediações acude e é esse mesmo soldado com o qual jogamos. Ao lá chegarmos vemos que a nave foi invadida por extraterrestres, alguns humanos estão por lá escondidos e claro, temos logo de dizimar todos os bicharocos e resgatar o máximo de sobreviventes possível. Quaisquer semelhanças com Alien são mera coincidência.

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Infelizmente não é um jogo tão rápido quanto o original, o que seria mais ou menos expectável.

Depois cá está: o original da Arcade parecia-me ser um jogo espectacular, com gráficos bem detalhados e mesmo que seja um bocadinho clone de Alien pareceu-me ser muito porreiro. O pouco que tinha jogado da versão Master System anteriormente também me deixou com boa impressão, pois achei o jogo bem detalhado. Mas a minha memória pregou-me uma grande partida, pois apesar de os monstros estarem bem detalhados, as suas animações ficaram mesmo horríveis, com dois ou três frames apenas. Terão sido as cutscenes entre cada nível que me tenham iludido há uns anos atrás? Pois essas continuo a gostar! Já as músicas achei um pouco monótonas, não compreendi muito bem de o objectivo era o de fazer um jogo “all guns blazing” ou algo mais tenso e com suspense. É que a nível de acção as coisas são bem lentinhas… e mesmo o plano do jogo alternar entre um scolling horizontal e um mais “3D”, nunca há assim muita coisa a acontecer. Ao contrário da versão arcade que sempre me pareceu bem porreirinha!

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Este é daqueles jogos bonitos em screenshots, mas depois deixa bastante a desejar quando o vemos em movimento

A jogabilidade é bastante simples, o objectivo é mesmo disparar contra tudo o que mexa, menos contra os humanos, esses contam como sobreviventes resgatados. Excepto aqueles que se transformam em aliens, claro que esses terão um destino diferente. Eventualmente lá apanhamos alguns power-ups como vários tipos de explosivos, ideais para se usarem em bosses. Aliás, ideais para se usar no último boss que foi de longe a coisa mais lixada em todo o jogo. E eu joguei apenas com o gamepad, calculo que com uma Light Phaser (que ainda não possuo) as coisas fiquem mais interessantes.

Mas ainda assim há aqui algo de muito curioso nesta versão do Space Gun e acaba por ser essa uma das razões pelas quais até gostaria de o ter. Porque raios, de todas as plataformas existentes no mercado no ano de 1992, foi a Master System a única consola caseira a receber uma conversão deste jogo? O mesmo existe também para uma série de computadores, mas consolas propriamente ditas foi apenas a Master System que o recebeu na sua altura. Talvez os monstros que são a Sega Menacer ou a Super Scope 6 terão influenciado? Nunca o saberemos. No fim de contas, para mim este é um daqueles jogos que apenas recomendo aos fãs mais hardcore de shooters de light gun, bem como a coleccionadores ávidos de Master System. Em screenshots até que é uma versão bonita, mas a Master System consegue fazer melhor.

Road Avenger (Sega Mega CD)

Road AvengerCá estou eu para mais uma rapidinha, desta vez a um jogo da Mega CD, um addon para a Sega Mega Drive que eu ainda não tenho, mas que tenho um carinho muito especial por essa plataforma mal amada por muitos. O jogo que trago cá hoje é o Road Avenger, um dos muitos videojogos baseados em sequências de full motion video existentes no sistema, um panorama normal em todos os sistemas de videojogos que lessem CDs naquela época. Afinal, o FMV era o futuro! Este meu exemplar foi comprado a um particular por 5€, está completo e em bom estado.

Road Avenger - Sega Mega CD
Jogo com caixa e manual

Quando estava a fazer a minha pesquisa adicional para escrever este meu artigo aprendi algo de novo. Tinha a ideia que este era um jogo novo da Wolfteam mas não, esta é uma conversão do Road Blaster da Data East, lançado para sistemas de laserdisc em 1985, na mesma época de outros clássicos como Dragon’s Lair. Então já estão a ver mais ou menos do que este jogo se trata, conduzimos um mega-carro a altas velocidades por estradas, esplanadas, centros comerciais, desfiladeiros e não só, combatendo uma série de bandidos também a alta velocidade e teremos de carregar numa série de botões a todos os momentos para não sofrermos nenhum acidente.

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Muitas vezes o jogo coloca-nos em situações impossíveis, mas é só pressionar no botão que aparece no ecrã e está tudo bem.

Mas ao contrário do Dragon’s Lair onde saber o que fazer e quando sempre foi um mistério dos deuses para mim, aqui vamos tendo indicações no ecrã dos botões que temos de carregar, sejam direcções, acelerar, travar ou atacar. Portanto basicamente isto é um quick time event de cerca de 20 minutos se fizermos sempre tudo bem. Como vamos andando a ziguezaguear, travar e acelerar constantemente, as acções que o jogo nos pede para fazer até se adequam bem ao que vamos vendo no “filme” e apesar de se falharmos algum desses botões o carro espeta-se e teremos de recomeçar nalgum checkpoint lá para trás, mas ter as indicações no ecrã acaba mesmo por ser uma grande ajuda e livra-nos dessa frustração. Claro que podemos jogar no hard e não ter nenhuma destas indicações, mas a única vantagem que eu veria aí é não ter o “bip-bip-bip” irritante a tocar cada vez que aparece no ecrã a indicação do que teremos de fazer. Ou seja, a cada 5 segundos ou menos.

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Muitos peões vamos por em perigo!

Mas porque raio andamos assim feitos maluquinhos pela estrada fora a perseguir bandidos? Bom, a nossa personagem é um polícia que a certa altura é atacado por um grupo de bandidos e a sua noiva acaba por morrer. A solução? Construir um carro super-potente e partir para a estrada, albarroando todos os arruaceiros que se atravessem à nossa frente! Basicamente um Mad Max sem ser passado num mundo pós apocalíptico. Mas isto é algo que só nos apercebemos no manual, ou na introdução do jogo, pois tirando isso, tudo o resto, ou quase tudo, são mesmo as cenas de condução a alta velocidade.

No que diz respeito aos audiovisuais, as animações são boas, afinal o original já tinha sido produzido em conjunto com a Toei Animation, que já nos anos 80 nos trouxe muitos animes de qualidade. A qualidade do video propriamente dito é que não é a melhor, devido à baixa resolução e menos cores que a Mega CD impunha com as suas limitações de hardware. Mas ao menos é bastante fluído. O tema título é de uma banda de J-Rock e sinceramente passou-me bastante ao lado. Ao longo do jogo também continuamos a ouvir uma banda sonora mais rockalhada, mas eu estava era com mais atenção ao que tinha de fazer do que propriamente ouvir a música. E aquele bip-bip-bip…

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Sim, por vezes também acontecem situações insólitas como esta…

Resumindo este é um jogo interessante que pega na mesma fórmula do Dragon’s Lair e torna-a mais acessível aos meros mortais como eu. Continua a não ser um jogo para todos, pois acaba por não ter muito “sumo” e os jogos baseados em full motion video nunca envelheceram muito bem. Mas era um dos jogos da biblioteca da Mega CD que eu gostava de ter quanto mais não seja por questões nostálgicas. Mas para mim está ainda longe das obras primas que sairam neste add-on.

Super Mario Bros. 2 (Nintendo Entertainment System)

Super Mario Bros 2Há algum tempo atrás escrevi um artigo sobre o primeiro Super Mario Advance, um remake / conversão musculada do Super Mario Bros 2 da NES. Nesse artigo referi que inicialmente não gostava muito deste jogo. Afinal desde quando tirar nabos da terra e atirá-los contra os inimigos faz parte de um jogo do Mario? Nabos? E eu que nem gosto nada de nabos! Mas é precisamente por detalhes como esse que se tornou no meu jogo preferido da série clássica do canalizador. Este meu exemplar foi comprado a um particular por 10€, embora seja apenas o cartucho. Update: recentemente ofereceram-me uma caixa novinha em folha e o manual!

Jogo com caixa em estado impecável
Jogo com caixa em estado impecável

Creio que nesta altura do campeonato, com toda a informação a circular na Internet apenas à distância de poucos cliques, todos já devem saber que este jogo é na verdade um “sprite hack” do Doki Doki Panic, já que o Super Mario Bros 2 original apenas se ficou em território nipónico. Essa decisão aconteceu porque alguém na Nintendo achou que não havia nada de novo no SMB2, todos os assets são os mesmos, mas a dificuldade é que era mais elevada e isso poderia alienar o público ocidental. Surgiu então este Doki Doki Panic modificado, repleto de diferentes mecânicas de jogo, tal forma radicais que toda a aventura se passa no decorrer de um sonho, onde Mario, Luigi, Toad e Peach (aqui ainda chamada de Toadstool) visitam um estranho mundo aparentemente com o único objectivo de derrotar Wart e os seus minions.

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Bowser? Quem é esse?

Tal como referi acima, as mecânicas de jogo são estranhas. Mario tem uma “barra de energia” que pode ser aumentada ao encontrar os cogumelos vermelhos, podemos puxar cenas da terra, como os tais falados nabos, mas que também podem ser outros objectos como os cogumelos, bombas que nos permitem rebentar com algumas rochas e assim abrir novos caminhos (bem como derrotar inimigos), ou mesmo saltar para cima dos inimigos, pegar neles e atirá-los contra os outros. Por vezes podemos também encontrar umas poções que nos levam uma outra dimensão onde podemos encontrar muitos desses power-ups, vidas extra ou mesmo zonas que nos teletransportam para níveis bem mais à frente. Este jogo está dividido em 7 diferentes mundos, cada qual com diferentes temáticas como as habituais paisagens verdejantes, desertos, neve, nos oceanos, à noite, entre outros sítios mais estranhos, e os níveis vão tendo também muito que explorar, pois podemos entrar em várias portas, ao contrário de descer tubos (mas também podemos entrar dentro de jarros que se tornam gigantes por dentro! Eventualmente vamos também defrontar vários bosses que nos vão por à prova todas estas novas mecânicas de jogo. As diferentes personagens que podemos escolher para jogar em cada nível diferenciam-se entre si nos seus movimentos, com Luigi a conseguir saltar mais alto, Peach a cair mais lentamente e Toad… bem… esse não me lembro! Mas quem é que jogava com o Toad??

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Estas poções servem para nos transportar para uma dimensão paralela, onde poderemos encontrar vários bónus

A música é excelente. Adoro o chiptune de NES e as músicas deste jogo são muito possivelmente das minhas preferidas da plataforma. Uma delas acaba mesmo por ser uma das minhas músicas preferidas de sempre nos videojogos (já agora ouçam lá a interpretação dos Estradasphere desse tema). Os efeitos sonoros cumprem bem o seu papel e a nível gráfico também gostei bastante, principalmente por toda a estranheza dos níveis, dos inimigos, de tudo!

Apesar de o jogo ter sido remasterizado na SNES com o Super Mario All-Stars, ou posteriormente na Gameboy Advance com uma conversão de luxo, ainda continuo a gostar bastante da versão original de NES. E ainda hei-de um dia destes arranjar o Doki Doki Panic para a Famicom, só por causa das coisas!

Turbo OutRun (ZX Spectrum)

DemonsDriversMais uma blitzkrieg para uma conversão de um jogo arcade para o ZX Spectrum, essa máquina de guerra da década de 80 que tanta gente feliz deixou pela Europa fora. O Turbo OutRun é uma das sequelas do clássico jogo da SEGA e que apesar de não ser tão bom quanto o original, também não é mau de todo, tendo mudado algumas das mecânicas de jogo. E tal como no Out Run original a adaptação Spectrum fica a anos-luz dos originais, o que é perfeitamente compreensível tendo em conta o desfasamento entre um hardware e o outro. Tal como referi no artigo do Ghouls ‘n Ghosts, este meu exemplar é dos poucos jogos 100% originais que possuo para esta plataforma, estando incluido na compilação Demons & Drivers que me custou 50 cêntimos na feira da Ladra em Lisboa.

Demons and Drivers - ZX Spectrum
Compilação completa com 2 cassetes e folheto de instruções

Ora e em que o Turbo Outrun se diferencia do original? Bom o nome Turbo não está lá por acaso e uma das coisas que podemos fazer é mesmo usar um botão de turbo para nos dar alguma velocidade extra durante algum tempo, enquanto o motor não sobre-aquecer. Isto porque a Sega decidiu também dar uma de Test Drive e colocar perseguições policiais, pelo que usar os turbos no momento certo é a melhor opção. Talvez isso também explique o porquê de existirem tantos obstáculos nas estradas, como barreiras de segurança. De resto a outra grande diferença deste jogo a meu ver é a sua linearidade. Onde antes poderiamos escolher quais os percursos a correr através de várias bifurcações nas estradas que íamos encontrando, agora temos 16 segmentos para conduzir de seguida, numa viagem que nos leva de uma ponta à outra nos Estados Unidos. Ah, e de vez em quando também podemos fazer upgrades ao nosso Ferrari F-40.

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A sprite do F-40 é bem grande e detalhada, embora ocupe muito do ecrã

No que diz respeito aos audiovisuais e à performance, bom mais uma vez temos uma reduzida paleta de cores e as sprites do nosso carro bem detalhadas, apesar de serem monocromáticas. A sensação de velocidade pareceu-me melhor que no primeiro OutRun, embora ainda esteja longe do que podemos viver na versão Arcade. Infelizmente temos apenas 2 músicas para ouvir e apesar de não serem más de todo pode cansar um pouco ao longo de 16 pistas.

Mais uma vez esta é uma versão interessante a ter apenas pelo coleccionismo, pelo menos para mim. Um dia que me venha parar às mãos a versão Mega Drive lá escreverei também algo com mais detalhe.

Out Run (ZX Spectrum)

OutRun ZXMais um artigo blitzkrieg, uma “super rapidinha” se assim o preferirem. Apesar de o Out Run ser um excelente e revolucionário jogo, vou deixar a análise mais aprofundada para a eventual versão Mega Drive ou Master System, se acabarem por me parar às mãos. A versão Spectrum foi convertida pela Probe Software e publicada pela U.S. Gold. A minha cópia é literalmente uma cópia, proveniente do mercado cinzento, numa altura em que a pirataria não era legislada. Mas é uma cópia com qualidade e até traz um pequeno mapa do jogo, embora não esteja na fotografia. Foi comprada na Feira da Vandoma no Porto por 1€.

OutRun - ZX Spectrum
Bootleg do mercado cinzento. Inclui ainda um mapa que não ficou na foto.

Infelizmente o Spectrum não é a melhor máquina para receber um jogo deste calibre. Out Run para ser bem apreciado precisa de paisagens solarengas, coloridas e acima de tudo uma sensação de velocidade acompanhado por uma música bem relaxante. Bom, aqui apenas a música se aproxima aos originais, pois o scrolling infelizmente é muito lento. Os gráficos também são mais monocromáticos, mas isso já é algo expectável para um sistema com essas limitações. O Ferrari Testarossa até que está bem detalhado, e todo o esforço que a Probe colocou nesta conversão improvável deve ser reconhecido. No entanto existem outras melhores alternativas para se jogar este Out Run e é nessas que me focarei.