Voltando às rapidinhas, hoje trago cá mais um jogo desportivo que apenas comprei porque me custou meros cêntimos, numa das minhas idas à feira da Vandoma no Porto. Quando olhei para ele, não sei porquê mas fiquei com a sensação que seria um jogo da série Striker, da Rage Software, série essa que já levou com jogos com nomes completamente distintos uns dos outros e pensei que este Soccer seria mais um. Na verdade é um jogo desenvolvido pela Rage Software, mas a única ligação à série Striker que encontrei está no seu nome japonês, World Cup Striker.
Apenas o cartucho
Este é mais um jogo onde temos à disposição várias selecções nacionais e podemos participar em diferentes modos de jogo, desde practicar penalties, passando por partidas amigáveis e 3 diferentes tipos de competições. Aí podemos jogar em pequenas ligas/campeonatos, torneios meramente por eliminatórias, ou um torneio à semelhança do Taça do Mundo, com fase de grupos e depois eliminatórias. Pelo meio podemos também mexer numa série de opções, como alterar a formação da equipa e/ou sua estratégia.
Graficamente não é nada de excitante, mas o que as imagens não mostram é o slowdown que o jogo vai tendo
Os controlos são aparentemente simples, com apenas 2 botões que servem para passar ou rematar quando na posse de bola, e tentar roubar a bola ao adversário, seja por encosto de ombro ou carrinho. Mas sinceramente na práctica não me consegui orientar bem com o jogo, seja pelo aftertouch que estes jogos habitualmente tinham, ou seja, permitir controlar ligeiramente a trajectória da bola com o d-pad, depois de a mesma ser rematada. Mas o que me incomodou mais foi mesmo a fraca performance técnica do jogo, com o mesmo a sofrer vários slowdowns bem notórios e que não ajudam em nada.
As músicas são practicamente inexistentes quando fora dos menus ou ecrã título, os efeitos sonoros não são nada do outro mundo e os gráficos… bom, sinceramente esses são muito maus. É verdade que estamos a falar de uma Gameboy, um sistema altamente limitado tecnicamente, mas para além dos maus gráficos se ainda temos bastantes quebras de framerate, então aí algo não está muito bem. Em suma, este Soccer (que nome tão original) não é um dos jogos mais memoráveis da biblioteca da Gameboy…
O tremendo sucesso que os filmes d’O Senhor dos Anéis fizeram no início do milénio não deixaram ninguém indiferente e naturalmente, adaptações para videojogos viriam a caminho. Mas ao contrário d’As Duas Torres ou o Regresso do Rei, cujas adaptações ficaram na mão da Electronic Arts, este Fellowship of the Ring acabou por sair por intermédio da Vivendi Universal, que detinha os direitos de adaptações dos livros de Tolkien, enquanto a Electronic Arts detinha os direitos das adaptações dos filmes. E este acabou por ser um jogo muito diferente daqueles que a Electronic Arts produziu, sendo um jogo de acção/aventura ao contrário dos hack and slash mais puros que a EA produziu. O meu exemplar veio da Cash Converters de Alfragide algures em 2014, tendo-me custado 3€.
Jogo com caixa e manual.
A história por detrás deste jogo deveria dispensar apresentações, centrando-se na história de Frodo Baggins, o hobbit que recebeu o fardo pesado de carregar o “One ring”, um poderosíssimo artefacto mágico que outrora pertenceu a Sauron, o lorde das trevas, capaz de corromper até o mais puro dos corações. Instruído pelo feiticeiro Gandalf, Frodo tem de levar o anel desde a sua pacata terra do Shire até às hostis terras de Mordor, e atirá-lo para o vulcão do monte Doom, o mesmo local onde foi forjado. Iremos então começar a aventura sozinhos como Frodo (e depois com a companhia de Samuel Gamgee e os primos Merry e Pippin) ao longo do Shire, atravessando também uma floresta encantada até alcançar a cidade de Bree, onde nos encontramos com Aragorn. Continuamos a aventura até que eventualmente chegamos a Rivendell, uma imponente cidade dos Elfos, onde é formada a Irmandade do Anel, composta pelos humanos Aragorn e Boromir, o feiticeiro Gandalf, o anão Gimli, o elfo Legolas e os quatro hobbits já referidos. O resto da aventura vai-nos levar às minas abandonadas de Moria, à cidade de Lothlorien e à região do rio Anduin, onde acabamos por defrontar um Nazgul alado.
A parte para mim mais irritante de todo o jogo está logo no início, quando temos de nos esquivar dos Nazgul que nos procuram em Hobbibgton.
Ao longo dos vários capítulos vamos podendo jogar com diferentes personagens. Frodo, como seria de esperar, é o mais frágil, obrigando-nos por vezes a jogar de uma forma bastante furtiva para não sermos detectados. Podemos no entanto inicialmente atacar com um pau (depois lá ganhamos uma espada), ou atirar pedras, se bem que estas não servem para atacar, mas sim para distrair os inimigos. Aragorn é outra das personagens com a qual podemos jogar, sendo mais poderoso nos seus ataques. Podemos também usar um arco e flecha, o que até pode ser bastante útil para tentar eliminar alguns inimigos à distância. Por fim podemos também jogar com Gandalf, que para além de também poder atacar com uma espada, temos as suas habilidades mágicas. Gandalf, para além da barra de vida possui também uma barra de magia, onde poderemos seleccionar diferentes feitiços e usá-los no combate, como bolas de fogo, raios eléctricos que paralizam temporariamente os adversários ou curar-nos quando precisamos. Podemos também encontrar alguns itens de regeneração de vida ou de magia, que poderão ser usados pelas personagens respectivas. Devo ainda dizer que me parece que Frodo pode usar temporariamente o anel, mas consegui chegar ao final do jogo sem nunca ter usado essa habilidade.
Quando temos de falar com alguns NPCs, por vezes a câmara assume ângulos muito estranhos
Tecnicamente é um jogo que deixa um pouco a desejar. Os controlos não são os melhores, principalmente no controlo de câmara e nos saltos. Estes últimos felizmente não são assim tão incomodativos, pois é raro termos de saltar em plataformas. Mas o controlo de câmara é mais chato. Graficamente também é um jogo que deixa a desejar. Os cenários ou caracterização das personagens não estão muito avançados, o que eu consigo facilmente perdoar pois é um jogo de 2002. No entanto, o que já não gostei tanto foram as zonas mal iluminadas. Os efeitos de iluminação foram para mim o ponto mais baixo da “ficha técnica” deste jogo. Em relação às músicas que são épicas e/ou folclóricas ou fantasiosas de acordo com as situações, não tenho nada de mau a apontar. O voice acting também me parece bastante competente e seria capaz de jurar que o actor que faz a voz do Gandalf é o mesmo dos filmes.
Infelizmente não há muita variedade nos inimigos que enfrentamos.
Portanto, para mim este Fellowship of the Rings foi um jogo algo mediano e se não fosse pelo facto de ser uma adaptação das obras de Tolkien, muito provavelmente me teria passado ao lado. Possui alguns problemas na câmara e a jogabilidade não é muito variada. Jogar com o Legolas ou o Gimli poderia ter trazido algo mais para o jogo, não fosse também o Aragorn uma personagem bastante versátil. No fim de contas, é um jogo que recomendo apenas se forem fãs de Tolkien como eu.
Voltando às rapidinhas e à Gameboy, o jogo que cá trago hoje é uma interessante conversão do primeiro título de uma das mais interessantes séries de jogos de acção que originaram em micro computadores. Lançado originalmente para a Commodore 64 como obra de um homem só, Turrican era um jogo que misturava de uma forma desafiante os conceitos de jogos de plataformas e shooter. Pensem numa espécie de um Contra, mas ainda mais desafiante e com um progresso não-linear. O jogo teve sucesso, o que lhe garantiu várias conversões para outros sistemas. Esta conversão para a Gameboy foi trazida pela Accolade. O meu exemplar veio da Cash Converters do Porto, há uns meses atrás. Creio que me custou uns 8€.
Apenas cartucho
Turrican é o soldado perfeito, geneticamente modificado para ser uma máquina de matança. Turrican foi feito assim pois viria a ter uma missão muito especial: a de recuperar a colónia artificial teresstre há muito perdida de Alterra, que há muitos anos atrás a inteligência artificial que a controlava revoltou-se e com o decorrer dos anos foi tornando as criaturas daquele mundo artificial seres bastante agressivos e vorazes.
Em Turrican muitas vezes não temos muito espaço para respirar!
Turrican é um jogo que nos dá várias opções de disparo. Temos a nossa arma principal, que pode ser actualizada com recurso a vários power-ups, deixando-a mais forte. Mas ao deixar o dedo pressionado no botão de disparo, Turrican solta aquilo que se assemelha aos raios de plasma dos Ghost Busters. Até a forma de os controlar é semelhante! Podemos também transformar-nos numa esfera, à semelhança de Samus Aran, mas com lâminas e que nos deixa invencíveis, mas com a desvantagem de não podermos saltar. É um ataque muito importante para limpar uma sala de inimigos, mas apenas o podemos usar 3 vezes por nível, ou por vida. Outros ataques consistem nas bombas que limpam todos os inimigos no ecrã ou noutros que lançam ondas de dano em todas as direcções. Estes últimos também possuem munições limitadas, pelo que devem ser usados com precaução.
De resto, Turrican é um jogo bastante desafiante, não só pelos inimigos que vão surgindo um pouco por todo o lado, mas também pelos segmentos mais exigentes de plataformas que por vezes temos de fazer. O facto de as áreas também serem bastante amplas podem fazer com que nos sintamos algo perdidos. Mas o mais chato na dificuldade é o facto de, ao contrário da maioria dos jogos de acção, onde ao sofrer dano, ficamos temporariamente invencíveis durante uns curtos segundos, mas costuma ser tempo suficiente para nos colocarmos em segurança. Aqui não, enquanto um inimigo estiver em contacto connosco, estamos continuamente a sofrer dano. Felizmente o Turrican também estimula a exploração, existindo vários powerups e vidas extra para descobrir, o que podem facilitar um pouco as coisas, pois ao morrermos, recomeçamos a aventura no mesmo local, não é necessário recomeçar o nível.
A forma do Buzzsaw é extremamente poderosa e deixa-nos invencíveis. Mas tem a desvantagem de não conseguirmos saltar.
Do ponto de vista técnico, o Turrican original para a Commodore 64 era um portento técnico, mesmo correndo num sistema bastante limitado. A conversão da Gameboy não é má de todo, as músicas são boas, os gráficos é que são algo mais simples devido ao ecrã reduzido da Gameboy. As sprites tiveram de ser sacrificadas ao possuirem um tamanho mais reduzido, mas o ritmo frenético do jogo original está tambem aqui representado, o que é uma boa notícia.
No mundo dos PC gamers, se há jogos que são hypados até à exaustão, os da Blizzard estarão certamente nos lugares cimeiros. E depois da obra prima que foi o Diablo II, o tão ansiado terceiro capítulo da saga tinha todos os motivos para criar as maiores expectativas dentro dos fãs, pois afinal a Blizzard sempre teve uma reputação de excelência. Mas eis que após vários anos de desenvolvimento, o jogo finalmente sai em 2012 e muitos ficaram desapontados pelo always online, mesmo quando quisermos jogar sozinhos, e outras mudanças na jogabilidade, como um número inicialmente mais restrito de classes e a evolução das skills. Mas já lá vamos. Eventualmente foram sendo lançados vários patches que adicionaram mais conteúdo ao jogo, novas funcionalidades e modos de jogo, bem como a expansão Reaper of Souls. Neste artigo vou falar do Diablo III como um todo, já a contar com a sua expansão. Se entretanto sair mais alguma expansão, logo se vê. Os meus exemplares vieram ambos da Mediamarkt de Alfragide, por 20€ cada um. Vieram foi em alturas diferentes, o Diablo III foi comprado em 2014 e o Reaper of Souls em 2015, se bem me recordo.
Jogo com caixa, manual e papelada. Tudo num packaging de excelente qualidade.
A história deste Diablo III decorre 20 anos após os acontecimentos narrados no jogo anterior, onde o velho sábio Deckard Cain se encontrava na antiga catedral de Old Tristram, onde tinham decorrido os acontecimentos do primeiro Diablo, entretido a ler uns manuscritos antigos sobre umas sinistras profecias. Entretanto um meteorito rasga os céus e cai precisamente na catedral, deixando uma cratera enorme e com zombies e outras criaturas a assolarem novamente toda a população. Nós somos mais uma vez o protagonista anónimo que chega e tenta salvar a situação, acabando por enfrentar pelo meio os lordes do inferno. A expansão Reaper of Souls decorre depois dos eventos do Diablo III e possui uma história interessante também, ao fugir um pouco aos confrontos habituais com os lordes do Inferno.
Expansão com caixa, manual e papelada. Uma vez mais tudo com excelente aspecto.
Diablo III é uma evolução sobre os anteriores, mantendo muitas das suas mecânicas de jogo base, mas também modernizando-o, aproximando Diablo de outros MMOs como o próprio World of Warcraft. Na sua essência, Diablo III é na mesma um action RPG com grande foco na acção, com a parte do loot onde vamos andar sempre à procura de equipamento melhor e mais raro, customizando-o com uma série de encantamentos ou pedras preciosas que vamos encontrando pelo caminho. Possui no entanto algumas modernizações, nomeadamente a questão do PvP (que sinceramente nem testei), ou a adopção de um sistema de skills mais streamlined, abandonando as skill trees do Diablo II, e com bem mais skills passivas do que aquilo que me lembro em jogos anteriores. O progresso no jogo é feito explorando o mapa e completando uma série de dungeons, sempre com algum boss à mistura. Temos também várias sidequests para completar, e, tal como nos MMOs, ocasionalmente lá nos aparece algum monstro bem mais forte que os outros, com a possibilidade de para além ganhar mais experiência, podermos encontrar alguns itens mais raros. É uma jogabilidade simples e viciante, que resulta logo desde o primeiro jogo.
Diablo III é um jogo loot based, onde procuramos sempre o melhor equipamento
Contudo, escrever sobre o Diablo III não deixa de ser uma tarefa um pouco ingrata, pois o jogo tem vindo a mudar ao longo das várias actualizações que tem vindo a receber. Coisas como a Auction House, onde os jogadores poderiam leiloar os itens que apanhavam na sua aventura acabaram por ser removidas. Nos primeiros patches lançados para o jogo introduziram também os Paragon levels, que basicamente permitia-nos continuar a ganhar experiência e evoluir, mesmo após atingir o nível máximo (na altura 60). Foi também adicionado muito conteúdo extra-jogo, como novas quests aleatórias e a introdução das temporadas, depois de terminarmos o jogo normalmente. Confesso que não perdi muito tempo nisso nem em jogar cooperativamente, pois é muito fácil uma pessoa ficar viciada neste jogo. Isto porque Diablo III mantém uma jogabilidade típica de um action RPG com muito loot, e nisto uma pessoa fica sempre horas a fio agarrado ao ecrã. Mesmo quando se joga sozinho! Lembro-me especialmente do Reaper of Souls, que possui mapas e/ou dungeons bem maiores, o que já me trouxe algumas chatices lá em casa: “só mais 10 minutos e já saímos amor, ainda não me apareceu nenhum checkpoint“.
Graficamente é um jogo bem detalhado, como seria de esperar. Temos um mundo medieval fantasioso e em ruínas para explorar, cheio de criaturas vindas das profundezas do inferno. Melhor que os gráficos só mesmo as cutscenes que estão alguma coisa de fantástico, nota-se perfeitamente o esforço que a Blizzard colocou no jogo e na sua apresentação. O som está igualmente excelente e recomenda-se vivamente jogar com uns bons phones ou um bom sistema de som.
Apesar de todo o hype que teve e das suas controvérsias, devo dizer que gostei bastante deste Diablo III. Só não lhe dei mais tempo e explorar toda a vertente online precisamente porque tenho um backlog gigantesco, pois o jogo é mesmo bastante viciante!
Bom, continuando pelas rapidinhas no PC, aproveito para trazer cá mais um daqueles jogos que comprei na feira da Vandoma há uns bons meses atrás, uns jogos para DOS ainda em disquete, em pequenas caixas de papelão, as chamadas edições TNT, que foram comercializadas em Portugal pela Portidata algures nos anos 90. E o título de hoje é um dos primeiros lançamentos da Psygnosis, um shmup não lá muito interessante, lançado originalmente nos computadores Commodore Amiga e adaptado para DOS.
Jogo em disquete, com caixa e papelada
Bom, na verdade o jogo não foi desenvolvido pela Psygnosis, pois ela apenas publicou, mas sim pela DMA Design, um modesto estúdio britânico que viria a criar, anos mais tarde, a franchise Grand Theft Auto. É também o sucessor de Menace, um outro shmup desenvolvido pela DMA antes deste Blood Money. O porquê do jogo se chamar Blood Money, ou o porquê do alien soldado na capa é um mistério. Aqui temos de explorar 4 mundos diferentes, cada qual com um veículo em específico. O primeiro mundo, mais metálico e industrial, é explorado com um helicóptero que me parece influenciado pelo jogo Mr. Heli. O segundo é o típico nível subaquático onde enfrentamos medusas e outras criaturas marítimas, controlando um submarino. O terceiro mundo, um mundo gelado, é explorado por alguém num fato espacial e o último, o mundo de fogo, num avião a jacto mais tradicional neste tipo de shmups.
Qualquer semelhança com Star Wars é mera coincidência
Ao contrário dos outros shooters da época, cada nível é gigante, onde teremos de defrontar dezenas de inimigos, esquivar de obstáculos e defrontar um boss no final. Por cada inimigo destruído, larga uma moeda que devemos tentar apanhar. Isto porque iremos passar por várias lojas ao longo de cada nível, onde poderemos gastar o dinheiro amealhado em diversos upgrades ou vidas extra. Os upgrades passam por obter mísseis disparados em diferentes direcções, bombas que são disparadas em arco, ou upgrades das armas que já temos. A boa notícia é que quando mudamos de nível e consequentemente de veículo, herdamos na mesma os upgrades comprados.
Ao destruir os inimigos somos recompensados com dinheiro que pode ser usado para comprar upgrades
Graficamente não acho este jogo nada de especial. A versão Commodore Amiga é bastante superior, tanto a nível gráfico, por apresentar cores mais vivas e um framerate mais sólido, bem como no som. Os efeitos sonoros são em PC-Speaker, ao contrário da música de qualidade midi no Amiga. No entanto, diga-se de passagem que mesmo no Amiga não acho muita piada à única música do jogo. Mas pronto, pelos efeitos sonoros, vozes digitalizadas, melhores gráficos e performance, a versão Amiga acaba por levar de longe a melhor.