Puggsy (Sega Mega Drive)

Voltando agora para a Mega Drive, vamos ficar cá com mais um belíssimo jogo com o selo da Psygnosis. Produzido pela Traveller’s Tales, o mesmo estúdio que ficou mais tarde responsável pelo Sonic 3D, Puggsy é um jogo de plataformas com elementos de puzzle e um sistema de física de objectos muito interessante para a época. Foi também dos primeiros jogos que joguei quando descobri o admirável mundo da emulação de Mega Drive, no final de 1998, embora confesse que na altura não consegui progredir muito no jogo. O meu exemplar foi comprado no passado mês de Fevereiro a um amigo, tendo-me ficado algo próximo dos 5€.

Jogo com caixa

Puggsy é um alien com um corpo muito estranho, que estava simplesmente a passear pelo espaço e decide explorar um planeta que tinha acabado de descobrir. Pouco depois de aterrar, no entanto, os habitantes desse planeta acabam por lhe roubar a sua nave espacial, pelo que teremos então de a tentar recuperar, ao atravessar dezenas de níveis.

Temos dezenas de níveis para explorar, cujos podem ser seleccionados neste mapa

Na sua essência, Puggsy parece um simples jogo de plataformas com elementos de puzzle, como podemos ver nos níveis iniciais. Um botão serve para o alien saltar, e se pressionarmos para baixo durante o salto poderemos pisar os inimigos, outro para pegar/atirar num dos inúmeros itens que podemos encontrar, e outro para os usar, caso sejam itens que tenham uso. O objectivo primordial em cada nível é o de procurar a sua saída e inicialmente poderemos ter de montar pequenas escadas com esses itens para conseguir alcançar plataformas mais altas, mas rapidamente começamos a ver outros tipos de puzzles inteligentes que a Traveller’s Tales vai introduzindo. Por exemplo, num dos níveis vemos a saída bloqueada por um pequeno incêndio. Um dos itens que podemos encontrar é uma pistola de água, que a devemos encher primeiro de água e depois a usar para apagar as chamas. Outros níveis apresentam-nos puzzles cada vez mais complexos, que irão envolver várias alavancas para abrir passagens, ligar ou desligar ventoinhas, entre outros, onde teremos uma vez mais de usar os itens que dispomos de forma inteligente.

Os puzzles serão muito mais complexo do que meramente empilhar itens para servirem de plataformas

Falei também do sistema de física de objectos que o jogo inclui. E sim, apesar de não ser necessariamente super-realista, este é um outro aspecto muito bem conseguido deste Puggsy: Os objectos que atiramos fazem ricochete nas superfícies, os objectos possuem diferentes pesos, pelo que alguns flutuam na água. Ou transportar um peso pesado permite-nos atravessar um túnel de vento, onde caso contrário seríamos soprados para fora. No que diz respeito aos saltos, podemos aproveitar o motor de física para ajudar a alcançar zonas mais altas. Por exemplo, ao forçar um objecto flutuante dentro de água, ele vai sair disparado para a superfície, pelo que devemos aproveitar esse momento e aproveitar a sua propulsão para também saltar mais alto. Quando apanhamos um item (ou uma pilha deles), podemos também regular a sua altura ao mover os botões direccionais para cima ou para baixo. Se saltarmos para uma plataforma e pelo menos o objecto ficar preso na berma, podemos usar a força de braços do Puggsy para conseguir subir essa plataforma. Isto são tudo técnicas que poderemos ter de usar, até porque o jogo está repleto de segredos como saídas secundárias para níveis secretos. Alguns desses níveis secretos são também autênticas homenagens a outros videojogos como Space Invaders, Arkanoid ou Lunar Lander.

Para atravessar corpos de água, teremos de colocar itens que flutuem

No que diz respeito aos audiovisuais, devo dizer que este jogo está muito bem conseguido nesse aspecto. Os gráficos são coloridos e muito bem detalhados, ocasionalmente com alguns efeitos de paralaxe nos backgrounds, e outros efeitos gráficos como rotação, ampliação ou distorção de sprites, visíveis principalmente nos confrontos contra os bosses, cujos são também muito bem detalhados graficamente. Os níveis em si vão sendo bastante variados, atravessando uma série de diferentes cenários como praias, florestas, pirâmides, castelos ou cavernas, todos eles bem representados. As músicas são também muito bem conseguidas, tendo não só um som de qualidade agradável – tipicamente os jogos com o selo da Psygnosis na Mega Drive soam muito bem – bem como várias melodias agradáveis ao ouvido.

Portanto este Puggsy é um jogo muito competente, oferecendo uma série de puzzles cada vez mais desafiantes. Não é um jogo que irá agradar a todos, certamente, mas creio que a sua qualidade como um todo é inegável. Para além da versão Commodore Amiga, existe ainda a versão Mega CD que aparentemente possui ainda mais conteúdo como mais alguns bosses que não chegaram a sair nesta versão. Será algo a ter em conta se um dia me deparar com essa versão a preços apetecíveis.

Sakura Cupid (PC)

Mais uma super rapidinha a mais uma visual novel da Winged Cloud, da série Sakura. Tal como todos os outros jogos que tenho desta série, foram comprados em bundles com preço muito em conta.

Infelizmente tal como o Sakura Gamer que joguei recentemente, este Sakura Cupid também parece ser uma VN muito low budget, pois não tem qualquer voice acting e os diálogos são demasiado simples, assim como a história como um todo. Nós controlamos Lilim, uma cupido que foi expulsa do paraíso por ser demasiado preguiçosa e condenada a viver na Terra. Entretanto mete-se em confusões com uma empregada de um café que fica apaixonada por ela e paralelamente a isso, a anjo Gabriel (sim, neste jogo é feminina) envia a sua amiga de infância Serra para a ir buscar de volta para o paraíso. Naturalmente, como estas VNs indicam, vão haver triângulos amorosos e a história pouco evolui disso.

Aqui teremos diferentes finais para alcançar que estão relacionados com as escolhas que vamos tomando ao longo do jogo

No que diz respeito às mecânicas de jogo, teremos vários finais distintos para alcançar que estarão relacionados com as várias escolhas que teremos de fazer ocasionalmente. A opção de avançar texto já lido é bastante útil quando exploramos outras rotas. Uma das outras opções que existe é um processador de voz que lê os textos de forma mecânica. Não é voice acting. A ver se os outros Sakuras que arranjei recentemente sejam melhores…

Ghost House (Sega Master System)

Voltando às rapidinhas na Master System, o jogo que cá trago agora é este Ghost House, um simples sidescroller, tão simples que foi lançado originalmente no formato Sega Card, lido apenas pelo primeiro modelo da Master System. O meu exemplar, é no entanto uma reedição em cartucho, para o tornar compatível com os modelos da Master System II. Foi comprado na loja online PlaynPlay no início de Março por cerca de 8€.

Jogo com caixa

Este jogo é uma adaptação de um título arcade da Sega bastante antigo, de 1982, chamado Monster Bash. Não é uma conversão completa, pois Monster Bash coloca um jovem rapaz a lutar contra Drácula, Frankenstein e um homem-lagarto em 3 cenários diferentes: uma mansão em ruínas, um castelo  e um cemitério. Aqui apenas enfrentamos Dracula em diferentes mansões. Mas há muitas mais mudanças, pois Monster Bash passava-se em ecrãs estáticos, aqui as diferentes mansões de Dracula que vamos explorar são bem maiores, com scrolling horizontal e vertical. E mesmo a nível de jogabilidade há alguns aspectos diferentes.

Se tocarmos numa teia de aranha ficamos temporariamente paralisados

Mas vamo-nos focar apenas no Ghost House. Aqui controlamos um jovem caçador de vampiros e o nosso objectivo em cada nível é o de destruir os 5 vampiros que estão espalhados pela casa, nos seus caixões. Caixões esses que estão trancados, pelo que primeiro temos de encontrar chaves para os abrir, chaves essas que são largadas pelos inúmeros inimigos que nos atacam. Uma vez tendo uma chave na nossa posse, teremos de passar por um desses caixões que se abrirá sozinho e revelará o vampiro que nos ataca imediatamente. E sim, Ghost House é um jogo difícil. Para além de todos os inimigos que vão vagueando pela casa, como pequenos morcegos, múmias ou outras estranhas criaturas, os vampiros são especialmente agressivos, voando em padrões muito erráticos e difíceis de contra-atacar. O miúdo pode derrotar inimigos ao saltar em cima deles ou atacando com os seus punhos, mas poderemos também equipar uma espada temporariamente. Como? Bom, por vezes somos atacados por espadas a voar horizontalmente na nossa direcção. Aí temos de acertar no timing e saltar em cima da espada enquanto a mesma passa por baixo de nós. Se fizermos as coisas bem, teremos a espada equipada temporariamente, o que aumenta bastante o nosso poder de ataque e será uma mais valia para enfrentar os vampiros. Para além disso as casas possuem imensas outras particularidades, como teias de aranha que nos desorientam, lâmpadas que, ao tocar nelas, congelam temporariamente todos os inimigos no ecrã (sem dúvida o mais útil para enfrentar os vampiros), e imensas portas e janelas que são na verdade portais que nos vão transportando para diferentes localizações. Portanto em cada nível temos 5 vampiros para derrotar, depois teremos de procurar a saída para o nível seguinte.

Os vampiros são fortes e movem-se com padrões bastante agressivos

No que diz respeito aos audiovisuais, este é um sidescroller simples. Os seus 5 níveis não diferem muito entre si a não serem as cores e eventualmente alguns inimigos. Tudo o resto é repetido, o que sinceramente seria de esperar pois este jogo foi lançado originalmente como um jogo no formato Sega Card, que tinham tipicamente 32kb de armazenamento. As músicas também são poucas, mas felizmente são bastante agradáveis.

Portanto este Ghost House é um sidescroller muito simples, porém bastante desafiante. Os inimigos não nos dão tréguas, em particular os vampiros assim que os acordarmos. É um jogo que dá para entreter durante algum tempo, mas também não possui grande variedade visto ter sido lançado originalmente num formato com armazenamento de memória extremamente limitado. O Monster Bash nas arcades sempre tinha outros vilões para enfrentar em diferentes locais.

Sakura Gamer (PC)

Pois é, devia ter vergonha de mim mesmo, mas dei por mim a comprar mais um bundle com uma série de visual novels da série Sakura da Winged Cloud. Isto de estar fechado em casa tem destas coisas… Ao menos sempre dá para se jogar algo muito simples, curto e descomprometido, e é mesmo por essa razão que apenas compro este tipo de jogos em bundles, pois sinceramente não acho que valham o seu full price.

Este Sakura Gamer é uma VN que aborda a história de um conjunto de 3 raparigas que vivem juntas e decidem elas próprias criarem a sua própria visual novel. Sendo esta uma VN com contornos eróticos, naturalmente vão haver triângulos amorosos. Mas a história em si é muito simplista.

Naturalmente, a Winged Cloud aproveita para fazer publicidade aos seus restantes jogos

No que diz respeito aos audiovisuais, nada de relevante a apontar. Todos os cenários são no interior da mesma casa, pelo que não há grande variedade de artwork. Ao menos as personagens estão bem desenhadas. E infelizmente não há qualquer voice acting neste jogo também.

Cannon Fodder (Sega Mega Drive)

Tempo de voltar à Mega Drive para mais um jogo Europeu, com o selo da saudosa Sensible Software. Lançado originalmente no Commodore Amiga, Cannon Fodder é um jogo de acção/estratégia, onde usando o rato como principal interface, controlamos uma série de pequenos esquadrões de soldados para cumprir várias missões de guerra com objectivos como “matar todos os inimigos”, “destruir todos os edifícios” ou “resgatar reféns”. Para além de ser um jogo divertido, tinha também um certo sentido de humor e era acima de tudo uma crítica social às guerras em si, que não possuem nenhum significado. O jogo acabou por ser convertido para uma série de diferentes plataformas, incluindo a Mega Drive que trago cá hoje. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu no mês passado por cerca de 5€.

Jogo com caixa, manual e papelada

Um dos acessórios lançados já algo tardiamente para a Mega Drive foi o Sega Mouse, um rato compatível com uma série de jogos de Mega Drive e Mega CD, que por acaso ainda não arranjei. De qualquer das formas este Cannon Fodder foi lançado depois desse acessório e mesmo assim não o suporta, o que é uma pena pois seria um acessório fundamental para melhor controlar o jogo. Tal como referi acima, vamos tendo várias missões onde teremos de controlar pequenos esquadrões de soldados, que vão de 1 a 6 no máximo, combatendo dezenas de soldados inimigos pelo caminho. A maneira de os controlar é com uma interface semelhante ao ponteiro de um rato, onde clicando numa área do mapa obrigamos os nossos soldados a deslocar-se para lá, e ao manter o botão B pressionado, o ponteiro muda para uma mira, onde poderemos direccionar o nosso fogo. Tendo em conta que os inimigos também disparam contra nós, e a certa altura começam a ficar cada vez mais perigosos, teremos de estar em constante movimento e alternando entre mover e disparar para conseguirmos ter sucesso. E isto tudo com o D-Pad é um bocado complicado. Não critico a Sensible Software por ter incluído o suporte a comandos normais da Mega Drive, até porque o rato não é um acessório tão comum quanto isso, mas se o suportasse teria sido perfeito.

Cada missão pode ser dividida de 1 até 6 fases diferentes, cada com diferentes objectivos

Para além disso, à medida que vamos avançando no jogo teremos também a possibilidade de equipar explosivos como granadas ou rockets e para os disparar temos de activar o ponteiro de mira, apontar para onde queremos disparar e carregar novamente no botão A. Por vezes podemo-nos enganar e acabar por desperdiçar algumas granadas desnecessariamente pois o botão A é também o botão que usamos para movimentar as tropas para onde o cursor estiver apontado. Depois o jogo possui também uma forte componente de estratégia pois os explosivos são limitados e por vezes teremos de fazer algumas emboscadas mais arriscadas. De forma a minimizar as baixas, poderemos dividir o nosso esquadrão até 3 grupos diferentes, e alocando devidamente os explosivos que temos na nossa posse. Tudo recorrendo à interface com o ponteiro de rato, claro. Ocasionalmente também teremos diferentes veículos para usar, desde jipes, tanques ou até helicópteros, mas o inimigo também os tem.

Entre cada missão vemos a pontuação do jogo, os recrutas que temos disponíveis e claro, podemos gerar ou carregar passwords

Mas tal como disse no primeiro parágrafo, este jogo tem também uma forte componente de crítica social às guerras como um todo. Só o nome do jogo, Cannon Fodder, é um termo pejorativo que indica que as tropas são recursos descartáveis, sem qualquer respeito por parte dos seus comandantes e políticos. Não temos qualquer história a não ser “faz o que te mandam em cada missão”, os nomes das missões e suas fases são tipicamente irónicos e claro, entre cada missão temos um ecrã muito interessante. Este ecrã é onde podemos salvar e carregar o nosso progresso através de passwords, bem como mostra o número de kills de cada lado como se um resultado desportivo se tratasse: home e away. Para além disso temos uma fila gigante de recrutas a marchar alegremente para entrarem na guerra, ao lado de todas as campas dos nossos soldados que vamos perdendo ao longo do jogo. Ah, algo que me esqueci de referir: à medida que os nossos soldados vão sobrevivendo e matando inimigos, também vão sendo promovidos no seu ranking, desde soldados rasos até generais. Mas isto não traz qualquer benefício na jogabilidade em si, eles não ganham novas armas ou habilidades sempre que são promovidos. Simplesmente a sua campa será mais bonita quando morrerem.

Dava mesmo jeito um rato na Mega Drive para melhor controlar isto.

No que diz respeito aos audiovisuais, a Sensible Software adorava os seus jogos com sprites minúsculas. A verdade é que as sprites sendo tão pequenas também nos ajuda ao ter uma maior área de jogo visível a todos os momentos, mas por vezes torna-se um pouco complicado diferenciar um soldado inimigo de um civil inocente. Danos colaterais, portanto. As músicas são agradáveis, embora apenas ocorram nos ecrãs título e entre cada missão. Durante as missões em si, apenas ouvimos o barulho dos disparos, explosões e gritos de dor dos atingidos. Quando controlamos veículos, infelizmente não se ouve barulho nenhum, o que é um bocado estranho, com o jogo a ficar bastante silencioso por alguns momentos.

Portanto este Cannon Fodder é um jogo muito interessante e divertido, mas a versão Mega Drive não é das melhores pelos seus controlos. O jogo existe em inúmeras plataformas, incluindo o PC, que será certamente a opção mais acessível para se jogar hoje em dia. Ou o original Amiga claro!