Virtuaverse (Sony Playstation 4 / PC)

O artigo de hoje é uma muito interessante aventura gráfica do estilo point and click. Nunca tinha ouvido falar do jogo até que a certa altura o GOG chegou a oferecer cópias digitais do mesmo por um período limitado e como gostei do que vi, lá decidi adicioná-lo à minha conta para jogar quando calhasse. Eventualmente a Limited Run Games anunciou que iria lançar o jogo em formato físico e lá reservei a minha cópia algures no ano passado. Mas infelizmente só chegou às minhas mãos há poucos meses atrás.

Jogo com caixa e uma desculpa esfarrapada de manual

E este é um jogo com uma temática cyberpunk, decorrendo num futuro não muito risonho e claro, onde a tecnologia avança de tal forma que a maior parte das pessoas possuem uma espécie de implantes no corpo que as permitem viver num mundo de “realidade aumentada”, o que as deixa cada vez mais alienadas da realidade propriamente dita. Nós controlamos Nathan, um hacker ainda resistente a essa mudança e que a certo dia acorda sem a sua namorada ao seu lado, que desaparece misteriosamente. Lá começamos a aventura no seu encalço onde teremos entretanto de resolver toda uma série de puzzles até chegar ao seu pé e vamos também conhecer todo aquele mundo alternativo. Obviamente que eventualmente lá iremos lutar para mandar abaixo o sistema que controla a humanidade, mas é toda uma viagem até chegarmos a esse ponto.

Adoro a direcção artística e visuais pixel art desta aventura!

A jogabilidade é o que se espera de uma aventura gráfica deste estilo, com o cursor a servir para interagir com uma série de objectos ou outras personagens e ao contrário do que habitualmente estamos habituados no PC, aqui os dois analógicos do comando da PS4 são igualmente necessários, pois o direito controla o cursor, já o esquerdo controla o movimento de Nathan. Como é habitual, vamos ter vários itens que poderemos guardar no inventário para posteriormente utilizar noutros objectos ou personagens, assim como poderemos combiná-los uns nos outros. Ocasionalmente teremos alguns puzzles mais desafiantes, incluindo alguns puzzles bem geeks onde deveremos converter caracteres ASCII para chegar à sua solução! Ainda na jogabilidade convém também só referir que por vezes nos diálogos o jogo parece que encravava por alguns segundos, não nos deixando mudar a linha de diálogo.

A banda sonora é também fantástica, então esta música dos Keygen Assault é uma maravilha!

Visualmente este é um jogo muito único pois é todo ele representado em pixel art, mesmo como eu gosto. O tema cyberpunk está muito bem representado e a utilização de tecnologias antigas (para fugir ao tal sistema) serve de desculpa para colocar imensas referências retro, como os computadores Lorraine 500 (Amiga 500) ou o Atari ST que é lá referido com um outro nome que não me recordo. Ou a trivia de o Doom precisar de 4MB de RAM para ser executado! Em suma, é um jogo para geeks! Sendo este um título indie infelizmente não temos qualquer voice acting, mas a banda sonora é excelente! Esta é composta por muitas músicas chiptune que nos remetem mesmo para a cena europeia da década de 80 / inícios dos 90, com aquele som característico de jogos de Amiga, Commodore 64 entre outros sistemas da época. Ocasionalmente temos alguns temas mais metal/electronica, pois a própria banda italiana Master Boot Record esteve envolvida na banda sonora deste jogo. Só pela banda sonora já valeu a pena e os MBR já tinha ouvido falar, agora irei descobrir a sua discografia com mais atenção.

Perto do final do jogo iremos controlar também Jay, a tal namorada de Nathan

Portanto este Virtuaverse é um óptimo jogo de aventura point and click com uns visuais (e banda sonora!) muito retro e que acabam por resultar lindamente. Recomendo vivamente a quem gostar de aventuras gráficas e de temas cyberpunk! Fico curioso para eventuais novos lançamentos desta equipa!

Yakuza Kiwami 2 (Sony Playstation 4)

Finalmente, o outro jogo em que investi muitas horas do meu tempo nas minhas férias que entretanto terminaram foi mesmo este Yakuza Kiwami 2, um remake do Yakuza 2 originalmente lançado para a PS2 em 2006/2008. O meu exemplar sinceramente já nem me recordo bem quando terá sido comprado. Se a memória não me falha foi numa das promoções de “Leve 3 pague 2” da Worten, quando o valor base desta edição andava nos 20€, pelo que ficou ainda mais barato. Talvez um dia a troque pela edição com o steelbook se me aparecer a um preço convidativo.

Jogo com caixa, papelada e um autocolante

A história é a mesma do Yakuza 2, com a narrativa a decorrer um ano após os acontecimentos do primeiro jogo. Com o clã de Tojo numa posição muito fragilizada após os eventos anteriores, o clã rival da região de Kansai, a Omi Alliance, planeia aproveitar essa fragilidade para os atacar em força, com o apoio de uma outra organização mafiosa estrangeira. Apesar de Kiryu ter deixado uma vez mais a vida de Yakuza, acaba por novamente ser arrastado para esta confusão, onde iremos uma vez mais colaborar com o (agora ex) detective Date e outros polícias como é o caso da jovem Kaoru Sayama. Ao contrário do que me aconteceu no Yakuza Kiwami, onde eu ainda me lembrava bem da história do primeiro Yakuza, confesso que deste jogo já me lembrava muito pouco, a não ser a rivalidade que se foi desenvolvendo entre Kiryu e Ryuji Goda (um dos antagonistas da Omi Alliance), pelo que foi bom relembrar uma vez mais toda esta bela história que supostamente fecha ainda algumas pontas soltas do lançamento original. Uma das novidades aqui introduzida é a Majima Saga, uma pequena história dividida em 3 capítulos que vão sendo desbloqueados ao longo da aventura principal, onde jogamos com o Majima e serve de uma espécie de prólogo aos eventos da trama principal.

Os inimigos estão visíveis no ecrã, assinalados como setas vermelhas no mapa, pelo que as batalhas poderão ser evitadas se fugirmos ou simplesmente tomarmos um diferente caminho

No que diz respeito ao jogo, bom, este é então uma aventura open world, onde iremos ter a liberdade de explorar Kamurocho, o distrito dedicado a diversão nocturna em Tokyo e Sotenbori, o mesmo para Osaka. E este é então um jogo de acção com ligeiras mecânicas de RPG, onde poderemos também “perder tempo” a fazer muitas outras coisas enquanto exploramos ambas as localizações, como participar numa série de variadíssimos mini-jogos ou fazer várias side quests. No que diz respeito ao combate, enquanto os Yakuza 0 e Kiwami permitiam-nos alternar livremente entre vários estilos de luta distintos, aqui temos apenas um estilo de luta único, que inclui golpes dos outros estilos dos jogos anteriores. A maneira de evoluir a personagem é também diferente: combater outros bandidos, completar sidequests, comer em restaurantes ou cumprir certos objectivos é-nos recompensado com pontos de experiência, que são distribuídos em diferentes categorias: Força, Agilidade, Espírito, Técnica e Charme. Com os pontos de experiência amealhados, vamos poder desbloquear toda uma série de habilidades e perks, desde novos golpes que poderemos usar em combate, como extender as barras de vida, heat, melhorar ataque, defesa ou outros benefícios, como a experiência recebida, frequência com que os inimigos largam dinheiro ou outros itens após terem sido derrotados, a nossa resistência física para correr mais tempo, entre muitas outras hipóteses. De resto, equipar armas para usar nos combates é uma vez mais possível e sim, as heat actions estão de volta. Agora é também possível entrar num estado de “super heat” que poderemos activar (assim que desbloquearmos tal habilidade) quando a barra de heat estiver cheia, o que nos permite desencadear golpes bastante poderosos, enquanto a barra possuir energia.

Os combates continuam super intensos e as heat actions marcam o seu regresso, sendo estas sensíveis ao contexto, objectos/armas que tenhamos equipado ou golpes que tenhamos aprendido

Mas sim, como devem saber, Yakuza é muito mais do que uma história empolgante repleta de combates brutais, contendo também imenso conteúdo opcional. As sidequests, tal como no Kiwami anterior, foram revistas, existindo umas quantas novas e outras que desapareceram por completo. Os mini jogos também foram revistos, alguns como o Bowling ou as actividades de engate de Kiryu nos clubes de Hostess, ou o reverso onde Kiryu passava ele próprio a ser um host e por vezes ver-se em situações algo embaraçosas, ou o mini jogo das massagens foram também retirados. No seu lugar, temos as arcades com um port do Virtual On e outro do Virtua Fighter 2, assim como o hilariante Toylet, baseado também em “jogos” reais da Sega. Em vez de massagens e engatar miúdas em bares, podemos agora tirar-lhes fotografias em poses arrojadas. Uma das actividades paralelas do Yakuza 2 original era gerir um clube de hostesses, que foi agora alterado para uma nova iteração Cabaret Club Czar, introduzido no Yakuza 0, e que, apesar de algumas diferenças mínimas, continua altamente viciante. Outra das actividades paralelas é o Majima Construction, que é basicamente um tower defense, onde construimos e controlamos uma equipa de um máximo de 9 personagens e teremos de enfrentar várias ondas consecutivas de mobs e bosses que nos tentam destruir algum equipamento. As Bouncer Missions foram também introduzidas, assim como uma série de bosses opcionais e as lutas no coliseu. As primeiras são missões onde não podemos usar itens e temos de derrotar uma série de inimigos dentro de um caminho pré-definido, culminando em combates contra um ou mais bosses, bem como ocasionalmente dentro de tempo limite. Como podem ver, o que não falta é conteúdo opcional e apesar de eu não ter feito tudo o que o jogo tem para oferecer, ainda gastei mais de 50h com ele.

Para além do Virtua Fighter 2 e Virtual On, eventualmente desbloqueamos outros jogos nas casas de banho dos centros arcade

No que diz respeito aos audiovisuais, estes estão um pouco melhor que os que foram introduzidos nos Yakuza 0 e Kiwami, pois o jogo utiliza o mesmo motor gráfico do Yakuza 6, lançado uns meses antes. Existe uma diferença notória (pelo menos pareceu-me) no detalhe que as cidades têm, com texturas mais detalhadas, efeitos de luz mais vibrantes mas o que mais me agradou é a diferença de detalhe gráfico entre as personagens principais e os NPCs genéricos ser mais reduzida. Ainda há uma diferença sim, mas não é tão gritante. De resto nada de especial a apontar ao som, o voice acting continua excelente e claro, inteiramente em Japonês (nem eu quereria outra coisa!) e a banda sonora recicla muitos temas dos títulos anteriores. A excepção está num conjunto de temas principais que foram compostos por uma banda de metal japonesa e, apesar de eu ser um metaleiro convicto, confesso que não gostei assim tanto dessas músicas novas.

O que não falta é conteúdo opcional para investir tempo, incluindo o regresso do simulador de gestão de cabaret que é super viciante e uma óptima fonte de dinheiro

Portanto estamos aqui perante mais um excelente jogo, bastante divertido de se jogar e com imenso conteúdo opcional, que lhe dá uma imensa longevidade para quem o quiser tentar completar a 100%. Temos muito conteúdo novo que foi bastante benvindo, mas tenho pena que tenham retirado alguns dos mini jogos que o lançamento original da PS2 possuía. No entanto, o sistema de combate é bastante superior ao do original e só aí já é uma grande melhoria. Segue-se o Yakuza 3 que o planeio começar a jogar daqui a uma ou duas semanas e irei também optar pela versão remastered também disponível na PS4.

The House in Fata Morgana (Sony Playstation 4)

Apesar de ter estado de férias durante estas duas semanas e muito ter jogado, o blogue não teve tanta actividade quanto isso, pois tenho-me focado em 2 jogos consideravelmente longos. Na primeira semana joguei um outro jogo na PS4 que ainda não terminei e irei retomar já em seguida. Já nesta segunda semana, para variar um pouco lá me decidi a começar este The House in Fata Morgana, na esperança que não fosse uma VN muito longa. Como me enganei, foram vários os dias seguidos em que estive a ler todo o texto que este jogo nos apresenta, até porque esta edição contém também muito conteúdo adicional como prólogos, epílogos, histórias secundárias ou até sequelas! O meu exemplar foi comprado na Vinted algures no final de Julho. Não foi nada barato, mas tendo em conta que tinha um saldo considerável para lá gastar, acabou por ficar bem mais em conta.

Jogo na sua edição de coleccionador com caixa exterior de cartão, livro com arte, banda sonora em 2 CDs (a única coisa que se manteve selada aqui), póster, caixa e pequeno panfleto no lugar de um manual de instruções.

Esta é então uma visual novel onde ocasionalmente teremos algumas opções a tomar que nos poderão levar a diferentes finais. São 8 capítulos ao todo, embora nem todos os finais nos permitam chegar a todos os capítulos (alguns ficam-se pela metade do jogo!). Sem querer revelar muito da história, digamos que a mesma se passa numa espécie de mansão amaldiçoada e onde vamos acompanhar a história trágica de vários dos seus residentes, ao longo de vários séculos de existência. É uma história repleta de momentos desconcertantes, repletos de tensão e ocasionalmente até bastante macabros. E mais não revelo, se ficarem tão curiosos quanto eu fiquei após um amigo me ter recomendado este jogo, joguem-no!

Esta edição traz bastante conteúdo que terá de ser desbloqueado aos poucos (a menos que usem o Back Door para o desbloquear todo de seguida). O Requiem for Innocence por si só traz também toda uma série de outras histórias para experienciarmos.

Agora sendo esta uma visual novel esperem então pelas características habituais deste tipo de jogos: muito texto para ler, sobreposto sobre algumas imagens estáticas que representam os cenários, assim como imagens também algo estáticas das personagens com as quais vamos interagindo. A sério, apenas as suas expressões faciais vão-se alterando aqui e ali. E tal como referi logo no primeiro parágrafo deste artigo, o jogo é bastante longo. E eu confesso que, durante VNs consideravelmente longas acabo invariavelmente por adormecer. E isso aconteceu bastantes vezes durante este Fata Morgana, pois a história por vezes extende-se demasiado em coisas que parecem algo supérfluas para o desenrolar da narrativa principal. Pois bem, mas mesmo esses momentos que parecem algo aborrecidos e só estão ali para “encher chouriços”, são na verdade muito importantes pois servem para melhor enriquecer o universo do jogo, os backgrounds e relações entre as personagens, o que acaba por potenciar bem mais todos os sentimentos menos positivos que sentimos mal a história dá alguma reviravolta e alguma coisa chocante acaba por acontecer. Nessas partes acordava sempre e perdoava toda a “seca” que por vezes fui obrigado a ler antes.

Ocasionalmente termos algumas escolhas para fazer, por vezes com consequências directas que nos levam a finais distintos.

Depois, também como já referi acima, o jogo está também repleto de conteúdo adicional. Um deles é o Requiem of Innocence, uma compilação de várias outras histórias adicionais, de onde se destaca a What’s Past is Prologue que detalha um pouco mais o passado de várias das personagens principais e os eventos que levaram a que uma das tragédias acontecesse. É também uma história consideravelmente longa, e apesar de não achar a narrativa tão boa como a da aventura original, está também bem escrita. Para além disso temos ainda o Reincarnation, uma sequela da aventura original e que decorre nos dias de hoje (também com uma longevidade considerável), bem como todo um conjunto de pequenas histórias de cerca de 20/30min que poderemos também ler. Todo este conteúdo vai sendo desbloqueado à medida que vamos completando o anterior, no entanto e claro, isso aumenta bastante a longevidade deste lançamento.

Gosto bastante da arte e maneira mais sinistra como certas personagens vão sendo representadas. Particularmente estas duas!

Não há muito a referir no que diz respeito aos visuais, pois estes são bastante estáticos como é normal em muitas VNs. Por um lado nem sempre acho grande piada aos cenários escolhidos, já a arte das personagens achei bastante bem conseguida, excepto numa ou noutra ilustração. Por outro lado a banda sonora que nos acompanha é bastante boa e eclética. Por vezes temos agradáveis melodias que tentam acompanhar a época em questão, desde a utilização de instrumentos medievais ou renascentistas, passando até por músicas jazz quando visitamos o século XIX. Outras vezes, para os momentos mais desconcertantes, vamos ter músicas incrivelmente tensas e dissonantes, que encaixam perfeitamente na atmosfera de puro terror que o jogo nos tenta passar. Outras vezes temos músicas altamente repetitivas mas em constante crescendo e que também resultam muito bem! Um outro detalhe interessante é o facto de muitas dessas músicas serem também vocais, muitas delas cantadas em várias línguas. Até português ouvi, embora com um sotaque muito carregado, visto que todos os temas foram compostos por músicos japoneses. Infelizmente apenas a sequela Requiem possui voice acting (todo ele em japonês), já nenhum dos outros títulos aqui incluídos o possui. Por um lado é pena, por outro lado, tendo em conta que o lançamento original do The House of Fata Morgana foi desenvolvido por um pequeno estúdio até se entende a falta de vozes. E acima de tudo, se houvessem vozes, creio que um certo elemento de surpresa se perdiria e mais não digo.

Ocasionalmente os cenários são substituídos por uma outra imagem estática com mais detalhe e que melhor ilustra o que está a acontecer

Portanto este The House of Fata Morgana é um jogo bastante interessante, especialmente para quem gostar de ler uma boa história. E sublinho o ler, pois esta é uma visual novel bastante longa. Os seus momentos mais aborrecidos acabam por ser recompensados de longe pelos mais excitantes e, tal como já referi acima, também os tornam necessários para que o choque para o jogador/leitor resulte melhor. Infelizmente o lançamento físico deste jogo em inglês está, até ver, limitado aos lançamentos da Limited Run Games que há muito estão esgotados e infelizmente fazem com que o seu preço no mercado seja bastante elevado. É uma pena ver muitos jogos selados da LRG à venda na internet quando títulos como este merecem totalmente ser jogados, mas isso seria conversa para um outro tópico.

Teenage Mutant Ninja Turtles: The Cowabunga Collection (Sony Playstation 4)

Ao longo dos últimos meses tenho jogado aos poucos esta compilação de jogos das Tartaruga Ninja. Produzida pela Digital Eclipse, esta compilação é uma verdadeira lição em como se deve fazer material deste tipo. Traz quase todos os jogos TMNT clássicos da Konami lançados entre 1989 e 1993 (faltando apenas o TMNT Manhattan Missions exclusivo de DOS), sendo que todos esses jogos possuem também uma série de extras e melhoramentos como reduzir sprite flicker e lentidão nos jogos de NES, save states, rewind, vidas extra, entre outros como o suporte multiplayer inclusivamente online em certos jogos. Para além de todos os extras de conteúdo adicional como imensos scans das caixas e manuais de todos os jogos desta compilação e suas variantes, revistas de banda desenhada, publicidades, e muito mais. Foi notoriamente um labor of love. O meu exemplar foi comprado na Amazon por pouco mais de 22€ algures em Dezembro do ano passado.

Jogo com caixa

Irei aproveitar este artigo para me focar mais nos jogos que não tenho na minha colecção, pelo que não me vou alongar muito no Teenage Mutant Ninja Turtles da NES. É o primeiro jogo da Konami com esta propriedade intelectual e apesar de ser na minha opinião o pior, não é um mau jogo de todo, devido a nos permitir trocar de tartaruga a qualquer momento no jogo e alguma não linearidade da exploração. Sim o nível subaquático continua incrivelmente difícil e com tempo reduzido, mas os save states e rewind são uma ajuda preciosa.

A inclusão de inúmeros extras como manuais, publicidades, documentos de desenvolvimento ou artwork é uma excelente adição a esta compilação.

O TMNT Arcade Game, na sua versão arcade, está também aqui disponível para ser jogado. Este sim, um grande clássico da Konami por nos permitir jogar em multiplayer local com até mais 3 amigos e isso também está aqui presente na compilação, para além de permitir inclusivamente jogar online, algo que eu não experimentei. Para um jogo de 1989, tinha gráficos incríveis para a época e apesar de achar que a jogabilidade ainda esteja longe de ser refinada (os bosses são autênticas esponjas, por exemplo) não deixa de ser um óptimo jogo e que este sim, abriu portas para o sucesso dos restantes jogos da Konami das Tartarugas. O arcade game foi também trazido para a NES, que apesar de ser uma versão bem mais modesta, não deixa de ter sido uma conversão do arcade bem impressionante. Alguns dos extras incluídos desta versão incluem a opção de retirar o sprite flicker e alguns abrandamentos da versão original, deixando o jogo mais fluído. Mas sejamos sinceros, apesar desta versão NES possuir um ou outro nível adicional, a versão arcade é de longe superior.

As versões arcade aqui também suportam multiplayer local com até 4 jogadores em simultâneo!

Segue-se o primeiro jogo da Game Boy, o Fall of the Foot Clan. E este é um simples jogo de acção/plataformas onde teremos 5 níveis distintos para explorar e poderemos escolher com que tartaruga queremos jogar antes de os começar. É um jogo totalmente 2D e simples na sua jogabilidade, com um botão de salto e um outro para atacar. Pressionando baixo e ataque permite-nos disparar shurikens que, apesar de serem mais fracas que um golpe normal, permitem-nos atacar com segurança a média distância. Cada tartaruga tem a sua barra de vida que pode ser restabelecida ao comer pizza, mas caso morramos, a tartaruga que controlamos é capturada e somos obrigados a rejogar a zona onde estamos desde o início com outra tartaruga. Pode-se então dizer que este jogo possui 4 vidas ao todo! Em certas zonas poderemos encontrar níveis de bónus que servem contêm diferentes mini-jogos onde poderemos amealhar mais pontos, embora nem todos sejam assim tão interessantes quanto isso. De resto é um título ainda muito simples e lançado numa fase muito embrionária da Game Boy, com gráficos e animações simplistas, mas com uma banda sonora bem competente no entanto.

A Digital Eclipse deu-se ao trabalho de construir também estes pequenos guias para cada jogo, mesmo como se fossem páginas de revista!

Segue-se o Turtles in Time, o segundo jogo arcade presente nesta compilação, lançado originalmente em 1991. É um beat ‘em up absolutamente fantástico e com uma jogabilidade melhorada perante o seu antecessor, até porque temos muitos mais golpes distintos que podemos executar. É também um jogo que pode ser jogado com um máximo de 4 jogadores em simultâneo e deve ter sido absolutamente incrível ser jogado com amigos numa arcade, até porque se jogado sozinho isto come imensos créditos. Gráficos e som incrível, uma boa variedade de níveis (até porque como o nome indica o jogo envolve viagens no tempo), um excelente jogo. Este Turtles in Time acabou mais tarde por ser relançado para a Super Nintendo, que é também uma conversão bem interessante. Graficamente fica uns furos abaixo do original como seria de esperar, mas não deixa de ser bem competente nesse departamento e traz ainda uns quantos extras. Como seria de esperar essa versão está também aqui representada, pelo que vos convido a ler esse artigo para mais detalhes.

Podemos também optar por dimensionar a imagem da forma que quisermos, assim como activar ou desactivar bordas no ecrã

A Game Boy recebeu ainda em 1991 o seu segundo jogo, o Back from the Sewers. Apesar de ser superior ao seu predecessor, mantém-se um jogo de acção relativamente simples, onde antes de cada nível podemos escolher qual a tartaruga com a qual queremos jogar e os controlos são simples com um botão de salto e outro de ataque. Os níveis são mais longos, muito melhor detalhados graficamente e apesar de a maioria do jogo se apresentar como um título 2D de plataformas/acção num único plano, alguns níveis (ou excertos) já apresentam aqueles visuais típicos de um beat ‘em up, onde teríamos uma maior liberdade de movimento. Caso percamos uma vida teremos de rejogar o nível com uma das outras tartarugas e, quando chegamos ao final do mesmo, somos levados a um nível de bónus com um boss que se o conseguirmos derrotar, libertaremos a tartaruga que havia sido feita prisioneira antes. Se mantivermos todas as tartarugas em jogo, teremos então um outro nível de bónus para jogar, onde teremos de apanhar uma série de pizzas num período de tempo algo apertado. A nível audiovisual é um jogo simples devido às limitações técnicas da Game Boy original, mas bem mais detalhado visualmente que o seu predecessor, com níveis mais detalhados e sprites maiores. As músicas são óptimas e temos ainda alguns clipes de voz digitalizada.

No caso dos jogos de Game Boy podemos também optar por escolher os vários tons de monocromático do ecrã original de Game Boy, GB Pocket ou até um modo Game Boy Color que lhe acrescenta alguma cor.

A NES recebeu em 1992 um outro beat’ em up, o Manhattan Project. Infelizmente este é um jogo que nunca chegou a sair na Europa o que é uma pena pois nessa altura a franchise das tartarugas ninja ainda era bem popular e a NES ainda detinha uma quota considerável do mercado. Comparando com a versão NES do Arcade Game, este é de longe um título superior. A jogabilidade mantém-se simples com um botão de ataque e outro de salto, embora seja agora possível desencadear diferentes golpes como atirar inimigos uns contra os outros ou usar um special (ao pressionar ambos os botões faciais em simultâneo) que apesar de poderoso, retira-nos alguma da vida de cada vez que o usamos. Os níveis são longos, bem detalhados (para um sistema 8bit) e com uma maior variedade de inimigos. As músicas são como tem sido habitual, excelentes! A versão aqui emulada conta uma vez mais com funcionalidades extra que podem remover os abrandamentos e sprite flicker da versão original.

Foi mesmo uma pena este Manhattan Project não ter recebido um lançamento europeu nos anos 90. Ao menos muita gente poderá jogá-lo pela primeira vez aqui!

Em 1992, para além da Super Nintendo ter recebido a conversão do Turtles in Time que eu já mencionei acima, foi também a altura da Mega Drive receber o seu primeiro jogo desta série, o Hyperstone Heist, que também já cá o trouxe no passado, pelo que não me vou alongar nesse título, até porque esta versão não inclui nenhum extra de relevo. O ano seguinte começa com um novo jogo para a Game Boy, o Radical Rescue. Esse também já cá trouxe no passado, pelo que também não o irei detalhar, apenas deixar a dica que, tal como os outros jogos Game Boy presentes nesta compilação, o jogo inclui alguns melhoramentos incluindo um modo “a cores” muito rudimentar, supostamente idêntico ao que uma Game Boy Color apresentaria.

É inegável que o Tournament Fighters da Super Nintendo não seja superior ao da Mega Drive, tanto em jogabilidade como em gráficos. A banda sonora já é bem mais discutível, na minha opinião.

Para fechar a compilação, seguem-se então os Tournament Fighters, a começar pelo lançamento da Super Nintendo que, para a minha surpresa depois de ter jogado a versão Mega Drive, me apercebi que era um jogo inteiramente diferente e sinceramente também o achei melhor em todos os aspectos. A começar pela jogabilidade que é mais fluída e o uso de quatro botões faciais dá-nos também uma maior variedade de diferentes golpes que podemos executar. Graficamente, apesar de eu achar os cenários da versão da Sega por vezes bastante originais, na verdade acho que os gráficos mais coloridos e apesar de os cenários urbanos não serem tão originais, acabam por resultar melhor como um todo, até por se adequarem mais a um estilo mais urbano da própria série. De resto, para além do modo história esta versão traz também um modo arcade e versus, onde temos uma maior liberdade de escolha das personagens jogáveis.

Outros dos extras, podemos consultar todas as bandas sonoras dos títulos aqui presentes!

Segue-se então a versão Mega Drive deste Tournament Fighters que também já cá a trouxe no passado, pelo que não me vou alongar aqui. Para além destas versões 16bit a Konami decide também lançar uma versão para a NES já em 1994 e, por incrível que pareça, até a Europa a chegou a receber, ao contrário do Manhattan Project que é de longe um jogo melhor e mais interessante. E este é na mesma um jogo de luta de 1 contra 1, mas com uma jogabilidade bem mais simples devido aos poucos botões faciais disponíveis. Um detalhe interessante na jogabilidade é o facto de ocasionalmente surgir no ecrã um aparelho voador e a personagem que o conseguir partir e apanhar a esfera brilhante que o mesmo larga, pode posteriormente utilizar um poderoso golpe capaz de retirar uma percentagem generosa da vida do nosso oponente. De resto, a selecção de personagens e cenários também é bastante reduzida e no que diz respeito aos modos de jogo temos o modo história, versus e um torneio que não cheguei a experimentar.

Portanto esta Cowabunga Collection é uma excelente compilação de videojogos mais antigos e a meu ver a Digital Eclipse está de parabéns pois elevaram bastante a fasquia do que seria expectável numa compilação deste género. Para além de suportes a save states, rewinds, multiplayer online em certos jogos e vários outros melhoramentos (incluindo melhorar a performance e eliminar o sprite flicker de todos os jogos da NES, por exemplo), a Digital decidiu também incluir pequenos guias com algumas dicas para cada jogo, construídos como se tivessem sido retirados de uma revista de videojogos dos anos 90 e estes podem também serem consultados a qualquer momento no jogo. Depois temos todo o “museu” com scans de alta qualidade das caixas e manuais de cada lançamento as suas versões americanas e japonesas, assim como muitos outros registos interessantes, como anúncios, galerias de arte, capas de banda desenhada, entre outros. Só tenho mesmo pena de os manuais não poderem ser consultados a qualquer momento dentro dos jogos tal como os pequenos guias.

Yakuza Kiwami (Sony Playstation 4)

E vamos agora para um artigo que embora não se qualifique como uma rapidinha será um pouco mais curto do que o que o jogo até merece, mas como já terminei o Yakuza original da Playstation 2 há bastantes anos, este artigo irá-se focar principalmente nas diferenças introduzidas neste remake. Confesso que até estive algo hesitante em comprar os Kiwamis, mas eventualmente lá me decidi a fazê-lo, embora não me recordo bem quando e onde o comprei. Creio que o meu exemplar foi comprado numa CeX e não foi muito caro.

Jogo com caixa e papelada

Mas ainda bem que me decidi a comprá-lo, pois assim aproveitei para me reintroduzir na série com a prequela Yakuza 0 e jogar os Kiwami de seguida para me relembrar a história e posteriormente prosseguir com a série normalmente. Isto porque joguei os primeiros 2 na PS2 já em 2012 e depois por acasos da vida acabei por não dar seguimento à série, apesar de ter gostado de ambos os jogos. E este é então um remake do primeiríssimo jogo da série, onde apesar de a história principal se manter a mesma (controlamos Kiryu Kazuma 10 anos após este ter assumido um crime de assassinato que não cometeu para proteger o seu melhor amigo), a narrativa sofreu alguns retoques para melhor se encaixar com os eventos introduzidos na prequela. Por exemplo, nas cutscenes entre capítulos há um recontar da história que envolve o Nishikiyama e a forma como se transformou no vilão que já conhecíamos da versão original, ou mesmo todo o envolvimento de Goro Majima como rival de Kiryu.

Como é habitual, o que não faltam são sidequests para fazer e algumas bem humoradas

Mas não foi só a história que foi refinada, mas também a jogabilidade. Na sua essência, o jogo mantém o mesmo conceito de open world, onde temos o distrito de Kamurocho para ser explorado a nosso bel-prazer, inúmeras sidequests (muitas delas novas) e actividades opcionais que enriquecem bem mais o jogo. Toda essa exploração e aventura é intercalada com um sistema de combate agora muito similar ao introduzido pelo Yakuza 0, com Kiryu a poder alternar livremente (com recurso ao d-pad) entre 4 estilos distintos de luta, o mesmo sistema de heat que nos permite executar golpes bem mais poderosos e ligeiras mecânicas de RPG por podermos equipar a personagem com diferentes armas ou acessórios ou todo o seu sistema de evolução. Ao contrário do Yakuza 0 (que por decorrer numa altura onde havia dinheiro à fartazana na economia japonesa) para desbloquear novas habilidades teríamos de investir dinheiro nas mesmas, aqui estas são desbloqueadas através de pontos de experiência. Basicamente, por cada 1000 pontos de experiência (que podem ser ganhos através de combate, comer comida em restaurantes, ou ao completar sidequests e outras actividades) ganhamos um skill point que poderão ser amealhados e gastos ao desbloquear novas habilidades. A grande excepção está no estilo Dragon of Dojima, que está 75% preso a um novo “mini-jogo / sidequest” introduzido neste remake: Majima Everywhere!

O Kiwami traz um sistema de combate mais moderno em comparação com o original e as skills são desbloqueadas com os pontos de experiência que vamos juntando

Basicamente a ideia é que, como Kiryu passou 10 anos na prisão, perdeu muita da força que o fazia ser um oponente temível e Majima, como bom rival que é, vai passar o jogo todo a perseguir-nos (um pouco como os Mr. Shakedown do Yakuza 0) e combater connosco sempre que nos apanhe. A parte original é que não só poderemos encontrar Majima simplesmente a passear pelas ruas, mas também noutras situações variadas como intrometer-se nalguma luta de rua que estejamos envolvidos, esconder-se em locais bizarros como caixotes do lixo, malas de carro, cones gigantes, etc. Pode até estar vestido de polícia ou de zombie, ou mesmo intrometer-se nos mini-jogos e obrigar-nos a competir com ele. A árvore de habilidades Dragon of Dojima poderá ser evoluida à medida que vamos combatendo contra o Majima em todos estes diferentes cenários e Majima usa também os diferentes estilos de luta que foram introduzidos no Yakuza 0. As restantes habilidades do Dragon of Dojima serão aprendidas pelo mestre Komeki (que ensinou Majima na prequela) e que por sua vez nos obrigarão também a perder algum tempo no coliseu e participar nalguns torneios de lutas.

Apesar de a personagem Majima ser bem menos cruel nesta versão, para compensar incorporaram o sistema Majima Everywhere com algumas situações caricatas

No que diz respeito aos minijogos, o mahjong, shogi, casino, baseball e bowling do lançamento original estão aqui presentes, assim como o minijogo de engatar miúdas nos bares. Do Yakuza 0 temos novamente o Pocket Circuit Racing (agora com mais circuitos) ou os bares de Karaoke. Bilhar e dardos estão também presentes, embora não me recorde se estavam presentes no lançamento original da PS2. Os centros arcades da Sega também continuam mas, sendo este um jogo que decorre primariamente no ano 2005, já não podem jogar clássicos como Out Run, Hang On ou After Burner. Temos algumas máquinas arcade do Virtua Fighter 4 mas infelizmente tal não pode ser jogado. Temos então os UFO catchers, aquelas maquinetas para apanhar brindes e duas novidades: cabines de fotos e o jogo Mesuking. Este último é nitidamente influenciado no Mushiking, um jogo arcade da Sega lançado originalmente em 2003 e que envolvia trading card games de insectos, cujas cartas eram lidas por um leitor e as suas personagens e habilidades eram transportadas para a partida em si. Apesar da sua jogabilidade simples baseada em regras de pedra-papel-tesoura, o jogo foi um enorme sucesso no Japão e posteriormente foram lançadas outras versões para inúmeros sistemas que me recordo de estarem durante uns bons meses nos tops de vendas do Japão. Mas em que difere Mesuking de Mushiking? É simples, em vez de insectos normais, temos mulheres seminuas e com adereços de roupa que as assemelhem a insectos como joaninhas, escaravelhos, abelhas, etc. Yakuza no seu melhor.

Outra das novidades, um mini jogo em homenagem ao Mushi King, um êxito da Sega daquele tempo. Mas em vez de insectos são mulheres semi-nuas!

No que diz respeito aos gráficos o jogo utiliza o mesmo motor gráfico do Yakuza 0. Não joguei ainda os da PS3 para ter uma boa base de comparação, mas claro, comparando com o original de PS2, Kamurocho está representada com muito mais detalhe. No entanto, tal como já tinha referido no artigo do Yakuza 0, há uma discrepância bem considerável no detalhe gráfico das personagens em si. Uma personagem principal está com um bom nível de detalhe, enquanto uma mais genérica está uns furos bem abaixo. Enquanto navegamos pela cidade é normal que tal aconteça e nem prestamos grande atenção, mas como esses modelos mais genéricos são muitas vezes reaproveitados para as sidequests, durante as cutscenes das mesmas a discrepância é bem notória. Sinceramente acho que a PS4 consegue fazer melhor, pelo que estou curioso em ver a evolução para os mais recentes. De resto nada de especial a apontar ao som, o voice acting (integralmente em japonês ao contrário do lançamento ocidental do jogo na PS2) é excelente e a banda sonora é bastante diversificada e vai entretendo.

Portanto este Yakuza Kiwami é um remake bem interessante. A jogabilidade foi refinada para melhor reflectir as mecânicas de lançamentos mais recentes e todo o conteúdo extra é muito benvindo. A narrativa foi expandida, embora tenha pena que a personagem do Majima seja bem menos cruel nesta versão do jogo, mas tal vai também um pouco de encontro ao que assistimos do desenvolvimento da personagem no Yakuza 0. No entanto tudo isso foi perdoado com a introdução do sistema Majima Everywhere e todas as suas