Sega Ages 2500 Vol 32 Phantasy Star Complete Collection (Sony Playstation 2)

Uma das iniciativas mais interessantes que a Sega lançou para reavivar todo o seu espólio retro foram os lançamentos da Sega Ages 2500 para a Playstation 2. Em 33 lançamentos diferentes, lançaram para o mercado algumas conversões, remakes dos seus clássicos ou compilações de séries completas como Space Harrier, Wonder Boy / Monster World, Fantasy Zone ou esta compilação da saga clássica Phantasy Star. Claro que a maioria destes lançamentos se ficaram pelo Japão e, pelo menos no caso dos remakes, os resultados finais foram algo díspares na sua qualidade. Alguns títulos ficaram pior que os originais, enquanto outros até ficaram bem interessantes. No ocidente acabamos por receber alguns desses remakes na compilação SEGA Classics Collection que planeio trazer cá em breve também. Entretanto este meu exemplar foi comprado algures em Junho do ano de 2020 no eBay. Não foi barato, mas foi um presente de aniversário que quis dar a mim mesmo!

Compilação com caixa, manual e papelada diversa que não ficou na foto

Mas então o que contém esta compilação? Bom, temos os quatro Phantasy Star clássicos mais alguns títulos secundários que foram saíndo originalmente para a Game Gear ou para o serviço online Mega Net da Mega Drive. Todos esses jogos estão em japonês, mas eu joguei versões emuladas com patches de tradução para inglês já há muitos anos atrás. Este artigo irá incidir precisamente nesses jogos secundários, pois já cá trouxe os da série principal. Se quiserem ler a minha opinião sobre os Phantasy Star principais, podem fazê-lo ao seguir os respectivos links: Phantasy Star, Phantasy Star II, Phantasy Star III, Phantasy Star IV.

As Phantasy Star II Text Adventures são pequenos jogos de aventura, altamente baseados em texto, que contam pequenas histórias de cada personagem do Phantasy Star II, alguns anos antes dos acontecimentos narrados nesse jogo

E vamos começar por abordar brevemente as Phantasy Star II Text Adventures. Como o nome indica, são aventuras gráficas ao estilo japonês, foram lançadas originalmente no serviço online Mega Net da Mega Drive, onde os seus clientes poderiam descarregar pequenos jogos que ficavam armazenados num cartucho próprio para o serviço. Dos vários títulos lançados nesse serviço, temos 8 aventuras gráficas que narram pequenas histórias que mostram um pouco mais do background das diferentes personagens intervenientes no Phantasy Star II. Mais tarde estes jogos tiveram também um lançamento físico para a Mega CD, divididos em duas compilações distintas que incluíam vários jogos deste serviço online.

Ocasionalmente teremos de defrontar alguns inimigos e o dano causado/sofrido é calculado através do lançamento de dados

Não vou detalhar os 8 jogos separadamente, pois todos possuem histórias diferentes, mas partilham todos das mesmas mecânicas de jogo, inspirados em muitos outros jogos de aventura nipónicos, onde na parte inferior do ecrã vemos o texto com os diálogos e descrição do mundo à nossa volta, do lado direito temos o menu com as diferentes acções (move, look, take, use, drop), enquanto que o resto do ecrã está dividido em 2 janelas que mostram alguns gráficos, sendo uma delas o protagonista. Em cada uma dessas opções surge uma interface com as direcções onde nos podemos mover ou no caso das outras opções, menus com os objectos ou personagens com os quais podemos interagir. E sendo jogos de aventura teremos de explorar bem os cenários, falar com pessoas e adquirir uma série de itens de forma a progredir no jogo! O grande twist desta fórmula está precisamente nas batalhas, pois em certos pontos do jogo teremos mesmo alguns combates para enfrentar. E aqui o jogo retém alguns elementos de RPG, pois são batalhas por turnos, onde devemos atacar com alguns dos itens que entretanto vamos encontrando. O dano causado é que é algo aleatório, pois é calculado através do lançamento de dados, mesmo à velha guarda! De qualquer das formas são elementos muito ligeiros de RPG, não há qualquer level up e os combates não são assim tão frequentes, mas temos de nos preocupar em não deixar que a nossa personagem morra, pelo que teremos de encontrar também maneiras de nos regenerar a barra de vida após combates.

A janela mais à esquerda ocasionalmente mostra-nos alguns detalhes gráficos do que se passa à nossa volta

A nível audiovisual, estas aventuras de texto são extremamente simples. Estava a contar que houvesse maior detalhe gráfico, com imagens que ilustram os cenários à nossa volta ou as pessoas com as quais interagimos, mas isso acontece muito esporadicamente. Sempre que há batalhas, uma das janelas gráficas apresenta o nosso oponente, mas ilustrações de cenários só acontece muito esporadicamente e apenas nalgumas das aventuras específicas. De certa forma compreende-se pois estes eram jogos que teriam de ser descarregados digitalmente através de linha telefónica, logo nos inícios dos anos 90, portanto era imperativo que ocupassem o menor espaço possível. Por outro lado as músicas vão sendo variadas consoante a aventura e algumas até as achei bem agradáveis.

Phantasy Star Adventure possui as mesmas mecânicas base de outras aventuras, mas com maior detalhe gráfico

Em 1992 a Sega lança também o primeiro spinoff para a portátil Game Gear, em mais um lançamento que nunca saiu do Japão. Tal como as aventuras de texto da Mega Drive, este também é um lançamento que aborda os eventos do Phantasy Star II, colocando-nos no papel de um outro agente de Paseo na mesma altura em que o jogo principal decorre. E é também uma aventura gráfica, com as mesmas mecânicas de jogo das aventuras anteriores, seja nas acções move, look, talk, take, use, drop seleccionadas através de menus, seja nas batalhas que também têm o sistema de lançamento de dados dados que define o dano causado/recebido em batalhas. Mas ao contrário dos seus predecessores na Mega Drive, aqui há um maior detalhe gráfico, pois todas as áreas que exploramos e personagens que interagimos possuem uma imagem estática descritiva. No entanto, algumas das informações importantes como os nossos pontos de vida ou dinheiro, são apenas visíveis após navegar nalguns menus.

Phantasy Star Gaiden já é um RPG tradicional, mas muito simples

Por fim temos o Phantasy Star Gaiden que saiu também para a Game Gear algures em 1992. É uma sequela directa do primeiro Phantasy Star, decorrendo umas centenas de anos após os acontecimentos do primeiro jogo. Mas a acção não decorre no familiar sistema solar de Algo, mas sim no planeta distante de Copto, que foi colonizado por Alis, a heroína do primeiro jogo, após o final da primeira aventura. E começamos por encarnar na pele dos jovens Alec e Mina, que partem para descobrir o paradeiro do pai de Alec, que havia sido emboscado por bandidos numa terra longínqua. Eventualmente teremos um grande vilão para defrontar, mas a história deste jogo é muito simples.

Ao menos quando entramos em edifícios temos sempre um ecrã detalhado com diálogos

As suas mecânicas de jogo também são bastante simples, com batalhas aleatórias e por turnos, onde poderemos desencadear as acções habituais de atacar, defender, usar itens, magia ou escapar. Mas o maior problema deste jogo, para além da sua simples narrativa, é mesmo o encounter rate que é terrível. Muitas vezes saímos de uma batalha para dar um ou dois passos e entrar noutra! De resto, uma das mecânicas de jogo fora do comum em Phantasy Star é o facto de as magias terem de ser compradas e não aprendidas naturalmente com a evolução das personagens. A nível audiovisual é também um jogo muito simples, as aldeias, cidades e dungeons são practicamente todas iguais entre si, o design dos monstros não é nada de especial e as músicas para além de não serem muitas, não são propriamente cativantes. Em suma, o Phantasy Star original da Master System é de longe um jogo bem melhor em todos os níveis. E a Game Gear tem JRPGs clássicos mais interessantes também.

Portanto estamos aqui perante uma interessante compilação que irá certamente agradar aos fãs de Phantasy Star, pois inclui todos estes spin offs que são bem mais complicados de comprar nas suas versões originais. No entanto temos sempre a barreira linguística, pois são todos jogos bastante pesados em texto e todos estão em Japonês nesta compilação. Um outro detalhe que ficou por contar é que os jogos da Game Gear estão escondidos e têm de ser desbloqueados!

Guilty Gear Isuka (Sony Playstation 2)

Voltando à Playstation 2, vamos ficar com mais um jogo da série Guilty Gear, sendo este Isuka um spin off, não pertencendo à série principal. Parece-me uma experiência pela Arc System Works ao testar novas águas, mas tendo em conta que este foi um filho único, provavelmente a recepção não terá sido a melhor. O meu exemplar sinceramente já não me recordo bem onde e quando o comprei, mas foi dos que deu mais luta para encontrar a um preço apetecível. Sempre que o encontrei em feiras ou lojas de usados a bom preço, ou não estava completo, ou estava em péssimo estado mas creio que no início deste ano lá consegui encontrar um e certamente não terá custado mais que uns 7€.

Jogo com caixa, manual e papelada

Temos aqui imensos modos de jogo. O Arcade e Versus possuem mecânicas de jogo similares onde poderemos ter até 4 lutadores no ecrã em simultâneo. O versus permite combates de todos contra todos, 2 contra 2 ou até 1 contra 3 o que será um desafio bem acima da média. Aqui as mecânicas de jogo mudaram um pouco pois temos 2 planos de luta, tal como no Fatal Fury, pelo que poderemos alternar entre ambos planos livremente e os controlos tiveram de ser ligeiramente adaptados para isso. De resto contem com a habitual jogabilidade frenética e repleta de golpes especiais, onde as barras de tensão marcam uma vez mais a sua presença e, uma vez cheias, nos permitem desencadear uma série de golpes bem poderosos. E sendo este um modo de jogo muito focado no multiplayer, o jogo inclui também um sistema de souls, que são basicamente o número de vidas que temos num determinado combate. À medida que vamos defrontando inimigos e esvaziamos a sua barra de vida, se estes tiverem souls extra, a barra de vida volta a encher, com o custo de uma soul. Naturalmente que o mesmo também se aplica a nós.

As personagens continuam muito bem detalhadas e carismáticas

Mas temos aqui também outros modos de jogo, de particular interesse o GG Boost e o RKII Factory. O primeiro é um beat ‘em up onde teremos de percorrer uma série de cenários diferentes e cada nível vai sendo dividido em diferentes missões, onde teremos de derrotar uma série de inimigos dentro do tempo limite, sobreviver durante 60 segundos, defrontar bosses, entre outros objectivos. No modo RKII Factory apenas controlamos o Robo Ky II, cujo robot pode ser altamente customizado, nomeadamente nos golpes que poderá executar. Se bem que nem todos os golpes estão disponíveis à primeira, pelo que teremos de ganhar experiência nas mesmas àreas que exploramos no GG Boost. Outras opções e modos de jogo disponíveis são o Color Edit, onde poderemos customizar exaustivamente as cores das sprites de cada personagem, bem como um modo de treino para practicar os seus golpes especiais.

Posso ser uma nódoa neste tipo de jogos, mas ao menos dá para apreciar bem os seus bonitos gráficos

Os audiovisuais, bom, esses felizmente têm sido sempre excelentes e este Isuka não é uma excepção à regra. Contem então com cenários interessantes, originais e cheios de pequenos detalhes. As personagens, sendo todas bastante distintas entre si, estão também muito bem detalhadas e animadas, em particular muitos dos seus golpes especiais. Mas a acompanhar tudo isto está a já típica banda sonora hard rock / heavy metal e repleta de guitarradas bem melódicas, que eu sinceramente aprecio bastante. Existem no entanto alguns temas um pouco diferentes, com menos prevalência nas guitarras, mas nem por isso menos bons! E para além de imensos temas novos, reconheci também uns quantos de outros jogos da série.

A inclusão de um modo beat ‘em up foi muito benvinda

Portanto este Guilty Gear Isuka, apesar de ser um título bastante diferente dos Guilty Gear de 1 contra 1 tradicionais, não deixa de ser uma entrada interessante na série. Eu pessoalmente não sou um grande fã de diferentes planos num jogo de luta 2D, mas não deixa de um jogo divertido e desafiante. E a sua variedade de diferentes modos de jogo também foi benvinda. Mas no fim de contas, parece-me que a Arc System Works não voltou a usar estas mecânicas de jogo (posso estar errado pois não experimentei nenhum dos Xrd) mas não foi a única vez que tentaram reinventar a série. O Guilty Gear 2 que o diga.

Guilty Gear X2 (Sony Playstation 2)

Depois do excelente Guilty Gear X, a Arc System Works não perdeu muito tempo a lançar uma sequela nas arcades (uma vez mais tendo o sistema Naomi da Sega como base). E este Guilty Gear X2 acabou por ter sido muito bem recebido, tanto pelos fãs, como pela crítica e foi um jogo que, tal como o Street Fighter II, recebeu imensos updates nos anos seguintes, alguns deles que também tenho na colecção e irei explorar em breve. O meu exemplar sinceramente já não me recordo muito bem de onde veio nem quanto custou, mas pelas marcas de autocolantes que possuía na capa, presumo que tenha vindo de uma cash converters e se assim foi, não terá sido nada caro.

Jogo com caixa e manual

A história aparentemente decorre meras semanas após os acontecimentos do jogo anterior, com a misteriosa Post War Administration Bureau a operar sobre as sombras e investigar os Gears, os tais seres/cyborgs super poderosos e restantes personagens. Paralelamente, uma nova e misteriosa vilã, a rocker I-No também vai manipulando as outras pessoas a seu bel-prazer, como poderemos descobrir no modo história. Aliás, a conversão para a PS2 trás imensos modos de jogo, pelo que este acaba por ser um fighter repleto de conteúdo para quem o quiser completar a 100%.

I-no é uma das novas personagens and she’s a badass!

Antes de abordarmos os modos de jogo, vamos abordar um pouco da sua jogabilidade. Tal como os seus predecessores, este Guilty Gear X2 é um fighter 2D, com excelentes visuais e animações, personagens bastantes distintas entre si, e uma jogabilidade frenética, com grade ênfase nos combos e outros golpes especiais. A tension bar marca novamente o seu regresso, ao ser preenchida à medida que vamos distribuindo pancada. A barra pode ser preenchida a vários níveis, que vão desbloqueando uma série de golpes especiais para cada personagem como os overdrives ou golpes instant kill, que são fatais para os oponentes. Por outro lado, se tivermos uma abordagem demasiado defensiva, a tension bar vai diminuindo. Mas isto já existia no jogo anterior, então a Arc System Works decidiu colocar ainda outra barra adicional, a Burst Bar. Esta vai enchendo à medida que vamos infligindo ou sofrendo dano e uma vez cheia permite-nos desencadear counters poderosos capazes de contrariar golpes especiais dos nossos adversários, que de outra forma suponho que sejam indefensáveis.

O design dos lutadores é bastante variado e original

No fundo este é um fighter muito técnico e que exige muita práctica para ser dominado, e tal como referi acima, a Arc System Works introduziu aqui imensos modos de jogo que irão certamente ajudar a quem quiser se tornar um pro. Para além da tradicional adaptação arcade, onde vamos defrontando um número de inimigos até chegar ao boss final, bem como o versus para 2 jogadores, temos aqui muito mais conteúdo, a começar por um modo de treino, um Survival onde teremos de enfrentar várias vagas de oponentes até que finalmente percamos uma vida, o Mission, Medal of Millionaires, e por fim o modo história. O Mission, tal como o nome refere, coloca-nos uma série de desafios pela frente, como enfrentar um oponente com uma personagem pré-definida, e por vezes com algumas condicionantes, como começar com metade da barra de vida, por exemplo. O Medal of Millionaires é uma variante do survival, onde vamos sendo recompensados com medalhas e creio que outros power ups se mantivermos uma boa performance e desencadear combos.

O modo história possui cutscenes cheias de diálogos com voice acting. Se ao menos tivessem investido um pouco mais na apresentação!

Deixei o modo história para o final propositadamente, pois creio ser o modo de jogo onde a Arc System Works mais investiu nesta conversão para a PS2. Aqui temos cutscenes entre cada batalha, que naturalmente diferem de personagem para personagem e que melhor explicam as motivações de cada lutador e quais as suas relações com os restantes. As cutscenes em si são muito simples, com os retratos de cada interveniente a surgir no ecrã quando estão a falar, mas todos os seus diálogos são apresentados com voice acting em japonês, o que foi uma excelente surpresa. Para além disso, cada personagem possui diversas ramificações na sua história (tipicamente 3) que nos irão levar a finais distintos. A maneira como alcançamos os diferentes finais é que não é muito óbvia à primeira vista, pois irá depender da nossa performance ao longo da história e eventualmente também teremos de ter alguns pré-requisitos preenchidos, como alcançar um final específico com outra personagem.

O detalhe nas animações e seus golpes continua excelente!

A nível audiovisual nem sei bem o que mais dizer. O jogo possui cenários num 2D muito bem detalhado, apresentando paisagens urbanas, naturais, pós-apocalípticas (pois este universo decorre num universo pós-guerra) ou até algo sobrenaturais como é o caso de algumas personagens. As personagens também são bastante diversas entre si, com excelentes animações e golpes especiais. A música, essa continua numa excelente toada entre o hard rock e o heavy metal, cheia de grandes guitarradas como manda a lei! Só é pena as cutscenes do modo história serem um pouco aborrecidas visualmente, mas acho que já foi bom o suficiente a Arc System Works ter introduzido este modo de jogo da maneira que fez.

Portanto este Guilty Gear X2 é mais um excelente jogo de luta, repleto de diferentes modos de jogo nesta sua versão para a PS2, que irá certamente contribuir positivamente para a sua longevidade. Ou talvez não tendo em conta os vários relançamentos com coisas novas que o jogo foi recebendo ao longo dos anos. O primeiro foi o #Reload, que planeio abordar em breve, mas antes desse foi lançado também o Isuka, um jogo inteiramente novo que planeio jogar primeiro.

James Bond 007: Nightfire (Sony Playstation 2)

Um ano após o lançamento do Agent Under Fire, a Electronic Arts voltou à carga com mais um FPS sobre as aventuras do James Bond, tendo este Nightfire sido produzido pelos britânicos da Eurocom, pelo menos nas suas versões para consolas domésticas. E este é mais um videojogo que não é baseado em nenhum filme, embora a aparência de Bond desta vez já seja a de Pierce Brosnan, o então actor que representava o papel do espião mais famoso do cinema. O meu exemplar foi comprado algures no ano passado numa feira de velharias, lembro-me que me custou 2€.

Jogo com caixa, manual e papelada diversa, até publicidade

Mal ligamos o jogo e somos logo transportados a um prelúdio, uma espécie de modo tutorial onde Bond trabalha em conjunto com uma agente dos serviços secretos franceses para prevenir um grupo de terroristas detonar uma bomba nuclear na cidade de Paris, em plena noite de comemoração do ano novo. Uma vez completada essa introdução, temos a hipótese de começar o jogo em si. Aqui temos a missão de investigar uma grande corporação internacional, que é a principal suspeita de ter roubado um sistema de guia de mísseis Norte Americano. Ao longo do jogo iremos percorrer diversos cenários, desde as montanhas Austríacas, várias localizações no Japão, ou uma enorme base inimiga em ilhas no oceano pacífico.

A primeira missão a sério leva-nos a um castelo nas montanhas Austríacas.

Tal como o seu predecessor, este jogo partilha muitas das suas mecânicas de jogo, na medida em que teremos ao nosso dispor inúmeras armas de fogo, muitas delas com modo de silenciador, pois teremos várias missões onde uma aproximação mais furtiva é altamente recomendada. Teremos também imensos gadgets diferentes para usar ao longo das missões, desde descodificadores de fechaduras, raios laser, ou óculos especiais que nos permitem activar a visão nocturna ou uma outra que nos permite ver passagens secretas. Tal como no jogo anterior teremos também alguns segmentos com veículos, uns onde alguém os conduz e apenas temos de nos preocupar em ir atirando sobre tudo o que nos ataque, outros onde já somos nós ao voltante. Mas desta vez os níveis onde somos nós a conduzir são bem mais lineares, já não temos aqueles níveis onde poderíamos percorrer várias ruas diferentes nas cidades para alcançar o mesmo objectivo. Para compensar há no entanto uma maior variedade de veículos que teremos de conduzir, incluindo um submarino ou avião ligeiro.

Também teremos algumas missões com veículos, mas desta vez as mesmas são bem mais lineares

De resto, tal como no jogo anterior, a nossa performance é avaliada no final de cada missão através de uma série de parâmetros como a pontaria, o tempo, dano sofrido, entre outros incluindo os tais “momentos Bond”, como usar gadgets de forma inteligente ou causar imensa destruição em certos momentos chave. Ao obter boas performances em cada nível iremos uma vez mais desbloquear imensos extras, como armas douradas, upgrades para armas e gadgets, novas personagens no mutiplayer incluindo mesmo novos modos no multiplayer também. Era uma boa maneira de dar mais alguma longevidade ao jogo, pois tal como no seu predecessor este também não é muito longo assim. Sobra-nos então também abordar o modo multiplayer. Este possui diversos modos de jogo que permitem até 4 jogadores em simultâneo com splitscreen, mas também poderemos incluir bots e customizar alguns dos seus parâmetros como as armas a usar. Os modos de jogo resumem-se a variantes do deathmatch, capture the flag, vários modos de jogo onde temos de activar/defender/destruir objectivos espalhados pelos níveis, entre outros.

Os níveis são bastante diversificados e muito bem detalhados

Passando para os gráficos, esta é uma óptima evolução perante o Agent Under Fire. Os níveis continuam com cenários variados, mas agora acho que possuem muito mais detalhe. As texturas das superfícies são mais complexas, já não temos tantas paredes só com a mesma cor e os oponentes possuem também mais detalhe. No que diz respeito ao voice acting este é bastante competente e as músicas também vão sendo, na sua maioria, remixes das melodias habituais nos filmes do Bond, adaptadas para os diferentes contextos.

Portanto devo dizer que sinceramente até gostei desta nova aventura do James Bond. Não é um FPS que reinventa a roda, mas possui missões interessantes e níveis bem desenhados que nos vão manter entretidos durante algum tempo. Não é um jogo muito longo no entanto, mas oferece muitas recompensas a quem quiser perder mais tempo para dominar bem todas as missões. Não é o meu caso pois tenho muito mais coisas que quero jogar… De resto convém também referir que a versão PC é um jogo diferente, produzido pela Gearbox. Acho que joguei uns 10 minutos disto algures em 2003 em casa de uns primos meus franceses e fiquei com vontade de sacar o jogo quando chegasse a Portugal, o que acabou por não acontecer.

James Bond 007: Agent Under Fire (Sony Playstation 2)

Agent Under Fire marca a primeira aventura de James Bond numa nova geração de consolas, tendo sido lançado para a Playstation 2, mas também Xbox e Nintendo Gamecube. Produzido uma vez mais pela Electronic Arts, que ainda detinha a licença da série, este Agent Under Fire é mais um first person shooter sem qualquer relação com outros filmes ou livros da saga. O meu exemplar foi comprado numa das CeX da região do Porto, algures em Dezembro do ano passado por 2.5€.

Jogo com caixa e manual

A história coloca um James Bond (sem parecenças com Pierce Brosnan, que até à data era ainda o último actor a representar esse papel), numa série de missões que o irá opor a um grupo terrorista que, com a capacidade de clonar seres humanos, planeava substituir todos os grandes líderes mundiais com clones seus, de forma a controlar os maiores governos mundiais e realizar as suas ambições.

Antes de cada missão vamos tendo um briefing da mesma, como tem sido habitual

E este é um jogo inteiramente jogado na primeira pessoa, onde vamos atravessando várias missões, uma com uma componente bastante furtiva, onde teremos de evitar a todo o custo sermos detectados e/ou alarmes serem activados, missões mais de acção e inclusivamente teremos alguns segmentos onde poderemos conduzir alguns veículos. Ao longo do jogo teremos a hipótese de usar uma grande variedade de diferentes armas como pistolas, armas automáticas, shotguns, ou explosivos como granadas e lança-rockets. E claro, sendo este um jogo do James Bond, teremos também inúmeros gadgets para utilizar. O telemóvel de James Bond possui mais funcionalidades do que um canivete suiço, permitindo-lhe disparar raios laser para destruir cadeados, desencriptar fechaduras electrónicas, disparar um gancho que lhe permite alcançar plataformas de outra forma inatingíveis, entre outros gadgets, como um jetpack, ou uns óculos capazes de detectar passagens secretas e outras áreas escondidas.

Ocasionalmente o jogo vai-nos relembrando dos nossos objectivos ou dar algumas dicas de como prosseguir

Tal como referi acima, ocasionalmente também vamos ter missões baseadas em veículos. Nalgumas teremos alguém a conduzir por nós e teremos apenas de disparar para os inimigos que vão surgindo no ecrã, tornando-se num shooter on rails, enquanto que noutras missões estaremos nós ao volante de carros como o BMW Z8, um Aston Martin ou mesmo um tanque de guerra! Nessas missões tipicamente poderemos nos deslocar algo livremente pelas ruas das cidades em que nos encontramos, sendo que iremos encontrar não só alguns oponentes pela frente, onde poderemos usar livremente as armas que cada carro possui, como metralhadoras, rockets, ou outros dispositivos como deixar poças de óleo na estrada para despistar quem nos persegue. Apesar de podermos navegar livremente pelas ruas, teremos na mesma de cumprir alguns objectivos, estando estes devidamente sinalizados no mapa que surge no ecrã.

Ocasionalmente temos algumas missões onrails, onde alguém conduz um veículo por nós. Aí é só disparar em tudo o que mexa!

O jogo possui também um grande foco nos “Momentos Bond”, seja ao usar os gadgets que temos à nossa disposição de maneira inteligente, seja ao matar uma série de inimigos ao disparar sobre objectos explosivos, ou mesmo interagir com algumas mulheres atraentes que ocasionalmente surgem nas missões. Por exemplo, logo no primeiro nível temos de infiltrar uma base inimiga. E podemos fazê-lo por duas vias: a primeira é desencriptar o código da porta de entrada e assim conseguir entrar. A segunda opção é a de usar o gancho para nos projectar-mos para o telhado e infiltrar na base através das condutas de ar. Noutra missão, onde temos de nos infiltrar numa embaixada britânica algures na Europa de Leste, a certa altura deparamo-nos com uma série de raios laser que devemos evitar para que toque o alarme. Podemos saltar sobre eles, mas se usarmos os óculos especiais, conseguimos encontrar na parede os painéis de controlo dos lasers, que poderemos usar depois os gadgets do telemóvel de Bond para os desactivar. O jogo vai tendo ocasionalmente diferentes possibilidades de alcançar o mesmo objectivo o que é algo interessante, mas não é usado ao mesmo nível que jogos como Deus Ex, por exemplo.

Ocasionalmente também teremos missões onde conduzimos veículos livremente

O jogo possui alguma longevidade devido à quantidade de segredos e desbloqueáveis que poderemos obter em cada missão. Isto porque no final das mesmas, a nossa performance é avaliada numa série de factores: o número de “momentos Bond”, inimigos derrotados, tempo que levamos a completar a missão, dano sofrido, pontaria, ou o grau de dificuldade escolhido são tudo factores que serão tidos em conta na nossa avaliação. Fazendo pontos suficientes poderemos desbloquear novas armas como o caso da icónica pistola dourada, novas skins para o multiplayer, ou mesmo algumas batotas como munições ilimitadas para algumas armas e afins. E sim, o jogo suporta multiplayer com até 4 jogadores em simultâneo, mas confesso que nem o cheguei a experimentar. Aparentemente possui variantes do deathmatch, capture the flag e mesmo um modo de desarmar bombas certamente inspirado no Counter Strike.

Temos inúmeros gadgets à nossa disposição para usar

Já no que diz respeito aos controlos, confesso que estes podiam ser um bocadinho melhores. No que diz respeito a movimentar o Bond, o esquema de controlo já está algo dentro dos parâmetros habituais hoje em dia com o analógico esquerdo a controlar o movimento e o direito a controlar a câmara. Tal como no GoldenEye, no entanto, podemos também estar estáticos no ecrã e deslocar a mira para onde quisermos, ao pressionar o botão R2 em conjunto com o analógico esquerdo. Para disparar não usamos nenhum botão de cabeceira, mas sim o botão X. Para além disso, alternar entre as diferentes armas e gadgets deve ser feito através do d-pad, sente-se a falta de um botão específico para as granadas. É que no meio de uma situação mais bicuda, ter de percorrer as diferentes armas até escolhermos uma granada faz muita diferença. Vá lá que o jogo até é algo generoso no dano que sofremos, bem como na quantidade de medkits (armaduras) que podemos encontrar ao longo dos níveis.

A aventura pode nem ser muito longa, mas possui imensos extras que nos levarão tempo a desbloquear

Graficamente é um jogo competente, usando uma versão modificada do motor gráfico id Tech 3, o mesmo que nos trouxe o Quake III Arena. Ao longo do jogo iremos explorar diversos cenários distintos como cidades, uma plataforma petrolífera, bases subaquáticas, navios de guerra, entre outros. Os níveis em si possuem um nível de detalhe quanto baste, pois as superfícies acabam por ter texturas muito simples. No entanto o jogo possui alguns efeitos de luz interessantes, e boas expressões faciais, visíveis particularmente nas cutscenes. No que diz respeito ao som, nada a apontar ao voice acting, nem aos efeitos sonoros e música que são bastante competentes. Irão ouvir melodias temáticas do James Bond imensas vezes, no entanto.

Portanto devo dizer que até gostei deste James Bond 007 Agent Under Fire. É um FPS sólido, embora não seja muito longo, com missões variadas e imensos gadgets para usar. Para além disso, o facto de terem alternado missões FPS com outras de condução foi também uma jogada inteligente para uma maior variedade na jogabilidade. Apesar de ser um jogo relativamente curto, o mesmo possui uma boa longevidade para quem quiser desbloquear todo o conteúdo adicional. A Electronic Arts não perdeu tempo e no ano seguinte lançou o Nightfire, uma sequela directa deste jogo e uma vez mais no formato de FPS. Planeio jogá-lo em breve!