Ecco the Dolphin: Defender of the Future (Sony Playstation 2)

Ecco PS2O jogo que trago hoje é o último da série Ecco the Dolphin. Lançado originalmente para a Dreamcast algures durante o ano de 2000, este Defender of the Future é a primeira e única iteração do golfinho num mundo completamente 3D e com uma história independente à dos clássicos de 16bit. Com a descontinuação da Dreamcast vários jogos dessa plataforma acabaram por receber conversões para outras consolas, tendo sido esse o caso também deste jogo, com esta conversão a chegar à Playstation 2 já durante o ano de 2002. Mas este Defender of the Future só chegou à minha colecção há poucos meses atrás, após ter sido comprado por 2.5€ na CEX no Porto.

Ecco the Dolphin Defender of the Future - Sony Playstation 2
Jogo com caixa e manual

Este jogo é considerado um reboot da franchise, com uma história diferente da que foi contada nos clássicos da Mega Drive e Mega CD. Essencialmente a narrativa começa no século XXX, onde a raça humana e dos golfinhos evoluiram de forma conjunta, pacífica e ambas as inteligências alcançaram feitos inacreditáveis, chegando inclusivamente a conquistar o espaço e abandonar o planeta Terra, deixando alguns golfinhos a “tomarem conta” do mesmo. Até que uma raça alienígena conhecida apenas como “The Foe” decide invadir a Terra, mas os golfinhos tinham construído um poderoso guardião com base numa tecnologia de cristais que protegia todo o planeta gerando um poderoso escudo. No entanto os alienígenas continuaram a atacar esse mesmo escudo até que uma altura conseguiram finalmente irromper o escudo, destruindo inclusivamente o tal guardião. É aí que a nossa aventura começa e eu não queria mesmo desvendar mais da história para guardar a surpresa, mas contem mais uma vez com viagens no tempo, incluindo a realidades alternativas onde a supremacia humana reinou e o planeta ficou bastante poluído e inóspito, bem como precisamente o contrário, onde os golfinhos se impuseram perante os humanos, construindo eles mesmos uma sociedade em forma de ditadura militar, mesmo contra outros golfinhos, entre vários outros temas.

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Mais uma vez teremos lindíssimos oceanos para descobrir

A jogabilidade herda muitas das mecânicas dos primeiros jogos, mas agora transitadas para o movimento em 3D. Teremos mais uma vez de ter em conta ao ar disponível para além da nossa barra de vida, usar o sonar para imensas coisas diferentes, desde comunicar com outros golfinhos ou cetáceos ou os tais cristais mágicos, eco-localização para gerar um mapa do nível em questão, manipular outros animais marinhos ou plantas e, se apanharmos o power up respectivo, poderemos usar o sonar também como arma de ataque em longa distância. Os saltos acrobáticos ou os poderes de metamorfose estão igualmente de regresso. Para além do sonar de ataque que é obtido temporariamente através de um power up, existem outros power-ups temporários que nos dão mais vida, mais ar, mais velocidade ou mesmo invisibilidade para acções mais furtivas. Outros cristais escondidos ao longo de todos os níveis permitem-nos aumentar definitivamente a nossa barra de vida, são os chamados Vitalit. De resto, e tal como os jogos clássicos da era 16bit, aqui também temos imensa exploração para fazer em níveis enormes e por vezes não é nada fácil saber o que temos de fazer e onde o fazer, tendo em conta o tamanho da área em questão. Felizmente ao pressionar L3 vemos o Ecco a inclinar-se de forma a nos indicar onde está localizado o próximo objectivo, mas mesmo assim não será tarefa fácil, até porque em vários níveis o grau de dificuldade não é propriamente baixo, seja pelo pouco ar disponível ou vários inimigos ou fontes de dano espalhadas. Ah, e também teremos vários bosses para derrotar ou puzzles para resolver, como não poderia deixar de ser.

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Mas as águas podem reservar também muitas hostilidades

Mas se há campo em que este jogo brilha, isso é novamente no quesito audiovisual. Graficamente é um jogo excelente, mesmo a própria versão da Dreamcast, apresentando-nos cenários bastante variados. Tanto nadamos por entre recifes bastante coloridos, como estruturas antigas, outras industriais (no caso do Man’s Nightmare), ou o futuro distópico onde os golfinhos dominavam o planeta, com os oceanos repletos de cidades e “tecnologia” muito característica que não se limitavam aos oceanos. Tal como em Tides of Time, vamos ter mais uma vez uma série de níveis onde teremos circuitos de “tubos” formados inteiramente por água, suspensos no ar. Teremos aqui de saltar de circuito em circuito com bastante frequência, o que se pode tornar algo frustrante pois a câmara e a água transparente não ajudam a discernir onde acaba a água e começa o abismo. Mas tudo o resto é muito bom e serão bastantes os momentos “wow” que vamos encontrar e nos damos a pensar como é que alguém poderia alguma vez ter imaginado coisas assim.

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Por vezes não conseguimos deixar de pensar em como conseguiram ter imaginação para tal coisa

Mas as músicas não se ficam nada atrás, pois mais uma vez a banda sonora é excelente. Tal como o aspecto visual de cada cenário, as músicas também se adequam perfeitamente aos sentimentos que nos é suposto fazer despertar quando atravessamos essas fases do jogo. Tanto teremos músicas alegres, épicas e orquestrais, outras bastante calmas, atmosféricas, mas ainda pacíficas, outras mais tensas, mas igualmente calmas, outras mais agitadas, enfim, há para todos os gostos e é de louvar o óptimo trabalho de composição de Tim Follin. Os efeitos sonoros também são bons, não tenho nada a apontar nesse campo.

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Os fãs do primeiro jogo da série deverão reconhecer isto

De resto, para além desta grandiosa aventura que apesar de ser por vezes frustrante, não posso deixar de recomendar, existem também vários extras que podemos desbloquear. Existem 2 níveis secretos que são jogados numa perspectiva 2D, indo buscar muitas influências aos primeiros dois jogos da Mega Drive, pelo menos um desses níveis pareceu-me mesmo uma reimaginação de um dos primeiros níveis do primeiro Ecco. Outros bónus consistem numa galeria onde podemos desbloquear várias imagens e artwork relacionado com o jogo, rever cutscenes e ouvir a banda sonora. Um outro extra de mencionar é um estranho mini-jogo de Dolphin Soccer onde como Ecco jogamos contra um golfinho do The Clan uma estranha variação do “desporto rei”. No fim de contas, este é um jogo que recomendo fortemente, mais uma vez pela sua originalidade, imaginação e apresentação audiovisual fora de série.

Tekken 5 (Sony Playstation 2)

Tekken 5Tekken 4 foi uma excelente sequela da já bem conhecida série de jogos de luta 3D da Namco. Ainda assim, um Tekken 5 foi lançado também para a Playstation 2, com sensivelmente os mesmos modos de jogo, mas com mais outros extras e também claro está mais lutadores. Originalmente, tal como o Tekken 4 e o Tekken Tag Tournament, a minha primeira cópia deste jogo tinha sido comprada por um preço muito apetecível, num bundle em que incluíam estes 3 jogos mais o Virtua Fighter 4 para a mesma consola. No total  tinha-me ficado a menos de 10€ se não estou em erro, embora infelizmente esta fosse uma edição platinum. No final do ano de 2014 acabei por comprar uma versão black label deste jogo.

Tekken 5 - Sony Playstation 2
Jogo com caixa e manual

Ao iniciar o jogo vemos algo que já não via a Namco a fazer há algum tempo. Ocupar o loading inicial com mais um minijogo, desta vez em vez de abordar algo do início da década de 80 como o Galaga, somos levados para a década seguinte para um jogo em 3D poligonal muito básico, o Starblade. Depois vemos uma bonita cutscene de abertura que nos leva logo para a história. Mais uma vez o conflito principal é entre a linhagem de Mishima, com Heihachi, Kazuya, Jin e agora também Jinpanchi metidos ao barulho, todos à luta pelo controlo total do Devil gene. Temos também muitos outros lutadores com quem jogar, todos eles com os seus diferentes backgrounds e motivos para participarem no King of Iron Fist Tournament 5. Caras conhecidas como Paul, Nina ou Yoshimitsu tomam o seu regresso, mas temos também vários novos lutadores, como Asuka Kazama ou Roger Jr, um duo de cangurus, com mãe e cria na sua bolsa marsupial. Mais outra personagem ridícula a adicionar ao universo de Tekken…

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Os modos de jogo disponíveis, algo semelhantes aos do Tekken 4

Os modos de jogo que dispomos são os mesmos de Tekken 4, sejam o modo arcade, time attack, o story mode, que é uma variante do modo arcade com mais ênfase na história, mostrando cutscenes no início e no final do jogo para cada lutador. O survival, modo de jogo onde temos de enfrentar o máximo de inimigos possível até perder um combate, ou o team battle, onde podemos escolher equipas de vários lutadores para lutarem entre si e o Practice, são tudo modos de jogo que já vimos anteriormente. Mas neste Tekken a Namco foi mais longe e ainda incluiu o modo “Arcade History”, onde podemos jogar as versões arcade dos três primeiros jogos da série, bem como o próprio Starblade que vimos na introdução, se o conseguirmos desbloquear. São uns belos extras. O customize é uma opção onde podemos desbloquear vários items ou outfits para customizar os lutadores à nossa escolha. Podemos fazê-lo ao ganhar pontos nos vários modos de jogo existentes. No geral, a jogabilidade neste jogo de pancada parece-me mais rápida e com animações mais fluídas. As arenas perderam os desníveis vistos no Tekken 4, mas podem na mesma serem interagidas, ou seja, podemos atirar com o nosso adversário para as paredes ou rochas e vê-las a estilhaçarem-se.

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As arenas estão com bons detalhes, assim como as personagens

Mas eu deixei algo de fora no parágrafo anterior de forma propositada. Tekken 3 e 4 tinham um outro modo de jogo chamado Tekken Force, sendo este uma espécie de hino aos beat ‘em up da velha guarda como Final Fight ou Streets of Rage. Aqui esse modo de jogo marca mais uma vez presença, mas desta vez de uma forma algo diferente. “The Devil Within” é o seu nome, e aqui apenas podemos jogar com Jin Kazama, onde vemos o que lhe aconteceu entre os acontecimentos de Tekken 4 e Tekken 5. Começamos este jogo a invadir uns laboratórios da G-Corporation, chegando a algumas misteriosas ruínas que contam um pouco mais da origem do seu devil gene. Mas este Devil Within é mais que um beat ‘em up. É certo que passamos a maior parte do tempo à porrada com tudo o que mexa, mas passamos muito tempo também a explorar o layout labiríntico dos níveis, com alguns puzzles e elementos de platforming à mistura. Fez até lembrar um pouco os primeiros Tomb Raiders nesse aspecto. Infelizmente acho que este mini jogo poderia estar um pouco melhor polido, existindo pouca variedade de cenários e os mesmos são bastante repetitivos.

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No Devil Within, para além de enfrentarmos hordas de inimigos, temos algum platforming e puzzles para resolver.

De resto a nível gráfico é um óptimo jogo para uma Playstation 2. As arenas estão repletas de bonitos detalhes e os lutadores estão muito bem modelados. Para além disso, e isto é algo que eu realmente gostei, é o facto de terem mudado um pouco o aspecto geral dos lutadores. Nunca gostei do “desenho” que existia desde os primeiros Tekken e neste jogo as personagens estão com uma cara bem diferente, na minha opinião. As músicas continuam a ser bastante variadas entre si, mas não as considero propriamente memoráveis. As vozes são OK, embora ache os monólogos do narrador um pouco maus, principalmente quando o narrador tenta impersonar algumas personagens. Mas as vozes dos lutadores em si estão boas, e onde no jogo anterior a Namco teve a preocupação de deixar  alguns lutadores a falarem em inglês e japonês, desta vez o mandarim e o coreano são também juntados ao leque da linguística.

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Neste Tekken 5 introduziram as customizações que podemos fazer aos nossos lutadores favoritos

No fim de contas este parece-me ser mais um excelente jogo de luta da Playstation 2. Infelizmente não me considero especialista o suficiente para enumerar as particularidades das mecânicas deste jogo face às do anterior, mas a mim pareceu-me ter uns controlos agradáveis. Mas mais do que isso, este Tekken 5 prima realmente pelo seu conteúdo adicional, mais uma prova que a partir de uma certa altura, converter directamente os grandes êxitos das arcades directamente para as consolas já não é suficiente.

Lord of Arcana (Sony Playstation Portable)

Lord_of_Arcana_CoverApesar de a Playstation Portable não ter tido o mesmo sucesso de vendas que a Nintendo DS e por isso possuir um catálogo mais reduzido de jogos, gosto bastante da plataforma na mesma, principalmente pelo seu elevado número de RPGs, sejam conversões de jogos clássicos, oferecendo alternativas mais económicas de jogos a preços proibitivos da Playstation 1 como o Valkirye Profile ou os primeiros Personas, outras séries como Ys, Disgaea, Breath of Fire, Final Fantasy Tactics ou mesmo jogos mais hack and slash como os Phantasy Star Portable ou mesmo este Lord of Arcana. O jogo foi comprado na feira da Ladra em Lisboa há uns meses atrás por 5€. Que eu tenha conhecimento, na europa o jogo foi lançado em formato físico apenas como a Slayer Edition, que para além do jogo em caixa normal, traz também um CD com a banda sonora e um art-book, que infelizmente não tenho. E ainda por cima está em francês…

Lord of Arcana - Sony Playstation Portable
Jogo com caixa, manual e papelada. Gostava de saber o que é que o antigo dono fez ao resto da Slayer Edition…

Mas continuando, este jogo vai buscar óbvias inspirações aos Monster Hunter, com todo o loot que podemos retirar dos monstros que derrotamos a servir para construir items, armaduras, armas e outras coisinhas. Inicialmente podemos customizar a nossas personagem com vários tipos de caras, cor de cabelo e afins. Depois escolhemos qual a arma que preferimos usar, existindo vários géneros que podemos escolher, desde o tradicional setup de espada e escudo, machado, espada longa que requer 2 mãos para ser usada, entre outros. Começamos a aventura como um guerreiro relativamente bem dotado ao atravessar uma dungeon e despachar uma série de inimigos com alguma facilidade. Após derrotarmos o boss dessa dungeon, somos levados ao distante mundo de Horodyn, mais precisamente para a vila de Porto Carillo, onde perdemos todas as nossas memórias, todo o equipamento fancy e todo o poder que tínhamos, começando do nível 1 e com uma arma bem foleirinha.

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Estas são as Arcana Stones, onde aceitamos as quests finais de cada capítulo e enfrentamos um boss.

 

Depois passamos o resto do jogo a aceitar quests, que consistem em ir para uma determinada zona e matar alguns monstros específicos, arranjar alguns items chave ou mesmo derrotar um boss. Ao lado da vila existe um grande templo com uma série de pedras com os poderes mágicos das Arcana. No final de cada capítulo temos uma quest especial contra um novo boss, estas são as “Arcana Release Quests” e após derrotarmos esse boss, podemos herdar os poderes dele e utilizá-lo como summon, mas para isso temos de criar uma carta própria para o usar. Isto porque para além dos ataques físicos também podemos utilizar magia, tendo para isso de forjar uma carta com magia embutida e equipá-la. As magias são as tradicionais elementais como fogo, electricidade, gelo, luz ou trevas, mas para além dessas temos as tais cartas especiais que guardam os poderes dos bosses que derrotamos. No entanto esses poderes apenas podem ser utilizados quando enchemos uma barrinha de energia própria. De resto, à medida que vamos combatendo e completando quests, ganhamos vários tipos de pontos de experiência, seja para subir de nível, aumentar a nossa habilidade com o tipo de arma equipado, a nossa aptidão para os ataques mágicos ou mesmo pontos para subir o “guild level“. Isto porque para cada quest que podemos aceitar é necessário ter um guild level mínimo, e na recta final do jogo vamos acabar por rejogar imensas missões antigas até conseguirmos o nível necessário para jogar a missão seguinte, o que acaba por ser bastante chato, até porque o combate é algo tediante como já explicarei.

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Estas são as meninas do Guild Counter. Com a da direita podemos mexer com o nosso inventário, a da esquerda é a que nos atribui as quests.

E infelizmente tédio é uma palavra que muitas vezes acompanha este jogo, sendo para isso recomendado que seja jogado em doses moderadas, ou quando vamos de viagem e precisamos de algo com que nos entreter. O facto de o jogo não ter uma história muito boa e basear-se unicamente em quests sem grande objectivo para andarmos apenas a matar monstros e recolher loot para forjar itens ou equipamento depressa torna as coisas demasiado monótonas e repetitivas. O combate também deveria ter sido melhor pensado na minha opinião, pois em cada quest somos largados num mapa para explorar, sendo que cada mapa está dividido em várias secções. Ao vaguear por essas localidades vamos vendo os inimigos a passear de um lado para o outro. O normal seria ir de encontro aos bichos e carregar no botão para atacar, mas embora façamos isso, o jogo leva-nos para uma “arena” onde o combate será passado na realidade, podendo estar presente mais que um inimigo. Ora tudo isto traz loadings desnecessários e era bem melhor que os combates fossem directos, tal como se vê no Phantasy Star Portable, por exemplo. E embora consigamos por vezes executar alguns golpes bem gory, não apaga o facto de o combate ser tediante e de terem complicado o que seria tão simples. Nos combates contra bosses temos ainda 2 melee duels repletos de QTEs e infelizmente é mesmo necessário passá-los (pelo menos o segundo) para derrotar o boss, não interessando quanto dano lhe damos.

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No combate, L faz lock-on nos inimigos, R corre. Mas temos de deixar sempre o dedo lá pressionado e isso acaba por cansar um pouco as mãos.

Outra coisa que não gostei muito, mas é certamente algo propositado é o inventário reduzido que dispomos quando estamos em quests, forçando-nos muitas vezes a deitar itens fora para ficar com outros que nos dão jeito. Noutros jogos como o Phantasy Star Online é possível usar um teleporte e voltar rapidamente à cidade para vender ou armazenar o que temos em excesso. Aqui tal não me pareceu possível e num jogo que requer doses industriais de tudo o que seja loot, o facto de isso não ser possível só indica que a Square Enix queria que jogássemos o maior número de horas possível nisto e repetir cada quest à exaustão. Tudo bem que em Porto Carillo temos um banco que nos deixa depoisitar 1000 tipos diferentes de items, o problema está mesmo em decidir o que levar ou deitar fora em cada quest. Principalmente se quisermos levar de antemão items de suporte, para nos curar ou dar alguns buffs nos stats gerais. O sistema de crafting é ok, embora por vezes me pareça desnecessariamente complicado vender peças do nosso equipamento, por exemplo. Para além de tudo isto é possível jogar as quests em multiplayer até 4 jogadores, tal como nos Phantasy Star. Mas com suporte apenas para redes locais ad-hoc, não foi algo que eu tenha experimentado.

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Em Porto Carillo podemos falar com vários NPCs, mas a verdade é que são todos desinteressantes.

Graficamente não é um mau jogo, sendo tudo em 3D. Pareceu-me um pouco pobre em texturas e alguns cenários poderiam ter um pouco mais de detalhe, mas isto é um jogo de PSP, não PS2. Ainda assim gostei do facto de cada peça do nosso equipamento ser fielmente renderizada na nossa personagem. Os inimigos também são bastante variados, mas alguns com designs melhores que outros na minha opinião. A música sinceramente passou-me ao lado, das vezes em que não joguei este jogo em mute não me deixou grandes memórias e infelizmente também não há qualquer voice acting, mas também para um jogo tão impessoal e com uma história quase não existente também não seria de estranhar.No fim de contas, até nem acho este Lord of Arcana um jogo assim tão mau e deu para entreter em muitas das minhas viagens entre Porto e Lisboa nos últimos meses. É um clone de Monster Hunter com o selo da Square Enix, mas como hack and slash tinha a obrigação de ter uma jogabilidade de combates muito melhor. Ainda assim lá saiu no Japão o Lord of Apocalypse, sequela deste jogo que infelizmente nunca cá chegou, pois já saiu numa altura em que o mercado da PSP estava practicamente morto em todo o lado menos no Japão. Tenho muita curiosidade em jogar um dia um pouco desse Lord of Apocalypse só mesmo para ver se a Square Enix chegou a corrigir algum destes problemas.

Tekken 4 (Sony Playstation 2)

Tekken 4 PlatApesar do Tekken Tag Tournament ter sido o primeiro jogo da série na Playstation 2, esse jogo não era nada mais que um “dream match” com as novas mecânicas de “Tag Team”. Tekken 4 é o verdadeiro sucessor do excelente jogo que a Playstation original recebeu, embora o seu leque de lutadores seja mais reduzido que Tag Tournament, pois este jogo segue a linha temporal da história da saga. Já comprei este Tekken 4 há uns aninhos, não me recordo quanto custou mas sei que foi muito barato, pois foi comprado em bundle no antigo leiloes.net juntamente com o já referido Tekken Tag Tournament, Tekken 5 e Virtua Fighter 4, tendo o conjunto custado-me menos de 10€ se a memória não me falha. Apesar de ser a versão platinum, acho que foi uma boa compra. E esta edição traz um dvd bónus com trailers de vários outros jogos disponíveis para a PS2.

Tekken 4 Platinum - Sony Playstation 2
Jogo completo com caixa, manual francês, papelada e dvd bónus com vários videos de outros jogos da PS2. Versão Platinum.

A história é algo que se evidencia bastante neste jogo, havendo uma distinção entre o arcade mode – conversão directa do original das arcadas e o story mode, que pouco mais é do que o arcade mode com cutscenes iniciais, antes do boss final e finais. Mas pela primeira vez vi que tentaram realmente dar mais atenção à história do jogo, com os eternos conflitos entre Heihachi, Jin Kazama e Kazuya Mishima (que marca o seu regresso após a sua aparição em Tekken 2) a tomarem o foco principal. Mais uma vez Heihachi a convoca o King of Iron Fist Tournament 4, de forma a atrair Jin e Kazuya para mais um dos seus planos maquiavélicos, mas também onde a promessa de obter uma autêntica fortuna com a empresa de Heihachi atrai lutadores de todo o mundo, cada um com as suas distintas razões em participar no torneio. Mas esse “filme” já todos o vimos em dezenas de outros jogos de porrada.

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O menu principal mostra-nos muitas opções de jogo

A jogabilidade é semelhante á fórmula tradicional de Tekken, existindo porém um maior cuidado com as “arenas” e o que nos rodeia, com a possibilidade de usar o meio ambiente para causar mais dano aos adversários. De resto, e não sendo eu um expert na matéria, nem nunca foi, pois jogo este género de videojogos de uma forma mais casual, as coisas parecem-me semelhantes aos anteriores, o que para os fãs dos Tekken é certamente uma boa notícia. Os modos de jogo existentes também são similares aos Tekken anteriores, onde para além desta pequena distinção entre o Arcade e o Story mode não há grandes novidades neste campo. Podem então contar com modos secundários como o Time Attack, onde o objectivo é chegar ao final do modo arcade no menor tempo possível, o survival que nos coloca numa série de lutas e o objectivo é, tal como o nome indica, sobreviver ao maior número de combates possível. O Team battle também tem aqui o seu regresso, onde podemos juntar equipas de até 8 lutadores e lutar entre si até eliminar todos os lutadores adversários. Obviamente também temos o versus para combates multiplayer e existem não um mas dois modos de treino/tutoriais. Um onde podemos treinar livremente todos os movimentos existentes para cada personagem e um outro com um maior foco nos timings necessários para desencadear combos e afins. O que marca também o seu regresso do Tekken 3 é o beat ‘em up à moda antiga, o Tekken Force, onde podemos escolher um lutador e temos de o levar ao longo de vários níveis, enfrentando as forças do exército privado de Heihachi aos magotes, sempre com um boss no final de cada nível, até enfrentarmos Heihachi no final. Este é um minijogo que eu acho muito benvindo, pena pela pouca variedade nos inimigos e níveis, mas compreende-se pois esse é apenas um extra e não o foco principal deste Tekken 4.

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Family’s issues. Yep, são abundantes em Tekken.

No que diz respeito aos audiovisuais, este Tekken 4 é uma notória evolução do jogo anterior em ambos os aspectos. No quesito gráfico, os lutadores possuem um nível de detalhe superior e o mesmo se pode dizer das “arenas” que são variadas e possuem um bom nível de detalhe. As cutscenes em CG também não são más de todo, apresentando na minha opinião diferentes qualidades, com a cutscene de abertura a ter um nível de detalhe superior às outras. O voice acting é competente e achei interessante o facto de termos lutadores a falar em japonês e outros em inglês, embora sempre com legendas. Naturalmente Heihachi e Kazuya a terem as prestações mais imponentes. No que diz respeito às músicas, este parece-me ser o Tekken com mais variedade neste campo também, apresentando uma óptima evolução desde os primeiros 2 jogos com músicas electrónicas de qualidade questionável, pelo menos para mim. Aqui para além da electrónica e rock, até chegamos a ouvir alguns laivos de jazz, o que me agradou bastante.

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O Tekken Force é mais uma vez uma alternativa bem agradável às lutas 1 contra 1.

No fundo este é mais um jogo de luta que a meu ver me parece bastante competente, embora como já referi várias vezes não sou jogador hardcore neste campo, pelo que os haters de Tekken até poderão ter razão nas críticas que fazem à série. Para mim passa-me ao lado e tirando o design de algumas personagens e a história demasiado mastigada, acho uma boa série e este jogo não lhe foge à regra.

Wip3out (Sony Playstation)

Wip3outDe volta para a primeira consola da Sony, para a quarta iteração de uma série que infelizmente nos dias que correm me parece caminhar para o limbo. Wip3out, ou para os americanos Wipeout 3 – espera lá, não disseste que era o quarto jogo da série, perguntam vocês – sim, pois entretanto tinha saído o Wipeout 64 para a consola da Nintendo. Este jogo saiu já no ano de 1999, altura em que um estúdio competentíssimo como a Psygnosis já não guardava segredos com o hardware da Playstation, sendo o produto final um resultado tecnicamente impressionante e do ponto de vista de jogabilidade também. Foi comprado há coisa de um mês a um particular por cerca de 5/6€, onde infelizmente a caixa apresentava imensos danos e foi eventualmente substituída.

Wip3out - Sony Playstation
Jogo com caixa, manual e papelada

Tal como os jogos anteriores, este Wip3out decorre num futuro onde corridas a alta velocidade com naves que planam pelo ar e com recurso a armas destrutivas são perfeitamente permitidas no meio de grandes cidades e não só. Dispomos de bastantes modos de jogo diferentes, onde poderemos desbloquear uma série de circuitos e naves adicionais mediante a nossa performance nas corridas. Desses temos o Single Race que é auto explanatório e podemos escolher qualquer circuito ou nave que já tenhamos desbloqueado anteriormente nesse modo de jogo, para além de existirem também vários graus de dificuldade. O Time Trial coloca-nos sozinhos (ou contra a nossa nave fantasma) a correr num circuito sem armas ou checkpoints onde o único objectivo é alcançar o melhor tempo possível. Dentro dos Challenges temos 3 tipos diferentes de desafios: O Race Challenge exige que terminemos em primeiro lugar num circuito, o Time Challenge obriga-nos a bater um determinado tempo prédefinido e o Weapon Challenge obriga-nos a eliminar, com recurso às armas que vamos ganhando à medida que navegamos nos circuitos, uma série de oponentes. Por fim temos o Combo Challenge que nos exige tudo dos outros 3 desafios.

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Os menus são completamente minimalistas e funcionais. Ah, e o jogo tem um suporte nativo a widescreen.

Para além do mais ainda temos o Elliminator, que é uma espécie de deathmatch, onde o objectivo é fazer X pontos e o primeiro que o fizer vence a prova. Os pontos são ganhos cada vez que eliminamos um oponente ou completamos uma volta. Por fim temos o Tournament onde o objectivo é fazer o máximo de pontos possível em cada corrida, onde os primeiros 3 lugares dão direito a medalhas de ouro, prata ou bronze. Para além do mais temos ainda a vertente multiplayer, que tanto pode ser jogada no single race, elliminator ou tournament. De resto este é um jogo que começa relativamente fácil, mas rapidamente o grau de dificuldade sobe à medida que nos vamos aventurando por graus de dificuldade mais elevados. Os controlos são bons, mas com a enorme velocidade (aqui excelentemente representada) e circuitos por vezes com curvas apertadas e outros obstáculos, exigem alguma maestria dos controlos avançados, como utilizar os air brakes laterais para curvas mais apertadas ou tirar partido do hyperthrust para andar ainda mais rápido. Para nos ajudar temos ao nosso dispor vários itens que podemos apanhar nas corridas que tanto podem ser armas, como vários tipos de mísseis ou minas, ou mesmo powerups que nos deixam temporariamente invisíveis, com um escudo ou a função de autopiloto, bastante útil em alguns troços de alguns circuitos. De resto, existindo armas é também normal que exista alguma protecção e de facto temos uma barra de energia que vai sendo diminuída cada vez que sofremos dano, sejam de armas ou colisões, podendo ser regenerada ao passar por uma espécie de “boxes”, trechos secundários dos circuitos, como se vê nos F-Zeros.

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Estes rastos de luz sempre me fascinaram desde o primeiro jogo

Enquanto a dificuldade deste Wip3out poderá alienar muitos jogadores, é difícil ficar indiferente a tamanha fluidez, sensação de velocidade e bons gráficos que este jogo nos proporciona. As naves e os circuitos estão muito bem representados e mesmo com as velocidades estonteantes que por vezes corremos, a draw distance porta-se bastante bem. O framerate do jogo não me deixou com razões de queixa, não me lembro de ter havido algum slowdown das vezes que joguei e a sensação de velocidade está muito bem conseguida, bem como a alta resolução a que o jogo corre (e o suporte nativo a widescreen que não sei que mais outro jogo da PS1 suporte). O design aparentemente foi todo renegado para uma empresa profissional da área, resultando nuns menus extremamente fluídos e com um aspecto bastante futurista, algo que não é de todo novo nos WipEout, mas aqui ficou muito melhor. Mesmo a informação presente durante as corridas me parece muito atractiva, e o mesmo pode ser dito dos ícones que representam os powerups/armas que apanhamos, estão muito cuidados e no aspecto visual este é um jogo muito consistente. Os efeitos sonoros também são bons e bastante futuristas, como a voz automatizada que nos informa os powerups que apanhamos. As músicas mais uma vez apostam numa onda bem techno que, não sendo de todo “a minha cena”, tenho de admitir que está mais uma vez uma banda sonora coesa e que se adequa perfeitamente ao estilo do jogo.

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As pistas estão bem desenhadas e são em locais variados

Por fim, e apesar deste Wip3out me parecer ser o melhor da série nesta era Saturn/PS1/N64, para nós europeus ainda tivemos direito a um brinde extra que recomendo a todos a sua compra se a oportunidade vos surgir. Wip3out Special Edition é uma reedição do mesmo jogo lançada em 2000, que contém todo o conteúdo desta versão normal, bem como a reintrodução de 8 circuitos dos 2 jogos anteriores da Playstation (3 do primeiro WipEout, 5 do WipEout 2097), mais 2 circuitos protótipos, alguns melhoramentos ao jogo como um todo e por fim multiplayer para 4 jogadores com recurso a 2 TVs e Playstations, ligadas com o Link Cable.