Ecco the Dolphin: Defender of the Future (Sony Playstation 2)

Ecco PS2O jogo que trago hoje é o último da série Ecco the Dolphin. Lançado originalmente para a Dreamcast algures durante o ano de 2000, este Defender of the Future é a primeira e única iteração do golfinho num mundo completamente 3D e com uma história independente à dos clássicos de 16bit. Com a descontinuação da Dreamcast vários jogos dessa plataforma acabaram por receber conversões para outras consolas, tendo sido esse o caso também deste jogo, com esta conversão a chegar à Playstation 2 já durante o ano de 2002. Mas este Defender of the Future só chegou à minha colecção há poucos meses atrás, após ter sido comprado por 2.5€ na CEX no Porto.

Ecco the Dolphin Defender of the Future - Sony Playstation 2

Jogo com caixa e manual

Este jogo é considerado um reboot da franchise, com uma história diferente da que foi contada nos clássicos da Mega Drive e Mega CD. Essencialmente a narrativa começa no século XXX, onde a raça humana e dos golfinhos evoluiram de forma conjunta, pacífica e ambas as inteligências alcançaram feitos inacreditáveis, chegando inclusivamente a conquistar o espaço e abandonar o planeta Terra, deixando alguns golfinhos a “tomarem conta” do mesmo. Até que uma raça alienígena conhecida apenas como “The Foe” decide invadir a Terra, mas os golfinhos tinham construído um poderoso guardião com base numa tecnologia de cristais que protegia todo o planeta gerando um poderoso escudo. No entanto os alienígenas continuaram a atacar esse mesmo escudo até que uma altura conseguiram finalmente irromper o escudo, destruindo inclusivamente o tal guardião. É aí que a nossa aventura começa e eu não queria mesmo desvendar mais da história para guardar a surpresa, mas contem mais uma vez com viagens no tempo, incluindo a realidades alternativas onde a supremacia humana reinou e o planeta ficou bastante poluído e inóspito, bem como precisamente o contrário, onde os golfinhos se impuseram perante os humanos, construindo eles mesmos uma sociedade em forma de ditadura militar, mesmo contra outros golfinhos, entre vários outros temas.

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Mais uma vez teremos lindíssimos oceanos para descobrir

A jogabilidade herda muitas das mecânicas dos primeiros jogos, mas agora transitadas para o movimento em 3D. Teremos mais uma vez de ter em conta ao ar disponível para além da nossa barra de vida, usar o sonar para imensas coisas diferentes, desde comunicar com outros golfinhos ou cetáceos ou os tais cristais mágicos, eco-localização para gerar um mapa do nível em questão, manipular outros animais marinhos ou plantas e, se apanharmos o power up respectivo, poderemos usar o sonar também como arma de ataque em longa distância. Os saltos acrobáticos ou os poderes de metamorfose estão igualmente de regresso. Para além do sonar de ataque que é obtido temporariamente através de um power up, existem outros power-ups temporários que nos dão mais vida, mais ar, mais velocidade ou mesmo invisibilidade para acções mais furtivas. Outros cristais escondidos ao longo de todos os níveis permitem-nos aumentar definitivamente a nossa barra de vida, são os chamados Vitalit. De resto, e tal como os jogos clássicos da era 16bit, aqui também temos imensa exploração para fazer em níveis enormes e por vezes não é nada fácil saber o que temos de fazer e onde o fazer, tendo em conta o tamanho da área em questão. Felizmente ao pressionar L3 vemos o Ecco a inclinar-se de forma a nos indicar onde está localizado o próximo objectivo, mas mesmo assim não será tarefa fácil, até porque em vários níveis o grau de dificuldade não é propriamente baixo, seja pelo pouco ar disponível ou vários inimigos ou fontes de dano espalhadas. Ah, e também teremos vários bosses para derrotar ou puzzles para resolver, como não poderia deixar de ser.

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Mas as águas podem reservar também muitas hostilidades

Mas se há campo em que este jogo brilha, isso é novamente no quesito audiovisual. Graficamente é um jogo excelente, mesmo a própria versão da Dreamcast, apresentando-nos cenários bastante variados. Tanto nadamos por entre recifes bastante coloridos, como estruturas antigas, outras industriais (no caso do Man’s Nightmare), ou o futuro distópico onde os golfinhos dominavam o planeta, com os oceanos repletos de cidades e “tecnologia” muito característica que não se limitavam aos oceanos. Tal como em Tides of Time, vamos ter mais uma vez uma série de níveis onde teremos circuitos de “tubos” formados inteiramente por água, suspensos no ar. Teremos aqui de saltar de circuito em circuito com bastante frequência, o que se pode tornar algo frustrante pois a câmara e a água transparente não ajudam a discernir onde acaba a água e começa o abismo. Mas tudo o resto é muito bom e serão bastantes os momentos “wow” que vamos encontrar e nos damos a pensar como é que alguém poderia alguma vez ter imaginado coisas assim.

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Por vezes não conseguimos deixar de pensar em como conseguiram ter imaginação para tal coisa

Mas as músicas não se ficam nada atrás, pois mais uma vez a banda sonora é excelente. Tal como o aspecto visual de cada cenário, as músicas também se adequam perfeitamente aos sentimentos que nos é suposto fazer despertar quando atravessamos essas fases do jogo. Tanto teremos músicas alegres, épicas e orquestrais, outras bastante calmas, atmosféricas, mas ainda pacíficas, outras mais tensas, mas igualmente calmas, outras mais agitadas, enfim, há para todos os gostos e é de louvar o óptimo trabalho de composição de Tim Follin. Os efeitos sonoros também são bons, não tenho nada a apontar nesse campo.

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Os fãs do primeiro jogo da série deverão reconhecer isto

De resto, para além desta grandiosa aventura que apesar de ser por vezes frustrante, não posso deixar de recomendar, existem também vários extras que podemos desbloquear. Existem 2 níveis secretos que são jogados numa perspectiva 2D, indo buscar muitas influências aos primeiros dois jogos da Mega Drive, pelo menos um desses níveis pareceu-me mesmo uma reimaginação de um dos primeiros níveis do primeiro Ecco. Outros bónus consistem numa galeria onde podemos desbloquear várias imagens e artwork relacionado com o jogo, rever cutscenes e ouvir a banda sonora. Um outro extra de mencionar é um estranho mini-jogo de Dolphin Soccer onde como Ecco jogamos contra um golfinho do The Clan uma estranha variação do “desporto rei”. No fim de contas, este é um jogo que recomendo fortemente, mais uma vez pela sua originalidade, imaginação e apresentação audiovisual fora de série.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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