Time Crisis 4 (Sony Playstation 3)

Para quem adorava os light gun shooters das arcade como eu, a saga Time Crisis é das mais famosas. Infelizmente, com os avanços da tecnologia as televisões modernas, apesar de terem uma imagem excelente, possuem uma taxa de refrescamento demasiado baixa para as tradicionais light guns funcionarem correctamente. Isto, em conjunto com o decréscimo da popularidade das arcades, tornaram este subgénero dos videojogos algo obsoleto, embora tenha tido algum revivalismo na Wii e na Playstation 3 também, assim que o PS Move foi apresentado. No entanto, esta conversão do Time Crisis 4 acabou por vir com a terceira geração das light guns da Namco, a Guncom 3 que já não teve o mesmo sucesso que as suas predecessoras. O meu exemplar veio da CeX de Gaia por 6€, tendo sido comprado algures em Novembro de 2017. Infelizmente sem a Guncon 3, que seria muito mais caro.

Jogo com caixa e manual

Portanto tive de jogar isto com o comando, o que não é de todo a mesma coisa, mas já lá vamos. Aqui temos vários modos de jogo, a começar pela conversão directa da versão arcade onde podemos controlar 2 agentes secretos da VSSE em mais uma das suas aventuras, desta vez em solo americano onde um grupo aparentemente terrorista preparava-se para tramar das suas ao libertar uma série de armas químicas apelidadas de Terror Bites, que eram na verdade insectos gigantes e mortíferos. Este modo de jogo poderia ser jogado com 1 ou 2 jogadores em simultâneo, com o ecrã a dividir-se em split-screen. Isto é necessário pois, tal como em alguns dos Time Crisis anteriores, cada jogador tem uma perspectiva ligeiramente diferente, pois por vezes se movimentam em caminhos diferentes. Aqui as mecânicas de jogo são as típicas da série, onde cada secção do jogo tem um tempo limite para ser terminada (matando todos os inimigos presentes no ecrã), sendo que podemos a qualquer altura nos resguardar em segurança do fogo inimigo (aproveitando para recarregar as nossas armas também). Também vamos tendo diferentes armas para usar, desde os revólveres que possuem munições ilimitadas, passando por metralhadoras, caçadeiras e granadas, estas com munições contadas. Uma das coisas que me chateou aqui, em relação ao suporte de comandos normais, é a sensibilidade do movimento, que pode ser slow ou fast. Ora no modo slow é lenta demais para mim, já no modo fast atrapalha mais do que ajuda naqueles disparos que exigem maior precisão.

Podemos alternar entre várias armas, embora no modo arcade apenas o revólver tenha munição ilimitada

Para além da conversão directa arcade temos também o modo de jogo “Complete Mission”. Este alterna entre os níveis da versão arcade, bem como mais alguns níveis adicionais, onde jogamos com o norte-americano Captain Rush. Estes níveis jogam-se como se um first person shooter se tratasse, e aqui jogar com o comando acaba finalmente por ser uma vantagem, pois temos um dos analógicos para nos mover, o outro para apontar a arma, um gatilho para disparar, outro botão para recarregar as armas e um outro para alternar entre as armas disponíveis no nosso arsenal. Em teoria este é um modo de jogo interessante, mas como FPS é muito pobrezinho: os níveis são algo desinsipirados, os inimigos burros que nem portas e aqueles insectos Terror Bites continuam bastante chatos aqui. Ao completar o modo arcade e complete mission, para além de desbloquear alguns perks interessantes como munições ilimitadas na versão arcade, desbloqueamos também as Crisis Missions, que são na verdade um conjunto de desafios, como derrotar 20 inimigos dentro de um tempo limite e sem sofrer dano, ou fazer um certo número de pontos, etc. Para além disso temos também alguns minijogos que sinceramente não perdi grande tempo com eles.

Numa das missões vamos ter um momento à LA Machineguns da Sega

A nível audiovisual, o Time Crisis 4 original saiu em 2006, num hardware bem mais fraco que a Playstation 3 seria capaz, pelo que a nível gráfico não esperem por um jogo fora de série. São gráficos simples, porém funcionais e cumprem bem o seu papel. As cutscenes por outro lado já possuem mais qualidade como seria de esperar. Nos níveis no modo FPS faz-me um bocado de confusão não se ver a arma que temos equipada, a não ser nuns breves segundos enquanto trocamos de armas. No que diz respeito às músicas, bom essas são mais orquestrais e acabam por passar um pouco despercebidas. O jogo está é repleto de voice acting medíocre, mas o que seria um light gun shooter sem diálogos assim?

No modo FPS apenas vemos os modelos das armas por breves segundos, quando as recarregamos e pouco mais

Portanto esta adaptação do Time Crisis 4 é interessante quanto mais não seja pelo modo FPS que introduziram, mesmo que medíocre, não deixa de ser uma inovação interessante que a Namco tenha tentado introduzir na série. Mas fora isso, e a menos que tenham uma Guncom 3, acabo por recomendar antes o Time Crisis Razing Storm que saiu mais tarde. Para além do Razing Storm, o jogo possui ainda o modo Arcade do Time Crisis 4 mais um jogo adicional, tudo com suporte à Guncom 3, comando tradicional, mas também ao PS Move.

Minecraft Story Mode (Sony Playstation 4)

Com o anúncio que os jogos da saga Minecraft Story Mode não só iriam desaparecer das lojas digitais para novas compras, mas também para re-download a quem já os teria comprado, apressei-me a jogar este primeiro jogo, cujo meu exemplar deste “season pass” foi comprado há uns meses atrás numa flea market por 5€. Um bom negócio, pensei eu na altura. E de facto lá fui eu colocar o disco na PS4, o primeiro episódio foi instalado, depois quando arranquei o jogo fui convidado a transferir os restantes. OK, até aqui tudo bem visto que os episódios ainda estavam disponíveis nos servidores da PSN. Mas ao olhar com mais atenção é que me apercebi que este “Season Pass” só dava direito aos primeiros 5 episódios deste jogo, que tem um total de 8. Ora sendo que tenho o “Season Pass”, seria de esperar ter acesso a todos os DLCs, até porque o segundo jogo, que saiu mais tarde, corresponde à Season 2. Mas não, se quisesse os últimos episódios poderia comprá-los com o preço promocional de 13€ ao comprar o “Adventure Pass”, ou então comprar em formato físico a edição “Complete Edition”, essa sim, supostamente já com todos os episódios pré-instalados no disco. Ainda tentei arranjar essa versão, mas os seus preços ainda estavam algo proibitivos, quer no mercado “normal”, quer no de usados, pelo que acabei mesmo por adquirir o Adventure Pass antes que ficassem indisponíveis na loja da PSN. Talvez tenha sido por jogadas destas que a Telltale Games abriu falência e sinceramente não fiquei com pena. Qual a piada de lançar 2 edições físicas para o mesmo jogo quando apenas a última está realmente completa??

Jogo com caixa e papelada

Mas pronto, avancemos para o que interessa. Como a maioria dos jogos modernos da Telltale, este é um jogo de aventura onde teremos de dialogar com NPCs, fazer algumas escolhas que alteram ligeiramente o progresso na história ou a forma como as outras personagens nos percepcionam. Para além disso vamos tendo algumas sequências de acção onde teremos vários quick time events pela frente e alguns puzzles para resolver que envolvem as mecânicas de jogo típicas do Minecraft, ou seja, recolher recursos a construir objectos que nos ajudam na aventura.

Como em muitos outros jogos da Telltale temos um tempo limite para os diálogos. Caso deixemos o tempo passar, é como se nos mantivéssemos calados, o que também é uma resposta válida.

Esta season 1 está dividida em dois arcos principais de história, o primeiro decorre ao longo dos primeiros 4 episódios, enquanto o segundo decorre ao longo da outra metade de jogo. No primeiro arco somos convidados a criar a nossa personagem principal, que tanto pode ser rapariga como rapaz e fazemos parte de um pequeno grupo de aventureiros que não é lá muito famoso. Este grupo começa por participar num concurso para a Comicon lá do sítio, onde a melhor construção será presenteada com a hipótese de conhecer Gabriel, um herói da Order of the Stone que tinha salvo o mundo anos antes, após derrotar um poderoso dragão. Entretanto coisas acontecem, uma poderosa criatura é invocada lá no evento que destrói por completo a cidade e absorve a maioria dos seus habitantes. Somos então comandados por Gabriel para procurar os restantes membros da Order of the Stone e tentar arranjar uma forma de destruir a criatura que fica mais poderosa a cada minuto que passa. O segundo arco da história ocorre após esse conflito, onde os jovens aventureiros são agora muito mais famosos e, em busca de um novo tesouro, vêm-se perdidos numa rede de portais para outros mundos. Cada um destes mundos tem uma nova aventura e eventualmente teremos também de arranjar maneira de voltar ao nosso próprio mundo. Sinceramente gostei bem mais da narrativa do primeiro arco.

A nível audiovisual é um jogo bem competente. Graficamente é um jogo fiel ao Minecraft, que possui visuais muito singulares, com um look bastante 3D retro e muito quadrado, algo que a Telltale reproduziu bem. O voice acting é bastante competente, nada a apontar aí, e a narrativa é, na maior parte, muito ligeira e amigável, o que se compreende visto ser um jogo para todas as idades. As músicas são também agradáveis.

Sendo este um jogo no universo de Minecraft, vamos ter de construir coisas também

Portanto, a nível de mecânicas de jogo este Minecraft Story Mode tem tudo o que podem esperar de um jogo da Telltale pós-The Walking Dead: diálogos cujas nossas escolhas para além de terem um tempo limite afectam o desenrolar da história, bem como a forma que outras personagens nos percepcionam, alguns puzzles para resolver, muitos deles usando as mecânicas de crafting do Minecraft e sequências de acção repletas de QTEs. As nossas escolhas afectam a história, mas não tanto assim. Muitas vezes as escolhas ditam quais os NPCs que nos acompanham, mas há pelo menos 2 escolhas que têm impacto directo na jogabilidade. Uma delas é logo no final do primeiro episódio e vai ditar a forma como começamos o segundo episódio. Aí temos mesmo 1 capítulo exclusivo à escolha que fizemos antes, mas podemos sempre usar a mecânica de rewind no primeiro episódio, tomar uma acção diferente e jogar o outro capítulo exclusivo. Mais para a frente acontece  algo semelhante pelo menos mais uma vez e aí sim, já compensaria usar um pouco mais as mecânicas de rewind para tomar decisões diferentes e explorar diferentes cenários. Devo dizer que fiquei algo curioso com a Season 2, mas é algo que apenas comprarei no futuro se realmente a edição física já tiver todos os episódios em disco. Telltale, não me voltam a enganar!

Assassin’s Creed Revelations (Sony Playstation 3)

Voltando à saga Assassin’s Creed, terminei recentemente o quarto capítulo da saga, terceiro com o protagonista italiano Ezio Auditore, o Assassin’s Creed Revelations, lançado originalmente em 2011. Este meu exemplar é uma das muitas “edições limitadas/coleccionador/whatever” deste jogo, esta incluindo um cd bónus com a banda sonora e o primeiro Assassin’s Creed incluído no disco do Revelations. A razão pela qual o primeiro Assassin’s Creed vem incluído neste Revelations torna-se notória à medida que vamos avançando no jogo, pois iremos por várias vezes explorar o passado de Altair, descobrindo ultimamente como ele passou os seus últimos dias. Mas já lá vamos. O meu exemplar foi comprado já nem sei quando, mas creio que foi comprado na CeX do Porto já há uns aninhos e não me terá custado mais de 7.5€ na altura.

Jogo completo com caixa, papelada, manual e CD com banda sonora

Como sabem na série Assassin’s Creed vamos descobrindo os eventos de um confronto secular entre duas organizações, os Templários e os Assassinos. Aparentemente ambos pretendem obter a paz eterna entre na Terra, mas enquanto os Templários pretendem alcançá-lo ao manter a população humana sob o seu controlo, os Assassinos lutam pela liberdade absoluta. Por um lado o protagonista principal é o jovem Assassino Desmond Miles, mas que ao submeter-se ao Animus, um aparelho que permite explorar as memórias dos seus antepassados, permite-nos “viajar no tempo” e reviver os conflitos entre ambas as organizações ao longo dos séculos. Mas à medida que vamos jogando ficamos com mais questões pois estranhos artefactos de outras civilizações vão ganhando cada vez mais protagonismo. Neste capítulo em si a história leva-nos uma vez mais a explorar o passado de Ezio, agora já na sua meia idade, ao explorar a cidade de Istambul/Constantinopla em busca de uma série de chaves que lá foram escondidas por Niccolo Polo (filho de Marco Polo). E a que dão acesso essas chaves? À biblioteca de Altair em Masyaf e aos seus bem guardados segredos. Pelo meio contem também com tramas políticas com o conflito entre os Otomanos e Bizantinos pelo controlo da capital turca, estando assim lançados os dados para mais uma aventura.

Como no Brotherhood temos sempre um objectivo secundário em cada missão principal, que não é obrigatório

Naturalmente que o jogo traz de volta muitas das mecânicas dos seus antecessores, com um grande foco na agilidade e furtividade dos assassinos. Tal como no Brotherhood vamos poder conquistar territórios aos templários, para depois poder comprar uma série de lojas que por sua vez nos vão retribuindo com uma renda de 20 em 20 minutos. Vamos também poder treinar outros assassinos que nos podem ajudar nas nossas missões a abater alguns alvos, para além dos já habituais mercenários, ladrões e jovens moçoilas para distrair os guardas. Os nossos Assassinos podem também ser enviados para outras cidades e fazer algums missões que por sua vez nos trazem mais dinheiro e outras matérias primas. As matérias primas servem para criar uma série de bombas diferentes, esta que é uma das grandes novidadades introduzidas por este Revelations.

Tal como nos outros 2 jogos com Ezio, podemos comprar lojas e renovar alguns edifícios notáveis, algo que contribui positivamente para a renda que vamos recebendo

Podemos criar bombas explosivas, de fumo, de mau cheiro para atordoar os inimigos, de veneno, ou até aquelas sticky bombs que se podem agarrar a qualquer superfície (incluindo soldados inimigos!). Há de facto muitas possibilidades de diferentes bombas a criar. A outra novidade aqui introduzida está nos mini jogos de tower defense, algo que sinceramente já não gostei muito. Basicamente aquelas torres que libertamos e passam a ser bastiões assassinos, podem vir a ser atacados por templários algo que pode acontecer caso o nosso nível de notoriedade ultrapasse o máximo. Caso isso aconteça, vamos ter de posicionar assassinos e outros recursos como barreiras ao longo da nossa base, enquanto enfrentamos várias ondas de ataques templários. Tirando uma vez em que somos obrigados a experimentar este mini jogo algures no início da história, nunca mais deixei que uma das minhas bases fosse atacada.

Agora temos também uns slides que podemos usar para nos movimentarmos na cidade

De resto, para além do modo história que uma vez mais é em mundo aberto, repleto de missões secundárias e coleccionáveis para encontrar que nos rendem umas valentes horas de jogo, temos também uma vertente multiplayer que sinceramente não cheguei sequer a experimentar, embora acredite que até talvez viesse a gostar das pequenas campanhas cooperativas que incluiram pela primeira vez.

A nível audiovisual não há muito a dizer, é um jogo competente, a cidade de Istambul está muito bem detalhada, mas desta vez temos menos localidades adicionais para explorar, apenas o castelo de Masyaf e sua aldeia, bem como uma outra cidade subterrânea que nunca tinha ouvido falar. Banda sonora e voice acting nada a apontar uma vez mais.

Mais uma vez podemos recrutar e treinar um pequeno exército de assassinos que nos podem ajudar directamente, ou podemos mandá-los para missões noutras cidades mediterrânicas

Portanto este é mais um jogo agradável na série, embora as novidades que tenha trazido em relação aos anteriores não tenham sido tão interessantes quanto isso, para mim. Para além das brincadeiras que podíamos fazer com as novas bombas, fiquei bem mais contente com facto de termos muito menos daquelas missões secundárias chatas, como aquelas onde temos de correr de um lado para o outro dentro de um tempo limite apertado. Ainda assim, creio que a Ubisoft também já se estava a aperceber que andava a esticar um pouco a corda e decidiu reinventar a série no próximo capítlo. Mas isso será tema para outro artigo!

The Wolf Among Us (Sony Playstation 3 / PC)

A Telltale já há muito que vinha a experimentar diferentes mecânicas de jogo nos seus jogos de aventura point and click, tendo encontrado finalmente uma fórmula de sucesso no primeiro The Walking Dead, que nos presenteou com uma óptima narrativa e com escolhas muito difíceis pela frente. Este The Wolf Among Us acaba então por ser um jogo muito similar nas suas mecânicas, mas com um background completamente diferente. O meu exemplar foi comprado algures no mês de Março a um amigo meu, estando ainda selado, por 10€. A versão PC veio de um humble bundle comprado a um óptimo preço.

Jogo com caixa e manual

Confesso que a temática do jogo me surpreendeu bastante, pois não conhecia as suas origens. Sempre achei que era uma história algo negra com um protagonista lobisomem, mas é muito mais que isso. Baseado nas comics da Vertigo chamadas Fables, a nossa personagem é nada mais nada menos do que o Lobo Mau dos contos de fada da nossa infância, aqui apelidado de Bigby Wolf (diminutivo de Big Bad Wolf). Por algum motivo uma série de personagens dos contos de fada foge do seu mundo encantado e reunem-se na Fabletown, um distrito da cidade de Nova Iorque, misturando-se entre os humanos e tendo as suas próprias rotinas. As personagens humanas, como é o caso da Branca de Neve, Bela, ou a Pequena Sereia conseguem viver normalmente, enquanto as não humanas, como é o caso do Monstro e do próprio Wolf necessitam de usar uns encantamentos que os transformam em humanos. O problema é que esses encantamentos são caríssimos e nem todos os conseguem pagar. Nesses casos, os fables como é o caso de Colin, um dos três porquinhos, devem permanecer na Farm, uma quinta encantada afastada de tudo o resto, onde podem viver livremente nas suas formas normais.

O Lobo Mau a viver com um dos três porquinhos? Por essa não estavam a contar.

E qual o papel de Wolf? Bom, é o xerife lá do sítio e devido ao seu passado é temido e pouco respeitado por todos os que o rodeiam. E a aventura começa com Wolf a receber um pedido de ajuda de Mr. Toad (sim, um sapo) a alertar que algo de grave se passa num dos apartamentos do seu prédio. E quando lá chegamos descobrimos nada mais nada menos que o lenhador do Capuchinho Vermelho, completamente bêbedo, a agredir uma prostituta. Após um inevitável combate e uma breve conversa com a rapariga no final, Bigby segue a sua vida. Horas depois, descobre à porta do seu prédio nada mais nada menos que a cabeça decapitada da prostituta com quem falou há pouco tempo. Ao longo do jogo iremos investigar esse homicídio, numa trama que se vai tornando cada vez mais complexa e com uma série de reviravoltas.

Como sempre temos alguns QTEs pela frente

No que diz respeito às mecânicas de jogo, estas são muito similares às de Walking Dead, sendo um jogo de aventura gráfica com várias sequências de acção compostas por Quick Time Events, onde temos de seguir as indicações visuais no ecrã de que botões devemos pressionar naquela altura. Temos alturas de exploração, onde podemos nos movimentar não tão livremente quanto isso ao longo dos cenários e interagir com objectos ou outras personagens, que são sinalizados no ecrã, facilitando-nos a tarefa de ter de procurar coisas com que interagir. Ocasionalmente podemos apanhar alguns itens que podem posteriormente ser usados para interagir com outros objectos, ou mesmo com outras personagens através dos seus diálogos. Para os diálogos temos um tempo limite para responder, e caso não escolhemos nenhuma resposta, Bigby mantém-se em silêncio, o que por si só já é uma resposta válida, e pode alterar um pouco a forma como as personagens à nossa volta nos percepcionam, ou mesmo alterar ligeiramente os acontecimentos seguintes.

Na maior parte das vezes, as escolhas que podemos tomar têm um tempo limite.

A nível audiovisual considero o jogo excelente. A nível gráfico tudo está renderizado em cell shading, o que dá um look muito fiel às bandas desenhadas dos Fables. Por outro lado, o mundo de Fabletown é sombrio, e toda a ambiência do jogo dá um aspecto de um filme noir da década de 80, o que por si só me agrada bastante. A caracterização das personagens, e a maneira decadente como representam algumas personagens que todos nós conhecemos da nossa infância está também muito bem elaborada. O voice acting é igualmente muito bem conseguido por todas as personagens, o que uma vez mais também contribui para uma narrativa muito noir.

Fabletown não é uma cidade particularmente afável, vamos visitar muitos locais não recomendáveis a boas famílias

No fim de contas este jogo agradou-me bastante. Mantém as mesmas mecânicas de jogo dos The Walking Dead, onde as nossas escolhas vão alterando ligeiramente o desenrolar da história, mas nunca as alteram tão radicalmente assim quanto a Telltale nos quer fazer pensar. No entanto, devo dizer que fiquei bastante agradado pela narrativa negra e adulta que o jogo tem, pois isto de contos de fadas para crianças não tem nada, e o rating para maiores de 18 é perfeitamente compreensível. Aparentemente The Wolf Among Us serve de prequela aos acontecimentos narrados na comic Fables, fiquei bastante curioso e muito provavelmente vou começar a lê-la em breve. A Telltale estava a trabalhar numa sequela, mas como abriram falência há relativamente pouco tempo, esse projecto acabou por ser enfiado no saco, o que é pena.

Destiny: The Collection (Sony Playstation 4)

Quando comprei a minha Playstation 4 algures em 2015/2016, o Destiny foi dos primeiros que comprei e joguei. O facto de ser um FPS com elementos de RPG e com uma vertente online muito forte, comprei-o mesmo numa de ir jogando em sessões esporádicas, enquanto ia jogando outros jogos de forma mais focada. Inicialmente tinha comprado uma compilação que já trazia todas as expansões até ao The Taken King (tinha sido um bom negócio numa CeX, onde me tinham garantido que o jogo tinha sido vendido selado pelo que os códigos para activar os DLCs ainda estariam válidos), mas algures no ano passado encontrei na Worten esta “The Collection” que trouxe ainda a última expansão “The Rise of Iron”. Custou-me algo em torno dos 13€.

Jogo completo com caixa e panfletos diversos

Confesso que nunca fui um grande fã de Halo, embora só tenha jogado os primeiros 2 e no PC. Mas admito que, para a época em que sairam, a sua vertente multiplayer tenha sido um grande sucesso na Xbox, mas eu sempre fui mais fã da campanha single-player. E o que este Destiny oferece é na verdade um misto dos dois mundos, mas já lá vamos. Em Destiny o jogo decorre algures no futuro, onde após séculos de prosperidade para a raça humana, que nos permitiu inclusivamente colonizar outros planetas do nosso sistema solar, como Vénus ou Marte, dá-se um colapso que deixou a humanidade na beira da extinção. Pelo meio, enquanto os sobreviventes humanos se regrupam na última cidade livre do planeta terra, várias outras raças alienígenas tomam de assalto as colónias terrestres abandonadas noutros planetas, bem como começam a invadir a Terra também.

Com a introdução da expansão The Taken King, novas subclasses podem ser desbloquadas. Para os Titans, temos os Sunbearers.

Como em muitos jogos online, começamos a aventura por construir a nossa personagem. Dispomos de três classes básicas – os Titans, especialistas em força bruta, os Hunters que são uma espécie de ninjas futuristas, sendo bastante ágeis e com uma jogabilidade que recompensa a precisão dos nossos ataques. Por fim temos os Warlocks, que conforme o nome indica são uma espécie de feiticeiros. Cada uma destas classes possui diferentes subclasses que podemos evoluir e que nos dão diferentes habilidades. Eu pessoalmente escolhi o Titan e a subclasse Striker, que me permitia dar socos poderosíssimos, bem como alguns outros poderes, à media que ia ganhando pontos de experiência.

Ao longo do jogo vamos desbloqueando vários hubs sociais onde podemos interagir com uma série de NPCs, seja para receber quests, seja para comprar/vender alguns itens

Depois vamos tendo várias quests e diferentes tipos de missões pela frente. Temos missões que progridem a história e que, podem ser jogadas cooperativamente com mais uns 2 ou 3 amigos, temos patrulhas que podemos percorrer em cada planeta, onde poderemos fazer algumas pequenas missões ou, tal como em muitos MMOs, participar nalguns eventos públicos que geralmente consistem em derrotar algum boss gigantesco com a ajuda de qualquer outro jogador que esteja nas redondezas. Ainda na campanha, vamos tendo também Strikes e Raids. Estas são missões pensadas exclusivamente para o cooperativo. Os Strikes são para ser jogados com 3 pessoas, já os Raids, maiores e com alguns puzzles, é suposto serem jogados por 6 pessoas. Agora o problema é que muito pouca gente joga o primeiro Destiny e muitas vezes começamos um Strike ou Raid sozinho. Enquanto os Strikes, se tivermos paciência e a nossa personagem estiver suficientemente evoluída, até os conseguimos passar sozinhos (muitas vezes outros jogadores acabam por se juntar à nossa partida mais à frente), já os Raids não há hipótese nenhuma de se completar sozinho. E eu infelizmente não cheguei a fazer nenhum raid pois já não consegui arranjar quórum suficiente.

No final de cada missão temos um sumário dos pontos de experiência que ganhamos, tanto para a personagem, como para cada peça de equipamento que tenhamos equipada, podendo desbloquear novas skills ou habilidades.

Com a adição das expansões The Taken King e The Rise of Iron (gostei bastante da campanha do Taken King!) para além das missões principais da campanha de cada expansão, vamos também desbloqueando outras quests mais à MMO, consistindo em visitar áreas já conhecidas e coleccionar uma série de itens, ou derrotar alguns bosses super poderosos. O problema é que para além de algumas dessas quests serem algo repetitivas, muitos desses bosses são fortes demais para um jogador apenas o conseguir derrotar, até porque temos um tempo limite para o fazer. Portanto, com a falta de jogadores activos no Destiny 1, houve muitas destas quests das duas últimas expansões que desisti de fazer, o que é pena, pois muitas delas desbloqueiam depois algumas missões adicionais que não conseguimos jogar de outra forma. Sobre o multiplayer PVP, temos vários modos de jogo competitivo, sejam variantes de deathmatch, ou baseadas em objectivos onde teremos de controlar uma série de zonas num mapa. Infelizmente também não cheguei a testar nenhum destes modos de jogo devido à falta de pessoas. Inicialmente não quis jogar PVP pois a minha personagem estava ainda muito debilitada, mas só neste ano é que realmente investi umas horas valentes no Destiny e quando estava pronto para testar o PVP não consegui jogar uma única partida devido à falta de gente. É triste.

A qualquer momento podemos activar o nosso Ghost, que nos vai relembrando dos objectivos actuais e a sua localização no mapa, para além de permitir chamar um veículo para nos deslocarmos mais rápido, ou teletransportar de novo para a nave.

A nível gráfico é um jogo excelente para a época em que saiu e temos de ter em conta que o mesmo foi desenvolvido com a X360 e PS3 como plataformas base. Gosto bastante dos diferentes ambientes que exploramos, sejam as ruínas do Cosmodrome na Rússia, colónias humanas e cavernas tenebrosas dos the Hive na Lua, as ruínas de uma colónia avançada em Vénus, tomadas de assalto pela poderosa ameaça robótica dos The Vex, entre tantas outras! O jogo está repleto de pequenos momentos que me agradaram bastante, como é o caso dos ecrãs de loading, que são essencialmente pequenas cutscenes da nossa nave a sobrevoar a superfície de planetas ou a viajar a altas velocidades entre os diferentes planetas do nosso sistema solar. As músicas também variam desde o mais épico, pomposo e orquestral – perfeito quando combatemos em situações críticas, tenebrosas e tensas nalgumas alturas, ou, quando viajamos naqueles ecrãs de loading, conseguem ser tão pacíficas e relaxantes que só quero é que o loading demore um pouco mais.

Como muitos MMOs, por vezes surgem eventos públicos como bosses gigantes que qualquer jogador que se encontre lá perto pode enfrentar. Pena que já não hajam tantos assim como neste screenshot.

Portanto, este Destiny é um jogo que confesso que me divertiu, mesmo não sendo eu um grande fã de MMOs e afins. Mesmo com pouca gente a jogar hoje em dia, ainda deu para fazer todas as missões principais do modo história, a maioria dos Strikes e algumas quests adicionais. Tudo o resto já se torna muito difícil de obter (ou aborrecido) devido ao jogo já não ter tantos jogadores activos quanto isso. Mas ainda assim consigo ver porque foi um jogo de sucesso na altura que saiu. Todo o loot que podemos obter e customizar para a nossa personagem é impressionante, para além de toda uma série de itens cosméticos que podem comprar se isso for a vossa cena. Talvez compre o Destiny 2 no futuro pois gostei da história em geral deste Destiny e estou curioso em ver como a evoluiram, Fico no entanto a aguardar por uma compilação que já traga todas as expansões (não me enganam mais como o The Taken King Legendary Edition!).