Legend of Sayuki (Sony Playstation 2)

Kiki KaiKai, ou como é conhecida cá no ocidente como Pocky & Rocky, é uma série de interessantes shmups com as suas origens nas arcades da Taito, algures no final da década de 80. A temática é sempre a mesma, controlamos uma shrine maiden, uma espécie de sarcedotisa que tomam conta de templos japoneses, nas suas aventuras de exorcizar uma série de demónios. É uma série que conta já com alguns jogos no seu catálogo e este Legend of Sayuki seria para ser um novo capítulo da saga. Entretanto problemas no seu desenvolvimento surgiram, o acordo com a Taito/Square Enix caiu e a Starfish redesenhou todo o jogo, removendo todas as referências a Pocky and Rocky, para o conseguir publicar. Felizmente a 505 Games conseguiu publicá-lo na Europa algures em 2008. O meu exemplar foi comprado numa CEX por 10€ há uns meses atrás.

Jogo com caixa e manual

Neste jogo controlamos então Sayuki, uma deusa da neve, que vê um rapaz da aldeia vizinha, de quem ela gosta, vítima de uma maldição que o deixou num estado dormente. Então, para curar o rapaz teremos de cozinhar uma poção mágica, onde acabamos então por visitar diversos lugares diferentes em busca de cada ingrediente. Pequeno spoiler: este jogo sofre do mesmo síndrome dos Ghosts ‘n Goblins / Ghouls ‘n Ghosts no que diz respeito à história, ou seja, após chegarmos ao “fim” da primeira vez, somos convidados a rejogar tudo de novo para ver o final verdadeiro. Por outro lado, se decidirmos jogar com um amigo, é possível jogar cooperativamente, mas com uma história diferente colocando a irmã de Sayuki como personagem jogável para o segundo jogador.

Ao contrário do original, que devido à sua natureza arcade, possui níveis curtos mas desafiantes, os níveis aqui são bem grandes e amplos

A nível de mecânicas de jogo, este é um shmup onde nos podemos movimentar livremente pelo ecrã. Temos um botão de ataque normais, outro para evasão, um outro para ataques especiais e como é habitual em shmups, vamos tendo uma série de power ups para apanhar. Desde itens regenerativos ou outros que extendem mesmo a nossa barra de vida, vidas extra, upgrades para os nossos ataques normais, ou mesmo upgrades para os ataques mágicos. Geralmente quando derrotamos um inimigo eles deixam as suas almas para trás e podemos apanhá-las, servindo estas de munição para os nossos ataques especiais. Sendo Sayuki uma deusa da neve, os nossos ataques especiais consistem em ataques de gelo, capazes de congelar uma série de inimigos com os quais entram em contacto. Uma vez congelados, podemos destruí-los de uma só vez, o que nos dá mais pontos e também mais almas para apanhar.

Os bosses são sem dúvida o que nos vão dar mais trabalho

É um grande desafio, especialmente quando defrontamos os bosses, pois temos de nos estar constantemente a desviar dos projécteis inimigos e temporizar bem os nossos ataques especiais para conseguir anular alguns dos ataques inimigos. Mas o maior desafio está mesmo na ausência da possibilidade de gravar o progresso no jogo. A única coisa remotamente parecida é que o jogo grava o nosso highscore e desbloqueiam os bosses que já derrotamos na história para o boss rush mode. Podemos também vir a desbloquear a opção de stage select mas sinceramente não sei como. E sendo este um jogo algo exigente, não só a nível de dificuldade mas também na duração de cada nível, parece-me muito despropositado não se poder gravar o progresso a meio da aventura.

Graficamente é um jogo interessante, porém um pouco mais de detalhe não fazia mal

A nível audiovisual é um jogo minimamente competente. Eu adoro jogos com um look retro e em 2D e foi isso que mais me chamou à atenção neste jogo, muito antes de saber que era um sucessor espiritual de KikiKaiKai/Pocky & Rocky. As sprites é verdade que não são muito detalhadas, mas o design das mesmas (e dos níveis em si) estão repletos de referências a elementos do folclore japonês, algo que me agrada bastante. As músicas é verdade que poderiam ser mais interessantes. Possuem na mesma vários temas alusivos ao folclore japonês, mas não são tão memoráveis assim. De resto, nota-se bem que é um jogo budget, pois não temos qualquer voice acting e as cutscenes, que só existem no início e final do jogo, são representadas por imagens estáticas acompanhadas por texto.

Portanto este Legend of Sayuki (conhecido nos Estados Unidos como Heavenly Guardian), é um jogo interessante para quem quiser algo com um feeling mais retro. Existem no entanto algumas arestas a serem limadas com a impossibilidade de gravar o progresso no jogo e se o mesmo tivesse mais tempo/budget para desenvolvimento, talvez os audiovisuais pudessem ser ainda mais melhorados.

Metal Gear Rising Revengeance (Sony Playstation 3)

A Platinum Games foi uma das melhores produtoras de videojogos introduzidas na geração passada. Inicialmente contratualizadas com a Sega, nem todos os seus jogos tiveram o merecido sucesso comercial, como foi o caso de Bayonetta e Vanquish. Mas finda a parceria com a Sega, a Platinum começou a colaborar também com outras empresas e o primeiro projecto foi precisamente este Metal Gear. A ideia de um Metal Gear com o Raiden como protagonista e com um maior foco na acção já tinha sido apresentada por Hideo Kojima na E3 de 2009, mas dificuldades no desenvolvimento deixaram o mesmo em hiato, até que o desenvolvimento foi retomado pela Platinum, culminando no lançamento do jogo em 2013. Sinceramente já não me recordo ao certo onde e quando comprei o meu exemplar, mas tenho a vaga ideia de o ter comprado por 15€ na Mediamarkt de Alfragide. O steelbook veio de uma das minhas idas à feira da Ladra em Lisboa, já não me lembro quanto me custou mas duvido que tenha sido mais de 2€.

Jogo com caixa, manual, papelada e steelbook.

O jogo começa em 2018, 4 anos após os acontecimentos narrados no Metal Gear Solid 4 e com o Raiden, agora um cyborg completo, como protagonista principal. Com os acontecimentos do MGS4, as empresas militares privadas focam-se agora no uso de cyborgs para combater nas frentes de combate que vão surgindo um pouco por todo o mundo. E tal como é habitual nos jogos desta série, vamos descobrindo uma conspiração que envolve nomes grandes da sociedade para promover uma cultura de guerra global.

Apesar de podermos equipar algumas armas secundárias como granadas ou lança-rockets, o foco da jogabilidade está mesmo em esquartejar os inimigos com a espada

Este é na sua essência um jogo de acção, embora ainda tenha um ou outro elemento de furtividade, pois em várias fases do jogo somos convidados a defrontar ou evadir uma série de inimigos sem sermos descobertos, mas caso o sejamos, a penalização também não é muita, a não ser por sermos rapidamente rodeados de inimigos para combater em simultâneo. Quando somos descobertos, o habitual ciclo de alerta/evasão é activado e podemos procurar um sítio seguro para nos esconder, ou então, tal como já referi, enfrentar os inimigos todos de uma só vez.

A nossa performance está constantemente a ser avaliada, e quanto melhor for, mais pontos ganhamos

E de facto o sistema de combate é muito dinâmico e pouca vontade nos dá em manter uma jogabilidade mais cautelosa. Temos um botão facial para saltar, outro para interagir com objectos e dois para ataques leves ou pesados. Os botões de cabeceira, principalmente o L1 e R1 também possuem grande destaque, nomeadamente para activarmos o “ninja run” e “blade mode“. O primeiro aumenta-nos bastante a agilidade e pode ser usado em conjunto com os botões de ataque para desencadear diferentes combos. O segundo obriga-nos a ficar parados, mas permite-nos, em câmara lenta, ter uma grande autonomia no uso da espada, podendo cortar objectos ou inimigos em múltiplas direcções. Muitos são os objectos dos cenários que podem ser cortados em pedacinhos, incluindo carros, caixas ou mesmo partes da estrutura dos edifícios. Mas é mesmo ao usar estas habilidades nos inimigos que tem mais piada, pois podemos cortá-los cirurgicamente e usar partes do seu corpo para restabelecer a nossa energia ou no caso de alguns inimigos chave, cortar o seu braço direito e usar a informação alojada no seu braço para desbloquear outras coisas no jogo.

Tal como nos outros MGS, podemos passar longos minutos em conversas por codec com outros NPCs

A nossa performance em cada nível vai sendo avaliada e os inimigos que destruirmos, bem como os itens que apanhemos, traduzem-se em pontos que podem ser posteriormente usados numa loja para melhorar as capacidades do Raiden, tanto na sua resiliência, agilidade, bem como aprender novas skills, ou comprar/equipar diferentes armas e armaduras. Outros desbloqueáveis como VR Missions também podem ser encontrados ao activar terminais que se encontram espalhados pelos níveis, por vezes bem escondidos. De resto, temos uns quantos DLCs, incluindo pequenas campanhas para outras personagens que infelizmente parecem nunca ter sido lançadas numa edição física e eu sinceramente acabei por não os comprar. É pena, pois gostaria de jogar as outras campanhas, mas estando os DLCs ainda a full price ao fim deste tempo todo não faz sentido.

Espalhados pelos níveis podemos encontrar laptops que nos desbloqueiam VR missions que poderemos jogar à parte

A nível audiovisual é um título muito bem conseguido por parte da Konami e Platinum Games. Os gráficos estão bem detalhados, e o design futurista dos cyborgs agrada-me bastante. Nada contra o voice acting que uma vez mais é bem conseguido e tal como os restantes Metal Gear, podemos a qualquer momento contactar outros NPCs com o nosso codec e ouvir um pouco mais o que eles tiverem a dizer. A banda sonora adequa-se bastante bem ao ritmo acelerado e frenético do jogo, sendo na sua maioria composta por músicas rock bem animadas o que mais uma vez também me agrada bastante.

Quando deixamos inimigos atordoados, é a melhor altura para activar o Blade Mode e, em câmara lenta, conseguimos causar muito dano.

Portanto este Metal Gear Rising é um excelente jogo de acção, não o encarem como um Metal Gear Solid tradicional com o seu foco na furtividade. Se jogaram outros títulos da Platinum como é o caso do Vanquish, já podem ter uma ideia da acção over-the-top que irão encontrar neste jogo. Isto, aliado a um bom sistema de combate e óptimos gráficos e som, tornam este título num excelente jogo de acção, para fãs de Metal Gear e não só.

Ultimate Ghosts ‘n Goblins (Sony Playstation Portable)

Nos últimos tempos, este tem sido o meu jogo de mesinha-de-cabeceira, que vou dando uns toques antes de ir dormir. E apesar de ser muito mais generoso a nível de dificuldade quando comparado com os restantes jogos clássicos da série, não deixa de ser um grande desafio, mas já já vamos. Este Ultimate Ghosts ‘n Goblins surgiu numa altura em que estava a haver um certo revivalismo de alguns jogos retro e a PSP foi uma das plataformas que mais beneficiou com isso. Aqui temos finalmente uma nova iteração da série principal, que já não recebia um jogo novo desde o Super Ghouls n Ghosts. Os gráficos levaram um upgrade para o 3D poligonal, mas a jogabilidade mantém-se a clássica em 2D. O meu exemplar foi adquirido algures no verão do ano passado a um outro coleccionador, através de uma troca.

Jogo completo com caixa, manual e papelada

Como sempre nos jogos desta série, há uma princesa que é raptada por forças demoníacas e cabe ao pobre cavaleiro Artur a missão de a salvar, tendo para isso de atravessar um autêntico inferno de criaturas e obstáculos. E como habitual nesta série, chegando ao “fim” somos gentilmente convidados a recomeçar tudo de novo porque nos falta uma coisa ou outra, e neste caso serão um certo número mínimo de anéis de ouro que nos desbloqueiam o boss. Mas já lá vamos a isso com mais detalhe. Na sua essência a nível de mecânicas de jogo é um título muito similar aos seus predecessores, vamos poder encontrar várias armas diferentes, armaduras que nos conferem mais resistência ao dano infligido pelos inimigos e os saltos, bom, esses continuam imperdoáveis, pois não podemos de forma alguma corrigir a trajectória a meio do salto, como em muitos outros platformers. Portanto a partir do momento que saltamos numa direcção, é uma acção commited até ao fim e se tiver de correr mal, vai correr.

Anéis dourados são apenas um dos itens secretos que temos de encontrar ao longo dos níveis

Mas o que temos de mais interessante aqui é mesmo a grande variedade de itens, armas, escudos e magias que podemos encontrar, equipar e usar as diferentes habilidades que as mesmas contêm. Um dos primeiros itens que podemos encontrar são umas botas especiais, que nos dão a habilidade de dar duplos saltos, depois podemos também encontrar vários tipos de magia diferentes que terão diferentes utilidades, algumas delas até para descobrir segredos! É o que acontece com a magia de petrificar inimigos, que funciona ao contrário se a lançarmos para estátuas de pedra e outros objectos rochosos. Assim transformam-se em itens, alguns que poderão ser bastante valiosos. Para além das armas podemos também encontrar escudos que têm uma durabilidade limitada. Um deles, um escudo com asas, é bastante valioso pois permite-nos voar por alguns segundos e assim alcançar zonas que de outra forma não poderíamos alcançar. Temos também diferentes armaduras que podemos encontrar, umas mais poderosas que nos vão dar mais pontos de vida, outras que nos dão menos pontos de vida adicionais, mas são igualmente úteis. É o que acontece com uma armadura voadora, que apesar de só nos dar 2 pontos de vida adicionais, a sua possibilidade de nos deixar voar o tempo que quisermos (logo que não sejamos atingidos com nada) já é uma grande ajuda.

Temos várias armaduras para apanhar, cada qual com diferentes atributos e habilidades.

Ao explorar os cenários também poderão encontrar algumas passagens secretas, sendo que pelo menos 3 delas nos dão acesso a salas onde estão umas bruxas a preparar uma poção qualquer e nos pedem 3 ingredientes cada uma. Esses ingredientes são também itens secretos que teremos de os procurar ao longo dos níveis, mas as recompensas que temos ao colectá-los todos acabam por ser bastante úteis. Um é um item que nos reduz em metade o custo de cada magia que lançamos. Outro é um escudo indestrutível capaz de absorver pontos de dano e transformá-los em pontos de magia que vão preenchendo a nossa barra de magia. Por fim, o último item que podemos obter das bruxas é a wave magic, uma magia que para além de causar bastante dano, pode também desintegrar uma série de obstáculos como chamas, o que é incrivelmente útil em alguns níveis.

Portanto toda esta faceta de exploração exaustiva dos níveis, bem como a possibilidade de nos teletransportarmos entre vários níveis, são uma nova novidade interessante e muito benvinda na série. Mas claro, sendo este um Ghosts ‘n Goblins, o desafio está mesmo na nossa destreza e uso de forma altamente eficiente todos os itens e power ups que poderemos vir a ter ao nosso dispor, mesmo nos modos de dificuldade mais baixos. Recomendo também vivamente o uso de um guia, pois há itens muito difíceis de encontrar mesmo.

Em certas alturas do jogo temos a possibilidade de voltar a jogar níveis antigos, de forma a descobrir mais dos seus segredos. Mas também poderemos encontrar itens de teletransporte que tornam essa tarefa mais fácil

Já no que diz respeito aos audiovisuais, este é um jogo bem conseguido. Os cenários são bastante diversificados entre si, embora todos eles sejam desoladores. Temos as vilas em ruínas, cavernas repletas de lava, um nível subaquático que é mais chato ainda que o habitual, entre outros. Os gráficos, todos em 3D poligonal são agradáveis e bem detalhados, até porque o facto da jogabilidade ser toda em 2D também permite que os níveis sejam mais polidos. A banda sonora é também agradável, contando com uma série de reinterpretações de temas já conhecidos da série, agora com uma roupagem mais orquestral, bem como alguns temas novos mas que se adequam perfeitamente ao ambiente épico que a acção nos impõe.

Portanto este Ultimate Ghosts ‘n Goblins é um título a meu ver muito bem conseguido por parte da Capcom, de tal forma que nem consigo entender como é que nunca o relançaram em plataformas mais modernas, quanto mais não fosse um lançamento digital. Uma versão para a Switch vinha mesmo a calhar! Mas para já, o único relançamento foi para a própria PSP, exclusivo para o Japão. Essa versão possui todo o conteúdo da versão original, mais um outro modo de jogo diferente, que torna a experiência mais fiel aos clássicos arcade ou seja, menos exploração, menos coisas para coleccionar e/ou equipar, mas mais dificuldade ainda.

Heavenly Sword (Sony Playstation 3)

Ultimamente tenho tirado algum pó da PS3 e jogado alguns títulos que cá tinha para reduzir o backlog. O que escolhi desta vez foi o Heavenly Sword, um título de acção desenvolvido pela Ninja Theory em exclusivo para a consola da Sony, tendo saído ainda algo no início de vida da plataforma em 2007. Nesta altura jogos como God of War eram o que estava na moda, pelo que este Heavenly Sword acaba por capitalizar um pouco nessa fórmula, ao ser um hack and slash épico, com cenários grandiosos, muitos inimigos para combater e alguns quick time events à mistura. O meu exemplar foi comprado algures em 2017 numa worten, custou-me exactamente 2.51€, era um jogo usado, mas em bom estado.

Jogo com caixa e manual

O jogo decorre num mundo fantasioso, onde um poderoso e tirano rei, Bohan, está a aterrorizar toda a população e exterminar todos os clãs tribais que lhe poderiam fazer frente. Nós controlamos uma protagonista feminina, a Nariko, membro do último clã ainda existente, mas que está agora a ser alvo dos ataques de Bohan, até porque este quer a Heavenly Sword a todo o custo. Esta espada fez parte de uma grande batalha outrora e está agora amaldiçoada, pois cada pessoa que a tente usar, está condenado a ser consumido pela própria, a menos que seja o guerreiro escolhido de uma certa profecia. Nariko nasceu no ano dessa mesma profecia, mas sendo uma mulher e tendo a sua mãe infelizmente falecido durante o parto, nunca foi muito aceite nem pelo seu pai (líder do clã), nem pelos seus restantes colegas. O jogo começa precisamente com Nariko a combater um enorme exército das forças de Bohan e usando a Heavenly Sword, que aparentemente acaba por a consumir e sucumbe na batalha. Aqui Nariko começa então a narrar os eventos que aconteceram há cinco dias atrás e a levaram a usar a espada.

Na sua essência, é um jogo algo similar aos God of War clássicos, com os seus cenários majestosos e ângulos de câmara fixos

Na sua maioria, o jogo é um hack-and-slash com um grande foco nos combos e na agilidade de Nariko. Com os ângulos de câmara fixos (se bem que podemos usar os botões de cabeceira L2 e R2 para rodar temporariamente a câmara) o segundo analógico, que em muitos outros jogos de acção serviria para controlar a câmara, serve para nos auxiliar no combate, fazendo com que Nariko se desvie na direcção pretendida. Os botões faciais, principalmente o quadrado e triângulo servem para atacar, sendo que à medida que vamos progredindo no jogo, novos combos vão sendo desbloqueadas. O círculo serve para desbloquear alguns golpes especiais (assim que tivermos feito combos suficientes), ou para entrar nalguns QTEs que serão obrigatórios para derrotar alguns bosses.

Na última batalha temos mesmo muitos inimigos pela frente, uma demonstração de poder de processamento que a “nova” geração de consolas trazia

Assim que começamos a usar a Heavenly Sword todo o potencial do combate é desbloqueado. Normalmente usamos a pose “speed”, que é a que melhor balanceia a velocidade e dano. Ao manter o botão R1 pressionado, começamos a desencadear golpes na pose “heavy“, que são mais lentos, no entanto bastante mais poderosos. Ao manter o botão L1 pressionado enquanto combatemos estamos a usar a pose “ranged“, onde a espada se divide em 2, estando ligadas por correntes. Isto permite-nos usar alguns ataques de média distância, bastante rápidos porém causam pouco dano. Ao longo do jogo vamos encontrar inimigos que são mais susceptíveis a um tipo de ataques que outros, pelo que deveremos usar estas habilidades de maneira inteligente. Vamos também ter inimigos que estão constantemente em poses defensivas e bloqueiam todos os nossos ataques, pelo que vamos ter de aprender e usar alguns combos capazes de perfurar as suas defesas. Os counters também têm a sua importância, sendo que devemos carregar no triângulo (com a pose certa) uns instantes antes dos inimigos atacarem. Para isso, temos de estar atentos aos seus movimentos, mas a Ninja Theory também nos facilitou um pouco a tarefa, pois antes de atacar, cada oponente ganha uma certa aura. Se for um ataque normal, a aura é azulada, pelo que o counter deve ser normal. Se a aura for dourada, então vão atacar com um golpe poderoso, pelo que devemos pressionar no R1 e triângulo. Se a aura for vermelha, então convém é fugir pois são golpes indefensáveis. Até aqui tudo bem, o sistema de combate exige algum treino e usar bastante o analógico direito para nos conseguirmos esquivar dos golpes inimigos e não quebrar o nosso combo count. Quanto melhor for a nossa performance em combate não só ficamos com alguns golpes especiais disponíveis para gastar, como vamos sendo recompensados com várias coisas, desde desbloquear novos combos, bem como desbloquear uma série de conteúdo adicional como artwork, pequenas animações que contam mais da história, ou partes do documentário de making of do jogo.

A nossa performance é avaliada e vai desbloqueando uma série de extras

No entanto Nariko não é a única personagem jogável, por vezes também jogamos com a pequena Kai. Esta pequena não combate como Nariko, o foco dela é o sniping. Vamos ter várias missões onde teremos de atingir inimigos, alguns longe, outros mais perto pelo que teremos de fugir até chegar a uma distância de segurança e começar a disparar flechas. Para alvos de longa distância, podemos usar a habilidade de aftertouch. Aqui a câmara acompanha a flecha assim que ela é disparada em câmara lenta, e com o sensor de movimento do comando da PS3 podemos desviar a flecha para onde quisermos. Bom, a ideia é excelente, mas para mim foi um martírio controlar estas flechas em condições pois temos de ter o comando em posição neutra só para manter a trajectória e para fazer ajustes muitas vezes as coisas saíam-me ao lado e eram só setas a raspar soldados inimigos. Depois lá me apercebi nas opções que podemos desactivar os sensores de movimento e controlar as setas normalmente, e aí as coisas melhoraram imenso!

A nível gráfico, é um jogo impressionante para 2007, sem dúvida. As caras das personagens principais estão muito bem definidas, cheias de detalhes o que lhes conferem emoções muito fiáveis nas cutscenes. Os cenários, muito influenciados por arquitecturas orientais são também muito bonitos. Mas não deixa de ser um jogo do início de vida da PS3, ainda temos algumas texturas, principalmente nos solos, que são de baixa resolução, mas nada que incomode. As músicas oscilam entre o épico e melodias mais calmas e ambientais, repletas de influência oriental, o que me agrada bastante. A nível de voice acting acho que é um jogo bem conhecido até porque tem alguns actores conhecidos ao representar as vozes das personagens principais. Mas por vezes temos alguns diálogos bastante bizarros, principalmente com os lacaios de Bohan, Flying Fox e Whiptail.

Graficamente as personagens principais estão muito bem detalhadas e possuem óptimas animações faciais

Portanto este Heavenly Sword é um jogo de acção interessante, principalmente para os fãs de God of War daquela geração. Temos um interessante sistema de combate, com alguns quick time events à mistura (se bem que isto já não me agrada tanto até porque o tempo de reacção é muito curto na maior parte das vezes). O sistema de lançamento de projécteis em câmara lenta com recurso ao aftertouch é uma boa ideia, mas a sua implementação com os controlos de movimento deixa algo a desejar, pelo que recomendo vivamente que os desactivem. A história em si é interessante e o mundo que temos de explorar é bastante agradável. É um jogo também relativamente curto, pelo que se o encontrarem a um preço baratinho dêm-lhe uma chance!

Formula 1 97 (Sony Playstation)

Voltando às rapidinhas, vamos agora para um conhecido jogo de corridas na Playstation. Depois do sucesso do Formula 1 original, que foi desenvolvido pela Bizarre Creations e publicado pela Psygnosis, naturalmente que uma sequela estaria em cima da mesa, algo que aconteceu logo no ano seguinte com este Formula 1 97. O meu exemplar foi comprado algures no mês passado de Maio, veio da loja Mr. Zombies e custou-me 4€.

Jogo com caixa e manual

Este jogo aborda a temporada de 1997 na Fórmula 1, onde o nosso circuito do Estoril ainda marcava a sua presença. Temos todas as equipas e pilotos oficiais dessa temporada, excepto o Jacques Villeneuve da Williams, que tinha copyrights próprios da sua imagem, tendo sido substituído por um piloto genérico. Sinceramente não me recordo se isso já tinha ocorrido no jogo anterior, mas lembro-me de outros jogos da mesma época que tiveram o mesmo problema.

A informação que vemos no ecrã é muito idêntica ao que veríamos na TV

De resto, para além de corridas singulares e multiplayer que agora nos permite jogar em split screen, eu diria que este F1 97 possui 2 modos de jogo principais: o Arcade e Campeonato. O primeiro é sem dúvida o meu preferido, onde temos a possibilidade de participar numa série de pistas que diferem mediante o grau de dificuldade escolhido. Assim que começamos uma corrida, isto é mesmo arcade, pouco temos a customizar no carro e o que conta é ir passando os checkpoints antes do relógio em contagem decrescente chegar a zero. Competir no modo arcade e completá-lo em diferentes graus de dificuldade desbloqueia-nos novas pistas.

Aqui quando chove, chove a sério!

O modo campeonato é aquele que os fãs de simulação vão sem dúvida perder mais tempo. Aqui escolhemos um piloto para representar e teremos toda uma temporada de F1 pela frente. Os carros podem ser altamente customizados, assim como as corridas em si, desde o número de voltas, passando pelas condições atmosféricas que podem ser completamente aleatórias ou não. Aqui devo dizer que os menus e apresentação geral deste jogo poderiam ter sido melhores conseguidos. A informação está dispersa de forma confusa e caso tenhamos a metereologia aleatória seria bom saber antes de começar uma corrida ou prova de qualificação quais as condições atmosféricas, para pelo menos escolhermos os pneus certos.

Para quem não for fã de simulação temos sempre a hipótese de experimentar o modo arcade

A nível audiovisual era um jogo impressionante para a época e melhorou face ao seu antecessor quanto mais não fosse pelos efeitos metereológicos, e sistema de dano que poderia deixar os carros a largarem algumas peças na pista após colisões mais feias. Os circuitos em si estão muito bem detalhados para a época, embora se note bastante pop-in dos cenários a serem construídos à nossa frente. Felizmente a pista está quase sempre construída, pois a menos que sejam aficcionados do desporto e conheçam os circuitos muito bem, sinto a falta de um mapa que nos indique a posição na pista. Mas pronto, isto é suposto ser um simulador… De resto nada a apontar para os efeitos sonoros, nem para os comentários que me parecem competentes. E mais uma vez temos comentadores em várias línguas, o que é um ponto interessante. Não sei qual a qualidade dos outros, mas nos ingleses nada a apontar! No que diz respeito às músicas, estas só se ouvem em menus e afins e são uma mistura de temas rock, repletos de guitarradas como eu gosto, passando por música electrónica e outras faixas mais ambientais.

Portanto, se forem fãs de simuladores de Fórmula 1 e tiveram uma Playstation na segunda metade da década de 90, é muito provável que este jogo vos tenha agradado bastante! Parece-me uma boa sequela, melhorando várias coisas face ao original, e estou curioso para ver como evoluiu a série no Formula 1 98.