Alien Resurrection (Sony Playstation)

Alien Resurrection
Este artigo é uma versão ligeiramente modificada do artigo originalmente publicado na revista online PUSHSTART #25, podem conferir o original aqui.

Das memórias mais antigas que tenho é de em início dos anos 90 darem os primeiros 2 filmes da saga na RTP1 e eu ter ficado completamente aterrorizado com os xenomorphs e companhia. Uma cena que me ficou mesmo gravada na memória foi quando um certo andróide é cortado em dois num dos filmes. Alien Resurrection é o quarto filme da saga, tendo saído em 1997. Na minha opinião de fã, é um filme fraco, bem longe da qualidade dos 2 primeiros, o que é pena, visto que a série merece apenas o melhor. Mas este artigo não é uma crítica de cinema, pelo que vamos ao que interessa. A adaptação do filme para os videojogos, que inicialmente estava planeado ser um jogo na 3a pessoa, sofreu vários atrasos e mutações, tendo acabado por sair para a Playstation original já no ano de 2000, em alturas em que a própria Playstation 2 se estava a preparar para sair também. A minha cópia foi comprada algures no ano passado, na loja portuense TVGames. Penso que me custou algo em torno dos 4/5€. Um óptimo preço para um jogo completo e em bom estado.

Alien Resurrection PS1
Jogo completo com caixa e manual

Alien Resurrection segue a história do filme, cuja decorre numa nave/estação militar, onde um grupo de cientistas consegue clonar a Ripley quando se encontrava “grávida” de uma Alien Queen, nos tempos de Alien 3. Ora ao recuperarem a rainha, conseguiram que eventualmente novas ninhadas de xenomorphs surgissem. Claro que ter muitos bichos destes nunca é boa ideia, e há algo que teria de invariavelmente dar para o torto. O jogo coloca-nos então inicialmente na pele de Ripley, onde apenas temos o objectivo de sobreviver e escapar da estação espacial em que nos encontramos. Ao longo dos 10/11 níveis do jogo vamos encarnando também outras personagens do filme, como a cyborg Call ou o Christie, por exemplo.

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Os gráficos são bons. Esta foto não é a melhor, mas estamos a lidar com uma máquina 32Bit.

O jogo é um first person shooter. Sinceramente acho que é um subgénero que encaixa perfeitamente na série, sendo possível recriar todo aquele clima tenso, claustrofóbico e aterrorizador pelo qual os filmes são sobejamente conhecidos. O Alien vs Predator da Atari Jaguar e o Alien Trilogy de Saturn/PC e PS1 já tinham sido dos primeiros jogos da série a terem esta abordagem, com bons resultados. Acontece que no ano anterior saiu para PC um joguinho de nome “Aliens versus Predator”, que transpôs de uma forma brilhante todo este clima em forma de jogo. Dessa forma, Alien Resurrection tinha uns sapatos enormes para calçar… e falhou nalguns aspectos.

Mal pegamos nos controlos e surge a primeira situação de combate, depressa vemos logo o que está errado neste Alien Resurrection. Os controlos são demasiado lentos, o jogador movimenta-se lentamente, e apontar a arma é igualmente lento. Ora os Xenomorphs não são propriamente lesmas e quando nos encontramos rodeados deles o melhor é mesmo fugir. Felizmente dá para ajustar a sensibilidade do “turning and aiming”, mas não existe a hipótese de correr, e num jogo deste género é algo que faz mesmo falta. Sendo também um FPS algo antigo, existe aqui uma ajudinha que os jogadores de consolas conhecem como aim assist. Jogar no PC com rato e teclado é outra categoria… e eu próprio levei imenso tempo a habituar-me minimamente em jogar FPS com um gamepad. Infelizmente devido aos problemas de controlos que mencionei, este aim assist acaba por ser bem-vindo. O jogo tem suporte ao rato de PS1, podendo ser jogado em conjunto com o gamepad. Acredito que os controlos fiquem melhores desta forma, mas quem é que tem um rato para a PS1 mesmo?

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Olha um facehu-ewww!

O arsenal à nossa disposição é variado, mas não foge ao habitual. Para além das habituais pistolas, shotguns, metralhadores, lança granadas e lança rockets, existem também 2 armas futuristas, com lasers e raios eléctricos respectivamente. A nível de items, existem os habituais medkits, e caixotes espalhados com várias munições. Para além disso, acabamos por encontrar uma útil lanterna e o icónico radar de movimento. A variedade de níveis não é muito grande, mas o mesmo pode ser dito para o próprio filme. Afinal estamos a bordo de uma gigante nave espacial, dessa forma os cenários não fogem muito a uma temática industrial futurista. O jogo encontra-se dividido em 10/11 níveis, mas são níveis suficientemente grandes e com vários desafios pela frente. Para além dos próprios Alien nos seus diferentes estados de gestação, também lutamos contra a equipa militar e/ou científica a bordo da própria nave.

A atmosfera do jogo é sem dúvida o ponto mais bem conseguido. Os cenários são escuros e claustrofóbicos, deixando-nos sempre com a sensação que vamos encontrar um Alien uns passos à frente, o que nem sempre acontece, contribuindo ainda mais para a expectativa. O radar, apesar de ser um pouco diferente do tradicional na saga, é uma marca da mesma, e quando estamos com pouca munição e saúde, e sabemos que temos de enfrentar uma série de criaturas na sala seguinte é sempre algo que tenta instaurar o pânico no jogador. Os sons estão muito bem conseguidos, não existindo uma banda sonora por aí além. Sinceramente nem precisa, o jogo fica bem mais tenso se for abstraído de coisas que nos façam distrair da sobrevivência. Graficamente também é um ponto forte do jogo, que apresenta gráficos 3D bem detalhados para uma máquina 32bit. Os primeiros screenshots que vi deste jogo, lá por 1999, deixaram-me boquiaberto sabendo que era para a PS1. Actualmente jogos 3D dos tempos das 32e 64Bit são jogos que envelheceram mal no quesito gráfico, portanto nem deve ser comparado a jogos Alien mais recentes. Para 2000, e precisamente para uma Playstation 1 acho que estão francamente bons.

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Apresento-vos a criatura mais desinteressante de toda a série.

Alien Resurrection, o filme, é um ponto baixo na saga, já o jogo apesar de ter um grau de dificuldade elevado devido aos controlos imprecisos, não deixa de ser um jogo interessante na medida em que proporciona uma série de momentos de elevada tensão e o pânico total. Esse aspecto, aliado a ser um jogo tecnicamente bom para uma máquina de 32Bit, tornam Alien Resurrection, o jogo, como algo a que todo o fã de Alien deva experimentar.

Crisis Core: Final Fantasy VII (Sony Playstation Portable)

Crisis Core Final Fantasy VIIAltura de voltar à portátil da Sony com mais um dos seus lançamentos mais emblemáticos. O Final Fantasy VII é indubitavelmente um dos JRPGs mais influentes jamais lançados, surgindo numa altura em que finalmente as consolas com suporte a mídias ópticas começaram a ter sucesso e os jogos a tirar partido das suas vantagens, onde FFVII para além de uma história interessante e repleta de personagens carismáticos como a Squaresoft já veio a introduzir em jogos como Chrono Trigger ou Final Fantasy VI, aliados pela primeira vez a cutscenes bastante elaboradas e músicas “red book“. Mas devo dizer que apesar de o ter adquirido recentemente, ainda não joguei tal obra prima. Contudo, sendo dos jogos mais “spoiled” de sempre a par do Ocarina of Time, já sei +/- para o que me prepararei brevemente. Ainda assim, como gosto de jogar as séries de forma cronológica sempre que possível, decidi começar com este Crisis Core, um RPG de acção bastante interessante que conta os eventos que levaram ao próprio Final Fantasy VII.
A minha cópia foi adquirida na loja online portuguesa “Best-games”, tendo-me custado algo em torno dos 8€, está completa e em bom estado.

Crisis Core Final Fantasy VII PSP
Jogo completo com caixa, manual e papelada

A história coloca-nos no papel de Zack Fair, um elemento do exército privado da empresa “manda-chuva” Shinra, nomeadamente o grupo SOLDIER. Zack tem como mentor Angeal soldado de primeira linha de SOLDIER, que por sua vez é amigo de infância de outros 2 importantes membros, Genesis que se torna no vilão principal deste jogo e Sephirot, que toma esse papel em Final Fantasy VII. Dessa forma, Crisis Core narra a sequência de eventos que levaram ao conflito entre Shinra e restantes facções “rebeldes”, bem como providencia mais informação sobre o passado de diversas personagens, como o próprio Sephiroth, a menina Aerith e o próprio Cloud, onde descobrimos como é que ele foi “desencantar” aquela espada grandalhona. Não me quero adiantar muito mais na história pois não sei bem até que ponto é que seria spoiler dos jogos seguintes. Mas o que é certo é que aqui também se encontram o que eu menos gosto nos jogos da Square dessa época: Os diálogos lamechas.

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Ecrã de batalha, aqui um dos bosses.

A jogabilidade é de facto diferente dos restantes RPGs clássicos da empresa. Em Crisis Core as batalhas são na sua maioria aleatórias, contudo a abordagem ao combate é bem mais dinâmica, sem qualquer turno. Zack pode-se mover livremente dentro de uma determinada área, dispondo de um conjunto de diferentes acções. As básicas consistem em atacar, defender, esquivar e utilizar items, já as restantes dependem das “materia” que Zack tenha equipado. Zack pode então equipar até um máximo de 6 materia que lhe conferem diferentes acções, sejam ataques físicos, mágicos, restaurativos ou até outras materia que lhe confiram “buffs” passivos. As materia, em conjunto com o equipamento que Zack pode usar, é um dos campos mais criativos do jogo, pois a certa altura temos a liberdade de melhorar ou criar materia novas, misturando materia que já tenhamos com certos items. E de facto, saber criar boas materia (e adquirir algum equipamento lendário) é essencial se querermos sobreviver em algumas side-mission que irei referir daqui a pouco. Fora de combate ou missões em que Zack esteja envolvido, temos a liberdade de ir visitando alguns locais na cidade de Midgar, ou em outras localidades mediante o ponto na história em que estejamos. Aí poderemos falar com uma série de NPCs e fazer várias side-quests. Uma coisa que achei bem conseguida é a própria interface dos menus do jogo, que funcionam como se fosse o próprio telemóvel de Zack. Em vários momentos vamos recebendo alguns e-mails relacionados com a história principal ou das sidequests em que estejamos envolvidos. É interessante pois acabamos por receber emails com os vários pontos de vista dos acontecimentos, sejam as versões “oficiais” da Shinra que tentam encobrir os escândalos, ou teorias da conspiração por parte de outros grupos. Para comprar items também se faz através dessa interface, onde mediante o decorrer do jogo vamos ganhando o acesso a várias lojas “online” onde poderemos comprar items, equipamento e materia. Para além da história principal o jogo oferece também uma série de missões paralelas (mais de 100), com variados níveis de dificuldade. Estas missões são excelentes para se ganhar experiência e proporcionam um escape rápido para quem quiser jogar apenas uns 10, 15minutos, ideal para quem usa portáteis. Contudo as missões mais complicadas exigem mesmo um planeamento estratégico bem apertado, escolhendo as melhores materia e equipamento. Isto é necessário pois em várias missões (mesmo naquelas consideradas fáceis) existem uma série de inimigos capazes de realizar ataques 1-hit-kill, que foi o aspecto que mais me irritou ao longo de todo o jogo. Existe inclusivamente um boss secreto que é completamente sádico e eu desisti de o tentar vencer.

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Digital Mind Wave em acção

Ainda acerca da jogabilidade Crisis Core tem um aspecto bastante confuso. Ao longo dos combates vemos no ecrã uma espécie de slot-machine sempre a rodar, com caras de personagens importantes que vamos descobrindo na história, bem como números. Não é claro como este mecanismo funciona, mas mediante os resultados que vamos obtendo nessa slot machine (que se chama Digital Mind Wave já agora), poderemos subir de nível, subir o nível das materia que temos equipada ou ganhar buffs temporários de invulnerabilidade, custo-zero para usar materias, entre outros. Mediante as “caras” que vão saíndo também permitem usar ataques devastadores ou summons. Realmente este é o aspecto mais confuso de Crisis Core e que sinceramente nunca me dei ao trabalho de tirar isso a limpo.

Em relação ao audiovisual Crisis Core apresenta uns gráficos bem competentes. As personagens e os cenários não têm o detalhe dos God of War da PSP, mas ainda assim o jogo apresenta uns gráficos 3D bastante competentes. O que tem mesmo muita qualidade são as cutscenes em CG, algo que já é habitual vindo da malta da Square. Em relação ao voice-acting não tenho muita razão de queixa, é competente. Os diálogos em si é que por vezes abusam do factor “lamechas” com romancismos pseudo-literários do Genesis e relações de amizade algo conturbadas entre as várias personagens. A música é na sua maioria “up beat”, misturando melodias mais electrónicas com algum rock e metal. Obviamente que em ambientes mais calmos existem também algumas músicas mais atmosféricas.

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Aqui podemos ver o sistema de menus. As missões apenas estão acessíveis quando Zack se encontra sobre um savepoint

Concluindo, Crisis Core não é um jogo perfeito, porém não deixa de ser um título de elevada qualidade para uma máquina portátil. Quem for um fã de Final Fantasy e principalmente do FF7 não deve deixar de jogar este jogo, nem que seja para desvendar o passado de algumas personagens de Final Fantasy VII e os acontecimentos que levaram a um dos JRPGs mais emblemáticos de sempre.

God of War Ghost of Sparta (Sony PlayStation Portable)

GoW Ghost of SpartaE para finalizar (pelo menos pelos próximos meses) esta série de jogos alusivos às aventuras de Kratos, suas lâminas e concubinas, trago aqui um artigo referente ao último jogo da série lançado para a portátil da Sony. A minha cópia foi adquirida algures por aí, penso que terá sido na loja portuense TVGames, e o jogo deve ter rondado os 5€, ultimamente tenho perdido o fio à meada. De qualquer das maneiras está completo e em bom estado, e sendo a edição normal “black label” é o que interessa.

God of War Ghost of Sparta
Jogo completo com caixa, manual e papelada

A história decorre entre os eventos de God of War I e II, onde Kratos tomou o seu lugar no Olimpo como Deus da Guerra. Eventualmente Kratos ainda é assombrado pelo seu passado sangrento, pelo que tenta encontrar respostas para que lhe possam aliviar o seu sofrimento. A sua busca leva-o à cidade de Atlântida, onde após vários acontecimentos Kratos é levado a procurar o seu irmão Deimos, que havia sido tomado prisioneiro pelos deuses do Olimpo quando eram ambos crianças. Os acontecimentos deste jogo levam a entender quais os motivos de Kratos quando começa a sua revolução no Olimpo nos acontecimentos de God of War 2. Mais do que isso é melhor não revelar.

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Porrada em pleno mar? Já foi feito em GoW 🙂

A jogabilidade é a tradicional, contudo o controlo pareceu-me mais refinado do que o jogo anterior, o Chains of Olympus. Os botões faciais servem para exactamente as mesmas funções que todos os outros jogos da série, nomeadamente para golpes fortes, fracos, agarrar e saltar. As magias existem e são activadas usando apenas o botão direccional, sendo que cada direcção corresponde a uma determinada magia. A excepção fica para o direccional para baixo, que serve unicamente para alternar a arma usada no combate. O standard são as duplas lâminas com correntes, mas mais tarde desbloquearemos uma outra arma que na luta final terá um papel muito importante. De resto todas os aspectos da série estão aqui presentes, nomeadamente as orbs de várias cores e os power ups, coisa que eu já me começo um pouco a cansar de as descrever. Vejam os artigos anteriores sobre God of War que é a mesma coisa! A diferença aqui é que existe um poder novo, o chamado Thera’s Bane, que temporariamente envolve as lâminas de Kratos em fogo, permitindo golpes bem mais poderosos e sendo mesmo um poder necessário para progredir em várias partes do jogo. Activa-se simplesmente com o botão R, posteriormente existe uma barra de energia própria que vai sendo gasta à medida que o poder vai sendo utilizado. Felizmente essa barra de energia volta a completar-se alguns segundos depois.

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Um dos vários puzzles que podemos encontrar

Outra novidade é a questão de existirem vários items especiais espalhados em pontos chave do jogo. Esses items permitem desbloquear uma série de novas habilidades mas, apenas quando se começa um jogo novo. Um outro aspecto fundamental de God of War são os chamados Quick Time Events. Sinceramente nunca achei piada a isso, mas neste jogo já ficaram mais aceitáveis. O facto de a indicação do botão a carregar aparecer em diferentes posições do ecrã consoante a posição do botão na própria consola, já é uma ajuda. Antes de terminar esta parte da jogabilidade convém também falar do conteúdo bónus que vai sendo desbloqueado à medida em que vamos terminando o jogo nos vários modos de dificuldade. Para além dos habituais trajes novos para Kratos, e alguns vídeos sobre o jogo, existem dois outros modos de jogo importantes. Um é o Challenge of the Gods, onde são apresentados vários desafios para Kratos resolver. O outro é o Combat Arena, uma espécie de survival mode onde Kratos enfrenta uma série de “waves” de vários inimigos.

Passando para a questão audiovisual, Ghost of Sparta permanece com um clima bastante épico, mesmo para uma portátil, apresentando cenários vastos em algumas partes do jogo, tal como o habitual. Também como habitual é o sistema de câmara, com câmara fixa nalguns pontos, porém com dinâmica à medida em que a personagem se movimenta nos cenários. No primeiro God of War era algo que me irritava pois por vezes alterava drasticamente o ângulo em corredores apertados, o que acabava por confundir um pouco o sentido de orientação do jogador, mas eventualmente acabou melhorar. Nas consolas domésticas, eu preferia que o jogador tivesse a hipótese de ajustar a câmara à sua maneira, mas na PSP com o seu conjunto de botões reduzido, esta alternativa acaba por ser a melhor escolha.

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Os finishing moves brutais são uma das imagens de marca da série.

Graficamente já o Chains of Olympus era impressionante para a portátil da Sony, e este Ghost of Sparta não lhe fica nada atrás, com as personagens bem detalhadas e cenários vastos com boas texturas. De todos os jogos que tenho jogado na portátil da Sony, este é certamente dos jogos com gráficos 3D bem caprichados. A nível de som também acaba por não ser novidade nenhuma, mantendo as músicas orquestrais com o tom épico ao longo de todo o jogo. O voice acting, eu diria que também mantém os mesmos padrões de qualidade que os jogos anteriores, agora os leitores que tirem daí as ilações que quiserem… já devem saber por esta altura que eu não sou mesmo grande fã da personagem Kratos e nunca achei piada especialmente ao seu voice acting presunçoso e arrogante.

No final de contas é mais um jogo sólido, se bem que não adiciona nada de relevante à fórmula que por essa altura já dava alguns sinais de desgaste. Quem gostou dos God of War anteriores, certamente que não ficará desapontado por este jogo, que puxa a PSP aos seus limites, para além de possuir uma jogabilidade simples, porém bastante fluída. Quem tiver PS3, então provavelmente o melhor seria jogar a versão que saiu para a mesma, com gráficos algo superiores.

God of War: Chains of Olympus (Sony Playstation Portable)

GoW Chains of Olympus PSPGod of War: Chains of Olympus é a primeira iteração de Kratos e companhia na portátil da Sony. Enquanto a jogabilidade se viu algo simplificada devido à menor quantidade de botões disponíveis na máquina da Sony, ainda assim consegue manter todo a visceralidade dos combates repletos de gore e o erotismo dos originais. A minha cópia penso que foi adquirida na GAME do Maiashopping, tendo-me custado cerca 5€. Infelizmente é a versão Essentials, com a sua capa laranja berrante, mas paciência. Fora isso está completo e em óptimo estado.

God of War Chains of Olympus
Jogo completo com caixa e manual

A história decorre antes dos eventos do primeiro jogo, onde Kratos ainda serve sob a alçada de Ares e os restantes deuses do Olimpo. O jogo começa com Kratos a defender a cidade de Attica de invasões persas, com um início “all guns blazing”, onde temos de defrontar um gigante Basilisk. Após conseguir deter a invasão Persa, a verdadeira história começa, com o mundo ver-se envolto nas trevas de Morpheus, deus dos sonhos. Kratos tem depois como missão averiguar o que aconteceu e restabelecer a normalidade das coisas. Ao longo do jogo vão ser revelados mais detalhes do passado conturbado de Kratos, para quem se interessar. Eu confesso que não me interessei muito, pois conforme já disse anteriormente Kratos é um “bad ass”, mas muito presunçoso e nunca consegui gostar muito da personagem.

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Efreet, um dos ataques mágicos que acabaremos por ter à disposição.

A jogabilidade herda os movimentos de God of War II na sua generalidade, com os botões faciais a manter as mesmas funções de sempre. Devido ao facto de não existirem 2 analógicos (e consequentemente botões R3 e L3), técnicas como a Rage of the Gods tiveram de ser deixadas de fora, bem como a movimentação de se esquivar, que nas consolas ficava a cargo do segundo analógico, aqui teve de ser utilizada usando o único analógico em conjunto com ambos os botões de cabeceira pressionados. Não é tão cómodo, mas percebe-se. Também devido à falta de L2 e R2, várias das funcionalidades que estavam inicialmente alocadas para esses botões tiveram de ser repensadas. As magias executam-se com o botão R em conjunto com um dos botões frontais, sendo que cada botão frontal tem uma determinada magia alocada – magias essas que vão sendo adquiridas ao longo do jogo, como de costume. Também existem armas alternativas que vamos poder usufruir, neste caso é apenas uma, mas acaba por se tornar bastante útil, principalmente depois de ser “upgraded“. O mecanismo das orbs coloridas mantém-se, com orbs azuis a recuperar a barra de magia, orbs verdes a recuperar saúde e as vermelhas que podem ser usadas como moeda de troca para realizar upgrades às várias magias e armas do jogo, aprendendo assim novos golpes para serem utilizados na porrada.

Igualmente de regresso estão os power-ups escondidos ao longo do jogo, que permitem aumentar as barras de saúde e magia. Tal como nos jogos anteriores não há grande problema em deixar escapar um ou outro baú secreto, pois existem mais do que os necessários para se ficar “fully upgraded“, sendo que os restantes ficarão apenas com orbs vermelhas. Infelizmente não existem grandes segmentos alternativos, como os voos de Pegasus em God of War II. Felizmente não existem os segmentos de plataforma chatos do primeiro jogo. Ainda assim, é um jogo totalmente linear, com um ou outro pequeno desvio para se procurar conteúdo secreto. É também um jogo algo curto, sendo finalizado em apenas algumas horas.

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Os ciclopes como sempre possantes.

Passando para a questão técnica, é curioso saber que este é dos primeiros (senão o primeiro mesmo) jogo a tirar o partido total do processador da PSP. Para quem não sabe, o processador da PSP está nativamente travado a 222MHz, mas é possível fazer um soft-overclock para que o mesmo trabalhe à frequência de 333MHz. Quem andar nas vidas de usar Custom Firmwares seja para que uso for, alguns firmwares permitem alterar esta frequência para qualquer jogo, o que nalguns casos até melhora a experiência, tal como no Wipeout Pure. A contrapartida é que o tempo útil de bateria é bastante reduzido neste modo, mas como eu nunca jogo com a PSP fora de casa, não é algo que me afecta. Mas voltando ao que interessa, God of War Chains of Olympus ainda é dos jogos mais bonitos que a PSP tem para oferecer. Não está ao mesmo nível da PS2 como é óbvio, mas anda lá perto, com personagens bem detalhadas, cenários largos e com boas texturas, e vários efeitos de iluminação interessantes. Sonoramente não existem grandes diferenças. Ressalvo que aprecio a utilização de legendas nas cutscenes, visto grande parte do tempo eu jogar com o volume relativamente baixo e as legendas é algo que dá jeito nestas situações. Foi uma das coisas que me irritou não existir nos jogos da PS2, mas aqui redimiram-se. O voice acting é competente, continuo a achar a voz de Kratos algo irritante, mas estou ciente que a mesma não vai mudar. A banda sonora como habitualmente segue o clima épico com várias orquestrações.

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Um dos “fatos alternativos” que podemos desbloquear

Apesar de ter sofrido algumas limitações, God of War Chains of Olympus é uma boa adição para a série e desempenha um bom papel na PSP. Papel esse que foi superado pelo Ghost of Sparta, mas isso fica para uma outra altura. O jogo encontra-se também disponível com tratamento em HD para a PS3, será possivelmente a melhor versão para se adquirir. Antes de terminar, Chains of Olympus tem vário material de bónus que pode ser desbloqueado. Para além de habituais trajes alternativos, houve um regresso de pequenos filmes com conteúdo cortado, sobre o estúdio, etc. Infelizmente sabem a pouco, pois não existe qualquer comentário nos mesmos, mas ainda assim é melhor que nada.

God of War II (Sony Playstation 2)

God of War II PS2Após o sucesso do primeiro jogo, uma sequela seria o próximo passo lógico, resultando neste jogo lançado em pleno ano de 2007 ainda para a velhinha PS2. De facto não deixa de ser algo surpreendente a Sony não ter forçado a que este GoW saísse originalmente para a PS3, numa altura em que a mesma ainda estava com alguma dificuldades em se afirmar em vários mercados, mas isso é assunto para outra conversa. A minha cópia foi adquirida numa GAME perto de minha casa, tendo custado algo em torno dos 10€ e encontra-se em óptimo completa e estado.

God of War II PS2
Jogo completo com caixa e manual

God of War II decorre pouco tempo após os acontecimentos do primeiro jogo, onde Kratos agora assumindo os poderes de Deus da Guerra, continua insatisfeito com a sua sede de sangue ou whatever e continua a comandar as suas tropas espartanas na guerra contra o povo grego, algo que incomoda os restantes deuses do Olimpo. Assim sendo, o próprio Zeus encarrega-se de atacar Kratos, retirando-lhe todos os seus poderes divinos, tornando-o novamente mortal e acabando mesmo por mandá-lo de volta para Hades. Ora Kratos supostamente é um osso duro de roer, pelo que consegue novamente escapar do inferno e encontra-se com a Titã Gaia, uma das divindades que antecederam Zeus e companhia. Gaia explica a Kratos que é possível ele executar a sua vingança contra Zeus, bastando para isso encontrar-se com as “Sisters of Fate” de modo a voltar atrás no tempo e atacar Zeus desprevenidamente. E pronto, está dado o mote para mais uma aventura de contornos épicos passados na antiga Grécia.

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Combate visceral, é imagem de marca da série

Pouca coisa foi modificada na jogabilidade. O combate permanece idêntico na sua essência: quadrado para golpes fracos, triângulo para golpes fortes, círculo para agarrar e x para saltar. Existem novos combos que tornam o combate mais visceral, bem como mais algumas armas que podemos utilizar, para além das já habituais Athena Blades. Infelizmente as armas novas não as achei grande coisa, as lâminas duplas habituais permitem um combate bem mais dinâmico. Para além de armas brancas podemos usar magias, onde apenas uma regressa do jogo anterior, sendo as restantes inteiramente novas. Uma outra novidade consiste na habilidade de abrandar o tempo, algo que podemos fazer a partir de um certo ponto do jogo. Esta habilidade apenas se pode desencadear na presença de uma das estátuas das Sisters of Fate e tem uma duração limitada. De resto, o que dizer mais da jogabilidade? Acho que God of War II melhorou vários aspectos do primeiro jogo, nomeadamente as secções de plataforma, menos atabalhoadas desta vez, puzzles mais interessantes e sobretudo mais bosses. Infelizmente os quick time events vieram para ficar, mas podia ser pior, acho os da PSP intragáveis, mas isso fica para a análise do Chains of Olympus. Mais uma vez, o jogo encontra-se desenvolvido de uma forma linear, com as várias áreas interligadas entre si, sem divisão de níveis e com muito poucos ecrãs de loading. Apenas é possível fazer save em determinadas localizações, mas estas encontram-se espalhadas em imensos locais e, mesmo que Kratos perca a vida, o jogo recomeça num checkpoint perto, pelo que é bastante generoso com o jogador neste aspecto.

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Embate entre Kratos e o Colosso de Rhodes, uma das 7 maravilhas da antiguidade.

Passando para o audiovisual, agora sim! God of War II é sem dúvida um jogo bem mais épico do que o anterior, com áreas colossais, bosses bastante interessantes (logo no início do jogo, lutar contra a mítica estátua de Rhodes é algo surreal), cenários bem elaborados, como umas certas estátuas gigantes de cavalos, ou trechos onde voamos nas asas de um cavalo alado qualquer. Graficamente o jogo é bastante bonitinho, com modelos detalhados, e vários efeitos gráficos e de iluminação. Infelizmente, e não sei se o problema é apenas meu, mas os gráficos ficaram um pouco piores na 2a metade do jogo, onde também me apercebi de vários slowdowns nas áreas maiores. No que diz respeito ao voice-acting, ainda não me convenceram. Kratos melhorou um pouco como personagem, mas continuo a não ir muito à bola com ele. Continuo a achar que não perdiam nada em colocar umas legendas, mas pronto. As músicas, sendo operáticas, refletem bem a acção do jogo, contribuindo bastante para o clima épico que é pretendido. Ainda voltando aos gráficos, GoW II oferece a possibilidade de se jogar em Progressive Scan, na resolução 480p. Não é HD, mas é melhor que nada. Ainda assim, não é nada do outro mundo, visto vários jogos das consolas concorrentes oferecerem o mesmo.

No que diz respeito a extras, o jogo anterior tinha bastante coisa, já este deixa um pouco a desejar. Poderemos rejogar a aventura num outro grau maior de dificuldade, temos também vários desafios que podemos completar como matar 2 ciclopes num determinado período de tempo, entre outros. Para além do mais poderemos desbloquear trajes alternativos para serem jogados na aventura principal, ou rever as cutscenes do jogo. O que eu gostava realmente, era que tivessem incluído trailers, making of, ou vídeos a mostrar coisas que não fizeram parte do produto final, tal como fizeram no primeiro jogo.

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Uma das passagens aéreas, certamente um dos pontos mais épicos da aventura

No fim de contas, acho este jogo mais bem conseguido que o original. Os cenários estão mais interessantes, bem como o próprio jogo em si que tem um “flow” bem mais apelativo, repleto de momentos intensos. O próprio design dos níveis apresenta puzzles mais interessantes e secções de platforming menos chatas. Ainda não me cativei com todo o hype que Kratos e companhia está envolvido, mas este jogo deixou-me um pouco mais convencido. Actualmente pode ser também jogado na PS3, num lançamento HD. Nunca joguei essa versão, mas presumo que seja a versão definitiva do jogo.