FIFA Soccer 96 (Sega Saturn)

Continuando pelas rapidinhas e pela Sega Saturn, o jogo que cá trago hoje é mais uma adaptação do Fifa 96 da Electronic Arts, depois de já car ter trazido as versões Mega Drive e 32X, todas elas distintas entre si. A versão 32X era um híbrido entre a versão 16bit e as 32bit, já a versão Saturn foi feita mesmo a pensar no 3D e com um motor de jogo completamente diferente. O meu exemplar veio-me parar à colecção algures no mês passado, tendo-me custado algo em volta dos 5€, visto que veio num bundle bem grande.

Jogo com caixa e manuais

Dispomos então de vários modos de jogo, desde as típicas partidas amigáveis, passando por campeonatos ou vários tipos de torneios diferentes. A nível de controlos, estes não são tão diferentes assim da versão Mega Drive, existindo no entanto mais alguma variedade de passes, fintas ou roubos de bola. Ainda assim, para alguns dos movimentos temos de carregar em mais que um botão em simultâneo. Na versão Mega Drive isso era compreensível pois nem toda a gente teria um comando de 6 botões, aqui na versão Saturn acho que o comando poderia ser melhor aproveitado, alguns botões ficaram sem grande utilização.

Graficamente o jogo ainda usa sprites para os jogadores, ou são modelos poligonais muito básicos

Mas a grande novidade deste jogo estava mesmo na sua transição em definitivo para a era 32bit, depois de um lançamento para a 3DO. Enquanto as versões 16bit dispõem apenas de uma perspectiva isométrica, aqui temos vários ângulos de câmara à nossa disposição, uns mais dinâmicos que outros. Temos várias animações que surgem no ecrã do “estádio virtual”, como foras-de-jogo, faltas ou golos. Preferia também que fossem os próprios jogadores e árbitros a fazer as suas animações no campo, mas parece que a EA não teve o tempo para polir esta versão como seria preferível. De resto, nos gráficos em si, estes eram competentes para a era, mas os jogadores ainda não eram modelos 3D, mas sim sprites. A nível de som, nada de particular a apontar, a não ser para os comentários, pelos vistos foi o primeiro FIFA a incluir algo deste género, mas os comentários ainda são muito pobrezinhos.

Os modos de jogo disponíveis

FIFA Soccer 96 não me parece ser um mau jogo de futebol de todo para a Saturn, quanto mais não seja pela sua grande variedade de selecções nacionais e clubes à nossa disposição para jogar. A nível de jogabilidade em si, sinceramente continuo a preferir o Worldwide Soccer 97, lançado no ano seguinte.

Virtua Fighter Kids (Sega Saturn)

Voltando às rapidinhas, agora na Sega Saturn, deixo-vos cá mais um Virtua Fighter. Este Kids é um jogo secundário na saga, tendo sido lançado após o sucesso do Virtua Fighter 2. É uma espécie de paródia, com as personagens a assumirem um design super deformed, algo muito habitual no Japão. É suposto todos os protagonistas serem crianças nesta versão, mas claro que Lau continua com a sua bigodaça, Jeffry com a sua barba rija e Shun… bom, continua a ser velho. O meu exemplar foi comprado no mês passado, custou-me algo em torno dos 5€ pois veio num grande lote.

Jogo com caixa e manual

Infelizmente temos poucos modos de jogo. Para além do arcade e versus para 2 jogadores que dispensam apresentações, temos também o Ranking Mode, que é essencialmente a mesma coisa do arcade mas onde a nossa performance é avaliada. Os controlos continuam simples, com o botão A para bloquear, botão B e C para socos e pontapés. Os botões X, Y e Z podem ser usados para mapear alguns combos de forma a nos facilitar a vida. Para isso temos o modo combo maker, onde podemos preparar uma série de golpes e movimentos prédefinidos ao detalhe, frame, a frame. É algo interessante, mas confesso que não perdi muito tempo com essa funcionalidade.

Graficamente o jogo até que possui um certo charme

Graficamente é um jogo bem competente, embora não esteja ao mesmo nível do Virtua Fighter 2. Ainda assim, sendo os protagonistas todos cabeçudos, as suas expressões faciais são bastante visíveis, mesmo durante as batalhas, o que é um detalhe muito interessante. A nível de som, as vozes são nítidas, mas possuem um pitch mais elevado, para simular de certa forma as vozes de crianças. As músicas são variações ligeiras dos temas de Virtua Fighter 2, mas sinceramente prefiro os originais.

Infelizmente não temos lá muitos modos de jogo, mas era o normal em adaptações arcade em 1996

Em suma este Virtua Fighter Kids é um jogo de luta bastante divertido, embora não se deva levar a sério visto ser uma paródia do Virtua Fighter 2. A funcionalidade do combo maker parece-me bastante interessante pelo nível de detalhe que a AM2 chegou, mas sinto a falta de mais alguns modos de jogo. Se bem que naquela altura as adaptações de jogos arcade para as consolas traziam muito pouco de novo.

Virtual Open Tennis (Sega Saturn)

Voltando às rapidinhas de jogos de desporto, o que cá trago hoje é um dos poucos jogos de ténis que a Sega Saturn recebeu, pelo menos no ocidente, durante o seu curto espaço de vida por estas bandas. Desenvolvido pela Imagineer em 1995 e publicado no ocidente pela Acclaim no ano seguinte, dá para entender que este é um jogo lançado ainda algo prematuramente no catálogo da Saturn. O meu exemplar foi comprado no mês passado numa feira de velharias por 5€.

Jogo com caixa e manual

A nível de modos de jogo é muito simples, pois temos o modo Exhibition que consiste em partidas amigáveis para 1, 2 ou 4 jogadores, pois podemos optar em jogar partidas de 1 contra 1, ou em pares. O modo campeonato é onde está a verdadeira “carne” para os single players, pois é onde podemos participar em diversos torneios de dificuldade variável. Por fim temos também o modo treino onde podemos treinar os serviços, smash, ou outras jogadas. Recomendo vivamente que practiquem inicialmente neste modo treino, pois todos os 6 botões faciais do comado da Saturn possuem diferentes funções. Servir é um martírio, até porque temos também o efeito de after touch (usar o D-pad para direccionar a bola) para ter em conta. A detecção de colisões também não é grande coisa pois muitas vezes somos capazes de jurar que a nossa raquete só pode estar rota.

Por vezes acertar na bola é bastante complicado. Mesmo com o jogo a avisar onde a mesma vai cair e ressaltar.

A nível audiovisual até que é um jogo interessante principalmente para a altura em que o mesmo foi lançado, com gráficos poligonais minimamente bem detalhados e com boas animações. O problema para mim está é mesmo na apresentação dos menus e afins, parece uma amálgama de power points cheios de clipart e wordart manhosos. Ah, e o jogo também tem a perspectiva sempre fixa nas costas de quem está a servir. Sinceramente preferia que o jogo mantivesse a câmara sempre nas costas do player 1, pois quem ficar com a parte superior do court tem uma grande desvantagem a meu ver, a câmara não é tão boa na metade de cima do campo. Por outro lado nem tudo é mau, a banda sonora é muito rock e cheia de grandes guitarradas, o que eu gosto bastante.

WWF In Your House (Sega Saturn)

WWF Wrestlemania, produzido pela Midway originalmente para as arcades, não é um jogo de wrestling tradicional, e por isso acaba por ser muito mais divertido. Possui na verdade mecânicas de jogo que se aproximam muito mais de um jogo de luta 2D, na medida em que cada lutador possui ataques especiais, combos, e para derrotar os oponentes basta esvaziar a sua barra de energia, não precisamos de nos meter em cima deles e esperar que não se levantem em 10 segundos. Este WWF In Your House é um sucessor espiritual desse jogo, se bem que desta vez as arcades foram completamente descartadas e a Midway não teve nada a ver com o jogo. O meu exemplar foi comprado algures no mês de Fevereiro/Março deste ano, numa feira de velharias, num pequeno bundle de 4 jogos de Saturn por 10€.

Jogo com caixa (infelizmente mal tratada) e um folheto promocional

Portanto este é um jogo de wrestling mascarado de beat ‘em up 2D, onde poderemos seleccionar um de 10 wrestlers, sinceramente só conhecia o Undertaker e o Bret Hart (from the old days!) e levá-los em vários modos de jogo. Temos o season mode, onde defrontamos em combates 1 para 1 cada um dos outros oponentes. Mas também temos o Intercontinental, onde a dificuldade vai aumentaando, pois começamos com cinco combates de 1 contra 1, para depois serem 4 combates de 1 contra 2 e por fim um combate final de um contra 3. Por fim temos o modo World Wrestling Federation que é o mais desafiante. Começamos com 5 combates de 1 contra 2, com as coisas a escalarem para 1 contra 3 nos quatro combates seguintes. No último combate é uma espécie de survival mode, de um contra doze, sendo que apenas temos 3 oponentes no ecrã em simultâneo. E como conseguimos sobreviver a tanta pancada? Bom, este é um jogo de wrestling que não se leva a sério. Cada lutador possui golpes especiais e combos que devem ser usados para conseguirmos rapidamente deixar um oponente KO. Para além disso ocasionalmente também vão sendo atirados alguns power ups para a arena, que são na verdade logotipos da WWF. Os brilhantes são os power ups bons, cujos efeitos podem ser um aumento na nossa agilidade, preenchimento da barra de COMBO ou mesmo restaurar alguma da nossa energia, algo chave em combates contra vários oponentes em simultâneo. Os power ups que não são brilhantes devem ser evitados pois possuem efeitos contrários.

A lista de wrestlers disponíveis. Conheço muito poucos.

De resto, este é um jogo de luta agradável, embora os controlos não sejam tão fluídos como no Wrestlemania. Como já referi acima, não precisamos de nos debruçar sobre os oponentes e esperar que um árbitro conte 10 segundos para ganharmos o round. Simplesmente temos de dar pancada até que as barras de vida dos nossos oponentes se esvaziem. Em caso de combates de um contra vários, os oponentes que forem derrotados ficam inanimados no chão, e quando derrotarmos o último apenas nos temos de preocupar em fazer o “pin”, ou seja, debruçarmo-nos sobre ele e o combate acaba, não temos de esperar por nenhuma contagem. Se o derrotarmos fora do ringue, nem isso temos de nos preocupar, ficam logo KO. Como seria de esperar temos também uma componente multiplayer forte, que permite combates com até 4 jogadores em simultâneo, e aí acredito que as coisas apimentem ainda mais!

Temos de ter em atenção aos power ups que vão surgindo no ecrã. Alguns ajudam!

A nível audiovisual sinceramente até que gostei do jogo. É um jogo 2D, com sprites digitalizadas que nem o Mortal Kombat e no caso da Sega Saturn, essas mesmas sprites estão bem detalhadas. As arenas são também bastante cómicas, podendo estar dentro de uma discoteca, num salão nobre, ou em pleno concerto de uma banda rock qualquer. Basicamente cada oponente possui uma arena própria, baseada na sua persona, e sinceramente acho que ficaram muito bem conseguidas. A nível de som, existem algumas músicas aqui e ali, sempre com guitarradas orelhudas, mas os combates não possuem música, mas são narrados por comentadores bastante enérgicos, o que me agrada. Sempre que fazemos algum golpe especial ou apanhamos um power up, também se ouve uma pequena melodia de guitarra eléctrica.

Devo admitir que as arenas estão bastante criativas

Portanto este WWF In Your House surpreendeu-me bastante pela positiva, pois estava à espera de um jogo de wrestling mais tradicional (algo que sinceramente nunca me agradou por aí além). Assim fico ainda mais curioso em experimentar o Wrestlemania, pois todos os críticos dizem que é bem superior a este. A ver se um dia apanho a versão Saturn baratinha também.

Art of Fighting (Sega Mega Drive)

Continuando pelas rapidinhas, até porque já fiz uma boa descrição do primeiro Art of Fighting na compilação da série que foi lançada para a Playstation 2. Esta versão da Mega Drive, como seria de esperar, fica uns bons furos abaixo da original de Neo Geo, e é sobre esses pontos que me vou incidir neste artigo. O meu exemplar foi comprado algures durante o mês passado, onde comprei um grande bundle de jogos de Mega Drive, ficando-me cada um a cerca de 5€.

Jogo com caixa

Tal como no primeiro Fatal Fury, se quisermos jogar sozinhos, estamos limitados na escolha de personagens, podendo optar por entre Ryo Sakazaki e Robert Garcia, enquanto distribuimos pancada a uma série de bandidos, em busca de Yuri, irmã de Ryo, que tinha sido raptada. Mas independentemente da personagem escolhida, a história mantém-se, com os monólogos e diálogos a alterarem ligeiramente. Ocasionalmente também teremos acesso a alguns níveis de bónus que, se os passarmos com sucesso, conseguimos melhorar a performance dos lutadores, seja através da sua força física, de espírito, ou desbloquear um poderoso ataque de energia.

Entre cada combate vamos tendo pequenas cutscenes que vão contando a história.

O original da MVS possuia uma funcionalidade muito interessante que consistia na sua câmara dinâmica, que ia ampliando/encolhendo mediante a distância entre ambos os lutadores, com as respectivas sprites a escalarem de forma suave. Infelizmente a versão Mega Drive não tem isto, com a câmara a permanecer estática em todos os combates. Por outro lado, as arenas e lutadores estão bem detalhados, pelo que não me posso queixar muito do ponto de vista dos gráficos. Já no som é que infelizmente as coisas não ficaram tão boas assim. As músicas estão uns bons furos abaixo de todas as outras versões e a Mega Drive tem capacidade para fazer melhor. As vozes estão também muito arranhadas nesta versão Mega Drive, infelizmente.

A versão Mega Drive pode não ter a câmara dinânica do original, mas ao menos tudo está bem detalhado.

Este Art of Fighting sempre foi um jogo de luta que gostei, seja pela sua jogabilidade, seja pela forma story driven, que implementaram a vertente single player. Nos anos 90, mesmo esta conversão da Mega Drive não sendo tecnicamente tão boa, acabava por divertir bastante. Hoje em dia acho que ficamos melhor servidos com as versões mais fieis à original que vemos em compilações ou em lançamentos digitais nas consolas mais modernas.