Aztec Adventure (Sega Master System)

Aztec Adventure, que dos Astecas não tem nada a não ser o título, é um jogo de acção/aventura lançado pela Sega no final da década de 80, onde um jovem aventureiro percorre a américa do Sul em busca de um tesouro. No Japão é conhecido por Nazca 88, sendo que mudaram o seu nome para Aztec Adventure no Ocidente, talvez por se referir a uma civilização mais conhecida. Os adornos peruanos do protagonista e de alguns inimigos não são então por acaso! O meu exemplar foi comprado online algures em Abril deste ano, tendo-me custado 10€ se bem me recordo.

Jogo vom caixa e manual

Numa primeira observação, parece estarmos a jogar um clone de Zelda. Isto porque ambos possuem a mesma perspectiva, sem scrolling mas sim uma série de ecrãs interligados e o nosso protagonista, o jovem Niño, está munido de uma espada para atacar os inimigos, sendo que poderemos descobrir outros itens/armas que poderemos igualmente usar. Mas as semelhanças terminam aí, pois este não é um jogo em mundo aberto e com vários puzzles ou dungeons para resolver e explorar. Este está então dividido em vários níveis onde para além de descobrirmos a sua saída, temos de derrotar uma certo número de diferentes mini-bosses (indicados no ecrã antes de começarmos cada nível) de forma à saida se desbloquear.

Antes de começar o jogo vemos os inimigos que podemos contratar para nos ajudar e quanto nos vai custar por cada tipo.

Para além da nossa espada, poderemos vir a encontrar uma série de outros itens ao derrotar os inimigos. Coisas como sacos de dinheiro, bolas de ferro ou lanças que podem ser atiradas para os inimigos e um outro item adicional que varia de nível para nível. Nos níveis da floresta, este item especial são bolas de fogo que podem ser usados para incendiar algumas árvores que bloqueiam o nosso caminho ou atacar inimigos, botas que nos permitem caminhar em rios sem sofrer dano, raios que nos dão invencibilidade temporária, ou furacões que causam algum dano numa área do ecrã. E o dinheiro, para que serve? Bom, serve para aliciar alguns inimigos específicos para que se juntem a nós! Existem três tipos de inimigos que podemos subornar, sendo que os mais resistentes precisam de mais dinheiro para serem subornados. Podemos ter até 3 destes mercenários a acompanhar-nos sendo que nos seguem para onde vamos e atacam ao mesmo tempo que nós. No entanto seria muito mais interessante se estes mercenários fossem mais autónomos, pois é difícil controlá-los e fazê-los de facto ajudarem-nos a defrontar alguns dos inimigos mais chatos, até porque muitas vezes estes atacam-nos bem mais rapidamente do que o que nos conseguimos mover e seriam uma boa ajuda.

Alguns itens são únicos em cada tipo de nível. Na floresta temos de usar as chamas para destruir algumas árvores que obstruem o nosso caminho

No que diz respeito aos audiovisuais, é um jogo bem conseguido para 1988, com sprites grandes, com detalhe e coloridas. Os níveis possuem também algum detalhe quanto baste, embora sejam algo simples e repetitivos. O mais interessante é sem dúvida o último, com as suas representações algo sobrenaturais das linhas de Nazca – e por isso me irrita que tenham mudado o nome do jogo para Aztec Adventure!! As músicas sinceramente não são nada do outro mundo, a menos que estejam a jogar a versão japonesa, que possui uma suporte ao FM Unit, com músicas de muito melhor qualidade.

Alien Storm (Sega Mega Drive)

No final da década de 80 a Sega possuía imensos jogos de acção que se tornaram clássicos nas arcades. Jogos como Shinobi, Shadow Dancer, E-Swat, Golden Axe são apenas alguns exemplos desses jogos e que acabaram por sair também na consolas da empresa nipónica. Alien Storm é uma espécie de Golden Axe que decorre nos dias de hoje, onde uma série de aliens invadiram o planeta terra e nós encarnamos numa pequena força de mercenários para combater os invasores. O meu exemplar foi comprado no mês passado de Abril a um particular por 25€.

Jogo completo com caixa e manual

Tal como Golden Axe e Streets of Rage, temos 3 personagens que podemos escolher inicialmente: Gordon, Karla e o robot Slammer, sendo que cada um deles possui uma arma diferente. Gordon tem uma arma eléctrica e uma bazooka, Karla usa um lança chamas e o Slammer usa uma espécie de chicote de energia. Energia é o que cada arma usa, sendo que temos também um número limitado de ataques melee que podemos também usar, especialmente quando corremos de um lado para o outro. Infelizmente não há é muitos combos e algumas armas são um pouco difíceis de acertar nos inimigos, pelo que, especialmente nos níveis mais avançados, temos de nos manter sempre em movimento para evitar males maiores com os inimigos que já são mais resilientes e rapidamente nos tentam cercar. Para além disso, cada personagem possui um ataque especial capaz de fazer muito dano (como no Streets of Rage, é invocado ao pressionar o botão A), mas esses usam muito mais energia. Energia essa que, tal como a nossa barra de vida, são regeneradas ao apanhar power ups para esse efeito.

Por vezes temos alguns bosses para enfrentar

Cada nível possui um segmento de beat ‘em up, onde vamos percorrendo ruas e batalhando inimigos, culminando sempre numa de 3 coisas diferentes: ou enfrentamos um boss, ou exploramos uma sala numa perspectiva de primeira pessoa, com o jogo a assumir mecânicas de jogo algo semelhantes a outros light gun shooters da época como o Operation Wolf. É nestes segmentos de primeira pessoa onde a maior parte dos power ups que nos regeneraram a vida ou energia das armas podem ser apanhados, pelo que para além de enfrentar os aliens, também somos encorajados a destruir todos os cenários à nossa volta. Para além disto também podemos ter outros segmentos de jogo diferentes, os das perseguições. Aqui a nossa personagem corre a toda a velocidade pelas ruas da cidade enfrentando aliens pelo caminho e evitando alguns obstáculos. É quase como um shmup se tratasse!

As cenas na primeira pessoa são bastante agradáveis e distintas entre si

Estas diferentes mecânicas de jogo são benvindas, pois o número limitado de golpes que podemos desencadear, bem como o número reduzido de diferentes aliens que enfrentamos acabam por tornar o jogo um pouco aborrecido na sua reduzida variedade. De resto, para além deste modo arcade, que pode também ser jogado com um amigo, temos um modo versus para multiplayer competitivo e um “The Duel”, tal como em Golden Axe. Este é basicamente um modo survival, onde vamos enfrentando ondas de inimigos cada vez mais fortes, sobrevivendo com uma única vida.

Por vezes também temos alguns segmentos onde corremos muito rapidamente, com o jogo a assemelhar-se a um shmup

No que diz respeito aos audiovisuais sinceramente é um jogo bem competente. Os níveis decorrem quase todos em áreas urbanas que, apesar de não serem tão coloridas como outros jogos da Mega Drive, não deixam de estar minimamente bem detalhadas. Os últimos níveis já decorrem a bordo de uma nave alienígena, com os cenários a mudarem radicalmente nessa fase. Gosto também do aspecto bastante bizarro que os aliens têm, só é pena é serem poucos modelos diferentes. As músicas são excelentes, muito funky com linhas de baixo cheias de groove na maior parte das músicas! E se chegarem ao final do jogo, a sequência de créditos é simplesmente das melhores que já vi!

Portanto este Alien Storm é mais um jogo interessante para a Mega Drive, embora nunca tenha tido tanto reconhecimento quanto Shinobi, Golden Axe e Streets of Rage. E de certa forma até se compreende porquê, pois apesar de ser um jogo bastante agradável, não há muita variedade nos golpes que podemos executar e inimigos que enfrentamos.

Sol-Feace (Sega Mega CD)

Continuando pelas rapidinhas a shmups e ainda nas consolas da Sega, o jogo que cá trago hoje é mais uma produção da Wolfteam, lançada originalmente no Japão no ano de 1990 para o fantástico computador da Sharp, o X68000. Mais tarde uma adaptação foi lançada para a Mega CD, tendo cá chegado à Europa só em 1993. O jogo foi posteriormente lançado em bundle com o Cobra Command, que já cá trouxe anteriormente e é a versão que eu tenho, que veio do UK há uns meses atrás por cerca de 5£.

Jogo com caixa e manual

A história leva-nos ao futuro, onde a humanidade, que já era avançada o suficiente para colonizar outros planetas, desenvolve um super computador com inteligência artificial, que tinha como missão ser uma espécie de mediador para alcançar a paz e harmonia entre todos os povos. Mas claro, como aprendemos no Terminator não dá para confiar em inteligências artificiais. O mesmo torna-se antes num ditador bastante opressivo, fazendo com que alguns humanos formem um movimento de resistência. De forma a destruir o poderoso computador, um cientista constrói um protótipo de uma nave espacial (a Sol-Feace) que seria usada para formar um pequeno exército e combater a inteligência artificial. Só que esta antecipa-se e assassina o cientista, antes que pudesse construir mais naves. Assim sendo, como sempre acabamos por ser a ultima esperança da humanidade e lá vamos nós sozinhos numa nave destruir exércitos inteiros.

Temos direito a uma custcene inicial com algumas animações e voice acting

A nível de jogabilidade este é um jogo simples. Começamos com uma nave simples, mas logo o primeiro power up que podemos apanhar adiciona à nave 2 canhões adicionais, um por cima da nave, outro debaixo. A parte engraçada é que podemos controlar a direcção de disparo de cada um desses canhões secundários, podendo disparar na diagonal ou em frente. Posteriormente podemos apanhar outros power ups que servem de upgrades às nossas armas, sejam para o canhão principal, ou para os secundários.

Este é um jogo graficamente interessante, com efeitos de rotação de sprites

A nível audiovisual é um jogo misto. A versão Mega CD tem algumas cutscenes muito bem animadas, seja no início do jogo, sejam as pequenas cutscenes de transição entre cada nível. Para além disso os níveis em si até que vão sendo variados e gosto dos efeitos de rotação de sprites que aqui colocaram. Alguns bosses, logo o primeiro, por exemplo, possuem aqueles efeitos de “articulação de sprites” como vemos no Gunstar Heroes, por exemplo. Se por um lado os gráficos são agradáveis, os efeitos sonoros já deixam algo a desejar, especialmente o barulho que os nossos disparos fazem. No entanto, as músicas, em qualidade CD-Audio, são excelentes. São essencialmente músicas rock, mas sem guitarras. Com óptimas linhas de baixo e bateria, temos os sintetizadores a tomarem conta do resto da melodia e a meu ver resultou muito bem.

Portanto este é um shmup algo simples, mas que até se joga bem e com uma boa banda sonora a acompanhar. Curiosamente, a Renovation (uma publisher norte americana que lançou muito jogo japonês para a Mega Drive apenas em solo americano) converteu a versão Mega CD para a Mega Drive e pelo pouco que vi, pareceram-me que fizeram um bom trabalho! Mas infelizmente essa é uma versão exclusiva para o mercado norte-americano, nem sequer no Japão saiu.

 

Elemental Master (Sega Mega Drive)

Continuando pelos shmups, vamos agora para um muito mais interessante para a Mega Drive. Desenvolvido pela Technosoft (a mesma empresa por detrás de Thunder Force) e lançado em 1990 no Japão, só em 1993 é que chegou ao Ocidente por intermédio da publisher Renovation, em solo norte americano. Infelizmente nunca chegou a ser lançado na Europa, mas um amigo meu encontrou um exemplar num bundle que comprou no Reino Unido e acabou por me oferecer.

Jogo com caixa

A história leva-nos ao reino fantasioso de Lorelei, onde um poderoso feiticeiro (que logo na cutscene inicial descobrimos que afinal é o irmão perdido do protagonista) aprisiona o rei e tenta ressuscitar um deus maléfico qualquer. Nós encarnamos no feiticeiro Laden, que para derrotar as forças de Gyra (o tal mau da fita), terá primeiro de conquistar uma série de poderes elementais. Começamos com o poder da Luz, e para conquistar os outros temos liberdade de escolher a ordem pela qual queremos jogar os primeiros 4 níveis, cujos desbloqueiam novos poderes no final.

O powerup do espelho cria um clone que nos segue e também pode disparar

Este é um shmup vertical com autoscrolling, onde o nosso feiticeiro anda, não voa, pelos cenários, pelo que esperem por ter vários obstáculos para evitar, para além dos inimigos habituais. Temos um botão para disparar para cima, outro para baixo e o C permite-nos alternar entre poderes, à medida em que os vamos desbloqueando. Deixar um botão de disparo premido durante alguns segundos faz uma barrra de energia se carregar e quando estiver cheia, e largarmos o botão, faz desencadear uma grande explosão que causa muito dano numa certa área – óptimo para os bosses. Para além de poderes elementais, temos também uma série de power ups que podemos encontrar, desde escudos que nos protegem de algum dano sofrido, itens que nos regeneram ou extendem a nossa barra de vida, ou um espelho que cria clones do protagonista e que seguem os nossos movimentos.

A nível gráfico é um jogo muito interessante, pois gosto do design dos níveis e dos inimigos. Possui uns rasgos de dark fantasy que eu aprecio bastante! Para além disso, ocasionalmente temos algumas cutscenes em anime, que só pecam por estarem pouco animadas. Os gráficos, para um jogo de 1990 considero-os bons, com níveis diversos e bem detalhados. As músicas são também muito agradáveis!

Por vezes temos algumas cutscenes anime para conduzirem a história

Portanto este Elemental Master revelou-se uma óptima surpresa, não só pelas suas mecânicas de jogo peculiares, mas também pelos cenários fantasiosos e ritmo de jogo bastante frenético, algo que a Technosoft fazia muito bem. É uma pena que practicamente todos (senão todos mesmo) os jogos que a Renovation publicou para a Mega Drive não tenham saído cá na Europa, pois são todos títulos interessantes e infelizmente mesmo nos Estados Unidos o seu preço tem vindo a encarecer bastante.

Bomber Raid (Sega Master System)

Continuando pelas rapidinhas, mas indo agora para a Master System e um simples shmup lançado originalmente algures perto do final da década de 80. Bomber Raid, apesar de ter sido desenvolvido pela Sega, curiosamente foi lançado nos Estados Unidos através da Activision. O meu exemplar foi ganho num leilão no facebook por 11€.

Jogo com caixa. O avião da capa não tem nada a ver com o jogo.

A história do jogo? Sinceramente nem sei se tem, apenas sei que voamos num avião aparentemente da época da segunda guerra mundial e temos muitos outros alvos para abater, incluindo um boss no final de cada nível e que nos é apresentado como briefing de cada nível/missão. A nível de mecânicas de jogo, temos um botão para disparar as nossas armas primárias, de munições infinitas, e um outro para bombas capazes de causar imenso dano em todos os inimigos presentes no ecrã, mas naturalmente que as temos em quantidades reduzidas.

No início de cada nível temos uma introdução ao boss que iremos enfrentar

De resto, e como é esperado em jogos deste género, temos alguns power ups para ter em conta: uns dão-nos naves auxiliares (um  máximo de duas), outros (com a forma de P) aumentam-nos o poder de fogo da nossa arma principal, outros, na forma de S, aumentam a agilidade do nosso avião. Por fim temos outros power ups numéricos que alteram a formação das nossas naves auxiliares, bem como a direcção dos seus disparos. Fora isso, à medida que vamos amealhando pontos, também vamos ganhando vidas extra.

A nível gráfico devo dizer que é um jogo muito simples e com pouca variedade de inimigos, que se repetem bastante ao longo dos níveis. Outra coisa que nunca me agradou muito é o facto das sprites serem bastante pequenas e os projécteis (tanto os nossos como os inimigos) não contrastarem bem com os cenários, pelo que para mim é perfeitamente normal perder o fio à meada. Já no que diz respeito às músicas, estas não são nada de especial até porque há poucas, e todas possuem uma temática militar que até se adequa bem ao estilo de jogo. No entanto, convém também referir que sendo este um jogo que saiu também no Japão, essa edição possui uma banda sonora com o chip FM que não existe nas Master System ocidentais. Este chip de som possui muita mais qualidade que o velhinho PSG que já existe desde a SG-1000, mas neste caso do Bomber Raid, devo dizer que mesmo assim prefiro as músicas do PSG.

A nível gráfico é um jogo que deixa algo a desejar, o Power Strike é da mesma época e é um exemplo muito melhor

Portanto este Bomber Raid é um shmup nada por aí além, embora tenha algumas boas ideias na jogabilidade, como é o caso das diferentes formações das naves auxiliares. No entanto, sinceramente sempre achei a série 194X da Capcom bem mais apelativa para estes shooters da segunda guerra mundial.