Man Overboard! (Sega Mega Drive)

Vamos voltar à Sega Mega Drive para mais rapidinha e a um dos jogos que a Codemasters lá lançou. Desenvolvido originalmente sob o nome de Sink or Swim para o Commodore Amiga pelos britânicos Odysseus Software, este é uma espécie de clone de Lemmings, onde teremos de explorar nada mais nada menos que 100 níveis distintos e salvar uma série de passageiros/tripulação de um navio a afundar.

Jogo com caixa, manual e papelada

Em que é que o jogo é então semelhante com o Lemmings? Bom, em cada nível temos uma série de passageiros ou tripulação para salvar e, tal como nos Lemmings, eles caminham de forma algo cega, pelo que teremos de os encaminhar em segurança para a saída do nível. Bom, na verdade os passageiros não são tão “cegos” quanto os Lemmings, pois apesar destes correrem numa única direcção e quando embatem nalgum obstáculo ou parede voltarem para trás, sempre que encontrem uma escada que os leve para cima, instintivamente vão utilizá-la. Isto porque a sala está a meter água, cujo nível vai aumentando com o tempo, o que funciona como um “motivador” extra para completar o nível o mais rapidamente possível.

Tal como nos Lemmings devemos encaminhar as pessoas com o máximo de cuidado para a saída, pois os níveis vão estar cada vez mais repletos de obstáculos

Para isso teremos então de percorrer os níveis de alto a baixo e destruir alguns obstáculos, manipular uma série de interruptores que controlem mecanismos como pontes ou tapetes rolantes, escalar canalização e reparar fugas de vapores escaldantes, entre muitos outros casos, tudo isto para ir construindo um caminho seguro que leve os passageiros/tripulação em segurança para o final do nível. Mas claro que as coisas rapidamente se complicam e muitas vezes teremos mesmo de “prender” temporariamente os passageiros num ciclo infinito enquanto vamos abrindo o restante caminho. Também tal como nos Lemmings nem sempre somos obrigados a salvar toda a gente mas sim um número mínimo, com os restantes a servirem para pontuação adicional caso os salvemos. Caso um dos passageiros caia na água temos também algum tempo limitado para os tentar salvar, não fosse o protagonista deste jogo um mergulhador profissional.

Antes de começar cada nível temos direito a uma pequena previsão do mesmo e alguns pontos de interesse como as saídas e as quotas de pessoas que temos de salvar

A nível audiovisual sinceramente achei o jogo um pouco mediano. Tem aqueles visuais típicos de um jogo de acção europeu, com níveis coloridos e personagens com um aspecto muito cartoon. No entanto, apesar dos seus 100 níveis distintos, poderia e deveria haver uma maior variedade nos gráficos. Os níveis vão atravessar zonas como o exterior do navio, salas de jantar (repletas de obstáculos mortais no entanto), salas de máquinas, de frio e pouco mais. Os tripulantes/passageiros que teremos de salvar são todos idênticos mediante o tipo de nível onde estamos. As músicas apesar de não serem propriamente desagradáveis também não são das melhores que a Mega Drive tem para oferecer.

Caso demoremos muito tempo o nível de água começa a subir, o que pode nos obrigar a resgatar passageiros da própria água também

Portanto este Man Overboard é por um lado um interessante clone de Lemmings, que nos obrigará a rejogar os mesmos níveis várias vezes até os decorarmos e assim conseguirmos, da maneira mais eficiente possível, construir um caminho seguiro que leve todos os passageiros em segurança para a saída do nível. Ainda assim creio que poderia ser um pouco mais variado na sua apresentação.

Bust-A-Move 4 (Sega Dreamcast)

Vamos voltar às rapidinhas mas desta vez na Dreamcast para mais uma iteração de um dos jogos puzzle mais divertidos e viciantes de sempre, a série Bust-A-Move / Puzzle Bobble. Como é habitual este título acabou por sair inicialmente nas arcades, mas acabou posteriormente por ser convertido para toda uma série de diferentes sistemas, incluindo a Dreamcast, cuja versão cá trago hoje. E o meu exemplar veio de um lote de Dreamcast que comprei algures em Abril deste ano.

Jogo com caixa, manual e um catálogo da Acclaim

E este jogo usa as mesmas mecânicas base dos restantes Puzzle Bobble, na medida em que temos uma personagem fofinha a operar um canhão no fundo do ecrã que dispara esferas coloridas na direcção pretendida. Acima temos já um conjunto de esferas coloridas previamente colocadas e a ideia é juntar 3 (ou mais) esferas de cada cor para as fazer desaparecer. Com o tempo a passar as esferas vão descendo e temos de evitar que atravessem a linha de baixo, caso contrário é game over. A nova mecânica de jogo aqui introduzida é a de um sistema de roldanas. Ocasionalmente temos dois conjuntos de esferas presos por uma corda que vai balanceando conforme o peso de ambos os lados e temos também de ter em atenção a não deixar um dos lados demasiado pesado, caso contrário esse conjunto poderá descair demasiado e levar-nos a um game over. Para além disso temos também outras esferas especiais que já haviam sido introduzidas nas suas prequelas (e eu era capaz de jurar que já tinha o Bust-A-Move 3 na colecção) como as esferas de arco íris, que assumem a cor da sua esfera adjacente assim que esta desapareça, ou esferas com estrelas capazes de fazerem desaparecer todas as esferas de uma determinada cor.

Existem algumas esferas coloridas com funcionalidades diferentes do que me recordava, o que me fez lembrar que ainda não joguei (nem tenho na colecção) o Bust-A-Move 3

De resto temos imensos modos de jogo, que se dividem em três categorias: Puzzle, Player versus Computer e Player versus Player (modo multiplayer). O modo puzzle inclui o Arcade e o Story Mode (este último com muitos, muitos níveis para ultrapassar), já os restantes são modos de jogo onde temos sempre duas personagens a competir entre si. E aqui, caso joguemos sozinhos, temos também um modo história cuja é ligeiramente diferente consoante a personagem escolhida e um Win Contest que é uma espécie de torneio. Em ambos os modos de jogo poderemos vir a desbloquear algumas personagens adicionais também, pelo que conteúdo não falta.

O que não faltam são personagens fofinhas, mas sinceramente isso pouco importa

A nível audiovisual é um jogo bastante simples e sinceramente nem é preciso que seja muito melhor que isto. É um jogo inteiramente 2D, porém com personagens coloridas e bem animadas. As cutscenes nos modos história são bastante simples mas sinceramente também não lhes dei grande importância. As músicas são no entanto bastante agradáveis e ficam no ouvido, dando por nós a trautear algumas das suas melodias ao longo do dia.

Portanto este Bust-A-Move 4 é mais um jogo sólido desta já longa série. É verdade que nem sempre a Taito acrescenta algo incrível às mecânicas de jogo, mas quando as mecânicas base já são simples e viciantes o suficiente, também não há muito para inventar.

Magical Taruruto-kun (Sega Mega Drive)

Voltando à consola de 16bit da Sega, ficamos agora com um jogo de plataformas muito interessante e graficamente bonito mas que nunca chegou a ver a luz do dia fora do território japonês. Isso acontece porque é um jogo baseado num manga/anime de mesmo nome que seria completamente desconhecido do público ocidental na sua época. Um outro detalhe curioso a salientar é que este é um título desenvolvido nada mais nada menos que pela Game Freak, os mesmos que, anos mais tarde, iniciaram a franchise multi milionária dos Pokémon. O meu exemplar foi comprado a um particular na vinted algures em Maio por cerca de 40€.

Jogo com caixa e manual

Infelizmente este é um jogo que, até à data, nunca recebeu nenhum patch de tradução e mesmo utilizando o Google Lens para me auxiliar nas cutscenes que vamos vendo, confesso que desta vez a app da Google não foi de grande ajuda, muito provavelmente pelos balões de diálogo transparentes num fundo todo ele poluído com logotipos também em japonês. Portanto não entendi nada de jeito da história, mas assumo que tenha alguma coisa a ver com o material original do qual o jogo se inspira.

Mantendo o botão de salto pressionado faz com que deslizemos pelo ar e assim consigamos saltar mais longe

O que é fácil de entender são as mecânicas de jogo e este é um simples (porém divertido e bem bonito) jogo de plataformas em 2D onde controlamos o próprio Taruruto-Kun, uma criança com uma varinha mágica. O botão A serve para utilizar magias que descreverei mais tarde, o B para usar a varinha mágica e o C para saltar, sendo que se o mantivermos pressionado, a personagem começa a deslizar pelo ar, permitindo-lhe assim saltar mais longe. A mecânica da varinha é um elemento central na jogabilidade pois esta tanto serve para atacar os inimigos directamente como para transformar objectos em “coisas vivas” que Taruruto agarra automaticamente e com um pressionar do mesmo botão pode atirá-los, servindo assim de arma de arremesso para derrotar inimigos. As magias que podem ser desencadeadas com o pressionar do botão A são em número limitado e podem-nos dar invencibilidade temporária ou diferentes ataques mágicos capazes de causar dano a vários inimigos em simultâneo e poderemos alternar entre estas magias num menu para o efeito no ecrã de pausa. De resto podemos também encontrar alguns power ups ao longo da aventura que nos podem restabelecer parte ou toda a nossa barra de vida, magias ou vidas extra.

Apesar de existirem apenas 4 níveis, estes estão divididos em várias secções e diferentes bosses. Nestes tipicamente devemos usar as mecânicas de agarrar/atirar objectos para os derrotar

No que diz respeito aos audiovisuais este é um jogo muito bonito para uma Mega Drive. Os cenários são todos muito bem detalhados e acima de tudo bem coloridos, de tal forma que quase nos esquecemos da limitação nativa da Mega Drive em apresentar 64 cores em simultâneo no ecrã. As sprites do Taruruto e alguns inimigos são bem detalhadas e animadas, já para não referir também os bosses que são bem grandes também. Apesar de existirem apenas 4 níveis, estes são divididos em diversos segmentos e muitos deles com cenários distintos entre si, desde uma escola preparatória japonesa e seus subúrbios, passando por vários níveis mais fantasiosos com paisagens como montanhas, florestas, cavernas etc, sendo que estes no exterior tipicamente são também acompanhados de diversos efeitos de parallax scrolling. Por vezes vamos sendo surpreendidos com alguns efeitos gráficos fora de série, como é o caso de um dos confrtontos nos corredores da escola: do lado de fora surge um helicóptero que dispara metralhadoras através das paredes e nós temos de estar constantemente a fugir da linha de fogo. Ao fim de algum tempo as paredes acabam por ruir com tanto dano! A banda sonora por outro lado é agradável, mas nada de propriamente muito memorável.

Já disse que este jogo possui gráficos muito bonitos?? Aqui ilustrado vemos uma das magias que temos à nossa disposição: chamar esta bruxinha para lançar um poderoso ataque. À direita é um boss.

Portanto este Magical Taruruto-kun foi uma excelente surpresa, apesar de ser um jogo algo fácil, pois terá sido seguramente mais indicado para crianças. Ainda assim a sua jogabilidade simples, aliada a belíssimos gráficos faz com que seja uma pena que este jogo nunca tenha saído do Japão. Mas tal é compreensível por questões de licenciamento, pois este é baseado numa manga e anime que seriam certamente desconhecidas do público ocidental da época. Ainda assim existem uns quantos jogos baseados neste IP, todos exclusivos japoneses. E apesar de nenhum ter sido também produzido pela Game Freak, todos têm um óptimo aspecto, pelo que fico bem curioso em experimentá-los um dia destes.

Power Stone 2 (Sega Dreamcast)

Tempo de voltar à Sega Dreamcast para mais um jogo que a Capcom acabou por levar até a esta última consola da Sega. Tal como o seu predecessor, este Power Stone 2 teve também as suas origens na arcade, mais precisamente no sistema Naomi da Sega, o que possibilitou a uma conversão rápida e fiel para a Dreamcast. No entanto é um jogo que apesar de partilhar muitas das suas mecânicas base, foi bastante expandido na sua jogabilidade e conteúdo para esta sequela. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu algures em Abril deste ano também por 25€.

Jogo com caixa, manual e papelada

Os controlos aqui são ligeiramente diferentes, com o botão A para atacar, o B para apanhar itens, agarrar adversários e atirá-los, o X para atacar (ou usar itens caso os tenhamos apanhado) e o Y para descartar algum item/arma. Tipicamente, o objectivo de cada nível é o de derrotar todos os outros oponentes, ao contrário da prequela temos geralmente combates de 4, todos contra todos. Pelo meio poderemos coleccionar uma série de cristais mágicos e quando uma personagem consegue coleccionar 3 desses cristais transforma-se numa forma mais poderosa e, durante algum tempo, poderemos desencadear uma série de poderosos ataques (com os botões faciais) como os power fusions, ataques super poderosos que gastam de uma só vez toda a energia restante dos cristais e podem ser desencadeados com os gatilhos L ou R. Como tipicamente temos 4 personagens à batatada uns com os outros, há agora 7 cristais possíveis de serem apanhados, pelo que é possível haver mais que uma personagem transformada em simultâneo.

Para além dos combates a quatro serem bem mais caóticos, as arenas são também maiores e bem mais dinâmicas, o que torna a acção bastante divertida

Outra das grandes diferenças está mesmo no facto de para além de existirem mais 4 personagens jogáveis, há também muitos mais itens/armas para apanhar, assim como as próprias arenas também possuem muitos mais objectos interactivos que poderemos usar em nosso proveito, como canhões ou simplesmente destruir certas paredes ou colunas que podem fazer com que rochas pesadas caiam em cima de outros. As próprias arenas são agora bem maiores e não só, são também bastante dinâmicas com as mesmas a irem se transformando com o tempo. Por exemplo, uma das arenas coloca-nos a combater em cima de dois submarinos à tona da água. Com o tempo os submarinos vão submergindo ou emergindo, obrigando-nos a mudar de sítio e a certa altura, se o combate ainda durar, podem mesmo chegar a terra onde a porrada continua agora na costa. Ou um nível numas ruínas de um templo, repleto de armadilhas e alguns desafios de platforming ocasionais onde vamos acedendo a diferentes áreas. Isto, em conjunto com as batalhas a 4, torna os confrontos bem mais caóticos e divertidos.

A versão Dreamcast traz bastante conteúdo novo e outros modos de jogo, incluindo a possibilidade de se comprar/vender/criar itens a serem posteriormente utilizados nos combates.

Também nos modos de jogo este Power Stone 2 traz mais conteúdo feito a pensar na Dreamcast, mas vamos começar pelo modo arcade que foi onde perdi mais tempo. Aqui começamos por escolher a nossa personagem e em que arena queremos combater. Os primeiros combates são a 4 e terminam quando duas das personagens tiverem sido derrotadas. No fim de alguns combates podemos também escolher uma de duas arenas para o combate seguinte e ocasionalmente teremos alguns níveis um pouco diferentes. O terceiro nível, por exemplo, é sempre um confronto contra um boss, onde os dois vencedores do confronto anterior têm agora de cooperar e defrontar o boss em conjunto. Segue-se mais uma batalha a quatro e por fim o nível final, uma vez mais jogado a dois de forma cooperativa. A diferença agora é que teremos uns quantos inimigos genéricos para derrotar e um caminho para percorrer antes de chegar ao boss final propriamente dito.

Ocasionalmente teremos também bosses para derrotar que já exigem a cooperação entre duas personagens

Para além do modo arcade temos também o 1-on-1 que é bem mais semelhante ao Power Stone original na medida em que apenas 2 personagens lutam entre si, bem como os modos Original e Adventure. O 1-on-1 apenas dá para dois jogadores, enquanto o Original e Arcade podem ser jogados com até 4 jogadores em simultâneo. O Original é uma espécie de multiplayer mais customizável, onde poderemos inclusivamente definir equipas de 2 contra 2. Já o Adventure é outro modo de jogo especialmente pensado para a Dreamcast e completamente single player mas confesso que não perdi muito tempo com ele. A ideia é, ao longo de uma série de combates ir amealhando dinheiro e coleccionando ingredientes, que podem posteriormente ser utilizados para comprar ou criar novos itens/armas a serem utilizados.

O jogo possui também várias arenas desbloqueáveis que poderão depois serem utilizadas em vários dos modos de jogo

Graficamente é um jogo bem conseguido para a sua altura, agora com arenas bem mais detalhadas e acima de tudo bastante mais dinâmicas como já referi acima. De resto, tudo no jogo são é apresentado em 3D poligonal, apesar de as personagens continuarem com um estilo de desenho animado muito próprio. A banda sonora é agradável, desta vez com um foco bem maior em temas mais orquestrais, com alguns temas folclóricos também quando a situação se proporciona para tal.

Portanto este Power Stone 2 é um party fighter bastante divertido e caótico para se jogar e acredito que seja bem intenso caso seja jogado com 4 amigos na mesma sala. É uma sequela que melhora a fórmula introduzida pelo seu antecessor em todos os aspectos: mecânicas de jogo, modos de jogo novos para a Dreamcast e visuais mais interessantes com todas as arenas dinâmicas. Seria interessante ver a Capcom a voltar um dia destes a esta série, pois para além dos originais arcade e suas conversões para a Dreamcast, Power Stone apenas voltou com uma compilação para a PSP anos mais tarde e assim se ficou até agora.

Zero Wing (Sega Mega Drive)

Vamos voltar aos shmups para um caso raro na biblioteca da Mega Drive pois este Zero Wing é um dos poucos (senão mesmo único) shmup de origem nipónica cujo lançamento ocidental é exclusivo europeu. Ou era, até ao relançamento da retro-bit algures em 2020. É também um jogo sobejamente conhecido pela sua cut-scene de abertura com um inglês terrível que originou vários memes na internet há uns bons anos atrás, como “All your base are belong to us” ou “For great justice!“. O meu exemplar foi-me trazido do Reino Unido através de um amigo algures no mês passado, com o preço a rondar os 25€.

Jogo com caixa e manual

Este é então um shmup horizontal com uma jogabilidade que traz algumas coisas interessantes. Naturalmente poderemos encontrar vários power ups coloridos sendo que cada cor corresponde a um tipo de arma diferente (vermelho para as vulcan, verde para mísseis teleguiados e azul para lasers), sendo que cada vez que apanhemos um power up da mesma cor melhoramos a arma que já temos equipada. Caso apanhemos um item de cor diferente, mantemos o nível de poder de fogo actual, simplesmente mudamos de arma. Claro que se morrermos lá se vai tudo isto e como devem imaginar não é difícil morrer aqui. Coleccionar as options (satélites que voam ao nosso lado e aumentam o nosso poder de fogo) ajuda, até porque estas são invencíveis e também absorvem os projécteis inimigos. Coleccionar itens que nos melhorem a nossa velocidade também poderá ajudar ou não, caso deixemos a nave demasiado rápida. A mecânica de jogo mais interessante daqui está no entanto no uso do botão B. Sempre que o pressionamos é lançado um feixe de luz que captura um dos inimigos, mantendo-o na frente da nave para servir de escudo. Pressionando o mesmo botão novamente permite-nos atirar os inimigos como arma de arremesso, embora sinceramente não causem tanto dano como as armas normais. Um outro item que podemos coleccionar é uma bomba que também fica presa na frente da nave da mesma forma e com o B podemos atirá-la, causando bastante dano nos inimigos à nossa volta.

O infame meme que catapultou a fama deste jogo

De resto e ainda no que diz respeito à jogabilidade, apesar de inicialmente o jogo ser bem mais fácil que a versão arcade com os seus projécteis inimigos super rápidos, à medida que vamos avançando as coisas começam a ficar bem mais complicadas como é normal neste tipo de jogos e particularmente verdade para os da Toaplan. Mas também temos vários níveis mais fechados, com segmentos com túneis apertados e outras zonas onde teremos de ultrapassar certos obstáculos de maneira ágil para não colidirmos com paredes (daí que se apanharmos demasiados power ups de velocidade pode deixar essas zonas bem mais complicadas de ultrapassar). Um outro detalhe interessante é o facto de o jogo ter finais múltiplos. Terminando-o uma vez vemos um final um pouco ridículo e que dá zero conclusão à história, basicamente é uma cut-scene com uma série de bonecos tipo o Senhor Batata do Toy Story a dançar e o jogo leva-nos logo para um segundo loop, agora mais difícil. Terminando essa segunda volta temos um que consiste numa imagem estática acompanhada dos créditos e no fim da terceira volta vemos um outro final com mais detalhe. É possível continuar a jogar em várias voltas até ficarmos sem vidas e continues, mas no lançamento Japonês a Toaplan levou as coisas ao extremo. Para além destes 3 finais, é possível desbloquear mais 32 finais secretos, alguns bem bizarros, o que nos obrigaria a jogar o mesmo jogo 35 vezes de forma seguida o que é simplesmente insano.

Apesar dos vários power ups, os mísseis teleguiados pareceram-me ser os mais úteis

A nível gráfico é um jogo interessante na medida em que possui vários inimigos (especialmente bosses) com designs bastante originais para o que a Toaplan nos tinha habituado até então e os níveis também vão sendo algo diversificados, atravessando secções em pleno espaço mas também outras zonas como cavernas, florestas ou bases inimigas. A cut-scene de abertura é também deliciosa, não só pelo péssimo inglês que tem, mas porque está repleta de acção e deixa-nos bastante acelerados para começar a jogar, até pela excelente música que a acompanha. O que me leva a comentar a banda sonora que é também excelente, com muitas músicas com uma toada mais rock como manda a lei neste tipo de videojogos. Naturalmente que a versão Mega Drive fica um pouco atrás do original arcade no detalhe, especialmente dos backgrounds que possuem bastantes camadas de parallax scrolling na versão original e aqui estão um pouco mais simplificados, assim como também se perde alguma cor, o que também é habitual neste sistema.

Depois de chegarem ao fim pela primeira vez, isto é a vossa recompensa. Há mais 2 finais na versão europeia, muito longe dos 35 possíveis da versão nipónica

Portanto estamos aqui perante mais um óptimo e desafiante jogo da Toaplan, que desta vez, nesta conversão da Mega Drive resolveram a serem eles próprios a colocar as mãos na massa e tratar do seu desenvolvimento. Para além desta versão Mega Drive temos também uma outra para a PC Engine CD, exclusiva japonesa que sinceramente para além de ser mais cara, não me parece valer a pena o esforço financeiro adicional. Isto porque apesar de ter as suas vantagens/diferenças pelo facto de o jogo ser em CD e assim permitir conteúdo extra/diferente, a verdade é que nenhum desses extras parece ser particularmente bom. A cut-scene de abertura da PC-Engine mostra uma história completamente diferente e apesar do voice-acting (se bem que em Japonês) a da versão Mega Drive é bem mais enérgica e interessante. O nível adicional da PCE não é nada de especial e apesar da banda sonora da PCE ser em CD audio, a verdade é que o chiptune da Mega Drive é acaba por resultar bastante melhor, pelo menos para mim que prefiro um som mais pesado. E a nível gráfico, apesar de ambas as versões terem os seus prós e contras, continuo a achar a versão MD uma conversão melhor e mais fiel.