Olympic Gold: Barcelona 92 (Sega Master System)

Olympic GoldAproveitando o rescaldo dos jogos olímpicos de Londres, voltemos 20 anos atrás no tempo para os jogos olímpicos de 1992, Barcelona, com um artigo rápido, visto eu não ser grande fã de jogos desportivos. Olympic Gold é um título publicado pela já extinta publisher britânica U.S. Gold, tendo sido desenvolvido pelo estúdio Tiertex, estúdio responsável pela conversão para Master System do já analisado James Pond II, entre outros que ainda irei referir no futuro. Este jogo chegou-me à colecção num pack que comprei no Miau.pt, 7 jogos por 5€+portes, entre os quais o Shinobi e Psycho Fox. Pareceu-me um bom negócio, mas infelizmente não traz manual.

Olympic Gold SMS
Jogo com caixa

Olympic Gold vai invariavelmente buscar as suas influências a jogos como Track & Field da Konami. O jogo contempla 7 diferentes modalidades, 100 metros de corrida, barreiras, mergulho, natação, lançamento do martelo, salto à vara, e tiro com arco. Existem 3 modos de jogo, um de treino, onde podemos praticar as várias modalidades, umas mini-olympics e full olympics. Tal como o nome indica, estes últimos modos de jogo permitem competir quer em apenas “metade” das modalidades, ou em todas. Algo interessante é que o jogo tem a opção para a língua portuguesa, algo que não era nada comum em 1992. Infelizmente trocaram a nossa bandeira por uma outra do outro lado do atlântico, mas paciência.

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Ao menos os britânicos tiveram a mesma sorte.

Passemos então para a jogabilidade. Os 100 metros são o tradicional “button mashing” para correr mais rápido, onde temos de ter o cuidado com as falsas partidas. Nas barreiras a jogabilidade é idêntica, mas temos de clicar para cima de forma a que o atleta salte no momento certo. A prova de natação também basta apenas o button mashing habitual. No lançamento do martelo, começamos inicialmente por carregar rapidamente nos botões 1 e 2 alternadamente, como nos outros eventos, até ganhar balanço suficiente. Depois com o botão direccional movemos o atleta na direcção pretendida e posteriormente para baixo para lançar o martelo no momento certo. O salto à vara começa com o button mashing do costume para ganhar velocidade, sendo depois necessário carregar para baixo de forma a pousar a vara e para cima para que o atleta salte sobre a barreira. O truque é mesmo ganhar balanço suficiente. O tiro com arco tem uma jogabilidade simples, pegamos numa flecha com um botão frontal, temos em atenção ao vento indicado no canto superior direito, no canto superior esquerdo teremos posteriormente uma janela de mira, onde tentamos apontar a flecha para o alvo da melhor forma possível, tendo em conta o vento. Finalmente, o mergulho olímpico é o que apresenta a jogabilidade mais traiçoeira, pois envolve fazer várias acrobacias no ar e entrar na água de forma suave. Felizmente o modo de treino permite mesmo praticar esta e todas as outras modalidades, com várias ajudas no ecrã.

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Ecrã inicial da prova do tiro com arco

Graficamente o jogo é bastante bonito para uma Master System. Repleto de cores vivas e sprites bem detalhadas. As músicas são minimamente agradáveis, contando com a fraca capacidade do chip de som nativo da plataforma. Já os efeitos… não se pode pedir muito mais. Ainda a nível técnico, todos estes gráficos bonitinhos aparentemente têm um preço. Em diversas modalidades como os 100 metros corrida, por exemplo, apenas existem 3 atletas na pista, ao contrário da versão Mega Drive onde estão 6.

Para concluir, apesar de eu não apreciar este tipo de jogos, este Olympic Gold parece-me ser um produto bastante sólido e competente para a máquina 8bit da Sega. Para quem gostar deste tipo de jogos, penso que esta seja uma boa escolha, embora se também tiverem uma Mega Drive, talvez essa versão seja melhor. A jogabilidade pareceu-me idêntica, mas a máquina de 16bit da Sega tem uma melhor performance gráfica, como seria de esperar.

Super Monaco G.P. II (Sega Master System)

Super Monaco GP II

Como prometido, para desenjoar um pouco de jogos de PC, o jogo que trago cá hoje nada tem a haver com os anteriores. (Ayrton Senna’s) Super Monaco G.P. II é a sequela de um outro jogo que já tinha analisado anteriormente por aqui, tendo sido mais uma vez lançado para as 3 plataformas principais da Sega na altura: a Mega Drive e as 8bit, Master System e Game Gear. Este “novo” jogo da série tem o nome do mítico piloto de F1 Ayrton Senna no seu título, mas é mais que o simples nome. O Sr. Senna na altura em que o jogo estava a ser desenvolvido fez questão em participar nesse processo. É apenas uma curiosidade, pois o jogo mesmo na sua versão de 16bit não tem uma jogabilidade tão realista como a de outros simuladores de F1 da época no PC, por exemplo. A minha cópia foi comprada penso que no ano passado, na representante da Virtualantas na Maia. Deve-me ter custado algo em torno dos 3, 4€, pois falta-lhe o manual.

Super Monaco GP II - Sega Master System
Jogo com caixa

Este post vai ser também curto, pois esta versão não tem muito que se lhe diga. O jogo é limitado a um jogador apenas, o que por si só já retira grande parte da piada, visto que o seu antecessor tinha suporte a 2 jogadores. Existem 2 modos de jogo, o Free Run, que como o nome indica é usado para treinar os circuitos, e o World Championship, onde dispomos dos 16 circuitos do campeonato mundial de F-1 da época. Apesar de existirem 12 carros na pista, o objectivo para passar à fase seguinte é derrotar o próprio Ayrton Senna, cuja posição aparece no mapa do circuito, para além da do jogador. Neste modo de jogo , antes de cada circuito podemos ir escolhendo várias características do carro, como o tipo de transmissão a utilizar, os pneus, entre outros. Em seguida poderemos ou não optar por uma “Qualifying Race”, de modo a ficarmos mais bem posicionados na grelha de partida, mais próximos de Senna para o derrotar. Se quisermos avançar logo para a corrida a sério, então começamos pelo último lugar.

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Gráficos simples, porém bem coloridos

A jogabilidade não é nada de especial, mas também não se pede muito mais a uma consola deste tipo. Visualmente o jogo não traz nada de novo, existem jogos de corrida com a mesma perspectiva na Master System visualmente mais interessantes (Road Rash, por exemplo). No entanto são coloridos e felizmente livraram-se daquela perspectiva em split-screen permanente que a prequela tinha. A nível de som também não é nada por aí além, conforme já seria esperado. Contudo é dos poucos jogos da Master System que contém vozes digitalizadas, e nada mais nada menos que a própria voz de Senna.

Não é um jogo que eu possa recomendar, melhoraram nalguns aspectos face ao anterior, nomeadamente na apresentação, mas a não inclusão de um modo multiplayer é imperdoável. Ainda assim, é um dos jogos que ficou melhor na Master System que na GameGear, onde a área visível de jogo é bem menor. Já a versão Mega Drive, bom, está num patamar bastante superior, com mais opções de jogo e obviamente com um audiovisual bem mais avançado.

Alien Trilogy (Sega Saturn)

Alien Trilogy Saturn

Em vésperas de lançamento do filme de 2012 mais aguardado por mim (Prometheus), eis que me surge a ideia de comentar este jogo. Alien Trilogy é um dos primeiros FPS com a temática do nosso amiguinho Xenomorph (As honras da casa vão para o Alien vs Predator na Atari Jaguar), e conforme o nome indica o jogo saiu antes do quarto filme da série (Alien Resurrection), sendo baseado levemente nos 3 primeiros (e clássicos) filmes. A minha cópia foi comprada algures em 2010/2011 na loja portuense PressPlay, tendo-me custado algo em torno dos 7.5€, estando completa e em bom estado.

Alien Trilogy Saturn
Jogo completo com caixa e manuais

A história do jogo segue muito levemente a dos filmes, coisa que não me vou alongar – caso não conheçam, vão ver os filmes, já! A acção começa na pele de Ellen Ripley aquando da “limpeza” da colónia da Weyland-Yutani LV-436, que se encontra infestada de Aliens. Cheirinhos dos outros filmes também vão sendo encontrados ao longo dos mais de 30 níveis, incluindo a prisão de Alien 3 e a nave espacial alienígena do primeiro filme. O jogo é um clone de Doom dos clássicos, ou seja dividido em vários níveis com pouca narrativa que os interligue. Apenas é dado um briefing no início de cada nível onde se explica qual é o objectivo e o resto é só tiro-tiro. Alien Trilogy é ainda um jogo de primeira geração da Sega Saturn, pelo que infelizmente não faz uso do comando analógico. O botão direccional serve apenas para se movimentar, sendo que para se olhar livremente no nível é necessário carregar também num outro botão à parte (neste caso o botão Z). O scroll de armas também é um pouco foleiro, pois o respectivo botão apenas permite seleccionar a arma “acima”. Para seleccionar logo a pretendida teremos de carregar em Start, ir ao menu e fazê-lo. O arsenal não é muito grande, mas fiel aos filmes. Temos o revólver, uma espingarda, as pulse rifles que eu tanto gosto, um lança-chamas, etc. Os inimigos para além dos Aliens nas suas diferentes fases (e respectivos face huggers), também poderão ser soldados da Weyland-Yutani, quer humanos, quer cyborgs. Para além do mais também existem os tradicionais power-ups de armaduras, saúde e afins, como o automapper.

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E é assim o primeiro nível.

O design dos níveis é, na minha opinião, aquilo que realmente deita este jogo abaixo. Para além de serem bastante repetitivos, o próprio design é bastante confuso. Alguns dos níveis fizeram-me perder imenso tempo à procura de um determinado objecto ou objectivo para cumprir, e o próprio mapa que podemos consultar, de tão pequeno que é não ajudou em nada. Graficamente o jogo também não é dos mais bonitos. Sendo ainda um shooter 2.5D, isto é, um jogo em 3D mas com inimigos ainda em sprites 2D, poderia detalhar um pouco mais os próprios inimigos, mas tal não acontece. As texturas também são bastante simples e com muito baixa resolução – vistas de longe não parecem mal, mas de perto ficam altamente pixelizadas. Em momentos de acção mais caóticos, com vários inimigos no ecrã, também acontecem vários slowdowns. Ainda assim, o jogo consegue atingir algum do clima de tensão pela qual os filmes são conhecidos. O clássico radar que faz “beep beep” sempre que detecta algum inimigo, bem como os cenários escuros e inóspitos contribuem para essa atmosfera.

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Não deixem que vos dêem um beijinho…

A nível de som, as músicas que acompanham o jogo são todas atmosféricas com um pouco de música electrónica, dá aquele toque futurista e tal, mas não é algo que me agrade por aí além. Os restantes efeitos sonoros têm alguma fidelidade no que diz respeito os origininais dos filmes, neste campo não tenho muito a dizer. Para terminar este parágrafo da parte técnica, apenas resta-me dizer uma curiosidade. A Sega Saturn como já devem saber foi uma consola com um hardware bastante complexo, para a altura em que saiu. Equipada de  processadores principais mais uns quantos gráficos e de som, a programação para a Saturn sempre foi mais complicada do que para a Playstation (também devido aos kits de desenvolvimento da PS1 serem bem mais user-friendly que os da máquina da Sega). Essa complicação traduziu-se em conversões mais problemáticas de jogos para a Saturn ou até ao cancelamento dos mesmos. Este Alien Trilogy reza a lenda de ter sido programado para que apenas usasse um dos 2 processadores da consola.

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Aqui estamos na prisão de Alien 3.

Este jogo existe também para Playstation e PC. A versão PS1 é superior a esta da Sega Saturn pois possui alguns efeitos especiais que não chegaram a ser incluídos na versão Saturn. Contudo também existe para PC, que foi a versão que eu tinha jogado em primeiro lugar, nos anos 90. Apesar de não ser imensamente superior às versões para consolas, não deixa de ser a melhor versão do jogo disponível. Eu comprei a versão Sega Saturn apenas por ter um carinho muito especial por esta consola. No fim de contas Alien Trilogy é um jogo que para a altura em que foi lançado até que era competente, mas envelheceu muito mal, tendo em conta que existem vários outros FPS da série com bem mais interesse.

Astérix and the Great Rescue (Sega Master System)

A minha vida académica (e não só) impediu-me durante algum tempo de actualizar este espaço com mais artigos. As próximas semanas não auguram grandes melhorias, mas enfim, cá vai um artigo mais rápido e simples que já queria ter feito há algum tempo atrás. Algures num post anterior mencionei que nem sempre uma versão de um jogo da Mega Drive para a Master System é inferior ao original. O jogo que trago cá hoje é um perfeito exemplo disso mesmo. Jogos da série Astérix existem desde o início da década de 80, mas nem sempre foram bons. Um dos meus sites preferidos fez uma análise a todos os jogos da série existentes até ao momento da submissão desse mesmo artigo, é uma óptima leitura para quem tiver interesse no tema. De qualquer das maneiras, no início da década de 90 os estúdios internos da Sega no Japão compraram a licença da série e produziram o primeiro de vários jogos de plataformas do Astérix, um jogo bastante bom para a consola de 8-Bit da Sega e que despoletou que outras empresas como a Core ou a Infogrames produzissem jogos semelhantes para outras plataformas. O jogo de hoje foi o primeiro produzido pela extinta Core Entertainment (mesmo estúdio que nos trouxe o primeiro Tomb Raider, por exemplo). Infelizmente não é tão bom como o anterior, como mais tarde irei mencionar. A minha cópia foi comprada na loja portuense Prameta tendo-me custado apenas 5€. É mais uma das edições exclusivamente portuguesas “Portuguese Purple” como já mencionei anteriormente noutros posts.

Asterix and the Great Rescue - SMS
Jogo completo com caixa e manual pt

A história do jogo é simples: Os romanos raptaram Panoramix, o druida responsável por preparar a valiosa poção mágica que confere força sobre-humana aos habitantes da última aldeia de resistentes gauleses às forças romanas. Vocês sabem o que vem a seguir: só mesmo o duo dinâmico do Astérix e Obélix para resolver este problema, até porque também raptaram o seu fiel companheiro de 4 patas Ideafix. O jogo como quase todos os outros na década de 90 é de plataformas, onde podemos jogar tanto com Astérix como com Obélix, sendo possível alternar entre os 2 personagens durante o próprio jogo. Infelizmente é algo que não faça muito sentido fazermos, pois conseguiram arruinar o matulão Obélix, cujo alcance do seu ataque é inferior, bem como a sua movimentação ser mais limitada. Infelizmente este é um daqueles jogos em que é difícil como o raio conseguirmos “derrotar” os inimigos. Ambas as personagens possuem apenas os punhos como sua arma, cujo baixo alcance acaba por provocar várias frustrações ao tentar dar porrada nos romanos. Existem também, como não poderia deixar de ser, uma série de powerups espalhados pelos níveis para auxiliar a travessia dos mesmos.

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Jogo de plataformas básico

Graficamente o jogo é simples, ou não fosse esta uma máquina de 8bit. No entanto, tendo em conta as limitações do hardware existem algumas áreas que não estão más de todo visualmente. Já o level design deixa um pouco a desejar, sendo demasiado simples por vezes. A nível de som é um outro jogo que não me deixa especial memória, embora existam outros bem piores.

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Fantasmas romanos, também existem aqui

A sua prequela é um óptimo jogo de plataformas, como já mencionei anteriormente. Neste a Sega delegou tarefas para a Core desenvolver um jogo Astérix para as suas 3 consolas do momento e saiu isto. A versão Master System não é má de toda, assim como a versão Game Gear que é idêntica, sendo ajustada ao tamanho do pequeno ecrã da portátil. A versão Mega Drive foi a última a ser produzida e como é óbvio é bastante superior tanto a nível de som, como de gráficos. Mas como não é só isso que faz um jogo, essa versão 16bit tem uma jogabilidade absolutamente horrível. Mantém os problemas que a versão 8bit tem, mas não sei como conseguiram amplificá-los bastante, ao ponto de se tornar bastante frustrante.

Yakuza 2 (Sony Playstation 2)

Yakuza 2 PS2

Yakuza foi um dos jogos da PS2 que mais gozo me deu a jogar. Numa altura em que a SEGA passava por uns tempos algo conturbados pelo lançamento de vários jogos maus/medianos, a série Yakuza foi uma lufada de ar fresco, e uma das séries mais interessantes que a Sega produziu nos últimos 15 anos. Os jogos no ocidente têm passado um pouco ao lado do geral da população “gamer” ocidental, mas como já mencionei antes é um jogo e um conceito que me agradam bastante. A minha cópia foi comprada salvo erro na loja Portuense TVGames, por 9€, sendo que está num estado impecável, nem parecia usado.

Yakuza 2 PS2
Jogo completo com caixa e manual

A história do jogo, sem entrar em grandes spoilers, tanto de Yakuza 1 como do 2, ocorre um ano depois dos acontecimentos do primeiro jogo, onde um determinado acontecimento provoca uma guerra entre o enfraquecido clã de Tojo devido aos acontecimentos de Yakuza 1 e a poderosa Omi Alliance, de Osaka, para além da existência de um suspeito grupo Coreano a atrapalhar os planos. Mais uma vez, o honrado ex-Yakuza Kiryu Kazuma se dispõe a ajudar o seu antigo clã e ir ao fundo dos problemas, contando com a ajuda de personagens antigas do primeiro jogo como o detective Date, bem como novas pessoas como a polícia Kaoru Sayama, de Osaka. Devo dizer que nos capítulos finais a história se estava a tornar bastante previsível, mas o capítulo final foi realmente impressionante para mim. A jogabilidade também se manteve practicamente intacta face ao primeiro jogo. Yakuza 2, tal como o primeiro é um híbrido entre um sand-box game, um beat ‘em up à antiga e um RPG. Isto pois o jogo decorre em (mais do que) uma área urbana, onde somos practicamene livres de fazer o que quisermos, seja prosseguir com a história, passear pela cidade e fazer side-missions, jogar mini-jogos, visitar lojas e restaurantes, engatar meninas, entre outros. Tem elementos de RPG como batalhas aleatórias onde ganhamos pontos de experiência que poderão ser usados para ganhar novas habilidades, bem como dinheiro que pode servir para comprar novas armas, equipamento ou outros items. A parte do beat ‘em up refere-se ao sistema de batalha.

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Mais porrada!

Pelo que me lembro, apenas o sistema de batalha viu algumas mudanças desde o primeiro jogo, embora Kiryu continue um pouco inflexível nos seus combos, à semelhança do que acontecia em Phantasy Star Online. Os botões quadrado e triângulo servem para golpear, enquanto o círculo é usado para agarrar e atirar inimigos ou armas/objectos. As batalhas são limitadas a um cenário limitado da rua/localidade onde nos encontramos, onde poderemos utilizar à vontade todos os objectos que encontramos para a pancadaria. A novidade está nas heat-actions, uns golpes mais cinemáticos e “brutais” que podemos realizar quando carregarmos a barra de energia “heat” acima de um determinado limite. As heat actions embora já estivessem presentes no primeiro jogo, aqui estão presentes num muito maior número, com uma interacção dos cenários bem maior, e também é possível ir enchendo mais rapidamente a barra de heat usando o botão L2. No fim do combate ganhamos experiência (que é maior consoante o número de heat actions utilizadas), experiência essa que podemos usar para subir de nível 3 diferentes categorias: Mind, Skill e Body. Mind dá bónus nas heat bar e actions, enquanto Body aumenta a barra de energia de Kiryu e adquire novas técnicas defensivas, já aumentar a Skill faz com que Kiryu aprenda novos golpes que possa usar em batalha.

O jogo para além deter uma óptima história (tal como o primeiro) tem imensa coisa para além do objectivo principal que podemos fazer. As side-missions são a primeira coisa que nos vem à memória, onde a sua maior parte se resume a ajudar pessoas a livrarem-se de encrenqueiros Yakuza, mas também existem várias outras onde nem temos de levantar um dedo. Para além disso existem vários outros divertimentos onde podemos passar algum tempo. Desde massagens, engatar raparigas em “hostess bars“, jogar jogos de Casino como Blackjack e Roulette, bem como outros como mini-Golf, basebol, a paródia a Virtua Fighter (embora lembre mais Virtual ON) YF6, bem como jogos tradicionais como Shoji e Mahjongg. A oferta é certamente maior que no primeiro jogo, e ainda podemos gerir o nosso próprio “hostess bar“, onde temos de contratar miúdas, gerir a decoração do bar, avaliar a sua performance, etc. Para além disso em Yakuza 2 Kazuma pode ser ele próprio um “host“, trabalhar num host bar onde recebe outras meninas com o objectivo de as “conquistar” e lhes extorquir o máximo de dinheiro possível. Este último mini-jogo é um pouco cómico pois nem todas as clientes são propriamente bonitas e o Kazuma tem de agir mesmo fora do seu carácter normal.

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Bowling também é outro dos mini-jogos disponíveis.

Embora toda esta diversidade seja uma coisa boa, para alguém que viva obcecado em obter 100% de todo o conteúdo dos seus jogos Yakuza 2 é um jogo sádico. Eu completei todas as side-missions no Yakuza 1 e pretendia fazer o mesmo com este jogo. O problema é que: Existem algumas missões que são bastante frustrantes, tais como as missões que envolvem os mini-jogos de basebol e mini-Golf, mas essas ainda as consegui completar, ao fim de várias horas de frustração. A missão que envolve as Pachi-Slot Machines também é muito entediante e levou-me quase 3h a completar, as missões de Shoji consegui completá-las ao fazer “batota” usando um programa de Shoji no PC, visto que não percebo bolha desse jogo oriental. A missão de Mahjongg nem lhe toquei. Tal como o jogo anterior, existem vários bosses secretos que poderemos lutar caso completemos todas as side-missions. A Sega foi boazinha em não contar com aquelas missões frustrantes que mencionei anteriormente para podermos defrontar estes bosses secretos, mas ao fim de quase 60h de jogo e eu já no capítulo final, reparei que, para desbloquear uma missão perto do fim, teria de ter descoberto todas as heat-actions disponíveis no jogo (bem mais de 100 no total), coisa que já seria impossível pois algumas delas surgem apenas numa ou noutra batalha. Como tal, para quem for perfeccionista, este jogo é daqueles que tem de ser jogado com um guia ao lado, para não se perder detalhe nenhum. Fica para a próxima.

O post já vai longo, mas ainda terei de falar na parte mais técnica. Graficamente o jogo é pouco melhor que o jogo anterior, o que se compreende face ao hardware da PS2.  As cut-scenes são na sua maioria  renderizadas com o próprio motor gráfico do jogo, embora de vez em quando se vejam as personagens com bem mais detalhe, mas ainda assim não com a qualidade de umas CGs. Mas o que interessa em Yakuza é a atenção ao detalhe, e a representação de Karumocho – fortemente inspirada na red-light district da baixa de Tóquio, com vários edifícios reais. Para além de Karumocho, Yakuza 2 tem também mais 2 áreas, localizadas algures em Osaka – Sotenbori e Sinseicho, embora estas duas sejam mais pequenas e sem aquelas pequenas ruas e vielas existentes em Karumocho que me agradam. Tal como no primeiro jogo existem 2 diferentes tipos de câmara. No modo “aventura” onde andamos a vaguear pelas cidades a câmara é fixa, onde nós apenas podemos controlar o zoom. Já nas batalhas a câmara pode ser controlada usando o segundo analógico. É pena que a câmara esteja fixa no modo aventura, pois os diferentes ângulos que surgem quando atravessamos um cruzamento, por exemplo, acaba por atrapalhar um pouco e confunde o jogador. Sonoramente o jogo está muito bom. A banda sonora é variada e o voice-acting é excelente. Felizmente não traduziram as vozes do jogo original para inglês, tal como fizeram na prequela, tendo utilizado legendas em inglês. O lip-sync nas cut-scenes é perfeito, excepto nas versões PAL em 50Hz. Mais uma vez a conversão para território europeu foi algo mal feita, e para as televisões que suportem 60Hz, a Sega permite jogar este jogo nesse modo e recomendo vivamente que o façam. A acção é bem mais fluída e mais importante, o lip-sync nas cut-scenes não apresenta nenhum atraso, em 50Hz a voz chega ligeiramente primeiro do que a parte visual.

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Um exemplo das várias Heat Actions que poderemos desencadear

Yakuza 2 é um jogo já lançado bem no final do tempo “útil” de vida da PS2 (2006 no Japão, 2008 no ocidente) pelo que terá passado despercebido a muito boa gente. Tal como a sua prequela é um jogo que me agrada bastante, mas ainda assim tem alguns pequenos defeitos que poderiam ser melhorados, seja a câmara fixa quando se passeia na cidade, ou a rigidez das batalhas. Apresenta várias novidades no que diz respeito a conteúdo extra, mas na minha opinião a Sega deveria ter sido muito menos sádica no que diz respeito a completar 100% do jogo. Ainda assim, para quem gostar de porrada, tiver alguma admiração pelo submundo dos Yakuza, as suas tradições e costumes, e gostar de uma boa história, Yakuza 2 tal como o primeiro é uma óptima escolha.