Dick Tracy (Sega Master System)

DickTracy-SMSVoltando às “rapidinhas”, desta vez para um jogo simples da Sega Master System. Dick Tracy é uma personagem de banda desenhada, cujas raízes remontam aos anos 30, bem no tempo de todas as “gangster wars”, temática principal de Dick Tracy, o intrépido detective norte-americano. Em 1990 foi feito um filme sobre esta personagem, onde até a artista Madonna teve uma participação. E como em todos os filmes de “gabarito”, um videojogo lá acabou por ser desenvolvido para as várias plataformas existentes na altura, entre as quais esta versão para a Master System que aqui trago. A minha cópia foi comprada há pouco mais de um mês na Pressplay Porto, por 4.50€, faltando-lhe o manual.

Dick Tracy - Sega Master System
Jogo com caixa

Este é daqueles jogos que eu desde miúdo, ao ver imagens dele em revistas e catálogos sempre tive curiosidade em jogar, daí tê-lo comprado. Mas como diz o ditado “não se deve julgar um livro pela capa”, o jogo não é lá grande coisa. Basicamente está dividido em 6 áreas diferentes, cada uma com 3 níveis, onde simplesmente temos de matar todos os gangsters que nos apareçam à frente, incluindo um boss para cada área. Há muito pouca diversidade, tanto no grafismo como na jogabilidade, inclusivamente as primeiras 4 áreas são quase clones umas das outras.

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O ecrã título do jogo, bem ao estilo da banda desenhada original

O jogo é um sidescroller, onde temos de ir da esquerda para a direita até chegar ao final do nível, com inimigos a surgirem de todos os lados. Se estiverem longe, disparamos com o revólver, se estiverem perto, então distribuímos socos a torto e a direito. O twist é que surgem também inimigos no background. Na versão Mega Drive existe um botão próprio para sacarmos da nossa fiel metralhadora Tommy Gun e limpar o sebo a todos os que estão atrás, surgindo para isso uma mira para nos ajudar. Aqui teremos de deixar pressionado o botão de ataque para isso acontecer e nenhuma mira aparece. Para apontar teremos então de ver o rasto de balas no chão ou paredes e guiar a metralhadora dessa forma. Infelizmente os controlos demoram um pouco a responder, portanto acaba por ser frequente ficarmos encurralados e ver a nossa vida a descer rapidamente. Felizmente ao carregar nos botões 1 e 2 ao mesmo tempo podemos chamar reforços que limpam todos os inimigos no ecrã, embora só o possamos fazer uma vez no nível.

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Os inimigos que aparecem em background têm de ser despachados com rajadas da nossa Tommy Gun

Os níveis tanto podem ser sidescrollers bem simples sem obstáculos, em ruas, dentro de armazéns ou mesmo no esgoto. Existem alguns que são passados em perseguições de carro, onde Dick Tracy tem de matar e esquivar-se das balas dos outros gangsters que também viajam nos seus carros. Existem alguns níveis (uns 2 ou 3) onde não temos armas, todos os inimigos têm de ser derrotados apenas com os nossos punhos e existe um ou outro nível mesmo lá mais para o final onde temos de saltar sobre alguns precipícios. Infelizmente os saltos são terríveis e é bem fácil cair num precipício bem estreito se não saltarmos no pixel certo. No final de cada área temos sempre um combate contra um boss que surge sempre em background, disparando contra nós, e com outros capangas de lado também a meterem-se ao barulho. Pois, não é um jogo fácil. Entre cada área vamos tendo um nível de bónus, onde poderemos ganhar mais continues. É uma galeria de tiro, onde personagens vão surgindo aos pares e o objectivo é atingir o máximo de bandidos possível e não matar nenhum inocente. O botão 1 dispara para a esquerda e o 2 para o boneco da direita.

DickTracy-SMS-1
Exemplo de um dos níveis de perseguição automóvel

Graficamente falando, as únicas coisas que valem a pena referir é mesmo as pequenas cutscenes que vemos entre cada área, parecem mesmo retiradas das comics clássicas e até ficaram bonitinhas na Master System. De resto, os inimigos e os próprios níveis são bastante simples, assim como as músicas e efeitos sonoros que não são propriamente memoráves. Gostei no entanto do detalhe de podermos danificar as paredes com a metralhadora. No fim de contas, acho este Dick Tracy um jogo meramente mediano, apenas recomendado a coleccionadores.

The Revenge of Shinobi (Sega Mega Drive)

The Revenge of ShinobiA série Shinobi da Sega sempre foi daquelas cujos jogos separavam os meninos dos homens. Chegar ao fim de um jogo da série fazia-nos logo crescer barba e cabelo no peito e este Revenge of Shinobi para a Mega Drive não foge à regra. Lançado originalmente para a Mega Drive e depois nas arcades para o sistema Mega-Tech (essencialmente uma Mega Drive na mesma), este é ainda um dos jogos de primeira geração desta consola e que apesar de ter saído em inúmeras compilações que vinham inclusivamente em bundles com a consola, é um jogo que eu sempre fiz questão em ter a sua versão standalone. E felizmente isso veio a acontecer numa incursão que fiz à feira da Vandoma no Porto no mês passado, onde o consegui comprar num bundle ficando-me por pouco mais de 3€.

The Revenge of Shinobi - Sega Mega Drive
Jogo com caixa e manual pt.

Este é uma sequela directa do primeiro Shinobi que também possuo para a Master System e figura mais uma vez o melhor ninja do clã Oboro, Joe Musashi. Após Musashi (porque Joe não tem piada nenhuma) ter derrotado o grupo mafioso de Zeed no primeiro jogo, este reforma-se como Neo-Zeed e a sua primeira acção foi mesmo vingar-se do clã Oboro, assassinando o mestre de Musashi e raptando a sua namorada Naoko. Ao longo do jogo Musashi irá atravessar meio mundo até finalmente chegar à fortaleza de Zeed e fazer o que lhe compete: dar um infesto de porrada em Zeed mais uma vez.

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O fantástico ecrã título. Genesis does what Nintendon’t.

A jogabilidade é simples, um botão para saltar, outro para atacar e um outro para utilizar as magias ninjutsu, que já detalharei mais à frente. Os ataques tanto podem ser melee, se estivermos ao lado do inimigo, como podem ser de longo alcance através das shurikens que podemos apanhar ao longo dos níveis. Existe um cheat code que nos deixa com shurikens infinitas, código esse que me acompanhou em toda a infância e mesmo assim as coisas não eram fáceis. Para além do salto normal, podemos também dar um duplo salto com uma cambalhota no ar, que para além de nos permitir alcançar locais mais altos, podemos também disparar um molho de shurikens em várias direcções, um golpe bastante útil. Existem também níveis com 2 planos distintos, como o nível da base militar, onde temos inimigos no background e foreground, e é com esse duplo salto que alternamos de plano. Ao longo dos níveis podemos encontrar diversos caixotes que podem ter vários powerups, ou então estão armadilhados com bombas. Dos powerups, para além de mais shurikens, items que regeneram a nossa barra de vida ou mesmo vidas extra, temos powerups para armas, ou para as magias. Os primeiros tornam as nossas shurikens envoltas em fogo, capazes de dar duas vezes o dano das normais e equipam Musashi de uma espada também poderosa para close encounters. Mas como isto é um Shinobi, basta levar com um ponto de dano que perdemos esse bónus.

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Ao dar um duplo salto podemos disparar shurikens por uma vasta área

O segundo deixa-nos utilizar mais uma magia no nível em questão. Existem 5 magias distintas, que podemos escolher qual queremos equipar no menu de pausa. Podemos utilizá-las em qualquer altura do nível, mas apenas o podemos fazer uma vez. A menos claro, que apanhemos esse powerup. Os Jitsus mágicos podem então ser o Ikazuchi, um escudo eléctrico que nos protege de 4 golpes; Karyu, onde Musashi invoca 4 dragões de fogo que dão dano a todos os inimigos no ecrã; Fushin, onde Musashi ganha uma maior destreza física, capaz de saltar ainda mais e por fim Mijin, mais uma magia que dá dano a todos os inimigos no ecrã, mas a troco da vida de Musashi. No entanto, apesar de ser um ataque suicida, restabelece a barra de vida e deixa-nos utilizar uma outra magia mais uma vez.

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Um dos jitsus que podemos invocar, este dá dano a todos os inimigos no ecrã.

O jogo está dividido em 8 zonas, todas elas distintas visualmente entre si e divididas em 2 níveis de plataforma e um boss. Começamos o jogo em ruínas japonesas, lutando contra outros ninjas e guerreiros com armaduras samurai, e vamos atravessando cidades, bases militares e industriais, incluindo alguns níveis fora-de-série, como lutar em cima de um comboio, ou sobre um veículo que transporta mísseis intercontinentais. O último nível então é uma fortaleza labiríntica, onde existem imensas portas que o mais certo é não levarem a lado nenhum de interesse, levando-nos assim muito tempo até encontrar a saída. Mas para “piorar” as coisas, não fosse este um Shinobi, é practicamente obrigatório chegar ao boss final com um poder mágico extra e com o power-up que dê mais dano. Isto porque mal começamos a enfrentar Zeed, vemos Naoko aprisionada em background e Zeed solta uma armadilha em que o tecto da sua cela começa a descer lentamente. Sendo assim o jogo deixa-nos com 2 finais distintos: derrotar Zeed e Naoko morrer, ou derrotar Zeed a tempo e salvar Naoko. Por isso é que ter 2 poderes mágicos e/ou o powerup de dar mais dano é practicamente obrigatório. Não podia também deixar de referir outros bosses como o Hulk, Spiderman, Batman ou Godzilla. Inicialmente a Sega utilizou estas sprites (ou parecidas) sem autorização dos seus autores, pelo que existem em circulação diversas versões deste jogo, com sprites diferentes consoante as licenças na altura. Infelizmente não tenho a minha Mega Drive comigo em Lisboa, pelo que confesso que não sei qual das versões do jogo eu possuo.

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Exemplo de um dos níveis em que podemos alternar entre 2 planos de acção distintos

Visualmente, apesar de ser um jogo de primeira geração da Mega Drive, não deixou de impressionar bastante na altura e mesmo nos dias de hoje porta-se bem. Ver aquela “cutscene” inicial do Musashi a defender-se com a espada de um monte de shurikens em grande plano sempre me impressionou quando era miúdo e mesmo hoje em dia continua-me a agradar. É verdade que outros jogos da Mega Drive, como por exemplo o excelente Shinobi III são melhores graficamente, mas este é bem competente, especialmente tendo em conta o facto de ser um jogo de primeira geração. Sprites grandes e detalhadas, níveis bem desenhados, não tenho razões de queixa. As músicas essas são autoria do grande senhor Yuzo Koshiro, que quem estiver por dentro do que ele faz, já sabe o que esperar. Músicas bem catchy, e sendo este um jogo de ninjas têm também um toquezinho oriental.

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O Godzilla foi um dos bosses “polémicos”, por questões de copyright. Existem versões que trocam esta sprite por um esqueleto

No fim de contas, The Revenge of Shinobi é um excelente jogo. Não é por acaso que fez parte de imensos bundles e compilações até na própria Mega Drive. É um jogo bonito, com excelentes músicas e com uma jogabilidade simples, mas com uma dificuldade elevada. É jogo para separar os meninos dos homens, como sempre foram os jogos desta série. Joe Musashi, temos saudades tuas.

Road Rash (Sega Saturn)

Road RashRoad Rash remete-me logo para 2 memórias: A atitude “cool” dos anos 90 e o tempo em que a Electronic Arts era uma empresa realmente criativa e um colosso bem respeitado por todos. A série tem as suas raízes na Mega Drive, com a temática de violentas corridas ilegais de moto por estradas estaduais dos EUA. O facto de podermos andar à pancada com outros condutores e também fugir à polícia era algo que tornava Road Rash num jogo único na sua altura. E como todas as séries de sucesso na Electronic Arts, foram lançadas imensas sequelas e conversões ao longo de toda a década de 90. Um desses lançamentos foi um remake do primeiro Road Rash para a 3DO, versão essa que acabou por ser lançada também noutras consolas, entre as quais a Sega Saturn. A minha cópia foi comprada algures em Janeiro/Fevereiro deste ano por 5€, na feira da Ladra em Lisboa.

Road Rash - Sega Saturn
Jogo completo com caixa e manuais

Este Road Rash é um remake do primeiro jogo, pelo que toda a acção decorre em várias estradas estaduais da Califórnia, nomeadamente as localidades “The City, The Peninsula, Pacific Coast Highway, Sierra Nevada e Napa Valley”. Tal como os outros jogos da série, o modo “campeonato” coloca-nos a correr nesses 5 circuítos, ao longo de 5 níveis de dificuldade, com os mesmos circuitos a tornarem-se gradualmente mais longos e os oponentes mais agressivos. Nesse mesmo modo Championship é obrigatório chegar pelo menos em 3º lugar em cada corrida, de forma a podermos avançar para a próxima. Quando melhor classificados ficamos, mais dinheiro ganhamos, que será bem útil para comprar novas motos, reparar estragos ou pagar multas caso tenhamos sido caços pela polícia. Uma das novidades neste Road Rash é o facto de podermos ter amizades e rivalidades ao longo do jogo, o que até dá alguma pica extra para mandar umas boas patadas nos rivais em plena corrida.

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Ao cair da moto, às vezes voamos para bem longe e depois temos de voltar para trás a correr.

Infelizmente tem o grande problema de não ter um multiplayer em split screen, tal como o Road Rash II para a Mega Drive introduziu. Tal como o Road Rash original, o multiplayer existe apenas em jogar as corridas de forma alternada, o que é um bocadinho (muito) chato, especialmente nas últimas corridas onde as distâncias são bem grandinhas. Nos circuitos por vezes também há bifurcações que nos levam por caminhos alternativos, mas nada de especial. De resto as mecânicas de jogo são semelhantes e os controlos também: um botão para acelerar, outro para travar e um outro para atacar, onde podemos obter várias armas como os típicos bastões de baseball ou correntes de metal.

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O ecrã de selecção dos circuitos

Graficamente falando não é um jogo propriamente colossal. As motos, veículos no geral e pedestres são todos sprites digitalizados, tal como foi feito no Road Rash 3 para a Mega Drive. A única coisa em 3D poligonal pareceram-me ser mesmo os edifícios e desfiladeiros que não possuem assim tanto detalhe quanto isso mas o bom framerate da versão Sega Saturn chega bem para compensar essa falha. Outra coisa  engraçada são as cutscenes. Nos originais da Mega Drive essas cutscenes eram sempre algo engraçadas e aqui tentaram fazer o mesmo, mas em full motion video com actores reais. Existem várias cutscenes para vitórias, derrotas ou quando somos presos pela polícia. Umas até que têm piada, outras nem por isso. A banda sonora é que tanto é excelente como uma desilusão. Passo a explicar: o jogo está repleto de faixas licenciadas de bandas de rock como Soundgarden ou Monster Magnet. Isto é completamente OK in my books. Mas infelizmente isso apenas aontece nos menus e afins, pois durante o jogo em si já mudaram para músicas mais genéricas e o barulho das motas é tão forte que nem dá para as apreciar.

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O artwork das personagens do jogo está completamente caricaturado

Infelizmente este é o único jogo da série que chegou à Sega Saturn. Depois deste ainda sairam mais uns 3 jogos diferentes, já totalmente em 3D, mas apenas para as consolas Playstation e Nintendo 64. Apesar de ser um jogo que falhou no modo multiplayer – foi realmente uma oportunidade perdida, não acho este Road Rash um mau jogo de todo. A sensação de velocidade é bem convincente e poder distribuir pancada noutros motoqueiros é sempre divertido. É pena que a Electronic Arts nunca mais tenha voltado a pegar na série, após um port manhoso para a Gameboy Advance. Mas veremos o que o futuro lhe reserva. Ainda sobre este jogo, saiu também uma versão para a Mega CD, que herda a mesma banda sonora, vídeos e pouco mais, pois a parte gráfica do jogo em si já é muito semelhante a outros Road Rashs da Mega Drive.

Altered Beast (Sega Mega Drive)

Altered BeastVamos lá voltar à consola de 16bit da Sega, para uma breve análise a um clássico da consola. Altered Beast foi um dos poucos jogos de lançamento da Mega Drive tanto em solo japonês como norte-americano, tendo sido o jogo com maior destaque para demonstrar as capacidades superiores da Mega Drive face à NES. Na Europa e particularmente em Portugal onde recebemos oficialmente a consola mais tarde, já chegou cá com um catálogo mais bem compostinho. E o Altered Beast entrou na minha colecção algures durante o mês passado, tendo sido comprado na feira da Vandoma no Porto por uma quantia a passar um pouco dos 3€.

Altered Beast - Sega Mega Drive
Jogo com caixa e manual europeu

“RISE FROM YOUR GRAVE!” é logo o nosso cartão de boas-vindas quando Zeus nos ressuscita, incumbindo-nos de uma simples missão: salvar a sua filha Athena das mãos do malvado deus demoníaco do underworld, Neff. Apesar de Neff não ser Hades, dá para perceber que este é um jogo com muitas influências da mitologia da Grécia Antiga.

Numa primeira olhada, Altered Beast é um beat ‘em up difícil, mas simples. Ao contrário de Double Dragon ou Golden Axe, a nossa personagem e inimigos movem-se num único plano, ao invés de ser simulado um espaço 3D. Não há uma grande variedade de golpes, temos um botão para murros, outro para pontapés e um outro para saltar. É possível atacar quando saltamos, ou ao pressionar o direccional para baixo. O que diferenciou Altered Beast de todos os outros jogos na altura é mesmo a licantropia dos heróis, sendo capazes de se transformar em diversos animais. O jogo está dividido em 6 níveis distintos e em cada um podemos nos transformar em animais diferentes, cada um com os seus poderes e habilidades características.

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Os inimigos vão sendo variados entre si e têm um bom detalhe

Para nos transformarmos, ao longo de cada nível vamos vendo uns lobos azuis, ao derrotá-los eles soltam umas orbs azuis que devemos coleccionar. Por cada orb coleccionada, o jogador ficará cada vez mais poderoso, quase a rebentar com os músculos que ganham. Por fim ao apanhar a terceira orb, transformam-se no tal animal. No primeiro nível transformam-se num lobo capaz de atirar bolas de fogo e saltos horizontais que levam tudo à frente, no seguinte num dragão voador com ataques eléctricos, depois um urso que petrifica os inimigos e é capaz de se enrolar sobre si mesmo. Os últimos dois, são um tigre, também cospe bolas de fogo e tem saltos verticais que levam tudo acima ou abaixo e por fim, no último nível, temos novamente o lobo, desta vez dourado e mais poderoso.

Altered Beast é um jogo para os duros, pois começamos o jogo com apenas 3 vidas e uma barra de energia que não regenera de nível para nível. E os inimigos vão ficando cada vez mais resilientes e agressivos, o que nos irá dar algumas dores de cabeça. No entanto, através de alguns cheat codes obscuros, é possível desbloquear um menu que nos permite mudar a dificuldade do jogo de Normal até Very Hard (awesome), o número de vidas ou o tamanho da health bar. Existem ainda ou outros códigos que nos vão deixando continuar o jogo após um game over, ou mesmo um código que nos deixa escolher qual o bicho que nos queremos transformar em cada nível, por exemplo.

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Os bosses são grandinhos e gore quanto baste.

Graficamente, apesar de ser um jogo que não tira o maior partido da biblioteca da Mega Drive, afinal é um jogo de lançamento, percebe-se perfeitamente o porquê da Sega of America ter-lhe dado um grande destaque por alturas do seu lançamento. As suas sprites grandes e bem detalhadas, tanto dos lutadores, inimigos e bosses, ou mesmo as fantásticas animações quando nos transformamos numa das bestas, eram certamente impressionantes para os padrões nos finais dos anos 80, mostrando claramente a superioridade gráfica da Mega Drive face à concorrência 8bit. A versão Mega Drive é muito parecida à versão arcade, embora possua menos detalhe nas sprites e background, mas para compensar tem um efeito de scrolling em parallax melhor. As músicas também são mais pujantes na versão arcade, assim como os próprios samples de voz são mais nítidos. Ainda assim não deixa de ser awesome ouvir na Mega Drive “Welcome to your doom!” antes de cada luta de boss.

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Esta imagem serviu para muitos screenshots em todas as revistas da especialidade. Back in the day, sempre achei esta imagem fenomenal.

No fim de contas, Altered Beast acaba por ser um jogo que não envelheceu muito bem a nível de mecânicas de jogo, mas não deixa de ser divertido e uma pedra importante tanto do catálogo da Mega Drive, como mesmo da própria Sega. É um jogo que também foi convertido por outras empresas para inúmeros sistemas, não só a Master System, mas para vários computadores (Atari ST, Spectrum, Commodore 64 e Amiga, entre outros), como para consolas da concorrência, como a PC-Engine/TG-16 ou mesmo a NES. Mas a versão da Mega Drive é superior a todas essas conversões. O jogo acabou por aparecer também noutras plataformas mais recentes em várias compilações, aí já com emulações bem competentes: Dreamcast, Xbox, X360, PS3 ou o Virtual Console da Nintendo Wii. Mas a melhor conversão de todas parece-me mesmo ser a mais recente, que saiu na 3DS, com o jogo a ser retocado para tirar partido do ecrã 3D da portátil da Nintendo.

Fighting Vipers (Sega Saturn)

Fighting VipersJá disse por várias vezes que gosto bastante da época dos anos 90 da Sega, em especial os seus jogos arcade em 3D como Sega Rally, Daytona USA ou Virtua Fighter. A Sega Saturn, a polémica consola de 32bit, amada por uns e odiada por outros, serviu para trazer a grande maioria desses títulos arcade para casa, em boas conversões ou nem tanto assim. A série Virtua Fighter, produto da criatividade de Yu Suzuki é um dos grandes marcos dessa época, mas não foi a unica série de jogos de pancada em 3D que teve a mão desse senhor. Enquanto Virtua Fighter apostava num maior realismo na representação de diversas artes marciais (sem contar com os saltos de astronauta, claro está), este Fighting Vipers possui algumas diferenças, sendo um jogo mais descontraído e ainda mais “arcade”. A minha cópia veio-me parar às mãos algures em 2011 se a memória não me falha, tendo ficado por volta de 2€, em conjunto com o Fighters Megamix, num leilão do Miau.pt. Infelizmente o jogo já viu melhores dias e não tem manuais, pelo que mais tarde ou mais cedo irei substituí-lo por uma versão completa e em bom estado.

Fighting Vipers - Sega Saturn
Jogo com disco.

Fighting Vipers tem um feeling muito mais urbano e de “street fighting“. Todos os seus lutadores são jovens rebeldes, como gansters, músicos de bandas rock/metal, skaters e por aí fora. Todos eles participam em lutas de rua de forma a pertencer à elite dos “Vipers”. Por algum motivo o presidente da câmara lá da cidade local (Armstrong City) decide organizar um mega torneio de artes marciais e todos esses lutadores aderem, na esperança de vencer. História e jogos de luta nunca foram coisas que se deram assim tão bem, e este Fighting Vipers é um desses jogos. Mas na verdade também não é preciso muito mais para que um jogo deste tipo nos agrade!

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Ao lado das barras de energia de cada lutador temos também uma figura que indica o estado da sua armadura

E é na jogabilidade que Fighting Vipers possui algumas diferenças em relação ao Virtua Fighter. Para começar, todos os lutadores possuem uma armadura, que se pode partir com o dano sofrido e os lutadores para além de ficarem mais despidos, naturalmente que ficam bem mais vulneráveis aos ataques. As arenas são também fechadas, no entanto, através de alguns golpes especiais podemos atirar os adversários por cima das mesmas, ou mesmo através delas, destruindo as arenas num só golpe. Estes golpes mais “over the top” são justamente das coisas que tornam este Fighting Vipers num jogo menos realista mas nem por isso menos divertido. Os controlos são muito semelhantes aos do Virtua Fighter, com o botão A para bloquear, B para murros e C para pontapés. Os restantes botões do comando da Saturn (à excepção do direccional e Start, claro) servem para fazer pequenos combos de 2 ou 3 acções. Nesta versão Saturn existe uma opção em que podemos jogar o modo arcade com uma regra especial: através de uma combinação de botões é possível o nosso lutador despir a sua armadura por completo. de modo a poder executar alguns ataques rápidos. No entanto ficamos mais vulneráveis, claro. Infelizmente alguns golpes em específico de alguns lutadores são bastante poderosos, o que acaba por tirar algum desafio do jogo no modo arcade.

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É impressão minha ou a Jane é uma imitação da Vasquez do filme Aliens?

Fighting Vipers é também um jogo que se esforçou mais para apresentar mais conteúdo para além de uma simples conversão arcade. Assim sendo, para além do modo arcade, onde depois até poderemos desbloquear alguns lutadores adicionais como o boss Mahler e o modo versus onde podemos jogar contra um amigo, temos também o Team Battle, Training e Playback. O training dispensa quaisquer apresentações, é um modo de jogo onde podemos treinar os golpes dos lutadores. Playback permite ver o replay alguns combates que gravamos e por fim o Team Battle é uma espécie de torneio. Neste Team Battle podemos escolher uma equipa de lutadores e defrontar uma equipa criada por um amigo, ou pela CPU. Neste modo de jogo podemos definir se queremos que a vida e armadura dos lutadores transite para o combate seguinte ou se é feito um reset a 100%. Cada equipa pode ter o mesmo lutador entre ambas, ou até repeti-lo várias vezes na sua equipa.

No que diz respeito ao audiovisual, o original da arcade corre no sistema Model 2, o mesmo de Virtua Fighter 2. Esse é um sistema mais poderoso que a Sega Saturn, pelo que esta conversão não apresenta naturalmente o mesmo poderio gráfico. Ainda assim não é nada mau de todo. Os lutadores continuam muito bem detalhados, embora um bocadinho menos que no Virtua Fighter, devido às suas armaduras/vestimentas mais complexas e as arenas apresentarem um pouco mais de detalhe. Mas é precisamente pelas armaduras e vestimentas mais detalhadas que os lutadores me parecem ter um maior carisma. Os backgrounds continuam a ser imagens em 2D, embora tal como no VF2 apresentam alguma dinâmica, o que já disfarça um pouco a coisa. Mas o que é realmente bom neste Fighting Vipers são as músicas, sendo quase todas hard rock/metal, mesmo como eu gosto.

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Nas opções podemos customizar os controlos à nossa medida

Concluindo, se gostam de jogos de pancada em 3D e têm uma Saturn, então comprem este jogo se tiverem a oportunidade. Virtua Fighter 2, Fighting Vipers e Fighters Megamix são a santíssima trindade dos jogos deste género na Saturn e não deixam de ser jogos de grande peso em toda a geração 32bit. E o Last Bronx também mandou um beijinho, mas esse ficará para um outro artigo.