Tempo de voltarmos às rapidinhas na Mega Drive para mais uma das várias conversões que o Xenon 2 recebeu para consolas. Já cá trouxe no passado a versão Master System que sinceramente achei francamente má, não só a nível de performance (o que de certa forma até é compreensível), mas também por todo o conteúdo cortado da versão original de Amiga. Esta versão Mega Drive apesar de ainda não ter todo o conteúdo da original, é bastante superior em todos os aspectos à coitada versão de Master System!
Jogo com caixa e manual
Portanto este é na mesma um shmup vertical onde iremos enfrentar toda uma série de estranhas criaturas. Ao longo dos seus 4 níveis (que desta vez sim, são completamente distintos entre si ao contrário da versão MS) iremos coleccionar toda uma série de itens largados pelos inimigos que vamos destruindo. A maior parte são créditos, ocasionalmente lá poderemos encontrar alguns corações que nos regeneram a barra de vida, itens que nos melhoram a velocidade da nave (must haves!) ou se tivermos muita sorte lá nos sai um power up a sério. Cada um dos 4 níveis terá dois bosses para enfrentar e sempre que destruímos um somos levados a uma loja onde poderemos comprar e vender power ups que tenhamos encontrado/comprado noutros níveis. Muitos destes itens são cumulativos, ou seja poderemos ter vários equipados em simultâneo, enquanto outros não o são e o jogo infelizmente não nos avisa disso até ser tarde demais.
A referência aos autores da banda sonora está bem evidente mesmo antes de o jogo começar. Pena no entanto que não tenha mais músicas.
Um outro detalhe interessante deste Xenon 2 é que se levarmos a nossa nave para o fundo do ecrã o mesmo começa a fazer scrolling para baixo, embora de uma forma mais lenta. Visto que alguns níveis terão bifurcações nos caminhos e algumas nos levam a becos sem saída, esta habilidade será necessária. Por outro lado continua a ser um jogo bastante difícil pelos inimigos numerosos, com padrões de movimento agressivos e nem sempre lá muito fáceis de prever. Felizmente que perder vidas não faz com que percamos todos os power ups amealhados, aparentemente apenas os de velocidade são perdidos, embora esses sejam bastante importantes porque por defeito a nossa nave move-se muito lentamente.
Esta versão Mega Drive é visualmente bem melhor trabalhada e mais próxima ao original de Amiga
No que diz respeito aos audiovisuais esta versão está muito mais próxima do original de Amiga e aqui sim, ao contrário da versão Master System temos uma variedade bem maior nos inimigos e os cenários estão com bastante mais detalhe, embora não sejam nada de absolutamente incrível. E sim, com tanto projéctil no ecrã por vezes pode tornar as coisas um pouco confusas. Felizmente que esta versão possui todos os bosses e mini bosses ao contrário da versão Master Sytem… excepto no quinto nível que continua ausente por algum motivo. Suspeito que para o jogo caber num cartucho de menor capacidade. Os efeitos sonoros não são nada de especial, já a música é bastante agradável. O problema é que temos apenas uma música para ouvir ao longo de todo o jogo e apesar de a mesma ser boa (uma adaptação de uma banda supostamente famosa no Reino Unido no final da década de 80), ao fim de algum tempo também acaba por aborrecer um pouco.
Portanto este Xenon 2 continua a ser um jogo, a meu ver, ainda muito longe da qualidade de títulos que várias empresas nipónicas nos traziam, embora possua alguns conceitos interessantes como todo o sistema de power ups. Se quiserem mesmo jogar uma versão deste jogo, presumo que o original de Amiga continue a ser a melhor versão, mas este da Mega Drive também não é nada mau.
Adoro o que a retro-bit tem vindo a fazer ultimamente com jogos de Mega Drive. De alguma forma eles conseguiram obter os direitos de certos jogos que a norte-americana Renovation lançou nos Estados Unidos, sendo que a esmagadora maioria desses títulos lá lançados por eles são jogos que nunca chegaram cá à Europa e, pelo menos até agora, têm escolhido bem o que relançar. Foi assim com os Valis, Gaiares e mais recentemente este El Viento. Desenvolvido pela Wolfteam, este El Viento é o primeiro de uma trilogia de jogos que também se incluem o Earnest Evans e Anetto Futatabi, este último exclusivo de Mega CD em solo japonês. O meu exemplar foi comprado na loja Xtralife, tendo-me chegado às mãos algures no passado mês de Janeiro.
Jogo com sleeve exterior de cartão, manual a cores e certificado. Relançamento da retro-bit.
A história coloca-nos no papel de Annet Myer, uma feiticeira que está no encalço de um misterioso culto que procura reviver uma divindade qualquer diabólica, Hastur. Aparentemente sim, é o mesmo Hastur do universo de Cthullu de H.P. Lovecraft. Annet e Restiana são descendentes de Hastur, mas Restianna é uma das vilãs, enquanto que Annet está do lado da raça humana e o jogo vai-nos providenciar toda uma série de cutscenes que ilustram o progresso da história, que decorre algures nos anos 20 (1920) nos Estados Unidos, onde iremos percorrer toda uma série de locais conhecidos.
O culto está a ser ajudado por uma organização mafiosa. Na versão original nipónica, este Vincente é nada mais nada menos que o Al Capone
No que diz respeito à jogabilidade, este é um jogo de acção 2D sidescroller com alguns elementos de plataformas também. O direccional serve para Annet se mover enquanto que o botão B salta (pressionando baixo e B fazemos um slide que também nos permite atravessar precipícios pequenos). O botão A serve para despoletar o nosso ataque principal, que são uma série de bumerangues atirados por Annet. Felizmente podemos atirar bastantes destes bumerangues em simultâneo e por vezes poderemos até encontrar alguns power ups que lhes dão algum movimento teleguiado para inimigos perto da sua trajectória. O botão C serve então para despoletar ataques mágicos, cujos vão consumindo uma barra de magia sempre que são executados e que se vai regenerando rapidamente quando não os utilizamos. O primeiro ataque mágico que desbloqueamos são bolas de fogo, seguindo-se uma serpente de água que atravessa o ecrã à superfície de onde a lançamos, passando por uma onda de ar capaz de causar dano com uma amplitude vertical considerável, ou bolas de fogo que explodem quando entram em contacto com algum inimigo. Por fim, o último ataque mágico que desbloqueamos são projécteis teleguiados que vão sendo disparados automaticamente ao longo de vários segundos. Para usar todos estes feitiços teremos no entanto de manter o botão C pressionado o suficiente para a selecção ir “rodando”. No entanto essa selecção não volta ao início enquanto não largarmos o botão (e assim despoletar o ataque seleccionado no momento), o que às vezes irrita um pouco.
Alguns bosses possuem um design bastante interessante, como é o caso desta criatura gelatinosa. Os seus pontos vulneráveis estão, naturalmente, dentro da gelatina.
Este não é apenas um jogo puramente de acção, pois à medida em que vamos atravessando os seus variados níveis vamos também encontrar vários desafios de platforming algo exigentes ou até algumas alturas onde teremos de utilizar alguns destes poderes para conseguir avançar no jogo e abrir caminho. No final de cada nível temos também um boss para enfrentar e estes tipicamente até que têm uma barra de vida consideravelmente larga. O último nível é um salto de dificuldade bastante grande, pois iremos constantemente ser atacados por pequenos morcegos que surgem constantemente em grande número e são bastante agressivos.
Não sei o que é que andar nas costas de um golfinho tem a ver com evitar a invocação de uma divindade demoníaca, mas a Wolfteam saberá certamente.
A nível audiovisual sinceramente acho o jogo um bocado fraco. É verdade que há uma grande variedade de níveis pois tanto atravessamos cidades norte-americanas dos anos 20, como passamos pelo famoso monte Rushmore, outros níveis passados em montanhas, cavernas ou desfiladeiros (como o Grand Canyon), culminando no Empire State Building que aparentemente estava ainda em construção. Um dos níveis é passado em Detroit, outrora o motor da construção automóvel Norte-Americana, pelo que o nível é passado… numa fábrica de carros! Mas tirando algum efeito gráfico interessante que vai surgindo aqui e ali, considero os gráficos deste jogo no geral como algo fracos. Há qualquer coisa no design dos níveis que não me agrada, mas isto é algo bastante comum nos jogos da Wolfteam nas consolas da Sega. Por outro lado alguns dos bosses estão muito interessantes. Entre cada nível teremos também toda uma série de cut-scenes (na verdade uma colecção de imagens algo estáticas) todas no estilo anime e que vão contando a história. A imagem que nos apresentam no final do último boss é um pouco desconcertante, no bom sentido, pelo menos para mim! De resto a banda sonora acho que até é bastante agradável, já os efeitos sonoros nem por isso.
Portanto este El Viento até que se revelou uma surpresa interessante. Não é um jogo muito bom, longe disso, mas é suficientemente original e interessante para me ter despertado o interesse. Fico ainda mais curioso para voltar jogar no o Earnest Evans, que já havia jogado em emulação há cerca de 25 anos atrás e ficou-me na memória como uma experiência bastante desagradável. Pode ser que a retro-bit o relance em breve!
Este jogo traz-me bastantes memórias! Quando descobri o admirável mundo novo da emulação algures no final de 1998, os anos seguintes foram todos passados a procurar obter o máximo de ROMs possíveis para todos os sistemas retro e cujos emuladores o meu velhinho Pentium 133MHz com 32MB de RAM conseguia aguentar. Um dos que joguei várias vezes e sempre me fascinou (apesar de na altura nunca ter avançado muito no jogo) foi precisamente este Battletech, o único videojogo da saga Battletech/Mechwarrior a ter um lançamento na consola de 16bit da Sega. Infelizmente esta versão é exclusiva norte-americana, ao contrário da versão SNES conhecida por Mechwarrior 3050 que essa sim, já saiu cá. O meu exemplar veio da vinted algures no mês passado por 40€.
Jogo com caixa e manual. O selo SEGA Portugal engana pois a caixa é originalmente de um outro jogo. Embora não ponha as mãos no fogo pela Ecofilmes, é bem possível que tenham importado algumas unidades do jogo para o vender cá e o se tenham enganado no autocolante traseiro.
O universo Battletech surge de um jogo de tabuleiro criado pela FASA e como aconteceu com muitos jogos de tabuleiro de fantasia ou ficção científica, adaptações para videojogos não tardaram a surgir, com as primeiras a saírem para o PC e outros microcomputadores contemporâneos e eram, inicialmente, RPGs. Em 1989 surge também o primeiro Mechwarrior que já era um jogo mais de simulação (e que acaba também por receber uma versão SNES em 1993). Algumas sequelas de ambas as séries depois, surge então para a Sega Genesis este Battletech, um jogo que muito me remete para os títulos da Electronic Arts como a sua série Strike. Isto porque o jogo é todo passado numa perspectiva isométrica e muitas das mecânicas aqui introduzidas têm várias similaridades!
Antes de cada missão temos direito a um briefing extensivo que nos detalha os seus objectivos
O jogo está dividido em 5 missões em diferentes planetas hostis onde teremos de cumprir uma série de objectivos. Por exemplo, logo na primeira missão o jogo recomenda-nos destruir primeiros os radares inimigos, em seguida as bases aéreas e só depois os restantes objectivos, que também incluem o resgate de um prisioneiro. Muito similar ao Desert Strike! Mas ocasionalmente também teremos algumas restrições que nos obrigam a cumprir certos objectivos por ordem, levar as instruções à risca ou até termos algum limite de tempo para executar uma determinada tarefa, tudo isto sob a pena de perdermos o jogo em caso de insucesso. Antes de cada missão poderemos equipar o nosso mecha com 3 armas dentro de 9 possíveis, cada qual com tipos de fogo diferente (leve, médio e pesado) e número de munição disponível. Ao explorar o mapa e destruir alvos inimigos poderemos no entanto encontrar power ups que nos restabelecem as munições ou até a energia do nosso mecha. Ao contrário dos Strikes, felizmente não precisamos de nos preocupar com combustíveis.
Ocasionalmente teremos outros mechas para defrontar e estes vão sendo cada vez maiores e mais perigosos
Até aqui tudo bem, mas a meu ver o maior problema do jogo está mesmo nos seus controlos que têm uma curva de aprendizagem considerável. Começando pelo simples: As armas escolhidas são mapeadas para os botões A, B e C e o direccional move o nosso mecha. No entanto, tal como num tanque de guerra, é possível movermo-nos numa direcção e apontar os canhões para outra direcção qualquer. Para o fazermos, devemos primeiro movermo-nos numa direcção e posteriormente manter o botão B pressionado para disparar a nossa arma principal. Enquanto mantivermos o botão B pressionado o mecha irá andar na direcção inicialmente predefinida, podendo depois usar o direccional para disparar na direcção pretendida. No caso de enfrentarmos um mecha inimigo, o jogo dá-nos a possibilidade de fazer o reverso: a direcção de fogo fica trancada ao mecha inimigo e o direccional permite-nos mover livremente. Para isso devemos primeiro parar o mecha e apontar na sua direcção, disparar e manter o botão B pressionado assim que o atingirmos. Ness altura o alvo fica trancado e enquanto mantivermos o botão pressionado ou não o derrotamos, este sistema mantém-se activo. Vamos ter de dominar bem todas as técnicas pois o jogo possui inúmeros inimigos, muitos que fazem spawn constante até destruirmos as bases de onde eles sarem e os itens que apanhamos surgem em número limitado. Felizmente, tal como na série Strike, basta estarmos ligeiramente alinhados com algum inimigo que os nossos projécteis serão disparados na sua direcção. Para além que certos níveis vão ter toda uma série de obstáculos que nos causam dano e que teremos de evitar, o que é especialmente difícil no segundo nível, repleto de gelo que faz com que escorreguemos facilmente. De resto, e ainda na jogabilidade, o jogo possui um modo cooperativo para dois jogadores que achei bastante original, isto porque um jogador controla movimento do mecha enquanto o outro controla as suas armas e direcção de fogo.
As armas principais (tipicamente metralhadoras pesadas ou raios laser) ficam associadas ao botão B e são as que têm munição em maior número. Os botões A e C ficam com munições pesadas ou tácticas associados, com modos de fogo distintos
A nível audiovisual este é um jogo que sinceramente acho que deixa um pouco a desejar, ou pelo menos haveria potencial para ser melhor. A nível de apresentação até não está mau de todo, com uma pequena cutscene inicial que me fazia as delícias em miúdo, diferentes ecrãs de game over e interlúdios consideráveis entre missões, embora não sejam propriamente muito detalhados. A nível gráfico não anda muito longe dos jogos da série Strike, e os 5 níveis são bastante distintos entre si, embora o mesmo não possa ser dito dos inimigos que se vão repetindo. Mas é no som onde haveria um maior potencial para melhorias. Por um lado o jogo está repleto de algumas vozes digitalizadas que até soam bastante límpidas, por outro lado só temos música no ecrã título e interlúdios entre missões e mesmo assim não achei as músicas nada de especial.
Há 25 anos atrás achava esta introdução fantástica!
Portanto este é um jogo muito interessante embora seja incrivelmente difícil pelos seus controlos não convencionais (resultaria perfeitamente como um twin stick shooter nos dias de hoje!), inimigos numerosos e agressivos, bem como alguns objectivos bastante exigentes a cumprir. Por outro lado o modo multiplayer cooperativo deveria ser bastante divertido! De resto, como já mencionei acima, para além do lançamento original de 1994 em solo americano e que se manteve exclusivo nesse território, no ano seguinte o jogo é convertido para a Super Nintendo. Essa versão possui gráficos e som ligeiramente melhores (embora ainda não hajam músicas durante os níveis) e a jogabilidade foi ligeiramente modificada, mas uma vista de olhos rápida pelo manual dessa versão dá-me a entender que não ficou muito melhor.
Vamos voltar à Mega Drive para um título muito peculiar. Produzido por um estúdio pequeno no ano de 1994 e originalmente lançado para o sistema nipónico Sharp X68000 e posteriormente convertido para outros sistemas, uma versão para a Mega Drive esteve mesmo quase para acontecer, tendo sido no entanto cancelada. Essa versão estava aparentemente practicamente finalizada, até que um grupo de entusiastas (Columbus Circle) meteram mãos à obra, ultimaram detalhes dessa versão com base num protótipo conhecido e lançaram a versão Mega Drive para o mercado em 2020. A Strictly Limited Games acaba também por lançar, em 2022, uma versão ocidental deste mesmo jogo, tendo o meu exemplar vindo precisamente da sua loja no mês passado. Infelizmente já só havia disponível esta versão com estética similar à Sega Genesis.
Jogo com caixa e manual, relançamento pela Strictly Limited.
E este é então um jogo de acção com mechas, com a acção a aproximar-se à de beat ‘em up totalmente em 2D e onde nos podemos mover num único plano (pensem em jogos tipo Kung-Fu ou Black Belt mas com robôs gigantes!) mas também com alguns elementos típicos de jogos de luta versus, o que a meu ver acaba por não resultar lá muito bem. Isto porque o direccional controla o nosso robô, incluindo cima para saltar, os botões A e C servem para desferir golpes fracos, enquanto o botão B serve para desferir golpes fortes. Ambos os botões pressionados em conjunto faz com que bloqueemos e pressionando os botões de ataque em conjunto com o direccional faz com que despoletemos diferentes tipos de golpes também. Existem no entanto alguns golpes especiais associados a combinações de botões ligeiramente mais complexas. Por exemplo, tentando executar um hadouken faz com que disparemos uma arma de fogo, pressionar frente, frente + ataque executa um dash attack, ou baixo, baixo + ataque um uppercut. Existem portanto várias possibilidades de golpes, mas num jogo de acção sidescroller preferia mecânicas de jogo mais próximas às de um beat ‘em up… com um botão próprio para saltar, por exemplo!
Todos os outros lançamentos deste jogo se chamam Full Metal Force ao contrário da versão original de X68000. Aparentemente Forth foi um erro ortográfico, mas a Columbus Circle achou bem prestar homenagem e manter esse nome neste lançamento de Mega Drive
De resto o jogo leva-nos a progredir ao longo de 6 níveis, sendo que cada nível vai ter várias secções que devem ser terminadas dentro de um tempo limite. No final de cada nível esperem sempre por um boss sendo que a excepção a essa regra é o último nível, que é basicamente um boss rush. Apesar de ocasionalmente termos direito a alguns itens que nos regenerem parcialmente a barra de vida, o jogo acaba por ser bastante desafiante, precisamente por esta mistura de jogabilidades entre um sidescroller, beat ‘em up e jogo de luta de 1 contra 1! Os confrontos contra os bosses poderão ser então bastante duros e temos apenas uma vida. Se perdermos, poderemos continuar desde o início do nível, no entanto. Por fim convém mencionar que o jogo possui também um modo versus que pode ser jogado contra o CPU ou contra um amigo.
O jogo é muito de combate corpo a corpo e muitas vezes teremos vários robots para enfrentar em simultâneo
A nível audiovisual este até que é um jogo interessante. É verdade que não há uma grande variedade de cenários, com o jogo a decorrer principalmente em várias áreas urbanas, com o quarto nível a decorrer nas ruínas de uma grande metrópole, já o quinto e sexto níveis decorrem numa gigante base aérea inimiga. Apesar de não ser um jogo incrivelmente bem detalhado graficamente, acaba por cumprir serviços mínimos e apresentar de vez em quando alguns efeitos de parallax scrolling, mas nada de mais. As músicas no entanto são excelentes! A banda sonora faz-me lembrar bastante temas rock dos anos 80 e a Mega Drive como sabemos, nas mãos de quem sabe o que está a fazer, é um sistema exímio em bandas sonoras deste género.
No final de cada nível espera-nos sempre um boss
Portanto este Mad Stalker é um lançamento interessante e de certa forma compreendo o porquê de terem cancelado o seu lançamento inicial na Mega Drive. Para um jogo de 1994 já era algo datado nas suas mecânicas e tendo em conta que a Mega Drive em 1994 estava numa posição muito desfavorável no mercado japonês, a decisão de não o terem lançado talvez tenha sido acertada. Existem no entanto outras versões para além do original X6800. As primeiras conversões foram para o também computador nipónico FM Towns e uma outra para a PC Engine CD também no ano de 1994, com a versão PC Engine a possuir algum conteúdo extra. Mais tarde em 1997 surge um outro lançamento para a Playstation que já me parece practicamente um remake. Um detalhe curioso é que todas essas versões chamam-se Mad Stalker: Full Metal Force pois o Forth é mesmo um erro ortográfico do lançamento original de X68000 e que a Columbus Circle preferiu manter nesta versão.
Vamos voltar à Mega Drive e a um jogo de boxe que sinceramente me baralhou todo. Isto porque confundi este jogo com o James “Buster” Douglas Knockout Boxing que, na sua versão de Mega Drive, é nada mais nada menos que uma conversão do Final Blow, um jogo original arcade da Taito. Este, apesar de ter também o “patrocínio” de um outro boxeur, foi um jogo nativamente desenvolvido para as consolas da Sega através da ACME/Malibu, não sendo portanto um jogo arcade. O meu exemplar foi comprado numa Cex em Dezembro passado por 8€.
Jogo com caixa e manual
Este é um jogo que de certa forma me faz lembrar o The Kick Boxing da PC Engine (que por acaso também teve uma versão MD) no seu conceito. Os modos de jogo são simples: podemos participar em combates “amigáveis” e escolher um de vários lutadores disponíveis, ou então seguir num modo carreira. Aqui começamos por criar um lutador à nossa imagem, podendo optar por diversas caras, cores de pele, cabelo e calções. A nossa personagem começa no ranking 30 e poderemos começar um combate contra alguém nos lugares imediatamente acima do nosso. No fim do combate somos levados para um ecrã de treino onde poderemos escolher 3 de diversos exercícios ou dietas alimentares, que nos melhorarão, de forma distinta, stats como força, defesa, velocidade ou stamina. Se por acaso perdermos o combate, apenas poderemos escolher 2 das opções. Caso percamos 3 combates seguidos temos um game over. A ideia é então a de ir vencendo combates para subir no ranking e assim ir melhorando a nossa personagem para nos permitir combater oponentes cada vez mais fortes. Eventualmente lá subimos o suficiente para conseguir combater o Evander Holyfield, que ocupa a primeira posição do ranking com todos os stats no máximo. Se o vencermos no entanto, o jogo não acaba aí: o próximo objectivo é o de ganhar tanto dinheiro Evander juntou na sua carreira para ganhar o apelido de “greatest“. Mas mesmo aí o jogo não pára! Há um limite no entanto, os lutadores vão ficando mais fracos com a idade e independentemente do nosso percurso, ao fim de 40 combates somos convidados a retirarmo-nos da competição.
No modo carreira o objectivo inicial é o de vencer combates e ir subindo no ranking
A nível de controlos, o botão B defende, o botão A dá socos com a mão esquerda e o C com a direita. Existem no entanto vários outros golpes que exigem a combinação de vários botões como os direccionais ou com o botão B para os uppercuts. O direccional serve para nos movermos para a esquerda ou direita, bem como agachar/levantar. As diagonais servem para nos movimentarmos à volta do nosso oponente. No topo do ecrã, ao centro, temos um diagrama que mostra a posição dos lutadores na arena assim como a da câmara. Já na parte de baixo do ecrã vemos bastantes informações úteis. As barras vermelhas (e pretas) são as barras de vida de cada um dos lutadores e que vão diminuindo à medida que vamos distribuindo pancada. Quanto maior for a nossa stamina, mais rapidamente a barra de energia vermelha se vai enchendo novamente. No entanto, se levarmos mesmo com muito dano a barra preta também diminui e essa representa o máximo de energia que conseguirmos recuperar. Caso chegue a zero, o lutador vai ao chão e se não conseguir recuperar ao fim de 10 segundos vencemos o combate por KO. Ao lado das barras de energia vemos imagens com a cara de cada lutador e o seu torso. Estas representam também a quantidade de dano sofrido na cabeça ou corpo e quantos mais golpes lá atingirmos, mais essas imagens vão perder a cor. Caso cheguem ao limite, o combate é vencido por TKO. Cada round tem 3 minutos e as barras de energia e de dano na cabeça/tronco são ligeiramente recuperadas entre rounds. Também entre rounds a nossa performance é avaliada, o que poderá ser também um critério para desempate caso não haja um KO/TKO.
No final de cada combate temos uma série de exercícios ou dietas alimentares que poderemos escolher para melhorar certos stats. 3 no caso de vitória, 2 no caso de uma derrota.
A nível visual este até que é um jogo bem conseguido nesse campo pois as personagens são bastante grandes, ocupando uma área considerável do ecrã e bem detalhadas. O efeito 3D de nos movimentarmos pela arena também está a meu ver muito bem conseguido e o público também não está mal representado/detalhado. Já no que diz respeito ao som, apenas existem músicas no ecrã título e menus. Estas apesar de não serem desagradáveis, também não são propriamente memoráveis! Já nos combates em si ouvimos apenas o ruído dos socos a serem desferidos, os grunhos de quem leva com eles, barulho do público, a intervenção do àrbitro e alguns clipes de voz digitalizada aqui e ali.
Visualmente o jogo até que está bastante apelativo!
Portanto este jogo do Evander Holyfield apesar de ser bastante interessante no seu detalhe gráfico, é também muito aborrecido na sua jogabilidade, na minha opinião. O facto de ser uma experiência mais de simulação pode fazer com que os combates se extendam por bastante tempo, principalmente quando defrontamos oponentes mais fortes. Ainda assim acredito que a Sega tenha ficado minimamente satisfeita com o resultado pois voltaram a contratar a mesma equipa para produzir uma sequela, o Greatest Heavyweights.