NBA Jam (Sega Mega Drive)

Por um lado, continuando pelas rapidinhas e pelo basquetebol, hoje vamos mudar as agulhas para um tipo de jogo inteiramente diferente. Se séries como NBA 2K ou NBA Live da EA sempre tentaram reproduzir de forma fiel aquela modalidade de desporto, o NBA Jam é precisamente o contrário, até porque o jogo tem as suas origens na arcade. Aqui temos uma jogabilidade frenética de 2 contra 2, onde os jogadores possuem habilidades superhumanas e é um jogo super divertido de se jogar. O meu exemplar foi-me oferecido por um particular no Verão deste ano.

Jogo em caixa

Produzido originalmente pela Midway nas arcades, NBA Jam é uma evolução de um jogo que a própria já tinha anteriormente produzido, o Arch Rivals. A primeira grande diferença, para além dos audiovisuais que falarei mais à frente, é que este é um produto licenciado pela NBA, pelo que as equipas e jogadores são reais, para a época de 93-94. O conceito de jogo, como já referi, são partidas frenéticas de basquetebol de dois contra dois, onde não há faltas, pelo que podemos mandar encontrões nos adversários à vontade, e para além disso os jogadores conseguem fazer afundanços espectaculares, saltando muitos metros acima da superfície. Se conseguirmos encestar três bolas seguidas, ganhamos a habilidade de ficar “on fire”, onde conseguimos fazer afundanços ainda mais espectaculares. O ritmo de jogo é muito acelerado, o que torna a experiência também bastante agradável.

NBA Jam era uma autêntica loucura nos anos 90.

Começar a jogar é muito fácil, basta escolher a equipa que queremos representar e qual dos dois jogadores disponíveis queremos controlar, sendo que cada jogador tem diferentes características de velocidade, defesa, afundanços e pontaria para cestos de 3 pontos. Se preferirmos controlar sempre o jogador que tiver a bola, a versão Mega Drive (e suponho que as outras conversões para consolas também) tem essa opção que pode ser activada. Depois o jogo está repleto de easter eggs como várias personagens desbloqueáveis como o presidente norte-americano Bill Clinton e seu vice-presidente Al Gore, por exemplo. Existem também códigos que nos deixam com stamina infinita para correr de um lado para o outro, ou para ficar sempre “on fire” e por aí fora. Mas nas sequelas chegaram a fazer pequenas loucuras ainda maiores, mas isso seria para um outro artigo.

Ocasionalmente até temos uns pequenos videoclips a tocar.

No que diz respeito aos audiovisuais, é obvio que  a versão original de arcade é bastante superior, pois usa sprites digitalizadas de actores reais, muito parecidos com os atletas que tentam representar no jogo. A versão Mega Drive não tem tanto detalhe mas ainda assim não ficou nada má, com aquelas animações dos “super dunks“, ou os pequenos clips de video que tocam entretanto. As músicas são também bastante agradáveis!

Castle of Illusion (Sega Mega Drive)

Se por um lado a Capcom detinha a licença da Disney para produzir videojogos para consolas da Nintendo, foi a própria Sega que inicialmente deteve a mesma para as suas consolas. E um dos primeiros produtos dessa licença foi precisamente o jogo de plataformas Castle of Illusion, com o Rato Mickey como protagonista principal. Depois do sucesso deste jogo, a Sega acabou também por lançar versões 8bit do mesmo para a Master System e Game Gear que já foram previamente trazidas cá. O meu exemplar da Mega Drive foi-me oferecido por um particular algures durante o meses de Agosto/Setembro.

Jogo com caixa e manual

No que diz respeito à história, esta é idêntica à das versões 8bit: a bruxa Mizrabel rapta a Minnie e para a salvar teremos de explorar as diferentes portas do tal “Castle of Illusion”, que dão acessos a diferentes mundos e em cada mundo teremos de resgatar uma pedra mágica para conseguir enfrentar a bruxa no final do jogo. Cada nível é composto de vários sub-níveis, finalizando sempre no confronto contra o boss do nível.

Este nível da floresta é um autêntico clássico

A nível de jogabilidade, esta é a típica de jogos de plataformas, onde Mickey pode atacar os inimigos de duas formas: ou saltando em cima deles (mas com o rabo), ou atirando-lhes itens que podemos coleccionar ao longo dos níveis. Por exemplo, no primeiro mundo da floresta podemos coleccionar maçãs que podem também servir de arma de arremesso. As versões 8bit possuem algumas diferenças na jogabilidadade, que já foram explicadas nos seus artigos respectivos, mas a maior está mesmo nos itens que encontramos, pois nas versões 8bit temos de abrir baús que podem conter diferentes itens com diferentes usos.

Graficamente é um jogo bem bonito para os padrões de 1990.

No que diz respeito aos audiovisuais, é natural que a versão Mega Drive seja superior em todos os aspectos. Os níveis estão muito bem detalhados, com bom parallax scrolling, e os cenários parecem todos retirados de filmes de fantasia clássicos da Disney, o que é um ponto positivo para mim. A única coisa que mudaria seria talvez a tonalidade dos gráficos que em vários níveis me parece muito escura, mas é um ponto muito menor. No que diz respeito às músicas, estas são também bastante agradáveis.

Portanto, este é um jogo de plataformas muito competente, que deu origem a vários outros jogos de plataformas com personagens da Disney igualmente com óptimos padrões de qualidade. Na altura em que saiu, este Castle of Illusion serviu bem para demonstar as capacidades técnicas da Mega Drive face â sua concorrência, numa época em que o Sonic era ainda uma miragem. É também de ressalvar que recentemente, embora já lá vão uns 5 anos, a Sega lançou um remake completo a este jogo, algo que eu quero experimentar muito em breve.

 

Mortal Kombat 3 (Sega Mega Drive)

Continuando pelas super rapidinhas que o meu tempo livre infelizmente anda escasso, o jogo que cá trago hoje é a adaptação do Mortal Kombat 3 para a Mega Drive. O artigo vai ser curto visto que já escrevi sobre a conversão para MS-DOS (que é tecnicamente superior em todos os aspectos) ou do follow-up Ultimate Mortal Kombat 3, pelo que recomendo uma leitura desses artigos para mais detalhes. O meu exemplar foi comprado por fases. Por um lado comprei a caixa numa feira de velharias, depois lá me apareceu o cartucho também. Ao todo isto ficou-me por menos de 7€.

Jogo com caixa e manual

O que diferencia a versão Mega Drive pela positiva é, uma vez mais, o suporte a comandos de 6 botões que num jogo como este faz toda a diferença. Pela negativa temos a parte audiovisual, os cenários e sprites não são tão coloridos e detalhados quanto a versão arcade (ou mesmo a versão SNES!), e as músicas e efeitos sonoros também não têm a mesma qualidade. Mas não deixa de ser uma conversão bem competente dado às limitações de hardware da velhinha Mega Drive.

Temos muitas caras novas, mas também muitas caras conhecidas que desapareceram, como os ninjas.

Nos anos 90,as melhores versões deste jogo eram mesmo as do PC, seja a versão DOS ou Windows. A versão Playstation também anda lá perto, perdendo apenas no facto de ter loadings excessivos, mesmo a meio dos combates. Ainda assim, com todas as suas limitações, a versão Mega Drive continua a ser bastante divertida e competente, embora eu prefira a encarnação Ultimate Mortal Kombat 3, pelo maior número de personagens disponíveis,

Ex-Mutants (Sega Mega Drive)

Voltando às rapidinhas, o jogo que cá trago agora é mais um jogo de acção para a Mega Drive, o Ex-Mutants. É um jogo baseado numa comic que sinceramente não conhecia, mas que é uma espécie de antítese dos X-Men, pois também está relacionada com mutantes, mas não da mesma forma. O meu exemplar foi-me oferecido por um particular algures em Junho passado. É um cartucho apenas, mas dá para jogar e assim que possível tento trocar por uma versão mais completa. Edit: Recentemente fiz uma troca com um amigo meu que consegui ficar com o jogo completo.

Jogo com caixa e manual

Ora tal como referi acima, este jogo é uma espécie de X-Men mas ao contrário. O mesmo decorre num futuro pós apocalíptico, onde após tanta exposição nuclear da guerra, todos os humanos sobreviventes acabaram por se transformar em mutantes. O Professor Xavier lá do sítio (aqui com o nome de Kildare) é um cyborg programado para devolver a humanidade aos mutantes, onde recruta 6 mutantes para a sua equipa de super heróis e retorna-os a humanos perfeitamente normais, daí o nome Ex-Mutants. Confesso que é um conceito um pouco estranho, mas original. O maior vilão lá do sítio é uma lesma gigante chamada Sluggo que rapta quase todos os Ex-Mutants. Quase todos, execpto Shannon e Ackroyd, que são os heróis que podemos escolher para começar a aventura. Ao longo do jogo vamos atravessando várias áreas urbanas em ruínas, repletas de mutantes e outras armadilhas, salvar os nossos amigos e ir derrotando os minions de Sluggo pelo caminho.

Cada personagem possui as suas vantagens e desvantagens

A jogabilidade é simples, com um botão para saltar e outros dois para atacar. Cada personagem possui a sua própria arma, Ackroyd tem um machado com curto alcance, ataques lentos, porém começa com mais vida. Já Shannon possui uma nunchaku como arma principal, que por sua vez tem um alcance maior que o machado, é mais ágil mas mais fraca. Depois ao longo do jogo vamos poder apanhar vários power ups, desde as tais armas secundárias que geralmente são vários tipos diferentes de explosivos, a outras armas brancas que são lançadas como projécteis automaticamente, de cada vez que ataquemos com o botão normal de ataque. Tanto os power ups de um género como do outro possuem munições limitadas, mas felizmente não faltam power ups para apanhar. Mas o que também não faltam são inimigos, obstáculos e armadilhas, pelo que devemos jogar com alguma cautela e planear os nossos movimentos com algum cuidado.

Ao longo do jogo temos muitos obstáculos pela frente, desde plataformas que desaparecem, lâminas por tudo quanto é lado e até bolas de fogo pelo ar.

No que diz respeito aos audiovisuais, sinceramente até gosto dos cenários, todos eles partes da cidade em ruínas, mas também todos com algumas diferenças entre si, desde os esgotos, o sistema de metro, ou zonas mais urbanas. Também gostei dos pequenos diálogos entre cada nível. Por outro lado acho que as sprites poderiam ser um pouco maiores e melhor detalhadas e a música sinceramente não achei nada de especial. Temos também algumas vozes digitalizadas mas a qualidade das mesmas não é a mais nítida, ainda assim dá para entreter.

Portanto este é um jogo de acção/plataformas até que bastante interessante, principalmente para quem for fã de X-Men e quiser jogar algo numa realidade alternativa onde mutantes são normais, já humanos são uma raridade e ostracizados.

Pirates of Dark Water (Sega Mega Drive)

O jogo que cá trago hoje é um daqueles que não se costuma encontrar muito facilmente (pelo menos a um bom preço) para a Mega Drive. É certo que jogos com o selo da Sunsoft nesta era dos 8 e 16bit tipicamente era sinónimo de qualidade, e talvez por isso os jogos da Sunsoft na Mega Drive (que não são assim tantos quanto isso) tenham uma procura acima do normal. O meu exemplar foi comprado algures em Janeiro de 2016, na feira da Vandoma. É apenas o cartucho, para já, e na altura custou-me 8€.

Apenas cartucho

Mas afinal o que é este Pirates of the Dark Water? Basicamente é um jogo de acção/plataformas desenvolvido pela Iguana Entertainment (estúdio que viria mais tarde a ficar famoso pela série NBA Jam) que é baseado numa série de animação da Hannah-Barbera do mesmo nome. Sinceramente não me recordo se esta série alguma vez passou na TV portuguesa durante os anos 90, mas basicamente conta a história do príncipe Ren e seus companheiros, habitantes do mundo fantasioso de Mer, que estava a ser consumido por uma substância maligna apelidada de Dark Water. Para salvar o planeta, teríamos de ir encontrar 13 tesouros mágicos e a série anda toda à volta disto, tal como o jogo.

O mapa diferentes níveis que vamos explorar. No centro temos a tal Dark Water que está a consumir o mundo e que é naturalmente o nosso destino final.

A Sunsoft publicou duas versões inteiramente diferentes para a SNES e Mega Drive. A versão SNES é um beat ‘em up como o Golden Axe, já esta versão Mega Drive é um jogo de acção/plataformas mais tradicional. Antes de cada nível temos a possibilidade de escolher qual a personagem com a qual queremos jogar, sendo que cada personagem possui diferentes habilidades. Basicamente todas elas possuem uma arma branca para o combate próximo, embora o tamanho das lâminas (e consequentemente o seu alcance) varie de personagem para personagem, e têm também um ataque especial de longo alcance que exige munições (que podem ser encontradas ao longo dos níveis) para serem usados. O príncipe atira facas, a rapariga “ecomancer” usa ataques mágicos e o brutamontes atira lanças.

Graficamente os níveis possuem muito detalhe e são bem coloridos.

Para além disso podemos apanhar outros itens ou power ups como comida que nos restabelece a barra de energia, corações que extendem a nossa barra de vida até um nível máximo, moedas que podem ser usadas para obter informações de NPCs, chaves para abrir portas, frutas ou várias poções mágicas que vão sendo armazenadas no nosso inventário. As frutas podem ser usadas com o Niddler, o pássaro-macaco que nos auxilia na aventura, por um lado para nos dar informação acerca do nível em que estamos, ou levar a personagem escolhida num nível de volta para o barco, de forma a que possamos trocar de personagens on the fly. As poções que apanhamos podem ser usadas para nos dar invencibilidade temporária, saltar mais alto, deixar os inimigos temporariamente paralisados, entre outros.

Infelizmente temos aqui alguns problemas na jogabilidade que tornam o jogo algo irritante em certas alturas. Por um lado os inimigos fazem respawn, basta movermo-nos um pouco no ecrã que se voltarmos onde estávamos antes eles voltam a aparecer. Depois por vezes o jogo coloca-nos em situações ingratas, onde teremos algum platforming sensível para fazer e a colocação de certos inimigos pode-nos atrapalhar bastante! Até porque, como é habitual em muitos jogos do género, sempre que somos atingidos saltamos um pouco para trás, o que nos pode trazer problemas se estamos a saltar entre plataformas frágeis ou escalar escadas e afins.

Sim, para além de usar as armas brancas, também podemos dar pontapés.

A nível de audiovisuais, este é um jogo que me deixa com alguns sentimentos mistos. Por um lado graficamente está muito bom, se bem que as personagens poderiam ter um pouco mais de detalhe, no entanto os níveis em si estão muito bem detalhados, são bastante coloridos e ocasionalmente lá têm uns efeitos gráficos interessantes, como a trovoada unm dos níveis nocturnos, ou as transparências deixadas pelos holofotes de uma cidade. Por outro lado acho um pouco desnecessária a forma como implementaram os diálogos. Basicamente sempre que alguém tem alguma coisa para nos dizer aparece um ecrã com uma grande parede de texto para ler, muitas vezes com mais que uma página. Poderiam ter feito as coisas de uma forma mais dinâmica, com balões de diálogo, por exemplo, sempre dava um outro aspecto mais agradável ao jogo. Já as músicas sinceramente não achei lá grande coisa. É certo que este foi um jogo apenas publicado pela Sunsoft, não desenvolvido por eles, mas o rótulo da Sunsoft costumava ser sinónimo de boas músicas.

Pena que os diálogos não sejam todos mostrados desta forma, como na introdução.

Portanto este Pirates of Dark Water é um jogo que até tem algumas boas ideias, mas a jogabilidade precisava de ser um pouco mais aprimorada. Fiquei no entanto com mais curiosidade com o beat ‘em up para a SNES, pois esse já foi desenvolvido pela própria Sunsoft. A ver se chega cá um dia destes!