Ariel the Little Mermaid (Sega Mega Drive)

Continuando pelas rapidinhas e na Mega Drive, temos cá hoje mais um videojogo baseado nos filmes da Disney. Mais uma vez por um lado temos a Capcom, que produziu um videojogo da Little Mermaid para a NES e Gameboy, já por outro lado nas consolas da Sega foi a própria empresa nipónica que subcontratou a Blue Sky software para que desenvolvesse um videojogo para as suas consolas. Portanto uma vez mais temos videojogos completamente distintos para diferentes plataformas, tal como aconteceu mais tarde com o Aladdin. O meu exemplar foi-me oferecido por um particular algures no Verão deste ano.

Jogo com caixa, versão norte-americana

No entanto, a história deste jogo não segue os eventos do filme. Muito resumidamente a Ursula, rainha do Mal e vilã do filme, transformou todos os “sereios” e sereias em meras minhocas. Podemos jogar com Ariel ou com o seu pai, o Rei Tritão. Dependendo da personagem que escolhermos, teremos também de salvar a outra personagem de Ursula.

Podemos jogar com Ariel ou com o seu pai, o Rei Tritão

No fim de contas, podemos ver este jogo como uma espécie de Ecco the Dolphin (mas infelizmente com muito pior qualidade). Então vamos percorrer diversos níveis no oceano, onde teremos de localizar todas as minhocas, libertá-las da sua maldição ao tocar nelas ou acertando-lhes com a nossa arma, que por sua vez são bolas de fogo se jogarmos com o rei Tritão ou notas musicais se jogarmos antes com a Ariel. Os níveis vão sendo cada vez mais complexos e labirínticos, com inimigos cada vez mais poderosos. Para além dos ataques normais, temos também uns ataques mais poderosos, porém esses já usam algumas “munições”.

Ao pausar, temos acesso a um mapa do nível em questão onde vemos onde estão as outras sereias que temos de salvar

Ao carregar no botão Start, para além de pausarmos o jogo vemos também um mapa do nível onde, dependendo do nível de dificuldade escolhido vemos a posição actual onde estamos, onde estão as outras sereias que temos de salvar e a saída do nível. Para além disso poderemos encontrar chaves que abrem baús com itens que nos regeneram a vida e tesouros que servem de unidade monetária no jogo. Isto porque podemos também encontrar algumas “lojas” onde poderemos comprar munições para os ataques especiais, regenerar a nossa vida, comprar vidas extras ou a ajuda dos nossos amigos: o caranguejo chato, o peixe amarelo e outro que sinceramente não me recordo sequer de o ver no filme. Basicamente a qualquer momento no jogo podemos chamar a ajuda desses amigos: o caranguejo afasta momentaneamente os inimigos, o peixe consegue empurrar algumas rochas e abrir novos caminhos, já o outro peixe consegue desenterrar tesouros. No fim de cada nível temos um boss para defrontar, como é habitual.

Ocasonalmente podemos visitar uma loja e comprar alguns mantimentos.

A nível audiovisual, este jogo não é nada do outro mundo. Graficamente creio que os níveis e inimigos poderiam estar melhor detalhados, mas também já vi jogos muito piores na Mega Drive. Mas é no som que este jogo para mim falha mais: a música do primeiro nível é horrível, pois há ali um instrumento que literalmente só faz barulho e nada tem a ver com o resto da música. Felizmente nos níveis seguintess a música lá acaba por melhorar. Já os efeitos sonoros também são algo irritantes, principalmente o ataque normal da Ariel ou o som que ouvimos cada vez que sofremos dano.

Portanto, este jogo da Disney sinceramente não me encheu as medidas. Felizmente que o jogo produzido pela Capcom para a NES e Gameboy é um pouco melhor, pelo que se realmente forem fãs desta franchise acabo antes por recomedar esse.

Aero the Acro-Bat (Sega Mega Drive)

Já há muito que a Sega tentava arranjar uma mascote para rivalizar com Mario e quando Sonic se revelou no sucesso que foi, declarou-se aberta a “corrida às mascotes”, pois todas as empresas de videojogos queriam o mesmo lugar na spotlight. Inúmeras foram as tentativas e o braço americano da Sunsoft, através da Iguana Entertainment, também tentou a sua sorte com este Aero The Acro-Bat. E na verdade até que fizeram um jogo de plataformas bem sólido! O meu exemplar foi comprado a um particular algures no verão deste ano. Custou-me uns 12€ se bem me recordo.

Jogo com caixa

O protagonista principal é o Aero, um morcego acrobata num circo qualquer. Por algum motivo o circo é invandido por um gangue de palhaços bandidos, liderados pelo Edar Ektor e um ex-colega de Aero, o esquilo Zero, que pelos vistos tem ciúmes do morcego por ter mais popularidade que ele alguma vez teve no circo. Começamos o jogo então no próprio circo, onde o iremos explorar exaustivamente, bem como o parque de diversões anexo, a floresta ou umas dungeons mais sinistras e que funcionam como base dos vilões.

Graficamente este até que é um jogo muito bem conseguido, com boas cores e detalhe nos cenários.

Para além da temática do circo que não é algo muito comum nos videojogos a jogabilidade deste Aero the Acro-Bat até que é bastante interessante. O jogo está dividido em 4 zonas diferentes, cada uma com pelo menos 5 níveis bem grandinhos e um boss por zona. Em cada nível podemos ter diferentes objectivos, como encontrar uma série de plataformas especiais espalhadas no nível, atravessar um certo número de arcos no ecrã, sobreviver a um percurso de montanha russa ou simplesmente explorar o nível até encontrar a saída. Indepentemente do objectivo que temos de cumprir para avançar de nível, vamos tendo vários objectos circenses ou festivos para interagir: podemos ser disparados de canhões, onde geralmente até temos de atravessar alguns anéis, saltar em trampolins, ou trapézios para mergulhar para uma piscina longínqua, andar de monociclo, etc.

Vamos perder muitas vidas ao tocar em espinhos!

Fora isso a jogabilidade é relativamente simples, com um botão para saltar, outro para atacar, ao disparar umas estrelas que servem de shurikens mas que aparecem em número muito reduzido e por fim outro botão para fazer com que Aero bata as asas e consiga levitar por alguns segundos. Como atirar estrelas não é lá muito viável pois quase nunca temos munições, o método principal de ataque do Aero consiste em ele rodopiar sobre si mesmo e projectar-se contra os inimigos, rodopiando em espiral como uma broca para furar paredes. Para isso temos de saltar e, enquanto estivermos no ar, devemos pressionar o botão de salto novamente em simultâneo com uma diagonal. Isto porque este ataque apenas funciona em diagonais, o que na verdade também acaba por ser uma mecânica chave para usar em alguns momentos mais exigentes no platforming. Isto porque, à medida que vamos avançando no jogo, vamos tendo cada vez mais obstáculos como plataformas ou superfícies com espinhos e que nos fazem logo perder uma vida se lhes tocarmos, mesmo que tenhamos a nossa barra de vida cheia.

A temática do circo não é uma coisa que se veja todos os dias.

Por outro lado também vamos tendo uma série de itens que podemos apanhar e obter usos diferentes. Os itens de comida apenas servem para nos aumentar a pontuação, as estrelas servem para atirar como shurikens, embora apareçam em muito poucos números. Os páraquedas julgo que não necessito de explicar para que servem e as asas deixam-nos voar livremente por alguns segundos. Os itens em forma de A servem para restabelecer ou extender a nossa barra de vida e podemos também encontrar vidas extra ou relógios que nos dão tempo adicional para terminar o nível em questão.

No entanto, tirando a questão das estrelas/shurikens em número muito reduzido e que já referi várias vezes, o jogo possui mais alguns pequenos problemas. Um deles é o facto que Aero ganha bastante velocidade como o Sonic. A diferença é que aqui a câmara não mantém o Aero no centro do ecrã, o que geralmente nos dá muito pouco tempo para nos desviarmos de obstáculos. Ou seja, temos de ter alguma paciência e evitar a velocidade pura, até porque como também já referi, qualquer toque em superfícies que contenham espinhos dá direito a uma vida perdida, pelo que temos de ter algum cuidado com os saltos que fazemos. E sim, também temos de ter cuidado com as diagonais que escolhemos para o duplo salto/ataque em rodopio, que também nos podem atraiçoar por vezes.

No final de cada nível a nossa performance é avaliada. Se apanharmos todos os itens e derrotarmos todos os inimigos ganhamos uma vida extra no final.

De resto, a nível audiovisual sinceramente até que gostei deste jogo. Os cenários são bastante coloridos e detalhados, principalmente nas animações do próprio Aero. As músicas são também agradáveis e variadas, tendo tanto temas com melodias tipicamente circenses, como outras músicas mais rock ou electrónica.

Portanto este Aero the Acro-Bat não é um jogo perfeito, está longe disso, mas até que teve um sucesso considerável pelo que no ano seguinte não uma, mas duas sequelas acabaram por ser produzidas. Pena que andem tão caras! De resto, este mesmo jogo foi também lançado para a SNES que pelo que me informei, é em tudo idêntico a esta versão, excepto nos níveis de bónus que foram modificados para usarem o efeito gráfico Mode 7. Para além disso, anos mais tarde foi lançada uma conversão para a Gameboy Advance, que seria até o ponto de partida para os outros dois jogos da série serem também convertidos, o que infelizmente não aconteceu.

Kid Chameleon (Sega Mega Drive)

No artigo de hoje, vamos voltar para a Mega Drive e a abordar uma obra da Sega Technical Institute. Este foi um estúdio de videojogos americano que trabalhou em vários jogos da Mega Drive tal como Sonic 2, Greendog, Sonic Spinball ou Comix Zone. Mas um dos seus primeiros trabalhos foi mesmo este Kid Chameleon, um interessantíssimo jogo de plataformas que possui uma jogabilidade desafiante e bem variada. O meu exemplar foi-me oferecido por um particular algures no Verão deste ano.

Jogo com caixa

A premissa deste jogo é muito simples: algures na cidade estreia uma arcade muito particular, com imersão total do jogador em realidade virtual. No entanto o boss do jogo consegue libertar-se das suas restrições de inteligência artificial e aprisisona todas as crianças que não conseguem chegar ao fim do jogo, ou seja, todas até à data. Mas claro, temos o miúdo mais cool e destemido da rua para resolver a situação e lá vamos explorar os mais variados mundos virtuais deste jogo!

O objectivo de cada nível é o de chegar em segurança à sua saída.

Exceptuando os níveis onde temos de defrontar os bosses, em todos os outros o objectivo é sobreviver até encontrarmos uma bandeira que sinalize a saída do nível em questão. Para isso o herói terá de ultrapassar imensos obstáculos e inimigos, mas felizmente temos alguns powerups para ajudar, que podem ser obtidos ao partir alguns blocos, tal como no Mario. Ora estes itens podem ser diamantes cujos podem ser coleccionados até um número de 99 e funcionam como uma espécie de unidade monetária para usar algumas habilidades, crucifixos que representam vidas extra, ou máscaras que nos permitem transformar e ganhar super poderes.

É aqui que o jogo ganha piada. À medida em que vamos avançando na aventura vamos descobrindo cada vez mais destas máscaras, que nos podem transformar em criaturas como um cavaleiro que possui mais pontos de vida, a habilidade de escalar paredes ou furar blocos de cima para baixo. Ou então transformamo-nos numa espécie de Jason do Sexta-Feira 13, que pode atirar machados para os inimigos. Ou um samurai capaz de saltar bem alto e atacar com uma espada. Ou uma mosca pequena e capaz de fazer wall-jumping. Ou um super-herói capaz de voar como um tornado… As hipóteses são várias e o design dos niveis, especialmente naqueles níveis mais avançados, é feito de forma a nos obrigar a usar estas diferentes habilidades de forma exímia. Os diamantes que referi acima servem para activar outras habilidades especiais, que são uma vez mais diferentes de máscara para máscara. Por exemplo, se tivermos transformados em mosca, usar os diamantes faz com que os mesmos actuem como uma espécie de mísseis teleguiados, cada vez que passemos perto de alguns inimigos. Por outro lado se estivermos transformados no Jason, os diamantes servem de escudo, protegendo-nos contra dano causado pelos inimigos. Outras máscaras, como o Juggernaut, um tanque que dispara caveiras, usa os diamantes que apanamos como custo para disparar esses projécteis.

O boss do jogo é um tal de Heady Metal

Para além disso, o jogo possui um número considerável de níveis, sendo uns 102 no total, embora nunca os conseguimos jogar todos numa única playthrough. Isto porque em alguns níveis podemos encontrar uns teleportes que nos podem teleportar para locais diferentes do mesmo nível, ou para níveis completamente diferentes, incluindo níveis que não entrariam numa playthrough normal sem recurso a teleportes. Portanto há aqui muito para descobrir, embora não exista qualquer mecanismo de save, pelo que teremos de terminar o jogo de uma assentada só.

A nível audiovisual, sinceramente no início não achava o jogo nada de especial mas aprendi a gostar. Isto porque as sprites são pequenas, tanto as do Kid, como as dos inimigos que enfrentamos. Ainda assim, acho o jogo competente a nível gráfico e tem um feeling que me faz lembrar o Super Meat Boy, embora não tenha tanto gore. Os níveis são bastante diversificados entre si, com cenários em florestas, fortalezas, cavernas, templos antigos ou outras ruínas. As músicas não são nada do outro mundo mas cumprem também o seu papel.

Graficamente até que é um jogo detalhado, mas poderia ter sprites maiores.

Portanto, este Kid Chameleon até que é um jogo de plataformas bem competente na Mega Drive. Teria a ganhar se houvesse alguma maneira de gravar o progresso no jogo, mas as diferentes habilidades que podemos adquirir dão-lhe uma grande variedade no gameplay, tornando-o um jogo de plataformas muito completo nesse aspecto.

Taz-Mania (Sega Mega Drive)

Voltando às rapidinhas, o jogo que cá vos trago hoje é mais um derivado dos Looney Tunes da Warner Bros. Uma das personagens mais características dessa série era sem dúvida o Taz, o demónio da Tasmania que algures nos anos 90 teve direito a uma série de animação televisiva só para as suas aventuras tresloucadas. Isso teve repercursão nos videojogos, com a Sega a adquirir a licença para produzir videojogos da série nas suas consolas, e por outro lado a Sunsoft fez o mesmo para as consolas da Nintendo. Este exemplar que vos trago hoje foi naturalmente produzido pela Sega e comprei-o algures em Agosto/Setembro deste ano numa das minhas idas à feira da Vandoma no Porto. Creio que me custou à volta de 7€.

Jogo com caixa e manuais

Tal como nos desenhos animados, a história é parva. Então, o pai do Taz (sim, na série de animação havia toda uma família) conta a lenda que antigamente uma raça de pássaros gigantes que, naturalmente, punham ovos também tamanho família. Aparentemente, perdido algures no meio da ilha da Tasmania haveria ainda um vale perdido onde esses pássaros existem. O faminto Taz ficou logo todo entusiasmado com a perspectiva de comer os ovos gigantes e sai disparado da sua casa.

Ocasionalmente lá temos alguns bosses para defrontar

Este é um jogo de plataformas com mecânicas de jogo relativamente simples. Os três botões faciais da Mega Drive servem para saltar, transformar o Taz num furacão, ou comer objectos. Quando estamos na forma furacão conseguimos destruir a maioria dos inimigos, bem como andar muito mais rápido e saltar bem mais longe, mas também podemos destruir objectos, o que pode ser bom ou mau. Isto porque os objectos que encontramos podem ser alguns power-ups que nos regeneram a vida, outros que nos dão vidas extra, invencibilidade temporária ou malaguetas que, quando as comemos,  deixam o Taz a temporariamente deitar fogo pela boca, o que lhe permite derrotar alguns inimigos mais fortes. Outros objectos como bombas, não convém ser comidos caso contrário perdemos um pouco da nossa barra de vida. Ah, o Taz também pode simplesmente comer alguns dos inimigos menores em vez de os atacar directamente. Ou saltar em cima deles, Mario style, embora uma vez mais não resulte para todos.

Podemos rodopiar para atacar mas também para conseguir saltar mais longe

No que diz respeito ao jogo em si, este é um platformer, como muitos os que foram desenvolvidos ao longo da década de 90, onde simplesmente teremos de encontrar a saída do nível, encontrando pelo meio vários obstáculos e inimigos. Os níveis vão sendo variados entre si, com o primeiro conjunto a decorrer numa espécie de deserto cheio de montanhas e desfiladeiros tipo o Grand Canyon, enquanto que o segundo conjunto já tem uma temática mais industrial com várias máquinas a servirem de obstáculos e são introduzidos alguns elementos de puzzle, pois teremos de procurar alavancas e abrir portas. Temos também níveis a decorrerem nas montanhas geladas com piso escorregadio, outros em selvas, cavernas ou ruínas antigas. Claro que ocasionalmente temos também alguns bosses para defrontar. Pessoalmente acho o design dos primeiros níveis aborrecido, mas depois as coisas acabam por melhorar um pouco, se bem que há ali alguns níveis (minecart!) que nos testam a paciência!

No que diz respeito ao grafismo, mais uma vez digo que achei os primeiros níveis desinspirados. Mas depois as coisas melhoram, temos níveis muito bem detalhados e no geral as animações do Taz estão boas. Mas o que achei mais interessante foi mesmo a banda sonora. Não por me agradar por aí além, mas achei-a curiosa. Isto porque a mesma é muito, muito jazzy, o que não estava nada à espera num jogo do Taz. Depois para cada salto que o Taz dê, ouvimos uma nota musical diferente, o que é um detalhe interessante, apesa de nem sempre soar de acordo com a música.

Este nível foi só um bocadinho frustrante!

Portanto este é mais um jogo de plataformas. Se forem fãs do Taz, recomendo que lhe dêm uma oportunidade, mas para mim, apesar de não ser um jogo mau de todo, estava à espera que fosse um pouco melhor. Também temos versões deste jogo para a Master System e Game Gear e, pelo que vi, são completamente diferentes entre si e sinceramente parecem-me bem piores, mas sinceramente ainda não as joguei. As versões SNES e Gameboy, produzidas pelo braço americano da Sunsoft são também jogos completamente diferentes, o que para um coleccionador acaba por ser muito interessante. Pode ser que no futuro  traga cá uma dessas versões. Para a Mega Drive tivemos depois o Taz in Escape From Mars (sim, eu sei que há versões 8bit disponíveis também), e pelo que me lembro de quando era mais novo, foi um jogo que me agradou mais.

Jurassic Park: Rampage Edition (Sega Mega Drive)

Indo agora para a Mega Drive, vamos voltar para esse grande marco do cinema que foi o Jurassic Park. Naturalmente que, após um filme com tanto sucesso, iriam fazer adaptações para o mundo dos videojogos. E se por um lado era a Ocean Software que detinha os direitos do filme para videojogos em consolas da Nintendo e computadores (resultando num jogo para PC e sistemas Commodore Amiga), para as arcades e consolas da Sega foi a própria que ficou com esses mesmos direitos. Na Mega Drive o desenvolvimento do Jurassic Park passou para a Blue Sky Software, que nos presenteou com um primeiro jogo e este Rampage Edition, sua sequela directa. O meu exemplar foi-me oferecido por um particular algures no verão deste ano.

Jogo com caixa

Tal como referi acima, o jogo é uma sequela directa do anterior, onde mais uma vez poderemos controlar o Dr. Grant ou um Velociraptor. O primeiro regressa à Isla Nublar para impedir que forças armadas da Ingen levem ovos de dinossauro e outros artefactos de ADN, enquanto que o Raptor uma vez mais luta meramente pela sua sobrevivência, procurando um lugar seguro para escapar da ilha e nidificar em paz.

As primeiras três missões podem ser jogadas em qualquer ordem.

A jogabilidade acaba então também por ser algo similar ao anterior, pelo menos no conceito. Dr. Grant está equipado de uma arma com tranquilizantes com munição infinita, mas podemos também encontrar outras armas e munições para usar, tais como shotguns, metralhadoras, granadas ou uma arma eléctrica capaz de literalmente desfazer os inimigos em cinza (o que também é um efeito gráfico muito bem conseguido). Para além disso poderemos encontrar vários itens como medkits ou comida que nos regeneram a barra de energia. E bem que precisamos deles pois há inimigos a surgirem de todos os lados e os níveis em si são bastante grandes e repletos de perigos. Podemos também encontrar outros itens como ovos de dinossauros e artefactos com ADN que servem para nos aumentar a pontuação. Nalguns níveis podemos também interagir com alguns dinossauros, por exemplo no Aviário podemos ser “apanhados” por um pterodáctilo que nos dá boleia até ao topo do nível, para o seu ninho. No nível da savana podemos andar às costas de um outro dinossauro bastante veloz, o que nos dá uma grande ajuda, entre outros exemplos.

Mais uma vez podemos jogar com um Velociraptor que possui as suas vantagens mas também é mais vulnerável aos ataques de armas de fogo.

Por outro lado, jogando com o Velociraptor não podemos usar armas, temos de usar as nossas mandíbulas, garras e a cauda para atacar os inimigos, sejam humanos ou outros dinossauros. Podemos encontrar os mesmos power ups que nos regeneram a vida, bem como caixas com Lysine que, quando tivermos coleccionado um número suficiente, o dinossauro recebe uma dose de adrenalina que o deixa temporariamente invencível. Para além disso, o raptor é muito mais ágil, podendo saltar mais alto e ainda por cima fazer um duplo salto, compensando a falta de algumas habilidades do Dr. Grant (que pode subir ou descer linhas de slide, com um aparelho qualquer que tem para isso).

Se optarmos por jogar com o Dr. Grant, podemos aproveitar a ajuda de alguns dinossauros inofensivos.

Portanto, a nível de jogabilidade, ainda não é um jogo perfeito, mas acaba por ser superior ao seu predecessor em muitos aspectos. Os níveis são grandes e algo labirínticos, onde por vezes lá encontramos uns checkpoints que se transformam em setas indicando-nos a direcção por onde nos devemos guiar, algo especialmente útil no nível das ruínas antigas. No entanto, isso não desculpa o facto que o level design poderia ser melhor. Para além disso, tal como já referi, temos inimigos humanos e dinossauros a surgirem de todo o lado, e que por vezes até se podem “camuflar” bem nos níveis, visto que muitos partilham tons de cor semelhantes aos dos níveis em si. Outro exemplo flagrante de mau level design é o do nível em que descemos uma série de rápidos num barco, é impossível não sofrermos dano, tal é a nossa falsa liberdade de movimentos face a todos os ataques que estamos a sofrer.

Os screenshots não lhe fazem justiça, mas esta é uma das cenas tecnicamente mais impressionantes da Mega Drive

A nível técnico sinceramente achei um jogo cheio de detalhes muito interessantes. Primeiro o já referido efeito gráfico dos inimigos a desvanecerem se forem atingidos com a arma eléctrica, que é ainda mais impressionante se for um dinossauro alvejado. A sprite do Velociraptor está muito bem conseguida e com animações bastante fluídas e os níveis, que apesar de usarem de uma paleta de cores reduzida fruto das limitações da Mega Drive possuem também bastante detalhe gráfico e com alguns pormenores deliciosos. Achei piada à flexibilidade das pontes no aviário, ao efeito de parallax scrolling na savana, o efeito da água a inundar o barco no nível das docas e claro, os efeitos de água da cascata quando estamos a lutar contra o T-Rex no último nível são para mim os melhores efeitos de água da Mega Drive e os screenshots não lhe fazem justiça! No que diz respeito á música, bom, essa é um gosto adquirido. Sinceramente gostei bastante das melodias de baixo, que são sempre tensas, o que contribui de forma muito positivia para o clima austero que o jogo nos tenta presentear.