Gunship (Sega Mega Drive)

Gunship é um simulador militar, mais precisamente do helicóptero norte americano AH-64 Apache (Desert Strike ftw!) desenvolvido pela Microprose ainda durante a década de 80 e lançado para uma série de sistemas, principalmente computadores. A Mega Drive possui uns quantos simuladores militares no seu catálogo mas a U.S. Gold, ao publicar uma versão deste jogo para a consola da Sega, decidiu transformar esta versão do Gunship num título mais de acção pura. Mas infelizmente o resultado não foi de todo o melhor. O meu exemplar foi comprado por 5€ a um amigo, algures no passado mês de Abril.

Jogo com caixa e manual

Ao longo do jogo iremos enfrentar exércitos inimigos ao longo de quatro teatros de guerra distintos: no médio oriente, ásia, américa do sul e Antárctica. Em cada campanha, mediante o nível de dificuldade seleccionado, teremos entre 3 a 6 missões para completar, que consistem tipicamente em destruir alvos terrestres ou aéreos, resgatar soldados ou escoltar caravanas militares. Antes de começar cada missão, somos presenteados com um mapa da área de jogo que iremos explorar e poderemos começar por definir uma rota. A nossa base e o objectivo de cada missão estão representados no mapa, bem como também postos de abastecimento de combustível ou munições, entre outros locais repletos de inimigos. Uma vez definida uma rota, somos levados para uma perspectiva de primeira pessoa no cockpit do helicóptero, onde iremos navegar em linha recta perante os checkpoints na rota que definimos anteriormente.

O jogo possui um modo de treino onde poderemos practicar diferentes tipos de objectivos

Durante esta viagem, podemos usar a metralhadora, que possui balas infinitas, bem como alguns mísseis que devemos apenas dispará-los assim que os alvos estiverem trancados no ecrã. Uma vez chegado a algum checkpoint previamente definido de abastecimento, teremos de aterrar o helicóptero para ser reabastecido, bem como a sua armadura reparada. Já assim que chegarmos ao nosso objectivo final, o jogo alterna para uma perspectiva 2D sidescroller (fazendo lembrar o Choplifter!), onde teremos de ir enfrentando dezenas de inimigos a surgirem de todos os lados, localizar o objectivo e cumpri-lo, seja ao destruir bases inimigas, resgatar soldados, ou escoltar caravanas militares. Nesta fase, tal como num shmup, poderemos também encontrar imensos power ups, desde diferentes tipos de mísseis ou bombas, escudos, itens que nos regeneram a armadura ou combustível, entre outros como o rapid fire. Aqui o botão A serve para disparar a metralhadora que continua com munições infinitas, o botão B é usado para disparar os mísseis e o C para alternar por entre os vários tipos de mísseis ou bombas que vamos coleccionando. São níveis por norma bastante caóticos, especialmente no hard, com dezenas de inimigos e mísseis a surgirem por todos os lados, quer pelo ar, quer na terra, pelo que teremos de jogar com alguma precaução e aproveitar todos os power ups que vamos encontrando.

Antes de cada missão teremos de planear a rota tendo em conta o combustível que temos

Já no que diz respeito aos audiovisuais, o jogo até que possui uma boa apresentação, com pequenas cutscenes entre cada missão e um briefing onde nos são mostrados os objectivos e que inimigos iremos encontrar. Por outro lado, a perspectiva da primeira pessoa não é nada de especial, onde practicamente a única coisa que muda de missão para missão é mesmo a cor do solo e do céu, já que teremos missões em diferentes alturas do dia. Quando o jogo assume uma perspectiva 2D sidescroller, que mais uma vez digo que me faz mesmo lembrar o Choplifter, os cenários também mudam um pouco consoante a campanha onde estamos. Desertos se no médio oriente, montanhas na selva se na América do Sul e por aí fora. Vamos tendo também algumas músicas que, apesar de não serem nada de especial, também não me desagradaram de todo.

Infelizmente o modo de primeira pessoa possui gráficos muito simples que variam apenas nas cores do solo e céu

Portanto este Gunship para a Mega Drive é uma mistura muito estranha de um simulador e um shmup 2D horizontal. O problema é que não faz bem nem um papel de simulador, nem o de shmup. Como simulador é fraco, pois não temos tanto controlo do helicóptero quanto isso, para além de todos os cenários serem idênticos, mudando apenas as cores. Já a parte de shmup também deixa a desejar, quanto mais não seja pela quantidade absurda de inimigos que surgem no ecrã.

Grandslam: The Tennis Tournament (Sega Mega Drive)

Mais uma rapidinha para a Mega Drive sobre um jogo desportivo e o escolhido de hoje é o Grandslam: The Tennis Tournament, desenvolvido originalmente por um pequeno estúdio nipónico que pessoalmente nunca tinha ouvido falar. Já a Telenet Japan, a empresa que publicou o jogo no Japão, possui uma série de jogos interessantes na Mega Drive e Mega CD, embora infelizmente muitos deles não tenham saído cá na Europa, como é o caso da série Valis. O meu exemplar foi comprado numa loja online algures no passado mês de Abril, tendo-me custado algo em volta dos 6€.

Jogo com caixa e manual

Então temos aqui o modo Exhibition, que como o nome indica é aquele onde poderemos jogar partidas individuais, tanto em singles como doubles, sozinhos contra o CPU ou contra um amigo. Mas claro que o modo de jogo principal é o Circuits, onde teremos a oportunidade de jogar em diversos torneios (são quatro no total), mas apenas em singles, ou seja um contra um. O modo de treino dá-nos a opção de ripostar contra diferentes estilos de jogadas, ao permitir-nos colocar o nosso treinador numa determinada posição do campo e mandar-nos diferentes tipos de bolas, os tais slices, lobs e afins que sinceramente não conheço os termos em português. Por fim temos o Customize. Aqui podemos criar um jogador de ténis à nossa imagem e atribuir-lhe uma série de características, como esquerdino ou destro e depois atribuir uma série de skill points em diversos campos. A ideia será depois poder usar estas personagens customizadas no modo exhibition ou torneio, onde poderão ganhar experiência e melhorar as suas habilidades à medida que vamos vencendo partidas. Já no que diz respeito à jogabilidade em si, o botão C serve para executar um lob, uma raquetada que dispara a bola em arco e de forma algo lenta, já os outros botões servem para raquetadas mais rápidas e precisas. Sinceramente por vezes parece-me um jogo algo lento, continuo a preferir o Pete Sampras Tennis.

O modo exhibition permite-nos jogar em singles ou doubles, com ou sem um amigo, ou simplesmente ver o CPU a jogar sozinho

Já no que diz respeito aos audiovisuais, estes são bastante simples, embora os tenistas, árbitros e restantes intervenientes no jogo possuam todos um aspecto algo anime, o que não é de estranhar visto ser um jogo de origem japonesa. Nos Estados Unidos, o jogo foi lançado como Jennifer Capriati Tennis, uma tenista conhecida back in the day, pelo que a nossa versão, apesar de não ter sido licenciada pela tenista, continua no elenco de tenistas disponíveis. Já no que diz respeito ao som, vamos tendo algumas vozes digitalizadas que nos vão informando da pontuação de cada partida e pouco mais. As músicas são pequenas melodias que vamos ouvindo nos menus e entre cada partida. Não são más, mas também não são propriamente memoráveis.

Graficamente não é o jogo mais excitante que vão encontrar

Portanto, em suma, este Grandslam é um jogo de ténis que acaba por dar para entreter, embora acho que existam melhores opções na Mega Drive, com uma jogabilidade mais dinâmica, como é o caso do Wimbledon, ou do Pete Sampras que para além de ter uma boa jogabilidade, é o jogo que possui os visuais que mais me agradam também.

PGA Tour Golf II (Sega Mega Drive)

Vamos voltar às rapidinhas a jogos desportivos, precisamente ao revisitar a série PGA Tour Golf, com o segundo jogo desta saga a sair na Mega Drive, tendo em conta que já cá falei tanto do primeiro, como do terceiro também. E este vai ser mesmo uma rapidinha, pois os modos de jogo são practicamente os mesmos do seu predecessor, oferecendo no entanto mais circuitos onde competir. O meu exemplar foi comprado numa loja online algures no passado mês de Abril, tendo-me custado menos de 6€ creio.

Jogo com caixa e manual

Portanto, tal como no primeiro jogo teremos a possibilidade de treinar uma ronda inteira no modo practice, ou treinar tacadas de longa ou curta distância nos modos de treino Driving Range ou Putting Green. O modo torneio é sem dúvida o principal, onde teremos vários circuitos de golfe (supostamente representações fiéis de circuitos de golf reais) pela frente e competimos contra inúmeros outros golfistas profissionais. Temos também o Skins Challenge, que é um outro modo de competição, mas com a pontuação a ser calculada de forma diferente. A nível de mecânicas de jogo, tal como o seu predecessor teremos de ter em consideração a força do vento e qual o taco a usar em cada situação. Felizmente, ao contrário de outros jogos de golf, à medida que seleccionamos o taco temos uma indicação visual de qual a distância máxima que a bola pode atingir. Isto é muito bom para os leigos do desporto possam fazer a melhor escolha, visto que a nossa distância relativa ao buraco está sempre presente no canto inferior direito do ecrã. Quando estamos no green, ou seja próximo do buraco, podemos também chamar um ecrã que nos mostra a curvatura da superfície à volta do mesmo. Já ao preparar as tacadas, temos o habitual medidor de força e efeito que devem ser seleccionados a 2 tempos.

PGA Tour Golf possui mais golfistas e circuitos mas as mecânicas de jogo são similares e ainda bem

A nível gráfico parece-me ser ligeiramente superior que o seu predecessor, na medida em que as sprites dos golfistas estão melhor animadas e a física da trajectória da bola também me parece mais bem conseguida. Já os cenários, a qualidade gráfica em si é muito semelhante à do jogo anterior. A nível de apresentação como um todo, uma vez mais teremos os conselhos de alguns golfistas profissionais antes de cada circuito/buraco, bem como algumas informações dadas por um apresentador de televisão sobre a performance de outros golfistas. No que diz respeito ao som, a música apenas toca nos menus e outros ecrãs de transição, já durante as partidas apenas temos o som das bolas, seja na tacada, seja quando atingem a superfície ou outro obstáculo como árvores. Ocasionalmente também temos algumas vozes digitalizadas como reacções do público.

Portanto aqui temos mais um simulador sólido, embora não traga muitas novidades a nível de jogabilidade perante a iteração anterior. Pelo que já li por aí, que ainda não experimentei o jogo, o PGA Tour 96 é possivelmente o melhor da Mega Drive até porque foi desenvolvido por uma equipa diferente dos restantes. Mas veremos, assim que deitar as minhas mãos num exemplar.

World Class Leaderboard (Sega Mega Drive)

Não há muito tempo atrás, trouxe cá a versão Master System deste mesmo World Class Leaderboard, que por sua vez era uma conversão de um clássico de mesmo nome desenvolvido originalmente para a Commodore 64 nos finais da década de 80. E enquanto as versões 8bit da Sega foram lançadas algures em 1991, esta versão 16bit saiu um ano depois e devo dizer que apresenta algumas melhorias que me agradaram face às versões anteriores. Mas já lá vamos. O meu exemplar foi comprado numa loja online algures no passado mês de Abril, tendo custado cerca de 5,6€.

Jogo com caixa e manual

Ora e aqui temos exactamente os mesmos circuitos para competir, sendo 3 deles baseados em circuitos de golf reais, como o Cypress Creek, Doral e St. Andrews, mais um circuito fictício e sem dúvida o mais desafiante, o The Gauntlet. Este é desafiante pois está repleto de obstáculos como árvores, água e blocos de areia por todo o lado. Os outros circuitos também vão tendo esses obstáculos é certo, mas o The Gauntlet abusa mesmo.

Malditas árvores!

No que diz respeito aos modos de jogo, temos os mesmos da versão Master System, ou seja, poderemos competir nos 18 buracos de cada um dos 4 circuitos mencionados acima, bem como dois modos de treino onde podemos treinar as tacadas a longa distância, e o putting, quando já estamos no green, próximos do alvo. No caso dos torneios, teremos no entanto 3 métodos diferentes de pontuação a considerar. De resto devo dizer que prefiro de longe a interface que incluiram aqui em relação às versões 8bit, principalmente nas mecânicas do swing que agora são mais intuitivas. Basicamente temos na mesma uma barrinha de energia que vai subindo e descendo e, em 2 fases teremos de escolher não só a potência que queremos imprimir na tacada, mas também o efeito. Para dar uma tacada devemos pressionar (e manter pressionado) o botão A enquanto vemos essa tal barrinha a encher. Assim que largamos o botão, a potência está seleccionada e a barrinha começa agora a mover-se no sentido inverso e uma vez que pressionarmos o botão novamente iremos seleccionar o efeito. Basicamente, tanto na potência como no efeito temos um nível de referência que devemos tentar respeitar para a tacada sair o mais perfeita possível. Basicamente são as mesmas mecânicas de jogo da versão Master System, mas agora está visualmente bem mais intuitivo.

Os menus continuam demasiado simples e nada atractivos

A área de jogo mostra na mesma outros detalhes, como a distância (em jardas) ao objectivo, a direcção e força do vento, qual o taco que temos seleccionado actualmente e, ao lado direito temos uma overview vista de cima desde a posição onde estamos até à zona do green. Tal como na Master System podemos aceder a um menu manhoso que nos permite consultar o mapa completo do curso em jogo, mas graças a essa vista do lado direito do ecrã, deixa de ser importante. Agora, apesar de podermos alternar livremente entre tacos, seria bom haver alguma indicação visual no ecrã de qual a distância máxima que cada taco alcança. Desta vez nem sequer temos essa informação no manual! Mas, pressionando o botão Start, para além de vermos a opção de ter uma overview do curso actual, temos também a opção de pedir a opinião ao Caddy, que nos vai dando precisamente esses detalhes. Menos mal.

Desta vez a interface felizmente está visualmente mais intuitiva e útil!

A nível gráfico esta é também uma versão com muito mais detalhe face às originais de 8bit. Os cenários são renderizados à nossa volta mediante a nossa posição actual no terreno e desta vez não temos de esperar alguns breves segundos para termos a imagem no ecrã. Quando damos uma tacada vemos a bola a viajar pelo ecrã, a sua curvatura, e aquela vista aérea do lado direito acompanha também a bola desde o seu ponto de partida até ao final, o que é mais um detalhe interessante. Outros detalhes engraçados, as nuvens têm um efeito de parallax scrolling, mas a partir do momento que damos uma tacada, esse scrolling fica bem mais lento, pois o CPU está a calcular a trajectória da bola em 3D e apresentá-la no ecrã. De resto, a nível de audio, temos apenas músicas nos menus e afins, já durante as partidas apenas ouvimos as tacadas e pouco mais, com o jogo a possuir uma vez mais algumas vozes digitalizadas e aplausos do público quando conseguimos meter a bola no buraco.

Portanto, devo dizer que fiquei agradavelmente surpreendido com esta versão do Worldclass Leaderboard da Mega Drive. Continuo a achar que a Mega Drive tem simuladores de golf superiores, mas o facto de terem melhorado bastante a interface do jogo face à versão de Master System para mim já foi uma grande vitória. E o upgrade nos visuais foi também muito bem recebido.

Super Kick Off (Sega Mega Drive)

Mais uma rapidinha a um jogo desportivo, desta vez à versão Mega Drive do Super Kick-Off, depois de já cá ter trazido as versões 8bit para a Master System e Game Gear. Curiosamente a versão Mega Drive já saiu quase 2 anos depois das versões 8bit, sendo um jogo já algo diferente e sem algumas das decisões estranhas que tinham tomado na versão 8bit, como a opção de escolher estrangeiros estar associada à linguagem escolhida do jogo. O meu exemplar foi comprado numa loja online algures durante o mês de Abril, tendo-me custado algo à volta dos 5€.

Jogo com caixa e manual

O jogo possui diversos modos de jogo como seria de esperar, mas a menos que já estejam familiarizados com as mecânicas de jogo da série Kick Off, recomendo vivamente que comecem pelo modo de treino, onde poderemos treinar a “simples” arte de controlar a bola, bem como algumas jogadas específicas, como centros ou a marcação de penalties. É que este Super Kick Off é daqueles jogos de futebol com a bola solta, ou seja é muito difícil mudar de direcção em controlo da bola. Basicamente temos de mudar de direcção apenas quando o jogador está em pleno contacto com a bola caso contrário mudamos nós de direcção e a bola continua a ir sozinha. Mesmo para passar, com o botão B, temos de o deixar pressionado perto da bola para a segurar, escolher a direcção do passe e só depois soltar o botão. É um jogo que exige portanto muita práctica e, apesar de por defeito a jogabilidade ser muito rápida, é possível tornar o jogo mais lento, o que será certamente uma ajuda.

As cores dos uniformes nem sempre batem certo…

De resto temos uma série de clubes internacionais (de entre as quais uma certa equipa da capital), algumas selecções nacionais, incluindo a portuguesa, mas também um maior foco na liga inglesa. Para além de partidas amigáveis poderemos também criar ligas ou diversos tipos de torneios com as equipas/selecções disponíveis. Poderemos editar as equipas, os seus jogadores e naturalmente, antes de cada partida, seleccionar a sua táctica e o 11 inicial. Outras opções como faltas, tipo de relvado ou condições metereológicas podem também ser ajustadas.

Graficamente é um jogo simples, com o jogo a possuir uma vista de cima, mas com os jogadores maiores e com mais detalhe do que o Sensible Soccer, por exemplo. A acompanhar as partidas temos também uma espécie de radar que mostra o posicionamento dos jogadores e da bola, sinceramente acho-o bastante distractivo, até porque não é fácil perceber onde está a bola, pois esta é um pequeno ponto branco nesse radar. O problema é que os jogadores de ambas as equipas são pontos negros e brancos, portanto a bola acaba por se confundir. A nível de audio, nada a apontar. Os efeitos sonoros não são nada do outro mundo mas também não são irritantes e as músicas até que são agradáveis.

Este radar estava de facto a tirar-me um pouco do sério

Portanto este Super Kick-Off, apesar de ser um jogo na minha opinião melhor idealizado do que as suas versões 8bit, não é certamente um jogo de futebol que irá agradar a toda a gente, pela sua jogabilidade muito particular e frenética. Mas experimentem se tiverem a oportunidade de o jogar e digam de vossa justiça, até porque hoje em dia perco muito pouco tempo com videojogos desportivos.