Sonic Spinball (Sega Master System)

O Sonic Spinball da Mega Drive é considerado por muitos como a ovelha negra na série na era dos 16bit. Sinceramente eu até que gostei do jogo, com as suas mesas gigantes, repletas de segredos para descobrir, incluindo todas as esmeraldas caóticas que somos obrigados a apanhar antes de nos deixarem defrontar o boss e passar para o nível seguinte. A Sega aproveitou também para desenvolver uma versão 8bit, cuja acabou sendo lançada para a Game Gear e para a Master System, visto esta ainda ser uma plataforma relevante naquela época, pelo menos na Europa e Brasil. O meu exemplar veio parar à minha colecção através de uma troca que fiz com um amigo meu, por um jogo repetido que tinha aqui por casa. É a versão normal, mas anseio por encontrar a versão portuguese purple a um preço apelativo, para fechar o meu set. Um dia que a encontre, este artigo será actualizado.

Jogo com caixa

Portanto este jogo é, na sua essência, muito similar ao original da Mega Drive, mas naturalmente bem mais simplificado devido às limitações da Master System. Temos na mesma 4 níveis principais para explorar, intercalados por níveis de bónus, com direito a um boss no final de cada nível. Cada nível possui uma temática diferente (as mesmas da versão Mega Drive) e teremos de explorar as diferentes mesas de pinball, ao abrir passagens secretas, interagir com interruptores, destruir inimigo e afins, para que consigamos apanhar todas as esmeraldas espalhadas por cada nível e assim avançar no jogo. Também teremos alguns pequenos segmentos de platforming, onde conseguimos controlar o Sonic normalmente, incluindo o seu spin dash.

E aquele robot gigante que nos tenta comer na versão Mega Drive?

Mas enquanto os níveis principais são parecidos aos originais da Mega Drive, quanto mais não seja pelas temáticas visuais, os níveis de bónus são completamente diferentes, o que se compreende, pois o efeito visual dos níveis de bónus na versão Mega Drive é de facto muito interessante e a Master System não conseguiria reproduzir da mesma forma. Aqui temos então níveis bem mais simplificados, também com mecânicas de pinball, onde teremos uma série de obstáculos para ultrapassar e itens para apanhar como tempo, vidas  ou continues extra. A ideia é apanhar a maior parte dos anéis e itens de bónus dentro do tempo limite, bem como desbloquear a saída do nível. Caso não o façamos a tempo, perdemos todos os bónus coleccionados!

A cutscene de abertura não é tão trabalhada como na versão 16bit

A nível gráfico, é um jogo colorido, embora naturalmente não tenha o mesmo nível de detalhe que a versão Mega Drive possui. As temáticas dos níveis são similares, começando pelo primeiro que é um nível tóxico e cheio de esgotos, passando por outro repleto de lava, culminando em dois níveis mais high-tech. Já as músicas, tal como na versão Mega Drive, até que me surpreenderam bastante pela positiva, pelo que são bem agradáveis.

Vamos sempre tendo muito que explorar aqui!

Portanto este Sonic Spinball é uma conversão que se tentou manter o mais fiel possível à original da Mega Drive, mesmo com as maiores limitações de hardware da Master System. Creio ser o único jogo minimamente pinball existente na plataforma (mais um mini jogo no Casino Games), pelo que também é necessário ter isso em conta. Mas sim, também é um jogo frustrante por vezes, quando queremos guiar a bola em passagens específicas, ou quando as físicas ganham vida própria.

Rise of the Robots (Sega Mega Drive)

Já que estamos numa de rapidinhas, vamos continuar, ao abordar agora a versão Mega Drive do Rise of the Robots, um dos jogos mais hyped dos anos 90. mas que, quando saiu, acabou por ficar muito aquém das expectativas. Já cá tinha trazido a versão Super Nintendo no passado, pelo que recomendo que leiam esse artigo para mais algum detalhe. O meu exemplar da Mega Drive foi comprado a um particular no passado mês por cerca de 6, 7€.

Jogo com caixa e manual

Este é um jogo idêntico à sua versão SNES, ou seja um jogo de luta muito simples onde apenas podemos dar socos e pontapés, mas de uma forma algo atabalhoada, e, por motivos de história apenas poderemos controlar o cyborg presente na capa. Supostamente seria um jogo de luta altamente inteligente, com o CPU a aprender a nossa maneira de jogar e tentar contrariar os nossos movimentos, mas sinceramente o que se nota aqui é uma fluidez lenta e jogabilidade desinspirada.

É a mesma coisa qur nas SNES mas com gráficos menos coloridos

Do ponto de vista audiovisual, os lançamentos originais para DOS e Amiga estão de facto muito bons, repletos de cutscenes em CGI e uma música composta pelo Brian May, guitarrista dos Queen, que toca no ecrã título. Isso transitou tudo para as versões SNES e Mega Drive, embora aqui na Mega Drive as cores estejam muito mais esbatidas. Ainda assim, a cutscene inicial e aquelas pequenas intros a cada novo robot que lutamos, são sem dúvida o ponto alto do jogo. A música do Brian May infelizmente não ficou grande coisa aqui.

E pronto, é isto o Rise of the Robots para a Mega Drive. Uma versão para a Mega CD também chegou a estar em desenvolvimento, mas acabou por não se materializar. Ainda nas consolas da Sega, temos também uma versão 8bit para a Game Gear que mete medo só de pensar. E nesta altura do campeonato ainda não me apareceu nenhum Rise 2 para jogar, mas confesso que também não tenho pressa.

Skitchin (Sega Mega Drive)

Depois do sucesso de Road Rash na Mega Drive, a Electronic Arts aproveitou o mesmo motor gráfico para produzir um outro videojogo com conceitos similares, ou seja, corridas ilegais em várias localizações dos Estados Unidos (e Canadá) onde poderemos atacar os oponentes, mas desta vez corremos com patins em linha em vez de motos. O meu exemplar foi comprado numa loja da CeX algures no mês passado, tendo custado 15€.

Jogo com caixa, manual e papelada

As corridas, tal como descrito acima, vão decorrendo em várias cidades da América do Norte e o objectivo, de forma a ficarmos qualificados para a corrida seguinte, é o de chegar ao final da mesma nos lugares cimeiros. Naturalmente, tal como na série Road Rash, à medida que vamos avançando no jogo, as corridas vão ficando mais longas, com mais trânsito e com oponentes mais agressivos. Mas como conseguimos sequer competir em estradas com trânsito? Bom, o nome Skitchin, é uma mistura de duas palavras: skating e hitching, ou seja, o acto de alguém se agarrar à traseira de um carro e aproveitar a sua velocidade. Essa é a chave para o sucesso neste jogo, é uma habilidade que teremos de ter em conta se quisermos chegar ao fim em primeiro lugar.

Tal como no Road Rash, as estradas não são planas e estão repletas de obstáculos e outros veículos no trânsito

Mas agarrar à traseira de um veículo só por si não chega, convém abaixarmo-nos enquanto o fazemos para não sermos vistos pelo condutor, caso contrário eles podem abrandar ou mesmo parar o carro completamente. Para além disso, muitas vezes o nosso lugar é cobiçado por outros skaters que teremos de combater. O sistema de combate é algo parecido com o de Road Rash, onde teremos à nossa disposição várias armas brancas (ou apenas os punhos) para atacar os nossos oponentes. A diferença é que podemos apanhar armas que estejam espalhadas no chão ao longo das corridas, ou roubá-las a quem nos tentar atacar. Para além disso, poderemos armazenar 3 armas diferentes. Outro detalhe interessante estão nas rampas que vamos poder encontrar ao longo das corridas. Se saltarmos nas mesmas, poderemos fazer algumas acrobacias pelo ar, que serão posteriormente avaliadas por um juri. No final de cada corrida, a nossa performance é avaliada em vários parâmetros, como o tempo levado, dano infligido, acrobacias, skitchin em outros veículos (especialmente os da polícia são altamente valorizados e sim, aqui também podemos ser presos tal como no Road Rash), tudo isto nos dará algum dinheiro extra no final de cada corrida. Depois, tal como no Road Rash, poderemos gastar esse dinheiro para comprar melhores patins, melhores rodas e melhores kits de protecção, como joelheiras e afins.

O dinheiro que vamos amealhando deve ser gasto em upgrades para o nosso equipamento, que vai tendo desgaste

A nível audiovisual, contem com gráficos algo semelhantes à série Road Rash. As pistas são algo dinâmicas, cheias de colinas, obstáculos e trânsito (embora não tenhamos trânsito em sentido contrário) e os cenários de fundo ilustram de certa forma a cidade ou zona que estamos a atravessar, como a majestosa ponte suspensa em São Francisco, ou a paisagem mais arenosa em Miami. Em relação aos efeitos sonoros, nada de especial a apontar. Já as músicas surpreenderam-me pelo quão pesadas são. Supostamente influenciaram-se na cultura grunge, muito em voga naquela época, mas eu diria que muitos dos riffs que aqui ouvimos são mesmo mais metal. E apesar das guitarras bem agressivas e que soam surpreendentemente bem na Mega Drive, devo dizer que nem todos os riffs são bons. É uma banda sonora pesada, eu aprecio sons pesados, mas a qualidade da banda sonora como um todo é algo inconsistente.

Por outro lado, se formos apanhados pela polícia ou parar ao hospital, teremos despesas extra a ter em conta

Por fim devo dizer que até nem desgostei deste Skitchin. É um jogo nitidamente feito para os fãs dos Road Rash clássicos, mas devo dizer que acabo por preferir de longe a série original. Não só conduzir motos é mais interessante, mas é naqueles pequenos detalhes, como as pequenas e cómicas cutscenes entre cada corrida que Road Rash me parece um jogo bem mais polido. E talvez a maioria das pessoas que jogou este Skitchin na sua altura parece concordar comigo, pois a série Road Rash ainda se manteve activa por mais uns tempos, enquando o Skitchin teve apenas este único lançamento.

Wayne Gretzky and the NHLPA All-Stars (Sega Mega Drive)

Voltando à Mega Drive e às rapidinhas, vamos agora ficar com um jogo de desporto, nomeadamente este Wayne Gretzky and the NHLPLA All-Stars que, como o nome indica, é um jogo de hóquei no gelo. Foi desenvolvido pela Time Warner Interactive e lançado para a Mega Drive e Super Nintendo. O meu exemplar foi comprado num lote de uma Mega Drive II em caixa com vários jogos em caixa, que me custou apenas 30€ numa feira de velharias algures durante o mês passado. Já há muito tempo que não apanhava um lote tão bom numa feirinha!

Jogo com caixa e manual pt

Aqui dispomos de diversos modos de jogo, desde partidas amigáveis, passando por diversos tipos de torneios ou um campeonato completo. Sendo este um jogo licenciado pela NHLPA, suponho que todos os jogadores sejam reais e representativos das suas equipas numa determinada temporada NHL. Teremos imensas equipas do continente norte-americano para escolher, bem como algumas equipas all-stars que representem selecções nacionais. Para além disso temos também alguns modos de treino que nos permitirão testar alguns aspectos do jogo, como o passe, remate ou os “pontapés de saída”, que sinceramente não sei qual a expressão para o hóquei no gelo.

Sempre que há um golo ou uma falta temos um pequeno vídeo ilustrativo

De resto, a nível de jogabilidade parece-me ser um jogo competente, com um botão para correr, outro para passar e um outro para rematar, caso estejamos a jogar ofensivamente. Se estivermos na defensiva, temos um botão para tentar roubar a patela, outro para correr e um outro para seleccionar o jogador mais próximo da patela. Teremos várias opções para customizar as partidas, tornando-as mais arcade ou mais próximo de simulações. Tal como alguns jogos NHL, é também possível activar as lutas, mas sinceramente nunca percebi muito bem como é que as desencadeamos.

Também podemos andar à porrada, mas não esperem por um motor de luta de qualidade

A nível audiovisual acho que até é um jogo bem interessante. Os ecrãs de escolha de equipas são engraçados e bem detalhados, a acção durante as partidas é rápida quanto baste, os jogadores possuem boas animações e há também um outro detalhe muito interessante que devemos mencionar. Sempre que há alguma falta ou golo, surge uma janela no meio do ecrã que mostra um pequeno vídeo em FMV que ilustra diferentes golos ou faltas. Um detalhe muito interessante na apresentação do jogo! A nível de som, nada de especial a apontar, vamos ouvindo alguns comentários básicos ocasionalmente e as partidas estão repletas daqueles sons característicos do desporto, como as buzinas a tocarem sempre que há um golo. Tudo isto acompanhado do ruído do público, claro.

Portanto este Wayne Gretzky até que me pareceu um jogo de hóquei no gelo bem competente, embora a crítica, pelo pouco que vi, não parece ter gostado muito do jogo. Mas também é verdade que não faltam alternativas na Mega Drive, a começar pela própria série da Electronic Arts.

Gauntlet IV (Sega Mega Drive)

A história por detrás deste Gauntlet IV é no mínimo curiosa. O que começou por um projecto entre amigos (que mais tarde viriam a ser conhecidos por M2 e responsáveis por algumas das melhores conversões de jogos clássicos da Sega) do Gauntlet original para o computador japonês X68000 da Sharp, acabou por ser reconhecido pela Tengen, que contratou a equipa para produzir esta versão para a Mega Drive. O meu exemplar foi comprado no mês passado numa feira de velharias por 10€.

Jogo com manual português. Não sei o que faziam ao manual multi cá, mas nunca apanhei nenhum com esse.

E apesar deste jogo ter Gauntlet IV no nome, é mais do que uma sequela, pois também inclui uma adaptação do original arcade, que já aqui tinha trazido a sua versão Master System no passado, e agora com suporte a 4 jogadores em simultâneo, tal como o original. Aqui teremos uma enorme dungeon para atravessar, com níveis gerados aleatoriamente e dezenas de inimigos para enfrentar. Sobreviver e amealhar tesouros para aumentar a nossa pontuação é o objectivo, pois supostamente é um jogo sem fim. Como referi acima, teremos dezenas de inimigos para enfrentar em cada nível, cujos vão vazendo respawn constante enquanto não destruirmos os seus respawn points. Para além disso, a nossa barra de vida vai decrescendo continuamente à medida em que caminhamos, sofrendo ainda rombos maiores quando formos atacados, pelo que teremos de ter algum cuidado redobrado ao explorar os níveis. Teremos também vários power ups para apanhar e usar, mas temos de ter cuidado para não os destruir, o que não é fácil visto que temos mesmo muitos inimigos para enfrentar.

Para além do novo quest mode, temos aqui também uma conversão do clássico original

Mas vamo-nos focar no Quest Mode, este que é sem dúvida a razão pela qual o jogo se chama de Gauntlet IV. Aqui podemos escolher uma vez mais o nosso guerreiro de entre 4 classes disponíveis, cada qual com as suas características, e é-nos contada a história por detrás do jogo. Basicamente representamos um aventureiro genérico que vai tentar a sua sorte ao explorar um enorme castelo, repleto de inimigos e armadilhas, em busca de uma misteriosa recompensa se conseguir chegar ao final. Para além de ter uma história, em que mais se diferencia este Quest Mode do original? Basicamente incluiram mais conceitos de RPG, como pontos de experiência, lojas que nos vendem equipamento e mais itens especiais para descobrir e usar. Aqui teremos de explorar 4 torres distintas, dedicadas aos 4 elementos de Terra, Ar, Fogo e Água, cada qual com 10 andares, para desbloquear a dungeon final, também com 10 andares. Tal como na versão arcade as mesmas mecânicas de jogo se aplicam, com a adição dos tais pontos de experiência que nos irá permitir evoluir os nossos stats e o facto de podermos comprar/equipar diferentes armas e equipamento. Creio que é um modo de jogo com níveis ainda mais labirínticos e que nos obrigará a mais backtracking para descobrir todos os seus segredos. Isto com multidões de monstros a quererem-nos limpar o sebo, claro.

No quest mode, ao pressionar o botão Start leva-nos para o Camp Menu, onde podemos evoluir a nossa personagem e verificar o equipamento

Para além destes dois modos de jogo, a M2 presenteou-nos com mais conteúdo ainda. Temos também o Battle Mode que é basicamente o multiplayer competitivo de 2 a 4 jogadores e que nos colocará à pancada entre todos, bem como o Record Mode, que confesso que não perdi grande tempo. Parece ser ainda mais focado na pontuação que a versão arcade.

A nível audiovisual confesso que o jogo foi uma boa surpresa. O Gauntlet original não é propriamente um jogo que seja lindíssimo, mas o seu grande número de sprites no ecrã em simultâneo sempre foi algo que impressionou. E esta versão Mega Drive, para além de ser uma óptima conversão do original, inclui também o Quest Mode que possui gráficos um nadinha superiores. Mas o que mais gostei foi sem dúvida das músicas que ficaram excelentes. Nada a apontar aos efeitos sonoros também, que incluem algumas vozes digitalizadas de boa qualidade.

O dinheiro que vamos amealhando pode ser usado para comprar itens e equipamento em lojas específicas

Portanto devo dizer que este Gauntlet IV acabou por se revelar uma óptima surpresa, quanto mais não seja pelo Quest Mode que o aproxima mais de um verdadeiro RPG de acção. Mas mesmo aí é bastante desafiante e temos mesmo de jogar com uma mentalidade de sobrevivência e apenas procurar o conflito quando estritamente necessário.