Street Racer (Sega Mega Drive)

O Street Racer é um interessante jogo de corridas ao estilo Mario Kart que acabou por sair para uma série de diferentes sistemas, alguns de gerações distintas. Já cá trouxe a versão Sega Saturn no passado que, apesar de ser muito similar à versão Playstation, é dos poucos exemplos de jogos multiplataformas 3D em que a versão Saturn acabou por levar a melhor por incluir mais alguns detalhes gráficos não existentes na versão PS1. As versões para as consolas 16bit por outro lado são bastante diferentes entre si, com a versão SNES a usar o seu típico mode 7, enquanto que a versão Mega Drive, apesar de ser mais tradicional nesse aspecto, não deixa de até ter a sua graça do ponto de vista técnico. Mas já lá vamos. O meu exemplar foi comprado a um amigo algures em Julho deste ano, tendo-me custado uns 5€ creio.

Jogo com caixa e manual

Este Street Racer dispõe de vários modos de jogo, a começar pelo Practice que nos permite treinar com os carros de diferentes personagens ao longo de vários circuitos, bem como treinar em dois modos de jogo especiais: o Rumble e Soccer que detalharei mais à frente. O modo campeonato é o principal modo de jogo single player onde, como o nome indica, iremos participar num campeonato de diversos circuitos e vamos ganhando pontos mediante a posição em que terminamos a corrida. No fim do campeonato quem tiver mais pontos ganha e temos 3 níveis de dificuldade a experimentar, todos com circuitos diferentes e uma inteligência artificial cada vez mais agressiva. O modo head to head é o principal modo de jogo para o multiplayer que pode ser jogado até 4 jogadores em simultâneo e suporta corridas, rumble e soccer. Estes últimos são modos de jogo distintos que também podem ser jogados sozinhos. O rumble coloca-nos a correr num circuito circular, onde o objectivo é o de atirar os inimigos para fora da pista e tentar a todo o custo sobreviver e não sermos nós os atirados borda fora. O soccer, como o nome indica é uma adaptação de futebol onde a ideia é apanhar a bola num campo de futebol e levá-la até à baliza, marcando o máximo de golos possível. O problema é que este é um modo de jogo bastante caótico visto que são todos contra todos, então teremos 8 carros em simultâneo no ecrã, todos à pancada e a tentar roubar a bola entre si e em seguida marcar.

Sair fora da pista? Sim vai acontecer muitas vezes

Mas vamos voltar às corridas normais que é sem dúvida o principal modo de jogo. Este é então um jogo de corridas inspirado no Mario Kart onde cada personagem possui o seu kart com características distintas e ao longo do jogo, para além de podermos saltar, agredir os oponentes com socos, também teremos uma série de power ups para apanhar ou evitar. Alguns, como as estrelas, poderão dar-nos pontos extra no final de cada corrida, outros como minas ou bombas explodem e custam-nos alguns segundos preciosos. Se bem que as bombas têm um timer para explodir e podem ser passadas aos veículos adversários! Outros power ups podem-nos regenerar a barra de vida do carro ou dar turbos. De resto, todas as personagens têm também ataques especiais que são distintos entre si.

No final de cada corrida são também atribuidos alguns pontos de bónus a quem fizer a volta mais rápida, a quem apanhou mais estrelas ou a quem distribuiu mais porrada

Até aqui tudo bem, mas o jogo infelizmente tem uma série de problemas, a começar pelos seus controlos que não são os melhores. O botão B serve para acelerar, já o botão C serve para activar os turbos. O botão direccional serve para virar o carro se pressionarmos para a esquerda ou direita, mas serve também para travar (baixo) ou saltar (cima). Para despoletar os diferentes ataques temos sempre de usar combinações de botões. Para dar socos para a esquerda ou direita temos de pressionar os botões A e B em simultâneo, ou B e C respectivamente. Já para os ataques especiais (side attack e front attack) temos de pressionar o botão A mais baixo ou cima respectivamente. Ou seja, temos bem mais funcionalidades do que botões num comando standard da Mega Drive e, mesmo com o jogo a suportar comandos de 6 botões, o seu mapeamento poderia e deveria ser melhor, pois nem assim evitamos combinações de botões para certas acções. Ora e depois de nos habituarmos aos controlos temos o problema das corridas. É muito fácil o nosso carro sair fora da pista em curvas apertadas pelo que teremos de desacelerar sempre, enquanto os nossos oponentes parecem não sofrer do mesmo mal. E depois em curvas apertadas a câmara do jogo não acompanha bem a curva, pelo que vamos acabar por ter algumas surpresas desagradáveis como bombas ou minas que não vamos conseguir evitar. No primeiro nível de dificuldade do campeonato isto até acaba por não causar muitos transtornos pois uns turbos bem colocados levam-nos de volta para a luta nos lugares cimeiros, mas à medida que vamos avançando no jogo a IA começa a ficar cada vez mais agressiva nos campeonatos seguintes e estes segundos que perdemos serão mesmo fundamentais.

Os modos de jogo adicionais são benvindos, mas pena este Soccer ser tão caótico!

De resto, a nível audiovisual sinceramente até gosto deste Street Racer. Todos os oponentes são bastante distintos entre si e são todas personagens algo carismáticas. Os carros possuem animações mesmo típicas de desenhos animados e os circuitos vão tendo sempre diferentes backgrounds, relacionados com cada uma das personagens. Por exemplo, as pistas da Surf Girl são sempre nas praias de Sidney, enquanto que as do Frankenstein são na Transilvânia. É também interessante a forma como implementaram os circuitos propriamente ditos, parece quase mode 7! De resto as músicas são também bastante agradáveis.

Portanto este Street Racer é um jogo interessante mas que acaba por ser prejudicado pelos seus controlos desnecessariamente complicados para um jogo de kart racing. O facto das curvas serem muito traiçoeiras por esconderem obstáculos também não é um ponto a seu favor, o que é pena pois do ponto de vista audiovisual até é um jogo bem competente. A ver um dia como se safou a versão SNES!

Ballz 3D (Sega Mega Drive)

Voltando às rapidinhas na Mega Drive, hoje vamos ficar com este Ballz 3D, um jogo de luta que possui um conceito bastante original confesso, mas a sua jogabilidade é uma valente bosta e que deita tudo o resto a perder. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu em Agosto deste ano, tendo-me custado 5€.

Jogo com caixa e manual

Este é então um jogo de luta onde todos os lutadores são personagens construidas com uma série de berlindes ligados entre si. Visto que nos podemos movimentar livremente pela arena, o objectivo era dar uma impressão que estaríamos a jogar um jogo inteiramente em 3D, o que não é verdade pois tudo no ecrã são sprites e backgrounds. Mas há que dar a mão a torcer na originalidade. Os lutadores são bastante distintos entre si, mesmo sendo todos feitos com berlindes, e a variedade de golpes que podemos executar também é interessante, pois alguns deles até faz com que se transformem em diferentes criaturas (na mesma todas feitas de berlindes).

O ecrã principal que surge no background vai debitando vários comentários à medida que vamos combatendo

O problema principal a meu ver está nos controlos. Aqui o botão A serve para socos, B para pontapés e C para saltar. O botão direccional serve para nos movimentarmos no ecrã, mas naturalmente teremos também uma série de golpes especiais que requerem também o uso do direccional, tipicamente em simultâneo, quando é necessário carregar para cima ou baixo. Só que nem sempre os controlos respondem como gostaríamos e o facto de nos podermos movimentar livremente pelas arenas também não ajuda, as coisas podem ficar bastante confusas no ecrã.

A nível audiovisual, bom… o jogo tem a sua originalidade. Os lutadores sendo compostos por berlindes até que dão um efeito gráfico interessante e a câmara vai ampliando ou não consoante a nossa distância perante o adversário. O design de alguns lutadores até que é bastante criativo mas as arenas são muito similares entre si, pois a única coisa que muda verdadeiramente vão sendo os cenários de fundo. As arenas parecem ser um plano circular, sendo que junto ao background vamos tendo também alguns ecrãs que vão mostrando mensagens diversas e algumas animações, algumas delas cheias de innuendo visto que balls é um termo de calão para testículos, como nós dizemos “tomates”. Essas pequenas animações por vezes até que são engraçadas, mas a versão SNES é superior graficamente a esta versão Mega Drive, ao usar efeitos de transparência nalguns desses ecrãs e o solo da arena é texturizado ao usar o efeito mode 7. Mas a performance da versão SNES é muito má, pelo que esta versão da Mega Drive ao menos é bem mais fluída. Já no que diz respeito ao som, bom… este é horrível. Algumas músicas tentam ser mais rock, mas o resultado é demasiado barulhento e caótico. Outras músicas possuem vozes digitalizadas muito estranhas, com gemidos um pouco embaraçosos.

É ingeável que algumas personagens possuem um design muito interessante e original

Portanto este Ballz 3D é um jogo de luta bastante original no seu conceito, mas infelizmente a sua execução deixa muito a desejar, tanto na implementação dos seus controlos e mecânicas de jogo, como de certa forma nos audiovisuais, principalmente o som que ficou muito mau nesta versão Mega Drive. Para mim é um jogo a evitar, mas a sua originalidade de conceito merece pelo menos que o experimentem. Para coleccionar só mesmo se o apanharem muito baratinho.

Quackshot / Castle of Illusion (Sega Mega Drive)

Vamos a mais uma super rapidinha, desta vez para a Mega Drive e vamos ficar com uma compilação de luxo, com dois dos mais icónicos jogos da Disney para a Mega Drive. É uma compilação que inclui nada mais nada menos que Quackshot e Castle of Illusion, os primeiros jogos do Donald e Mickey (respectivamente) que chegaram até à máquina de 16 bit da Sega. Curiosamente ou não, ambos foram desenvolvidos pela empresa nipónica. O meu exemplar foi comprado no passado mês de Outubro, tendo vindo de um bundle com vários outros jogos que me ficou a menos de 10€ por cada.

Jogo com caixa e manual

Ora ambos são jogos de plataformas clássicos da Mega Drive que recomendo vivamente que os joguem, caso sejam fãs de jogos de plataforma clássicos em 2D. No entanto, visto ser uma compilação que não traz nada de novo, recomendo que leiam os meus artigos de ambos os jogos em standalone. Basta seguir os links publicados no parágrafo acima.

Jimmy White’s Whirlwind Snooker (Sega Mega Drive)

Voltando às rapidinhas, mas agora na Mega Drive, vamos ficar com mais um jogo desportivo, este de snooker. Publicado pela Virgin, este foi um jogo de simulação lançado originalmente para uma série de computadores, entre os quais o PC e Commodore Amiga em 1991. Três anos depois, sai esta conversão para a Mega Drive. É um jogo com o endorsement do Jimmy White que, para além de figurar em 2 jogos de bilhar, desconheço completamente. O meu exemplar foi comprado numa loja física, algures em Setembro e custou-me menos de 5€.

Jogo com caixa

Este é então um simulador de snooker, que nos permite jogar partidas em modo treino ou simulação completa, tanto contra o CPU como contra algum amigo. A diferença entre o modo treino e simulação é que no primeiro poderemos anular a jogada anterior e o CPU também nos pode dar uma ajuda a indicar qual a melhor jogada a fazer. De resto temos também o modo Trick Shot, que nos permite construir cenários específicos para treinar, ou seja, poderemos espalhar as bolas de snooker pela mesa da maneira que melhor entendermos e practicar mais um pouco. De resto, começando uma partida temos acesso a um interface por ícones numa barra na parte superior do ecrã. Aqui poderemos escolher diversas opções como posicionar a câmara directamente atrás da bola branca, bem como fazer um tilt da mesma para o lado, definir a força a aplicar em cada tacada, em que zona da bola queremos atingir, activar linhas de direcção da tacada, entre outros. Uma vez definidos todos os parâmetros desejados, temos também um ícone para efectuar a tacada propriamente dita. Este é um jogo que suporta o rato da Mega Drive, pois usamos um cursor para activar todas estas opções, mas o comando também se adequa bem pois este é um jogo metódico e temos o tempo que quisermos para planear cada jogada.

Graficamente até que é um título impressionante pela sua mesa renderizada em 3D

Do ponto de vista audiovisual sinceramente até me impressionou pela sua fluidez de jogo. A mesa de bilhar é um objecto poligonal em 3D, naturalmente com pouco detalhe, mas ainda assim é um detalhe interessante. As bolas são sprites 2D, mas deslocam-se com fluidez pela mesa. Nada de especial a apontar aos efeitos sonoros, vamos tendo algumas reacções do público ocasionais, como aplausos ou assobios e as músicas apenas existem durante o ecrã título e menus, mas sinceramente não as achei nada de especial.

Portanto este Jimmy White’s Whirlwind’s Snooker até que é um jogo interessante na sua execução e dá bem para entreter. Pena que apenas tenha a modalidade de snooker e não outras modalidades como o “bilhar de café” que todos conhecemos.

International Superstar Soccer Deluxe (Sega Mega Drive)

Vamos continuar na Mega Drive para mais uma rapidinha a um jogo desportivo. Este ISS Deluxe até merecia um artigo mais completo, é verdade, mas é na verdade uma conversão (pela germânica Factor 5) do clássico que tinha saído um ano antes para a Super Nintendo, pelo que recomendo que leiam esse artigo. O meu exemplar custou quase 5€, tendo vindo de uma loja no Norte do país algures no passado mês de Setembro.

Jogo com caixa e manuais

Aqui temos os mesmos modos de jogo da SNES, desde partidas amigáveis, bem como diversos tipos de torneios e campeonatos que poderão inclusivamente ser jogados com 1 a 4 jogadores. O modo Scenario é uma espécie de desafio para 1 jogador, onde teremos de completar diversas missões, como dar uma reviravolta a um resultado negativo com pouco tempo disponível. Temos também modos de treino e de cobrança de penalties. O jogo não possui qualquer licenciamento da FIFA, pelo que teremos apenas 36 selecções nacionais com jogadores fictícios, mais algumas equipas all stars para desbloquear. A jogabilidade é excelente, com controlos até relativamente complexos pela variedade de jogadas que podemos efectuar (um comando de 6 botões é recomendado para tal). Tal como muitos outros jogos da época, poderemos alternar tácticas e formações, bem como teremos uma boa perspectiva das estatísticas de cada equipa e jogador.

A Factor 5 converteu o jogo da melhor forma possível

A nível gráfico é um jogo muito semelhante à sua versão da SNES. Temos uma perspectiva algo oblíqua e com um radar no centro que é bastante útil, embora por vezes tenha dado algum jeito se a câmara estivesse mais longe. A Factor 5 converteu o jogo da melhor forma possível, tanto que até herda a resolução mais curta da Super Nintendo, o que é pena pois até dava jeito os píxeis extra para ver um pouco mais do campo. Vamos tendo também algumas animações interessantes sempre que há golos. A acompanhar as partidas vamos tendo ruídos do público e algumas frases curtas do relatador desportivo, sempre que há um remate, falta ou um corte da defesa. As músicas são óptimas, as apenas as ouvimos nos menus entre partidas.

Portanto estamos perantes um óptimo jogo de futebol na Mega Drive, apesar de já ter saído tardiamente no ciclo de vida da consola (1996). O FIFA 97, que curiosamente saiu no mesmo ano, é para mim o jogo de futebol da Mega Drive que mais impacto nostálgico tem em mim, pois foi o que mais joguei com amigos no seu tempo. Mas este ISS Deluxe é sem dúvida um jogo mais divertido. Certamente dos melhores da era 16bit.