Home Alone (Sega Mega Drive)

O Home Alone é um filme clássico, todos os anos dá na TV por altura do Natal, nunca falha! E apesar de ter sido lançado em 1990, durante os anos seguintes inúmeras adaptações para videojogos foram sendo lançadas através de diversas empresas e plataformas. No caso das consolas da Sega, a versão Mega Drive (e a da Game Gear também) foram desenvolvidas pela própria Sega of America, tendo sido lançadas algures em 1992. A Master System recebeu uma versão diferente produzida pela Probe. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu algures em Julho deste ano, tendo-me custado uns 5€.

Jog com caixa, numa edição estranha que apenas saiu no UK, com cartucho genesis e capa com o logo Mega Drive, mas todo o restante formato da Genesis de primeira geração

E este é um daqueles jogos em que dava mesmo jeito ter um manual, pois não saberia bem o que fazer a não ser que tivesse consultado um guia. Como seria de esperar, controlamos o Kevin Mc. Allister na sua luta contra os Wet Bandits, mas em vez de defender a sua casa, teremos de defender todas as casas lá do bairro dentro de um tempo limite (20 minutos na dificuldade normal, 40 na difícil). E como fazemos isso? Causando todo o tipo de dor aos bandidos, seja através de armadilhas, seja através de armas que podemos construir e equipar. Começamos a aventura com Kevin cá fora no seu trenó eléctrico, onde nos podemos movimentar entre as diferentes casas e coleccionar itens ao derrubar bonecos de neve. Ao entrar numa casa, se os bandidos não estiverem por lá, é-nos apresentado um ecrã com a planta da casa e poderemos escolher que armadilhas colocar e onde. Berlindes, tachas ou poças de óleo no chão, maçaricos nas portas, são algumas das possibilidades clássicas! Caso visitemos uma casa já depois de os ladrões lá entrarem, já não conseguimos preparar armadilhas.

Começamos a aventura fora da casa de Kevin, onde poderemos explorar os cenários para procurar itens e espreitar que casa os bandidos irão roubar em seguida

Sempre que os ladrões entrarem numa casa a ideia é então a de lhes causar o máximo de dor possível e evitar que roubem a mesma, seja pelas armadilhas, seja pelas armas que poderemos preparar e usar. Para isso deveremos tem em atenção as diferentes barrinhas que surgem no ecrã. A primeira, de munições, é relativa à quantidade de munições que temos para a arma equipada, enquando a barra de loot indica quanto da casa os bandidos já conseguiram roubar. A barra de pain indica a dor que já infligimos aos bandidos e a ideia é conseguirmos infligir o máximo de dor antes da barra de loot ficar preenchida. Se isso acontecer, essa casa é dada como perdida e os bandidos avançam para outra casa. Dentro do tempo limite temos de garantir que os bandidos não assaltam as casas todas, caso contrário não serão apanhados pela polícia. Mas tal como lá fora, também deveremos explorar bem cada casa, pois vao tendo outros itens para apanhar, e que costumam ter também alguns obstáculos como uma tarântula gigante na casa de Kevin, um robot numa casa futurista ou fantasmas numa casa antiga. Esses obstáculos tanto nos causam dano a nós, como aos bandidos.

Ao entrar numa casa vazia, poderemos planear onde colocar as armadilhas

Outro aspecto relevante para mencionar é o interessante sistema de crafting de armas. Com os itens que vamos poder coleccionar ao explorar as casas e destruir os bonecos no exterior, poderemos montar um grande número de armas diferentes, que por sua vez terão diferentes efeitos de dor e atrasar os movimentos das suas infelizes vítimas. Na dificuldade mais baixa, o jogo já monta diferentes armas por nós, mediante os ingredientes que vamos encontrando, enquanto que na dificuldade difícil teremos de ter todo o trabalho de escolher as diferentes peças (e aparentemente haverá uma maior variedade de possibilidades). As armas precisam de uma estrutura de base, que poderá ser uma besta (crossbow), lata, secador de cabelo ou uma colher gigante. Depois teremos de escolher o operator, que é basicamente o compartimento que armazena as munições, como estruturas de arame, balões ou elásticos e por fim as munições a usar como cola, pimenta, neve ou carvão incandescente. Poderemos produzir então diferentes armas que disparam projécteis em linha recta ou arco, que irão incomodar bastante os bandidos, ao chamuscá-los, congelá-los, colá-los ao chão, entre outros efeitos. Na dificuldade mais avançada poderemos construir inclusivamente algumas armas mais high tech com alguns efeitos hilariantes. Mas tal como referi acima, as diferentes armas vão tendo diferentes efeitos de dor e retardar os movimentos dos inimigos, bem como consumir diferentes quantidades de munições, pelo que a experimentação acaba por ser algo muito importante, até porque as munições mão são tão abundantes quanto isso.

O sistema de crafting é interessante e na dificuldade maior poderemos criar armas ainda mais criativas

A nível audiovisual, sinceramente este jogo é bastante competente nesse campo. As casas estão minimamente bem detalhadas e são todas muito diferentes entre si. Desde a casa do Kevin, vamos poder defender uma outra casa toda high tech com robots e elevadores futuristas, uma casa colonial com fantasmas, ou uma casa velha e abandonada, repleta de outros obstáculos como buracos no chão. Acho especial piada às reacções dos bandidos quando caem nas armadilhas ou quando são atingidos com as nossas armas, podendo ficar todos esturricados quando passam por uma porta com um maçarico, por exemplo. As músicas, apesar de não serem propriamente memoráveis, até que são agradáveis e é um bom exemplo do uso do driver de som GEMS, que foi utilizado em larga escala pela Sega of America e third parties norte americanas, sendo responsável pela má fama que a Mega Drive tem em relação ao seu som, comparando com a concorrência da época. Quero com isto dizer que as músicas possuem melodias agrádáveis e sem aquele som mais estridente característico de muitos lançamentos ocidentais para a Mega Drive.

Cada casa é diferente e está bem detalhada

Portanto este Home Alone até que foi uma interessante surpresa pela sua criatividade. Confesso que estava à espera de um jogo terrível, especialmente pela má fama das versões nas consolas Nintendo, mas este jogo não é assim tão mau quanto isso. É verdade que pode ser muita informação para absorver no início e um manual acabou mesmo por me fazer alguma falta, mas gostei particularmente de experimentar montar diferentes armas e testar os seus efeitos nos bandidos.

Judge Dredd (Sega Mega Drive)

Voltando à Mega Drive, vamos ficar com mais uma adaptação para videojogo de um filme de acção de Hollywood da década de 90. Judge Dredd, que por sua vez era baseado numa banda desenhada de mesmo nome, não é um dos filmes mais bem sucedidos em que o Sylvester Stallone alguma vez participou. Só vi o filme uma vez e não me ficou quase nada na memória. Felizmente o jogo, pelo menos esta versão da Mega Drive, parece ser bem mais sólido. O meu exemplar foi comprado numa loja no norte do País algures em Setembro deste ano por 15€.

Jogo com caixa

Tal como no filme, o jogo decorre num futuro apocalíptico, onde o sistema de justiça foi todo reformulado. Agora as forças de justiça são basicamente polícias super poderosos com poder judicial, que podem desde logo apreender, julgar e sentenciar os criminosos de uma vez só, incluindo sentenças de morte que são prontamente executadas. Nós encarnamos no Judge Dredd, que no filme é protagonizado pelo Sylvester Stallone e que acaba por ser incriminado de um crime que não cometeu, pelo que teremos de provar a sua inocência. Mas aparentemente este jogo vai mais longe do que o filme, apresentando um novo arco da história que decorre logo após os acontecimentos narrados no filme.

Antes de cada missão temos direito a um briefing que nos explica os seus objectivos

Já no que diz respeito à jogabilidade, esta é a típica de um jogo de acção em 2D sidescroller da época, onde temos um botão para saltar, outro para disparar e um outro para alternar por entre as diversas armas que teremos disponíveis. Cada nível possui um objectivo primário, que poderá passar por interagir com uma série de terminais, resgatar reféns ou destruir alguns objectos específicos. Mas também temos objectivos secundários opcionais, que tipicamente traduzem-se em apreender/executar o máximo de bandidos possível. E a parte das apreensões é interessante, pois alguns inimigos podem-se render e se os prendermos em vez de os matar a tiro ganhamos mais pontos e eventualmente alguns power ups extra. Mas fora isso, não há qualquer problema em matar bandidos em vez de os prender. Até porque nem todos se rendem!

Alguns dos bandidos podem-se render e devemos prendê-los para sacar alguns pontos e/ou power ups extra

A acompanhar Dredd temos a fiel pistola de balas infinitas, mas ao longo do jogo iremos poder apanhar imensas outras armas ou munições que poderemos alternar livremente entre elas com o botão C. Desde explosivos, mísseis teleguiados ou mesmo balas de borracha que, apesar de não serem letais, podem obrigar certos inimigos a renderem-se. Outros itens que podemos encontrar podem-se traduzir em medkits que nos regenerem a barra de vida, vidas extra, itens genéricos que nos aumentam a pontuação, invencibilidade temporária ou um jetpack que nos permitirá voar livremente pelo nível também dentro de um tempo limite. De resto este é um jogo de acção em 2D que não anda muito longe de outros exemplos da Probe no seu design de níveis. Estes são tipicamente labirínticos, repletos de portas, escadas e passagens para explorar, com imensos inimigos para defrontar também. Os objectivos traçados para cada missão obrigam-nos mesmo a explorá-los bem, e só depois nos deveremos encaminhar para a saída. Felizmente não temos um tempo limite como no Alien 3, mas visto que os níveis são bastante grandes e labirínticos, sinceramente as coisas acabam por se tornar um pouco aborrecidas ao fim de algum tempo. E convém jogar com algum cuidado pois os inimigos conseguem-nos causar muito dano. Os bosses em particular são especialmente frustrantes pois não possuem grande estratégia para os derrotar. São esponjas de balas e basicamente teremos de atacar com tudo e manter-nos também em movimento constante para evitar perder uma vida.

Os terminais que encontramos para além de poderem servir para cumprir objectivos, também podem ser usados para consultar alguns detalhes adicionais

A nível audiovisual, nada de especial a apontar aqui. Os níveis apesar de não serem muito interessantes de explorar pela sua natureza labiríntica, até que são bem detalhados e algo variados entre si, ao mostrar zonas urbanas futuristas, prisões decadentes, ruínas antigas, entre outros. Mas gostei particularmente do design dos inimigos e cenários a partir da segunda fase do jogo, que já não é baseada no filme. Aqui iremos enfrentar os Dark Judges que já possuem um aspecto bem mais demoníaco! A nível de som nada de especial a apontar nos efeitos sonoros. Já as músicas devo dizer que não gostei tanto. Aquelas que são mais rock, apesar de eu apreciar o género musical em si, não gostei muito das composições e principalmente da qualidade do som que não é de todo a melhor. As músicas mais calmas já são mais audíveis e não incomodam tanto, mas também não são propriamente memoráveis.

Até que gosto do design futurista de alguns cenários!

Portanto este Judge Dredd da Mega Drive é mais um jogo de acção da Probe. Não reinventa a roda, não é um clássico da era 16bit, mas a Acclaim já publicou coisas bem piores. Se alguns dos níveis não fossem tão labirínticos talvez o teria apreciado mais, mas não deixa de ser um jogo sólido na minha opinião.

Dragon’s Revenge (Sega Mega Drive)

Eu não sou o maior fã de jogos de pinball. Para mim têm de ser representações mais fantasiosas e com elementos típicos de videojogos, ao invés de serem simulações fiéis de mesas. E o Dragon’s Fury fez isso na perfeição, com uma temática de dark fantasy, uma boa jogabilidade e excelentes audiovisuais. Este Dragon’s Revenge é uma espécie de sequela desse jogo, mas que não envolve ninguém dos seus autores originais. É que Dragon’s Fury foi uma conversão feita pela Technosoft do clássico Devil’s Crush do PC-Engine, originalmente desenvolvido pela Naxat Soft, mas que acabou por ser publicado no ocidente pela Tengen. O jogo era de facto muito bom e deve ter tido algum sucesso comercial, pelo que a Tengen decide fazer esta sequela por eles próprios. Infelizmente a qualidade já não foi a mesma. O meu exemplar foi comprado na CeX em Julho deste ano, tendo-me custado 8€.

Jogo com caixa e manuais

O objectivo final é o de defrontar o dragão e a feiticeira Darzel, mas primeiro teremos de resgatar 3 guerreiros aprisionados por Darzel: um bárbaro, uma amazonas e uma outra feiticeira. Neste Dragon’s Revenge temos então uma mesa de pinball dividida em 3 níveis, repleta de botões, passagens e alavancas com os quais deveremos interagir, não só para activar multiplicadores de pontos, mas também para activar passagens para algumas mesas de pinball extra. Ali teremos de derrotar todos os inimigos presentes no ecrã, seja para libertar os guerreiros mencionados acima, seja simplesmente para fazer mais pontos. Os últimos bosses, o Dragão e Darzel, são também combatidos numa mesa de pinball extra.

Aqui também temos uma cara laroca no centro da mesa

Mas infelizmente o resultado final não foi o melhor. A começar pela jogabilidade, que apesar de não ser propriamente frustrante, a física das bolas de pinball não ficou lá muito bem implementada, com as mesmas a serem por vezes disparadas a alta velocidade do nada. Já a nível audiovisual, o jogo mantém a mesma identidade visual do seu predecessor, pelo menos em teoria, já que temos dragões, goblins e outras criaturas típicas de ambientes de fantasia. Mas a qualidade dos visuais não é de todo a mesma, os ambientes de Dragon’s Fury eram bem mais negros, na minha opinião. Já o som, bom, também tentam trazer uma sonoridade algo semelhante, com alguns temas mais rock/metal mas não só as composições não são tão boas, como a própria qualidade do som não tem nada a ver com o que ouvimos no Dragon’s Fury, que tem uma das melhores bandas sonoras da era 16bit. A sério, vão ouvir.

É nas mesas de bónus onde poderemos libertar alguns heróis como esta feiticeira

Portanto este Dragon’s Revenge sinceramente nem o considero um mau jogo, joga-se bem e ainda entretém durante algum tempo. Mas não está nada perto do Dragon’s Fury / Devil’s Crush, que é realmente um jogo excelente. Mesmo para quem não gostar de jogos de pinball!

The Legend of Galahad (Sega Mega Drive)

Este The Legend of Galahad da Traveller’s Tales é um interessante jogo de acção em 2D sidescroller com algumas influências de action RPGs. Lançado originalmente através da saudosa Psygnosis para o Commodore Amiga sob o nome de Leander, acabou por receber mais tarde uma conversão para a Mega Drive sob um novo nome (e com algumas modificações nos gráficos e história no geral). O meu exemplar foi comprado a um particular no passado mês de Julho por cerca de 5€.

Jogo com caixa e manual

O jogo possui uma história simples onde temos de salvar uma princesa das garras de um poderoso feiticeiro. Na versão original para o Amiga, o protagonista chama-se Leander, já nesta conversão para a Mega Drive decidiram dar um tema mais “Arturiano” à história, pois Galahad era um dos seus cavaleiros. À medida que vamos avançando no jogo vamo-nos apercebendo das influências orientais tanto nalguns inimigos como os dragões ou alguns soldados. Mas na versão original do Amiga essas referências orientais eram ainda mais notórias nos protagonistas.

Antes de cada nível é-nos dada uma indicação do objecto que temos de descobrir e onde estará

No que diz respeito à jogabilidade este é então um jogo de plataformas/acção que mistura alguns elementos de RPG também. O jogo está dividido em 3 mundos com 7 níveis cada, sendo que o último nível de cada mundo culmina sempre no confronto contra um boss. Os restantes níveis possuem todos a mesma mecânica de jogo: antes de começar cada nível é-nos indicado que devemos procurar um determinado objecto e depois o portal que nos levará para o nível seguinte. Nessa introdução são também-nos dadas algumas dicas das direcções que teremos de tomar para encontrar o tal objecto e a sua saída. Os controlos são simples, com um botão para saltar e outro para atacar com a espada. À medida que vamos defrontando inimigos e/ou abrir baús de tesouros espalhados pelos níveis, poderemos encontrar vários itens como dinheiro, bombas, vidas extra ou itens que nos regeneram a vida.

As influências orientais da versão original são ainda notórias nalguns cenários e inimigos

Também espalhados nalguns níveis apenas estarão lojas onde poderemos gastar o dinheiro amealhado e comprar novas armas, bombas e armaduras. As armas quanto mais poderosas forem menos golpes necessitamos para matar os inimigos, já as armaduras quanto mais poderosas forem mais pontos de vida podemos ter. As bombas que referi há pouco podem apenas ser usadas quando compramos a espada Lion Blade. Ao manter o botão de ataque pressionado durante alguns segundos, iremos carregar um ataque que usará uma destas bombas, capazes de causar dano considerável em todos os inimigos à nossa volta. De resto é um jogo repleto de obstáculos e armadilhas, pelo que devemos explorar os níveis com o devido cuidado. No final de cada mundo somos recompensados com uma password que nos facilitará a tarefa de recomeçar o jogo caso percamos todas as vidas.

Escondidos nalguns níveis vão estar algumas lojas que nos permitem comprar algum equipamento

A nível audiovisual acho um jogo interessante. De certa forma o design de alguns inimigos e dos próprios níveis me faz lembrar jogos como Shadow of the Beast, embora felizmente este Galahad não seja tão frustrante. Os níveis em si é que não têm muita variedade de cenários, com as mesmas montanhas, cavernas e fortalezas a serem exploradas. No entanto, quando comparado ao original do Amiga, esta versão Mega Drive graficamente até que é bastante interessante, ao incluir diversos efeitos de parallax scrolling nos seus cenários, algo que não existe no original. Nada a apontar aos efeitos sonoros que são bem competentes, já as músicas até devo dizer que gostei bastante das mesmas. São poucas músicas, para além da abertura e fecho do jogo, temos apenas 1 música por mundo. Mas apesar de poucas, são melodias agradáveis e o sound driver da Krisalis que é usado em muitos jogos britânicos na Mega Drive até que é bastante competente.

O design de alguns inimigos faz-me lembrar as criaturas do Shadow of the Beast

Portanto devo dizer que até gostei deste The Legend of Galahad. É um jogo de acção que nos obriga a explorar os níveis intensamente e com algumas mecânicas de RPG de acção. É uma pena que todos os níveis sejam fetch quests, isto se fosse um jogo mais aberto, mais metroidvania, seria certamente um clássico. Ainda assim parece-me bem competente e um óptimo jogo de estreia da Traveller’s Tales.

Second Samurai (Sega Mega Drive)

Depois do First Samurai, a Vivid Image acabou por produzir uma sequela, também com as suas origens no Commodore Amiga, mas acabou por receber em 1994 uma conversão para a Mega Drive, que se ficou apenas por um lançamento europeu. É um jogo algo bizarro e desafiante tal como o original, mas por outro lado, e particularmente a versão Mega Drive, é visualmente muito apelativo também. O meu exemplar foi comprado algures no mês de Junho na CeX de Gaia. Custava 50€, mas consegui-o trazer por 30 pois tinha coisas para trocar que abateram bastante no preço.

Jogo com caixa e manual

Ora aqui encarnamos uma vez mais no masmo samurai do primeiro jogo, na sua luta contra o Demon King, embora desta vez não tenhamos aquelas pequenas cutscenes que vão contando o desenrolar da história tal como no primeiro jogo. E também tal como no primeiro jogo iremos atravessar diferentes períodos no tempo, começando a aventura na pré-história, saltando depois para um futuro distante e por fim terminamos no Japão feudal onde acabaremos por defrontar o Demon King uma vez mais. A grande diferença que salta logo à vista neste Second Samurai é o facto de este ser um jogo cooperativo que pode ser jogado por 2 jogadores em simultâneo, com a introdução de uma samurai feminina também jogável.

No Second Samurai temos uma samurai feminina que podemos controlar e um modo multiplayer cooperativo também

Este é então um jogo de acção em 2D sidescroller com alguns elementos de plataforma e beat ‘em up. Os controlos são relativamente simples, com o botão B para atacar, C para saltar e o A para atirar facas, cujas são de número limitado e que podem ser apanhadas em diversos power ups. Mas tal como o First Samurai, as mecânicas de jogo podem ser um pouco bizarras e nem sempre óbvias. O objectivo de cada nível é o de destruir uma série de jarros azuis e só depois procurar a sua saída. Temos um número mínimo de jarros azuis por destruir por nível, pelo que teremos de os explorar muito bem, pois alguns vão estar escondidos e vão-nos obrigar a interagir com os cenários, como pegar e atirar rochas para desbloquear passagens, ou usá-las como plataformas. Inicialmente começamos por combater apenas com os nossos punhos e pontapés, mas eventualmente ao apanhar um pergaminho branco desbloqueamos a nossa espada. Tal como no primeiro jogo, se sofrermos muitos pontos de dano acabamos por perder a espada e teremos de combater com socos e pontapés novamente até encontrarmos um novo pergaminho branco. Outros power ups que podemos apanhar são comida que nos regeneram a barra de vida, ou outros pergaminhos coloridos com diferentes efeitos. Os vermelhos activam de imediato um ataque especial que eliminam todos os inimigos no ecrã em simultâneo, os azuis dão-nos invencibilidade temporária e os amarelos teletransportam-nos de volta para o último checkpoint que tenhamos activado.

Naturalmente vamos ter uns quantos bosses para enfrentar, que tipicamente estão muito bem detalhados

E este não é um jogo propriamente fácil, mesmo nos níveis de dificuldade mais baixos. Teremos inúmeros inimigos a atacar-nos de todos os lados pelo que nos temos de manter ágeis. Felizmente vão também surgindo muitos power ups como facas e comida que nos irão certamente ajudar. Para além disso, no final de cada nível temos direito a uma password que nos permitirá recomeçar o jogo a partir desse ponto. De resto, para além dos níveis normais com algum platforming à mistura, ocasionalmente o jogo presenteia-nos com alguns níveis de mecânicas de jogo únicas, como aquele onde viajamos nas costas de um velociraptor a alta velocidade e temos de evitar uns quantos obstáculos, ou os outros níveis no futuro onde, equipados de um jetpack, o jogo assume mecânicas de shmup.

Um samurai a cavalgar num velociraptor? Porque não?

A nível audiovisual devo dizer que fiquei muito agradado com esta conversão. Nunca joguei o original de Amiga, mas fui espreitar um gameplay e a sua versão original, a nível gráfico, é muito semelhante ao primeiro jogo e sua conversão para a Super Nintendo. Ou seja, sprites pequenas, cenários não muito detalhados e cores bastante escuras. Esta conversão para a Mega Drive acaba então por ser surpreendente na medida em que os gráficos foram completamente retrabalhados. As sprites são grandes e bem detalhadas, os cenários também são coloridos (dentro das limitações habituais da Mega Drive) mas com um nível de detalhe bem maior do que aquele oferecido pela versão Amiga. Os bosses são particularmente excelentes! As músicas também são bastante agradáveis nesta versão, possuindo uma toada mais rock/electrónica com o ocasional toque oriental.

Quaisquer semelhanças com os exterminadores são mera coincidência

Portanto devo dizer que fiquei agradavelmente surpreendido com este Second Samurai. É um jogo desafiante, algo bizarro por vezes, as suas mecânicas de jogo e progressão nalguns níveis nem sempre são evidentes (e nem sempre o manual ajuda também). Mas o detalhe gráfico que fizeram questão de evidenciar nesta versão Mega Drive acaba mesmo ser uma excelente surpresa.