Dino Dini’s Soccer (Sega Mega Drive)

Vamos voltar às rapidinhas com mais um jogo de desporto, desta vez a conversão para a Mega Drive do Goal! de Dino Dini, que foi a mente por detrás dos primeiros dois Kick Off, jogos de futebol que tiveram bastante sucesso na Europa no início da década de 90. O meu exemplar veio cá parar à colecção após uma troca que fiz com um amigo no passado mês de Dezembro.

Jogo completo com caixa e manual

Bom, este é um jogo não licenciado, onde apenas podemos representar selecções nacionais e com uma jogabilidade rápida mas, tal como em jogos como o Sensible Soccer, a bola anda sempre bastante solta pelo que para mim sempre obrigou a uma maior habituação aos controlos, pois é difícil controlar a direcção para onde queremos encaminhar a bola. Por vezes queremos virar para a esquerda ou direita e a bola continua a seguir a sua trajectória original… O jogo obriga-nos então a encaminhar a bola sempre que os nossos pés estejam prestes a tocar nela, o que é difícil se estivermos em corrida. De resto é mais um daqueles jogos em que implementam o after touch, ou seja, depois de rematar, podemos definir uma trajectória de arco ao manter o botão direccional pressionado na direcção pretendida.

Podemos também customizar as equipas, que naturalmente possuem nomes fictícios

A nível de modos de jogo temos bastantes, desde o modo amigável, um modo de treino para practicar os controlos, um modo arcade onde o objectivo é o de defrontar vitoriosamente o máximo de equipas possível e por fim temos as competições propriamente ditas. Para além de campeonatos por pontos podemos também simular um campeonato do mundo, desde as qualificações continentais, até à sua fase final. De resto durante as partidas podemos definir tácticas e temos de ter em conta a condição física dos jogadores, pois estes podem também se lesionar e sermos obrigados a substituí-los.

Para quem não estiver habituado a controlos mais soltos como os do Kick Off ou Sensible Soccer, o modo de treino é obrigatório

A nível audiovisual é um jogo simples porém eficaz. Tipicamente o jogo apresenta uma câmara de scrolling vertical com uma vista de cima, mas podemos mudar para uma câmara de scrolling horizontal se assim o desejarmos. Em certas alturas, como nos replays ou quando marcamos um pontapé de baliza, a câmara faz um zoom out que nos dá uma maior perspectiva do posicionamento dos jogadores, o que é um pormenor interessante. De resto, o jogo tem música durante as partidas o que sinceramente até se adequa bem dado a natureza mais “arcade” deste jogo. Nada a apontar aos efeitos sonoros que cumprem bem o seu papel, só mesmo deixar um comentário ao clip de voz que ouvimos ao iniciar o jogo: Dino Dini’s Soccer – it’s in the name! É não só uma óbvia referência ao slogan da EA Sports, mas também ao peso que Dino Dini e o seu Kick Off deixou nos jogadores europeus.

Em certas alturas o câmara muda para uma perspectiva mais distante, o que nos dá uma maior visibilidade do campo. É bom para os livres!

Portanto estamos aqui perante um jogo de futebol que até me parece bastante competente, mas eu nunca consegui habituar-me completamente à jogabilidade de jogos com o Kick Off, precisamente pela bola andar muito solta e obrigar-nos a ter muito mais controlo sobre a nossa movimentação, passes e remates. Mas para quem for fã do género, estou certo que têm aqui um bom jogo. Este foi também lançado para a Super Nintendo, mas aparentemente o Dino Dini não teve qualquer envolvimento no seu desenvolvimento, pelo que presumo que esta versão seja então superior.

Zero: The Kamikaze Squirrel (Sega Mega Drive)

O Aero the Acro-Bat foi mais um de muitos jogos de plataforma com mascotes que foram lançados na primeira metade da década de 90, para capitalizar com o sucesso de Sonic the Hedgehog. E enquanto desenvolviam a sua verdadeira sequela, aproveitaram e criaram também este Zero: The Kamikaze Squirrel, que tem como protagonista o esquilo ninja Zero, mas agora como herói. O meu exemplar foi comprado a um reseller da minha zona algures neste verão passado, custou-me 60€, mas não foi um mau preço de todo tendo em conta os valores que se vêm por aí, infelizmente.

Jogo com caixa e manual. Curiosamente esta foi uma cópia usada por uma distribuidora alemã e que não era suposto estar à venda.

Algures durante os acontecimentos do Aero the Acro-Bat 2, o Zero recebe um pedido de ajuda da sua namorada Amy, que lhe diz que a floresta da sua ilha está a ser desvastada por um bandido qualquer que está a usar a madeira da floresta para criar papel e imprimir dinheiro falso, para além de toda a poluição que estão também a causar. Zero, contra a vontade do seu patrão e vilão Ektor, parte então para a sua ilha natal de forma a por um fim ao que por lá estava a acontecer e resgatar também a sua companheira.

Zero, antes vilão, agora herói

E este é então mais um jogo de plataformas em 2D, mas com uma jogabilidade muito peculiar, pois o Zero está cheio de diferentes habilidades. E presumo que a versão Super Nintendo tenha sido a principal versão em desenvolvimento, pois Zero tem bem mais acções disponíveis do que os botões num comando de 3 botões regular da Mega Drive, o que pode tornar os controlos um pouco mais confusos. Isto porque o botão A serve para atirar shurikens, que por sua vez possuem munição limitada. Se usado com o direcional para cima, permite-nos atirar shurikens na diagonal para cima, já para atirar shurikens na diagonal para baixo temos primeiro de saltar com o botão B e pressionar o d-pad para baixo. O botão B, para além de saltar (e de fazer o Zero rodopiar e saltar mais alto, quase como se um segundo salto se tratasse), caso estejamos agachados permite também atacar inimigos que estejam próximos com as nunchucks. Já o botão C, se estivermos imóveis permite mover a câmara para observar o nível, mas se estivermos em pleno salto, faz com que Zero, como os esquilos voadores, possa planar, sendo que podemos controlar a direcção do voo com o direccional. E isto não é tudo! Portanto há muito para aprender nos controlos deste jogo, e infelizmente poucos botões para tanta coisa.

São poucos botões para tanta acção!

De resto é um jogo de plataformas típico, repleto de inimigos para combater, obstáculos para evadir, itens e power ups que podemos coleccionar. Alguns apenas servem para aumentar a pontuação, outros dão-nos vidas extra, ou no caso das letras Z, que regeneram ou extendem a barra de vida de Zero. Ocasionalmente podemos encontrar umas portas insufláveis que, depois de cheias, nos levam a salas secretas onde poderemos encontrar letras Z ou vidas extra. Também ocasionalmente vamos tendo alguns níveis onde Zero conduz veículos como o barco ao descer uns rápidos ou ao atravessar uma zona altamente poluída. Também vamos tendo alguns bosses e mid bosses para enfrentar sendo que para alguns teremos de usar todas as habilidades ao nosso dispor para os enfrentar.

Graficamente é um jogo bastante colorido e com um agradável nível de detalhe

A nível audiovisual, tal como os Aero the Acro-Bat, este é também um jogo bem colorido e detalhado, com alguns efeitos de parallax scrolling interessantes nalguns níveis. Os cenários vão sendo também distintos, ao atravessar zonas como a praia, cavernas, um vulcão, rios, floresta e claro, as tais fábricas que andam por ali a causar problemas. Zero está bem detalhado, bem como os inimigos também. As músicas são uma vez mais agradáveis e tendo em conta que usam o driver de som GEMS, é algo de se lhe tirar o chapéu, pois o som é bastante suave, o que não acontece na esmagadora maioria dos jogos que utilizam essa tecnologia para as músicas.

Vamos tendo também uns quantos bosses e minibosses para defrontar e podemos ver o dano que lhes vamos infligindo pela sua barra de vida

Portanto este Zero the Kamikaze Squirrel é um jogo de plataformas sólido e agradável, se não fossem os controlos algo complicados devido ao comando standard da Mega Drive ter apenas 3 botões faciais. Presumo que a versão SNES seja melhor nesse aspecto mas confesso que não a cheguei a experimentar sequer. Fica-me a faltar o Aero 2 para fechar esta saga, mas infelizmente esse é outro dos jogos caríssimos. Se um dia aparecer uma boa oportunidade logo se vê.

The Chaos Engine (Sega Mega Drive)

Voltando à Mega Drive, vamos ficar com mais uma adaptação de um jogo europeu com as suas origens no Commodore Amiga. Desenvolvido pela The Bitmap Brothers, este Chaos Engine é um divertido run ‘n gun com grande foco no multiplayer cooperativo, até porque mesmo se jogarmos sozinhos, o CPU controla outra personagem. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu no passado mês de Agosto por 5€.

Jogo com caixa e manual

A história leva-nos algures a inglaterra durante a época victoriana, onde um cientista constrói a tal “The Chaos Engine”, um computador primitivo que se tornou autoconsciente e começa a causar o pânico, ao tornar os animais agressivos e criar máquinas que atacam os humanos. Ao iniciar o jogo, teremos a hipótese de escolher um entre 6 mercenários com diferentes armas e características. Caso joguemos sozinhos, teremos também de escolher qual o mercenário para ser controlado pelo CPU, pois tal como referi acima, este é um jogo muito focado no multiplayer cooperativo.

Estes postes energéticos são os que temos de activar para desbloquear a saída do nível

E depois lá somos largados num nível na floresta, onde teremos de atirar sobre inimigos que nos atacam e descobrir a saída do nível. Para a desbloquear, teremos primeiro de descobrir e activar uma série de torres de energia que estarão espalhadas pelos níveis, que por sua vez terão tipicamente um design algo labiríntico. Para além de inúmeros inimigos que por sua vez deixarão cair moedas depois de derrotados, teremos também vários itens para coleccionar. As chaves abrem-nos automaticamente novos caminhos assim que as recolhemos. Os símbolos de Yin-Yang servem de checkpoints caso morramos, outros power ups melhoram o nosso poder de fogo, enquanto outros regeneram parcialmente a barra de vida, ou mesmo atribuir vidas extra. A cada dois níveis somos também levados para um ecrã de gestão das nossas personagens, onde poderemos gastar as moedas que amealhamos ao comprar upgrades que melhorem permanentemente os stats dos mercenários escolhidos, vidas extra ou mesmo novas special weapons. Isto porque cada mercenário para além de ter diferentes atributos e armas primárias equipadas (sempre com munição infinita), também vão tendo special weapons diferentes entre si, mas à medida que as personagens vão evoluindo, vão poder usar também outras armas especiais. Habilidades como usar bombas, sticks de dinamite, cocktails molotov, todos eles com diferentes alcances e splash damage. Ou mesmo a habilidade de regenerar alguma da nossa barra de vida, ou simplesmente a de poder consultar um mapa se estivermos perdidos. Vão havendo então bastantes diferenças entre as personagens e as habilidades que cada um terá acesso, o que será também bom para a longevidade do jogo.

A cada dois níveis somos levados para uma loja onde podemos gastar o dinheiro que amealhamos para melhorar ambas as personagens, seja nos seus atributos ou ao comprar mais equipamento

A nível audiovisual sinceramente acho o jogo bem consistente. A estética vitoriana está bem lá presente, tanto no design das personagens jogáveis, ou até na estética do logotipo do jogo, menus e afins. Os cenários que vamos explorando vão sendo algo variados entre si, embora em número algo reduzido, pois temos 4 cenários distintos a explorar, com outros 4 níveis cada. São níveis grandinhos, de natureza algo labiríntica e que nos obrigarão a explorar bem cada recanto e disparar sobre tudo o que mexa, mas de certa forma se calhar preferia níveis mais curtos, mas com maior variedade nos cenários. De resto, acho os gráficos agradáveis para um título de 16bit e a banda sonora também não é nada má, nada má mesmo. Ainda no som, também devo destacar a quantidade (e qualidade) de samples de voz, seja ao apanhar power ups, activar as tais torres de energia, ou ao desbloquear as saídas dos níveis.

Cada personagem possui diferentes habilidades, pelo que o jogo até tem uma longevidade considerável se as quisermos explorar a fundo

Portanto devo dizer que fiquei agradavelmente surprendido por este The Chaos Engine. É um shooter bastante sólido, que nos apresenta uma interessante variedade de personagens jogáveis e com diferentes caminhos de evolução para cada. O seu foco no multiplayer cooperativo também me pareceu interessante, mas acabei por o ter de jogar sozinho e o personagem controlado pelo CPU nem sempre era muito inteligente. Mas nesse caso também podemos evoluir a sua inteligência no tal ecrã de customização, o que é outro detalhe interessante. A sua sequela The Chaos Engine continuou a apostar no multiplayer mas desta vez no competitivo e, apesar de existir algures um protótipo de uma conversão para a Mega Drive, essa versão nunca se chegou a materializar, o que é pena.

The Lawnmower Man (Sega Mega Drive)

Este The Lawnmower Man é um jogo bizarro, mas que me traz algumas boas memórias. Lembro-me que foi um jogo que ofereci a uns amigos de infância no seu aniversário (eles são irmãos gémeos) e ficamos a tarde toda a jogar, mas sem entender nada do que estava ali a acontecer no ecrã. Eventualmente lá arranjei um exemplar para mim que me veio parar às mãos algures em Julho deste ano, depois de o ter comprado a um amigo por 5€.

Jogo com caixa

E este jogo é também baseado num filme de mesmo nome que nunca cheguei a ver. Não sei até que ponto é que o jogo é fiel aos acontecimentos do filme, mas basicamente havia alguém que era muito, muito burro, o tal “jardineiro” chamado Jobe Smith. Uma equipa de cientistas que trabalhava em inteligência artificial e realidade virtual decide fazer experiências no Jobe e de facto ele ficou muito mais inteligente, mas também bastante agressivo. Aparentemente quer dominar o mundo ao controlar todos os computadores através de realidade virtual e nós teremos de evitar que isso aconteça.

Os níveis em sidescrolling possuem gráficos com sprites pequenas, mas tudo está bem detalhado na minha opinião

No que diz respeito à jogabilidade, este é um jogo bastante original e bizarro nesse aspecto. Começamos por jogar numa zona residencial e o jogo aí assume-se como um jogo de acção 2D sidescroller, onde com um botão disparamos a nossa arma, com o outro saltamos e o botão C serve para carregar e disparar uma outra arma especial. Aqui temos de jogar de forma cuidada pois os inimigos precisam de levar com uns quantos disparos, enquanto que a nós basta-nos levar com um tiro para perder uma vida. Iremos também encontrar imensos itens e power ups, que tanto nos fazem aumentar a pontuação, vidas extra ou servem de upgrade para a nossa arma. Os CDs que vamos encontrando, se coleccionados em número suficente, permitem-nos usar o Virtual Cyber Suit, que basicamente nos permite sofrer algum dano antes de perder uma vida. Ocasionalmente vamos encontrar também alguns terminais que podemos hackear, ao resolver uma série de padrões lógicos ao adivinhar que número ou símbolo irá surgir numa determinada série. Se conseguirmos desbloquear o terminal, este explode, libertando bastantes power ups para apanhar.

Os níveis na primeira pessoa possuem gráficos muito estranhos

Uma vez chegando à saída do nível teremos de entrar num portal que nos leva ao mundo virtual. Aqui tipicamente jogamos numa perspectiva de primeira pessoa, onde a nossa personagem se move automaticamente e onde teremos de nos desviar de uma série de obstáculos até chegar à saída. Ocasionalmente teremos também de defrontar uma série de inimigos onde a nossa personagem pára de se mover automaticamente e poderemos então combater os inimigos mais calmamente. O jogo vai estar constantemente a alternar entre os níveis em 2D sidescrolling e estes segmentos na realidade virtual, sendo que também teremos outros níveis na realidade virtual onde conduzimos uma nave espacial. Aqui não só teremos de nos desviar dos obstáculos, bem como combater alguns inimigos ou destruir obstáculos que nos surjam à frente.

Já os níveis onde conduzimos a nave espacial, apesar de serem algo frustrantes, possuem alguns efeitos gráficos muito interessantes.

A nível audiovisual, bom, os segmentos em 2D sidescroller até que possuem cenários variados e bem detalhados. A escala do que vemos no ecrã é pequena, tanto nas sprites das personagens principais e inimigos, bem como os objectos do cenário, mas tudo tem um bom nível de detalhe na minha opinião. Quando transitamos para a realidade virtual, os níveis na primeira pessoa apresentam uns gráficos muito estilizados e, apesar de simples, representam uma interpretação algo exótica do que seria viajar num mundo cibernético. Já aqueles segmentos onde pilotamos uma nave espacial possuem alguns efeitos gráficos bastante interessantes. Já no que diz respeito ao som, nada de especial a apontar aos efeitos sonoros, já as músicas sinceramente achei-as surpreendentemente boas! E ao consultar a base de dados do Sega Retro, este é um jogo que usa um sound driver customizado e não o sofrível GEMS, portanto isso também ajuda.

Ao interagir com os terminais temos de resolver uma série de puzzles lógicos onde teremos de escolher qual das quatro figuras de baixo é a solução para a série apresentada acima

Portanto este Lawnmower Man é um jogo original, porém bastante bizarro. Os seus segmentos de realidade virtual podem ser um pouco frustrantes porque nem sempre é fácil desviarmo-nos atempadamente dos obstáculos e não tanta margem de erro assim, mas não deixam de ser segmentos interessantes. Para além de uma versão para a Gameboy que não tenho grande curiosidade de experimentar, esta versão saiu também na Super Nintendo e aparentemente inclui ainda alguns níveis extra. Também estou curioso para ver como implementaram os segmentos de realidade virtual nessa versão! Existe também uma versão para PC e Mega CD que também estou curioso em experimentar no futuro, pois é uma versão completamente diferente desta da Mega Drive/SNES.

Robocop Versus The Terminator (Sega Mega Drive)

Há pouco tempo atrás deixei cá um artigo do Robocop vs the Terminator para a Master System. Foi uma das várias adaptações para videojogos do crossover que surgiu nas comics entre ambas as séries de filmes de acção e o resultado final, para uma plataforma 8bit até que foi um jogo de acção bem sólido. A versão de Mega Drive, apesar de ser algo semelhante no seu conteúdo, é muito superior graficamente, como irei detalhar mais lá para a frente. O meu exemplar foi comprado no passado mês de Outubro na CeX, tendo-me custado algo em volta dos 20€.

Jogo com caixa e manual

A história é então semelhante à versão da Master System, onde o Robocop acaba por viajar ao futuro apocalíptico em que a raça humana estava a ser exterminada através de cyborgs assassinos construídos pela inteligência artificial Skynet. O jogo é então mais um sidescroller em 2D, onde ao longo de vários níveis teremos diferentes objectivos para cumprir, desde resgatar reféns/prisioneiros, destruir radares, destruir uns quantos exterminadores ou pura e simplesmente sobreviver até ao final do nível, onde tipicamente teremos também um boss para defrontar. A nível de controlos as coisas são também simples, com um botão para saltar, outro para disparar e um outro para alternar entre arma. Esta foi a primeira diferença que vi na jogabilidade entre esta versão e a da Master System, pois aqui poderemos carregar 2 armas em simultâneo, sendo que as mesmas vão sendo atribuídas através de power ups que poderemos apanhar. Há um grande número de armas diferentes e algumas até possuem habilidades especiais. Por exemplo, a spread gun para além de disparar bolas de fogo em 3 direcções, é também capaz de absorver alguns dos projécteis inimigos, já a plasma gun pode derrotar um exterminador normal com um disparo apenas. Portanto, à medida que vamos conhecendo as diferentes armas e os seus potenciais, temos também de ter cuidado em não apanhar uma arma mais fraca, pois esta irá substituir a que estiver equipada naquele momento.

Os níveis têm por vezes uma natureza mais labiríntica, pelo que teremos de usar escadas, atravessar precipícios num cabo de aço ou explorar outras divisões através de portas

Outros power ups consistem em vidas extra, aqueles frascos com um líquido estranho mas que nos regenera a vida, ou mesmo um escudo que nos dá invencibilidade temporária. Este é sem dúvida um dos power up mais preciosos, pois este jogo é bastante desafiante. É que a grande dificuldade do jogo não está só na quantidade de inimigos que enfrentamos e os seus projécteis que teremos de evitar, mas principalmente pelo facto de o jogo não ter frames de invencibilidade temporária depois de sofrer dano, o que acontece em muitos outros jogos de acção da época. Ou seja, se por algum motivo recebermos dano contínuo, como entrar em contacto físico com algum inimigo ou boss, muito rapidamente a nossa barra de vida sofre um grande rombo. Portanto temos mesmo de jogar com calma e aproveitar ao máximo todas as vidas extra que conseguirmos amealhar, pois o jogo até é generoso o suficiente por nos permitir recomeçar do mesmo ponto e com as mesmas armas equipadas. Mas aquele último boss… nunca vi uma esponja de balas tão grande! Vai ser practicamente impossível não perder umas quantas vidas ali.

Tipicamente no final de cada nível temos um boss para defrontar

A nível audiovisual acho-o sinceramente um jogo excelente, pelo menos do ponto de vista gráfico. Os cenários vão sendo algo variados entre si, ao levar-nos em áreas urbanas e repletas de bandidos humanos, mas também outras zonas mais industriais como laboratórios ou bases inimigas e repletas de estruturas de aço. Um pouco como na versão Master System portanto, mas com um nível de detalhe muito maior, tanto nos cenários, como nos backgrounds e nas sprites, tanto a do Robocop como as dos inimigos: as sprites são grandes e bem detalhadas. Todos sabemos que uma das maiores limitações no hardware da Mega Drive é o reduzido número de cores em simultâneo que a consola pode apresentar, pelo que em jogos que supostamente deveriam ser altamente coloridos, nem sempre os resultados são convincentes. Neste caso em particular, os cenários são todos mais escuros, com um ambiente bastante noir, e neste caso a Virgin conseguiu mesmo aproveitar as limitações da consola nas suas cores ao apresentar cenários escuros, mas convincentes.

Derrotar os inimigos humanos resulta numa satisfatória poça de sangue

E claro, o gore. Já a versão Master System era surpreendentemente sangrenta e aqui também não fizeram por menos, em particular nos primeiros níveis, onde iremos encontrar inimigos humanos com maior frequência. Estes, depois de derrotados, também explodem em poças de sangue e os que se escondem atrás das janelas de suas casas também não têm muita sorte, com os cortinados a ficarem todos manchados de sangue depois de derrotados. Os inimigos mais robóticos também podem ser aniquilados de forma mais violenta, mas claro que aí o impacto visual já não é tão grande. De resto, as músicas possuem uma temática bem mais rock, o que me agrada bastante, mas nem sempre as músicas são tão agradáveis ou memoráveis, na minha opinião. Esta versão possui também alguns clips de vozes digitalizadas, mas infelizmente nem sempre são tão perceptíveis quanto isso.

Nem os que estão escondidos atrás das suas janelas escapam de uma morte sangrenta

Portanto este Robocop vs the Terminator para a Mega Drive é um jogo que me surpreendeu bastante pela positiva, especialmente pela sua apresentação ao apresentar gráficos muito convincentes. Peca no entanto pela sua dificuldade exagerada, mesmo se o jogarmos em normal, pelo que é um dos que irá dar muito trabalho a conquistar a menos que usemos outros métodos como o auxílio de save states em emulação.