Venom – Spider-Man: Separation Anxiety (Sega Mega Drive)

Ora este é um jogo que já tenho na colecção desde o final de 2015, mas tenho evitado escrever sobre ele pois queria arranjar a sua prequela (Maximum Carnage) primeiro. Infelizmente com os preços a ficarem cada vez mais proibitivos tanto da versão Mega Drive como Super Nintendo, vou deixar de esperar e um dia que me apareça, escrevo algo depois. Como referi acima, este meu exemplar chegou-me à colecção no final de 2015, após o ter comprado a um particular por 10€. É um dos jogos que a Ecofilmes lançou cá com uma capa impressa por eles, mas com um cartucho e manual Sega Genesis. Teoricamente vinha também com o habitual manual PT da Ecofilmes. A Ecofilmes fez isto com vários jogos, curiosamente uma grande parte deles são da Acclaim, onde excedentes de stock Norte-Americano foram aproveitados para lançamentos por cá.

Jogo com caixa e manual, uma aberração da Ecofilmes

Infelizmente não tenho muitas coisas boas a dizer deste Separation Anxiety. O primeiro jogo, Maximum Carnage, colocava-nos no papel de Spider-Man ou Venom e iríamos enfrentar muitos vilões do universo Marvel, culminando no confronto contra o próprio Carnage. Aqui acabamos por repetir a dose, se bem que agora temos a possibilidade de jogar de forma cooperativa com outro jogador, um controla o Spider-Man, o outro o Venom. A nível de mecânicas de jogo parece-me ser muito idêntico, pois estamos perante um beat ‘em up onde tanto uma personagem como outra podem distribuir pancada com um certo foco em combos, bem como usar as suas habilidades especiais, como usar as teias tanto para atacar os inimigos, como para se moverem mais rapidamente pelo ecrã, bem como podem também escalar paredes e edifícios. À medida que vamos jogando iremos também encontrar alguns power ups, que tanto nos podem regenerar a barra de vida, fornecer vidas extras, ou manter um stock de golpes especiais que podemos activar a qualquer momento no jogo. Estes invocam certas personagens da Marvel como o Captain America, Ghost Rider ou Daredevil, que surgem no ecrã durante uns segundos e lançam um ataque capaz de atingir multiplos inimigos em simultâneo. Mas sinceramente nem sempre são tão úteis assim. Os últimos níveis foram especialmente frustrantes!

No primeiro nível enfrentamos uma série de bandidos mas rapidamente a variedade de inimigos diminui drasticamente

Até aqui tudo bem, e a inclusão de um modo multiplayer é de facto benvinda, mas em (quase) tudo o resto, este jogo acaba por ser inferior ao seu predecessor. A começar pelo design dos níveis e inimigos. Aqui a maior parte do tempo iremos percorrer cenários algo desinspirados e sem grande variedade de coisas a acontecer. Os inimigos também são um problema gritante de falta de variedade, pois iremos enfrentar sempre os mesmos robots e inimigos humanóides, mas com cores diferentes.

A grande novidade está mesmo no facto de podermos jogar com um amigo

A nível gráfico também achei um jogo algo desinsipirado. Por um lado as sprites do Venom e Spider-Man estão bem detalhadas e à medida que vamos distribuindo pancada vão surgindo no ecrã aquelas onomatopeias como BLAM e KABOOM mesmo como nas banda desenhada, o que já tinha achado um detalhe interessante no Maximum Carnage. Por outro lado os níveis são um pouco desinspirados e os seus visuais algo pré-renderizados também não ficaram assim tão bons. Mesmo a nível de apresentação, o Maximum Carnage tinha algumas cutscenes em formato de banda desenhada, aqui só temos algumas paredes de texto entre os níveis. Já as músicas, sinceramente até não as achei nada más de todo, é mais um dos poucos pontos positivos!

Portanto a ideia que fica deste Separation Anxiety é que foi um jogo feito à pressa, para capitalizar no sucesso que o primeiro recebeu. O modo multiplayer é de facto muito benvindo, mas em tudo o resto (excepto a banda sonora) o Maximum Carnage é superior.

Chuck Rock (Sega Mega Drive)

Tempo de voltar às rapidinhas para trazer cá mais uma conversão do Chuck Rock, um jogo de plataformas clássico, produzido originalmente pela saudosa Core Design para o Commodore Amiga e Atari ST. Tanto este jogo como a sua sequela acabaram por receber imensas conversões para outros sistemas e, no caso das consolas da Sega, a Virgin soube espremer bem o leite da vaca, pois tivemos ports para Master System, Game Gear e Mega CD, para além da versão Mega Drive que cá vos trago hoje. O meu exemplar veio cá ter através de uma troca que fiz com um amigo meu no passado mês de Janeiro.

Ora e o artigo de hoje é uma rapidinha porque este é essencialmente o mesmo jogo que já cá falei nas versões 8bit, embora com muitos melhores gráficos e som, mas as mecânicas de jogo são idênticas. Estamos aqui perante um jogo de plataformas onde controlamos Chuck, um homem das cavernas que tem de salvar a sua esposa que foi raptada por um vilão qualquer. E como muitos jogos de plataforma, a jogabilidade é muito simples, com um botão para saltar e outro para atacar (tanto com a barriga, como com pontapés quando saltamos). Poderemos também pegar, carregar e atirar rochas, que tanto servem de arma de arremesso, como de plataforma para alcançar zonas de outra forma inacessíveis! E também como habitual em jogos deste género, teremos imensos itens para apanhar, embora maior parte apenas nos dêm pontos extra. Já os corações restabelecem parcialmente a nossa barra de vida!

Visualmente esta versão está bem mais apelativa e com algumas animações cómicas

Mas é a nível audiovisual que esta versão é superior de longe às versões 8bit, pois os gráficos são muito mais detalhados e os níveis mais complexos, com mais inimigos e obstáculos. Acho piada a algumas das animações, como os dinossauros com frio no nível da neve! A nível de som esta versão é ainda superior às originais Atari ST e Amiga devido a permitir que tanto a música, como efeitos sonoros sejam tocados ao mesmo tempo. As músicas são agradáveis, especialmente a música título que nesta versão é acompanhada com uma banda a tocar os instrumentos. E a piada está mesmo nas animações estarem em sincronia com a música! O baterista mexe-se em ritmo com a bateria, o Chuck toca guitarra quando entra um solo e a sua esposa alterna entre a guitarra e teclas nos momentos certos! Achei um detalhe delicioso!

O sincronmismo da banda e a música ficou muito bem feito!

Portanto o Chuck Rock é um jogo de plataformas bem sólido e esta versão Mega Drive é muito competente. A versão Mega CD também parece ser muito semelhante, com a adição de uma cutscene de abertura que aparentemente existia também na versão Amiga, bem como música em formato cd-audio. Será certamente uma versão a ter em conta, caso surja a um bom preço.

Speedball II: Brutal Deluxe (Sega Mega Drive)

Ora vamos voltar às rapidinhas para mais um jogo desportivo na Mega Drive, com a conversão do Speedball II, um jogo de desporto futurista e violento que teve as suas origens em computadores como Commodore Amiga, mas acabou por receber muitas conversões para outros sistemas também. Este Speedball 2 já cá o trouxe para a Master System, e apesar desta ser uma versão com melhores gráficos e também mais fluída, é essencialmente o mesmo jogo, pelo que recomendo a leitura desse mesmo artigo para mais detalhes. O meu exemplar veio através de uma troca que fiz com um amigo meu no passado mês de Janeiro.

Ora como referi acima este é essencialmente o mesmo jogo que na sua versão Master System, com os mesmos modos de jogo principais, Knock-Out, League e Cup, onde iremos também encontrar as mesmas moedas que podem ser usadas posteriormente para melhorar os stats da nossa equipa, bem como os power ups que dão efeitos imediatos e temporários assim que os apanhemos. O objectivo continua a ser o de pontuar mais do que a equipa adversária, o que podemos fazer ao marcar golos, mas também ao distribuir pancada e marcar pontos ao interagir com alguns pontos específicos nas arenas. Nas arenas também temos aqueles locais que nos permitem activar multiplicadores de pontos, bem como superfícies onde podemos atirar a bola para que ela faça ricochete e venha carregada de energia, podendo também ser usada como arma de arremesso para tirar jogadores adversários da jogada (incluindo o guarda-redes!).

Espalhados pela arena vão estar umas quantas moedas e outros power ups

E sim, esta versão Mega Drive possui gráficos mais bem detalhados e uma jogabilidade mais fluída que a versão Master System, sendo bem mais agradável de jogar por esse motivo! A nível de som, continuamos a ter apenas uma música no ecrã título e algumas curtas melodias entre cada partida, que sinceramente não achei nada de especial. Os efeitos sonoros também não são nada do outro mundo, ouvimos os grunhidos dos jogadores à pancada uns com os outros, o barulho da bola a circular e pouco mais.

NHLPA Hockey 93 (Sega Mega Drive)

Voltando às rapidinhas a jogos desportivos, agora para a Mega Drive, vamos cá ficar com este NHLPA Hockey 93 que é o segundo jogo de hóquei no gelo, com o selo da EA Sports, que foi produzido para a Mega Drive. Mas ao contrário de todos os outros que possuem a licença oficial da NHL, este possui apenas a licença da NHLPA, ou seja, apesar de possuir nomes de jogadores reais, as equipas em si são algo fictícias, com os seus nomes a serem substituídos pelas cidades que representam. O meu exemplar veio de uma troca que fiz com um amigo meu no passado mês de Janeiro.

Jogo com caixa e manual

No que diz respeito aos modos de jogo, temos a possibilidade de participar em partidas amigáveis, ou modos de jogo mais longos como diferentes tipos de competições em playoff. Já a jogabilidade em si é bastante rápida e fluída como tem sido habitual nos NHL que tenho experimentado.

Tal como outros jogos EA Sports desta época, a apresentação das partidas simulava um programa televisivo

Já no que diz respeito aos gráficos, este NHL ainda tem aquela apresentação como se fosse um programa desportivo, com um comentador televisivo a mandar uns bitaites antes de cada partida. Já nas partidas em si, a arena de jogo é apresentada numa perspectica aérea com o campo a ser apresentado verticalmente. É um jogo bem detalhado sim, mas comparando com os NHL que foram saindo no futuro, como por exemplo o NHL 95, este acaba por ter visuais mais modestos. No que diz respeito ao som, durante as partidas apenas ouvimos os ruídos do público e do jogo em si, bem como aquelas icónicas melodias de orgão que vão tocando ocasionalmente. Já músicas propriamente ditas, apenas no ecrã título e menus entre partidas.

Tal como os restantes NHL que joguei, a jogabilidade é simples e fluída!

Portanto este NHLPA Hockey 93 até não é um mau jogo de todo. Possui uma jogabilidade fluída e visuais competentes, mas acaba por ser ultrapassado tanto em funcionalidades, modos de jogo, bem como nos grafismos ao longo das suas sequelas, pelo menos até ao NHL 95, onde a Mega Drive era ainda a principal plataforma de desenvolvimento.

Where in the World is Carmen Sandiego? (Sega Mega Drive)

Não fazia ideia que a personagem de Carmen Sandiego era assim tão famosa para ter despoletado inclusivamente uma série televisiva produzida pela Netflix em 2019. Criada originalmente em 1985 pela Broderbund para computadores, Where in the World is Carmen Sandiego é uma aventura onde teremos de perseguir uma série de bandidos, culminando com a apreensão da sua líder, a própria glamorosa Carmen Sandiego. Mas o jogo acabou por se tornar também num conhecido título educativo devido aos conhecimentos de geografia que nos obrigavam a ter. Com o seu sucesso, naturalmente que despoletou muitas sequelas e conversões, incluindo esta versão para a Mega Drive publicada pela Electronic Arts. O meu exemplar veio através de uma troca que fiz com um amigo algures em Dezembro passado.

Jogo com caixa e manual. Já a mini enciclopédia nem vê-la.

O conceito do jogo até que é original, mas peca um pouco pela sua repetividade. Basicamente encarnamos no papel de um detective que vai ter de investigar casos policiais onde artifactos valiosos vão sendo roubados em diversas partes do globo. Munido de uma base de dados que detalha todos os criminosos conhecidos da VILE (Villains’ International League of Evil), como o seu sexo, cor de cabelo, veículo que habitualmente conduzem e outros atributos como os seus passatempos ou se possuem alguma tatuagem, jóia ou anel que os identifique. Começamos cada caso na cena do crime onde tipicamente nos dizem o sexo do suspeito e depois teremos de investigar alguns edifícios locais e questionar testemunhas se nos dão mais detalhes dos suspeitos. Estas tipicamente poderão indicar alguma das características do bandido que está presente na tal base de dados, ou alguma pista sobre qual o seu próximo paradeiro, como o facto de ter viajado nalgum veículo com uma bandeira com determinadas cores, o facto de ter cambiado dinheiro para uma moeda específica, ou simplesmente o desejo dessa pessoa visitar algum lugar icónico no mundo. Com essas pistas vamos poder seguir o seu paradeiro ao local seguinte onde continuamos este processo. Eventualmente teremos pistas suficientes para identificar a identidade do bandido, que devemos aproveitar para emitir um mandado de captura e, quando finalmente o conseguirmos localizar, o mesmo acaba por ser preso e recomeçamos todo o processo num outro caso.

Francos era a antiga moeda da França. Mas também o é nalgumas das suas excolónias, pelo que deveremos interrogar o máximo de personagens possível para ter a certeza do próximo passo

O problema é que temos um tempo limite para apanhar o bandido e todas as acções que tomamos, seja visitar algum edifício ou viajar para um país, levam algumas horas e podemos exceder o tempo limite de captura, pelo que devemos prestar atenção às pistas que nos são indicadas e viajar sempre para os locais certos. São 30 casos ao todo que teremos de investigar até finalmente prendermos a Carmen Sandiego e terminar o jogo, o que torna as coisas um pouco repetitivas pois as mecânicas de jogo são sempre as mesmas. O outro problema é que os dados geográficos nem sempre estão correctos para a realidade actual. Há muito que países como a Itália ou Grécia já não usam a lira ou dracmas como unidade monetária, por exemplo. Aliás, o jogo era originalmente vendido com um pequeno livro tipo enciclopédia que tinha muitas das curiosidades e factos sobre todos os países que são aqui abordados. Ainda assim, sendo um jogo mais virado para um público jovem, os desafios não são nada de muito desafiante e sempre temos a internet para ajudar.

Quando tivermos a certeza do próximo destino que os bandidos tomaram, é persegui-los pelo globo!

Já no que diz respeito aos audiovisuais este é um jogo simples e com uma interface bastante intuitiva. O ecrã está dividido em duas partes, onde o ecrã esquerdo mostra algumas fotos digitalizadas do local que visitamos, já o direito é onde é apresentado todo o texto e no fundo temos quatro ícones que nos permitem efectuar acções distintas: a de consultar a base de dados da Interpol e eventualmente lançar o mandato de captura, a de visitar edifícios na cidade actual para questionar testemunhas, e um outro ícone com um avião onde poderemos viajar para outros países. Sempre que viajamos para um país, se acertamos no destino e estamos no encalço do bandido, vão sendo mostradas algumas animações que os mostram a andar de forma sorrateira, ou a escaparem-se de forma espectacular como num balão ou asa-delta, muito como num desenho animado. Assim que os capturarmos, temos direito a pequenas cutscenes do mesmo estilo cómico. As fotografias são de baixa resolução e detalhe devido às limitações da Mega Drive, mas não deixam de serem 100% esclarecedoras quanto ao país/cidade que visitamos. Já no que diz respeito às músicas e efeitos sonoros, estes vão sendo muito discretos. As músicas são apenas pequenas melodias que tocam ocasionalmente.

Vamos poder consultar os perfis de todos os criminosos da VILE e usar as pistas dadas por testemunhas para os identificar

Portanto devo dizer que até fiquei agradavelmente surpreendido com este jogo. É verdade que é extremamente repetitivo, mas a sua fórmula resulta muito bem como um videojogo educativo e é fácil entender o porquê do nome Carmen Sandiego ter tido um sucesso considerável nas décadas de 80 e 90.