Vamos voltar às rapidinhas, mas desta vez na Mega Drive, para mais um jogo de plataformas da Infogrames que, como era habitual nos seus jogos para consola nos anos 90, este é um jogo de plataformas baseado numa banda desenhada franco-belga. Nomeadamente o Spirou, claro! E esta é uma conversão directa do mesmo jogo da Super Nintendo que já cá trouxe no passado, daí este artigo ser mais curto visto que o jogo é muito similar. O meu exemplar foi comprado a um particular no passado mês de Setembro por cerca de 25€.
Jogo com caixa e manual. Falta-lhe o poster!
Ora como referi acima esta é uma conversão da versão SNES do mesmo jogo, onde controlamos Spirou numa série de níveis de plataformas em 2D com o objectivo de impedir a robot Cyanida de alcançar os seus planos de escravizar a raça humana. Os controlos são simples com um botão para correr, outro para saltar e um outro para usar a arma que eventualmente vimos a desbloquear. Arma essa que é a única forma de atacar inimigos, enquanto que se saltarmos para cima deles sofremos dano. Se bem que algumas criaturas podem servir de plataformas também…
O jogo começa por nos levar a Nova Iorque e desde cedo
Graficamente é um jogo muito bem detalhado e com níveis bem variados entre si, embora sejamos sinceros, a versão Super Nintendo leva a melhor até porque provavelmente foi a versão desenvolvida originalmente. Na SNES os níveis são mais coloridos, possuem mais detalhe a alguns efeitos gráficos adicionais, como o parallax scrolling da cutscene inicial. O ecrã de transição de níveis é também muito mais bonito na Super Nintendo. Mas atenção, a versão Mega Drive não fica muito atrás e é também um jogo muito bem detalhado. Infelizmente a banda sonora não é grande coisa mas eu também já me tinha queixado do mesmo na versão SNES.
Pelo meio temos direito a um nível com mecânicas de shmup para variar na jogabilidade. E com bonitos efeitos de parallax scrolling!
Portanto este Spirou é um jogo de plataformas tecnicamente muito competente, embora a versão SNES seja superior nesse aspecto. A nível de jogabilidade é muito semelhante: é um jogo de plataformas com níveis que por vezes se tornam algo labirínticos e teremos de resolver pequenos puzzles para progredir. Os inimigos aparecem muitas vezes em locais indesejáveis pelo que também pode causar algumas frustrações. Mas não deixa de ser bem competente.
Vamos a mais uma rapidinha pois o tempo não tem dado para muito mais. No passado já cá trouxe o Ferrari Grand Prix Challenge, mas para a Game Boy. Tanto essa como a versão NES foram lançadas no mesmo ano no Japão como apenas Ferrari, embora não saiba precisar qual delas é a versão original. No ocidente ambas as versões foram lançadas pela Acclaim, que também quis aproveitar o facto da Mega Drive estar a vender bem, pelo que procuraram também lançar um jogo com o mesmo nome, através da sua subsidiária Flying Edge. No entanto no caso da consola da Sega acabaram por aproveitar o lançamento em solo japonês de um outro jogo de Formula 1, o Nakajima Satoru Kanshuu F-1 Hero MD, pelo que o traduziram, colocaram um novo título e siga! O meu exemplar foi comprado a um amigo meu no mês passado de Junho por 5€.
Jogo com caixa
Ora e este é, tal como os restantes, um jogo de corridas de Formula 1, com uma maior tendência para a simulação, pois o seu modo de jogo principal é o campeonato. E aí, para além do ranking onde vamos competir, começamos por escolher qual o piloto e o fabricante que queremos representar. Antes de cada corrida podemos customizar o carro em várias categorias, como tipo de pneus, suspensão, travões, motor entre outros. Antes da corrida em si temos também a fase de qualificação. Durante as corridas vemos que o ecrã está dividido em 2, com a parte superior a mostrar várias informações como os tempos, a nossa posição (e a dos nossos oponentes) no circuito e no centro o estado do nosso carro, pelo que eventualmente teremos de fazer algumas paragens nas boxes. Para além do modo campeonato temos um modo de practicar qualquer circuito e com qualquer carro, bem como um modo time trial, embora este seja essencialmente um versus contra o CPU ou contra outro amigo.
Parece que não, mas esta divisão de ecrã tira-nos alguma visibilidade para curvas mais apertadas
Graficamente é um jogo muito simples, principalmente pela divisão obrigatória que temos no ecrã, o que também retira alguma da visibilidade do circuito. As pistas têm todas algum detalhe característico do país em questão nos seus cenários, mas o detalhe da pista em si e dos carros fica uns bons furos abaixo de outros jogos de Formula 1 existentes no catálogo da Mega Drive. Kudos no entanto para alguns pequenos detalhes como as diferentes condições meteorológicas, que vão transitando entre céu limpo, nublado (cinzento) e/ou com chuva. Ou o detalhe da indicação visual quando temos carros a aproximar-se da nossa traseira! Já no que diz respeito ao som, as músicas não são nada de especial e apenas as ouvimos no ecrã título e menus. Já durante as corridas temos apenas direito aos efeitos sonoros, que por sua vez também não são nada de extraordinário. O ruído quando embatemos noutros carros ou obstáculos como painéis publicitários é especialmente estranho.
Não sei o que esta senhora está aqui a fazer no ecrã de escolha de modo de jogo. Já na versão japonesa temos uma foto digitalizada de umas quantas meninas!
Portanto este Ferrari Grand Prix é um simulador de Formula 1 algo mediano. A Mega Drive tem alguns títulos bem melhores, como é o caso do tecnicamente impressionante F1 e seus sucessores ou, comparando com um jogo do mesmo ano, o Ayrton Senna’s Super Monaco GP II.
Vamos voltar às rapidinhas, agora para um jogo de baseball algo fora do vulgar na Mega Drive. Na verdade este Super Baseball 2020 até foi lançado originalmente para a Neo Geo algures em 1991, sendo que uns anos depois temos esta conversão a cargo da Electronic Arts. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu no passado mês de Junho por 5€.
Jogo com caixa e manual
Bom, mesmo eu não entendendo patavina do desporto, rapidamente vemos que este não é um jogo de baseball normal. Apesar de 2020 já não ser futuro, era para 1991. E o que aqui temos é um jogo de baseball futurista, com equipas mistas entre homens, mulheres e robots, os estádios são também algo futuristas e diferentes na sua composição, havendo só uma “pequena” janela disponível para home runs na secção das bancadas que estão em directamente frente ao batedor. Já as bancadas laterais estão protegidas com vidros, fazendo com que a bola faça ricochete e/ou rebole novamente para a área de jogo. Ao fim de algum tempo em prova, até minas terrestres vão ser colocadas em campo só para chatear! Para além disso vamos ganhando dinheiro à medida que vamos conseguindo fazer algumas jogadas, dinheiro esse que poderá servir para comprar power ups para os nossos atletas: os jogadores humanos vão ficando fatigados e os robots podem avariar ou simplesmente ficar sem energia e podem então ser trocados por robots mais poderosos. Para além disso, também poderemos melhorar alguns stats dos jogadores com esse dinheiro.
O layout do estádio muda um pouco neste jogo, se bem que para além dos home runs pouco entendi das mudanças
Portanto com todas estas particularidades na jogabilidade, aliadas a um ritmo de jogo mais frenético, nota-se bem que Super Baseball 2020 tenha tido as suas raízes nas arcades. A nível visual é bem competente, não perdendo muito para a versão Neo Geo a não ser nas cores, como já é normal em jogos da Mega Drive. As animações e detalhe gráfico no geral são boas e ocasionalmente vemos até algumas pequenas cutscenes bem detalhadas de certas acções, como os jogadores que apanham uma bola de forma espectacular, ou os que ficam lesionados quando levam com uma bola em cheio no corpo. Todos esses detalhes contribuem para um jogo com uma apresentação visual muito interessante. Já no que diz respeito ao som, as músicas não as achei nada de especial e as vozes digitalizadas infelizmente soam muito arranhadas.
Graficamente é um jogo interessante e que tem os seus bons momentos
Portanto para os poucos deste lado do Atlântico que eventualmente apreciem o desporto e queiram jogar algo mais arcade, este Super Baseball 2020 até que parece bem competente, não só pelos seus bons visuais, mas por toda a jogabilidade frenética e futurista.
Mais uns dias de calor intenso, mais uns dias em que a vontade de ligar qualquer fonte de calor é virtualmente nula. Mas lá resolvi dedicar-me a mais um jogo Mega Drive da minha colecção, desta vez a mais uma experiência da Sega com uma das suas franchises mais importantes: OutRun! Bom, na verdade a Sega apenas licenciou o nome OutRun, o trabalho desta vez foi todo da Hertz e Sims. Os primeiros já tinham sido responsáveis pela conversão do OutRun clássico na Mega Drive e os segundos inclusivamente publicaram o jogo no Japão. O meu exemplar foi comprado a um amigo no passado mês de Junho por 5€.
Jogo com caixa
Bom, este é um OutRun futurista, decorrendo no longínquo ano de 2019, onde os carros circulam a velocidades vertiginosas através dos seus motores a jacto. Na verdade, tirando este pormenor futurista, a jogabilidade vai buscar coisas tanto ao OutRun clássico, como ao Turbo OutRun, nomeadamente as suas mecânicas do turbo, mas já lá vamos. Os controlos são simples com o botão A para travar, B para acelerar e o C para alternar entre mudanças, caso tenhamos seleccionado transmissão manual. E então onde entram os turbos? Bom, à medida que vamos acelerando, há uma barra de energia que vai enchendo. Quando esta estiver practicamente cheia, se mantivermos o botão de aceleração pressionado, vamos activar o turbo automaticamente, cujo se vai mantendo activo enquanto não deixarmos de acelerar, travar ou embatermos nalgum obstáculo.
O jogo está dividido em níveis, que por sua vez, apesar de partilharem o mesmo ponto de partida e saída, possuem diveros caminhos alternativos pelo meio
A não linearidade que caracteriza o primeiro OutRun está também aqui representada, mas de forma diferente. Basicamente começamos por ter vários níveis. Cada um desses níveis tem uma série de troços divididos por checkpoints, cujos teremos de atravessar dentro do tempo limite que temos disponíveis. Entre checkpoints, no entanto, vamos poder escolher um de dois caminhos a tomar, que nos levarão a viajar por diferentes cenários. Ainda assim, num determinado troço entre checkpoints podemos continuar a tomar caminhos alternativas, em estradas que se vão bifurcando e unindo novamente mais à frente. Túneis, pontes, rampas com saltos são vários dos distintos tipos de estradas em que poderemos viajar. Os outros carros, tal como no OutRun clássico, são apenas meros obstáculos na estrada. E com as velocidades estonteantes que podemos atingir, são obstáculos que nos podem atrapalhar bastante!
Os visuais não são nada maus, alternando entre cidades futuristas, paisagens naturais e outras localidades mais tradicionais
A nível gráfico não é um mau jogo de todo. As paisagens que alternam entre cidades mais tradicionais, outras repletas de arranha céus, mas também inúmeras paisagens naturais dão uma boa variedade gráfica ao jogo. Para além disso, as estradas desniveladas, os caminhos de terra, os saltos, as pontes transparentes vão sendo também alguns bons detalhes adicionais. As músicas sinceramente não são nada más, tendo na sua maioria uma toada bem rock que me agrada. Não são clássicos como as do OutRun original, mas sinceramente não desgostei.
Quando a barra de energia se enche, é tempo de usar o turbo!
Portanto este OutRun 2019 até nem é um mau jogo de todo. O facto de ser um jogo futurista e com algumas paisagens mais escuras, o que sempre defraudou a mote “blue skies in gaming” pela qual a série era também conhecida, trouxe-lhe alguma má fama ao longo dos anos. Mas sinceramente acabou por ser um jogo bem mais agradável do que as baixas expectativas que tinha devido à sua má fama. É verdade que a série OutRun sempre teve uma conotação algo experimental por parte da Sega, particularmente nos jogos que foram especialmente produzidos para o mercado doméstico de consolas, mas este até nem é nada mau no final de contas.
O jogo de hoje leva-nos de volta à Mega Drive para visitarmos um RPG que, apesar de longe de ser um jogo perfeito, não deixa de ser um título curioso e original. Produzido pelo estúdio R&D #8, que mais tarde viria a ser conhecido por Sega AM2 e, naturalmente, com o envolvimento de Yu Suzuki, este Rent A Hero é um action RPG que decorre nos tempos modernos e com mecânicas de jogo muito distintas. O meu exemplar foi comprado numa loja francesa algures em Abril deste ano por cerca de 35€.
Jogo com caixa e manual
Neste jogo controlamos um jovem adolescente e a história é bastante bizarra: começamos por participar numa pequena festa em sua casa organizada pelos seus pais e com vários outros adultos convidados. Entretanto começa a faltar comida e o nosso pai dá-nos uma missão: toma lá uns trocos, liga para a SECA (SEnsational CAfeteria) e encomenda mais comida. No entanto, para entreter os convidados, o pai decide vestir um fato de godzilla e fazer algum teatro. Entretanto chega o estafeta do restaurante, mas em vez de comida, somos presenteados com um fato todo high-tech e que nos dá algumas habilidades sobre-humanas. Acontece que a SECA, para além de ser um restaurante de sucesso, tem uma fachada secreta. Os seus cientistas desenvolveram em segredo este fato e decidiram escolher-nos para o usar. O rapaz decide experimentá-lo e o seu pai, quando o vê naqueles preparos, entusiasma-se com a ideia e obriga-nos a representar uma batalha entre o Godzilla e um super herói e somos assim levados à primeira batalha do jogo. Bom, com um soco apenas o pobre coitado sai disparado contra a parede, pois o fato afinal era mesmo poderoso! E assim irá começar a nossa aventura de super herói. A SECA através de uma linha telefónica vai-nos dando uma série de trabalhos que serão recompensados monetariamente e as coisas começam de forma algo lenta, onde teremos não só de trabalhar num restaurante para entregar comida, entregar cartas de amor entre crianças, mas eventualmente começamos mesmo a lutar contra bandidos, empresas corruptas e crime organizado.
A narrativa tem sempre um tom ligeiro, com algumas bizarrices e bom humor à mistura
Bom, a nível de mecânicas de jogo há também muito a falar. A exploração é toda feita numa perspectiva vista de cima, o que é típico dos JRPGs desta época, mas quando transitamos para as batalhas (e sim, vamos ter também encontros aleatórios) a câmara transita para uma perspectiva sidescroller, com o jogo a assumir-se quase como um beat ‘em up simples. A AM2 já tinha brincado um pouco com esta ideia, precisamente com o primeiro RPG onde trabalharam, o Sword of Vermillion também da Mega Drive. Este misturava a exploração vista de cima das cidades, com a perspectiva a transitar para a primeira pessoa ao explorar o mundo e cavernas e as batalhas também eram numa perspectiva lateral. As batalhas normais tinham uma liberdade de movimento total, practicamente 3D, enquanto que os confrontos contra os bosses eram embates puramente em 2D sidescroller, tal como acontece neste jogo. Aqui usamos o d-pad para nos mover para a esquerda, direita ou agachar e os botões faciais para atacar com socos ou pontapés, saltar ou usar as habilidades especiais do nosso fato, que entretanto terão de ser desbloqueadas. No canto superior esquerdo vemos duas barras importantes. A de vida, assinalada a vermelho e a de energia, assinalada a azul. Se morrermos, acordamos num hospital com metade do nosso dinheiro a ir à vida. Se deixamos a energia se esgotar, deixamos de conseguir utilizar o fato, ficando muito mais fracos e lentos (o que é especialmente notório quando exploramos a cidade).
As batalhas são travadas numa perspectiva puramente 2D sidescroller, mas infelizmente acabam por ser bem mais frustrantes do que deveriam
Ora as mecânicas base de jogo estão apresentadas e, apesar de o conceito como um todo ser bastante original, infelizmente o jogo poderia ser muito melhor. A começar pelos combates que não são tão fluídos quanto os de um beat ‘em up e é muito fácil sofrermos dano. A história é bastante simples e os diálogos, a acreditar que a equipa que traduziu o jogo fez um trabalho fiel, são igualmente simples mas por vezes também um pouco bizarros. As missões tendem a ser algo chatas, pois a maioria, principalmente na primeira metade do jogo, são fetch quests aborrecidas e depois temos também de ter uma série de preocupações que ainda não referi. Vamos ter de comprar de forma recorrente bebidas energéticas e pilhas para recuperar a nossa vida ou energia. O fato que usamos não é propriedade nossa, mas sim alugado. Regularmente teremos de pagar uma renda para poder continuar a usá-lo e, caso o prazo de pagamento seja ultrapassado, ficamos logo sem a possibilidade de o utilizar. Para além disso, se quisermos melhorias para o nosso fato, temos de começar a fazer doações regularmente à SECA, pelo que teremos de gerir muito bem as nossas finanças, particularmente na primeira metade do jogo. Na segunda, já começamos a ter um melhor balanço financeiro, a menos que morramos nalgum combate, claro, o que não é nada difícil de acontecer.
Sendo este um jogo do mesmo estúdio que veio mais tarde ser conhecido como AM2, naturalmente que temos muitas referências aos seus jogos arcade
As doações que podemos fazer revertem ou para melhorar a nossa armadura, ou para desenvolver novas armas. No primeiro caso, ganhamos novas versões do fato que são cada vez mais resistentes, no entanto o preço da sua renda aumenta. No segundo caso lá ganharemos as tais habilidades especiais que podemos usar no combate. No entanto estas habilidades sempre que são utilizadas gastam uma certa percentagem da nossa barra de energia, pelo que têm de ser usadas com moderação. Para além disso, infelizmente, apenas podemos ter uma arma equipada. Portanto, a cada vez que desbloqueamos uma nova arma, esta substitui a anterior. E agora sim, já têm uma ideia completa das mecânicas de jogo que vos esperam.
A nível audiovisual continua a ser um jogo muito básico, tal como o Sword of Vermillion (e também o próprio Phantasy Star III, que utiliza este motor de jogo) o foi. Iremos na maior parte do tempo explorar cenários urbanos com casas modestas, edifícios maiores, armazéns, zonas de escritórios, mas também outros cenários como cavernas labirínticas. No entanto, as sprites bem como os cenários são pouco variadas, detalhadas e animadas. Gosto bem mais dos gráficos nas batalhas, embora uma vez mais não haja uma grande variedade de cenários e inimigos. Nada de especial a apontar aos efeitos sonoros, já as músicas tenho algo mais concreto a referir. Quando exploramos a cidade, ouvimos sempre as mesmas músicas, que por acaso são agradáveis, têm um bom groove e fazem mesmo lembrar aqueles filmes policiais dos anos 80. No entanto, no último terço da aventura, essa música é substituída por outra bem mais rock mas bem mais irritante. Existem outras músicas rock no jogo bem mais agradáveis, portanto não entendo o que a Sega estava a pensar quando decidiram usar essa música para a exploração no seu último terço. É que a vamos ouvir mesmo muitas vezes! Um outro detalhe interessante a referir é, visto ser este um produto da AM2, iremos naturalmente visitar algumas arcades que estão repletas de outros jogos do mesmo estúdio. E aí podemos ouvir pequenos clipes de músicas de títulos como Out Run, After Burner II, Space Harrier, entre outros! Um pequeno mimo para os fãs da Sega, seguramente!
Graficamente o jogo é muito simples, particularmente na perspectiva vista de cima quando exploramos a cidade e seus edifícios
Portanto este Rent A Hero é um jogo muito curioso e definitivamente bastante original no seu conceito. No entanto tinha potencial para ser muito melhor! A história, apesar de ter uma narrativa por vezes algo bizarra ou surreal, acaba por nunca nos prender muito e visto que a esmagadora maioria das missões são fetch quests, também abona muito a seu favor. O sistema de combate era algo onde o jogo poderia brilhar, pois a Sega sempre soube fazer excelentes jogos de acção e os constantes malabarismos financeiros para pagar rendas, baterias e doações para obter melhor equipamento ou habilidades também poderiam ter sido melhor pensados. É um jogo que sai em 1991 e de certa forma até entendo o porquê de a Sega ter tomado a decisão em não o lançar no ocidente, no entanto aparentemente até criou o seu nicho, pois a Sega lançou um remake para a Dreamcast em 2000, intitulado de Rent A Hero No.1, com um relançamento para a Xbox em 2003. Infelizmente, uma vez mais, nenhuma das versões chegou a sair no ocidente! Estou bastante curioso para entender como a Sega mudou as mecânicas de jogo nessas versões e felizmente há um conjunto de fãs a trabalhar actualmente na tradução da versão Dreamcast. Talvez a experimente um dia destes!