Sol-Feace (Sega Mega CD)

Continuando pelas rapidinhas a shmups e ainda nas consolas da Sega, o jogo que cá trago hoje é mais uma produção da Wolfteam, lançada originalmente no Japão no ano de 1990 para o fantástico computador da Sharp, o X68000. Mais tarde uma adaptação foi lançada para a Mega CD, tendo cá chegado à Europa só em 1993. O jogo foi posteriormente lançado em bundle com o Cobra Command, que já cá trouxe anteriormente e é a versão que eu tenho, que veio do UK há uns meses atrás por cerca de 5£.

Jogo com caixa e manual

A história leva-nos ao futuro, onde a humanidade, que já era avançada o suficiente para colonizar outros planetas, desenvolve um super computador com inteligência artificial, que tinha como missão ser uma espécie de mediador para alcançar a paz e harmonia entre todos os povos. Mas claro, como aprendemos no Terminator não dá para confiar em inteligências artificiais. O mesmo torna-se antes num ditador bastante opressivo, fazendo com que alguns humanos formem um movimento de resistência. De forma a destruir o poderoso computador, um cientista constrói um protótipo de uma nave espacial (a Sol-Feace) que seria usada para formar um pequeno exército e combater a inteligência artificial. Só que esta antecipa-se e assassina o cientista, antes que pudesse construir mais naves. Assim sendo, como sempre acabamos por ser a ultima esperança da humanidade e lá vamos nós sozinhos numa nave destruir exércitos inteiros.

Temos direito a uma custcene inicial com algumas animações e voice acting

A nível de jogabilidade este é um jogo simples. Começamos com uma nave simples, mas logo o primeiro power up que podemos apanhar adiciona à nave 2 canhões adicionais, um por cima da nave, outro debaixo. A parte engraçada é que podemos controlar a direcção de disparo de cada um desses canhões secundários, podendo disparar na diagonal ou em frente. Posteriormente podemos apanhar outros power ups que servem de upgrades às nossas armas, sejam para o canhão principal, ou para os secundários.

Este é um jogo graficamente interessante, com efeitos de rotação de sprites

A nível audiovisual é um jogo misto. A versão Mega CD tem algumas cutscenes muito bem animadas, seja no início do jogo, sejam as pequenas cutscenes de transição entre cada nível. Para além disso os níveis em si até que vão sendo variados e gosto dos efeitos de rotação de sprites que aqui colocaram. Alguns bosses, logo o primeiro, por exemplo, possuem aqueles efeitos de “articulação de sprites” como vemos no Gunstar Heroes, por exemplo. Se por um lado os gráficos são agradáveis, os efeitos sonoros já deixam algo a desejar, especialmente o barulho que os nossos disparos fazem. No entanto, as músicas, em qualidade CD-Audio, são excelentes. São essencialmente músicas rock, mas sem guitarras. Com óptimas linhas de baixo e bateria, temos os sintetizadores a tomarem conta do resto da melodia e a meu ver resultou muito bem.

Portanto este é um shmup algo simples, mas que até se joga bem e com uma boa banda sonora a acompanhar. Curiosamente, a Renovation (uma publisher norte americana que lançou muito jogo japonês para a Mega Drive apenas em solo americano) converteu a versão Mega CD para a Mega Drive e pelo pouco que vi, pareceram-me que fizeram um bom trabalho! Mas infelizmente essa é uma versão exclusiva para o mercado norte-americano, nem sequer no Japão saiu.

 

Cobra Command (Sega Mega CD)

Voltando às rapidinhas, vamos agora visitar a Mega CD para mais um jogo baseado em full motion video, tal como o Road Avenger que já cá trouxe. Aliás, tal como Road Avenger, este Cobra Command é também uma conversão de um jogo arcade bem mais antigo, da década de 80, tendo sido produzido para arcades baseadas na tecnologia Laserdisc, uma espécie de concorrente ao CD que acabou por prevalecer na indústria. Este meu exemplar é o que vem em conjunto com o Sol-Feace, que mais tarde também conto escrever para aqui um artigo.

Jogo com caixa e manual

Neste Cobra Command nós estamos ao “volante” de um helicóptero militar, com o propósito de combater uma poderosa organização militar que ameaça todo o mundo livre. Começamos precisamente nas ruas de Nova Iorque a combater todos os inimigos que nos surjam à frente, sejam outros helicópteros, tanques, navios, baterias antiaéreas, etc. Basicamente temos de estar atentos ao que nos dizem e às pistas visuais para abater os inimigos que nos aparecem à frente. Ao longo de todo o jogo temos uma mira que pode ser usada para apontar e atingir os inimigos antes que estes disparem sobre nós (caso contrário lá se vai uma vida), mas muitas vezes também temos de nos desviar de alguns obstáculos, usando para isso o próprio D-Pad e pressioná-lo nas direcções o mais rápido possível. É, portanto, um gigante quick-time event com alguns elementos de light gun shooter, sendo que temos de usar o comando para apontar e disparar. Por norma dispomos de 3 vidas e caso falhemos algum alvo, ou não nos desviamos a tempo, temos direito a uma simpática cutscene do nosso helicóptero a explodir e lá se vai uma vida. Portanto, acaba  por ser um daqueles jogos onde reflexos rápidos e alguma memorização ajudam bastante.

Mais que um quick time event gigante, também temos um cursor para apontar e disparar para os inimigos

Infelizmente, tal como o Road Avenger, a qualidade do vídeo não é grande coisa, fruto das limitações da própria Mega CD, com cores mais esbatidas e uma resolução menor. De resto, nada contra as músicas que são maioritariamente rock em qualidade CD-Audio e para o comandante que nos vai dando indicações bem claras, indicações essas que são também chave para progredirmos no jogo, pois quando nos diz que temos de virar para uma certa direcção, é bom que o façamos logo.

Portanto, este é um jogo que infelizmente não envelheceu nada bem. Mas ao contrário de outros jogos da Mega CD baseados em full motion video, este é daqueles que temos de o olhar para lentes ainda bem mais antigas, visto ser um jogo original de 1984, para arcades baseadas em laserdisc, tal como o Dragon’s Lair. E nessa altura, ver um jogo com “gráficos” de qualidade de desenhos animados era sem dúvida algo impressionante!

Sherlock Holmes: Consulting Detective Volume 1 (Sega Mega CD)

Produzido pelos americanos ICOM Simulations, Sherlock Holmes: Consulting Detective é uma série de videojogos baseados em full motion video, onde encarnamos na clássica dupla de Sherlock Holmes e Dr. Watson, para resolver uma série de mistérios. Com as suas origens no computador Japonês FM Towns, foi posteriormente convertido para vários outros computadores da época e consolas com suporte a CD Rom, como é o caso da Mega CD que acabou por receber os primeiros 2 volumes desta série. O meu exemplar veio do UK há uns meses atrás, tendo-me custado 12 libras se bem me recordo.

Jogo com caixa e manual

Neste primeiro volume temos 3 mistérios para resolver: O caso da maldição da múmia, o da assassina mistificada e por fim o mistério do soldado de lata. Em cada um deles começamos com um vídeo com uma pequena conversa entre Holmes e Watson, depois lá temos a liberdade para explorar mais. E como então se joga este jogo? Bom, para cada caso temos um adress book que podemos explorar e visitar outras personagens de forma a obter mais pistas, sejam parentes das vítimas, testemunhas, ou outras instituições como a Universidade de Londres, ou Scotland Yard, a polícia de investigação lá do sítio. Sempre que ecolhemos visitar alguém, temos direito a uma cutscene que pode ter apenas breves segundos (no caso de ser alguém não relevante para o caso), como vários minutos. Para além disso podemos também consultar os jornais da época, os ficheiros do próprio Sherlock Holmes sobre essas pessoas para mais pistas, ou solicitar a ajuda dos “Baker Street Irregulars”, uma rede de pequenos espiões que Sherlock possui espalhados pela cidade, e que também nos podem dar mais pistas sobre as pessoas que lhes indicarmos.

Uma das primeiras coisas que podemos fazer em cada caso é consultar os jornais

Quando tivermos juntado pistas suficientes, poderemos comparecer no tribunal, onde o Juíz nos pergunta quem são os culpados e logo de seguida qual a nossa justificação. Se acertarmos nas respostas, caso resolvido! Depois o jogo tem um sistema de pontuação que nos prejudica se perdermos muito tempo a resolver o caso, ou seja, se falarmos com pessoas que não trazem nada de relevante para a investigação, consultar ficheiros em demasia, etc, ganhamos muitos mais pontos do que os mínimos para termos uma pontuação que aos olhos do jogo equivale a uma boa performance. Bom, eu torço o nariz para isto, pois é muito mais enriquecedor para a narrativa e experiência no geral se levarmos o nosso tempo e falar com toda a gente. Depois a outra coisa que torço o nariz é que estamos a condenar pessoas sem qualquer prova. Apenas construimos teorias com base em testemunhos! Falta aqui algo mais que posteriormente veio a ser introduzido nos jogos do Sherlock Holmes produzidos pela Frogwares.

Infelizmente a qualidade dos vídeos na versão Mega CD não é tão boa

A nível técnico, infelizmente a versão Mega CD possui os vídeos numa resolução muito baixa e com pouca cor, algo normal devido às limitações técnicas da plataforma. Mas infelizmente o som também sai um pouco abafado, quando comparado com a versão PC. Mas vendo os vídeos na versão PC, onde os mesmos têm mais nitidez, devo dizer que até nem desgostei da actuação de todos os actores. Há alguns mais exagerados que outros, é verdade, mas no geral gostei da sua prestação, o que não é muito habitual em jogos de FMV antigos.

Portanto este Sherlock Holmes Consulting Detective até que é um jogo interessante, tendo em conta que é um daqueles títulos bem carregados em cutscenes vídeo com actores reais. Para além da qualidade dos vídeos não ser grande coisa na Mega CD, o que já seria esperado, é mesmo a falta de alguma investigação forense que mais prejudicou o jogo para mim. A ver se experimento o segundo volume!

Ecco the Dolphin (Sega Mega CD)

A super rapidinha de hoje é para mais uma conversão de um jogo que já cá analisei antes, desta vez a versão Mega CD do primeiro Ecco the Dolphin. É uma versão um pouco diferente, principalmente por ter uma série de extras, mas no geral é idêntica à original da Mega Drive, pelo que recomendo a leitura desse artigo para mais informação. O meu exemplar veio do UK, tendo sido comprado através de um amigo meu no mês passado. Creio que me ficou algo em torno dos 10€.

Jogo com caixa e manual

Como referido acima, esta versão possui tudo o que a versão original da Mega Drive contém. Controlamos na mesma o golfinho Ecco, que após um misterioso acontecimento onde a sua família, em conjunto com muita outra vida marinha é sugada pelo céu. À procura de respostas, rapidamente nos deparamos com uma história bem mais sinistra, que mete a descoberta das ruínas da atlântida à mistura, com viagens no tempo e uma batalha contra uma raça alienígena que estava por detrás destes acontecimentos.

As aparências enganam. Este não é um jogo fácil, apesar dos seus gráficos lindíssimos e pelo simples facto de controlarmos um golfinho.

A versão Mega CD possui alguns níveis redesenhados face ao original, bem como alguns níveis inteiramente novos, embora não tragam nenhumas mecânicas de jogo adicionais. Para além disso, a banda sonora, que já era excelente na Mega Drive, ficou aqui ainda melhor, visto que todas as músicas estão em formato CD Audio, agora compostas por Spencer Nilsen, um nome bem conhecido pelos fãs da Sega. Estas músicas são bastante atmosféricas e calmas como a imensidão dos oceanos, caindo que nem uma luva no jogo em questão. Para além disso, quando exploramos a biblioteca perdida da atlântida, conseguimos desbloquear um pequeno documentário em vídeo sobre golfinhos.

Para mim, no que diz respeito às consolas, esta é sem dúvida a versão definitiva deste jogo. Algo que pressinto muito fortemente que pode também ser dito da versão Mega CD do Ecco 2, mas isso seria tema para um eventual artigo futuro, se o conseguir arranjar para a colecção.

Wolfchild (Sega Mega CD)

A Core Design foi um dos estúdios britânicos que mais suportou a Mega CD, e os seus jogos não eram baseados em Full Motion Video como muitos outros da plataforma, o que a levou a ter algum destaque. Mas também poucos foram aqueles desenvolvidos especificamente para a Mega CD, pois como muitos estúdios britânicos da década de 80 e meados dos 90, a sua especialidade eram mesmo os micro computadores da época como o Atari ST e Commodore Amiga. Este Wolfchild não é excepção, tendo sido desenvolvido originalmente para a Atari ST e Commodore Amiga e só depois para as consolas da Sega. No entanto, curiosamente, a versão Mega Drive existe apenas nos Estados Unidos (publicada pela JVC) e não na Europa, como todas as outras. O meu exemplar veio do Reino Unido, tendo-me custado 14 libras se bem me recordo. Está completo e em óptimo estado.

Jogo completo com manual

A história é simples: o cientista Kal Morrow foi raptado pelos Chimera, uma poderosa organização criminosa. Nós encarnamos no seu filho Saul e temos de o resgatar. Acontece que Kal trabalha na área de biotecnologia e uma das suas últimas invenções era uma tecnologia que modifica o corpo humano de forma a conferir vários poderes e naturalmente que Saul, sabendo disso, usa essa mesma tecnologia para se transformar numa espécie de lobisomem e depois sim, vamos ao resgate!

Começamos então como humanos a bordo de uma nave que nos leva para a base dos Chimera, mas… não era suposto sermos antes um lobisomem? Pois, de facto essa transformação apenas acontece quando apanhamos uma série de itens que nos extendem a nossa barra de energia. Por outro lado, se sofrermos dano suficiente, também voltamos à forma humana, que é bem mais fraca, podendo apenas atacar com socos. Quando passamos para a forma de lobisomem, ao atacar lançamos projécteis na forma de energia, tendo estes projécteis “básicos” munição ilimitada. No entanto, como noutros shooters como Contra, vamos poder encontrar uma série de itens e powerups, incluindo diferentes “armas” – sempre projécteis de energia – mas diferentes entre si. Temos o equivalente ao rapid fire, temos outras bolas de energia concentrada bem mais poderosas, projécteis teleguiados, outros que saem disparados em três direcções distintas, entre outros. Infelizmente a versão Mega CD não suporta comandos de 6 botões, pelo que temos um botão para atacar, outro para saltar e um outro para activar as smart bombs, bombas que podemos encontrar nos níveis e que destroem todos os inimigos presentes no ecrã (e também causam bastante dano contra os eventuais bosses que viremos a defrontar). Ora então nas “armas normais” sempre que apanhemos um power up novo, é essa arma que passamos a usar. Creio que na versão de Super Nintendo há a possibilidade de rodar entre as armas que coleccionamos.

Antes de começarmos a aventura temos direito a uma cutscene em FMV que conta a história. Infelizmente a animação não é grande coisa, muito menos o voice acting.

Vamos encontrar também outros itens que podem ser apanhados. Esferas simples apenas nos dão pontos extra, temos restauradores (e extensores) da nossa barra de vida, escudos que nos dão invencibilidade temporária ou outros itens que servem de checkpoint, ou seja, caso percamos uma vida recomeçamos o nível da posição onde apanhamos esse item. Também vamos encontrar letras que podem formar as palavras BONUS e EXTRA. Ao completar a primeira ganhamos pontos extra, enquanto que ao completar a segunda ganhamos uma vida extra. Portanto, este até que é um jogo onde compensa explorar os níveis ao máximo, pois muitos destes itens estão escondidos em objectos que têm de ser destruídos e em locais de difícil acesso.

Inicialmente começamos o jogo na forma humana, mas ao apanhar alguns power ups de vida, lá nos transformamos

Passando agora para os audiovisuais, devo dizer que estou algo dividido. Por um lado gosto do design dos níveis, que apresentam variedade entre si. Começamos a bordo de uma fortaleza voadora, passando por uma selva, templos antigos e as bases militares do grupo Chimera, repletas de armadilhas e inimigos para defrontar. No entanto, acho que a nível de cores, o jogo está muito fraquinho, com uma paleta de cores muito reduzida. É verdade que essa é uma limitação da própria Mega Drive e Mega CD, mas temos inúmeros exemplos de jogos bem coloridos na plataforma. Por outro lado as músicas, que aqui na versão Mega CD possuem qualidade CD-Audio, essas são muito bem conseguidas e agradáveis.

Para mim, este foi o nível onde notei mais que as cores deviam ser mais vivas. Os amarelos estão longe de serem amarelos, por exemplo.

Portanto, devo dizer que este Wolfchild não é um mau jogo e a sua adaptação para a Mega CD também é bem conseguida. No entanto creio que teria potencial para ser muito melhor, tanto a nível de jogabilidade (seria bom conseguirmos rodar as armas aqui também), como nos seus gráficos que poderiam ser mais coloridos.