Pac-Mania (Sega Master System)

PacMania-SMS-EU-mediumDe volta para a Sega Master System para mais uma “rapidinha”. Antes de Donkey Kong ter feito furor nas arcades por todo o mundo fora, foram jogos como Space Invaders ou Pac-Man que tiveram um sucesso tremendo, com conversões para practicamente todos os sistemas de videojogos da altura. Pac-Man, com a sua personagem bastante peculiar foi o primeiro videojogo a utilizar o conceito de mascote, com o semicírculo amarelo a figurar no mais variado merchandising. O sucesso de Pac-Man fez surgir imensos clones e sequelas, uns tentando fazer algo completamente diferente (como Pac-Land), outros simplesmente evoluíram a jogabilidade do original, onde este Pac-Mania se enquadra. A minha cópia do jogo entrou na minha colecção há algum tempo atrás, não sei precisar quando, tendo sida comprada num excelente bundle que me ficou baratíssimo no já saudoso miau.pt.

Pac-Mania - Sega Master System
Jogo com caixa

A grande diferença entre Pac-Mania e o original está mesmo na perspectiva do jogo que passou a ser quase isométrica, dando assim a impressão que o jogo é em 3D. Para além disso, o Pac-Man tem agora a habilidade de poder saltar sobre os fantasmas, mais uma manobra evasiva ao nosso dispor. De resto o objectivo é o mesmo do jogo clássico: comer todas as bolinhas amarelas espalhadas pelo nível, fugindo ao mesmo tempo de uma série de fantasmas que nos perseguem ao longo dos corredores labirínticos. Há fantasmas mais rápidos que outros e inclusivamente existem uns novos que saltam ao mesmo tempo que nós, sendo assim bem mais difíceis de evadir do que os restantes. Também tal como no clássico existem umas bolas amarelas maiores que ao comê-las dão-nos invencibilidade temporária, onde nos poderemos vingar dos fantasmas que nos perseguem e engoli-los também. As frutinhas que aparecem temporariamente também existem neste jogo e com uma maior variedade, atribuindo-nos mais pontos de bónus se as conseguirmos comer. No entanto uma outra novidade está na inclusão de mais dois power-ups temporários: um torna-nos mais rápidos, o outro duplica a pontuação obtida.

screenshot
Desta vez podemos enganar os inimigos ao saltar por cima deles

Pac-Mania é um jogo colorido e bem detalhado. Os níveis estão bem representados, com um efeito 3D convincente. No entanto, com esta nova perspectiva deixamos de ter vista completa para todo o nível, tornando as coisas um pouco mais confusas, mas é algo que faz parte. Existem 4 diferentes variedades de níveis, um conjunto de labirintos feitos por blocos de plástico semelhantes a Legos, outros representações em 3D das arenas do jogo clássico (Pac-Man Park), uma outra num mundo de areia em que as paredes são pirâmides, e por fim temos os Jungly Steps, onde os labirintos não têm paredes, estão divididos por abismos e os fantasmas andam mais rápido que nunca. A versão Master System dispõe ainda de um nível secreto composto apenas por moedas. Os efeitos sonoros são bastante simples, tais como os do jogo original. As músicas também são OK, mas nada que fique propriamente na memória.

screenshot
Gostei do design destes níveis em particular.

Em suma Pac-Mania é uma boa conversão da arcade, certamente muito melhor que as conversões que chegaram aos computadores 8bit no mercado. É um jogo simples, mas continua viciante e as coisinhas novas que acrescentaram dão um bom tom ao jogo. Existe também uma versão para a Mega Drive e Amiga que naturalmente são tecnicamente superiores, mas para o jogo que é, a Master System dá bem conta do recado.

Star Wars (Sega Master System)

Star Wars - Master SystemContinuando com artigos sobre a consola 8bit da Sega, desta vez para mais pequeno artigo sobre um jogo da franchise de ficção científica mais popular de toda a galáxia. Star Wars é uma conversão algo tardia de um jogo da NES de mesmo nome lançado em 1991. E tal como o nome indica, é um jogo que decorre durante os acontecimentos do primeiro filme da saga, nomeadamente o quarto capítulo. Este Star Wars entrou na minha colecção há uns anos atrás, através dum bundle de 7 jogos que comprei no Miau.pt, tendo-me ficado muito, muito barato mesmo (menos de 1€ por jogo).

Star Wars - Sega Master System
Jogo com caixa. Sempre gostei deste artwork.

O que mais me impressionou no jogo foi que mesmo sendo para uma consola de 8bits com as limitações óbvias de hardware, Star Wars segue muito bem os acontecimentos do filme, excepto faltar ali o fulcral encontro com Darth Vader em pessoa. Em primeiro lugar somos  largados no planeta deserto de Tatooine como Luke Skywalker, o jovem jedi wannabe, aprendiz de Obi-Wan Kenobi. A bordo de um Landspeeder, podemos explorar várias cavernas. Essa exploração é maioritariamente opcional, mas é fortemente aconselhado que seja feita, pois podemos encontrar powerups para as armas, ou outras personagens úteis no jogo. Tal como no filme, é na superfície de Tatooine que podemos resgatar R2-D2, Obi-Wan Kenobi ou Han-Solo no bar de Mos Eisley. A partir daí resta viajar na Millenium Falcon até à Death Star, resgatar a princesa Leia e voltar a um assalto à Death Star, desta vez a bordo de uma X-Wing.

screenshot
Inicialmente andamos a viajar pelo planeta de Tatooine num Landspeeder

Luke Skywalker é a personagem principal com que podemos jogar, mas Han Solo ou a Princesa Leia, caso tenham sido resgatados, poderão também ser seleccionados para entrar em acção a qualquer momento, bastando para isso seleccioná-los no menu de pausa. A diferença é que Han Solo e Leia possuem apenas uma vida, ao contrário de Luke que poderá ter várias. Han Solo é mais forte e pode aguentar com mais dano, bem como ter ataques mais fortes. Já Leia é mais ágil. Obi Wan Kenobi é a chave para que Luke venha a obter o seu lightsaber e pode também ressuscitar algumas vezes tanto Han Solo como Leia. Os Robots C3PO e RD-D2 têm também as suas utilidades. O primeiro pode-nos dar algumas dicas ao longo do jogo, já R2-D2 para além de regenerar os escudos da X-Wing, pode também mostrar um mapa dos corredores labirínticos da Death Star, muito útil para a secção de plataforma nesse ponto do jogo.

screenshot
Ao carregar no botão de pausa podemos escolher outras personagens para jogar, ou para usar as suas habilidades.

As secções de plataforma são sidescrollers perfeitamente normais, com um botão para saltar, outro para atacar. É possível trocar de arma, no caso de Luke Skywalker, onde podemos alternar entre a pistola laser pelo lightsaber. O lightsaber é uma arma bastante forte, capaz de derrotar todos os inimigos num só golpe, mas tem a desvantagem de ser uma arma de curta distância, ou seja, se não tivermos cuidado podemos sofrer bastante dano. A condução de veículos é simples e eficaz. Viajar pelo planeta de Tatooine não tem nada que saber, mas já a perseguição a alta velocidade pelas trincheiras da Death Star pode mesmo ser frustrante. Os outros momentos em que “conduzimos” algo são as viagens pelo espaço na primeira pessoa, a bordo da Millenium Falcon ou de uma X-Wing. A primeira viagem na Millenium Falcon é um pouco aborrecida, pois apenas temos de nos desviar de um indindável número de asteróides, já as outras viagens têm combate, onde não controlamos a nave em si, mas os seus lasers para derrotar os inimigos.

screenshot
Os níveis em sidescrolling têm diferentes cenários, as cavernas são logo dos primeiros.

Graficamente é um jogo bastante colorido e bem conseguido para uma Sega Master System. Achei impressionante a qualidade que conseguiram alcançar ao renderizar vários retratos de personagens como Han Solo ou Obi Wan Kenobi, bem como nas cenas de game over ou no final do jogo. As músicas não são más de todo, mas aquelas mais icónicas da saga Star Wars ficaram a soar um pouco estranhas no chip de som da Master System. Mas no geral foi um bom trabalho audiovisual desenvolvido pela Tiertex.

Star Wars para a Master System pode não ser o melhor jogo de sempre, pode ser uma conversão tardia de um jogo de NES do mesmo nome, mas não achei de todo que seja um mau jogo. Não é dos melhores que a Master System possui no seu catálogo, mas acho que é um jogo bastante sólido e que me impressionou pela representação +/- fiel ao filme que conseguiram transpor para um videojogo. Só faltou mesmo uma lutazinha contra o Darth Vader!

Psychic World (Sega Master System)

Na PUSHSTART deste mês, um dos artigos que tive a oportunidade de escrever foi ao Psychic World da Sega Master System, uma conversão de um sidescroller algo obscuro, desenvolvido pelo estúdio Hertz para os computadores japoneses MSX2. A conversão para a Master System trouxe algumas mudanças que poderão ler na minha análise completa, bastando para isso seguir este link.

Psychic World - Sega Master System
Jogo com caixa

A minha cópia do jogo deu entrada na minha colecção algures entre Novembro ou Dezembro de 2013, tendo sido comprada na loja portuense Pressplay, onde já fazia um bom tempo que não visitava a loja. O jogo custou-me algo perto dos 9€, mas infelizmente não traz manual.

World Cup Italia ’90 (Sega Master System)

WorldCupItalia90-SMS-EUJá que ando numa de artigos sobre sistemas 8bit, cá fica mais uma “rapidinha” a um dos vários jogos de futebol existentes para a Sega Master System. World Cup Italia ’90, tal como o nome indica é o jogo “oficial” da edição de 1990 do campeonato do mundo de Futebol. O “oficial” esteve entre aspas, pois existem diversos jogos sobre o mesmo tema lançados especialmente em computadores em território europeu, como Amiga, Commodore 64, Atari ST, entre outros. A versão que tem o dedo da Sega saiu para a Mega Drive e para a Master System, versão que aqui trago para análise. Este jogo em particular foi comprado num bundle de uns 7 jogos de Master System que tinha comprado há uns bons anos atrás, por um valor irrisório.

World Cup Italia 90 - Sega Master System
Jogo com caixa e manual multilingue

No Brasil o jogo é conhecido como Super Futebol II (com o primeiro a ser o World Soccer), e essa versão eu também a possuo na minha colecção, com a colectânea “Portuguese Purple” Gamebox Série Esportes, de onde também se inclui o Great Volley e o primeiro Wimbledon. Mas noutra altura abordarei melhor essa colectânea.

screenshot
Ecrã-título

Este jogo apresenta 3 diferentes modos, o World Cup, Test Match e Penalty Kick Contest, onde apenas o primeiro é exclusivamente singleplayer. No modo de World Cup funciona precisamente como a competiçao oficial se tratasse, começando pela fase de grupos até à final. A diferença é que podemos não só escolher qualquer uma das 24 selecções que fizeram parte da competição, como podemos escolher uma de 6 selecções bónus que tomam o lugar no grupo de uma outra. Infelizmente Portugal não consta da lista, mas pronto, são outros tempos. O Test Match e Penalty Kick Contest dão para 2 jogadores e tal como o nome indica, o primeiro é apenas um jogo amigável, o segundo é uma competição de grandes penalidades. Nestes 2 modos de jogo também temos as 30 selecções disponíveis.

screenshot
O campo é demasiado pequeno para tanto jogador. E são só 8 por equipa!

As equipas têm os seus pontos fortes e fracos, pelo que antes de escolher uma selecção a jogar podemos observar as suas estatísticas para velocidade, kick, capacidade ofensiva e capacidade defensiva. Obviamente que quanto maiores forem os números, melhor é a equipa nesse ponto. O jogo toma uma perspectiva aérea, e infelizmente os controlos não são os melhores, principalmente quando não se tem a bola, onde é muito difícil chegar à bola antes do adversário. O facto de o campo ser tão pequeno para todos os jogadores em campo (ou os jogadores serem grandes demais, escolham a que melhor convém), também dificulta um pouco as coisas, pois é muito frequente ficar uma multidão de jogadores num espaço curto.

Graficamente o jogo começa muito bem, com um bonito ecrã título e boas animações na selecção de equipas ou nos penalties. Já no jogo em si, não gostei das cores escolhidas para o campo, e a Master System é capaz de melhor neste campo. Os efeitos sonoros são OK, tendo em conta o hardware, já a música também não deixa grandes memórias.

screenshot
O modo campeonato do mundo dá para um jogador apenas.

No fim de contas, para quem gostar de jogos de futebol com esta perspectiva, então as versões Master System do Sensible Soccer ou Super Kick Off parecem-me ser alternativas bem melhores. Mas também quem estou a enganar? O público alvo deste género de jogos hoje em dia continuará a preferir jogar os novos PES ou FIFA.

Jurassic Park (Sega Master System)

JurassicPark-SMS-PT-mediumO Jurassic Park foi o primeiro filme que fui ver ao cinema, corria o ano de 1993 e tinha eu na altura uns 7 anos. Ainda mal lia as legendas, mas só ver aqueles bicharocos no ecrã gigante já valia completamente a pena. Sim, tal como muitos de nós jovens nerds desta geração, também tinha um fascínio por dinossauros. E o Jurassic Park, filme tão badalado como foi, necessitava também de uma adaptação a videojogos. E curiosamente, existem inúmeras adaptações deste filme, desde a NES, Arcade, Gameboy, Mega-CD até aos PCs, quase todas elas diferentes entre si e com sequelas também distintas. A versão Master System que aqui trago é idêntica à da Game Gear, sendo esta mais uma das Portuguese Purples. Custou-me algo entre os 5€ e os 7€ na Feira da Ladra em Lisboa, algures em 2013.

Jurassic Park - Sega Master System
Jogo completo com caixa e manual. Versão Portuguese Purple

O jogo segue muito ligeiramente a história do filme. Encarnamos no Dr. Grant, reconhecido paleontólogo, com a função de visitar diversas secções do parque jurássico e aprisionar vários diferentes dinossauros que escaparam das suas “jaulas”. O jogo começa com um mapa da ilha, onde podemos escolher livremente um de 4 diferentes níveis. O 5º e último nível está bloqueado, apenas o podemos jogar em último lugar e mesmo assim para o desbloquar temos de encontrar todos os tokens com as letras JP, que estão espalhados nos vários níveis, tendo nós de derrotar os dinossauros que os carregam. Infelizmente não dá para ver quais os dinossauros têm esse item, pelo que o ideal é mesmo “matá-los” a todos.

screenshot
O colorido ecrã título

Os níveis estão divididos em duas partes: na primeira vemos o Dr. Grant a conduzir de jipe pelo parque e temos de o proteger de todos os dinossauros que o atacam, a segunda parte já é mais tradicional de um jogo de plataformas/sidescroller. Voltando ao início, estes segmentos em que o Dr. Grant viaja num jipe assemelham-se a um pseudo-lightgun game. Vemos uma mira no ecrã e com o botão direccional temos de apontar para os vários dinossauros que vão atacando o jipe. Na recta final da viagem temos sempre um dinossauro maior a servir de boss, que precisa de vários tiros para ser derrotado. E sim, tal como no filme, também seremos perseguidos por um T-Rex. Os outros segmentos também como já indiquei são mais tradicionais de um jogo de plataformas, onde nós temos de ir do ponto A ao B, defendendo-nos dos dinossauros que nos atacam e também das adversidades naturais dos níveis. No final de cada um desses níveis de plataformas teremos também um boss.

screenshot
Estas perseguições são um bocadinho chatinhas e os gráficos também não ajudam

Tanto nos níveis de perseguição como nos de plataformas, temos uma barra de energia que vai sendo gasta com cada ataque que sofremos e existem vários powerups que podemos apanhar. Estes, para além dos tokens JP que dão acesso ao nível final, consistem em items que regeneram a barra de energia, medkits que podem ser utilizados no ecrã de pausa, ou mesmo novas vidas e continues. Durante as secções em que estamos a ser perseguidos, podemos também encontrar um garrafão de combustível que nos aumenta a barra de energia. Na secção de platforming ao carregar em pausa temos acesso a um pequeno menu, onde para além de podermos utilizar o medkit como já referi acima, podemos também escolher uma de 3 diferentes armas a utilizar. A arma normal dispara projécteis em linha recta, ideais para inimigos que nos ataquem ao mesmo nível. Temos também uma espécie de lança granadas, bons para derrotar os dinossauros voadores e por fim umas barras de dinamite que são atiradas em arco.

screenshot
O Visitor Center é o último nível que poderemos jogar, ou não, e tal como no filme, o T-Rex vai aparecer.

Os níveis, apesar de serem poucos, parecem-me bastante variados entre si, ao contrário das perseguições de jipe em que pouca coisa muda. Podemos atravessar florestas repletas de perigos, como plataformas que caem, raios de trovoada ou mesmo incêndios que rapidamente enchem o ecrã de chamas. O Dr. Grant para além de atacar e saltar, pode também agarrar-se a ramos de árvores e subir para cima das mesmas, ou mesmo tectos. Pois tal como no filme podemos também atravesar algumas instalações humanas, como se viu nos filmes quando os velociraptors e o T-Rex andaram a fazer das suas. Graficamente o jogo não é nada de especial, apesar de nos níveis de platforming ter alguns detalhes interessantes, como as árvores a mexerem com o vento. Alguns bosses são bem grandinhos, mas as sprites apresentam algum flickering, especialmente quando lhes andamos aos tiros. Mas o que realmente gostei nos visuais é a elaborada cutscene de introdução, são poucos os jogos que se esmeraram assim tanto. De resto já se viu melhor na Master System, mas também já se viu muito pior. O mesmo pode ser dito dos efeitos sonoros e música.

screenshot
A cutscene inicial está muito boa para os padrões da consola

Acho extraordinário o facto de existirem imensas adaptações do primeiro filme Jurassic Park, quase todas elas completamente diferentes entre si (conto pelo menos umas 10, não contanto com sequelas não oficiais como Jurassic Park 2: The Chaos Continues para SNES/GB). Hoje em dia é algo que seria practicamente impossível de se ter, a menos que considerássemos as diferenças notáveis de hardware entre consolas caseiras, portáteis e smartphones/tablets. Mas voltando mais uma vez à versão da Master System, não acho que seja um jogo mau de todo, mas também não se destaca na consola. Pode ser que mais tarde possa analisar uma das outras versões.