Voltando à bela consola de 8bit da Sega, para mais uma rapidinha. Wimbledon II é a sequela do bom jogo de ténis que tinha saído no ano anterior. E apesar de continuar bom, não acrescenta nada de propriamente novo, daí o artigo não ser nada longo. Este Wimbledon II entrou na minha colecção já há uns aninhos, tendo sido comprado num bundle do Miau.pt com mais uns 6 jogos a um preço muito reduzido, senão de outra forma não teria entrado na colecção, pois não sou grande fã de videojogos desportivos.
Jogo com caixa
Em Wimbledon II dispomos de 2 modos de jogo distintos: Free Match e Tour. O primeiro é um jogo amigável, onde tanto podemos jogar em singles ou doubles, com diversas opções de single ou multiplayer. Podemos jogar sozinho contra o computador, contra um amigo, ou nos doubles, tanto podemos ter um segundo jogador a fazer par connosco ou no duo adversário. Posteriormente podemos escolher qual o tipo de piso onde queremos jogar – Grass, Clay ou Hard, cada um com as suas diferentes características, o número de sets e por fim, podemos seleccionar a música que queremos ouvir.
Os vários modos de jogo single e multiplayer no Free Match
No modo Tour, entramos num torneio de 8 jogadores, o que resulta em jogar uma série de 3 confrontos seguidos. Aqui podemo escolher mais uma vez o número de sets ou a dificuldade, bem como introduzir uma password ou gerar a nossa própria personagem, onde poderemos distribuir livremente 20 pontos em quatro distintas skills: speed, power, skill e stamina. De resto a jogabilidade é decente, onde dispomos apenas de um D-pad e 2 botões e pareceram-me que melhoraram bastante o pacing do jogo, agora não está tão frenético.
O pitch, as personagens não estão mal detalhadas, tendo em conta o seu tamanho.
De resto, os audiovisuais não são assim tão diferentes do jogo anterior. As sprites e os campos estão minimamente bem detalhados para a consola e confesso que até gosto do efeito de scrolling que introduziram no jogo, com a “câmara” a movimentar-se pelo campo de forma algo dinâmica. Os efeitos sonoros e música não são nada de especial, mas cumprem bem o seu papel. Assim sendo este Wimbledon II é um jogo bem competente de ténis, para os possuidores de uma Sega Master System. No entanto não traz assim nada de propriamente novo, pelo que quem já tiver o primeiro, o Pete Sampra’s acaba por ser uma alternativa bem mais interessante.
Para fechar por enquanto o set de jogos Portuguese Purple (pelo menos enquanto não encontrar o Sonic Spinball e Cheese Cat-Astrophe a bom preço), resta-me agora falar da compilação Gamebox: Série Esportes, que é uma de quatro compilações “Gamebox” lançadas pela Tec-Toy no Brasil, mas a única que acabou por ter um lançamento exclusivo em Portugal na forma de Portuguese Purple. No entanto, já que a Ecofilmes se deu ao trabalho de redesenhar a capa da compilação, bem que poderia localizar a palavra “Esportes” para “Desportos” ou algo do género. Honestamente não me recordo quando comprei esta compilação nem quanto me custou, mas certamente não terá sido mais de 10€ até porque lhe falta o manual. Edit: Recentemente arranjei uma versão completa por 8€ na Cash Converters.
Jogo com caixa e manual
Esta compilação vem com 3 diferentes jogos. Super Futebol II é nada mais nada menos que o já analisado World Cup Italia 90, pelo que não me vou alongar nesse. No Brasil, o Super Futebol 1 é o jogo clássico que conhecemos cá como World Soccer. Great Volley é o jogo conhecido no resto do mundo como Great Volleyball, mais um jogo desportivo da série “Great”, lançados nos primeiros anos de vida da plataforma. Como tal, esperem um jogo simples. O último jogo da compilação é um jogo de Ténis chamado Wimbledon que é na minha opinião o melhor jogo do grupo.
O ecrã título do Great Volleyball é tão rosa que até dói
O Great Volley é um jogo algo primitivo como já tinha referido antes, mas ainda assim possui 3 modos de jogo distintos: Practice – que tal como o nome indica podemos praticar as nossas habilidades; Goodwill Match, um jogo amigável e por fim temos o Tournament Mode que também dispensa apresentações. Esses dois modos de jogo podem ser jogados por um ou 2 jogadores, onde podemos escolher uma de 8 equipas para representar. E ao contrário dos restantes jogos, a única diferença entre as equipas está mesmo na cor dos seus uniformes. Nos modos de jogo Goodwill ou Tournament, após seleccionarmos a equipa que queremos representar, podemos atribuir uma série de skill points nas categorias Service, Spike e Receive, e é aí que podemos customizar a nossa equipa mediante como bem acharmos. O segundo jogador pode fazer o mesmo, já se jogarmos contra o CPU, ele faz essas escolhas automaticamente. O jogo tem uma boa jogabilidade, tendo em conta a simplicidade do comando da Master System, mas não sendo eu um grande fã do desporto, confesso que não tenho grandes bases de comparação, mesmo dentro da própria consola. Graficamente é um jogo simples, porém colorido, e as músicas também não são nada de especial.
O campo de jogo é sempre o mesmo.
Passando para o Wimbledon, devo dizer que é um jogo de Ténis bastante competente tendo em conta que estamos a falar de uma consola de 8bits. Também aqui temos 2 modos de jogo principais: o modo de torneio e o jogo amigável, que por sua vez pode ser jogado numa série de diferentes vertentes: 1P vs 2P, 1P vs CPU e em pares com todas as possibilidades, excepto a de termos partidas inteiramente controladas pela CPU. Para além disso podemos também escolher qual o tipo de campo pretendido: relvado, tartan ou rígido. No modo de torneio somos largados nos quartos de final de um torneio, começando na Austrália, França e finalmente discutir o jogo final em Wimbledon. Tal como o Great Volley, neste modo de jogo também podemos customizar o nosso anónimo jogador, desde dar-lhe um nome e atribuir-lhe uma série de pontos a vários atributos como Speed, Power e Skill. O único problema neste jogo na minha opinião é mesmo a velocidade com que o jogo se desenrola. Os jogadores mexem-se muito rapidamente e as bolas ainda mais. No entanto é apenas uma questão de nos habituarmos.
No jogo amigável podemos seleccionar a mesma personagem, o que é um bocado estranho ter 4 clones em campo
Apesar de as personagens serem pequenas, na minha opinião é um bom jogo graficamente, pelo menos tendo em conta os jogos de Tennis desenvolvidos até à altura (Great Tennis ou Tennis Ace, por exemplo). Claro que depois temos um Wimbledon II ou um Pete Sampra’s, mas isso será para um artigo futuro. Pelo menos o Wimbledon II será certamente. O outro ponto baixo neste Wimbledon na minha opinião são os efeitos sonoros e música que não são nada de especial, mas mais uma vez isso é algo inerente ao próprio hardware da Master System, com o seu chip de som limitado. É preciso ser-se mesmo talentoso para fazer boas músicas com o SN76489, um chip de som criado nos primórdios da década de 80.
Podemos seleccionar também qual o tipo do pitch, que influencia a jogabilidade.
Para concluir este artigo, devo dizer que não sou o maior fã de compilações de videojogos, principalmente se forem demasiado “sortidas” em conteúdos e sem nenhum extra que me cative, como é o caso das Mega Games da Mega Drive, por exemplo. Nesse caso tento sempre arranjar os jogos na sua versão em stand-alone, e não sendo eu um fã de jogos desportivos, não é segredo nenhum que comprei esta colectânea pela única razão de ser um lançamento Portuguese Purple. No entanto, para quem não for picuinhas como eu, tem aqui alguns jogos sólidos como o Super Futebol II (World Cup Italia 90) e o próprio Wimbledon.
Voltando a mais uma rapidinha de um jogo de Master System da velha guarda. The Ninja é uma espécie de Commando ou Ikari Warriors, mas em vez de Rambos wanabees, temos um ninja em pleno Japão Feudal. The Ninja ao contrário do que se calhar muita gente pensa, não é um jogo completamente original, mas sim uma sequela ou remake de um jogo ainda mais antigo da Sega, o Ninja Princess, ou Sega Ninja, como ficou conhecida a versão arcade ocidental desse jogo. Ninja Princess acabou também por ter um lançamento para a primeira consola da Sega, a SG-1000, com este The Ninja a reciclar muito desse conteúdo. O jogo entrou na minha colecção há um ou dois meses atrás, após ter sido comprado a um particular por 5€. Está completo e em bom estado.
Jogo com caixa e manual
A história por detrás do The Ninja não é nada original. Um tirano, Gyokuro passou a controlar uma província japonesa, neste caso a província de Ohkami, e como se não bastasse também temos uma princesa para salvar. O costume, portanto. A jogabilidade, tal como referi acima é muito semelhante à dos jogos run ‘n gun como o Mercs, Commando ou Ikari Warriors, na medida em que controlamos o ninja numa perspectiva aérea e temos de sobreviver ao ataque de imensos inimigos que vão surgindo.
Neste nível a nossa mobilidade é muito reduzida
Possuímos um stock ilimitado de kunais, e os inimigos vão sendo outros ninjas (que podem estar disfarçados de rochas, kunoichis (ninjas femininas), lobos-ninja e samurais. Um botão dispara as kunais na direcção em que estamos virados na altura, e o outro dispara sempre para cima, independentemente da direcção em que estejamos virados. Carregando nos botões 1 e 2 ao mesmo tempo, tornamo-nos temporariamente invisíveis e invencíveis, uma habilidade bastante útil tendo em conta o grau de dificuldade do jogo. Ao longo do percurso poderemos encontrar 3 tipos de scrolls escondidas, umas que nos deixam com shurikens mais poderosas, outras que nos deixam temporariamente mais rápidos e por fim temos umas verdes que são obrigatórias coleccionar para que possamos descobrir uma passagem secreta que nos levem ao esconderijo onde a princesa se encontra aprisionada. Caso cheguemos ao final dos níveis e nos faltem algumas dessas scrolls, o jogo automaticamente circula e nos devolve ao nível em questão onde podemos encontrar alguma dessas scrolls que nos faltem, tendo na mesma de percorrer novamente os restantes níveis até que possamos encontrar a tal passagem secreta.
Quando temos muitos inimigos no ecrã, mais que estes, nota-se algum slowdown
Graficamente é um jogo muito simples, tendo em conta que para além de ser um jogo de 1986, é também um remake/conversão reforçada de um jogo ainda bem mais antigo, o já falado Sega Princess. Os cenários vão sendo variados, embora tenham backgrounds bastante simples, assim como as sprites dos inimigos que vão surgindo no ecrã. Quando deixamos muitos inimigos acumularem no ecrã nota-se algum slowdown, mas isso é algo normal. Uma coisa que achei curiosa é que cada vez que matamos um inimigo, fica uma silhueta humana no chão, antes de desaparecerem por completo. A mesma silhueta aparece com os lobos ninja, foi um detalhe que eles se esqueceram de reparar, ou não, pois no manual diz que esses inimigos são ninjas mascarados de lobos – ha!
Por outro lado os efeitos sonoros são bastante simples, mas as músicas apesar de não serem muitas são bastante competentes, mesmo tendo em conta o calcanhar de Aquiles da Master System, o seu chip de som.
Estes cavalos são invencíveis, não adianta tentar derrotá-los
No fim de contas, The Ninja é um jogo bastante simples e algo rudimentar, pois é de uma era ainda algo embrionária neste género de jogos. Ainda assim, não deixa de ser uma peça importante desta escola primitiva da Sega, e se o virem a um preço simpático, não o deixem escapar.
Apesar de já existirem vários videojogos sobre os lendários heróis gauleses da banda desenhada, foi em 1991 que começaram a surgir os primeiros com um peso considerável. Nas arcades a Konami lançou um divertido e colorido beat ‘em up à lá Ninja Turtles, nas consolas foi a vez da Sega desenvolver um jogo de plataformas para a sua Master System, apesar de a Mega Drive já ser uma consola com uma elevada popularidade. No entanto visto que a Master System também possuia um elevado sucesso em solo europeu – território também onde os livros do Astérix sempre venderam bem, a Master System acabou por não ser uma má escolha.
Jogo com caixa e manual europeu
E com o jogo a ser desenvolvido com mão de pessoas que estiveram por detrás do Castle of Illusion, já se poderia esperar à partida um grande jogo de plataformas. Felizmente assim o foi. A história é simples e em vez de Bowser e a princesa Peach, temos os romanos e o druida Panoramix. Sim, Panoramix foi raptado e cabe ao duo dinâmico gaulês viajar pela Europa fora e resgatar Panoramix das mãos do Império Romano, mesmo no seu coração em Roma. Afinal deve-se a Panoramix o segredo da resistência da pequena vila gaulesa à invasão romana, graças à poção Mágica que só Panoramix sabe criar e que dá força sobre-humana a todos os que dela beberem.
Antes de começar a aventura temos direito a uma bonita “cutscene”
Logo ao começar o jogo deparamo-nos com uma escolha: jogar com Astérix ou com Obelix. E aqui as coisas são bem mais diferentes do que apenas as habilidades entre ambas as personagens, os próprios níveis também vão sendo diferentes de acordo com a personagem escolhida. Astérix é mais ágil e sendo mais baixo consegue esgueirar-se por locais mais apertados. Obélix apesar de não ser tão ágil é bem mais poderoso e em situações onde Astérix precisaria de utilizar uma poção explosiva para destruir alguns blocos, Obelix esmaga-os como se fossem feitos de cartão. Sim, para além de saltar e atacar directamente inimigos, existem vários items que podemos utilizar. Os ossos que vamos vendo são meramente itens coleccionáveis, ao juntar 50 ossos desbloqueamos um nível de bónus onde jogamos com o cãozinho Ideafix. Depois podemos encontrar uma série de poções. As Solid Potions devem ser atiradas para a água ou lava, de forma a solidificar esses líquidos e criarem uma passagem. As Fire Potions para além de iluminarem locais escuros também derretem blocos de gelo. Por fim temos também 2 itens exclusivos e que servem para o mesmo propósito. Astérix pode usar as Explosive Potions para criar enormes colunas de água, destruir blocos ou mesmo atacar os inimigos. O Obélix pode usar rochas para o mesmo efeito, excepto destruir blocos que o pode fazer com as próprias mãos, como já tinha referido antes.
As sprites são muito bem animadas e detalhadas.
Alguns items apenas servem para aumentar a pontuação, outros a vida, incluindo os famosos “heart containers” de outros jogos para aumentar a barra de vida e por fim existem também algumas chaves que teremos de procurar de forma a desbloquear o acesso para os bosses que por sua vez não são nada de especial. Os níveis em si apesar de serem diferentes mediante escolhemos Astérix ou Obelix estão também repletos de passagens secretas e vários bónus para serem descobertos, o que é sempre um plus num jogo de plataformas. Por fim resta falar nos níveis de bónus do Ideafix. Após escolhermos o grau de dificuldade (Easy, Normal ou Hard), somos largados em mais um desafio de plataformas, onde temos de rebentar uma série de bolhas, cujas cores indicam quantas vezes temos de lhes saltar em cima até que rebentem. Nesses níveis temos de evitar ao máximo cair ao chão, até porque temos um tempo limite para os completar. Ainda na jogabilidade resta dizer que este jogo tem suporte a 2 jogadores, um controlando Asterix, o outro Obelix, contudo é daqueles em que os jogadores vão jogando alternadamente e não em simultâneo. Não se pode ter tudo! Ainda assim o segundo jogador apenas pode entrar em acção após o primeiro perder todas as suas vidas e vice-versa.
Os níveis aquáticos como sempre são chatinhos, em qualquer jogo.
Graficamente é um jogo excelente. Os níveis são bastante coloridos e variados entre si, assim como os próprios inimigos! As sprites estão muito bem detalhadas e animadas e com as “cutscenes” que podemos ver com gráficos retirados dos livros, tornam este Astérix muito competente neste quesito. As músicas apesar de não serem perfeitamente memoráveis cumprem bem o seu papel, assim como os próprios efeitos sonoros.
No fim de contas acho Astérix um excelente jogo de plataformas não só para a Master System, como para todas as consolas 8bit no geral. Os próximos jogos do Astérix que sairam para consolas da Sega acabaram por ter destinos distintos: Astérix and the Great Rescue é um jogo inferior a este, pois foi desenvolvido pela Core Design. A seguir saiu o Astérix and the Secret Mission, mais um exclusivo das consolas 8bit da Sega, mais um óptimo jogo de plataformas e mais uma vez produzido internamente pela Sega. Por fim temos Astérix and the Power of the Gods, exclusivo para a Mega Drive e mais uma vez um jogo da Core, onde as diferenças entre ambas as escolas voltam a ser bastante notórias.
Mais uma análise a um jogo da série Ultima, uma das grandes pioneiras dos RPGs no geral, mas nos RPGs ocidentais em particular. O Ultima IV é um jogo bastante peculiar pois trata-se de uma jornada onde não existe nenhum vilão a querer dominar o mundo nem nenhum dragão a guardar uma princesa à espera de ser salva, mas sim uma viagem de renovação espiritual, onde o objectivo é tornar o jogador num Avatar, um herói que personifica as 8 virtudes e 3 princípios. Mas mais sobre isso nos parágrafos seguintes. Este artigo vai-se incidir principalmente para a versão PC, cuja eu possuo em formato digital, tanto como jogo standalone, oferecido a qualquer pessoa que crie conta no GoG, como em compilação com os Ultima V e VI que comprei numa das sales que o site lá vai fazendo de vez em quando. Fisicamente possuo a versão Master System, que se a memória não me falha foi comprada algures no início do milénio numa loja de videojogos já extinta na Maia, por 5€. Está “completo”, faltando-lhe um livrinho que sinceramente não sei se chegou a ser lançado juntamente com o jogo em Portugal. Este artigo irá-se incidir maioritariamente na versão PC, embora irei mencionar algumas referências à versão Master System assim que necessário.
Jogo com caixa, manual, mapa do jogo e catálogo. Falta-lhe o livrinho que sinceramente nem sei se chegou a sair em PT.
Ultima IV é o primeiro jogo de uma nova era para a série Ultima: o legado do vilão Mondain está finalmente extinto, o outrora mundo de Sosaria teve modificações profundas à sua geologia e Lord British resolveu chamar-lhe de Britannia, unificando todos os povos sobre o seu poder. E ao fazê-lo incutiu uma série de 3 princípios e 8 virtudes, em todo o seu povo: os princípios da Verdade, Justiça e Coragem e as virtudes honestidade, compaixão, valentia, justiça, honra, espiritualidade, sacrifício e humildade. Mais uma vez nós encarnamos num aventureiro de um outro mundo que inadvertidamente encontra um portal para o mundo de Britannia onde teremos a possibilidade de participar em mais uma grande aventura. Desta vez não temos um feiticeiro malvado que quer dominar o mundo para derrotar, mas Lord British pretende que nos tornemos um paladino destes princípios e virtudes, de forma a tornar-nos num Avatar, um herói e exemplo a seguir por todo o seu povo. E isso acaba por mudar bastante as mecânicas de jogo: para nos tornarmos um Avatar em primeiro lugar teremos de viver de acordo com as virtudes e tomar as decisões certas para isso. Após nos tornarmos num Avatar lá teremos também de partir em busca do Codex of Ultimate Wisdom que está nos confins de uma dungeon complexa – esse será o nosso objectivo final.
Os diálogos na versão pc são livres: podemos escrever o que quisermos e os NPCs reconhecem algumas palavras chave
Ao contrário dos Ultimas anteriores, começamos o jogo não a escolher raça, classe e afins ao distribuir os vários pontos de atributos, mas sim a responder uma série de perguntas que nos colocam com afinidades a algumas destas virtudes. Mediante as nossas respostas é que será escolhida a nossa classe. Depois para viver de acordo com cada virtude teremos de ter algum cuidado com as nossas acções. Matar criaturas não maldosas como animais selvagens conta negativamente para a compaixão, roubar ou matar guardas ou inocentes também não é muito abonatório, dar esmolas a pedintes aumenta a nossa compaixão, fugir de combates é prejudicial para a valentia, se dermos sangue nalgum “hospital” aumenta o nosso sacrifício e por aí fora. Até nos diálogos temos de tentar ser humildes e honestos. Os diálogos por si só também apresentam um interessante (embora primitivo) sistema de árvore. Ao meter conversa com qualquer pessoa, podemos perguntar-lhes o que quisermos, desde name, job e palavras chave com base nas suas respostas, como “rune”, “mantra” e afins. Isto porque para alcançar a “Avatarhood” em cada virtude não é só necessário ganhar pontos suficientes, mas descobrir o mantra e templo associados a essa virtude, para depois meditar e masterizar essa virtude. Para isso teremos de ir perguntando aos locais onde essas coisas estão e não só. Na versão Master System como seria de esperar este sistema de diálogos está mais simplificado e apenas podemos perguntar por coisas que já tinhamos ouvido falar antes.
Já na versão Master System apenas podemos escolher para os diálogos uma série de termos que já tenhamos conhecido
Neste jogo vamos também poder recrutar uma série de companheiros especialistas em cada uma das outras virtudes (o jogador “nasce” sempre com afinidade a uma virtude em específico), resultando numa party que poderá ir até 8 personagens. E se por um lado nós somos sempre “julgados” pelas nossas acções, as restantes personagens não, portanto se quisermos fazer maroscas na mesma é melhor mandar os outros. Neste jogo também mudaram as magias: agora temos de comprar uma série de reagentes e com base em várias receitas podemos fabricar uma série de feitiços, mais uma grande razão para o habitual grinding para arranjar ouro para suportar tudo isto. De resto, tal como os outros jogos da série, para subir de nível teremos de falar com Lord British, que por sua vez também nos poderá curar. Outra coisa que foi mudada radicalmente com este jogo é a questão das dungeons. Elas ainda existem e são exploradas de forma a encontrar itens que nos permitam avançar na dungeon final. A diferença é que deixaram de ser inteiramente na primeira pessoa. Agora apenas os corredores são jogados na primeira pessoa, com as dungeons a terem também diversas salas. Essas salas já são jogadas numa perspectiva de overhead normal, visto quase sempre terem batalhas associadas e não só, como puzzles e imensas passagens secretas. Nos corredores em primeira pessoa é também possível ter encontros aleatórios com inimigos, com as batalhas mais uma vez a passarem para a perspectiva habitual. A versão Master System tem as dungeons todas com essa perspectiva overhead, embora a consola seja bem capaz de renderizar dungeons na primeira pessoa, como pode ser visto em Phantasy Star.
As dungeons na primeira pessoa ainda têm um aspecto simples, mas ao menos já não são apenas arames.
Graficamente o jogo está mais detalhado que os anteriores, em especial a versão PC que agora já está naturalmente mais colorida, devido ao utilizarem o standard de vídeo EGA que permitia 16 cores, ao contrário do primitivo CGA das conversões anteriores. Era 1985, os IBM PC não eram propriamente máquinas de gaming ainda, até porque mais uma vez o jogo ficou sem música e os efeitos sonoros eram limitados aos “bips” da PC-Speaker. Placas como a Ad-lib ou soundblaster ainda eram uma miragem. Felizmente a conversão para a Master System, tendo saído bem mais tarde acabou por herdar uns gráficos bem mais coloridos e música, mas ainda com sprites bem próximas das originais, ao contrário da conversão para a NES que foi mutilada em imensos aspectos.
Este Ultima tem uma introdução bastante longa e colorida, em todas as versões
No final de contas Ultima IV é um jogo bastante peculiar na série, precisamente por todo este foco numa “quest” de introspecção e espiritual. É também o jogo que marca o nascer de uma nova era para Lord British e o mundo de Britannia, com imensas caras conhecidas e cidades que vamos ver evoluindo ao longo dos próximos jogos da série. Não deixa de ter uma jogabilidade ainda algo primitiva, afinal o jogo foi lançado originalmente em 1985, mas tenho visto uma evolução muito interessante desde o primeiro jogo. A versão Master System parece-me ser também uma excelente conversão, embora para quem estiver habituado a jogar os habituais JRPGs que as consolas sempre tiveram, não vão gostar lá muito do jogo.