Alien 3 (Sega Master System)

Alien 3Hoje é tempo para mais uma rapidinha até porque este Alien 3 é uma conversão do mesmo jogo para a Mega Drive, que já tinha sido aqui analisado anteriormente. E na verdade até é uma conversão surpreendente, mantendo as mesmas mecânicas de jogo, níveis bem detalhados dentro dos possíveis da Master System e também uma excelente banda sonora. Este meu exemplar foi comprado na Feira da Ladra em Lisboa algures durante o passado mês de Fevereiro, e custou-me menos de 5€ pois veio num pequeno bundle.

Alien 3 - Sega Master System
Jogo com caixa

O jogo tenta seguir minimamente os acontecimentos do filme. Minimamente. É passado no planeta Fiorina “Fury” 161, um planeta que serve de prisão pseudo-abandonada, onde Ripley “naufragou” devido à sua nave trazer um outro passageiro indesejado, mas ao contrário do filme onde só temos um alien com que nos preocupar, aqui são carradas deles. E o objectivo do jogo consiste em  encontrar e libertar todos os prisioneiros em cada nível, tudo dentro de um tempo limite e com imensos aliens a surgirem de todos os lados. Felizmente o armamento que podemos encontrar está à altura com as habituais pulse rifles e lança-chamas, entre outros, a darem o ar de sua graça. O problema está é nos níveis serem por vezes bastante labirínticos e o tempo pode ser bem curto para libertarmos todos os prisioneiros e encontrar a saída. Ocasionalmente temos também combates de bosses.

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As mecânicas de jogo são idênticasÀ versão Mega Drive

A nível técnico esta é uma boa conversão. Os níveis são semelhantes aos da Mega Drive, embora naturalmente sejam muito menos detalhados, o que é perfeitamente normal. Ainda assim para as capacidades da Master System o resultado final não ficou nada mau. Os efeitos sonoros também são OK, nada a apontar, mas já a música…. bom, a música é excelente,bastante groovy e com as melhores linhas de baixo que alguma vez ouvi numa Master System. Mesmo com o adaptador FM! Só que por mais boa que a música seja, infelizmente acho-a desajustada ao jogo que é. Aqui deveria ser algo mais tenso, na onda do que foi feito no Metroid, por exemplo.

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Esta animação na intro até está engraçadinha

Alien 3 para a Master System continua a ser um jogo difícil tal como o da Mega Drive. Mas não deixa de ser um trabalho de conversão louvável por parte da Probe/Arena, só por isso já vale a pena irem espreitar. Mas para quem já tiver a versão Mega Drive não ganha muito. Numa outra nota, mas ainda sobre o Alien 3, fico bastante curioso com o mesmo jogo para a SNES, que é completamente diferente. Espero ter a sorte de o encontrar um dia destes.

Cheese Cat-Astrophe (Sega Master System)

CheeseCatastrophe-SMS-PT-mediumMais uma rapidinha, pois ainda ando a arrotar a rabanadas do Natal. O jogo que trago cá hoje é um jogo da plataformas de mais uma personagem dos Warner Bros, nada mais nada menos que o rato mexicano Speedy Gonzales. E esta é também mais uma edição dos Portuguese Purple, jogos que tiveram um relançamento apenas em solo nacional com esta capa em tons púrpura, cortesia da nossa Ecofilmes. Este exemplar até foi uma oferta de um utilizador do fórum Collector’s Corner, a quem muito agradeço. Só me falta o Sonic Spinball para fechar o set!

Cheese Cat-Astrophe - Sega Master System
Jogo com caixa

Mas sem mais demoras, a história por detrás deste jogo é simples. O gato Sylvester, como sempre, tenta apanhar o pequeno rato, mas como não consegue, decide raptar a sua namorada que agora me falha o nome, e uma série de outros ratos amigos de Speedy, tudo para o atrair e tentar apanhar de uma vez por todas. Então somos largados numa série de níveis de platforming, onde para além de nos esquivarmos de obstáculos e outros bichos como aranhas ou escorpiões gigantes, temos também de encontrar uma pequena chave escondida em cada nível. Ao encontrar essa chave somos levados a uma salinha onde um amigo de Speedy está preso, e simplesmente temos de o libertar. De resto os controlos são simples, com um botão para saltar (e podemos saltar em cima dos inimigos para os derrotar) e um outro botão para atirar chapéus, que podem também servir de arma e coleccionáveis em cada nível.

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Nunca percebi muito bem o que são estes bichinhos escuros, pelo que vou chamá-los de aranhas

Eventualmente, de nível para nível, teremos mais algumas funções extra, como apanhar barras de dinamite e atirá-las para o Sylvester, ou lançar uma corda para subir a outras plataformas às quais não conseguimos saltar directamente. No entanto, apesar de ser simples não achei um jogo tão fácil assim, pois levar dano dos inimigos (principalmente se quisermos conservar os chapéus) é fácil e os saltos não são tão precisos como em outros jogos de plataforma. Mas nem todos os níveis são de platforming puro e duro, temos também os tradicionais níveis em água, que tanto controlamos Speedy numa bóia a descer aparentemente um rio, mas a fugir de vários obstáculos, ou um outro em sidescroller onde nadamos no fundo de uma lagoa.

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Podemos apanhar vários chapéus espalhados nos vários níveis

Nos audiovisuais sinceramente achei um jogo fraquinho. Se por um lado as sprites são coloridas e bem detalhadas tendo em conta que estamos a falar de um jogo de 8bits, por outro lado nos cenários tanto temos níveis com backgrounds bem detalhados, como outroas absolutamente horríveis. O nível em que nadamos debaixo de água é na minha opinião o maior culpado! As músicas sinceramente também achei bastante desinspiradas e simples demais.

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Um dos vários amigos de Speedy que temos de resgatar antes de poder avançar para o nível seguinte

No fim de contas acho este Cheese Cat-Astrophe um jogo de plataformas algo medíocre, que se não fosse por ter este lançamento em Portuguese Purple, pouco me iria preocupar em andar à procura dele.

Wonder Boy in Monster Land (Sega Master System)

screenshotWonder Boy é um nome envolto em muitas confusões. Todos eles foram desenvolvidos pela Westone e publicados pela Sega, que por sua vez detinha os direitos da franchise e personagem. Ora o primeiro Wonder Boy, que era um simples jogo de plataformas, ao ser convertido pela Hudson para a NES, deu sucesso à série Adventure Island, e por outro lado, na Sega a série evoluiu para o “Monster World”. Noutras plataformas, como a PC-Engine, os jogos ainda são diferentes! Existe um óptimo artigo no hardcoregaming101 sobre esta série que recomendo vivamente a sua leitura. Mas sem mais demoras, este jogo é a continuação directa do primeiro Wonder Boy, e o primeiro jogo na saga Monster World. Foi-me oferecido por um particular, e mesmo não estando num óptimo estado, é para mim um dos jogos obrigatórios desta consola.

Wonder Boy in Monster Land
Jogo com caixa

Mais uma vez o protagonista é o jovem Bock Lee, apelidado de Tom-Tom pelos seus amigos, que tenta salvar a sua terra do dragão Meka que aterrorizou a população e encheu o mundo de monstros, daí o nome de Monster World/Monster Land. Apesar de ainda ser um jogo algo linear e também dividido por níveis, até porque foi um jogo lançado originalmente para arcades, aqui já se introduziram uma série de novas mecânicas de jogabilidade que se tornaram familiares em todos os Monster World seguintes. Isto porque desde cedo nos dão uma espada, com a qual atacamos os inimigos que nos vão deixando moedas, dinheiro esse que poderá ser usado ao visitar uma série de lojas para compras mais equipamento, como diferentes escudos, armaduras ou botas, ou mesmo armas mágicas especiais, como bombas, raios que provocam dano a todos os inimigos no ecrã, etc.

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Em algumas das portas apenas encontramos quem nos dê dicas

Essas lojinhas no início estão representadas como portas e o respectivo ícone a indicar para que se tratam. Mas ao longo do jogo iremos encontrar muitas dessas portas que nos levam a armadilhas, umas com pequenos bosses, outras com bosses mais a sério que são mesmo necessários derrotar para avançar para o nível seguinte. Outras lojas, muitas das vezes até com bom material para comprar, estão invisíveis, tendo de ser encontradas pelo método de tentativa-erro. De resto, para além dos coraçõezinhos que nos vão indicando a vida disponível e que podem ser aumentados ao encontrar os respectivos “heart containers”, temos também timers para avançar no nível, o que também não nos deixa assim muito à vontade para “farmar” mais tempo. Influências de este ter sido um jogo arcade!

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Não precisamos de comprar tudo logo de uma vez, outras oportunidades virão nos níveis seguintes

Graficamente é um jogo muito bem colorido e detalhado, quase ao mesmo nível do Wonder Boy III The Dragon’s Trap, que é na minha opinião um dos melhores jogos de plataformas de sempre. Não existe é uma variedade tão grande de cenários, apesar de existirem desertos, florestas, ilhas, cavernas (incluindo subaquáticas), há sempre uma insistência no mesmo tipo de cores, nomeadamente os amarelos, castanhos, verdes e azuis do céu ou água. As músicas também são boas, embora naturalmente a versão japonesa e o seu suporte ao FM Sound Unit lhe dêm uns 15-0 ao som normal.

Em suma, e embora não seja uma obra prima como o The Dragons Trap, este Wonder Boy in Monster Land já foi um bom ensaio para as mecânicas mais “metroidvania” que foram implementadas de vez nos jogos seguintes. Não, o Wonder Boy III Monster Lair não conta. Quê? Outro Wonder Boy III? A Westone é pior que um filme do David Lynch.

Mortal Kombat (Sega Master System)

MK - SMSO artigo que trarei cá hoje será mais uma rapidinha, embora o primeiro Mortal Kombat seja um clássico de tal forma que merece sem dúvida um artigo bem mais completo. A razão para isso prende-se com o facto desta ser a versão Sega Master System, que possui severas limitações face ao original das arcadas. Apesar de também possuir o original arcade no Komplete Kollection no Steam, estou a guardar-me para um artigo com mais detalhe uma vez que comprar a versão Mega Drive ou outra “na mesma liga” e lançada na época. E este cartucho já não me recordo mesmo como chegou à colecção, sei que veio juntamente com algum bundle que comprei, mas de resto não me lembro de mais nada. EDIT: recentemente um amigo meu ofereceu-me também a caixa e manual do jogo, já o tenho mais completo.

Jogo com caixa e manual

A história de Mortal Kombat prende-se com as forças malignas de uma outra dimensão quererem invadir o planeta Terra. A única condição que os deuses colocaram foi que para isso as forças de Shang Tsung teriam de vencer os terrestres 10x num torneio mortal de artes marciais. A má notícia é que eles já venceram 9 e este seria o derradeiro combate que ditaria o nosso destino. Na verdade foi a sua violência over the top e fatalities que colocaram verdadeiramente este jogo no mapa, não a sua história.

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Sinceramente, as sprites até que estão bem detalhadas tendo em conta a plataforma

O jogo marcou a estreia de personagens como Sub-Zero, Scorpion, Johnny Cage ou Liu-Kang, mas devido a limitações da consola, foram cortadas neste jogo as personagens Johnny Cage e o ninja secreto Reptile. Devido aos poucos botões da Sega Master System, também alguns golpes especiais ficaram de fora e para bloquear é necessário pressionar o botão de socos mais carregar para trás no D-Pad, ao contrário de outras plataformas com mais botões, que tinham um botão exclusivamente para bloquear. As fatalities, essas existem também aqui mas com um look bem mais 8bit. De resto, possuimos 2 modos de jogo, a campanha single player que nos coloca a combater contra todos os outros lutadores principais, um combate contra um clone nosso, alguns combates de “endurance”, onde lutamos contra 2 lutadores em cada round e por fim os 2 bosses Goro e Shang Tsung. Por fim temos o versus para 2 jogadores.

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O (ligeiramente) reduzido ecrã de selecção de lutadores

No audiovisual este é um jogo misto. Por um lado as sprites são bem grandinhas para um jogo de Master System e apesar de haver algum downgrade óbvio, mantêm na mesma as suas características de terem sido digitalizadas de actores reais. O trade-off de termos estas sprites grandes e bem detalhadas tendo em conta a consola, é que o jogo tem um pacing mais lento que o original. As arenas foram outro dos aspectos cortados, pois apenas temos duas ao longo de todo o jogo, e apesar de serem extremamente simples e com poucos adornos visuais, ao menos são grandinhas. Os efeitos sonoros não são nada do outro mundo e as músicas ouvem-se.

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Os dois confrontos finais

Por muito que eu goste da minha Master System este é um jogo que eu apenas recomendo aos coleccionadores, tanto da plataforma como da série Mortal Kombat em si, visto que é um port fraco devido às limitações de hardware, mas vê-se que foi criado com as melhores das intenções. Quanto a mim eventualmente o comprarei pelo menos em caixa, mas não é algo que tenha pressa.

Double Dragon (Sega Master System)

Double DragonVoltando à consola de 8 Bit da Sega, para uma conversão daquele que é provavelmente o jogo mais influente do género beat ‘em up tradicional em 2D, que influenciou outros clássicos como Final Fight ou Streets of Rage. Double Dragon é um jogo originalmente desenvolvido pela Technos Japan que teve um imenso sucesso e com isso foram desenvolvidas imensas conversões, desde a famosa conversão para a NES, passando por imensas outras plataformas, como a velhinha Atari 2600, micro computadores como o ZX Spectrum ou esta versão da Master System. Comprei o jogo muito recentemente, mais precisamente na semana passada na pressplay no Porto, tendo-me custado pouco mais de 5€. Está completa e em óptimo estado.

Double Dragon - Sega Master System
Jogo completo com caixa e manuais

A história por detrás de Double Dragon é muito simples. Vemos uma rapariga a ser raptada por un gang, e apesar de não sabermos quais as razões que os levaram a fazer esse acto, entramos logo em acção como Billy ou Jimmy Lee e passamos o resto do jogo a distribuir pancada a tudo o que mexa até reavermos a mulher. Simples, mas eficaz. Ao contrário da versão NES, esta versão permite que joguemos num modo cooperativo para 2 jogadores, tal como a versão arcade. E também tal como na versão arcade, depois de derrotado o boss final neste modo de jogo teremos de andar à porrada com o nosso amigo que nos ajudou desde sempre para conquistar o coração da moça. Não sei o que a Technos tinha na cabeça para ter essa ideia, mas até achei engraçado.

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Uma cena recriada vezes sem conta

A jogabilidade é muito simples, devido ao comando da Master System apenas possuir 2 botões, servindo um deles para dar pontapés e o outro mandar socos. Ainda assim podemos fazer algumas combos, ou desencadear alguns golpes especiais. Ao carregar no botão 1 e 2 ao mesmo tempo efectuamos um jump kick, por exemplo. Ao continuar a dar murros ou pontapés sem interrupção também teremos alguns pequenos combos. Quando deitamos um inimigo ao chão podemos pegar nele e efectuar também alguns golpes especiais. Para além disso também podemos usar outros objectos ou armas. Rochas ou caixas que apanhamos do chão podem ser atiradas contra os inimigos, as próprias armas deles, como chicotes, facas ou bastões de baseball também podem ser “roubadas” e usadas contra os próprios. E com os seus continues infinitos (excepto no último nível a menos que usemos um truque) tornam este um jogo algo fácil. Se não quisermos perder muitas vidas, o truque está em lutar muito cuidadosamente, enfrentando um adversário de cada vez e evitar que eles nos atinjam.

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Algumas palette swaps eram mesmo desnecessárias… tipo esta

Graficamente é um jogo interessante tendo em conta a altura em que foi lançado. Se comparado à conversão da NES, está bem melhor, com mais cores no ecrã, o level design mais parecido com o original arcade e claro, a possibilidade de se jogar com 2 jogadores. No entanto não deixa de ser um jogo bastante simples e que abusa bastante do palette swap quando repetem muitas sprites. Ver tipos com a pele verde é muito estranho, mesmo que alguns até se possam parecer com o Hulk. Outro problema que notei foi o elevado sprite flickering, em especial quando uma sprite se sobrepõe à outra. As músicas e efeitos sonoros não são nada de especial, mas também não são propriamente maus. A versão japonesa deste jogo tira partido do acessório FM-Sound Unit, o que lhe dá um enorme boost na qualidade das músicas. De resto, no campo do audiovisual, é inegável que jogos que sairam mais tarde como o próprio Streets of Rage para a Master System são bem superiores neste campo.

No fim de contas, apesar de não ser perfeita, esta conversão do Double Dragon original é bem competente e interessante. E apesar de não ser um jogo imprescindível para a biblioteca de qualquer fã ou coleccionador de Sega Master System, a verdade é que também não é nada mau e fica bem na prateleira.