Summer Games (Sega Master System)

Vamos a mais uma rapidinha, agora para a Master System a mais um daqueles jogos da Epyx que são uma compilação de diferentes eventos desportivos, todos eles com jogabilidade que requer combinações de botões em momentos precisos, o que irá exigir muita práctica. Desta vez a temática é a dos jogos olímpicos de verão. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu no passado mês de Outubro por 5€.

Jogo com caixa e manual

O jogo foi lançado originalmente em 1984 para o Commodore 64, com esta conversão para a Master System a ser lançada bem mais tarde, em 1990. E enquanto o original possuía 8 eventos diferentes a competir, esta conversão tem apenas 5, pelo que ficaram pelo caminho duas vertentes de corrida de estafeta e o tiro. Tal como os restantes jogos da Epyx deste género, temos a possibilidade de competir num evento, competir em todos os eventos, treinar um evento à escolha e ver os recordes existentes. A competição propriamente dita pode ser jogada com um máximo de 8 jogadores que representam diferentes nacionalidades sendo que todos jogam à vez e no final ganha quem atingir mais medalhas.

O sprint dos 100m é o que tem a jogabilidade mais simples mas ainda assim uns botões turbo davam jeito

Cada evento possui controlos muito próprios e com timings exigentes, pelo que uma leitura atenta do manual é bem recomendada e claro, muita práctica. No salto à vara começamos por correr automaticamente e teremos pressionar para baixo para pousar a vara e começar a saltar. Muitas vezes iremos fazê-lo tarde demais e o salto será desqualificado. Mas mesmo que consigamos plantar a vara no tempo certo, depois temos de manter pressionados o botão 1 e os direccionais cima e direita e esperar que tudo corra bem. O sprint dos 100m é bem mais simples, mas é cansativo pois depois da partida apenas teremos de pressionar os botões 1 e 2 de forma alternada, o mais rapidamente possível. O evento de ginástica obriga-nos a saltar para um cavalete e fazer algumas acrobacias, o que se traduz em usar o botão 1 para saltar (uma vez mais com timings certos) e o direccional para as acrobacias, sendo que teremos de ter a preocupação de aterrar em pé, caso contrário a pontuação que nos será atribuída será desastrosa. Os últimos dois eventos são aquáticos, começando pelo mergulho de 10m. Aqui teremos uma série de 4 saltos para executar, onde saltamos com o botão 1 e usamos o direccional para fazer algumas acrobacias. Uma vez mais temos de ter a preocupação de entrar na água de cabeça, pelo que é mais uma vez uma questão de práctica. O último evento é o sprint de 100m a nadar em estilo livre, onde teremos de manter pressionado o botão direccional na direcção a nadar e pressionar o botão 1 repetidamente até à exaustão.

Não convém fazer uma chapa na água, os juízes são muito exigentes

Graficamente até que é um jogo colorido e bem detalhado, principalmente se comparado ao original da Commodore 64. As músicas não são nada desagradáveis, e este é outro dos casos de um jogo ocidental ter suporte a músicas FM, mesmo com o mesmo não tendo um lançamento japonês. Isso aconteceu pois esta conversão para a Master System não foi produzida pela Epyx mas sim subcontratada a um pequeno estúdio pela Sega of Japan. Aparentemente o som foi todo programado pela Sega Japan, talvez por essa razão lá tenham introduzido músicas em FM.

Portanto, este Summer Games é mais um daqueles jogos que sinceramente não envelheceu lá muito bem. Os seus diferentes eventos possuem controlos que nem sempre são intuitivos, resultando em experiências bastante frustrantes, principalmente para quem não tiver o manual que os explique. Nunca fui o maior fã deste estilo de jogos e sinceramente nem sei como esta série da Epyx teve assim tanto sucesso nos anos 80.

Scramble Spirits (Sega Master System)

Voltando às rapidinhas nas consolas da Sega, vamos ficar agora com este shmup chamado Scramble Spirits. Criado originalmente pela Sega nas arcades (através do hardware System 24, bem mais poderoso que a pobre Master System) este Scramble Spirits acabou por receber uma conversão para a Master System no final da década de 80, bem como uns quantos outros microcomputadores em voga na Europa. O meu exemplar foi comprado algures em Agosto a um amigo por 5€.

Jogo com caixa

A história é o cliché habitual. O planeta foi invadido por forças alienígenas e nós acabamos por ser a última esperança da raça humana, onde sozinhos (ou com a ajuda de um amigo) teremos de enfrentar todas as forças inimigas.

Ora eu nunca joguei o original arcade, mas esta versão Master System não traz muito de realmente novo nas mecânicas de jogo típicas deste género. Os únicos power ups que vamos encontrando são os tais aviões secundários que podem nos podem acompanhar (com um máximo de duas) e aumentar o nosso poder de fogo. Um botão para disparar, o outro alterna a formação das naves adicionais, seja para atingirem alvos aéreos ou terrestres. O ataque especial é dado pelos tais aviões opcionais e é despoletado ao pressionar os botões 1 e 2 em simultâneo. Quando o fazemos, um desses aviões mergulha uns metros e explode, não destrói todos os inimigos presentes no ecrã, mas apenas aos que forem apanhados no raio da explosão. Uma vez a explosão terminada, o avião ainda sobrevive, pelo que teremos de o apanhar novamente. Mas o avião regressa a deitar fumo, e se tivermos de o usar novamente para este ataque kamikaze, o mesmo acaba por ser destruído definitivamente.

Graficamente esta versão fica muito aquém do original arcade, apesar de até ter os seus momentos

Do ponto de vista audiovisual, bom o original arcade era um jogo bem bonito, pois foi desenvolvido para o hardware System 24 com capacidades de sprite scaling. A diferença entre versões é de facto colossal. A Master System possui cenários bem mais simplificados, em particular a transição para os pequenos níveis de bónus que apresenta aqui um sprite scaling muito modesto. As músicas até que são agradáveis, mas este é também um dos poucos exemplos de um jogo de Master System que nunca chegou a sair no Japão, mas inclui também suporte ao sistema de som FM, que para nós europeus não serve de muito pois as nossas consolas nunca tiveram suporte oficial a esse add-on. Talvez a Sega ainda estivesse a planear lançar este jogo no Japão, o que acabou por não acontecer. Mas o que quero dizer aqui é que essas músicas FM são naturalmente bem melhores!

Apesar de supostamente ser um jogo futurista, a sua estética é muito da 2a Guerra Mundial

Portanto este Scramble Spirits acaba por ser um lançamento algo ingrato na Master System. Sem dúvida que seria bem mais interessante tê-lo visto antes na Mega Drive que, apesar de certamente ter de sofrer algumas restrições, seria uma conversão bem mais fiel face ao original. Ainda assim não deixa de ser um jogo minimamente competente e a conversão para a Master System foi benvinda.

Robocop Versus The Terminator (Sega Master System)

Vamos voltar agora à Master System para um jogo interessante que já tinha em backlog já há algum tempo. Na verdade, o meu exemplar físico deste Robocop vs The Terminator só o tinha na colecção desde Julho deste ano, onde o comprei a um amigo por 5€. No entanto, já há muito que o queria jogar em emulação, onde tinha apenas experimentado os primeiros 2 níveis há já demasiados anos atrás.

Jogo com caixa

Como podem perceber pelo nome, este é um crossover que junta duas das maiores franchises de filmes de acção da década de 80, inícios de 90: Robocop e The Terminator! Ambas envolvem robots, cyborgs e/ou andróides pelo que um crossover nem parecia assim tão descabido. Esse crossover começou precisamente na banda desenhada e aparentemente o jogo é baseado na mesma, ou num eventual filme que nunca chegou a acontecer. Sinceramente não tenho a certeza pois nunca li a BD, mas também não interessa. O que é preciso saber aqui é que controlamos o Robocop no tal futuro apocalíptico dominado pela Skynet e o seu exército de cyborgs assassinos, cujo nosso papel é precisamente o de destruir a Skynet e assim salvar a raça humana do seu extermínio.

Se matarmos algum inimigo humano, isto acontece

Na práctica, este é um jogo de acção em 2D sidescroller, com elementos de shooter e platformer. Não é um shooter frenético como Contra, mas os princípios são semelhantes. Na maior parte dos níveis o nosso objectivo é o de sobreviver e encontrar a sua saída, embora tenhamos outros níveis com objectivos diferentes, como o de resgatar reféns ou destruir objectos como câmaras de vigilância ou radares. Alguns níveis também culminam com um confronto contra um boss, sendo que o último, Skynet, é bastante difícil não sofrer dano, pelo que convém ir jogando com calma e amealhar vidas nos restantes níveis. Robocop pode disparar em várias direcções e os botões faciais servem para saltar e disparar, embora as mecânicas de salto poderiam ser um pouco melhores. Para saltar mais alto, por exemplo, teremos de manter o botão de salto pressionado em conjunto com o direccional para cima, e o mesmo tem de ser feito para o Robocop se agarre às escadas para subir ou descer, ou aos cabos que vamos vendo nalguns níveis e que nos permitem atravessar abismos.

No final de alguns níveis teremos também bosses para enfrentar

De resto vamos tendo também diferentes armas para apanhar, bem como power ups que nos irão ajudar ao longo do jogo. Robocop possui o seu revólver como arma principal, mas vamos poder encontrar também uma arma que dispara raios laser, outra de plasma e um lança rockets que é sem dúvida a mais poderosa de todas. Mas quando estivermos a subir ou descer em escadas ou atravessar algum cabo, não podemos usar as duas mãos para disparar, pelo que Robocop nessas situações usa sempre a sua pistola. Felizmente temos munições infinitas para todas as armas, no entanto! Os restantes itens que vamos encontrando são os típicos medkits que nos regeneram a barra de vida, invencibilidade temporária ou mesmo vidas extra.

Alguns níveis vão tendo designs mais labirínticos

Passando para os audiovisuais, este é um jogo que fica uns bons furos abaixo da versão Mega Drive que do ponto de vista gráfico é incrível. Ainda assim é uma versão bem competente. Os primeiros níveis são passados numa cidade à noite, mas vamos depois explorar alguns subterrâneos e outros edifícios mais industriais. Os níveis possuem um nível de detalhe bem competente e esta versão até que é bastante gore, com os inimigos humanos a explodirem numa pilha de carne e sangue. As músicas são também muito agradáveis, têm aquele feeling mesmo europeu da cena dos microcomputadores da década de 80 e o velhinho PSG da Master System até encaixa bem nessa sonoridade. Nada a apontar aos efeitos sonoros, a não ser pelas vozes digitalizadas que ouvimos antes de cada nível: “looking for trouble?” e quando derrotamos um boss: “You’re terminated“.

Portanto este Robocop Vs The Terminator é um jogo de acção bem competente para a Master System. Existe também de forma idêntica na Game Gear, mas com a limitação de ter uma menor resolução de ecrã. A versão Game Boy e NES (esta última cancelada mas existe uma ROM finalizada a circular pela internet) são jogos inteiramente diferentes, assim como as suas versões 16bit para a Mega Drive e Super Nintendo. A da Mega Drive está incrível graficamente, será sem dúvida um jogo para adquirir no futuro.

Fantasy Zone (Sega Master System)

Fantasy Zone é um interessante shmup produzido pela própria Sega originalmente para as arcades algures em meados da década de 80. Naturalmente que uma versão acabou por ser produzida para a Master System e, apesar de já cá ter trazido a versão Game Gear que partilha do mesmo nome, essa é na verdade uma versão diferente. O meu exemplar foi comprado a um particular algures no mês passado por 5€.

Jogo com caixa e manual

Fantasy Zone é um cute’em up, ou seja, um shmup mas com visuais muito fofinhos, a começar pelo protagonista, Opa-Opa. Este tem a aparência de uma nave espacial bem colorida mas é na verdade um ser vivo, e que até tem pernas, que são visíveis se decidirmos caminhar à superfície. Os níveis também costumam ser bastante coloridos e os inimigos raramente têm um aspecto ameaçador.

Os gráficos são bastante bonitinhos e os inimigos muitas vezes bizarros

Mas então qual é o propósito do jogo? Bom em cada nível nós podemos nos mover livremente pelo ecrã, quer pelo ar, quer à superfície. Vamos destruindo os inimigos que nos vão atacando e apanhar as moedas que vão deixando. Também vamos vendo uns inimigos maiores que são na verdade geradores de inimigos mais pequenos. O objectivo de cada nível é precisamente o de destruir todos esses inimigos maiores. Uma vez derrotados, somos levados a defrontar um boss e passamos para o nível seguinte. Os controlos são simples, um botão serve para disparar a arma primária, o outro a secundária, típicamente bombas largadas pelo ar. As moedas que vamos apanhando servirão para comprar novos power ups e upgrades em lojas que vamos poder visitar ocasionalmente. Temos várias armas para comprar, incluindo bombas bem mais poderosas (mas de munição limitada), ou upgrades que nos melhorem a agilidade da nave ou mesmo vidas extra. Se quisermos farmar dinheiro basta deixar os inimigos maiores vivos durante algum tempo e ir destruindo os inimigos gerados por eles.

O dinheiro que vamos amealhando deve ser usado para comprar alguns upgrades ou novas armas

Do ponto de vista dos gráficos, já aqui referi que este é na verdade um cute ‘em up, com inimigos fofinhos e gráficos bem coloridos. Mas no entanto esta conversão para a Master System infelizmente fica uns furos bem abaixo da versão arcade, que possuía níveis ainda mais coloridos. Felizmente que o Fantasy Zone II acabou por ser bem melhor nesse aspecto! De resto as músicas são bastante agradáveis!

Portanto este Fantasy Zone, apesar de simples, é um bom shmup na Master System que apresenta algumas mecânicas de jogo interessantes. Opa-Opa foi uma espécie de mascote da Sega, pelo que a Master System acabou por receber ainda mais dois jogos desta série. O Fantasy Zone II é mais um shmup que me pareceu ser uma óptima evolução deste, mas isso já seria assunto para um outro artigo.

WWF WrestleMania: Steel Cage Challenge (Sega Master System)

Voltando à Master System para mais uma rapidinha, este Steel Cage Challenge foi um jogo que joguei bastante na minha infância. Não porque gostasse dele, mas simplesmente porque eu e os meus amigos não tínhamos tantos jogos assim. Anos mais tarde lá consegui arranjar um exemplar para a colecção, tendo sido comprado a um amigo no passado mês de Setembro por 5€.

Jogo com caixa e manual

Eu não sou um grande fã de wrestling, nem dos programas de entretenimento, nem dos videojogos (excepção para os Arcade Game e In Your House pela sua natureza mais arcade), pelo que não me vou alongar muito aqui. Temos vários modos de jogo, desde partidas singulares de 1 contra 1, partidas em tag team ou campeonatos 1 contra 1 ou em tag team. Nas partidas singulares podemos também jogar contra ou cooperativamente com um amigo. Os combates podem também decorrer em arenas normais ou, tal como o título do jogo refere, em jaulas de aço.

Antes de cada combate temos uma pequena introdução aos protagonistas

No que diz respeito à jogabilidade, esta é muito simples, até porque o comando da Master System não tem muitos botões faciais. Basicamente temos um botão para socos e pontapés, mas dependendo do contexto, poderão corresponder a golpes ligeiramente diferentes. Pressionar o botão direccional e o 1 e 2 em simultâneo faz-nos correr nessa direcção, o que pode ser usado para ir às cordas e desferir alguns daqueles golpes vistosos. Entretanto, o objectivo de cada combate é o de enfraquecer o adversário e, uma vez enfraquecido – tipicamente depois de esvaziarmos toda a sua barra de vida) temos de lhe fazer o pin durante 3 segundos. No caso de um combate dentro da jaula de aço, uma vez com o oponente enfraquecido no chão, o combate é ganho depois de subirmos a jaula com sucesso. Até aqui tudo bem, mas a jogabilidade não é nada de especial e sinceramente o jogo até que é algo aborrecido.

Podemos levar a pancada para fora do ringue, mas não convém ficar lá muito tempo

Graficamente falando, estamos perantes um jogo também bastante simples. As sprites são pequenas, mas ainda assim possuem um bom nível de detalhe o suficiente para que os wrestlers sejam bem distinguíveis entre si. No que diz respeito ao som, os efeitos sonoros são simples e as músicas variadas, sendo que cada lutador tem o seu próprio tema. Já durante os combates em si, esses são jogados em silêncio, apenas vamos ouvindo os efeitos sonoros primitivos dos golpes a serem desferidos.

Portanto este Steel Cage Challenge, apesar de ser o único título WWF a sair na consola de 8bit da Sega, é para mim um jogo mediano. Pode entreter por algum tempo, principalmente pelo seu multiplayer, mas a falta de golpes especiais por personagem e os seus audiovisuais demasiado simples também não lhe abonam muito. Dos anos 90, o Wrestlemania Arcade continua a ser o que melhor envelheceu.