A Walk in the Dark (PC)

Voltando aos indies para mais um jogo português, desta vez do estúdio Flying Turtle. A Walk in the Dark é um interessante jogo de plataforma que apesar de não primar pela originalidade, não deixa de ser um jogo bem conseguido. Digo que não prima pela originalidade pois possui influências notórias de outros jogos indie como Limbo, Super Meat Boy ou VVVVVV. Mas isso já veremos. Este jogo entrou na minha colecção digital do Steam algures durante o ano passado, tendo-me saído num sorteio.

A Walk in the Dark

A história de A Walk in the Dark é simples: a menina Arielle e o seu gato de estimação Bast estavam a desfrutar de um passeio quando subitamente o mundo torna-se negro e Arielle é levada por uma criatura misteriosa. Sendo assim, resta-nos controlar Bast pelo sinistro mundo em que se encontra, de forma a resgatar Arielle. E vamos então viajando por diversos “mundos” diferentes ao longo de 100 níveis, onde tanto controlamos Bast, como Arielle, sendo que existem níveis com mecânicas de jogo diferentes. Começando por Bast, como felino é bastante ágil, e nos seus níveis vamos encontrando diversos obstáculos à lá Super Meat Boy, desde espinhos, serras e lâminas diversas, outros inimigos ou mesmo bolas projécteis de canhão, onde nos temos de esquivar com saltos planeados ao milímetro, incluindo entre paredes. Nalguns níveis jogamos com Arielle e tal como Bast teremos de chegar do ponto A ao ponto B evitando imensos obstáculos e perigos à espreita. A diferença é que Arielle não consegue saltar, a sua habilidade consiste em alternar a gravidade livremente, utilizando as mesmas teclas de salto ou agachar de Bast, alternando a gravidade de forma a “puxar” para cima ou baixo.

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O objectivo de cada nível está em alcançar aquele foco de luz que serve de meta

Outros níveis em que jogamos com Bast vão também buscar este jogo com a gravidade e outras coisas. Em certos níveis vemos um scrolling automático, onde o único controlo que temos é saltar com o gato de forma a escapar dos obstáculos, ou mesmo alternar a gravidade da mesma forma que Arielle o consegue fazer. Lá mais para a recta final, existem ainda uns níveis de platforming “normais” que alteram a gravidade sempre que tocamos nuns pontos luminosos próprios para o efeito. No geral, como seria de esperar este é daqueles jogos com um platforming exigente, que nos tirará muito do nosso tempo e paciência, mas temos vidas infinitas e podemos rejogar cada nível as vezes que quisermos. Existem ainda uns achievements internos que nos premeiam se conseguirmos apanhar o “shiny” escondido em cada nível (geralmente em locais mais perigosos de se lá chegar), no caso dos níveis normais temos um achievement para o speed-running, e nos que têm scrolling automático somos premiados se conseguirmos concluir o nível à primeira, sem morrer uma única vez.

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Os backgrounds apresentam bonitos jogos de cor e luz, nem tudo é negro nesta aventura

Visualmente é impossível não referenciar Limbo com o seu visual monocromático e silhuetas. No entanto enquanto as coisas em Limbo eram completamente monocromáticas, aqui é apenas o foreground que é totalmente negro. De fundo vamos tendo bonitos backgrounds que, embora não sejam completamente coloridos, dão uma outra vida e um contraste diferente a esta aventura. A acompanhar os bonitos visuais está uma banda sonora que usa e abusa do piano, com melodias bastante calmas e suaves, servindo assim para um excelente contraste com a jogabilidade tentativa-erro capaz de irritar monges tibetanos, mas que não deixa de ser altamente viciante.

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Lá para o final as coisas começam a ficar bem mais desafiantes

Por fim convém também referir que podemos também desbloquear uma série de níveis mais difíceis na categoria “Challenge”. E sim, logo o primeiro nível é uma dor de cabeça como não vemos no jogo todo, pelo que quem quiser buscar um desafio ainda maior terá aqui algo mais com que se entreter. Infelizmente, e não sei se é bug do próprio jogo ou do Steam, apesar de ter concluído os 100 níveis, não consegui ver o final do jogo. Isto aconteceu porque há uns dias atrás o steam estava com alguns problemas na cloud e não me fez um tracking correcto dos achievements, e penso que terá sido por isso que o jogo “passou-se” e após concluir o último nível o jogo colocou-me novamente no início do nível. Lá tive de ir ao youtube ver a cutscene final e os ending credits mas também não se perdeu grande coisa, a não ser este pequeno sentimento de orgulho ferido por não ter tido esta recompensa final após ter chegado ao fim deste jogo desafiante.

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As brincadeiras com a gravidade estão bem conseguidas

Concluindo, apesar de A Walk in the Dark ser um jogo que vai buscar influências ao level design de tentativa-erro e viciante de Super Meat Boy, as brincadeiras com a gravidade de VVVVVV ou os visuais inspirados pelo Limbo, acaba por ser um óptimo jogo de plataformas que, para quem tenha gostado desses jogos referidos, certamente irá achar piada a este jogo. E é um jogo português, coisa que é sempre de enaltecer.

Ittle Dew (PC)

Recentemente escrevi para o site da PUSHSTART uma review a um jogo indie chamado Ittle Dew. Numa primeira vista, Ittle Dew parece ser um clone de Zelda, mas para mim vai bem mais longe que isso. É uma sincera homenagem mas também sátira à conhecidíssima franchise de videojogos. É um produto do estúdio Ludosity e tem um grande foco no puzzle solving, ao invés do combate. Certamente um jogo a ter em conta se o encontrarem a um bom preço. No meu caso, foi um jogo que me foi oferecido através de um sorteio.

screenshot_19Podem ler a análise na íntegra aqui.

The 39 Steps (PC)

De volta para uma rapidinha a mais um jogo indie. Conforme já referi inúmeras vezes neste espaço, a ascenção dos indies na indústria trouxe-nos muito revivalismo de outros tempos e por outro lado trouxe também originalidade e vontade de arriscar onde as grandes empresas não o fazem. Este The 39 Steps é uma interessantíssima adaptação do livro de 1915 de mesmo nome da autoria do escritor escocês John Buchan, misturando conceitos de livro interactivo, com o de aventuras gráficas com algum point and click à mistura. Este jogo entrou na minha colecção digital do Steam algures no ano passado, não me recordando já se me foi oferecido num sorteio, ou se foi comprado ao desbarato num dos imensos indie bundles existentes.

The 39 Steps - PCThe 39 Steps é um interessante thriller de espionagem e repleto de teorias conspiratórias, sendo passado uns meses antes dos eventos que deram origem à primeira guerra mundial. Nessa altura as grandes nações europeias (e não só) encontravam-se nun clima de tensão constante, devido ao seu cada vez maior armamento e reforços militares. O herói da história é Richard Hannay, um colono do Império Britânico envolvido em negócios de minas de diamantes. Após uma passagem por Londres, onde achava que tudo era aborrecido, Hannay numa certa noite é abordado por um outro homem que lhe pede auxílio. Franklin Scudder, um jornalista americano descobre um plano anarquista de uma organização secreta em assassinar o primeiro ministro grego em solo Britânico e com isso dar início à guerra que invariavelmente acabou por acontecer. A partir daí a história vai mesmo ganhando contornos bem definidos de uma narração thriller e contra-espionagem, colocando o Richard sempre em posições difíceis onde tem de dar azo às suas habilidades de “desenrascanço”, essa para mim foi mesmo a melhor parte da história e deixo aos “leitores” descobrirem o resto.

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O jogo está dividido por capítulos, que podemos ir revisitando sempre que quisermos.

O jogo mistura diferentes conceitos de “jogabilidade”. É uma adaptação interactiva de um livro, onde o jogador apenas tem o papel de clicar e fazer alguns movimentos com o rato. Em certas partes apenas temos texto para ler, mas sempre com belos backgrounds e sons ambiente por trás, noutras partes ouvimos os diálogos das personagens e por vezes temos algumas componentes mais de exploração de point and clicks. Nessas situações temos um background estático, onde alguns objectos podem ser explorados de forma a obtermos informação adicional. Esses objectos clicáveis ganham um relevo luminoso com o passar do tempo para facilitar a vida ao jogador. Embora não seja obrigatório explorar esses elementos (podemos simplesmente clicar em “Done” e prosseguir com a história, trazem sempre alguma informação extra que nos pode ser útil para melhor compreender a história. Seja observar correspondência, recortes de jornais com notícias relevantes ou outros. De resto em alguns momentos é-nos requerido que desenhamos com o rato algumas acções. Coisas simples como abrir uma porta ou janela, o jogo pede que descrevamos com o rato linhas de movimento, sejam rectas ou círculos, com a imagem de fundo a mudar de acordo com o movimento que fizemos. Não é algo que seja muito importante para o jogo, mas é um atributo interessante.

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Os backgrounds estão muito bem feitos, assim como os barulhos e música ambiente que nos transportam de forma convincente para 1914

De resto, como já referi o jogo apresenta um artwork muito bem feito, e em conjunto com a música ambiente, os barulhos e os diálogos muito em tom da época tornam esta “simples” adaptação de um livro em um pseudo-jogo muito agradável de se jogar. Para mim é daqueles jogos perfeitos quando queremos relaxar e “jogar” algo com uma boa história, mas que também não nos dê muito trabalho. O voice-acting está bastante bom, e mesmo com legendas vi-me um pouco aflito para entender as palavras de uma ou outra personagem escocesa, mas mesmo isso faz parte do “charme” deste The 39 Steps.

Medal of Honor Allied Assault Deluxe (PC)

Medal of Honor - Allied Assault DeluxeA série Medal of Honor foi um marco importante no panorama dos videojogos, pelo menos pela lufada de ar fresco que deu aos FPS, lançando um produto que apesar de não ser o mais realista possível, tem uma componente histórica de grande interesse, pelo menos para mim. Claro que o sucesso dos primeiros jogos fizeram com que mais empresas lançassem FPS com a temática da Segunda Guerra Mundial (Call of Duty ou Brothers in Arms por exemplo), saturando o género ao fim de alguns anos. Mas não interessa. Este Allied Assault foi o primeiro jogo da série a ter saído nos PCs, e foi o primeiro jogo da série que eu joguei, lá nos idos de 2002/2003. Apenas no ano passado é que vim a ter o jogo na minha colecção, com esta edição Deluxe que também inclui a primeira expansão, a Spearhead, e um CD bónus com a banda sonora e uns quantos vídeos, incluindo o making-of. Foi comprada na cash converters do Porto por menos de 2€.

Medal of Honor Allied Assault Deluxe - PC
Jogo completo com caixa, manuais e 4 discos

Neste jogo tomamos controlo de mais um membro das OSS (Office of Strategic Services), uma espécie de serviços secretos americanos, onde os seus agentes participavam em operações de infiltração nas linhas inimigas e sabotagem. Desta vez a personagem que jogamos é o Tenente Mike Powell, ao longo de várias missões em diferentes teatros de guerra. Vamos então poder visitar bases militares na Algéria, na Noruega gelada onde os U-boats estavam a ser preparados, o famoso desembarque na Normandia, entre outros locais tanto urbanos como militares.

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Antes de entrar no jogo podemos ir para o campo de treinos aprender as mecânicas envolvidas

A jogabilidade é algo parecida com a dos Medal of Honor da PS1, embora os controlos com rato/teclado sejam muito melhores, naturalmente. Neste jogo ainda não havia o já habitual aiming down the sights, a menos que tivéssemos em posse de uma sniper rifle. A regeneração de vida ainda era feita através de medkits e apesar de ter autosave points, podíamos fazer save game a qualquer altura, não havendo checkpoints chatos. Bons tempos. Ainda assim foram introduzidos vários elementos novos de jogabilidade também. Em algumas missões temos alguns NPCs a acompanharem-nos, que obviamente também teremos de os proteger (detesto escort missions), mas também nos ajudam nos tiroteios. Uma das coisas que eu não me lembrava mesmo de acontecer, pelo menos da primeira vez em que joguei este jogo lá para 2002/2003, é o facto dos snipers inimigos estarem tão bem escondidos. Existem níveis em que o sniping é o prato do dia, e tive imensas dificuldades em encontrar de onde vinham os tiros mesmo. Talvez como utilizei uma resolução customizada as coisas não tenham ficado tão visíveis. Mas adiante, existem outros níveis com uma maior componente de stealth e infiltração pura, onde usamos pistolas com silenciadores e vamos tendo de roubar uniformes e “papers” para mostrar a outros guardas. Isto já tinha sido feito logo no primeiro Medal of Honor, mas voltou a ser utilizado aqui. Por fim, a outra grande novidade está mesmo na condução de tanques, existe uma missão em particular em que roubamos um Tiger I ao exército alemão e depois andamos para lá a semear o terror.

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O desembarque da Normandia é uma das batalhas mais icónicas de toda a guerra

Para além da campanha single-player, que se encontra dividida em 6 missões principais, sendo que cada uma possui 3 ou 4 sub-missões, temos também vários modos de jogo no multiplayer, não fosse este um FPS para o PC. No entanto os modos de jogo multiplayer por norma não são lá muito originais. Existem variantes do deathmatch (free-for-all, team, e round based, onde não há respawn de jogadores até ao final da ronda) e existe um “objective based” que é muito inspirado em Counter Strike, onde um lado precisa de colocar bombas em locais específicos e o outro terá de o defender. Mas como este Allied Assault foi um jogo de sucesso, existem vários mods que oferecem outros modos de jogo no multiplayer, mas isso já sai fora do scope desta análise.

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Em algumas missões o stealth é mesmo o mais recomendado

Graficamente é um jogo que tem uns bons visuais, para os padrões de 2002. Utiliza uma verão modificicada do motor gráfico id Tech 3, o mesmo de Quake 3 Arena ou Return to Castle Wolfenstein. As armas, uniformes e veículos militares estão bem representados, assim como os cenários no geral. As vilas em ruínas, os bunkers e as metralhadoras colocadas em locais estratégicos dão sempre um feeling especial num jogo que tenta retratar uma época muito conturbada da história do século XX. O voice acting está ok, a voz que faz de narrador parece-me ser a mesma dos jogos da Playstation e ainda há algumas referências à Manon do Medal of Honor Underground. Como não poderia deixar de ser, as músicas épicas continuam excelentes, apesar de ter reconhecido algumas dos jogos anteriores da PS1.

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Neste jogo, para além de destruir tanques, também podemos conduzir um

Para além do jogo normal esta edição Deluxe inclui também a expansão Spearhead, a primeira de duas expansões que sairam para este Allied Assault. Na Spearhead encarnamos no papel de Jack Barnes, pertencente ao grupo da divisão 1o1 de páraquedistas norte-americanos, um grupo militar referenciado em muitos outros jogos deste género. O jogo possui 3 missões, que cobrem diferentes batalhas cruciais na 2a guerra mundial: novamente a invasão da Normandia, a batalha das Ardenas, e o assalto final a Berlim, em conjunto com o exército soviético. É uma óptima expansão repleta de conteúdo, que nos faz pensar 2x antes de pagar full price por qualquer DLC de hoje em dia.

É pena que a série Medal of Honor tenha ido para o galheiro após o Warfighter. Gostava de ver um novo episódio da série e reviver todas estas batalhas num HD glorioso. Este Allied Assault é um bom jogo, embora tenha as mecânicas mais old-school e viva num mundo de fantasia de “one man-army” a maior parte do tempo, dá perfeitamente para nos divertirmos.

Aliens Colonial Marines (PC)

Aliens Colonial MarinesUma pena. É o que se resume para mim este jogo. Com tanto potencial ao dar seguimento à história de um dos meus filmes preferidos, ver todas as novelas que o jogo passou e jogar este produto inacabado é realmente uma pena. Long story short, em 2001 a Fox Interactive anunciou um FPS com este nome para a Playstation 2, que nunca chegou a sair. A Sega eventualmente comprou a licença dos Aliens em 2006, e um novo Aliens Colonial Marines foi logo anunciado, com o seu desenvolvimento a cargo da Gearbox, empresa responsável pelo lançamento de expansões do Half-Life, a série Brothers in Arms e posteriormente o Borderlands. Uma empresa com provas dadas dentro do ramo dos FPS. Entretanto houve muitos adiamentos e supostos cancelamentos, com o jogo a sair finalmente no início de 2013. Por essa altura veio-se a descobrir que a Gearbox estava a utilizar parte do financiamento da Sega para desenvolver o Borderlands, e quando a Sega o descobriu, cancelou temporariamente o jogo. Essa polémica fez com que tivessem havido alguns despedimentos na empresa em 2008 e o jogo tenha sido outsourced para outros estúdios menores, sendo essa a grande razão por todos os seus atrasos e por o jogo ter saído como um produto apressado e inacabado. A minha cópia entrou na minha colecção algures no final do ano passado de 2013, sendo a edição de coleccionador, comprada na loja nortenha Gamingreplay por 15€.

Aliens Colonial Marines Collector's Edition
Edição de coleccionador do Aliens Colonial Marines

O jogo decorre depois dos acontecimentos do filme Aliens e Alien 3, com os Space Marines a bordo da nave USS Sephora a deslocarem-se à USS Sulaco do segundo filme que estava misteriosamente de volta em órbita do planeta LV-426, após Ripley, Newt e Hicks terem sido ejectados para o planeta Fury 161 como tinha sido visto no Alien 3. Ou se calhar não foi bem assim, mas vou guardar o spoiler. Quando os Marines atracam na Sulaco descobrem uma infestação de aliens e um grupo para-militar contratado pela Weyland Yutani que estava a controlar a USS-Sulaco e utilizar os marines como hospedeiros dos aliens. Após um combate entre as duas naves, ambas caem sobre LV-426 e o jogador (um space marine chamado Winter) em conjunto com os seus companheiros começam a explorar o planeta, revisitando a colónia de Hadley’s Hope, as ruínas da nave alienígena do filme Alien, o Oitavo Passageiro, entre outros locais, descobrindo que a Weyland Yutani estava a fazer das suas.

Aliens Colonial Marines
Jogo com caixa, manual e papelada

A jogabilidade do modo campanha é a de um simples FPS linear. O jogo está dividido em vários níveis/missões, onde temos de cumprir uma série de objectivos, geralmente ir do ponto A ao ponto B e ver o que se passa, activar ou desactivar alguma coisa, resgatar algum Space Marine ou simplesmente matar tudo o que mexa. O facto de o jogo ser linear é algo que eu compreendo, pois o objectivo é tentar aproximar-se o melhor possível de um filme de acção, tal como Aliens o foi em 1986. Para além dos tiroteios habituais e dos momentos já algo clichés de “last stand” onde nos temos de defender de várias waves de aliens, existem também 2 momentos onde tentam incutir uma vertente mais stealth, mas sem grande sucesso. O primeiro desses momentos é quando estamos desarmados e temos de atravessar os esgotos da colónia e nos deparamos com uma espécie de cemitério de aliens, onde uma nova raça dos xenomorfos estão adormecidos no meio dos seus cadáveres. Estes aliens são cegos, porém muito sensíveis ao som, pelo que temos de fazer o mínimo ruído possível. O segundo momento é quando nos pedem para limpar o sebo a uns quantos cientistas/soldados nos laboratórios da Weyland Yutani sem que eles activem um alarme, coisa que só resulta bem se jogado em cooperativo.

Aliens Colonial Marines
Restante da papelada que veio junto do jogo

Isto porque o jogo está repleto de defeitos, muitos desses defeitos mais grosseiros foram corrigidos com o lançamento de patches, mas ainda há muito lixo a pairar no código. Em primeiro lugar, ainda bem que não existe friendly fire, senão os nossos companheiros morriam muito facilmente. A inteligência artificial é muito má, os nossos companheiros ficam frequentemente presos a um local e já me aconteceu por várias vezes eles não me acompanharem, deixando-me inteiramente por minha conta até que chegasse a um local onde a sua presença era obrigatória e magicamente se teletransportavam para o meu lado. Os próprios inimigos por vezes também ficam presos a um sítio, tornando-se presas fáceis.
Já me aconteceu várias vezes os aliens simplesmente desaparecerem do ecrã, ou até atravessarem um vidro. Felizmente podemos jogar a aventura singleplayer cooperativamente com até mais 3 amigos, tornando a coisa menos intragável. Não aponto grandes problemas para os controlos, são simples e funcionais, embora quando tivemos de controlar o power-loader, esses poderiam ter sido melhor implementados.

Aliens Colonial Marines
Estátua que vem na CE.

O jogo tem um vasto armamento, com várias pulse-rifles como nos filmes, shotguns, revólveres, lança-chamas, rockets ou mesmo a smart-gun com o seu auto-aim dentro de uma certa área. Podemos carregar uma arma primária, uma secundária e um revólver com munição infinita, para além de um certo número de granadas e munições secundárias para certas armas. Ao longo do jogo podemos encontrar algumas armas “lendárias”, como a shotgun de Hicks, ou o revólver Gorman, armas directamente retiradas do filme Aliens. Para além desses extras temos outros coleccionáveis, como dogtags dos colegas Marines ou audio logs. Para além dos achievements do jogo, existem também uma série de achievements internos que nos dão pontos de experiência. Esses pontos de experiência, que são ganhos com cada kill e assist ao longo do jogo, ou com os coleccionáveis que encontramos, servem para aumentar o nosso rank. Piscando o olho a Battlefield ou outros shooters militares modernos, vamos desbloqueando uma série de novas armas e vamos podendo-as customizar à nossa medida, com novas miras, munições secundárias, novas skins ou outros acessórios.

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Os quick-time events estão de volta, mas felizmente são apenas ocasionais

Para além do modo campanha que pode ser cooperativo, temos também a vertente multiplayer do jogo que eu não cheguei a experimentar, pelo que não me vou alongar. Existe um team deathmatch e um modo de jogo chamado Escape, onde os Marines têm de sobreviver e alcançar um evac-point para escapar e os Aliens naturalmente terão de impedir que isso aconteça.

Passando para o audiovisual, Aliens Colonial Marines não possui a mesma qualidade gráfica de um Crysis, tem texturas de baixa resolução e modelos com poucos polígonos, no entanto acho que cumpre os requisitos mínimos. Adorei a maneira “high-tech dos anos 80″ com que conseguiram recuperar a atmosfera do filme Aliens, com todo o equipamento electrónico com os monitores CRT e todos aqueles botões quadrados. A HUD (informação passada no ecrã) é como se estivéssemos dentro de um gravador de vídeo em VHS, as letras têm o mesmo estilo dos ecrãs LCD da época e a própria imagem do jogo tem um filtro gráfico que se assemelha mesmo à qualidade de uma fita VHS. É um pormenor que achei muito interessante (não tenho dúvidas que tenha sido utilizado para mascarar os gráficos) e pelos vistos pouca gente reparou no mesmo. Mas se passarmos para os diálogos… bom esses são realmente maus e bastante clichés. É pena porque a história como um todo até faz algum sentido. Ainda assim, e voltando à história, o DLC Stasis Interrupted conta o porquê da USS Sulaco estar de volta a LV-426 e o porquê de outras coisas. É pena que não tenha feito parte do pacote do jogo.

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Podemos jogar cooperativamente com mais alguns amigos

No fim de contas, confesso que não desgostei de todo do jogo. Para quem é fã da saga Aliens certamente irá encontrar alguns bons momentos na história. O facto de graficamente não ser o melhor jogo de sempre não é algo que me incomoda assim tanto. Na minha opinião o pior são mesmo os imensos bugs existentes e a inteligência artificial que é péssima, bem como os diálogos do jogo que são cheesy até dizer chega. É um jogo que tinha um enorme potencial de relançar finalmente a saga Aliens para a ribalta (após Prometheus ter dividido muitas opiniões), mas quando jogamos algo onde é bem notório que é um produto inacabado e apressado, para mim é mesmo esse o grande problema de Aliens Colonial Marines. Ponho fé na Creative Assembly para o Alien Isolation.