Sherlock Holmes: The Case of the Silver Earring (PC)

Continuando pelas rapidinhas, o jogo que cá trago agora é o segundo jogo da saga Sherlock Holmes, desenvolvida pela Frogwares. Tal como o seu predecessor, o Mystery of the Mummy, este é também um jogo de aventura point and click, desta vez na terceira pessoa. E também deu entrada na minha conta steam através de um Humble Bundle comprado por uma bagatela há uns anos atrás.

Como não poderia deixar de ser, neste jogo protagonizamos uma vez mais o famoso detective Sherlock Holmes, mas também o seu fiel assistente Dr. Watson, que se vêm convidados para uma festa do magânimo Sir Melvyn Bronsby, um ricalhaço que enriqueceu à custa do colonianismo britânico e que teria um importante anúncio a fazer na festa. E é nessa mesma festa onde acabamos por testemunhar o seu assassinato, dando início a uma extensiva pesquisa pelo culpando, com a história a levar-nos numa trama de suspeita, conspiração e outros homicídios.

Uma vez mais os cenários são pré-renderizados, mas desta vez estão mais polidos

Felizmente este jogo está muito melhor que o seu predecessor, tanto nas mecânicas de jogo, como na narrativa ou mesmo nos audiovisuais. Mas vamos começar pelas mecânicas de jogo. Este é uma vez mais um point and click onde teremos de inspeccionar exaustivamente os cenários em busca de pistas, questionar pessoas e resolver um ou outro puzzle ocasional. A perspectiva desta vez é na terceira pessoa, mas uma vez mais os cenários são pré renderizados, o que nos leva a ângulos fixos de câmara e uma vez mais a alguma restrição nos movimentos, pois apenas nos podemos movimentar onde o cursor do rato mudar para a forma de pegadas. Este é um ponto menos positivo, mas por outro lado acabamos mesmo por fazer um papel de detectives. Para analisar algumas das pistas nos cenários teremos mesmo de usar utensílios como a lupa ou uma fita métrica, bem como o jogo vai tomando notas de todos os diálogos que teremos com as outras personagens, ou das pistas que encontramos. No fim de cada capítulo temos sempre de fazer um resumo das descobertas, respondendo a uma série de perguntas, usando como prova objectos que encontremos ou testemunhos das pessoas interrogadas. É uma mecânica de jogo muito interessante!

À medida que vamos avançando na investigação, poderemos questionar as pessoas sobre diferentes tópicos.

No que diz respeito aos audiovisuais, bom, tal como referi acima os cenários são pré-renderizados, o que uma vez mais não nos dá muita elasticidade para poder jogar este jogo em resoluções mais altas, o que é chato. Mas ao menos não tive os problemas de compatibilidade que tive com o jogo anterior e a verdade é que os cenários desta vez estão muito mais polidos, agradáveis e detalhados. O mesmo pode ser dito das cutscenes em FMV que também estão boas. O voice acting parece-me minimamente competente excepto para a voz de uma criança que aparece algures a meio do jogo. É nitidamente um adulto a fazer voz de criança o que não resulta lá muito bem. A banda sonora é composta por música clássica, de autores como Dvorak ou Tchaikovsky. Bastante agradável, portanto! Pena é por algumas inconsistências nos volumes em certas partes do jogo.

Tudo tem de ser observado ao detalhe, pois pode ser uma pista para um puzzle ou para o mistério em si

Portanto este Case of the Silver Earring, apesar de ainda estar longe de perfeito, acaba por ser uma aventura gráfica muito mais competente que o seu predecessor. Não só por tecnicamente ser mais polido, mas pela jogabilidade ser melhor, fazendo-nos sentir um verdadeiro detective por vezes, e a própria história também acabou por se revelar interessante.

Sherlock Holmes: The Mystery of the Mummy (PC)

Tempo para mais uma rapidinha, indo agora às aventuras gráficas no PC. Produzido pela Frogwares, empresa que acabou por ficar responsável pelo lançamento de jogos baseados no Sherlock Holmes. Este The Mystery of the Mummy foi o primeiro lançamento da saga e é uma aventura gráfica na primeira pessoa, um pouco como os clássicos Myst e Atlantis. O meu exemplar foi comprado há uns anos atrás através de um Humble Bundle que ficou naturalmente muito barato.

Neste jogo Sherlock Holmes recebe o pedido de ajuda de Elizabeth Montecalf, aparentemente sua futura prima por afinidade, para investigar o misterioso desaparecimento do Lord Montecalf, um arqueologista britânico, muito famoso pelas suas expedições em descoberta dos mistérios do Antigo Egipto. Ao explorar a sua casa iremos ver imensos artefactos arqueológicos, resolver puzzles relacionados com a mitologia egípcia e a história a enveredar por várias conspirações diferentes relacionadas com o desaparecimento do dono.

Este é um jogo de aventura na primeira pessoa com cenários pré-renderizados, ou seja, não temos lá muita liberdade de movimento.

No que diz respeito às mecânicas de jogo, estas fazem lembrar jogos como Myst ou Atlantis, na medida em que é uma aventura gráfica na primeira pessoa, onde os cenários são todos pré-renderizados. Podemos olhar livremente em 360º a partir da posição em que estamos, mas apenas nos podemos movimentar nos cenários nas direcções que o jogo permite, algo assinalado com o cursor do rato a mudar de forma sempre que o passamos por uma zona “livre de movimento”. O cursor também muda de forma sempre que passamos o rato por algum objecto que pode ser apanhado, ou outros locais no cenário que podem ser interagidos, onde muitas das vezes teremos de usar algum objecto que tenhamos apanhado antes. Para além disso teremos alguns puzzles também para resolver.

Alguns puzzles ainda nos fazem coçar um pouco a cabeça

Portanto o jogo exige a nossa atenção máxima ao cenário e olhar atentamente em todos os ângulos possíveis, à procura de pistas ou de objectos que sejam mais tarde necessários. Infelizmente visto ser um jogo com cenários pré-renderizados limita-nos muito a liberdade de movimento, mas para quem for fã de jogos do género do Myst já estaria à espera que assim fosse.

A nível técnico é um jogo que envelheceu muito mal. O facto do jogo possuir cenários pré-renderizados não nos permite customizar muito a resolução em que o jogo corre, pelo que convém o correr em modo janela, para não forçar o monitor a mudar para uma baixa resolução (ainda por cima em 4:3!). Os gráficos não envelheceram lá muito bem devido a isto, mas o voice acting também não é grande espingarda. Para além disso, se o correrem num computador recente (com Windows 10 actualizado) também terão muitos problemas de compatibilidade, incluindo o rato que não funciona ou (após uns fixes manhosos) fica a funcionar de forma invertida o que é uma grande chatice. Lá tive de ligar o meu velhinho Pentium 4 para jogar isto em condições!

Ocasionalmente também temos algumas cutscenes em CGI mas essas também não são lá grande obra de arte.

É difícil recomendar este jogo, a não ser que sejam grandes fãs de aventuras na primeira pessoa com mecânicas clássicas do Myst ou Atlantis. Os Sherlock Holmes recentes pareceram-me muito interessantes, daí ter despertado o meu interesse nesta série. Mas este vai ser difícil de digerir, quanto mais não seja pelos seus problemas técnicos em máquinas recentes.

Neko-nin exHeart (PC)

Voltando às rapidinhas de visual novels o artigo que vos trago hoje refere-se ao jogo Neko-nin exHeart e às suas duas expansões +Saiha e +Naichi. Estas visual novels foram compradas uma vez mais através de um indie bundle por uma bagatela, algures durante o ano passado.

Esta visual novel segue a história de mais um jovem adolescente que de repente vê-se envolvido com duas raparigas-gato, que provêm de uma antiga aldeia ninja, cujo único propósito é treinarem as suas habilidades ninja para depois servirem um mestre, tipicamente alguém com muito poder. Acontece que o nosso protagonista é o último descendente de uma família que já foi bastante poderosa e agora, sem contar com nada, lá terá de conviver com as duas raparigas. E como todas as visual novels há aqui algum romance e erotismo à mistura também.

De resto é uma visual novel normal, embora esta seja mais sofisticada do ponto de vista técnico. Por um lado já temos aqui uma série de funcionalidades que tipicamente existem neste jogos, seja a possibilidade do texto fluir de forma automática, evitando que tenhamos de carregar no rato para fazer avançar o texto à medida que o vamos lendo, ou então a funcionalidade de skip, que nos permite avançar texto já lido previamente. De novidades está mesmo um maior dinamismo da câmara, que se vai movendo ao longo dos cenários, fazendo também ocasionalmente um ou outro zoom. As meninas também possuem mais animações que o habitual, com as suas orelhas de gato a moverem-se ao longo dos textos.

Infelizmente a história é muito lamechas para o meu gosto.

A nível audiovisual, sinceramente não sou um grande fã do estilo dos desenhos, mas fiquei agradavelmente surpreendido com os detalhes que já referi acima. Até uma cutscene de abertura como se fosse um anime isto tem! As músicas são agradáveis e vão tocando de forma mais ligeira no fundo da acção. As vozes são quase todas narradas em japonês, embora sinceramente as ache um pouco irritantes. Depois lá temos as 2 expansões que são duas histórias que se focam mais em 2 personagens secundárias e levam cerca de 45min a serem lidas.

 

Sakura Dungeon (PC)

Por fim, um artigo sobre o último jogo que tenho no Steam da série Sakura. Tal como todos os outros até agora, este deu entrada na minha colecção através de um indie bundle que ficou bastante em conta. Mas na verdade, comprei esse bundle precisamente por este jogo, que para além de ter algumas mecânicas de Visual Novel, no seu núcleo é um RPG dungeon crawler na primeira pessoa, o que me deixou bastante curioso.

Então no que é que este jogo consiste? Basicamente controlamos Ceri, uma jovem aventureira que se encontrava a explorar uma dungeon quando sem querer liberta Yomi, uma “espírita-raposa” (os japoneses muito gostam destas coisas) que vimos a saber que era a anterior Dungeon lord, tendo sido aprisionada magicamente há muitos anos atrás. Yomi exerce então um feitiço sobre Ceri obrigando-a a ajudá-la na reconquista da dungeon. À medida que vamos progredindo no jogo vamos também ganhar a skill de captura, onde poderemos capturar os inimigos para que também se juntem ao nosso lado. Outras personagens também vão surgindo através de outros eventos e quando dermos conta teremos um pequeno exército de personagens que nos podem ajudar.

Sim, os inimigos são todos fêmeas, muito humanas até.

A party pode ter um máximo de 6 personagens em simultâneo, sendo que os primeiros 3 são os que participam activamente no combate, com os outros 3 em reserva, entrando em acção sempre que uma personagem da linha da frente morre. No entanto, todas as personagens ganham pontos de experiência, independentemente se estão activamente em combate, na linha de reserva, ou na pool de personagens disponíveis na aldeia (embora a evolução destas últimas seja um pouco mais lenta). A aldeia é onde também temos uma loja para comprar mantimentos e poderemos participar em alguns eventos mais típicos de visual novels. Mas claro, sendo este um jogo da série Sakura, esperem sempre por algum erotismo, principalmente se instalarem o patch para desbloquear o conteúdo para adultos.

Infelizmente as mecânicas de jogo poderiam ser melhores na minha opinião. Não existe qualquer magia regenerativa e durante o combate não podemos usar itens, incluindo itens que nos regeneram a vida, pelo que o jogo exige muito grinding para constantemente subirmos de nível e evitar riscos desnecessários durante os combates, especialmente contra os bosses que tipicamente possuem níveis mais elevados. Nos combates em si podemos usar as nossas habilidades que gastam APs (action points), ou usar a habilidade especial de “Guard” que simplesmente regenera parcialmente os APs da personagem para o próximo turno. Cada habilidade possui diferentes chances de acertar nos adversários, cujas aumentam quanto maior for o nosso nível face ao adversário. Se por outro lado estivermos com um nível baixinho perante o oponente, as hipóteses de os nossos golpes o atingirem já são menores, o que mais uma vez pode ser um problema.

Quando visitamos a aldeia, poderemos desbloquear também uma série de diálogos extra

De resto, e tirando estes pontos menos positivos das mecânicas de jogo, até que gostei do jogo, mas isso é porque eu gosto de dungeon crawlers na primeira pessoa! Os mapas vão sendo construidos à medida em que exploramos cada nível e à medida em que vamos progredindo os níveis vão ficando mais complexos, seja com armadilhas, ou pequenos puzzles onde teremos de procurar alavancas ou botões que nos abram ou fechem portas. E sendo este um jogo em que nos obriga a um grinding elevado, felizmente também temos maneiras facilitar a tarefa. No combate, ao carrega na tecla “a” de auto, faz com que os mesmos sejam automatizados. Por outro lado, ao clicar também na tecla “s” de skip, acelera ainda mais as transições de  turno.

Aqui não há mapas já preenchidos, temos de descobrir tudo por nossa mão.

No que diz respeito aos audiovisuais, bom, este jogo foi produzido por uma empresa especialista em visual novels, pelo que não esperem por nada de espectacular. As personagens, especialmente durante os combates, possuem animações mínimas. Os cenários também são muito simples, embora vão alternando a cada 4/5 níveis. A última parte da dungeon (opcional e necessita de desbloqueio à priori) é nada mais nada menos que uma nave espacial toda futurista. Aqui as músicas são mais electrónicas, fazendo-me lembrar inclusivamente jogos como Phantasy Star Online. Nos restantes níveis da dungeon as músicas são mais fantasiosas mas igualmente agradáveis ao ouvido.

Ocasionalmente lá encontramos um portal que serve de checkpoint, onde podemos viajar livremente entre a sua posição na dungeon e a aldeia.

Portanto este Sakura Dungeon até que é um jogo interessante para quem for fã de RPGs Dungeon Crawler na primeira pessoa, mas mesmo para esses, deve ser visto como um jogo ligeiro, e não hardcore. Isto porque as mecânicas de jogo não são as melhores e mesmo jogando em níveis de dificuldade mais avançados, o que nos obriga mais é um grind mais moroso e a preocupação em escolher ataques que tenham menos probabilidades de falhar.

Sakura Magical Girls (PC)

E vamos lá para mais um artigo super rápido da saga Sakura! Estão a terminar, prometo! O que cá trago agora é o Sakura Magical Girls, também lançado em 2017 e tal como os seus predecessores, veio para a minha colecção digital do steam através de um indie bundle comprado a um preço bastante agradável, algures durante o ano passado.

A história desta vez coloca-nos no papel de mais um jovem adolescente. Só que desta vez é um delinquente que, visto ter tido más notas na escola e dever um balúrdio de dinheiro aos seus pais, vê-se forçado a arranjar um emprego e a única coisa que consegue é ser empregado de limpeza num hotel de luxo. No entanto no meio de uma das suas limpezas lá se vê envolvido numa confusão entre raparigas com poderes mágicos que combatem monstros. Como não seria suposto o rapaz conseguir ver nem as raparigas nem os monstros, pelos vistos também tem poderes mágicos e lá teremos de treinar magia com as moçoilas. Estes tipos da Winged Cloud têm cada ideia por vezes…

Duas das jovens com quem interagimos. Como sempre moças com muitas curvas.

As mecânicas de jogo são as habituais de uma visual novel da Winged Cloud, embora as escolhas que por vezes teremos de fazer não se reflitam tanto na maneira como a história se vai desenrolando. De resto podem contar com as mesmas habilidades em avançar texto já lido, ouvir os textos com voz automática, mas uma vez mais infelizmente não temos qualquer voice acting. Não entendo como é que eles para alguns jogos se esmeram e colocam voice acting, enquanto que para outros nada disso. As músicas não são nada de especial, exceptuando uma ou outra mais hard rock que me agrada mais.