Hiveswap Act 1 (PC)

Voltando ao PC e às aventuras gráficas point and click, este jogo, que deu cá entrada algures no ano passado numa steam sale por uma bagatela, acabou por se revelar numa óptima surpresa, não só por todo o seu bom humor que acompanha a narrativa, mas também por ter uma direcção artística muito interessante. Eu sinceramente não fazia ideia até porque não conheço o trabalho original, mas estes jogos Hiveswap são baseados no mesmo mundo de Homestuck, uma série de web comics que aparentemente ganhou bastante protagonismo com o decorrer dos anos.

O jogo leva-nos a um belo fim de tarde algures na primeira metade dos anos 90 onde a jovem Joey Claire estava sozinha em casa com o seu irmão mais novo, um geek demasiado interessado em teorias de conspiração. E eis que surge uma espécie de um milípede gigante e com um aspecto algo alienígena e os ataca! Os irmãos acabam por ficar separados e a primeira metade do jogo leva-nos a controlar principalmente a Joey (embora em certas alturas possamos controlar também o seu irmão para a ajudar) de forma a que ela descubra alguma maneira de derrotar aquela estranha criatura (e outras que entretanto também invadem a casa). Claro que isso vai-nos obrigar a explorar a casa toda em busca de itens que nos permitam progredir e na segunda metade o jogo troca-nos completamente as voltas, com Joey a ser misteriosamente transportada para um mundo alienígena povoado de criaturas que aparentemente são chamados de trolls. São criaturas humanóides, mas com cornos, o que lhes dá um aspecto mais de pequenos diabretes. O que vamos fazer nesse planeta? Bom, isso deixo para vocês descobrirem.

O ponteiro do rato muda de forma automaticamente consoante a acção que podemos desempenhar no local onde clicamos. Se houver mais que uma acção possível temos um pequeno menu que nos permite optar pela que queremos executar

No que diz respeito às mecânicas de jogo, esperem pelas típicas mecânicas de jogos de aventura gráfica, onde com o ponteiro do rato poderemos fazer as mais variadas acções, como caminhar, observar, pegar ou interagir com objectos. Em objectos/locais onde seja possível exercer mais que uma acção, surge um pequeno menu onde podemos decidir o que queremos fazer nesse caso. Combinar itens no inventário é também algo que teremos de fazer e certos itens vão-nos dar habilidades especiais, como a lanterna ou os sapatos de sapateado, que nos permitem fazer o chão tremer e tombar alguns objectos que estejam mais alto. Ocasionalmente teremos de combater essas criaturas estranhas e o jogo nesses momentos assume algumas mecânicas de RPG, onde as batalhas são dadas por “turnos” e no nosso turno teremos de usar os itens que temos no inventário, as habilidades que temos à nossa disposição ou mesmo interagir com os cenários para conseguirmos derrotar as criaturas ou simplesmente sobreviver. Basicamente os combates são puzzles.

Na primeira metade do jogo vamos ter alguns combates que apesar de nos lembrarem RPGs, são na verdade mais puzzles

A nível audiovisual sinceramente é um jogo que me agradou bastante. A direcção artística está muito boa, com cenários em 2D muitíssimo bem detalhados e algumas cutscenes hilariantes que presumo que sejam ao mesmo estilo da série de banda desenhada Homestuck. A música é também excelente e bastante ecléctica. Infelizmente o jogo não possui no entanto nenhum voice-acting, o que foi aparentemente uma decisão da qual os criadores tomaram com bastante ponderação, pois não quiseram arriscar em introduzir um voice acting que não fosse tão bom quanto isso. O que é uma grande pena pois a narrativa está repleta de diálogos bem humorados. E sim, este é um jogo repleto de referências à cultura pop dos anos 90. Por exemplo, no quarto de Joey vemos uma Super Nintendo e o bombo da festa que jogo é? O Bubsy, claro.

Em certas alturas poderemos também controlar outras personagens como o irmão de Joey

Portanto devo dizer que fiquei bastante agradado com este Hiveswap Act 1. Diálogos bem humorados, uma excelente direcção artística e banda sonora, só ficou mesmo a faltar o voice acting pois temos uma quantidade de texto bem considerável. Irei jogar em seguida o seu segundo acto que me parece que trará um sabor agridoce. É que esta série Hiveswap foi idealizada para conter 4 actos, mas o seu desenvolvimento bastante atribulado parece ter colocado um travão nos capítulos seguintes.

F.E.A.R. 2: Project Origin (PC)

Já cá trouxe no passado o primeiro F.E.A.R. onde inclusivamente mencionei que foi o último jogo “recente” que tentei jogar no meu velhinho Pentium 4 algures pelos finais de 2005, já depois do seu lançamento. Desenvolvido pela Monolith Productions, os mesmos que nos trouxeram os clássicos Blood ou No One Lives Forever, o primeiro FEAR foi um jogo que marcou principalmente em dois aspectos: a inteligência artificial dos inimigos, que eram bem agressivos e activamente se reposicionavam no mapa em posições mais vantajosas para nos atacar e claro, os seus elementos de terror devido à Alma Wade, uma miúda sinistra que ia aparecendo em várias alucinações. Entretanto, após duas expensões desenvolvidas pela Vivendi e que acabaram por se tornar não canónicas, em 2009 a Monolith lança a primeira verdadeira sequela. O meu exemplar sinceramente já não me recordo onde e quando o comprei mas foi seguramente bastante barato.

Jogo com caixa e manual

A história decorre após o final dos acontecimentos do primeiro jogo, onde encarnamos no papel de Michael Beckett, um soldado de um grupo de elite de operações especiais, que foram enviados para resgatar a Genevieve Aristide, presidente da empresa Armacham Technology Corporation, basicamente os maus da fita que fizeram todas as experiências à Alma que presenciamos no primeiro jogo. Começamos por tentar resgatá-la numa penthouse no topo de um hotel de luxo e rapidamente vamos sendo atacados por mercenários da mesma empresa que também tentam chegar primeiro a Aristide para a silenciar. Desde cedo começamos também a sofrer algumas alucinações com a Alma e eventualmente a história começa a ganhar alguns contornos estranhos, onde a própria Genevieve parece ter os seus próprios planos que nos incluem e à própria Alma também.

Como seria de esperar, gore é coisa que não falta

No que diz respeito à jogabilidade, esta é muito semelhante à do primeiro FEAR na medida em que é um first person shooter com combates intensos e certos elementos de terror, com todas as alucinações e pequenos sustos que Alma nos vai pregando, bem como a inclusão de certos inimigos mais “sobrenaturais”. Mas no que diz respeito aos tiroteios, a acção continua bastante intensa. Há uma maior variedade de inimigos do que no primeiro jogo mas a maioria dos inimigos que combatemos continuam a ser super soldados com uma inteligência artificial avançada e agressiva, continuamente a moverem-se pelo mapa em busca de melhor posição para nos atacarem. Os tiroteios acabam por ser bastante intensos não só pela agressividade dos inimigos, mas também pelos seus números. Não que tenhamos dezenas de inimigos para combater em simultâneo, mas acabam mesmo por serem dezenas de inimigos que vão surgindo sequencialmente e nos obrigam a estar sempre atentos.

Aparições e experiências paranormais são outras das ocorrências comuns neste jogo

Vamos ter acesso a um arsenal considerável de armas para utilizar, sendo que desta vez poderemos carregar um máximo de quatro armas em simultâneo, assim como vários tipos de granadas ou explosivos. E sim, tal como nos FPS da velha guarda, temos armadura e medkits para encontrar. A vida é apenas regenerativa quando baixa abaixo dos 30% e apenas regenera até essa percentagem. Nós supostamente somos também um super soldado e, tal como no primeiro jogo, para simular os nossos reflexos fora de série, poderemos abrandar a acção por alguns segundos, activando um efeito similar ao bullet time dos Max Payne, onde tudo à nossa volta se mexe muito lentamente. De resto, a outra grande novidade na jogabilidade está talvez na possibilidade de, pelo menos duas vezes ao longo do jogo, podermos entrar dentro de um grande mecha altamente blindado e com um poder de fogo incrível, o que nos leva a algumas sequências de acção non-stop.

Ao menos temos uma variedade de cenários maior que no primeiro jogo

Graficamente é um jogo bem competente para os padrões de 2009. Há uma maior variedade de cenários perante o primeiro jogo, pois iremos explorar o tal hotel de luxo, mas também um hospital, uma escola, cidades em ruínas e claro, as tais instalações industriais onde muitas experiências foram sendo feitas. Há também uma maior variedade de inimigos, embora a esmagadora maioria continuem a ser os tais super soldados. A banda sonora é, como seria de esperar, maioritariamente tensa e dissonante, o que conjuga bem com a atmosfera de terror que o jogo tenta incutir. No entanto o terror em si acaba muito por ser na base de jump scares e não uma atmosfera aterradora. Já o voice acting, bom, sinceramente achei o ponto mais fraco de todo o jogo. Mas kudos para a cena final, não estava nada à espera daquilo.

Os tiroteios são bastante intensos como referi, mas felizmente vamos tendo acesso a um extenso arsenal que nos facilita um pouco as coisas

Porto isto, achei o FEAR 2 um FPS bem competente, particularmente nos seus tiroteios intensos, cuja habilidade de abrandar o tempo nos dá muito jeito. Aparentemente a crítica e os fãs continuam a preferir o primeiro FEAR a este, mas sinceramente não os achei tão díspares assim. É um óptimo FPS para quem quiser participar em tiroteios frenéticos. Já a parte do terror, não se preocupem muito com isso, pois o jogo apenas oferece alguns pequenos sustos nesse departamento.

Face Noir (PC)

Já há algum tempo que não jogava uma aventura gráfica do estilo point and click clássico pelo que decidi, finalmente, dar uma chance a este Face Noir que já estava em backlog na minha conta do steam há uns bons anos. Não me recordo quando nem onde é que o jogo veio parar à minha conta, o mais provável é que tenha sido comprado nalgum indie bundle por um preço muito reduzido.

E este é um jogo que decorre em Nova Iorque, algures nos anos 30. Como qualquer clássico noir do cinema, jogamos no papel de Jack Del Nero, um detective privado, ex-polícia de moralidade dúbia, numa Nova Iorque chuvosa e quase sempre à noite. Começamos a aventura por aceitar um trabalho que nos obrigava a procurar o paradeiro de uma rapariga de 20 anos que havia fugido da família. Caso a encontrássemos nalguma situação comprometedora, teríamos também de obter algumas fotos para servir como prova. Depois de resolver esse primeiro mistério, acabamos por nos vermos envolvidos no assassinato do nosso antigo colega e claro, seremos o principal suspeito, pelo que teremos de investigar o caso e arranjar forma de provar a nossa inocência. A história adensa-se com o facto de a vítima estar a encobrir uma pequena rapariga e o envolvimento de polícias corruptos e crime organizado.

Como qualquer noir que se preze, a acção decorre maioritariamente à noite. E com mau tempo, claro.

No que diz respeito às mecânicas de jogo, estas são as típicas de um jogo de aventura gráfica point and click. Com o rato, iremos explorar cenários, coleccionar objectos, interagir com outros e resolver puzzles, bem como dialogar com várias pessoas. O cursor do rato muda de forma assim que o passarmos por alguma zona sensível, seja algum objecto com o qual possamos interagir ou pessoa com quem falar. Por norma a acção por defeito que o cursor do rato toma é a de observar. Com o botão direito do rato poderemos entretanto alterar qual a acção que queremos seleccionar, como interagir ou falar. Para além disso temos também um sistema de inventário onde poderemos inclusivamente seleccionar que item queremos usar num determinado local ou pessoa. E sim, como referi acima, ocasionalmente teremos alguns puzzles para resolver, muitos que exigirão o movimento do rato para os resolver, como usar ferramentas de lock picking para abrir portas. Felizmente as instruções que surgem no ecrã são explícitas no que fazer.

Durante o jogo iremos ver muitas destas cutscenes com imagens estáticas

A nível gráfico contem com uma representação de Nova Iorque nos anos 30, quase sempre à noite e com cenários pré-renderizados. O facto de os cenários serem pré-renderizados não nos permite ter qualquer controlo de câmara e o facto de serem também escuros tornam a tarefa de encontrar os objectos com os quais devemos interagir bem mais difícil. Ou tornariam, se não houvesse uma tecla que salienta no ecrã todas as zonas de interesse. As personagens, no entanto, já são modelos poligonais, embora para um jogo de 2013 deixam muito a desejar a nível de detalhe. A performance do jogo também é sofrível, a menos que activemos a opção de “Enable T&L” no launcher imediatamente antes de iniciarmos o jogo. Eventualmente também vamos tendo algumas cutscenes, estas que são todas apresentadas com imagens estáticas, quase como se fossem pinturas, acompanhadas com os diálogos. Dialogos que têm todos voice acting, e sendo este um produto indie, o voice acting não é necessariamente o melhor. A banda sonora é toda composta por leves (porém soturnas e melancólicas) melodias de jazz, ao som de pianos e saxofones. Como qualquer noir que se preze.

Os cenários são pré-renderizados, as personagens não. E para um jogo de 2013 o resultado deveria ser muito melhor!

Posto isto, este Face Noir é um jogo de aventura gráfica algo sólido nas suas mecânicas de jogo (talvez queiram no entanto aumentar a sensibilidade do rato para alguns puzzles), no entanto tecnicamente é um jogo que deixa a desejar, embora o facto de ter sido desenvolvido por um pequeno estúdio justifique um pouco esses problemas. A narrativa porém poderia ser bem melhor e esse foi um ponto que eu ainda não abordei. Eu gosto da temática noir, mas as personagens são fracas e a história é conduzida de uma forma algo atabalhoada. Infelizmente o jogo termina numa espécie de cliffhanger, apontando para uma eventual sequela que nunca se veio a materializar, o que também não abona a seu favor.

Wolfenstein: The Old Blood (PC)

Depois do sucesso de Wolfenstein: The New Order, os suecos da MachineGames não perderem muito tempo em lançar mais um jogo. Inicialmente planeado como um conjunto de DLCs para o The New Order, este The Old Blood acaba por ser lançado de forma independente. E é uma prequela do jogo anterior, onde controlamos uma vez mais B.J. Blazkowicz numa realidade alternativa dos eventos da segunda guerra mundial. O meu exemplar veio na mesma compilação que trás o The New Order e que já referi no artigo anterior.

Jogo com vários discos, caixa e papelada

Sendo este jogo uma prequela, a história leva-nos uma vez mais ao ano de 1946 e a infiltrarmo-nos no castelo de Wolfenstein, em busca de documentos secretos guardados por Helga von Schabbs, uma oficial do regime nazi de alta patente (e também com grandes interesses no oculto e em arqueologia), na esperança de descobrirem a localização da base do general Deathshead, e assim dar início aos eventos que acontecem posteriormente no The New Order. Mas Blazkowicz não entra no castelo sozinho, mas sim com a companhia do “Agent One” um outro agente secreto mais bem doutrinado na língua alemã. Claro que as coisas não vão correr lá muito bem! O jogo irá-se dividir então em duas partes: na primeira iremos explorar o castelo propriamente dito, já na segunda viajamos até à aldeia de Wolfburg, no encalço de Helga e tentar não só obter os documentos secretos que precisamos, mas também descobrir quais são os seus planos.

Apesar de terem os seus bons momentos, os vilões aqui introduzidos não ficaram tão bem conseguidos quanto o Deathshead e a Engel

No que diz respeito à jogabilidade, na sua essência esta é muito similar à do The New Order: a vida é regenerativa apenas em pequenos intervalos, vamos poder carregar um grande arsenal de diferentes armas e o jogo oferece-nos a possibilidade de optar por uma abordagem mais furtiva, ou outra mais à Rambo. Na primeira teremos de eliminar os inimigos sem sermos vistos e através de métodos silenciosos, dando prioridade aos oficiais que têm a capacidade de activar alarmes e chamar reforços. Na segunda… bom, temos na mesma a possibilidade de atacar com 2 armas ao mesmo tempo, o que é muito divertido! Mas há também algumas diferenças notáveis perante o primeiro jogo. Desde cedo vamos ter acesso a um tubo que nos vai acompanhando ao longo de toda a aventura. Esse tubo tanto poderá ser usado como arma de combate corpo a corpo, como pé-de-cabra para abrir certas portas, ou como ferramenta que nos irá auxiliar a escalar certos tipos de paredes. Os super soldados estão agora directamente ligados à corrente eléctrica, pelo que para os combater poderemos ter a necessidade de desligar temporariamente fontes de energia, algo que teremos mesmo de fazer numa altura onde estaremos muito mais vulneráveis. Já nos combates em si, vão haver alturas, no entanto, em que não temos qualquer hipótese de ser furtivos e somos mesmo obrigados a combater no meio de todo o caos e confusão. Se conseguirmos sobreviver, é desbloqueado uma Challenge Arena que poderemos jogar posteriormente, enfrentando ondas cada vez mais fortes de inimigos. De resto, um dos Easter eggs introduzidos no The New Order era um nível secreto do Wolfenstein 3D. Bom, aqui, para além de todos os outros coleccionáveis, poderemos também encontrar e jogar diferentes níveis do Wolf 3D em todos os níveis do jogo.

Tal como no seu predecessor, poderemos equipar 2 armas em simultâneo para causar muito mais dano!

No que diz respeito aos audiovisuais, o jogo utiliza o mesmo motor gráfico do seu antecessor. No entanto, e decorrendo no ano de 1946, os inimigos que vamos encontrando não são tão high-tech como aqueles de 1960, mantendo no entanto um visual bem austero e também com alguns elementos de sci-fi, embora não tão avançados como já referi anteriormente. Não há também uma grande variedade de cenários como no The New Order, pois aqui iremos explorar o castelo de Wolfenstein em toda a sua magnitude, desde as suas cavernas e criptas, passando por laboratórios, prisões e habitações da aldeia à sua volta. Quando visitamos Wolfburg, esperem também por uma aldeia com uma arquitectura tradicionalmente germânica e não muito diferente daquela que exploramos nas imediações do castelo. A narrativa também não é tão forte quanto a do seu antecessor jogo, talvez por os vilões não serem tão bem conseguidos quanto os anteriores e pelo facto de estarmos mesmo a maior parte do tempo sozinhos. Já no que diz respeito ao som, os efeitos sonoro se voice acting são igualmente competentes, já a banda sonora, uma vez mais a cargo de Mike Gordon, continua muito boa, mas também muito diferente da que ele compôs para o The New Order. Enquanto que no último a banda sonora era um misto entre música pesada com influências rock / electro / industrial e outras músicas mais atmosféricas, porém bastante sinistras, a banda sonora aqui oscila entre temas mais orquestrais ou outros mais ambientais, sempre com uma atmosfera sinistra e/ou tensa por detrás.

Portanto estamos aqui perante mais um sólido first person shooter. A sua jogabilidade mantém-se excelente, sendo um misto entre um FPS da velha guarda com elementos de furtividade ou até de RPG pois há vários perks que poderemos ganhar caso completemos certos desafios, bem como introduz algumas mecânicas novas. No entanto, tem uma menor variedade de cenários e a narrativa… bom, não está tão envolvente como a do The New Order. Mas não deixa de ser um jogo altamente recomendável.

Wolfenstein: The New Order (PC)

Em 2009 a Raven Software, com a devida autorização e licenciamento da id Software lançou Wolfenstein, um jogo pela primeira vez na série desenvolvido primariamente com as consolas em mente. É um jogo que incorpora elementos dos first person shooter da velha guarda com jogabilidade moderna, como a vida regenerativa, mas também a possibilidade de carregar todas as armas connosco. Tinha também certos elementos de open world. No entanto o resultado final não foi propriamente o mais apelativo e o jogo acabou por se tornar um fracasso comercial. Durante alguns anos não se voltou a ouvir mais falar em Wolfenstein, mas na verdade coisas estavam a acontecer em background: em 2009 é formado um novo estúdio na Suécia, MachineGames, formados por ex-funcionários da Starbreeze Studios, que já haviam trabalhado em FPS como os Chronicles of Riddick ou o reboot do Syndicate que ainda tenho de jogar. Esse estúdio conseguiu, após contactos com a Bethesda, Zenimax e finalmente, a id Software, que o desenvolvimento de um novo Wolfenstein fosse aprovado e o resultado desse trabalho vê a luz do dia em 2014. E devo começar por dizer que a MachineGames fez um excelente trabalho ao revitalizar a série! O meu exemplar foi comprado na Amazon algures neste ano por pouco mais de 20€, sendo uma compilação que traz este The New Order e a sua expansão standalone The Old Blood, que estou a jogar actualmente e irei escrever sobre ela separadamente. Aproveito também para mostrar um item promocional que me foi oferecido por um amigo algures em 2014/2015, uma banda sonora do jogo!

Creio que podemos considerar este novo Wolfenstein como mais um reboot da série. Inicialmente decorre em 1946, onde na História já o conflito da segunda grande guerra havia terminado, mas neste novo universo de Wolfenstein a mesma ainda perdurava. Para além disso, os nazis estavam perto de a vencer! Entretanto coisas acontecem ao nosso BJ Blazkowicz que fica num estado vegetativo, voltando a ganhar a sua consciência apenas no ano de 1960! Aí as coisas ficaram muito piores pois os nazis conseguiram vencer a guerra ao terem descoberto a bomba atómica primeiro que os aliados e depois de detonarem uma bomba atómica em plena Nova Iorque, os Estados Unidos finalmente capitulam. O mundo é então inteiramente governado pela máquina de guerra nazi que, em conjunto com a sua tecnologia de ponta, consegue também dizimar practicamente toda a resistência. Practicamente toda, excepto um grupo restrito onde iremos naturalmente fazer parte e digamos que a campanha nos coloca uma vez mais no encalço de Wilhelm “Deathshead” Strasse, o líder de uma divisão da SS responsável por todos os avanços tecnológicos que levaram à Alenanha nazi a vencer a guerra. Deathshead é finalmente apresentado como um grande vilão, assim como outras figuras importantes do regime com as quais iremos interagir ao longo de toda a história.

Muitos dos nazis que vamos combater parecem autênticos Darth Vaders

No que diz respeito à jogabilidade, esta vai buscar um pouco de tudo o que alguma vez fez parte do universo de Wolfenstein. É na mesma um first person shooter com mecânicas de velha guarda, na medida em que iremos poder carregar todo um arsenal de armas, que por sua vez poderão receber diversos upgrades à medida que os vamos descobrindo enquanto exploramos os níveis. A vida é regenerativa apenas em pequenos intervalos, com a restante a ter de ser recuperada através de medkits. A furtividade, apesar de opcional, é uma vez mais introduzida em diversos pontos do jogo, onde poderemos usar um sistema de covers para nos escondermos e atacar inimigos silenciosamente, quer através de combate corpo-a-corpo, quer através de pistolas com silenciadores. Os alvos mais importantes a abater nessas alturas são os oficiais, que podem fazer soar alarmes e chamar reforços. Por outro lado, se quiserem ter uma abordagem mais à Rambo, também o podem fazer e o jogo também nos oferece certos incentivos para tal, como a possibilidade de disparar duas armas em simultâneo e sim, usar duas metralhadoras ao mesmo tempo para dizimar nazis é muito reconfortante. Ou mesmo usar duas shotguns, algo bem mais útil para combater inimigos maiores e melhor protegidos com espessas armaduras. Felizmente medkits e munições vão sendo algo comuns, pelo que usar ambas as abordagens é igualmente divertido!

A narrativa tem vários momentos de tensão. Pela primeira vez conseguiram criar vilões que nos deixam o sangue a ferver!

No que diz respeito aos audiovisuais este é um jogo bem competente para a altura em que saiu (2014), usando o motor gráfico id Tech 5 (introduzido inicialmente no Rage em 2011, mais outro jogo que tenho em backlog). Mas o que mais impressiona é mesmo a estética apresentada nesta versão alternativa de 1960. Por um lado temos toda aquela imagem austera imposta pelo regime nazi, com edifícios massivos e suásticas em todo o lado, por outro também algumas influências estéticas da nossa década de 60 com um pingo de ficção científica, não fossem muitos dos soldados nazis parecerem storm troopers vestidos de negro, bem como todos os robots e cyborgs que iremos enfrentar como inimigos. Até a febre da exploração espacial da década de 60 está aqui representada, pois uma das missões que iremos fazer decorre nada mais nada menos que na Lua, numa base espacial nazi. Mas para além de toda uma estética bem montada, acho que, pela primeira vez, temos uma narrativa muito mais cuidada num jogo Wolfenstein. Blazkowicz vai sussurando muitos dos seus sentimentos à medida que vamos avançando na aventura e os vilões… bom, esses são apresentados como vilões a sério e que nos vão dar um especial prazer quando finalmente lhes conseguimos causar algum sofrimento! O voice acting é então bastante competente, onde naturalmente vamos ouvir muito alemão, pois nesta realidade alternativa a Alemanha nazi venceu a guerra. A banda sonora é bastante versátil, tanto temos temas rock / electrónica / industrial mais pesados para acompanhar os confrontos mais violentos, como outros temas acústicos ou mais atmosféricos e sinistros. Mas para manter a imagem daquela realidade alternativa da década de 60 onde a Alemanha nazi vence a guerra e domina o mundo, a MachineGames foi ainda mais longe. Introduziram uma editora musical fictícia, a Neumond Records, que inclui diversas canções pop/rock com influências dos anos 60, mas cantadas em Alemão, incluindo algumas covers de músicas conhecidas, como a House of Rising Sun dos Animals. Algumas destas músicas podem ser ouvidas em plano de fundo no jogo, já outras podem ser descobertas como coleccionáveis. Recomendo vivamente que pesquisem “Neumond Records” no google para as ouvirem! É mais um ponto para mostrar o quão longe a MachineGames foi para criar toda esta estética de uma realidade alternativa!

Eviscerar toda uma sala cheia de nazis a disparar duas metralhadoras ao mesmo tempo é super reconfortante!

Portanto este Wolfenstein The New Order foi uma excelente surpresa. Um grande jogo, principalmente após o Wolfenstein de 2009 que deixou algo a desejar. Excelente jogabilidade, uma narrativa mais cuidada, vilões a sério que nos dão mesmo vontade de os esventrar e todo o esforço que a MachineGames levou a cabo para criar toda uma realidade paralela nos anos 60, tornam este The New Order um óptimo first person shooter que voltou a revitalizar, e merecidamente, esta série fantástica. Felizmente não tivemos de esperar muito tempo por um sucessor e estou neste momento a jogar o The Old Blood, que brevemente irei também partilhar as minhas impressões.