Face Noir (PC)

Já há algum tempo que não jogava uma aventura gráfica do estilo point and click clássico pelo que decidi, finalmente, dar uma chance a este Face Noir que já estava em backlog na minha conta do steam há uns bons anos. Não me recordo quando nem onde é que o jogo veio parar à minha conta, o mais provável é que tenha sido comprado nalgum indie bundle por um preço muito reduzido.

E este é um jogo que decorre em Nova Iorque, algures nos anos 30. Como qualquer clássico noir do cinema, jogamos no papel de Jack Del Nero, um detective privado, ex-polícia de moralidade dúbia, numa Nova Iorque chuvosa e quase sempre à noite. Começamos a aventura por aceitar um trabalho que nos obrigava a procurar o paradeiro de uma rapariga de 20 anos que havia fugido da família. Caso a encontrássemos nalguma situação comprometedora, teríamos também de obter algumas fotos para servir como prova. Depois de resolver esse primeiro mistério, acabamos por nos vermos envolvidos no assassinato do nosso antigo colega e claro, seremos o principal suspeito, pelo que teremos de investigar o caso e arranjar forma de provar a nossa inocência. A história adensa-se com o facto de a vítima estar a encobrir uma pequena rapariga e o envolvimento de polícias corruptos e crime organizado.

Como qualquer noir que se preze, a acção decorre maioritariamente à noite. E com mau tempo, claro.

No que diz respeito às mecânicas de jogo, estas são as típicas de um jogo de aventura gráfica point and click. Com o rato, iremos explorar cenários, coleccionar objectos, interagir com outros e resolver puzzles, bem como dialogar com várias pessoas. O cursor do rato muda de forma assim que o passarmos por alguma zona sensível, seja algum objecto com o qual possamos interagir ou pessoa com quem falar. Por norma a acção por defeito que o cursor do rato toma é a de observar. Com o botão direito do rato poderemos entretanto alterar qual a acção que queremos seleccionar, como interagir ou falar. Para além disso temos também um sistema de inventário onde poderemos inclusivamente seleccionar que item queremos usar num determinado local ou pessoa. E sim, como referi acima, ocasionalmente teremos alguns puzzles para resolver, muitos que exigirão o movimento do rato para os resolver, como usar ferramentas de lock picking para abrir portas. Felizmente as instruções que surgem no ecrã são explícitas no que fazer.

Durante o jogo iremos ver muitas destas cutscenes com imagens estáticas

A nível gráfico contem com uma representação de Nova Iorque nos anos 30, quase sempre à noite e com cenários pré-renderizados. O facto de os cenários serem pré-renderizados não nos permite ter qualquer controlo de câmara e o facto de serem também escuros tornam a tarefa de encontrar os objectos com os quais devemos interagir bem mais difícil. Ou tornariam, se não houvesse uma tecla que salienta no ecrã todas as zonas de interesse. As personagens, no entanto, já são modelos poligonais, embora para um jogo de 2013 deixam muito a desejar a nível de detalhe. A performance do jogo também é sofrível, a menos que activemos a opção de “Enable T&L” no launcher imediatamente antes de iniciarmos o jogo. Eventualmente também vamos tendo algumas cutscenes, estas que são todas apresentadas com imagens estáticas, quase como se fossem pinturas, acompanhadas com os diálogos. Dialogos que têm todos voice acting, e sendo este um produto indie, o voice acting não é necessariamente o melhor. A banda sonora é toda composta por leves (porém soturnas e melancólicas) melodias de jazz, ao som de pianos e saxofones. Como qualquer noir que se preze.

Os cenários são pré-renderizados, as personagens não. E para um jogo de 2013 o resultado deveria ser muito melhor!

Posto isto, este Face Noir é um jogo de aventura gráfica algo sólido nas suas mecânicas de jogo (talvez queiram no entanto aumentar a sensibilidade do rato para alguns puzzles), no entanto tecnicamente é um jogo que deixa a desejar, embora o facto de ter sido desenvolvido por um pequeno estúdio justifique um pouco esses problemas. A narrativa porém poderia ser bem melhor e esse foi um ponto que eu ainda não abordei. Eu gosto da temática noir, mas as personagens são fracas e a história é conduzida de uma forma algo atabalhoada. Infelizmente o jogo termina numa espécie de cliffhanger, apontando para uma eventual sequela que nunca se veio a materializar, o que também não abona a seu favor.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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