Return to Monkey Island (Nintendo Switch)

Uma das minhas resoluções de videojogos para este ano de 2024 era mesmo a de fechar a série Monkey Island, pelo que foi agora tempo de jogar este Return to Monkey Island, lançado originalmente em 2022. Uma das curiosidades em relação a este jogo é que o mesmo foi desenvolvido pelo Ron Gilbert, criador dos dois primeiros jogos da série e que havia abandonado a Lucasarts pouco tempo depois. Ron conseguiu obter uma licença por parte da Disney para desenvolver um novo Monkey Island e o resultado foi este. O meu exemplar sinceramente já não me recordo bem quando o comprei, mas creio que terá custado uns 35 dólares mais taxas, pois este era um daqueles títulos da LRG que poderia ser comprado na Amazon, sem grande limitação de stock. No momento de escrita deste artigo, as versões PS5 e Xbox Series estão ainda disponíveis na amazon USA em stock normal, já a versão de switch está apenas disponível através de terceiros, a preços bem mais inflaccionados.

Jogo com caixa e – pasme-se – um manual a sério e a cores!

Apesar de Ron não ter participado activamente no desenvolvimento dos Monkey Island anteriores (apesar de ter sido consultado várias vezes), felizmente não ignorou o legado desses títulos, pois poderemos consultar um livro de memórias que comenta os eventos de todos esses jogos no passado. A história aqui leva-nos uma vez mais a controlar Guybrush Threepwood (ou o seu filho, Boybrush, no capítulo introdutório) que decide, ao fim de vários anos, procurar pelo verdadeiro segredo da ilha de Monkey Island. Coincidentemente, o vilão LeChuck procura fazer o mesmo, assim como os novos líderes piratas da ilha de Mêlée.

A ilha de Mêlée é um dos locais a revisitar, onde iremos reencontrar várias caras conhecidas.

No que diz respeito à jogabilidade, no PC isto é um point and click puro e duro, já nas consolas a interface foi alterada ligeiramente. Aqui usamos o analógico esquerdo para movimentar Guybrush pelos cenários e sempre que nos aproximamos de algo no cenário que possa ser interagido, ou alguma pessoa para falar, vão surgindo no ecrã vários círculos brancos que assinalam esses hot spots. Depois poderemos usar o analógico direito ou os botões L e R para alternar entre esses hotspots e utilizar os botões faciais (tipicamente o A ou X) para realizar as acções que surgem no ecrã, em torno do tal círculo. O botão Y serve para abrir o inventário enquanto o B para avançar nos diálogos. O direccional serve para rever diálogos passados ou para escolher que frases dizer durante os diálogos. Os gatilhos servem para correr. A nível de controlos é isto, de resto contem com todas as mecânicas habituais de um point and click, onde para avançar no jogo teremos de coleccionar objectos, combiná-los, falar com pessoas e resolver alguns puzzles. No entanto achei que esta interface por vezes nos trazia alguns problemas pois nem sempre dava para seleccionar o hot spot correcto, mas o facto de o meu pro controller também ter começado a ter drift possa ter interferido.

Os três líderes piratas foram substituídos por versões mais “modernas” mas a velha guarda ainda anda por aí.

Tal como vários outros jogos desta série, logo no início da aventura podemos escolher qual o grau de dificuldade, sendo que o difícil apenas nos apresenta mais puzzles para resolver. No entanto mesmo jogado no modo difícil, tirando um ou outro puzzle mais próximo da recta final, não achei que os mesmos fossem muito difíceis ou obtusos, o que costuma ser imagem de marca de jogos de aventura deste tipo. De resto temos também toda uma série de coleccionáveis para apanhar ao longo da aventura. São nada mais nada menos que 170 cartas do tipo trivial pursuit com várias perguntas sobre a série. Sinceramente não as apanhei todas (longe disso), mas aparentemente existe uma recompensa para o fazer. Talvez num dia destes que decida fazer uma segunda partida o tente completar, até porque apercebi-me depois de consultar um guia que poderia ter feito mais algumas coisas opcionais.

O quarto capítulo é o maior do jogo, onde iremos ter acesso a uma embarcação que nos permite viajar entre diversas ilhas diferentes e outros locais de interesse.

A nível audiovisual este jogo é bastante diferente dos seus dois antecessores, na medida em que regressa aos visuais inteiramente em 2D, com um estilo artístico muito único e peculiar. Sinceramente preferia um regresso ao pixel art dos dois primeiros títulos e apesar das minhas primeiras impressões do estilo artístico escolhido para este jogo não serem boas, lá acabei por me habituar e no fim de contas acho que até ficou bem conseguido. Os cenários têm um aspecto muito cartoon e as personagens estão bem animadas. A banda sonora vai sendo bem agradável, com muitos dos temas a herdarem aquele som mais característico da série e que bem assenta num videojogo com a temática de piratas. O voice acting continua excelente, com muitas actores a voltarem a dar voz a personagens bastante conhecidas. Aliás, o jogo é toda uma homenagem aos primeiros títulos pois vamos poder voltar a falar com inúmeras personagens dos primeiros jogos como o velhote pitosga que serve de vigia para a ilha de Mêlée, o chato Stan, a caveira falante Murray, ou até o naufragado Herman Toothrot. A certo ponto do jogo vamos ter de nos infiltrar no navio do LeChuck e interagir bastante com a sua tripulação, todos eles personagens também interessantes.

O novo estilo gráfico foi amplamente criticado desde o seu anúncio e eu próprio também não gostei. Mas acabou por crescer em mim.

Portanto esta última aventura na série de Monkey Island foi um prazer ter sido jogada, apesar de ter achado muitos dos puzzles consideravelmente simples quando comparados com os clássicos. Confesso que ficou um travo um bocadinho amargo no fim, mas a maneira como o jogo termina, apesar de deixar algumas coisas em aberto para uma eventual sequela, não me chocaria se de facto este fosse o último Monkey Island a ser desenvolvido. Nota-se perfeitamente que foi um projecto de amor do Ron Gilbert e a carta escrita por ele (desbloqueada no final do jogo) é uma prova disso. Ainda assim, e mesmo com um estilo de arte que foi bastante divisivo pela comunidade de fãs, acho que é um jogo que vale a pena ser jogado, principalmente se são fãs da série ou do estilo de jogo no geral.

Child of Light: Ultimate Edition / Valiant Hearts: The Great War Double Pack (Nintendo Switch)

Há já muito tempo que tinha o Valiant Hearts na wishlist do Steam mas por algum motivo nunca o comprei, apesar de o mesmo já ter recebido várias promoções interessantes. Mais recentemente, quando me apercebi que a Nintendo Switch recebeu uma edição física com esse jogo, procurei obtê-lo assim que possível, o que acabou por acontecer após uma visita a uma CeX algures no Norte do país há uns bons meses atrás. Esta é então uma compilação com o Valiant Hearts e mais um outro jogo bem conhecido para mim, o Child of Light, que já o havia jogado há muitos anos atrás na PS3. Curiosamente essa versão era um code in a box, pelo que também fico bastante satisfeito com esse jogo estar também aqui incluído num cartucho físico, assim como os DLCs que recebeu (uma sidequest extra, uma nova habilidade e vários itens adicionais). Apesar de ter gostado do Child of Light, sinceramente não o quis jogar novamente, pelo que este artigo se irá focar exclusivamente no Valiant Hearts.

Jogo com caixa e panfleto. Um aviso, a Ubisoft acabou por relançar esta compilação no formato code in a box também.

Lançado originalmente em 2014, precisamente no ano em que se assinalava o centenário do início desse grande conflito à escala global, este é um jogo de aventura que nos levará a percorrer diferentes cenários da guerra com 4 personagens distintas. O foco está no entanto numa família que vive numa aldeia francesa que viria inclusivamente a vir ser ocupada pelos alemães durante a guerra. Essa família é composta pelo casal Karl e Marie e o seu filho Victor, sendo que o marido é alemão e acaba por ser deportado para a Alemanha assim que o conflito se inicia, sendo imediatamente alistado no exército bávaro. Por outro lado, Emile, pai de Marie, acaba por ser alistado no exército francês e ambos são enviados para a linha da frente. No meio de todo o caos, eventualmente irão-se cruzar e tudo farão para escapar aos horrores da guerra e voltar para casa. Ao longo da aventura iremos também conhecer e controlar outras personagens, como Freddie, um civil americano que por motivos pessoais se decide também alistar no exército francês e Anna, uma enfermeira belga que acaba também por se envolver no conflito de forma a tentar salvar o máximo de pessoas que conseguir. De destacar também o cão Walt, que também nos irá acompanhar uma grande parte do tempo!

Adoro a arte digna de um livro de banda desenhada!

No que diz respeito à jogabilidade, este é acima de tudo um jogo de aventura, onde teremos de explorar os cenários e resolver pequenos puzzles para ir progredindo na narrativa. Desde coisas simples como coleccionar certos itens para os usar noutro local ou com outra pessoa, arrastar objectos para servirem de plataformas, interagir com alavancas ou outras engrenagens, ou outros mais complexos e que até poderão envolver o cão Walt, pois poderemos dar-lhe ordens para se posicionar em certos locais ou interagir/apanhar itens por nós. Muitas vezes também teremos de escapar ao fogo inimigo, seja a tentar sobreviver em combates de trincheiras ou esquivar de obstáculos enquanto Anna conduz o seu veículo. Ocasionalmente somos nós que teremos de combater alguém (a maior parte das vezes um certo comandante alemão importante para a história), mas esses combates são também vistos como puzzles, obrigando-nos a utilizar explosivos de forma inteligente, como um dos exemplos.

Apesar do seu aspecto cartoon, os visuais representam muito bem os horrores deste conflito

E se por um lado a jogabilidade deste título é algo simples, o jogo acaba mesmo por marcar pontos por toda a sua apresentação e simplicidade pela forma como a narrativa é desenrolada. Tirando as cutscenes entre níveis, onde um narrador nos vai introduzindo o contexto, todos os restantes diálogos são mudos, com balões de banda desenhada a surgirem no ecrã, e com imagens a substituir as palavras que seriam eventualmente ditas. Aliás, todo o jogo tem um aspecto muito de banda desenhada europeia, o que eu sinceramente aprecio bastante. Mesmo com o aspecto cartoon, este Valiant Hearts consegue capturar muito bem todos os horrores, sangue derramado de forma absurda (e injustiças!) vividas naquele conflito que foi uma autêntica carnificina.

Ocasionalmente temos níveis onde conduzimos um carro e o objectivo é o de escapar ao fogo inimigo e outros obstáculos que possam surgir

Para além dos seus simples, porém bem eficazes audiovisuais, o jogo inclui também vários extras. Em cada nível existem toda uma série de factos documentados, acompanhadas por fotos colorizadas (que foram cedidas pelos criadores do documentário Apocalypse The Great War e que aproveito vivamente para o recomendar). Também espalhados pelos níveis vamos tendo vários coleccionáveis dos mais variadíssimos objectos, que são também acompanhados de descrições alusivas ao seu contexto naquele conflito. De resto, e sinceramente não sei se isso é algum extra exclusivo desta versão, temos uma pequena banda desenhada para ler que ilustra a origem de Walt, o nosso cão que nos acompanha ao longo de practicamente todo o jogo, assim como poderemos consultar várias imagens alusivas à arte por detrás da criação deste jogo.

Tirando as introduções de cada nível, toda a restante narração é super minimalista e resulta bem

Portanto este Valiant Hearts é um jogo de aventura muito interessante, pelo menos para mim que sempre tive um grande interesse nos grandes conflitos deste século passado. Acho que os seus visuais e a narrativa simples acabam por resultar muito bem e fico também bastante curioso em um dia destes jogar a sua sequela, Valiant Hearts: Coming Home, lançada originalmente no ano passado e que só hoje me apercebi da sua existência.

The Stanley Parable: Ultra Deluxe (Nintendo Switch)

Uma das (poucas) coisas boas desta geração de consolas é a abundância de jogos indie (ou indie like) em formato físico, com vários deles a terem lançamento físicos sem recorrerem a empresas especializadas em lançamentos limitados. Este The Stanley Parable é um excelente exemplo disso, visto que até a worten o vendia (e foi daí que a minha cópia veio). No entanto este artigo será uma rapidinha visto que já havia jogado a versão original do Stanley Parable no PC.

Jogo com caixa e alguns pequenos postais de oferta

E tal como havia feito na versão original, irei spoilar o mínimo possível deste jogo. Considerem o Stanley Parable da seguinte forma: conta a história de Stanley, um mero funcionário de uma mega corporação com um trabalho incrivelmente aborrecido, mas que por qualquer forma ele achava que era extremamente satisfatório. A certo dia Stanley vê que todos os seus colegas de trabalho desapareceram e lá vamos explorar o escritório no seu encalço. Toda a nossa aventura é acompanhada por um narrador que nos vai narrando a experiência mas também dar indicações dos caminhos a seguir. Seguir ou não as indicações do narrador é uma escolha nossa e digamos que teremos muitos, muitos finais alternativos para descobrir ao explorarmos todas essas diferentes vertentes da narrativa. O narrador é fantástico, a barreira da quarta parede está constantemente a ser quebrada e o simples acto de entrar/sair do jogo recorrentemente faz parte de toda a bizarrice do que vamos encontrar. E mais não digo!

Eventualmente poderemos encontrar esta porta aberta e pronta para ser explorada. Sim, vale a pena.

De resto, esta nova versão Ultra Deluxe traz novo conteúdo que vale bem a pena explorar. A nível audiovisual, o lançamento original utilizava o motor source do Half Life 2 (até começou por ser um mod do mesmo!) mas neste relançamento a equipa decidiu escolher o Unity, não só por ser um motor gráfico mais recente, mas também porque já suporta nativamente todas as consolas para as quais esta versão acabaria por ser lançada. Apesar dos gráficos mais bonitos, os visuais mantêm a mesma identidade de sempre: simples. Até porque iremos explorar um escritório repleto de corredores labirínticos e salas idênticas, algo que é escolhido mesmo por design. Já no audio o foco vai todo para a narração que é excelente, tudo o resto, desde os simples efeitos sonoros e pequenas músicas variadas que iremos ouvir ocasionalmente, mantém-se também simples por design.

Este jogo é tão meta.

Portanto este relançamento do The Stanley Parable é algo que recomendo vivamente, mesmo para quem já tenha jogado a versão original. É um simples walking simulator na primeira pessoa, mas a experiência como um todo é fantástica.

Castlevania Anniversary Collection (Nintendo Switch)

Vamos voltar a mais uma compilação, desta vez esta Castlevania Anniversary Collection cujo lançamento físico esteve a cargo da Limited Run Games. É uma compilação cuja emulação esteve a cargo da M2, que já está mais que habituada a fazer trabalhos como este (foram eles que trataram da emulação de várias consolas mini como é o caso da PC Engine ou ambas as Mega Drive e muitas outras compilações similares), e o número de jogos aqui incluído até que é algo satisfatório. O meu exemplar veio da Limited Run Games algures em Janeiro do ano passado, tendo custado os habituais 35 dólares mais portes e taxas.

Jogo com caixa e livrete com algumas palavras e imagens de cada jogo presente nesta compilação

Neste artigo vou focar-me no conteúdo desta compilação, particularmente os seus extras e uma análise um pouco mais detalhada apenas aos jogos que, até ao momento de escrita deste artigo, ainda não possuo na colecção, o que é o caso do Castlevania III e Kid Dracula. Um detalhe interessante a referir é que todos os jogos possuem também as suas versões japonesas disponíveis para serem jogadas, excepto no entanto para o Castlevania II da NES imaginando que seja do nosso progresso depender bastante do texto que vamos lendo aqui e ali.

Uma das melhores características desta compilação é a inclusão das versões japonesas dos jogos aqui presentes, visto que muitas das versões ocidentais possuem alguma censura. E o Castlevania III com aquela banda sonora faz uma grande diferença!

Indo para os jogos propriamente ditos e começando pela trilogia original da NES, temos aqui portanto o primeiro Castlevania, um jogo icónico e que para sempre mudou o paradigma dos jogos 2D sidescroller, o Castlevania II Simon’s Quest, um jogo um pouco mal amado mas considero-o importantíssimo para influenciar os metroidvanias que viriam a ser lançados no futuro e por fim este Castlevania III: Dracula’s Curse onde me vou focar um pouco mais.

Antes de iniciarmos cada jogo temos direito a um ecrã com algumas infomações adicionais. Pena que os manuais aqui incluidos sejam demasiado simplificados!

Neste terceiro título controlamos Trevor Belmont onde a sua família, depois de ter sido exilada para uma terra longínqua devido à população temer os seus poderes, acaba por ser chamado novamente, pois Dracula renasceu e voltou a lançar o terror pela Europa fora, algures no século XV. Os controlos são os mesmos de sempre, com um botão para saltar e outro para atacar com o vampire killer, o tal chicote dos Belmont passado de geração em geração. Poderemos também apanhar armas especiais cujas munições vão sendo os corações que podemos apanhar ao destruir candelabros e ocasionalmente poderemos encontrar pedaços de comida em locais escondidos que nos regeneram parcialmente a barra de vida. É um jogo bem mais próximo do original nas suas mecânicas portanto, sendo também mais linear que o seu predecessor.

Uma das novidades do Castlevania III é o facto de podermos recrutar uma de 3 personagens para nos ajudar, cada qual com distintas habilidades entre si

Existem no entanto algumas novidades que o tornam bastante único. Para além do Trevor Belmont, à medida em que avançamos no jogo poderemos recrutar um de três personagens que nos irão acompanhar ao longo do resto da aventura e das quais poderemos controlar sempre que o desejarmos ao pressionar o botão Select. As personagens são: Grant Danasty, um acrobata bastante ágil (o mais rápido de todas as personagens disponíveis) e o único capaz de mudar a direcção a meio de um salto, para além de poder escalar paredes. Os contras é que os seus ataques e alcance são bastante fracos. A Sypha Belenades é uma feiticeira disfarçada de monge e apesar dos seus ataques básicos serem também bastante fracos, pode ter acesso a poderosos feitiços elementais que nos podem ajudar bastante. Poderemos lançar feitiços de fogo, gelo ou ar, todos com diferentes utilidades. Por fim temos o Alucard, o filho de Drácula que é semi-vampiro e revoltou-se contra o seu pai. Infelizmente o Alucard não é muito ágil e os seus saltos não são grande coisa, mas tem a vantagem de se transformar em morcego e assim atravessarmos os níveis a voar, a custo dos tais corações que poderemos ir coleccionando. Para além disso, o jogo terá alguns caminhos alternativos com níveis distintos entre si e com quatro finais distintos, o que aumenta bastante a sua longevidade.

Outra das novidades aqui introduzidas são as bifurcações nos caminhos, que nos levam a níveis completamente distintos

A nível gráfico este Castlevania III é excelente. Mantém a mesma lógica do primeiro Castlevania a nível de inimigos e bosses, tendo no entanto níveis bem mais variados nos seus cenários. Aliás, cenários esses que estão muito bem detalhados para um jogo de NES e ocasionalmente com bonitos efeitos gráficos como é o caso do efeito de nevoeiro num dos níveis. As músicas são igualmente boas, embora nós ocidentais temos ficado bastante a perder nesse departamento. Tal como no Castlevania II, a Konami lançou este jogo no Japão num cartucho com hardware adicional que expandia as capacidades de som da NES. As músicas nessa versão possuem então alguns canais de som a mais e que fazem bastante a diferença!

Pode não parecer mas este é um bonito efeito gráfico na NES

Ainda na NES, embora esteja no final da lista dos jogos disponíveis, temos também o Kid Dracula. Lançado originalmente no Japão em 1990, este foi um jogo que se manteve exclusivo naquele território precisamente até ao lançamento desta compilação, onde todo o seu texto foi traduzido para inglês. Aqui controlamos um pequeno Drácula e o jogo possui uma temática bem mais alegre e claro, apesar de ter alguns picos de dificuldade (principalmente nos últimos níveis), é bem mais fácil que os Castlevania normais, até porque temos bem mais controlo nos saltos, embora quando sofremos dano também vamos um pouco para trás, o que pode arruinar algum salto que tenhamos planeado.

Kid Dracula é um jogo bem mais simples mas não deixa de ser um platformer divertido

A nível de mecânicas, um botão salta e o outro ataca, o que no caso deste Kid Dracula refere-se a lançar projécteis de fogo. Mantendo o botão pressionado durante alguns segundos carregamos um charge attack, lançado assim que largarmos o botão. À medida que vamos avançando no jogo iremos também desbloquear outros ataques como bombas, projécteis teleguiados ou outros poderes especiais como nos transformar temporariamente num morcego ou inverter (também de forma temporária) a gravidade. Todos estes power ups podem ser seleccionados através do botão Select.

Matando os inimigos com um charged shot podemos coleccionar moedas que podem ser usadas em mini jogos de bónus entre os níveis para ganhar mais vidas.

A nível audiovisual o jogo é bastante mais infantilizado nos seus cenários, que por sua vez até que são bastante diversificados. Começamos o jogo pelo próprio castelo do Dracula, passando pelos céus, subterrâneos, o Egipto ou até a cidade de Nova Iorque, onde o boss desse nível é nada mais nada menos que a própria estátua da Liberdade e que, em vez de combater, prefere lançar uma espécie de concurso televisivo de perguntas e respostas. As músicas são agradáveis, embora muito abaixo daquilo que a série principal nos trouxe. Este Kid Dracula é portanto um interessante jogo de plataformas e um bonito spinoff da série.

Como é habitual neste tipo de compilações recentes, podemos optar por várias formas de apresentar a imagem no ecrã.

Continuando pela compilação, esta inclui também os Castlevania Adventure e Castlevania II: Belmont’s Revenge da Game Boy clássica que são bastante simples nas suas mecânicas e a nível audiovisual também. Notavelmente a compilação não traz o Castlevania Legend também para o Game Boy, supostamente pelo facto de a Konami eventualmente o ter considerado não canónico, mas o que dizer da inclusão do Kid Dracula nesse caso? E falando no Kid Dracula, a versão Game Boy poderia perfeitamente ter sido incluída também. É uma pena que tanto uma como a outra não esteja incluída, particularmente o Castlevania Legends pois actualmente é um jogo caríssimo. De resto, das consolas de 16bit temos também o Super Castlevania IV da Super Nintendo e o Castlevania Bloodlines / The New Generation da Mega Drive, ambos excelentes jogos. Infelizmente o Rondo of Blood da PC Engine ficou de fora (posteriormente lançado numa outra compilação Castlevania Requiem com o Symphony of the Night também), assim como a sua adaptação mais simplificada da Super Nintendo (Dracula X / Vampire Kiss) que também acabou por sair numa outra compilação mais dedicada aos títulos portáteis.

O melhor bónus aqui presente é mesmo um livro electrónico cheio de informações, entrevistas e documentos utilizados para criar os jogos!

De resto, para além da possibilidade de criar save states (um funcionalidade de rewind seria óptima também), o jogo oferece-nos a possibilidade de gravar a nossa playthrough, para além de incluir toda uma série de diferentes filtros gráficos como costuma ser habitual nestas compilações. Para além disso, o jogo traz também um ebook com informações de todos os jogos presentes na compilação, entrevistas a pessoas envolvidas na série e vários documentos usados durante a criação dos jogos, o que para os fãs é um extra muito interessante. Em suma é uma sólida compilação, mas a meu ver poderia perfeitamente ter incluído alguns títulos adicionais como o já referido Castlevania Legend, a versão GB do Kid Dracula (que é um jogo inteiramente novo), a versão MSX do primeiro Castlevania que é também muito diferente da versão NES, o Haunted Castle de arcade ou o Castlevania Chronicles do Sharp X68000 ou PS1.

Super Mario RPG (Nintendo Switch)

Em jeito de terminar o ano de 2023, decidi jogar mais um título deste ano, desta vez algo bastante melhor que o Gollum com o qual estreei a minha Xbox Series X. Mas apesar de o lançamento da Switch ser deste ano, na verdade este é o remake de um dos muitos RPGs da Super Nintendo, tendo sido desenvolvido originalmente pela própria Square Soft em cooperação com gigante nipónica. Lançado originalmente em 1996, infelizmente é um jogo que nunca chegou a ser lançado em solo europeu, pelo que quando a Nintendo anunciou este remake algures neste ano, fiquei muito contente pois finalmente o poderia adicionar à colecção. E que prazer me deu voltar a jogar esta aventura, visto que já tinha terminado o original, através de emulação há mais de 20 anos atrás! Este remake ficou a cargo da Artepiazza, estúdio japonês também responsável por várias conversões e remakes de títulos de séries como Dragon Quest ou Romancing SaGa. O meu exemplar foi comprado nas campanhas de leve 3 pague 2 da Worten na última black friday. Comprei-o ainda com o preço de pré-reserva, pelo que o jogo me ficou a cerca de 35€.

Jogo com caixa

A história leva-nos uma vez mais ao Mushroom Kingdom, onde a princesa Peach foi raptada por Bowser e Mario, já no castelo do vilão, combate Bowser uma vez mais para a resgatar. Este segmento de jogo serve como uma espécie de tutorial para nos habituarmos ao sistema de combate e estas primeiras lutas são bastante simples. Bowser é uma vez mais derrotado mas, quando estávamos prestes a salvar a Peach, eis que o castelo é invadido por uma espada gigante que o atravessa de uma ponta à outra, com Mario, Bowser e Peach a serem disparados pelo ar em direcções distintas. Lá teremos de procurar a princesa novamente e descobrir o que raio se passou ali. Eventualmente vamos saber que o mundo de Mario foi invadido pelo gangue dos Smithy’s, inimigos na forma de armas e teremos de os derrotar, assim como coleccionar 7 estrelas que estão por aquele mundo espalhadas.

Esta primeira luta contra o Bowser é um clássico!

E este é então um RPG por turnos à moda antiga, mas com toda uma série de particularidades que o destacavam dos demais. Os inimigos estão presentes no ecrã, pelo que os combates apenas são despoletados quando entramos em contacto com os mesmos. Começamos inicialmente com Mario, mas iremos entretanto fazer mais alguns amigos que irão acabar por entrar na nossa party, sendo alguns caras novas, outros bem conhecidas (mas nenhum é o pobre Luigi). Durante os combates poderemos atacar, usar habilidades especiais, usar itens ou outras acções como defender ou tentar fugir de alguma batalha. Um detalhe interessante é que o jogo utiliza algumas das mesmas mecânicas que viriam mais tarde a serem reaproveitadas na série Mario & Luigi, onde para causar mais dano teremos de pressionar o botão A no momento certo, sendo também possível anular o dano sofrido por alguns ataques inimigos da mesma forma. As técnicas especiais/magias requerem também que pressionemos alguns botões adicionais para surtirem mais efeito! De resto, ainda relativo ao sistema de batalha, só de referir que a nossa party activa é constituída por 3 elementos, sendo que o Mario tem de estar sempre presente. Ora como vamos ter 5 elementos no total, o jogo permite-nos, sem qualquer penalização, que troquemos de membros em plena batalha!

Os vilões desta aventura são os Smithys, inimigos na forma de armas como espadas, machados ou arcos

Outras mecânicas do mundo Mario não foram esquecidas, como os diversos itens familiares ou a exploração, com alguns elementos muito ligeiros de platforming. No primeiro caso, itens como cogumelos ou flores são recorrentes e os primeiros servem para recuperar pontos de vida, enquanto as flores recuperam os MP – que por sua vez são partilhados entre todos. Tal como nos jogos de plataforma, vamos poder encontrar vários blocos com pontos de interrogação que contêm moedas ou itens e muitos destes podem até ser secretos e invisíveis! Um item que também podemos apanhar enquanto exploramos são as estrelas que nos conferem invencibilidade temporária. Enquanto o efeito da invencibilidade estiver activo, todos os inimigos com os quais entramos em contacto são imediatamente derrotados e os seus pontos de experiência atribuídos!

Uma das melhorias de qualidade de vida deste remake é a possibilidade de nos tele-transportarmos para várias áreas previamente visitadas

Portanto este é um RPG algo simples nas suas mecânicas, ideal para principiantes! O facto de a pool de mana ser partilhada entre todas as personagens, a possibilidade de trocarmos de personagem a qualquer momento por alguma suplente ou mesmo o facto de os pontos de experiência serem partilhados entre todas as personagens, mesmo as que não estejam activas, são mecânicas que simplificam as coisas consideravelmente. A narrativa é também bastante ligeira e repleta de algum bom humor, algo que transitou também para as restantes séries RPG do universo Mario, como Paper Mario ou Mario & Luigi. À medida que vamos explorando, iremos ter também acesso toda uma série de minijogos ou sidequests opcionais que podem ser revisitados a fim de obter melhores recompensas! A Nintendo incluiu algumas novidades neste remake como por exemplo a inclusão de novos golpes poderosíssimos e que utilizam as 3 personagens activas em simultâneo, um bestiário, um modo de dificuldade ainda mais generoso ou algum conteúdo post-game, como a inclusão de vários bosses novos e bem mais desafiantes.

O contador do canto inferior esquerdo vai incrementando à medida em que vamos causando dano extra (ou negar dano sofrido) com os inputs adicionais nos combates. Quando chegar a 100% poderemos desbloquear um poderoso ataque a 3.

No que diz respeito aos audiovisuais, a primeira coisa que salta à vista é a perspectiva isométrica com que o jogo se apresenta, tal como no original da Super Nintendo. Em jogos que não tenham uma componente de plataformas muito forte, a perspectiva isométrica é uma boa alternativa de representar mundos numa perspectiva tridimensional e que na Super Nintendo funcionava muito bem. Existem no entanto alguns (felizmente poucos) segmentos com platforming mais exigente e aí a perspectiva isométrica já nos complica um pouco as coisas. Para a Switch, os gráficos foram todos refeitos mantendo toda a identidade dos originais e o jogo apresenta-nos um mundo muito charmoso e com cenários bastante variados entre si. Seria interessante, tal como em vários outros remakes de jogos retro disponíveis no mercado, transitar entre os gráficos originais e os do remake, mas infelizmente isso não existe. Temos no entanto a possibilidade de, nas opções, escolher entre a banda sonora original e a nova, sendo que ambas são bastante agradáveis.

Visualmente o jogo está muito bonito e sendo tudo numa perspectiva isométrica a Switch aguenta bem.

Portanto este Super Mario RPG é um excelente jogo, sendo um RPG algo simples nas suas mecânicas e ideal para iniciantes no género. Mas mesmo para quem for mais experiente, não deixa de ser uma aventura a jogar, pois o jogo tem todo aquele charme do universo Mario e isso foi trazido para um RPG de uma forma brilhante. O este remake foi uma surpresa que a Nintendo anunciou ainda em Junho deste ano e que me apanhou completamente desprevenido. Visto que o lançamento original da SNES nunca chegou a ser lançado oficialmente cá (foi uma das razões pela qual comprei uma Super Nintendo Mini), o original de SNES era um jogo muito cobiçado e mesmo no próprio mercado norte-americano os exemplares que existem têm vindo a subir bastante de preço, pelo que fiquei bastante contente com este lançamento. Venha o Earthbound!