Contra Advance: The Alien Wars EX (Nintendo Gameboy Advance)

Continuando pelas rapidinhas nas portáteis, o jogo que cá trago hoje é uma adaptação do clássico da Super Nintendo, conhecido cá na Europa como Super Probotector: Alien Rebels, mais conhecido no resto do mundo como Contra III: The Alien Wars. Foi um excelente jogo de acção da era 16bit e como muitos dos clássicos da Super Nintendo, acabou por receber uma conversão para a Gameboy Advance, mas esta não é uma adaptação normal, como veremos mais à frente. O meu exemplar foi comprado algures no mês passado, como new old stock de uma loja. Ficou-me por 10€.

Jogo com caixa, manuais e papelada

Contra III conta a história de uma invasão alienígena no futuro que deixa a Terra em ruínas. A missão para salvar o planeta recai numa dupla de dois guerreiros, Jimbo e Sully. Para mais detalhes do jogo eu diria para lerem o artigo que escrevi para a versão SNES, mas esta conversão traz uma série de novidades. A primeira salta logo no nome, pois deixou de ser Probotector para nós Europeus, e com personagens humanas jogáveis, em vez de robots, logo é uma versão menos censurada. Depois houve uma série de mudanças a nível de jogabilidade, visto que a GBA possui menos botões que a SNES. O que mudou então? Deixamos de ter a habilidade de carregar com 2 armas em simultâneo (embora possamos reverter para a arma anterior depois de apanhar uma arma nova), bem como a possibilidade de carregar bombas. No entanto o jogo permite-nos agora fixar uma direcção de disparo enquanto nos movemos livremente.

Mesmo na sua versão portátil, é um jogo repleto de acção!

Na sua essência este era um sidescroller 2D, embora a versão SNES possuisse também 2 níveis numa perspectiva vista de cima, com o mapa a rodar, usando o efeito gráfico mode 7. Infelizmente estes níveis nesta versão foram cortados, mas foram surpreendentemente substituídos por dois níveis do Contra: Hard Corps da Mega Drive! Isto foi uma surpresa agradável, pois mantém o jogo mais homogéneo e com níveis repletos de acção. No entanto preferia que esta fosse uma conversão mais fiel e já agora que tivessem aproveitado e converter o jogo da Mega Drive também!

Os níveis com uma perspectiva aérea, foram substituídos por níveis do Contra da Mega Drive

A nível audiovisual é um jogo que está uns furos abaixo da versão SNES. As cores não estão tão vívidas, alguns efeitos gráficos que usam o mode 7 não estão aqui presentes, mas mesmo assim o jogo não deixa de ter um bom grafismo, especialmente nas lutas contra os bosses. As músicas infelizmente também não são tão boas quanto na SNES, mas não são nada más de qualquer das formas.

Portanto este não deixa de ser um excelente jogo de acção, nume conversão curiosa pelas suas peculiaridades. Ainda assim, não torna a versão SNES obsoleta, pois essa ainda continua a ser superior em muitos aspectos.

Mortal Kombat II (Super Nintendo)

Vamos voltar às rapidinhas, desta vez para a conversão para a Super Nintendo do Mortal Kombat II, um dos jogos de luta mais populares da década de 90. Como vocês bem sabem, a série Mortal Kombat surgiu após o esmagador sucesso do Street Fighter II, que revitalizou por completo o mercado dos jogos de luta 1 contra um. De forma a diferenciar-se do gigante da Capcom e dos inúmeros clones que lhe seguiram, a Midway decidiu apostar num jogo de luta extremamente violento e com um look mais realista, ao usar sprites com fotos digitalizadas. O resultado foi o Mortal Kombat, um jogo que também atingiu um grande sucesso de vendas, bem como uma grande controvérsia à sua volta. A conversão do primeiro jogo, apesar de tecnicamente superior na SNES, acabou por ser um fracasso de vendas devido à censura, que na versão da Mega Drive é facilmente retirada através de um código que desde cedo circulou por todos. Felizmente na sequela já não cometeram o mesmo erro, mas já lá vamos. O meu exemplar veio cá parar em duas fases. Numa primeira, foi-me oferecido a caixa e manual por um antigo colega de trabalho. Já o cartucho, esse foi comprado por 12.50€ há coisa de umas semanas no Oeste Games Festival 2018.

Jogo com caixa e manual

Bom, este artigo vai ser uma rapidinha visto que já escrevi sobre o jogo anteriormente, na sua versão para a Sega Mega Drive. E comparando com essa versão, é notório que pelo menos a nível audiovisual esta conversão para a Super Nintendo está muito superior. Os gráficos são muito mais coloridos, as arenas bem detalhadas, a música possui qualidade, as vozes digitalizadas são muito mais limpas. Tecnicamente não há que falar, e tendo em conta que esta versão finalmente traz o sangue e gore para as consolas da Nintendo, então pouco há a recorrer à versão Mega Drive, a não ser o esquema de botões do comando da Sega, que é mais ao meu gosto para este tipo de jogos. Se por outro lado compararmos antes esta versão com a da 32X, então a história já era outra. De qualquer das formas esta versão SNES traz também um modo torneio para até 8 lutadores, que acaba por ser uma vertente multiplayer muito interessante.

Desta vez não há cá censuras!

E pronto, practicamente é isso: Mortal Kombat II para a SNES é uma conversão muito competente do original arcade para uma consola de 16bit. No campo dos audiovisuais leva facilmente a melhor face à versão Mega Drive, já na jogabilidade isso é discutivel, pois prefiro a versão da Sega. O melhor dos dois mundos seria mesmo a versão 32X, mas isso practicamente ninguém jogou.

Pokemon Pinball (Nintendo Gameboy Color)

Voltando às rapidinhas, hoje trago-vos um dos primeiros spinoffs da saga Pokémon para a Gameboy Color, o Pokémon Pinball, ainda da primeira geração de Pokémon, com os originais 151 para apanhar. E tal como o nome do jogo refere, é uma adaptação para pinball. Quanto à sua execução, veremos se realmente foi uma boa ideia ou não. Entretanto o meu exemplar veio parar à minha colecção por 2 partes. A caixa, com todos os manuais, papelada e inserts, tinha-me custado 1€ numa loja que a tinha para lá perdida em algum sítio. O cartucho em si custou-me uns 4€ a um particular.

Jogo com caixa, manual e papelada

Como muitos outros jogos de pinball, um dos objectivos é o de fazer o máximo de pontos possíveis, mas sendo este um Pokémon, também temos de os apanhar a todos. Ao iniciar a cada partida podemos optar pela mesa Red ou Blue, uma alusão aos 2 títulos Pokémon originais. E depois lá controlamos uma pokébola ao lançando-a pela mesa, ressaltando em vários objectos, passando por túneis ou alavancas, que nos vão dando mais pontos e multiplicadores de pontos. Para além disso, é precisamente ao conseguir seguir uma sequência específica de eventos que poderemos também capturar ou evoluir pokémons. Tanbém vamos tendo acesso a minijogos que são na verdade pequenos bosses como o caso do Mewtwo, os Digletts, o Meowth, entre outros. Cada mesa possui a possibilidade de visitarmos várias localizações dos primeiros jogos, como Vermillion City, Mt. Moon, Celadon ou outros, sendo que cada localização possui diferentes Pokémons para apanhar. Apanhar os 151 é uma tarefa hercúlea e exige muitas e muitas horas de pinball, algo que eu não tenho tanta paciência assim.

As diferentes mesas têm também diferentes locais para visitar e pokemons para apanhar

Para além disso, a física deixa muito a desejar, pois por vezes vemos a bola a ter comportamentos que não lembram a ninguém. Por outro lado este é um dos poucos jogos da Gameboy Color que suportam o sistema rumble que adiciona vibração à consola, necessitando para isso de inserir uma pilha AAA no cartucho. Sinceramente não me faz falta! No que diz respeito aos audiovisuais, por um lado as músicas são agradáveis, assim como os efeitos sonoros. Por outro, acho que as mesas de pinball poderiam ter mais algum detalhe.

Para apanhar ou evoluir um pokemon é necessário que a bola bata numa série de sítios

Portanto este é um jogo de pinball que até pode agradar aos fãs do género se quiserem um jogo apenas para pontuar. Para os fãs de Pokémon apenas, será mais difícil de agradar.

Gremlins 2 (Nintendo Entertainment System)

Continuando pelas rapidinhas, o jogo de hoje leva-nos à adaptação para consolas da Nintendo do filme Gremlins 2, lançado algures em 1990. Digo adaptação para as consolas da Nintendo pois existe uma outra versão do Gremlins 2 produzida pela Elite para os vários computadores da época. Esta versão é produzida pela Sunsoft, tendo sido lançada para a NES e Nintendo Gameboy respectivamente. O meu exemplar foi comprado algures durante o mês passado a um particular, tendo-me custado uns 12€.

Apenas cartucho

Os filmes dos Gremlins são baseados nas estranhas e misteriosas criaturas peludas, que não podem nem ser alimentadas depois da meia-noite, nem molhadas com água. Se tal acontecer, a criatura fofinha dá origem a uma série de diabretes capazes de causar o caos, algo que aconteceu numa pequena cidade do interior norte-americano no primeiro filme, preparando-se para acontecer agora em plena Nova Iorque. Neste jogo tomamos o papel do próprio Gremlin “bom” que percorrerá um arranha-céus e assim derrotar todos os Gremlins maus e outras criaturas que encontrar.

Este é um jogo de acção numa perspectiva aérea que mistura conceitos de shooter com os de um jogo de plataformas. O objectivo é levar o Gizmo até à saída do nível, atravessando uma série de obstáculos e inimigos, tipicamente culminando na luta contra um boss. A jogabilidade é simples com um botão para saltar e um outro para atacar. Ao longo dos níveis e à medida que vamos combatendo os inimigos, estes vão deixando para trás alguns itens que nos poderão ajudar. O mais comum são pequenos cristais que servem de unidade monetária do jogo, mas também podemos encontrar Pogo Sticks que nos permitem saltar sobre os inimigos e derrotá-los rapidamente, de forma temporária. Temos um relógio que paralisa brevemente os inimigos no ecrã e uma lâmpada que destrói todos os que estejam presentes no ecrã.

Ao longo do jogo não vamos enfrentar outros Gremlins apenas, mas também criaturas estranhas como tomates gigantes

Para além disso, de vez em quando encontramos portas que nos levam a uma loja. É aqui que podemos trocar os cristais por alguns itens, se bem que apenas podemos comprar um item de cada vez: temos um balão (podemos carregar um máximo de 5) onde a cada vez que nos enganamos um salto e vamos caindo de um precipício, este balão é usado automaticamente, dando-nos alguns segundos para nos colocarmos em segurança. Podemos também comprar power ups temporários para a nossa arma, bem como corações extra que nos aumentam a barra de vida (mas infelizmente só até ao fim do nível) ou mesmo vidas extra. De resto, no final dos confrontos com cada boss ganhamos um upgrade à nossa arma, que, tal como nos shmups, tipicamente consegue disparar em várias direcções e com projécteis mais poderosos.

Eventualmente lá encontramos lojas secretas onde podemos comprar alguns itens que nos ajudarão

De resto a nível gráfico é um jogo minimamente competente, embora os cenários não sejam lá muito variados entre si. Mas o que me agrada mesmo são as músicas! A Sunsoft tipicamente faz um excelente trabalho neste campo e este título não é excepção à regra! Algumas das músicas são mesmo viciantes! De resto é um jogo bastante agradável de se jogar, pelo que recomendo que lhe dêm uma olhada se tiverem a oportunidade.

Secret of Evermore (Super Nintendo)

O Secret of Mana é um clássico intemporal no ramo dos action RPGs japoneses. Creio que não há dúvidas disso, tanto que a Square-Enix escolheu este jogo para um full remake em 3D para várias plataformas actuais. Depois do Secret of Mana, que no Japão era originalmente conhecido por Seiken Densetsu 2 (o primeiro jogo da série chegou até nós Europeus como Mystic Quest), a Squaresoft começou a trabalhar na próxima sequela, Seiken Densetsu 3 que acabou por sair no Japão algures em 1995. Infelizmente, e talvez devido ao mercado das 16bit estar a entrar numa fase descendente nessa altura, esse jogo nunca foi localizado. Por outro lado, o ramo Americano da Sqaresoft também tinha começado o desenvolvimento deste Secret of Evermore que partilha algumas das mesmas mecânicas de jogo que Secret of Mana, mas estava a ser desenvolvido de raiz para o mercado ocidental, tanto que os japoneses nunca o receberam. O meu exemplar foi comprado algures em 2016, num pequeno bundle de vários jogos de Super Nintendo que me ficou por 70€ no total.

Apenas cartucho, versão espanhola

O jogo começa por nos levar ao ano de 1965 à pequena cidade norte-americana de Podunk, onde algures no interior de uma mansão estava a decorrer uma experiência científica que correu mal e todos os presentes na sala desapareceram sem deixar rasto. A narrativa avança então 30 anos para os anos 90, onde encarnamos no papel de um jovem adolescente viciado em filmes de acção. O jovem, que lhe damos o nome que quisermos, estava a sair precisamente do cinema quando o seu cão começa a perseguir um gato que entra pela velha mansão abandonada, até que descobrem o laboratório secreto e uma vez mais todos desaparecem misteriosamente. Somos então levados para o estranho mundo de Evermore, aterrando inicialmente numa zona aparentemente pré-histórica, com homens das cavernas e dinossauros. À medida que vamos explorar Evermore, vamos encontrando as personagens desaparecidas de Podunk e vilões que querem dominar aquele mundo a todo o custo.

A piada deste Secret of Evermore está na variedade de cenários que vamos visitando

As mecânicas de jogo, tal como referido acima são inspiradas nas de Secret of Mana, na medida em que este é um RPG de acção com um sistema de menus em anel, ganhamos experiência à medida em que combatemos, assim como as armas que temos equipadas e as magias que desencadeamos, todos vão subindo de nível, ficando cada vez mais ponderosas. O jogo possui também um sistema de menus em anel, mas as similaridades acabam-se por aí. Apesar de termos sempre 2 personagens na party (o herói e o seu cão), este é um jogo completamente single player, na medida em que apenas controlamos activamente uma das personagens, a outra é controlada por inteligência artificial, se bem que é possível escolher o seu comportamento típico. Com o cão a vaguear sozinho, ele vai alternando entre ataque e exploração, permitindo-nos encontrar vários itens escondidos.

Como sempre não poderiam deixar de haver bosses para enfrentarmos!

A outra grande diferença perante o Secret of Mana está mesmo no sistema de magias, que aqui é substituido por um sistema de alquimia. Ao longo do jogo vamos poder encontrar e/ou comprar vários diferentes materiais que podem ser usados em conjunto como magias de ataque, defesa ou suporte como regenerar a nossa vida, aumentar o ataque, evasão e outros stats.

O sistema de magias é substituido por fórmulas de Alquimia, onde misturando diferentes reagentes poderemos desbloquear diferentes feitiços

A nível audiovisual é um jogo que usa o mesmo motor gráfico do Secret of Mana pelo que possui gráficos coloridos e relativamente bem detalhados. O mundo de Evermore é variado, consistindo em diferentes regiões temáticas, como uma zona pré-histórica cheia de florestas, cavernas e vulcões, uma outra zona romana e/ou egípcia com desertos e grandes monumentos ou catacumbas para serem exploradas. Por fim temos também por explorer uma zona medieval com castelos e dragões, bem como uma estação especial toda futurista. No entanto, a narrativa não é lá muito apelativa a meu ver, não achei que as personagens fossem muito carismáticas. Por outro lado as músicas são de boa qualidade, fruto do excelente chip sonoro da Super Nintendo.

Apesar de não ser um jogo graficamente tão completo como Seiken Densetsu 3, possui os seus momentos

Portanto este Secret of Evermore até que nem é um mau jogo de todo, especialmente para os fãs de Secret of Mana já que herda muitas das suas mecânicas de jogo. Mas depois de jogar uma ROM traduzida do Seiken Densetsu 3, preferia de longe que tivéssemos antes recebido por cá esse jogo, sem dúvida um dos mais fortes dentro do seu género.