Phalanx (Nintendo Gameboy Advance)

Quando vemos aqueles artigos das capas de videojogos mais bizarras, a edição norte-americana do Phalanx é invariavelmente uma das que vem sempre à baila. Afinal, num shmup futurista, quem esperaria ver como destaque uma fotografia real de um velhote a tocar banjo? Com a nave espacial relegada para o canto superior direito da capa, mesmo em plano de fundo. Infelizmente a versão SNES nunca chegou a sair em solo europeu, mas mais tarde a Kemco tratou de produzir uma conversão para a Gameboy Advance com uma capa mais fiel ao conceito do jogo. O meu exemplar foi comprado algures há 2 meses atrás, sendo new old stock de uma loja. Custou-me perto de 10€.

Jogo completo com caixa, manuais e papelada

A história segue o cliché do costume, com os humanos terem colonizado um planeta distante que se viu invadido por uma força misteriosa. Nós somos a última esperança para essa colónia, pilotando uma nave experimental, teremos de repelir todos os agressores.

Se bem me recordo a versão SNES possuia os cenários mais bem detalhados

Mas se por um lado a história segue o cliché habitual, a jogabilidade possui alguns elementos interessantes. Em primeiro lugar o jogo dá-nos a liberdade de alternar a velocidade de movimento da nossa nave entre 3 níveis, depois temos os habituais power-ups e diferentes tipos de armas. A arma principal são pequenos canhões disparados pela nave, mas temos vários slots que podem ser equipados (e alternados livremente entre si) com os power ups que poderemos vir a apanhar ao longo do jogo. Alguns são meras extensões à arma normal, como diferentes tipos de mísseis que são disparados em simultâneo, enquanto outros power ups mudam completamente a estrutura da nave e o seu modo de fogo. Para além disso, cada um destes power ups pode ser melhorado!

Os níveis são grandes quanto baste, existindo até vários sub-bosses

Por exemplo, os power ups do tipo L (de Laser Beam) dão-nos 2 pequenas naves auxiliares, que estão sempre numa formação paralela à nave principal, disparando poderosos raios laser capazes de perfurar vários inimigos em simultâneo. Já os tipo H (homing) também atribuem 2 naves auxiliares que orbitam à volta da nossa nave, todas elas disparando projécteis teleguiados, entre outros. Para além disso temos as tradicionais bombas que destroem todas as naves inimigas no ecrã e, cada um destes power ups que equipamos pode ser descartado livremente, com a particularidade de cada um deles ter um ataque especial de cada vez que seja descartado. Depois temos os power-ups do tipo P, que servem de upgrades às armas equipadas, regeneram parcialmente a nossa vida e restabelecem o stock de bombas.

No que diz respeito aos audiovisuais, este é um jogo que sinceramente não me encheu lá muito as medidas. Isto porque se por um lado temos imensos inimigos e/ou projécteis no ecrã em simultâneo e a performance não leva nenhuma quebra, o que é excelente, por outro lado não sou um grande fã do design dos inimigos, e os ecrãs de fundo têm menos detalhe do que a versão SNES que se bem me recordo as músicas também são melhores. Por outro lado esta versão tem algumas cutscenes em video mais modernas.

Esta versão GBA possui algumas cutscenes que antes não existiam.

Portanto este Phalanx acaba por ser um shmup interessante pelas suas mecânicas de jogo, mas acho que teria mais piada voltarem a relançá-lo com a capa da versão norte-americana da SNES, sempre aumentava o factor curiosidade!

Pokemon Pinball: Ruby and Saphire (Nintendo Gameboy Advance)

Voltando às rapidinhas, o jogo que cá trago hoje é o segundo capítulo do Pokémon Pinball, sub intitulado de Ruby and Saphire, este inclui Pokémons até à terceira geração para apanhar. Fora isso, as mecânicas de jogo são muito semelhantes, mas a jogabilidade e todo o grafismo o som foram bastante melhorados face ao seu predecessor. O meu exemplar foi comprado na Cash Converters de Alfragide, já não sei precisar quando, mas se a memória não me falha custou-me algo à volta dos 2€.

Apenas cartucho

Aqui dispomos de duas mesas para explorar, onde em cada qual poderemos participar em diferentes “mini-jogos”, na verdade mini-mesas de pinball com um boss para derrotar, e apanhar diferentes Pokémons. As mecânicas de jogo são muito semelhantes, vamos amealhando muitos pontos ao passar a bola por certas rampas e tocar em botões ou outros objectos. Ao cumprir certos objectivos, poderemos desencadear vários cenários, como apanhar um Pokémon, evoluir um Pokémon que tenhamos apanhado antes, ou avançar para a localização seguinte. Temos também a possibilidade de chocar um ovo e ficar com um Pokémon bébé. Para atingir cada um destes objectivos, teremos de preencher uma série de requisitos, desde apanhar alguns itens que estão espalhados pelas mesas ou tocar nalguns botões específicos, sempre com um tempo limite.

Mais uma vez temos 2 mesas para jogar

Para além disso poderemos coleccionar moedas e visitar um Poké Mart, onde poderemos comprar vários itens como bolas (vidas) extra, ou atalhos para desbloquear uma fase de captura ou evolução de Pokémons. De resto a jogabilidade está melhor, principalmente na física da bola que me parece bem mais realista que no jogo anterior.

A outra das grandes melhorias está precisamente nos audiovisuais, como referi no primeiro parágrafo. As mesas estão muito melhor detalhadas e coloridas, o que seria de esperar tendo em conta as diferenças de hardware entre uma Gameboy Color e uma Advance. As músicas também são bastante agradáveis como é normal nos jogos Pokémon.

Este jogo para a GBA possui um grafismo muito melhor, assim como a jogabilidade

Portanto, este acaba por ser um bom jogo para quem for fã de Pinball. Para os fãs mais hardcore de Pokémon, convém gostarem de Pinball na mesma, pois para capturar todos os Pokémon possíveis é algo que não se faz de uma assentada só, muito longe disso e exige várias sessões de jogatana.

Fester’s Quest (Nintendo Entertainment System)

Voltando agora para a NES, o jogo que cá trago hoje tem muito má fama por essa internet fora, mas sinceramente nem o acho assim tão mau quanto isso. Fester’s Quest é um jogo desenvolvido pela Sunsoft, e que faz parte da saga da Família Addams, cujo protagonista principal é o tio Fester. Este tem a missão de defender a cidade de ser invadida por alienígenas, com as outras personagens da série a aparecerem esporadicamente! O meu exemplar custou-me 10€ no mês passado, no evento Oeste Games Festival 2018.

Apenas cartucho

Estão a ver o Zombies? Este jogo é muito parecido, excepto que não andamos aqui a tentar salvar pessoas de serem comidas por zombies. A ideia é mesmo ir percorrendo as ruas da cidade, os seus túneis e esgotos e algumas das casas, de forma a expelir o máximo possível de aliens. Os controlos são simples, com um botão para disparar e um outro para usar o item que tenhamos seleccionado do nosso inventário. O problema com o jogo é que a nossa arma inicial é muito fraca, com pouco alcance, apenas podermos sofrer 2 pontos de dano até perder uma vida e os inimigos serem rápidos. Principalmente no início, devemos então jogar com muita calma e cuidado, e tentar treinar o máximo possível, isto porque os inimigos vão largando vários itens que nos podem ajudar, incluindo power-ups para a nossa arma que a tornam bem mais poderosa com o tempo. Outra das armas que vamos poder desbloquear é um chicote à lá Castlevania, e este também pode ser evoluído com power-ups. Mas também temos de ter cuidado, pois os inimigos também nos dão “power downs” para a arma e o chicote, que, tal como o nome indica, “desevoluem” as nossas armas. Estes devem ser evitados a todo o custo! Outros itens que os inimigos largam podem ser dinheiro, chaves ou lâmpadas.

Embora não seja obrigatório, as lampadas dão jeito para iluminar os túneis

O dinheiro pode ser usado para comprar comida nas barraquinhas de “hot-dog” que vemos espalhadas pela cidade. Essa é uma das maneiras de regenerarmos a nossa vida! As chaves, como seria de esperar, servem para destrancar portas que nos permitem abrir e explorar casas ou outras dungeons. As lâmpadas servem para nos iluminar os túneis ou esgotos que vamos ter de atravessar. Por vezes podemos entrar nalgumas casas, onde somos recebidos por um outro membro da família Addams, que nos oferece alguns outros itens precisosos, como barras de dinamite, mísseis teleguiados, poções de invencibilidade, poções que nos regeneram a barra de vida, entre outros, como nós de forca que podem ser usados para chamar o mordomo, que causa dano a todos os inimigos presentes no ecrã. Ora todos estes itens, excepto o último que mencionei, podem ser usados a qualquer altura, inclusivamente contra os bosses, que tipicamente são bastante fortes, levam uma eternidade a morrer, e facilmente morremos nós, com a reduzida barra de vida que temos. Por sua vez os bosses são, na sua maioria precedidos de um labirinto em 3D na primeira pessoa, sempre que entramos nalgum prédio. É uma coisa que não estava mesmo nada à espera, e mesmo não sendo labirintos tão fluídos quanto os de Phantasy Star, não estão maus de todo.

Convém evoluir a nossa arma o mais rápido possível pois os inimigos são rápidos e facilmente sofremos dano

A nível audiovisual, este é um jogo também com alguns altos e baixos. Se por um lado não tenho muito a apontar à qualidade dos gráficos em si, creio que poderia haver um bocadinho mais de variedade. Isto porque vamos estar a maioria do tempo a vaguear na mesma cidade, com o mesmo tipo de edifícios, estruturas e florestas. Só mesmo no final é que vemos alguns cenários mais alienígenas. No que diz respeito ao som, bom, é verdade que o jogo poderia ter mais músicas, mas as que existem são excelentes, muito boas mesmo, como a Sunsoft nos tem vindo a habituar. Aliás, é para muita gente o único ponto positivo do jogo.

Alguns dos itens que nos oferecem acabam por dar um jeitaço em situações mais apertadas

Portanto este Fester’s Quest, apesar de não ser um jogo perfeito, para mim está longe de ser a abominação que muitos lhe chamam. É certo que a dificuldade está lá, principalemente pela reduzida barra de vida, mas com preserverança, os upgrades às armas, e com os outros itens que vamos apanhando, as coisas vão se fazendo. Creio que seria uma mais valia para o jogo ter mais elementos de RPG, tornando-se num RPG de acção. A possibilidade de subir de nível, fortalecendo o Fester, ou pelo simples facto que várias vezes temos de “farmar” à espera que nos caia uma chave ou uma lâmpada para progredir no jogo, estes teriam sido elementos benvindos na jogabilidade.

Contra Advance: The Alien Wars EX (Nintendo Gameboy Advance)

Continuando pelas rapidinhas nas portáteis, o jogo que cá trago hoje é uma adaptação do clássico da Super Nintendo, conhecido cá na Europa como Super Probotector: Alien Rebels, mais conhecido no resto do mundo como Contra III: The Alien Wars. Foi um excelente jogo de acção da era 16bit e como muitos dos clássicos da Super Nintendo, acabou por receber uma conversão para a Gameboy Advance, mas esta não é uma adaptação normal, como veremos mais à frente. O meu exemplar foi comprado algures no mês passado, como new old stock de uma loja. Ficou-me por 10€.

Jogo com caixa, manuais e papelada

Contra III conta a história de uma invasão alienígena no futuro que deixa a Terra em ruínas. A missão para salvar o planeta recai numa dupla de dois guerreiros, Jimbo e Sully. Para mais detalhes do jogo eu diria para lerem o artigo que escrevi para a versão SNES, mas esta conversão traz uma série de novidades. A primeira salta logo no nome, pois deixou de ser Probotector para nós Europeus, e com personagens humanas jogáveis, em vez de robots, logo é uma versão menos censurada. Depois houve uma série de mudanças a nível de jogabilidade, visto que a GBA possui menos botões que a SNES. O que mudou então? Deixamos de ter a habilidade de carregar com 2 armas em simultâneo (embora possamos reverter para a arma anterior depois de apanhar uma arma nova), bem como a possibilidade de carregar bombas. No entanto o jogo permite-nos agora fixar uma direcção de disparo enquanto nos movemos livremente.

Mesmo na sua versão portátil, é um jogo repleto de acção!

Na sua essência este era um sidescroller 2D, embora a versão SNES possuisse também 2 níveis numa perspectiva vista de cima, com o mapa a rodar, usando o efeito gráfico mode 7. Infelizmente estes níveis nesta versão foram cortados, mas foram surpreendentemente substituídos por dois níveis do Contra: Hard Corps da Mega Drive! Isto foi uma surpresa agradável, pois mantém o jogo mais homogéneo e com níveis repletos de acção. No entanto preferia que esta fosse uma conversão mais fiel e já agora que tivessem aproveitado e converter o jogo da Mega Drive também!

Os níveis com uma perspectiva aérea, foram substituídos por níveis do Contra da Mega Drive

A nível audiovisual é um jogo que está uns furos abaixo da versão SNES. As cores não estão tão vívidas, alguns efeitos gráficos que usam o mode 7 não estão aqui presentes, mas mesmo assim o jogo não deixa de ter um bom grafismo, especialmente nas lutas contra os bosses. As músicas infelizmente também não são tão boas quanto na SNES, mas não são nada más de qualquer das formas.

Portanto este não deixa de ser um excelente jogo de acção, nume conversão curiosa pelas suas peculiaridades. Ainda assim, não torna a versão SNES obsoleta, pois essa ainda continua a ser superior em muitos aspectos.

Mortal Kombat II (Super Nintendo)

Vamos voltar às rapidinhas, desta vez para a conversão para a Super Nintendo do Mortal Kombat II, um dos jogos de luta mais populares da década de 90. Como vocês bem sabem, a série Mortal Kombat surgiu após o esmagador sucesso do Street Fighter II, que revitalizou por completo o mercado dos jogos de luta 1 contra um. De forma a diferenciar-se do gigante da Capcom e dos inúmeros clones que lhe seguiram, a Midway decidiu apostar num jogo de luta extremamente violento e com um look mais realista, ao usar sprites com fotos digitalizadas. O resultado foi o Mortal Kombat, um jogo que também atingiu um grande sucesso de vendas, bem como uma grande controvérsia à sua volta. A conversão do primeiro jogo, apesar de tecnicamente superior na SNES, acabou por ser um fracasso de vendas devido à censura, que na versão da Mega Drive é facilmente retirada através de um código que desde cedo circulou por todos. Felizmente na sequela já não cometeram o mesmo erro, mas já lá vamos. O meu exemplar veio cá parar em duas fases. Numa primeira, foi-me oferecido a caixa e manual por um antigo colega de trabalho. Já o cartucho, esse foi comprado por 12.50€ há coisa de umas semanas no Oeste Games Festival 2018.

Jogo com caixa e manual

Bom, este artigo vai ser uma rapidinha visto que já escrevi sobre o jogo anteriormente, na sua versão para a Sega Mega Drive. E comparando com essa versão, é notório que pelo menos a nível audiovisual esta conversão para a Super Nintendo está muito superior. Os gráficos são muito mais coloridos, as arenas bem detalhadas, a música possui qualidade, as vozes digitalizadas são muito mais limpas. Tecnicamente não há que falar, e tendo em conta que esta versão finalmente traz o sangue e gore para as consolas da Nintendo, então pouco há a recorrer à versão Mega Drive, a não ser o esquema de botões do comando da Sega, que é mais ao meu gosto para este tipo de jogos. Se por outro lado compararmos antes esta versão com a da 32X, então a história já era outra. De qualquer das formas esta versão SNES traz também um modo torneio para até 8 lutadores, que acaba por ser uma vertente multiplayer muito interessante.

Desta vez não há cá censuras!

E pronto, practicamente é isso: Mortal Kombat II para a SNES é uma conversão muito competente do original arcade para uma consola de 16bit. No campo dos audiovisuais leva facilmente a melhor face à versão Mega Drive, já na jogabilidade isso é discutivel, pois prefiro a versão da Sega. O melhor dos dois mundos seria mesmo a versão 32X, mas isso practicamente ninguém jogou.